segunda-feira, 13 de outubro de 2014

"O Exótico Hotel Marigold".

Quanta poesia cabe em um só filme?

Pois, eis que me deparo esta questão ao assistir o filme: 
O Exótico Hotel Marigold"


Eis o que a métrica da nossa doce abstração não responde. 





Não vou das preliminares de apresentação do filme, de tão fantástico que é o enredo*. Vou apenas permear as relações profundas abordadas no filme e seu fundo histórico, tão perfeito ao desenvolvimento da história

O fundo da história nos remete a um decrépito hotel localizado na Índia, país onde as contradições da globalização e modificação dos valores são permeadas da resistência e manutenção de velhas tradições.

O “Fantástico Hotel Marigold” é administrado por um jovem sonhador que vê em um prédio em ruínas todas as possibilidades do que ele ainda poderá ser, e vem a ser escolhido como local para repouso de 07 "jovens" idosos ingleses, ainda, como toda a humanidade - independente da idade- cheios de (con)tradições, perguntas e questões a serem resolvidas. São sete personalidades diferentes e pitorescas, tendo de se adaptar a um País desconhecido, com costumes desconhecidos, e  principalmente: tendo de aprender a conviver consigo mesmo e com os demais.

Toda sorte de diferença existe entre os sete personagens: A orientação sexual nunca revelada por um ex-ministro da justiça da Inglaterra, à decadência e preconceito de uma velha e solitária governanta que não acredita e não aceita a miscigenação e precisa aprender a receber gentilezas– inclusive cuidados-  de indianos e outras etnias e nacionalidades, à uma senhora amargurada e seu marido doce, que vive a tentar produzir-lhe algum efeito ou felicidade, ou mesmo dois solteirões que se encontram e vão viver o grande amor da terceira idade, lúcidos, sadios e sóbrios.

E, por fim, a minha personagem principal, uma “jovem” viúva, com uma amabilidade incrível e vontade de viver maiores ainda, que lhe emprestam uma jovialidade e sensibilidade que só os grandes seres humanos conseguem um dia alcançar, e que descreve a impressão de tudo que se passa no enredo, por meio de reflexões acerca das vivências de cada um e de suas percepções de mundo.

Mas são tão ricas que não me darei ao trabalho de descrever,  mas sim de transcrever aquelas que marcaram para mim e deixarei em você leitor, a reflexão e a vontade de assistir a esse filme de múltiplas facetas e que, a priori, parece um filme simples e “mais um” na multidão, mas na verdade se revela uma verdadeira análise sobre o mundo, o amor e as relações – tão plurais!- que desenvolvemos com nós mesmos.

Não me sinto qualificada o suficiente para resenhar “O fantástico Hotel Marigold”, mais rico que muitos livros que li sobre o quão somos abissais na arte de sentir. Por isso, passo à transcrição de Judith:



Diário da Judith.


“Não podemos reviver nenhum passado que queremos. Só há um presente, que se forma e se recria conforme o passado vai desaparecendo(...)”

“Perdemos os velhos hábitos mais rápido do que pensamos (...) E, quando você se adapta: Meu Deus! Há tantas coisas para aproveitar!”

“Leva muito tempo para um corpo ser queimado. Várias horas para nos lembrarmos da figura de quem partiu e de quem somos. Será que viajamos para tão longe para finalmente nos permitirmos chorar? “

“O único e verdadeiro fracasso é o de tentar. E o sucesso é medido pela forma como lidamos com a decepção, já que isso é necessário. Viemos aqui, e tentamos todos nós, cada um do seu jeito. Podemos ser culpados por nos sentirmos velhos demais para mudar? Por temermos muito a decepção de começar tudo de novo? Acordamos de manhã e damos o nosso melhor. Nada mais importa”.

Mas também é verdade que a pessoa que não arrisca nada, não faz nada. Não tem nada. Tudo que sabemos é que o futuro vai ser diferente. Talvez o nosso temor seja que continue tudo igual. Então, precisamos comemorar as mudanças. Por que, alguém disse que no fim, tudo vai dar certo. E se ainda não deu, confie em mim: O fim ainda não chegou”.

A minha conclusão geral é que todos estamos no Exótico Hotel Marigold, e que ele é uma metáfora da vida: Edificações decrépitas, sonhos incríveis, superação irrestrita à idade ou personalidade, inclusive de nós mesmos. E procura pela felicidade, nas mais diversas formas que ela possa se apresentar. 

·       *  Uma visão direta: http://www.oquerola.com/revista/resenha-de-o-exotico-hotel-marigold/







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