segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Um dia a mais e o fim do mundo (Filosofia do boteco da lua)



Senta aí, meu caro leitor, que te faço o convite de sentar nessa mesa de poesia, pra descer uma prosa bem quentinha, por favor.  Vamos pedir para beber uma poesia? Enquanto não chega, de aperitivo, vamos falar do 29 de fevereiro. ;)


Hoje é 29 de fevereiro. Não sei o motivo, mas sempre associo a data ao fim do mundo. Acho que é porque é a ideia charmosa e ilusória do "um dia a mais". Explico: A gente sempre entrega à vida nossas urgências. Mas, imagina se houvesse uma agenda interna que estipulasse o fim do mundo para o último dia de fevereiro: você gostaria que esse ano fosse bissexto. Para poder olhar as urgências como urgentíssimas. Um dia a mais, então, faria toda a diferença!
Se, depois de viver toda minha vida, eu tivesse um dia a mais, eu não sei tudo que faria,completamente. Sei que rolariam beijos nas minhas pessoas amadas e gratidão. Sei que haveriam ligações entremeadas de 'eu te amo', isso se os telefones funcionassem. Senão, pensamentos de amor aos queridos ausentes. Sei que faria poesia e viria aqui, neste espaço poético. Pode parecer bobagem, mas eu me despediria do meu jardim.

Sei também que avaliaria minha vida. O que fiz de mais legal, as coisas que poderiam ser melhores. Não sei se haveria "o outro lado", outra vida a ser vivida, outro planeta a habitar. Mas haveria fé nisso, na mão que contorna o universo. Não daria para deixar para amanhã: aquela mensagem, aquela visita, aquela saudade, aquelas obrigações. Alias, acho que deixaria as obrigações de lado e seria bem hedonista, neste dia, mas sem ferir ninguém ao redor. Só curtir meu pequeno infinito e laços de amor. Ouviria música, isso eu sei. Talvez comesse todo chocolate e sorvete que suportasse e certamente não dormiria, pois o plano seria ir para o espaço ou para o outro lado exausta e feliz!

Enfim, graças à Deus, não é fim do mundo, é apenas mais um dia. Ou, um dia a mais (faz diferença? acho que faz). De quatro em quatro anos, ele se repete. No último 29 de fevereiro, eu era ruiva-cereja, sonhadora, poeta, advogada e estudante, cheia de planos e sonhos a desenvolver. No penúltimo, também. Entre um ano bissexto e outro, dos oito que já vivi, realizei sonhos, fui e fiz feliz, vivi coisas extraordinárias e fui palco de amor e poesia - que inundaram esses dias!  

É o que desejo também para meu próximo 29 de fevereiro. 
E para o seu também. <3

Cartas para o Senhor do Pincel II



Na  confecção, lealdade
à tudo que sou e que sinto
Ao que acredito e ao que serei
Coisas que ainda nem sei...

Guardo orações e amor nos bolsos
Que eu mesma escrevi com o tempo
Enfeito de alegria o esconderijo
Porque viver é um grande perigo...

Agora que não sei mais nada
Bem o sabes, estou tão esquisita!
Olho com calma os lírios do campo
Menos conflituosa, mais contemplativa...

Cheia de flores, no espaço e no jardim
Rendo agradecimentos à ti
Que, no fim, é o grande arquiteto
Que nos dá o poder de construir o universo...#

Li Adélia Prado ontem e fiquei tão emocionada, como sempre! Poema e Deus andam de mãos dadas, na poesia de Adélia, quase como um carinho, Igual ao Manoel de Barros, ela agradece. Aí, saiu alguma coisa assim, como um agradecimento. Eu sei, meu amigo Deus,  que tudo é meu(arbítrio) e eu desenho meu universo. Ilumina sempre o meu discernimento, me auxilia na estrada. Obrigada!

Uma semana calma, cheia do amor d´Ele em nós. :)

Luz! 

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Sem ponto de partida (Whithout starting point)



Sem exclamação
Interrogação ou vírgula
O poema segue
à deriva

E deriva é navio sem curso
E sem curso é sem destino
Não há erro no que está sempre certo
Chuva ou sol a pino

Mas
tudo pode ser questão de leitura
Míopes emocionais
As interrogações escorrem da armadura

Sem acentuação ou ponto de partida
A vida segue o curso
E por isso é vida




Então, a ideia era brincar de postar algo aqui, como no caderno de poesias, moleskine ou qualquer outro nome que você dê, além de brincar com os sentidos da pontuação, sob o ponto de vista da lógica e do português.  Mas isso é só o meu ponto de vista acerca do poema, que já ganhou asas, quando viajou até você.

Experimentos!





Toda guerra e toda paz se faz por dentro
Uma fagulha impura queima até pedir espaço
Dentro dos pedaços da emoção
- O corpo é sempre um campo de concentração!

De onde misturas químicas
Formam sentimentos e experiências
E a gente tenta compreender ...
No fundo, todo mundo é um pouco X men.

E resiste ao elo:  loucura e liberdade
Entre o instante da chegada e do adeus
Uma mistura de vontade e cansaço
Um exercício de parir os seus...

A paz se faz quando o infinito está sereno
Pois, pra guerrear, basta não estar tão pleno
heróis e vilões de nossas próprias vidas
Cheios de marcas, batalhas ganhas e perdidas!  #



Rascunho de 12.02.2012, que resgatei.
Fiquei na dúvida de, se todo mundo é um pouco X men, quem seria Deus, neste universo.
Quem será? ;
Bom dia, querid@s.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Rascunhos!



Sabe aqueles rabiscos soltos despretensiosamente? Pois é, sou muito de fazê-los: é o vício do rascunho.
E amo rascunhos, confesso. Rascunho é coisa deixada de lado, bilhete de mim para mim, rabisco. Recentemente, percebi que o aluanaodorme é minha fonte mais ampla de rascunhos. Tenho mais de 900!  Fiquei meio abismada: 900 rascunhos. Coisinhas minhas, poemas mal resolvidos...em uma matemática meio torta, tenho mais de dois anos de rascunhos.

Pudera. Fui adolescente de papéis de carta, poemas dedilhados e cadernos de recordação.  Livros antigos, lira, muita lira. Tudo devidamente guardado, tesouro pessoal, construído pelo tempo. É uma espécie de respeito com as coisas das Jacis. A maneira como elas, tantas vezes, escreveram com emoções diferentes, a ética que ainda me habita, o temperamento e criatividade que forma mundos. Elas estão em mim,sou morada de cada uma. Leio coisas que sei que não fui eu quem fiz, foi uma delas. Acho bonito,acho tosco e, às vezes, muito mal escrito. Mas quem sou eu para julgar isso? (rs).Tenho delas a mesma paixão por registros: cartas, poemas...mas os meus preferidos são os bilhetinhos, aquela coisa íntima que deixamos para quem amamos. Rascunho é bilhetinho de mim para mim, como disse aí em cima. E como não amar?

Estes dias, sempre que sobra tempo, tenho resgatado estas poesias antigas, dispostas em rascunhos e publicado na época em que deveriam ter sido. Um tipo de respeito poético com as moças, com o tempo delas, com seus poemas escondidinhos, tímidos. Claro, só os que mais apreciei, afinal, posso me dar o direito de ser a Editora-Chefe dessa equipe (rs). E convenhamos: o aluanaodorme tem muita pieguice, para além da métrica e das metáforas - tão apreciadas no poema.
Em meio a isso, continuo a deixar rascunhos. Nos livros, no moleskine, no aluanaodorme, mentais. E até nas nuvens. Acho uma delícia escrever com a  vida, sua obra aberta e abstrata, tantas vezes distópica e surreal, onde rabisco e viajo por mim.É uma delícia ser a dona da história e contruí-la sem pressa, toda rabiscada, tatuada de palavras e poemas.

A dança do céu



Do parto do céu nasce o Sol...
Viva, estrela incandescente!
Suas dores,  raios que rasgam
Chegam à terra, aquecem a semente...

Da dor da semente, nasce a flor
Fruto de força e beleza
A natureza é prudente:
Se rasga inteira  e faz vida pungente.

Delicadamente reluz
Nas asas de uma borboleta
No voo de um passarinho
Na cauda de um cometa...

E nisso tudo há amor.
Do tipo mais bonito, quieto e manso
Que se derrama sem  cobranças
E a cada nascer, reinicia a dança...#







quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Quero ser...



Quero ser...
Como a brisa de fim de tarde
Que flui, gentil e suave
ao passar pela face...

Como um bicho calado
Que não quer ser notado
Apenas sente...e é...

Ou como a flor que se mostra
Perfume e cor em florir
Depois...fenece
e à terra fomenta o existir!

Quero ser...
Como o ser mais singelo
Que cria , transforma elos
E canta versos de amor...#


Depois de ler Rubem Alves, em "O Sermão das árvores" sobre a perfeição da natureza,


" Dizia Alberto Caeiro. Assim, o certo não somos nós. Confusos e estúpidos, pregamos às criaturas. O certo é que elas, felizes, preguem a nós. As criaturas falam. O salmista olhava para os céus e percebia que pelos espaços vazios se ouvia a pregação sem linguagem e sem fala das estrelas (salmo 19). Olhava, fechava a boca e escutava. Mas nós, cuja loucura está em nos considerarmos superiores, achamos que podemos pregar e ensinar. Parte da nossa estupidez é a incontinência verbal, a constante ejaculação de palavras - quando a verdadeira sabedoria seria fazer silêncio, parar os pensamentos, para ouvir a pregação das estrelas, dos peixes, das aves, das plantas."


Ave, mãe-vida!
Essa é minha oração-poesia, pela graça da natureza, que é tão linda, tão linda...
:) 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Chuvosa!


Caem pingos de água do céu.

O dia subitamente mudou de cor e meu coração sorri, pois ama o cinza - colorido, a beleza molhada da natureza e o frio. Quando chove, falo com meu pai, pergunto se foi pescar no final de semana ou se ouve Cartola aos domingos (porque ainda faço isso, meu velho).  Quando chove, tomo sorvete, mesmo quando a garganta dói, rego o jardim e deixo a natureza-viva devolver o gesto. Sou regada, então. É,fico tola, agradecida, boba, quase como se tudo (o vento, a água do céu e o frio) fosse uma carícia de Deus para mim.

Quando chove, tomo café da tarde, só para dizer ao senhor-tempo que o coração sabe se aquecer e ainda assim, brindar a letargia cinza do instante. Ouço sua generosa sinfonia com reverência: Do telhado, do chão, das folhas das árvores. Desligo os sons ao redor, para curtir mais um pouco sua exuberância. 

Quando chove, recordo da criança matreira, cheia de hematomas, correndo pela chuva,  em busca das aventuras incríveis de uma infância simples, inocente e feliz.  Lembro que sou filha da mãe d´água e vou à beirinha do Amazonas dizer à ela "obrigada", pois é da vida  se sentir agraciada com as pequenas carícias da existência. 

Quando chove, gosto de olhar as sombrinhas no centro da cidade, sua profusão de cores e a pressa das pessoas. Mesmo quando chove só um pouquinho, como agora, sinto que um pouco da natureza se escorrega para dentro de mim e entra no sangue, faz barulho por dentro, água que cai no telhado e faz carinho na alma... é água benta, água-bênção sobre a pele...e em mim, chove o dia inteiro.

Amar a chuva é ato contemplativo, espetáculo  afluente!
Já deveria ter parado de escrever sobre o cinza, bem sei.
Mas é que eles nunca são iguais e há sempre muita magia, bênção, poesia.
Em cada pingo que cai.

Mesmo se depois, por insistência, o céu desnuda um deslumbrante sol.

Permissão



Eu me permito sentir!
Ser esse bicho bruto, todo tatuado.
Que contempla horizontes
E brinca com a linha do infinito
Que passeia, desenha
e se perde em seu próprio labirinto...

Eu me permito duvidar!
de tudo que é preestabelecido
E, às vezes, pulo os muros do sentido
E remexo,  viajo ... Pouco me encaixo.
mas sempre fluidifico.

Converso com poetas antigos e suas canções
Não tenho medo do outro lado
Nem de emoções...
Eu tenho medo é dessa gente
Seus muros e  convenções
Os pactos de hipocrisia e seus pobres sermões...

Eu me permito sonhar!
Com um lugar diferente...
Onde a força do amor seja a semente
Que germine nosso melhor...
E, no meio do caos das inseguranças
Eu me permito olhar para o céu
... e ter confiança. #






Des ajustada


Não sei amar só um pouquinho
Meu mundo é lento, devagarinho
Passeia deslumbrado e distraído
Pela maciez do instante...

Sou de pequenas urgências
Poucos e grandes amores
E muito afeto! e não sei ao certo
O que vim fazer...

Eu me bagunço toda
Entre a prosa e o teorema
E a vida cobra sempre alguma coisa
Escorre, vira poema...

Perdi a hora, cheguei atrasada
Na fila dos ajustados
é que, por deslumbre ou descuido
 havia um passarinho do outro lado... #

=)

Achado nos rascunhos do blog, porque estou fã de procurar poemas antigos.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Da faxina de domingo (poemas antigos)














A maldição

Por maldição
Trago essa inquietude
Essa força, amiúde
Vontade de sorver o instante
Feito um bom café...

Essa doçura
E a vontade gigante
De ver o mundo brilhante
Luz e blues
Grande globo azul...

Trago essa voz que não sabe calar
Essa vontade tamanha
 de viver de verdade
Liberta de máscaras impostas
Sob falsas convenções...

Por maldição ou bênção
- Ou outra palavra qualquer! Que importa?
 Sigo arrepiada, inquieta...
Entre sonhos e teoremas
 Quase dispersa,  de tão absorta!  #




Ao louco da orla








O que tu vês, mestre?
Do que resolveste te abster?
Deste adeus à realidade
Liberto da complexidade...

Desfilas sob o asfalto quente
Com porte de um lord que não sente
E passeia em fogo ardente
Como em jardins, ao som de clarins...

Deita-se e olha...horas e horas
O mundo moer-se, acelerado, virar pó.
Chamam-te de loucos  - outros loucos
Cheios de seus próprios nós...

Alimenta-se quando tens fome
És todo necessidade, urgência sem ardor
Sem a ânsia de engolir – alheio
Um pião em torno de seu próprio eixo...#

Incenso *


O mesmo perfume
Que exala e acaricia
É o que te mata
Viver nos torna, aos poucos
Figuras caricatas
extratos suaves ou grotescos...

Mas, a fumaça é perfumada
Sai, tão sutil e anelada
Em sua elegância fatal
Nada diferente
Saiu de flores e sementes
Para fenecer em fogo...

E não há consolo: 
Viver é escolher
Do que morrer
E até o último suspiro
Tudo é parto ou perigo
Até o ato de nascer! #


Ode à minha paixão por incenso e sua dualidade, desconhecida para mim, até algum tempo:
http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2015/08/fumaca-de-incenso-pode-ser-mais-toxica-que-de-cigarro-alerta-pesquisa.html

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Não sou gente fofa





Não sou gente fofa.
Leio jornal, critico o senso comum, detesto muitas  pessoas reunidas e sou esquisita. 
É, publico coisas bacanas, falo de flores, nobreza de alma e gentilezas, chuva, céu e Deus, mas não sou gente fofa.
Gente fofa concorda, é apropriada: eu, distraída demais. Gente fofa conversa com todo mundo, fala amenidades: eu, bom português ou  palavrão (e só se eu gostar muito de você).
Sou antipática com '' gente-sobrenome'', tenho as mesmas velhas amizades, as mesmas velhas poesias e o mesmo hábito de fugir para dentro de mim, através da escrita. Ou da leitura.Como agora, que fui chamada de ''fofa'', aqui mesmo, por essa figura linda,iluminada e gentil - provavelmente uma fofa.
Não sou, não sou fofa. Sou cordial, aprendi a me portar, dou bom dia e cedo a vez, mas nada disso alcança a dimensão do ser humano nada-fofo que sou. Eu queimo, incendeio compaixão e desacerto, carinho,amor, afeto, mas detesto injustiças, defendo meu ponto de vista e faço poesias para dispersar um pouco de tanta intensidade.
Não sou ''gente-fã'': se eu admiro, falo pessoalmente, mas corrijo (se necessário) e exercito aprender a ser corrigida com humildade. 
Tenho agora mais calma, estou mais serena, mas é apenas uma escolha de bem viver. Gosto de arte, leio poemas, cultivo um jardim, choro em dramas, mas confesso: detesto aquele filme que todos gostam e olha,tá bom , acho o "Titanic" um horror, um enorme drama, nem de longe, nem um tiquinho, um romance. E o assisti dez anos depois de sair no cinema.  Pronto, acabei com sua visão suave, deves concordar que não sou gente fofa.
Até porque, ''fofa'' ...argh! - Amarguei só de pensar. 

=P

* Homenagem à uma flor de delicadeza, essa sim, uma fofa, uma doçura de ser humano, com a qual brinquei de escrever, após ouvir que sou fofa. rsrsrs.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Função



Silêncio não é o oposto do som
É canção de que dorme
No alto de uma colina
Cuja neblina desce do céu
Vai à terra feito chuva fina...

É natureza que trabalha
Em ritmo suave de vida
Que, de repente, remexe em ventania
E sai canção...

Bater de asas, farfalhar de folhas
Voo de borboleta!
Brinda e se ajeita
Para serenar...

É vento que tatua um beijo
Na face de uma oração
São pássaros aos pés de s.Francisco
Sem precisar de sermão! #

A imagem de um pássaro azul, ao lado da estátua de S. Francisco.
Que lindo. Bênçãos de Francisco sobre nós.

:)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

A louca


Tem dias que acordo lunar
Com cheiro de nuvens no ar
Nestas horas
 quero quebrar o despertador
Inventar a morte do tempo
Enrolar no cobertor
E fingir que ainda dá tempo...

De sonhar um pouco mais
De ficar tão, tão quietinha
Que a vida assim,sozinha
Esqueça de amanhecer....
Depois, regar as roseiras
e ler aquele livro na prateleira....

Tem dias que a gente só queria
Por milagre, decreto ou feitiçaria...
Não precisar ser responsável e consequente 
Não cumprir a agenda e não ver gente
Um pouco mais distante pra alargar o passo
Dar alô a estrelas  e marcianos
 e tudo que habita o espaço! #



Um hábito novo, olhar o que foi acessado, de vez em quando. 
E quem um dia irá dizer que nunca acordou assim?  =D

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Os velhos Brechós, Belchior e meu cantor favorito sumiu no Mapa (Parte V*)





* Texto em homenagem ao álbum "Alucinação", que fez 40 anos, no dia de hoje.


Meu cantor favorito sumiu, eu disse SUMIU no mapa. Não morreu de overdose, não se matou, não se atirou do oitavo ou quinto andar. Simplesmente desapareceu. Foi viver à margem. Um marginal alucinado.

Um dia desses, por acaso do destino, deparei com um artigo de internet que contava que a nomenclatura Brechó veio da adaptação do nome Belchior, antigo mercador do Rio de Janeiro, que realizou  a façanha de abrir o primeiro estabelecimento de novos e usados que se tem registro*!Pronto. Fiquei alucinada. Porque, por um "acaso", é bom registrar, Belchior é o nome artístico de Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, o meu cantor favorito -  e sim, já disse, ele sumiu no mapa.  

Amo Belchior e amo brechós!  Brechó de roupa, de livros (sebos). Coisas antigas, com suas dedicatórias a outras pessoas e cor amarelada, o místico de tocar no segredo do outro - embora não saiba quem seja. Alguém,além de mim, tocou nas velhas páginas  ou nas velhas roupas coloridas, que falam, com seus pequenos detalhes, de pessoas que também existem, embora não estejam visíveis aos olhos.

Meu cantor favorito sumiu no Mapa, como hoje somem Brechós, tão pequenos e cheios de histórias que ninguém quer ouvir, para dar lugar às grandes lojas de repartição.  Como somem mercearias e feirinhas, para dar lugar à grandes mercados, com suas verduras sem terra, sem cheiro, sem gosto, sem velhas senhorinhas que conversam e contam o místico prazer de ver nascer um broto e de saber sua função terapêutica.

Ele sumiu e eu o entendo. Belchior guardava em si velhas quinquilharias, não queria colocá-las à venda, era um  brechó humano, que a fama em seu formato tradicional quis fazer virar repartição, produto.  Era um resistente sentimental...e desapareceu. Sumiu como somem os carteiros, os poetas, os datilógrafos e outras coisas que desapareceram antes que pudéssemos conhecê-las. Sumiu como somem, a cada dia, pessoas que dão "bom dia" e nascem aos borbotões os reis da razão, aquele povo "de humanas", que esqueceu a essência de ser humano, simples, sem tanta nomenclatura e política de bondade (bondade não tem política, é um exercício nato).

A minha torcida é para que o amor nunca faça parte desta lista de sumiços, pois é a coisa mais revolucionária do planeta e o maior bem do brechó sentimental, que meu cantor favorito emanou em suas letras e canções. Ele sumiu e eu o entendo e admiro, a despeito de não conhecer suas novas canções, de ontem em diante. Tudo bem. Não desistiu da vida, desistiu do show.


Que a viagem seja fantástica para você, Belchior! #

* http://www.etimologista.com/2012/1
* É com carinho que me despeço da série de alucinações chamadas 'Meu cantor favorito Sumiu no Mapa', uma das coisas que mais gostei de escrever em prosa, em toda a minha vida. Este último texto e as pesquisas me renderam boas risadas e o encontro profundo com a poesia do meu cantor favorito de MPB, que, felizmente, está por aí, vida afora. Vida longa, Belchior!

Insustentável



 Tão longe...decaído anjo torto
Inerte e ao sabor, no topo da montanha
Com ânsia inocente e tamanha
Por desvendar o infinito...

O infinito num fechar de olhos?
Como, com a visão interna turva?
Quando a paisagem não desvenda a curva
E bagunça com seu farfalhar os ganhos...

É, lá embaixo o que nos espera é o peso
O caos da leveza com o desassossego
as insustentáveis levezas que se perdem nos anos
As forças ambíguas que mudam os planos...


No planeta das contradições
Com xiitas sábios e seus velhos sermões
às vezes é bom flertar com a loucura

Essa humana condição que nos puxa - e cura! #






Poesia encontrada no livro "A insustentável leveza do ser", de Milan Kundera, datada de 16.02.2013. Era carnaval e sua insustentável beleza chegou em minhas mãos nesta época, mas já era parte de mim, desde que nasci, pois é certamente um dos livros da minha vida. Toda vez que releio, me sinto atraída por algum de seus personagens. Seus pesos,levezas e ambiguidades...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Reflexões sobre uma revoada

"QUERO SUA RISADA MAIS GOSTOSA E ESSE TEU JEITO DE ACHAR QUE A VIDA PODE SER MARAVILHOSA..."




Quem disse que hoje eu consigo dizer algo mais? ...só ...vai lá,minha garota! TE AMO.




Respeitei essa postagem integralmente, só para resgatar a lembrança de que, há cinco anos, no dia 05.02.2011, uma jovem desceu do norte na cidade grande, e mesmo vivendo assim, não esqueceu de amar... (Com o perdão do empréstimo, Belchior).

Eu te amo, muito obrigada, não encontro palavras para falar quanta imperfeição há no ato de amar alguém no dia a dia, nem quão perfeito é isso tudo. A vida passa e rendo à ela sempre a minha gratidão por ser tão gentil comigo. Conosco!

Sou orgulhosa da profissional que você se tornou,menina ardente por conhecimento e justiça, do jeito mais bonito, como nosso pai ensinou, nos longos debates, à beira de nossos igarapés.

Que o nosso mar de água doce te acompanhe e abençoe, em qualquer lugar que que estejas, nessa longa aventura em busca de crescimento. E que essa viagem te mantenha atenta à lição que você compartilhou comigo, de que "longe é um lugar que não existe". E é de lá que te desejo as descobertas da pequena Rae...


" E quando esse dia chegar, deve dar seu presente a alguém que saiba que irá usá-lo bem, alguém que possa aprender que as coisas que importam são as feitas de verdade e alegria, não as de lata e vidro. "

 <3

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Carnaval no Equador




Deixa,
Que esse ano o carnaval não passa
Debaixo da asa do Equador
Que esse ano Pierrot chorou
Por não ter onde sambar...

Dizem que vai ter roda
Barulho bom pelas ruas
Porque é de brasileiro sonhador
Brincar.

Mas, se antes da segunda
Quarta já chegou
Se antecedeu o silêncio
À festa e brilho da poesia
Cada um é sua própria alegoria...

E a banda vai passar! #


=)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Alucinação



E os dias se constroem
Como pássaros que sopram d´alma:
Mais suaves e sutis que o vento.
E é quase etéreo o caminhar...

Passeio pelas sombras e pela luz
Em tudo há beleza!
É humana a natureza
Da ambiguidade...

Não sei se por hábito ou ofício
Rimo  internos pequenos infinitos
Pois mesmo correntezas contrárias
Desaguam sempre no  mar...

Saio a remar o barco com mais gentileza
E, por alucinação, uno  força  e  delicadeza
E aprendo a descansar

Dentro de mim....#



Luz!
:)