segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

A primeira lição



Encontrar no  silêncio
Aquela dose de ternura!
Que viver tem dessas coisas:
Quanto mais a gente cresce,
Mais precisa  ser criança.

Da filosofia implícita
Da bolinha de gude
Do universo doce
Da guerra da sabão…

E de gestos simples : cair, chorar
Enxugar as lágrimas, pedir colo
Ouvir conselho de mãe e a  canção
Doce e simples do bater de um coração…

Esperar, que é mesmo assim
A vida dá de sarar a qualquer tempo
E o que antes foi lamento
Torna em poesia, alegria
Riso e  lira de ninar…

E entender que amar é uma incrível missão!
E um gesto involuntário:
Antes de aprender o abecedário
A gente começa a primeira lição…#

sábado, 24 de dezembro de 2016

O Natal



Após dois anos secos, nasce um Natal molhado."Molhado de ternura", como já disse o poeta Alcy Araújo,  e também de família unidas para o café da tarde, das reclamações e exaltações às chuvas, benditas em nossos corações marcados pelo sol do equador.

Digo e repito sempre que Natal é minha data comemorativa favorita, porque nela, minha tão grande família faz questão de romper os espaços, sejam eles geográficos ou emocionais, e reafirmam os laços que estão muito além de meras convenções. 

No Natal, envio mensagens doces aos amigos, compartilho com meus sobrinhos a ternura do mundo, enfim, sou totalmente tocada pela magia. A paisagem, com essa coisa das águas, muda e até o vapor que sai do café fica mais bonito. Sim, o aniversariante enfeita o cenário de sua festa e, como somos todos seus irmãos, deixa o mundo mais bonito.

Um dia desses, conversava com um dos ateus mais generosos que conheço nessa vida e disse a ele que Jesus estava muito feliz por ele ser aquela pessoa incrível, cheia de bondade. Ele sorriu e abaixou os olhos, molhados de emoção . É que o rei visita os corações de cada um de um jeito muito particular.

No meu, confesso que também fico chorona. Enfeito tudo e fico chorona. Escrevo esse texto
enquanto as lágrimas caem de lembrar quantos Natais felizes tive a sorte de ter!  Eu ganhei muitos livros, muitas bonecas, muitos poemas, muitos perfumes ou roupinhas, em um Natal que infelizmente não chega a todos, por isso hoje tento retribuir para o mundo, da minha melhor forma. 

Mas o que ganhei de melhor foram abraços, união, cafézinho da tarde e barulho.
Sim, muito barulho.  Da guitarra do meu primo à gritaria da molecada, nosso Natal tem pouco silêncio. Tem música até tarde, sons bons e ruins e tem a gente, assim, tão colado e feliz, que é até engraçado dizer.

Tem todas as perguntas clássicas: " E os namoradinhos, fulana-de-tal?", "É pavê ou pa cumê?", " O melhor time é...." e por aí vai. Tem pequenas guerras ideológicas, a turma das crianças, a turma dos adolescentes, a turma dos jovens e a vanguarda dos Rochas e amigos próximos.

E eu adoro.

Às vezes, gosto de imaginar Jesus, todo feliz, passeando entre nós. Ele vê o quanto somos sinceros uns com os outros nessa coisa de querer bem.Gosto e convido-o sempre a permanecer, embora saiba que ele visita tantos lares! mas é apenas para  que ele saiba, que a celebração é dele e a festa também. E porque Natal para nós é a festa da família, raramente saímos e geralmente, amanhecemos juntos.

Uns, inebriados, outros sonolentos. Mas juntos.  Bem, esse texto ficou mais comprido do que deveria. Tudo que eu queria mesmo dizer e escrever é, que não importa quem você seja, como esteja seu coração ao ler este texto, dê-se a benção de retribuir o amor de Cristo pela humanidade, através de gestos de ternura.

Que a estrela de Davi ilumine seu coração e Jesus nasça novamente nele, o supremo milagre da existência, e que ele te guie para uma noite feliz e de celebração entre os seus.


LUZ!




quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Vida!




Tira aquele sorriso das cobertas
Veste a tua maior fantasia
Faz o que te apraz:
Sê feliz, menina.

Abre os laços do presente
E ri do enredo
Conta uma coisa louca
Que te adoça a boca:

Sê feliz,
tão feliz!
Que a vida é breve
Por que não ser doce e leve?

Canção que faça rir,
Notas de um violão desafinado
Chuva fina que molha os caminhos
Deixa a vida te mostrar seu melhor lado...#



Que a gente deixe a vida "vingar",mas sabe... no melhor sentido: o da planta, que quando "vinga", brota, floresce.

:)

Meu Universo!


O universo que meu mundo toca
Faz canção bonita e laços de fita
Mãos unidas,
Olhos nos olhos..

E se te falo em bem-querer, meu bem
Perceba que sei o que sinto
E não minto
Pois honro a estrada sob meus pés...

A paisagem que foi e que é
A vida flagrante, efêmera e presente
E a chama ardente
Que me leva a ser...

O tipo de gente que rega girassóis
E faz luz aonde toca
E acredita em coisas no infinito
Como amores reais e contos de fadas...#

Que a gente sempre tenha a infinita bondade de Deus sob nossos corações e a sorte dos encontros benditos. 

Bondade, luz e um dia otimista e bonito como esse lindo girassol. 

Super-Vilões Somos nós (devaneio da Velha Boba)



Apesar das nuvens cinzas deste dia sem nuvens,  sem chuva e sem dia, há um pingo de sol debaixo do meu olhar. Sempre foi assim. Sempre vi a luz mais que a escuridão, o doce mais do que o amargo e, nas pessoas, sempre encontrei o  melhor lado. Complementar a isso, certa vez me disseram que eu tinha a retidão de caráter de um Jedi e, curiosamente, recentemente uma outra pessoa me disse a mesma coisa, motivo pelo qual este texto nasceu, em um dia de muita reflexão.
 É que o caminho da bondade tem sempre muitas curvas, às vezes a gente derrapa. É preciso seguir firme pois a bondade não é um super-poder inerente: é preciso exercitar a coisa de ser pessoa, do bem, de bem… para longe das meras palavras, porque se você tiver atitudes feias e boas palavras, não passa de um idiota com bom jogo de marketing.
A verdade é que no meio de um monte de escolhas, estradas viradas, atitudes pensadas e impensadas, reside quem nós somos. Não isoladamente. Nossas estradas nos constroem, isso é um fato e um fardo. Mas também uma bênção. 
Depende do peso da alma de cada um.
Certa vez, em uma conversa com uma amiga que ama gibis, falamos sobre o Coringa e o que fez com o “Havey Dent”: pegou algo absolutamente puro e corrompeu. Só para provar que mesmo o melhor, pode se tornar o pior.
Achei extremamente metafórico. Nós, por exemplo. Eu, você. Nosso pequeno universo que se multiplica e expande pelas vidas que tocamos. A pureza e o cru da vida entremeados nas palmas das nossas mãos e que dizem quem somos muito mais do que  palavras.
Somos todos agentes do caos. Nossos sentimentos, nossos corações tolos, ego, orgulho, tudo encoberto pela fria poeira das nossas capas socialmente apresentadas. Nesse sentido, o justo, o justíssimo, representado pelo Havey Dent, é nossa auto-imagem. Nós nos achamos mesmo tão íntegros!

Mas somos, frequentemente, donos do caos que nos rodeia e o resultado, o “duas caras”, o que nos tornamos, quando nos perdemos.  Aliás, veja quanta coisa dúbia há no “duas caras”: um monstro dentro de um invólucro que, visto sob um único ângulo, é bonito, perfeito. Mas é mau, cruel e deformado pelas circunstâncias.
Mas, vejam: nem todos precisam ou caminham para ser o ‘’duas caras’’. A gente nem sempre precisa da capa de vilão. Ter compromisso com o erro é só uma forma de ter desistir do seu direito de ter bondade, integridade e senso de correição. Afinal, o certo permanece o  certo, e o errado, permanece errado, mesmo nas madrugadas  que ninguém vê, em conversas impensadas, não é?

O outro lado da moeda, aquele deformado e mau, que todos podemos ter, mantenho bem seguro, em um invólucro que não me transforme e deforme, porque super-vilões somos nós, mas mesmo vilões tem ética própria e é preciso escolher até onde você vai para machucar os outros e o que é o seu limite ético e pessoal. Mesmo para a maldade.
Sei que, no final das contas, todos nós teremos dias assim. E eu só posso desejar a você que me lê que a sua dor não seja maior que a sua bondade, a ponto de te transformar. Desejo dias bonitos e amor saudável, um horizonte de gente que se proteja, para que você escolha permanecer. Felizmente, nesses dias em que sou tocada pela força do inacreditável, tenho a melhor família, as melhores amigas e amor bondoso.
E assim, opto por acolher o caos, perceber que não é meu, e devolver para a vida…com generosidade, integridade, paz…e meu melhor sorriso.



LUZ!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Descoberta



É preciso se reinventar...
Criar nova beleza, 
Estradas nunca antes vistas!
É preciso arrebentar o coração de tanto bater...

Aguar o tempo com lágrimas
Sentidos,  suores, excrementos.
 Um festival sentimental na tela de um palco interno:
Não se contentar com menos, é preciso.

Sustentar a própria alma
sem falsetes ou suportes
Fazer a própria pele
Seguir e suportar os cortes....

Descobrir e degustar sem medo
Ter coragem e muita ternura
Ser o grande  artista, herói e vilão
E o autor da própria loucura!

#



Escorreu do poema:

E, no fim,
Ser digno da alma que Deus me deu, Pessoa
Deve ser isso: ser incansavelmente uma tola.
Não vestir moldes e sustentar a própria alma
rasgar roteiros e  seguir, dona da história.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Manhã de Domingo




O barulho dos passarinhos
O pulsar do coração que acelera
E os ventos da manhã
Dizem que acabou a espera.

Ah!Agora é repousar no teu peito,
Sentir o som macio do teu coração
Inundar os meus ouvidos
E agradecer que estás aqui, comigo.
Parece simples ser feliz…

A chuva brinda essa manhã
É um domingo bonito de Dezembro!
Tudo conversa com minha emoção
Pois a vida avisa quado vira a estação…

Sinto no peito uma sinergia
Misto de ternura e gratidão
E me entrego à magia
De estar aqui, bicho bobo
 Em tuas mãos…#

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Hoje não


Hoje vou sujar a página daquele Drummond novinho em folha e sentir nascer no meio do caminho uma flor.
Vou desligar o celular e ouvir música de gente que partiu, mas deixou por herança a arte de sentir e de(re)clamar amor.
Vou tomar um vinho e ouvir canções antigas e ter mil sinceridícios emocionais ( Sim, eu sou uma sincericida tão sentimental!)
Hoje não vou tentar entender esse coração tão bobo e bruto, um tolo clássico e sentimental que não se ajusta e se vê continuamente apertado entre convenções insignificantes e orgulhos idiotas.
Vou apagar as pegadas do caminho e deixar soprar o vento e a maré da vida, que movimenta tudo: flores, folhas, ganhos…alma!
Parar de ser tão crítica comigo, escrever um texto ruim, chinfrim e cheio de gerúndios, essa continuidade viciosa que permite tanta coisa continuar, sem ser.
Hoje vou me derramar, manchar a taça com meu batom e falar de  amor. Não vou sair e nem comer sushi ou outro prato bonito feito pela culinária local, mas sim fazer um macarrão com tudo que houver de antigo na geladeira e ver um prato cheio de molho fumegar na minha frente, para ter a sensação de recriar o que já foi criado e ver nascer o belo do que era inservível, imprestável.
Colocar um blusão de meia e, depois da terceira taça, quem sabe ligue o celular e digite a trôpega mensagem que não deveria ( Te amo, seu burro!).

Ah! Desisti de ser tão comedida. 
Hoje não quero salvar vidas, redimir pecados, falar em crimes sem castigo. Não quero controlar o volume ou a intensidade, quero ser desajustada e trôpega. Não quero salvar pedaço nenhum desse coração: Quero que sangre e corra riscos e prove do sabor da vida.

Vou ser finalmente apenas uma alma que desiste de ser coesa e sente tanta coisa inexplicável e inexprimível!

Ou…posso apenas engavetar tudo isso, esse texto e essa emoção.


Mas…não.
Hoje não.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Apresentação!



Pode me chamar de Srta. Doida!
De medonha, descompensada
Que tropecei no juízo
Deixei-o caído na curva da estrada...

Sou fogo incandescente
Água de forte correnteza
Um bicho que conversa
Com outros seres da natureza...

Mas, não interprete silêncios
Ao vento, não envio sinais:
Vivo e transpareço
Gosto das coisas cruas, nuas,reais.

Converso com a estação de trem
Digo adeus em cada respiração
E trago um verso de amor
Queimando na palma da mão! 


#

domingo, 11 de dezembro de 2016

Velhas Delícias!


Bebo as águas doces
Deste rio
No teu olhar castanho!
Navego, moreno,
No mistério do teu mundo…

Ouço como foi
Teu primeiro dia na escola
E te conto uns dedos de prosa
Detalhes que fizeram
Quem hoje sou…

Então assim,
Natural é o nosso amor!
Cheio das velhas delícias
Do universo: Saliva, suor
Perfume e verso…

E a  filosofia senta
Conosco nos dias preguiçosos
Domingos felizes
Em que somos apenas
Só nossos…#


De ouvir uma história de amor.
E de perceber o quanto as histórias de amor são cheias das mesmas velhas delícias: Suor,saliva,perfume e verso.
E, como os "amores imperfeitos são as flores da estação", cada única história é tão emocionante! perfeita e bastante em si mesma. 

LUZ!


Cenário



E de repente,
Da parte do cenário
Que unia a minha à tua mão
Faltou um pedaço...
E, vagaroso e lento
O tempo ! esse mistério
Desfez o nosso laço.

Amantes sorridentes
Na fotografia
Disseram adeus
Pouco a pouco
No nascer de cada
Luz do dia...

E o filme ardente
Do nosso grande amor
Baby, já é sessão da tarde
E o fogo daquela alegria
Arrefeceu em lágrimas
E já não arde.

Mas, de tudo
Ficou o sabor e o perfume
E os nossos melhores
Bons dias!
E uns trocados de emoção
Que passeiam com velhas
Alegrias...#

De ouvir uma história de desamor e sentir a ânsia e o sentimento profundo que mora por detrás de tudo que faz o coração pulsar. E o meu desejo é...que vocês sejam a mais perfeita luz na vida de alguém.

Felicidades!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Insônia n.XX



Se o frio da madrugada
Não trouxesse os medos
E se a alma, corajosa, 
Espantasse as sombras
e desvendasse todos os segredos...

Estaria então, serenada!
sonolenta e lépida.

Mas, eis que sou apenas eu
Ouvindo os sons da madrugada
Como se fossem meus
Enquanto estou aqui, inquieta,muda,
Insone, inexata.

A contemplar estrelas...

À espera do dia que nascerá
Para trazer calor
E da poesia de um abraço matinal
Que sempre traz sorrisos
E beijos de amor...

E tudo se dissipará, pois sob o sol
A névoa desfaz e os passarinhos cantam
E a aurora trará de volta a sina da menina
Que se perde de amores
E lê a poesia das esquinas...#


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Canção Única

 
Por uma canção de que seja
Unicamente nossa
 Bolero de Ravel, eu e tu...
Amantes distraídos, viajantes do universo,
Soltos por aí, na selva de concreto...

 Passeantes nas chuvas de dezembro
Navegantes do espaço!
 Onde tudo é possível
Até mesmo papai Noel
E as luzes deste mundo incrível...
 
Por um amor quente e maduro
Dias entre o calor dos teus braços
E a descoberta dos  instantes coloridos
Onde mora o sagrado do 'agora'
E o perdão dos dias findos...
 
Por uma paz e um delírio são
Nós e nossa incrível rima

Segurar em tua mão, 
E no pulso do teu coração
 Descobrir a minha sina!
  #
 
 
Oração:
 
Que os amores sejam sempre amáveis, como já disse o poeta.
Que as mãos e as canções únicas saibam se bastar.
Que cada 'bolero' seja a dois, único, ''criacional'', como o de Ravel.
E que as coisas sagradas não se percam nunca e principalmente, que elas saibam se encontrar...
 
 
<3
Luz!

Super-Heróis somos nós (Devaneio)

 
Dia desses eu estava chateada. Muito chateada com acontecimentos do dia, com o conteúdo que não vencia, com a 'infinita highway', que parecia tão longe e confusa. Eram algumas daquelas ''horas existenciais'', pelas quais passamos, vez ou outra.
 
Aí, passei em frente à uma casinha cheia de flores, no bairro do trem, e recordei que lá mora uma senhorinha simpática, cujo nome parece de uma flor. Ela me foi apresentada em um conto, pela Alcinéia ( Cavalcante), em seu livro "Paisagem Antiga".

Depois, parei na padaria e tinha meu bolo favorito, quentinho, daqueles que desmancham na boca! Passei por uma mangueira e recordei de um pescador que colhia o fruto maduro e levava embrulhado em papel de presente para casa. E havia até um pequeno arco-íris no céu mortalmente claro e calorento de Macapá.

Cheguei louca por um banho, mas parei um tempo em meu bagunçado jardim( Cuidarei dele para o natal, papai do céu,prometo). Mas minhas lindas vincas, plantas de fácil cultivo e natureza, estavam lindas! Me recepcionaram com seu perfume. Então, Sai para estudar quase arrastada. Liguei a rádio e tocava a música pop engraçadinha " Ter fé, pois fácil não é, nem vai ser", o que me fez refletir que, afinal... o que é  fácil ou difícil?

O fácil e o difícil são uma questão de perspectiva e alcance. Por exemplo, para mim, uma tampinha de 1,59cm, é muito difícil pegar coisas na parte de cima de armários, feitos para pessoas medianamente altas. É difícil andar rápido, porque minhas limitações físicas e poéticas me levam a um caminhar mais lento, o que frequentemente atrasa meu tempo: culpa das borboletas e das cores do céu!  

 É difícil dirigir, pois tenho pouca percepção de espaço e perspectiva, enquanto para algumas pessoas parece uma faculdade inerente. É difícil dizer adeus, pois fui ensinada que ''a medida de amar é amar sem medida'', e sou mais de 'cheganças' e continuidades...por isso hoje, escolho e acolho a transformação.
 
Mas, por outro lado, é fácil também. É fácil sentir o cheiro da rosa ou reconhecer o perfume de um amor. É fácil lembrar da alguém, em uma canção. É fácil ficar feliz, só por dividir um sofá, depois de meses sem ver a sua irmã. Ou a alegria de tomar um café e permitir que o dia te encante, apesar dos desencantos do cotidiano. É fácil ler um poema e deixar os olhos ganharem aquele ardor gostoso, de alma molhada de poesia...

É fácil e difícil para todo mundo, de diferentes maneiras e perspectivas. Isso se repete mesmo na ficção. Os super-heróis têm limitações! Meu favorito, por exemplo, tem por fragilidade o fato de ser um... Humano!


É, Batman. Todo mundo tem um dia difícil.
Todo mundo é herói e vilão de si: Perspectiva.


 
*Publicado originalmente em 21.11.2014.
 Republicado (e revisado) por muitos motivos: esse conto foi a primeira vez em que conversei com um livro de uma grande amiga, com quem hoje troco palavras para além das páginas amarelas.
E porque é bom olhar o lado bom da vida, que transforma nossas dificuldades em riso, leveza e paz.
Gratidão,vida!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Encontro!



Foi culpa daquele beija-flor
Que mora bem no meu umbigo
E do calor que faz em Setembro
Fazia sol, bem me lembro.

Foi por obra da natureza:
O jardim floriu e o vento soprou
A maré direcionou a correnteza
E no peito, nasceu amor.

Foi culpa do teu riso de menino
Desligado e forte, meio desatinado
E do anjo torto e risonho
Que anda contigo, ao teu lado.

Foi mesmo obra do destino:
Minh´alma ficou tão nua!
E até as borboletas do caminho
Levaram minha mão à tua. #


Poesia e riso, porque Deus é isso. :)

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Quando meu coração chora...

Linda tela da minha irmã, Mary Rocha.

Quando meu coração chora
Vou beber o orvalho da manhã
E receber o beijo do vento noturno
Navego em barcos de papel
E encontro um lugar seguro...

Quando meu coração chora
Fico quietinha, deixo a vida
Com sua maresia louca
Fazer coisas bonitas
Que me adocem a boca...

Quando meu coração chora
Eu me desfaço um pouco
Em bolhas de sabão
Só para ver nascer das águas
Um novo coração! #

Que Deus sempre nos regue com um novo coração,
Quando nosso corpo precisar.

LUZ!

Cinza!



O dia está cinza lá fora e, só por isso, meu coração sorri.
Meu coração é dado às pequenas afeições: a manteiga derretida no bolo, a fumaça do café ou do incenso, cheirinho de livro, o manto cinza que recai sobre as cores, em dias nublados.
Pode dar de chover, pode não.
Meu coração não pergunta da chuva que horas ela vem. Nem se vem. Basta-lhe o cinza do céu. Depois desse céu cinza, que uma coruja negra acabou que riscar, eu sei que tem o universo. E multiversos. E vida, colorida, explodindo, para que eu,você e tudo que nos rodeia exista, reexista, e se reinvente, pelas mãos do artista.
É, ele é o primeiro artista que já existiu: Deus ama a poesia, explode estrelas e depois modela tudo. Faz novamente, depois. É mesmo um artesão incrível.
Há um beija-flor  que sentou para beber água com açúcar aqui na minha janela: é gordo e manso, porque o cativei e tratei com religiosidade sua fome e sede, senta-se porque sua estrutura mudou e já confia em minha natureza de bicho inofensivo.
Faz um silêncio enorme na rua, tudo está cinza e ouço o barulho do teclado, enquanto arrisco essa quase-crônica, que é só um arremedo do dia que inicia.
Já deveria ter cansado de escrever sobre o cinza. 
Mas eles nunca são iguais, só para agraciar o meu coração de poeta. 

#

Publicado em 18.01.2016 e revisitado agora, que os dias cinzas de dezembro se prenunciam...

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

domingo, 20 de novembro de 2016

Ele!

Ele usava camisa quadriculada, gostava de Chico, Cartola e Belchior e era um sonhador. Entre as cadernetas rabiscava pequenos ou longos monólogos, que logo virava um debate, na sala de aula, seu ofício, ou com as filhas.

Ele usava camisa quadriculada, era risonho e tímido, mas um perfeito irônico, boêmio apaixonado e um mulherengo discreto, da nata da malandragem que viveu muitos carnavais. Andava com a foto da mulher amada, que não o seguiu pela vida, porque convenhamos, ele não nasceu para ser um marido.

Ele usava camisa quadriculada, quase sempre verde, azul ou cinza e era um bom pai e um excelente amigo. Debaixo da camisa quadriculada, batia um coracão selvagem e questionador, que não era bom em controlar a emocão, mas que bem que era bom em senti-la. Ele fez minha casinha na árvore com as próprias mãos e me chamava de burra se eu tivesse preguiça de aprender,mas depois me recompensava com a melhor explicacão e o melhor olhar de admiração quando eu terminava algo difícil ou conversava política, filosofia ou um livro novo.

Ele usava camisa quadriculada e trazia poesia debaixo dos olhos cinzas, que mudavam de cor, quando estavam tristes. E tinham íris violetas. Tinha o papo reto e interessante e uma inteligência malandra e humilde, não passava por cima de ninguém, era honesto se não gostasse de uma pessoa e leal se a amasse.  Ele pescava aos domingos e frequentemente cozinhava para nós, assoviando um sambinha, no outro final de semana. 

Ele usava camisa quadriculada, tinha leitura variada, escolhia seus amigos sem saber de sobrenomes e era um sonhador nem sempre prático, capaz de tirar a camisa e rolar no chão na porrada, por um ideal ou uma de nós. 

E porque ele nunca sai do meu coração e nunca (jamais!) o esquecerei, que às vezes uso uma de suas camisas quadriculadas e sinto bater em mim o seu velho coração.

Eu te amo, meu pa(i)ssarrinho.
Feliz Aniversário.
O nosso amor existe para sempre. <3