domingo, 29 de janeiro de 2017

Mística!



Recolho as cartas
Na caixa de mensagem
Converso com as flores do mato
Sou muito de mensagens
Envio ao universo cartas de amor...

Deixo as janelas abertas
E a alma arejada
Pra sentir o vento frio
E conversar com estrelas
Em  noites enluaradas…

Aprendi a achar teu nome
Dentro do céu azul clarinho
E, assim, brinco  todos os dias
De esconde-esconde com as nuvens.

Não deixo mais o coração chorar
Se não for para regar
O chão de um sentimento bom
E no riso, encontro com o tua luz
Minha paz, pintada de marrom! …

Festejo  pequenas bobagens
Deixo a alma sempre colorida
E creio que tudo é milagre:
Nas pequenezas, encontro poesia.



Que a gente saiba procurar e encontrar o mágico e a energia vital do melhor da vida...e que Deus, com sua infinita ternura mística, cósmica, que a todos acolhe, de um jeito particular...nos guie para o encontro com o que nos dá paz, felicidade, realização e crescimento.

LUZ!

sábado, 28 de janeiro de 2017

A dança


Dance comigo 
Como quem faz um passe de magia!
Como quem aprendeu que alegria
é a eternidade do instante.

Dance comigo na chuva
De meteoros ou rosas
E, se um temporal descer
Dança comigo até o amanhecer...

Dance comigo no asfalto
Na grama, onde é proibido pisar
Ao telefone e até no amazonas
Em uma noite cheia da luz do luar!

Dance comigo nos sonhos,
Guia-me, pés sob os teus
Que na verdade, confesso
Nem mesmo sei dançar...

Mas, sigo a valsa da vida,
Só para te acompanhar.



LUZ!

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Sinais






Hoje falo com estrelas
e sigo aquela luz particular
Quase alheia,
Longe...longe...

Flutuante,
pelo ar.

Hoje  guardo meus tesouros
Dentro das cores das margaridas
Faço do amor, bilhetes
E flores de velhas feridas...

Hoje durmo cedo
Tiro o batom vermelho
Rasgo antigos vestidos
E saio do esconderijo...

Hoje não deixo sinais
Cedo a vez, aceito o tempo de espera
Creio nas cores do astral
E sonho velhas quimeras...

E, por susto, bênção
Acaso ou dom e sorte
 trago a alma macia:
Molhada do beijo da última poesia!


Porque a vida...é perfumada: fragrante.

LUZ!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

FOME



Procurei sinais
Nos horizontes dos meus sonhos
E lá encontrei tantas surpresas!

Mas, foi no jantar
Que encontrei teu nome
Desenhado na sopa de letras

- Sob a mesa.

E eu que pensei
Que teria de ir tão longe
Além do abecedário!
E descobrir coisas depois do dicionário…

Sorri, feliz e em paz!

De receber o beijo doce
Trazido no recado da vida:
Não é preciso ciência ou esforço
Tudo é natural...


A alma se alimenta do que precisa. #


Poema feito depois de dialogar com o poema e a canção de dois dos meus grandes amores na arte - e na vida: Belchior e Drummond.
E no país dos nossos corações, que seja sempre permitido SONHAR! <3

No teu abraço


O teu abraço!
Um laço, um elo só nosso…
Saudade que se faz
E desfaz no tempo…

O teu abraço!
Acolhe e desintegra o medo
Rio alto, fico maré solta
Bicho sedento.

Eu te sujo de batom
Pra te contar algo ao pé do ouvido
Escrevo nos teus olhos meu segredo
Contigo, já não sinto medo…

O teu abraço!
Mágica união…
Encontro da vontade com a certeza
E as coisas todas da paixão…!



Daquelas coisinhas esquecidas nos rascunhos do blog.
Felizmente, meu diário eletrônico é uma delícia.

Um dia feliz.

LUZ!

domingo, 22 de janeiro de 2017

No fim



E no fim,
não há fim para a ternura
para o amor e a candura
é tudo tão real!
Não tem moldura...
O amor é a força mais una:
A gota de existência
 mais precisa, perdurável
 e pura! #


Poema de 21.05.2013, feita ao meu pai em uma manhã chuvosa...
E porque essa saudade não dorme, mas se conforta no amor vivenciado...
Agradeço ao Universo. LUZ!

A terceira lei!



O chão bate na bola
E a face bate na mão:
A força não é contrária:
onde aplicada,
tudo é direção.

Assim...
Minha mão, tua mão
Escolhem apenas se encontrar
Pois, no avesso do verso
A palavra fere - Pode até matar.

Heróis são vilões
Em outros distópicos universos
Nada é estático:
A força muda 
O universo é complexo.

Complexo e natural
Como eu...como tu
Sem dramas ou tristezas
A mão que afaga -já disse o poeta
é a mesma que apedreja.



Assim, é de mim e de ti, que me lê, a obrigação e o prazer de direcionar nossos esforços no Universo,  para esse bom caminho...
Assim seja. <3

LUZ!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Extraordinário!






Tenho tempo
Para ver o sol brilhar
Ir à feira maluca conversar
Com as sábias senhoras das florestas
Essas coisas bem singelas...

Tenho tempo
Para as bênçãos mais sutis
Aquelas preces pequenas
Que deixam a vida mais amena...

Tenho tempo
Pra ler versos nos muros das ruas
Conhecer uma nova canção
Ouvir Belchior, depois sair na contramão...

Tenho tempo
Para olhar o rio vazante e preamar
Com as estrelas conversar
Pequenas infinitudes do milagre
que é ser...

Tenho tempo
Para me acolher e acolher a vida
poesia que desalinha, ritmo distópico e vário...
é que meu coração é um bicho selvagem
Só se alimenta do extraordinário! #



Republicado, porque o coração permanece assim...<3

Singular! (Republicado)





O instante fez-me um convite a aprender a ser singular, essa difícil missão de ser um. Não, não vou falar em solidão. A solidão é uma palavrinha estranha, que parece subtrair até a mim da minha presença. Quando me sinto só, não estou em lugar algum, não me faço companhia, não alcanço minha dimensão como ser, individual.

Vou falar em ser singular, que é a condição de ser única ao meu redor, de me fazer companhia e crescer ao enfrentar as muitas que sou e as que quero que fiquem nesse enorme hotel que habita tanta alma. É difícil ser singular! Requer a força de olhar para mim, não só a imagem que reflete no espelho ou as qualidades intrínsecas que formam como ser humano. Mas principalmente os defeitos e condições que limitam minha estrutura.

Quando sou singular, acolho meu amor por poesia, filmes, por literatura e cultura em geral e tenho paciência de acrescer novas possibilidades de conhecimento, como gibis, paixão renovada por um anjo que vive em minha estrada, na forma de amiga. Ou novas músicas, num eterno viajar e descobrir bossa nova e rock and roll, MPB e MPA, onde surfo minhas ondas sonoras.

Singular, sou criativa, lúdica, faço poesias, escrevo crônicas, aprendo coisas novas, como pintar – embora seja um embrião em forma de pintora. Rs.

Quando sou singular, convido a calma e a ansiedade a sentarem e juntas, pedirem desculpa uma à outra e coabitarem com mais harmonia. Convido e coragem e o medo a se olharem longamente, embora o medo abaixe o olhar primeiro. Convido a discórdia a perder a força e dar as mãos ao perdão. Convido a saudade e a ausência a acolherem uma à outra. Convido a eternidade e o agora a terem paciência comigo, que sou tão efêmera e perene.

Enfim, tenho espaço, o eu singular. Estou feliz com o ser humano que Deus sustenta em meu coração, mas peço a ele para que, neste movimento, seja ainda melhor, porque vim para cá aprender. Nesse momento, em que tudo é tão próprio, sonhos, verdades, vontades se misturam e fazem uma colcha de retalhos! E vejo que meu colorido espaço precisa de remendos em alguns lugares...e por isso, começo.

Eu não sei quando você que me lê vai encontrar com esse convite, o de ser singular. O de olhar para si e perceber – se . Eu não sei se te conheço, para oferecer minha amizade, quando fores convidado (a) a ser singular, para que saibas que ainda assim, somos plurais.

Mas sei que desejo que seja um passeio feliz por você. 

Que seja bem vivenciado o seu eu singular. Que o instante de ser plural chegue, se você acreditar nele. Eu acredito, afinal,  já sou plural, já tenho amores eternos, já vivo, modifico, cresço ao lado das minhas pessoas, que também estão em movimento, nunca iguais, sempre amadas, porque amo suas essências enquanto elas estão no “parto” de suas próprias descobertas.


Luz em nossa caminhada!


(* Texto de 22.12.2015, porque revisitei esse período do blog e percebi o quanto aprendi e reaprendi, desde então)

domingo, 15 de janeiro de 2017

Uma balada nova *


Um som entre Caetano e Chico
Um algo entre o blues e o Jazz
Para ouvir nas tardes de domingo
E nas segundas chatas e monótonas.

Um som para dançar na chuva
E dormir aconchegada em dias cinzas
Uma mistura boa entre paz e alegria
Um ritmo macio…

Um som para ter sonhos e alegria
Não acelerado e nem sonolento
Algo entre  paz, sossego e o alento
Um som macio para chamar

De meu.

*Ao som de Belchior <3

As palavras vivas! (Crônica republicada,revisitada)


São 21h23 no relógio de bordo de painel. Olho para o carpete do carro e vejo pontas de um jornal amassado por debaixo do tapete. Algo incomoda na cena: sei, são apenas recortes de jornal.Com palavras aleatórias, esquisitas. Mesmo juntas, não fazem sentido! (o abecedário inteiro ali, desperdiçado). Explico. Não gosto de palavras mortas. Gosto de poemas, pois as palavras voam e se eternizam. De canções, pois elas dançam. Gosto de palavras como: Quintal...

Eu caibo inteirinha em um quintal.
Ou em uma varanda. 
Um varal.
Poesia...
Coração. 
Amor. 
Abraço. 
Saudade.
Oração...
Felicidade!



Palavras nos chamam para dançar. Aliás, gosto de gente que baila com as palavras e forma mundos. Por isso, o amor pela leitura.  Lembro que me apaixonei pelas palavras através do uso do dicionário, algo vivo e divertido, pois me foi apresentado como riqueza: como era bonito ver no  olhar de meu pai a alegria por ensinar o valor e o significado das palavras. Por outro lado, nunca gostei de quem fala difícil para esconder a mensagem. Mensagem tem de ser coisa clara, bem dita, eis outra palavra bonita: Bendita.
Também não gosto de gírias de laboratório, aquelas criadas por agências de publicidade para testar seu  poder das "massas". Aquelas coisas atuais,meio grotescas. Falta à elas a originalidade do impulso criativo. Mas acho bonitas as regionalizadas, as criadas sob contexto e acho que tem que ter atitude para sustentar um bom vocabulário "sujo".
Pensei quantas palavras já usei e quantas me valeram, as muitas palavras repetidas, geralmente as minhas preferidas...e no quanto certas palavras nos levam diretamente à lembrança de algumas pessoas. É como uma playlist linguística!



...Olho novamente o jornal da parte debaixo do banco. Retiro aquela coisa estranha de lá, mais parece um corpo, morto, no porta-malas. Graças a Deus não tenho estes instintos (rs). São só palavras. Só? Não. São palavras...as amadas palavras, letrinha por letrinha de um alfabeto, dispostas aleatoriamente . Isso me dói um pouco, a prostituição da palavra: "Vendo palavrinhas rasas,em textos pequenos,para leitores amenos" - é o título do jornal.
Se você chegou até aqui, neste texto com bem mais do que 140 caracteres, sabe como é chato coisas resumidas. Aquela coisa espremida no espaço.
É que sou de versinhos à vontade, em meio a rua, de praças,nuvens...sou de gente que escreve para se salvar do mundo. Sou da 'tribo' que quer que a mensagem chegue, se aconchegue, faça coisas bonitas no corpo das pessoas. Eu sou da roda que se salva e se enamora, enquanto escreve...aliás, pensa em outra palavra amada: E....s....c....r....e....v...e....r....(Amém. Amém!)


Luz!

:)

(Revisitada, de Março/2016, porque de longe foi a crônica que mais gostei de ter escrito neste ano) <3

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Cinza! (Republicado)



O dia está cinza lá fora e, só por isso, meu coração sorri.
Meu coração é dado às pequenas afeições: a manteiga derretida no bolo, a fumaça do café ou do incenso, cheirinho de livro, o manto cinza que recai sobre as cores, em dias nublados.
Pode dar de chover, pode não.
Meu coração não pergunta da chuva que horas ela vem. Nem se vem. Basta-lhe o cinza do céu. Depois desse céu cinza, que uma coruja negra acabou que riscar, eu sei que tem o universo. E multiversos. E vida, colorida, explodindo, para que eu,você e tudo que nos rodeia exista, reexista, e se reinvente, pelas mãos do artista.
É, ele é o primeiro artista que já existiu: Deus ama a poesia, explode estrelas e depois modela tudo. Faz novamente, depois. É mesmo um artesão incrível.
Há um beija-flor  que sentou para beber água com açúcar aqui na minha janela: é gordo e manso, porque o cativei e tratei com religiosidade sua fome e sede, senta-se porque sua estrutura mudou e já confia em minha natureza de bicho inofensivo.
Faz um silêncio enorme na rua, tudo está cinza e ouço o barulho do teclado, enquanto arrisco essa quase-crônica, que é só um arremedo do dia que inicia.
Já deveria ter cansado de escrever sobre o cinza. 
Mas eles nunca são iguais, só para agraciar o meu coração de poeta. 

#

Publicado em 18.01.2016 e revisitado agora, que os dias cinzas de Janeiro se prenunciam novamente.

LUZ!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Das coisas



Acabei de começar este fim de poema.

Estou abismada.
Desnorteada como o bebê
Que acabou de terminar a vida uterina
E sentiu o sol queimar os olhos.
Deslumbrada como a lagarta ao findar o ciclo
E criar estranhas asas enrustidas no corpo mole
Que lutou para sobreviver no casulo.

Estou sedenta.
Tenho a boca seca.
Como um viajante
Que findou longa caminhada.
Mas sonha com um oásis intocado
E quase pressente o sabor...

Estou ávida
Com a ânsia criativa da criança
Que escolhe  findar o branco nu da parede
E colorir de céu até perceber que o giz
o colorido giz que adornou seus dedos!
Findou para começar
A cor que nasceu noutro lugar...
.
Padeço de desconhecer o que finda
 e o que começa do que se termina
E, para minha tortura
E vejo beleza nas coisas 
em cada canto
E no silêncio.


E é o fim do poema.

O lucido e a desequilibrista.


Ele indica as direções
Ela cai, feito a tarde
Ele viaja de condução
Ela acredita em astral e outros lances!

Ele acha que a lua ilumina
Porque é um satélite natural
Ela sabe que a lua brilha
alimentada de amor real.

Mas eles chegam todos os dias
No mesmo(incrível) endereço!
Moram no mesmo lar
entre o caos e o sossego...

E num abraço reflexo
eles se encontram de amores!
Ele acha que é  dopamina e noradrenalina
Ela...que encontrou sua sina! #




"Sei que amores imperfeitos
São as flores da estação"

Na torcida! o/ <3



sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Autobiografia



Não quero lhe falar de quem sou!
Há sempre algo que falta
Ou que fica encoberto
Na fina poeira da estrada…
É que, feito a roseira de minha mãe,
Eu também já fui cortada.

Sei apenas do que toco
Das canções que ouço
E dos livros que li
Dos abraços fortes que doei
Dos amores brutos,
e lágrimas que já verti…

Conheço bem as marcas da pele
No canto dos olhos e o corte na garganta
Que, da dor, trouxe a liberdade
Do sussurro mais rouco e do grito
Que me corta a boca
Quando o peito arde.

Ah! Não ouso lhe falar quem sou
Os rios que mergulhei meu corpo
Moldaram minh´alma
E da emoção de menina do interior
Que sustenta o mundo debaixo do olhar
Que às vezes, muda de cor.

E que aprendi a dizer adeus
Num dia qualquer
Entre junho e Dezembro
E que minha maior saudade
Mora no céu dos poetas
E, às vezes, me abraça,
Com o cinza da tempestade…

Não quero lhe falar quem sou…
Estou sempre a dizer adeus
E abraçar os meus,
Num gesto quase involuntário!
Que sempre agradece e celebra

Pois sabe o quanto o amor é raro…#