quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Encontro!



Foi culpa daquele beija-flor
Que mora bem no meu umbigo
E do calor que faz em Setembro
Fazia sol, bem me lembro.

Foi por obra da natureza:
O jardim floriu e o vento soprou
A maré direcionou a correnteza
E no peito, nasceu amor.

Foi culpa do teu riso de menino
Desligado e forte, meio desatinado
E do anjo torto e risonho
Que anda contigo, ao teu lado.

Foi mesmo obra do destino:
Minh´alma ficou tão nua!
E até as borboletas do caminho
Levaram minha mão à tua. #


Poesia e riso, porque Deus é isso. :)

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Quando meu coração chora...

Linda tela da minha irmã, Mary Rocha.

Quando meu coração chora
Vou beber o orvalho da manhã
E receber o beijo do vento noturno
Navego em barcos de papel
E encontro um lugar seguro...

Quando meu coração chora
Fico quietinha, deixo a vida
Com sua maresia louca
Fazer coisas bonitas
Que me adocem a boca...

Quando meu coração chora
Eu me desfaço um pouco
Em bolhas de sabão
Só para ver nascer das águas
Um novo coração! #

Que Deus sempre nos regue com um novo coração,
Quando nosso corpo precisar.

LUZ!

Cinza!



O dia está cinza lá fora e, só por isso, meu coração sorri.
Meu coração é dado às pequenas afeições: a manteiga derretida no bolo, a fumaça do café ou do incenso, cheirinho de livro, o manto cinza que recai sobre as cores, em dias nublados.
Pode dar de chover, pode não.
Meu coração não pergunta da chuva que horas ela vem. Nem se vem. Basta-lhe o cinza do céu. Depois desse céu cinza, que uma coruja negra acabou que riscar, eu sei que tem o universo. E multiversos. E vida, colorida, explodindo, para que eu,você e tudo que nos rodeia exista, reexista, e se reinvente, pelas mãos do artista.
É, ele é o primeiro artista que já existiu: Deus ama a poesia, explode estrelas e depois modela tudo. Faz novamente, depois. É mesmo um artesão incrível.
Há um beija-flor  que sentou para beber água com açúcar aqui na minha janela: é gordo e manso, porque o cativei e tratei com religiosidade sua fome e sede, senta-se porque sua estrutura mudou e já confia em minha natureza de bicho inofensivo.
Faz um silêncio enorme na rua, tudo está cinza e ouço o barulho do teclado, enquanto arrisco essa quase-crônica, que é só um arremedo do dia que inicia.
Já deveria ter cansado de escrever sobre o cinza. 
Mas eles nunca são iguais, só para agraciar o meu coração de poeta. 

#

Publicado em 18.01.2016 e revisitado agora, que os dias cinzas de dezembro se prenunciam...

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

domingo, 20 de novembro de 2016

Ele!

Ele usava camisa quadriculada, gostava de Chico, Cartola e Belchior e era um sonhador. Entre as cadernetas rabiscava pequenos ou longos monólogos, que logo virava um debate, na sala de aula, seu ofício, ou com as filhas.

Ele usava camisa quadriculada, era risonho e tímido, mas um perfeito irônico, boêmio apaixonado e um mulherengo discreto, da nata da malandragem que viveu muitos carnavais. Andava com a foto da mulher amada, que não o seguiu pela vida, porque convenhamos, ele não nasceu para ser um marido.

Ele usava camisa quadriculada, quase sempre verde, azul ou cinza e era um bom pai e um excelente amigo. Debaixo da camisa quadriculada, batia um coracão selvagem e questionador, que não era bom em controlar a emocão, mas que bem que era bom em senti-la. Ele fez minha casinha na árvore com as próprias mãos e me chamava de burra se eu tivesse preguiça de aprender,mas depois me recompensava com a melhor explicacão e o melhor olhar de admiração quando eu terminava algo difícil ou conversava política, filosofia ou um livro novo.

Ele usava camisa quadriculada e trazia poesia debaixo dos olhos cinzas, que mudavam de cor, quando estavam tristes. E tinham íris violetas. Tinha o papo reto e interessante e uma inteligência malandra e humilde, não passava por cima de ninguém, era honesto se não gostasse de uma pessoa e leal se a amasse.  Ele pescava aos domingos e frequentemente cozinhava para nós, assoviando um sambinha, no outro final de semana. 

Ele usava camisa quadriculada, tinha leitura variada, escolhia seus amigos sem saber de sobrenomes e era um sonhador nem sempre prático, capaz de tirar a camisa e rolar no chão na porrada, por um ideal ou uma de nós. 

E porque ele nunca sai do meu coração e nunca (jamais!) o esquecerei, que às vezes uso uma de suas camisas quadriculadas e sinto bater em mim o seu velho coração.

Eu te amo, meu pa(i)ssarrinho.
Feliz Aniversário.
O nosso amor existe para sempre. <3 

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Escreva!


Escreva, Meu bem...escreva!
Presta atencão ao arco-íris
Dentro de cada palavra
Toma goles de poesia
Molha os silêncios
Com tua alma.

De versos mudos
E ansiolíticas rimas
Que clamam e dançam!
No caos barulhento 
Do teu  mundo.

Mundo são, mundo cão,
Mundo absurdo!
E ainda assim, tão belo
Generoso, terno, disperso...
Irresistível de amar.

Escreva, Meu bem...escreva!
Teus medos de silêncio e escuro
A última carta que recebeu,
Aquele amor que valeu a rima
E  ganhou um abraço quente
No dobrar da esquina...#

*Sobre o irresistível da escrita e dos sentimentos que valem a rima.
Luz! :)




quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Passageira


Meus olhos rasos d´água e meu coração intranquilo
caminham pelo mundo: deslumbre e mansidão
E, se uma andorinha corta o Amazonas 
Nessa hora, sinto Deus segurar na minha mão...

E passear comigo pela vida
Cantarolar a bênção e o sermão de Francisco
E dizer que o mundo é um perigo
mas também uma bênção e uma missão...

Sigo abstratamente a missão de ser gente
e ter o peito forte, adocicado, cheio de sementes
Vezes tropeço e corto os pés nas pedras da estrada
Mas, aceito o risco de caminhar de alma descalça!

E de ser gente plural, direta, real e sem sentido
Que fala com as flores de amores desmedidos!
E aquece o peito ao falar de afeto, esse bicho voraz
E hoje planta sonhos, pra colher beijos de paz...#

Que a gente colha o melhor dos nossos sonhos.
Que a gente plante bondade. 

LUZ!






quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A linha




Entre o crime e o afago
O socorro e o pecado
Quem saberá dizer
Dos erros e virtudes
Qual o nosso maior fardo?

Quem saiu do labirinto do sentir
Intocado pelo absurdo?
E nunca bebeu suas lágrimas
O sabor doce da saliva amada
E falou de amor sem sentir dor 
ou mágoa?

Quem ultrapassou a linha da virtude
E se sentiu devasso e impuro
Indigno do mais terno olhar?
E descobriu a própria maldade
Seu egoísmo e fragilidade
Tudo em nome do amor…

Quem já se sentiu pleno e perfeito
Depois de enlouquecer de paixão?
E jamais errou a dose e a medida
E não fez da loucura
Sua forma de pedir perdão?

E, depois das vestes de rei
Não mereceu as de um mendigo,
E até correu perigo...
Quem jamais sentiu na carne o corte
Da própria humana fragilidade
E pediu ao doce senhor dos céus piedade?

A linha entre o belo e o bizarro
Está na minha e na tua mão
Cada um tece suas próprias vestes
Pecados, suores, amores
E oração…! 


Da releitura de"Crime e Castigo", uma brincadeira proposta entre amigas e sentir novamente as dores e os sentimentos do bêbado Marméladov, ao falar em Cristo...

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Sobre Roseiras, Vincas e os amores fáceis (Devaneio de Jardineira)



Sempre amei Roseiras. Rosas são flores delicadas, de pétalas aveludas, cujas cores,  parecem  desenhos, pintados à mão.  Durante muito tempo, fiz festa para cada rosa que ganhei. Meu pai mesmo, fez questão de fazer suas flores (Eu e minha irmã), a quem chamava de flores de janeiro e abril, apreciarem o gesto.
Quando fui morar só, antes de ter um sofá, eu tive uma planta. E foi uma festa colocar aquela ‘vinca’ enorme, cor de rosa, na beira da minha porta.Mas …faltava a minha roseira.
Um dia, em uma quinta calorenta, eu a encontrei. Ela era doce, num tom rosa pálido e tinha uma única rosa pendendo, feito um pingente: meu imenso amor de veludo!
A senhorinha sábia da minha barraca preferida de plantas da feira maluca disse que esta era uma roseira especial, tipo argentina. Neste mesmo dia, comprei uma vinca branca, para dar uma clareada no jardim. E a roseira deu rosas lindas. Espetaculares! Por um tempo, foi a rainha do baile na minha pequena varanda. Ficava embaixo da minha janela, para abrir os olhos para o dia, sempre junto dela.
Depois de aproximadamente um ano e meio, a despeito de todos os meus cuidados, deu de ressecar. E foi um tal de “salve a roseira do meu jardim”! Para tanto, cerquei-a de cuidados: melhor terra, melhor adubo, tempo adequado e quantidade de água certa. …mas enfim, aquele doce pé de rosa ganhou o infinito. Senti muito. Confesso que guardei sua última flor, que ressecou tão perfeita, que fica na minha parede, lembrança da vida que já abrigou.

No meio dessa correria e expectativa, a pequena vinca florescia e aumentava de tamanho, silenciosa e matreira. Já deu filhinhos, que vez ou outra, dou de presente a quem está na minha vida e aprecia jardinagem.
Dia desses, um desses filhos foi plantado no mesmo vaso que uma roseira menina, que havia acabado de ganhar. Não deu outra: a roseira já foi dormir e o pezinho de vinca é o novo dono do lar.
Dei de gostar de vincas. Gosto das cores, de como dão flor de janeiro a janeiro, de como recebem qualquer terra e já ficam ainda mais enfeitadas, agradecidas e agraciadas.
Vejo a lua e os fins de tarde através delas, inclusive. Hoje, moram comigo três brancas, duas cor de rosa e uma vermelha. São as damas do jardim.
Com o tempo, deixei de sentir falta das rosas. Ainda as amo e tenho uma delas no jardim, nesse momento. Mas sou mesmo grata às vincas, que há mais de cinco anos trazem tanta cor ao meu pequeno reino.
Penso que a vida e o amor são mais ou menos assim, também:  Você planta de várias formas, do mais intenso e exótico, ao simples e natural, mas florescem, os amores fáceis. Pois, a vida precisa  ser macia e encantada, mas também real e possível.

E isso não está errado, nem é mera coincidência.
Cada vez que rego as plantas no meu jardim, vejo um recado do infinito!


Reino



Depois daquela janela 
Mais que tecido e café
Incenso e quinquilharias
Repousa um reino encantado
Que acolhe sonhos
Lira, loucura e poesia!

Aqueles pequenos metros
Guardam recortes de versos
E canções antigas!
Debaixo de cada livro
Uma história bem contada
E nos velhos cadernos moram bruxas
Anjos, demônios e fadas!

As xícaras de café 
Dançam com as palavras!
Repousam nas prateleiras
Taças e promessas quebradas
E a bondosa certeza de que o vidro
Como a vida, corta:
Mas assopra e passa!

E é nas Super luas
Que tudo ali ganha  vida :
Quixote senta com Rubem Alves
Ao som de Belchior e Vinicius 
E os pés inquietos da menina
Ajeitam a coluna e os joelhos 

E reencontram seus inícios...#




Poema de 16.10. 2016, revisitado porque hoje teremos mais uma Super Lua!
E como 'a lua está de volta ao seu lugar'', há uma clara alegria em estar no 'reino'.
Luz!


sábado, 12 de novembro de 2016

Bailarina e Soldado de Chumbo




Foi culpa da última estrela!
Eu me peguei no teu olhar
Quis beber da tua água
E, numa fábula encantada
Seguir contigo a estrada...

Mas,  no fim do livro
Onde (dizem )mora o ‘ final feliz’
Nossas orações desencontraram do destino
E no dobrar de uma esquina,
O vento separou nossos caminhos…

E, naquelas páginas amarelas
Mora o luar, a magia e aquarela
Que enterneceu, iluminou o mundo
E fez  o amor nascer 
Entre a bailarina e o soldado de chumbo! # 

De reler "Soldadinho de Chumbo", edição antiga que ganhei da irmã e fazer uma brincadeirinha emocionada com a canção do Teatro Mágico.
Que as fábulas sejam sempre lindas e morem na magia que balança o mundo.

LUZ!

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Sopro!


Sentir o primeiro raio de sol da manhã
Regar as flores do jardim
Deitar e ficar um dia inteiro, de mansinho
Amar e sentir bem devagarzinho...

Ser assim: lenta e feliz!
Quase sempre distraída
Sentir as mãos de Deus em meus cabelos
Merecer o sopro que me deu a vida...

Seguir, desencontrada e digna 
Da bênção e da honra de existir!
E no curso do rio do dia a dia
Transcender e evoluir...

Sonhar! 
Mas levantar e ver o sonho nascer
Devagar e pacientemente,
Semente do que ainda vou ser...#

Obrigada, Deus! É uma honra existir! Tomar café sem açúcar, comer chocolate bem docinho,ver a Júlia contar uma piada,  passar um domingo na casa da titia. Falar de filosofia  e poesia com a Mary e dos mistérios do universo com o Edinho, ligar para o Bibito ou o Josi em qualquer enrascada. E sobretudo, me sentir amada.
Ver minhas amigas. Sentir orgulho de como são e lutam suas batalhas com dignidade. Tentar ser digna da vida que recebi e do coração que (graças!) bate em mim.  Enfeitar poesias e estender na praça.
Fazer coisas legais com o dia: ser responsável por mim e pelo mundo de quem eu tocar.
Pedir e dar perdão. Tentar tocar a felicidade das coisas simples...enfim, encontrar contigo e com tua mão bondosa, sempre a me proteger.

"Que seria de mim sem a fé que eu tenho em você?"

:) :) :)


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Dom!



Vida, colorida vida.
Colorível da melhor maneira
Doida, alucinada vida
Nunca inteira, sempre plena

Sonhos, para quê os quero!
Quero  brilhar neste céu estrelado
Provar nuvens de algodão
Quero pintar meu vermelho
No teu  coração.

Ver um milagre brotar 
No teu sorriso
Que é tão difícil resistir à dor!
Quero dançar contigo
Correr perigo e falar em amor.

Quero a filosofia das coisas simples
E o silêncio macio de um dia chuvoso
Acalmar tua alma, ser o teu repouso
E mais um motivo para sustentar
As asas do teu voo.

E quando você voar
Para longe do meu olhar
Quero abençoar teu traço
E seguir meu passo
Marcada pelo dom do amor... 

*Depois de assistir  ao filme 'Como eu era antes de você'.

domingo, 6 de novembro de 2016

O Amor!

E toda loucura é pouco!
Amor é um troço louco:
Bagunça...

Vira poema,
Revira os olhos :
O amor faz caras e bocas.
Faz um carnaval,
Ri e zomba do mundo real
Gosta dos que não tem nexo:
O amor gosta de avessos.

Vira ódio, explosão 
Quebra a coleção do Pink Floyd!*
E depois, bicho manso
Adormece, sereno...

Inspira! Escrita, travessuras
E as sandices inexplicáveis
É carne, mas também é verso:
O amor é um nocaute na sanidade.

* Da canção do D. Raulzito.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Comentários a respeito da vida (Parte I)



Frágeis em suas armaduras
As pessoas correm, 
Terremotos, sentimentos:
Medo ativo e anestesia.

A rota de fuga, no fundo
é sempre igual:
Com medo da ferida
a gente deixa de provar a vida...

E a vida, flagrante
Passa, na respiração
Convida e depois segue
sua própria direção...

E o tempo não é inimigo
Nem o Senhor de ninguém
é apenas o veículo
Deste eterno vai e vem...

Mesmo assim, seguir viagem
desvendar a própria estrada
é mistura de fé, coragem e ousadia!
Mas, Sossegue, Carlos*:
Dê-se  à luz a cada dia.


*Esta que voz escreve agora conversa com Drummond.
Como um amigo que a poesia presenteou.
Então, para hoje: Fé,coragem e ousadia. <3