quinta-feira, 12 de julho de 2018

Colha o dia (Da Mary Rocha para a Jaci, com amor,no raiar das zero horas)




Colha o dia
Ainda que esteja nublado, frio e cinzento
(A)colha o que a vida te trouxe
Na forma em que se apresenta...

O frio nos relembra a necessidade que temos do outro
E o cinza contrasta com tudo que brilha
de forma que é possível identificar 
mais claramente o caminho...

Colha o dia
O medo, dizia o poeta, é irmão da ousadia
então (en)colha a tristeza
e lhe dê manso abrigo

Ter paciência - consigo-é um dom cultivado
 Só não esqueça
a estrada se faz mais interessante
Quanto mais amor caminha ao  seu lado...

Colha o dia
Não queira vencer de uma vez só todas as estações
A vida é feita de instantes que não se repetem
então tenha a certeza de ter vivido tudo que foi entregue

Apenas colha o dia...
e não renegue nenhum sentimento
 - ao contrário, transborde a exaustão do que te (as)sombra-
retoma tua luz... ela é leve...

Colha o dia
Mas não descure nunca de significado
Pois, cada passo dado nos aproxima do grande final
e, muito mais que letras ou imagens de vitral
seremos sempre resultado daquilo que (es)colher...

Então, que seja você
a espalhar suas pétalas no caminho
a florir sem descartar seus espinhos
E a voar sem renegar o casulo

Antes de tudo, escreve versos - naquele muro que te assombra.

Colha o dia
e então mesmo que a nostalgia
assuma a narrativa do seu espetáculo pessoal
Haverá aplausos no final


a própria existência te saudará, de pé.



#

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Lie to Me às avessas (Filosofia do Boteco ou Papo reto)



Senta ai, meu amigo/amiga, com quem compartilho essas letras longas, nessa estrada chamada vida. Desculpe a informalidade do convite. É que fui criada para dentro de um ambiente 'real', onde 'recado' é canção do Gonzaguinha, ou carta e poesia que a gente posta, envia e assina. O resto é 'papo reto', uma gíria para falar sobre gente que gosta de palavrear com a verdade. Então, vamos prosear?

Bom, aqui nesse boteco, quando a coisa é poética,  bom mesmo é bendizer, colocar coisa bonita, florida. Entretanto, nem sempre o mundo 'lá fora', longe desse blog e de toda originalidade, força,verdade e história que foi crescer como poeta e como pessoa e evoluir no curso desta 'página', carinhosa e ÚNICA intitulada de aluanãodorme, o certo é que ...nem sempre o mundo é assim. Não é mesmo?

Por motivos que nem sou capaz de explicar, esse botequim chamado vida real serve a gente de tanta hipocrisia, fofoca, maldade...é difícil ver além da máscara, não é? como diz a canção "visão de raio x, o X dessa questão é ver além da máscara". Então, como será que seria o mundo, se a humanidade não tivesse a habilidade do raciocínio silencioso? Não, não falo da irracionalidade. 

O que quero dizer é, como seria as pessoas e a convivência no mundo, se não houvesse o poder de 'guardar para si'? Se a gente fosse só externo, se o ato de pensar fosse concomitante a 'dizer'? Ou ainda, que a gente até pudesse pensar em silêncio, mas não tivesse a habilidade de 'mentir'?

Eu sei, tu achas que cheguei atrasada nessa divagação. Afinal, a Comédia " O mentiroso'', com Jim Carrey, já tratou disso. Porém, veja, foi em uma perspectiva mais restrita, pessoal, onde apenas o 'mentiroso' perdeu a habilidade de 'esconder' dos demais suas atitudes, graças a uma espécia de magia, feita por seu filho, cansado de ser decepcionado. 

E se isso tivesse acontecido desde o princípio, com todos os seres humanos, como teria sido nossa evolução? Bom, para começar, séries como 'Lie to me' não existiriam, o que seria uma tragédia (risos). Mas, sem brincadeira, provavelmente a raça humana não teria 'evoluído', desenvolvido nações, organizações sociais complexas, com fenômenos tão interessantes, ainda que ambíguos, como a política.

Li algo sobre a função social e psicológica da mentira. Fui resgatar, mas não encontrei, porém na web é possível achar alguns estudos bem bacanas e alguns até explicam e motivam a necessidade da mentira. Sugiro com cautela. É que prefiro que você tenha o máximo de verdade, já que  vida é assim, a gente se nivela com quem di-aloga, não é? 

Mas, já que o papo é mentira, quanto aos estudiosos desta, enquanto fenômeno humano, em suas mais diversas vertentes, há o entendimento de que, sem ela, não seríamos capazes de estar aqui, ou seja,  se não tivéssemos adquirido esta habilidade, provavelmente nossa sociedade, tal como é, nem existiria.


Na língua portuguesa, o antônimo da mentira,  é a verdade. Geralmente, na fala, associamos à sinceridade, cuja acepção da palavra remonta aos romanos, quando se dizia que uma peça de arte, não manipulada, estava "sine cera"...sem cera, sem falseamento do estado real. Particularmente, acho que é uma forma de integridade, porque demonstra inteireza.

Por outro lado, nunca conheci alguém que não tenha mentido. Certo que alguns com mais facilidade que outros. Aliás, minha dificuldade em esconder o que penso ou sinto, é frequentemente entendida como 'infantil'. Quer dizer, se o parâmetro de 'adulto' seja este, de agora.

Ah! a infância. Foi triste saber que as nuvens não são de algodão, que Papai Noel não existe, que a
fada do dente não é real...e um alívio saber que um anjinho não vai soprar se eu fizer careta, que nada de mal acontece depois de meia noite (mas depois das duas da manhã, Ted, eu vou dormir!), que meu nariz não cresce, se mentir. As mentiras de amor, que um dia alguém me contou, só para me preservar um pouquinho da vida, até que eu já desse 'conta'.


Já pensaste que as pessoas para quem menos mentimos são provavelmente aquelas que mais amamos?  é que quanto menos a gente precisa se esconder de alguém, mais amor temos por ela. É certo que, entretanto, a mentira pode ser o caminho mais fácil.  Explico.Fácil é mentir para ser o que o outro precisa.  Fácil é enganar e vivenciar emoções escusas. Isso tudo é uma forma de falsear a verdade bonita da vida. 

Aprendo cotidianamente que, quanto menos medo e mais verdade dentro das nossas relações, mais união. É que amor é contruir pontes, não 'muros'. Muros isolam, foram criados para delimitar 'propriedades' e definir 'pertencimentos'. Pontes unem caminhos. Bom, de repente, na evolução, a mentira seja essencial até mesmo nos relacionamentos. Sei lá. Vai ver não sou tão evoluída.  É como disse Martha Medeiros: 'acho que não sou daqui" - e gosto disso.

Se cada um carrega a bênção da verdade e o peso dos próprios pecados, graças ao fato de que não somos apenas 'externos' e temos a habilidade de mentir, todos vão lidar com a responsabilidade desse dom que é viver,  quando chegar ao grande mestre. Quanto a mim, espero que aonde quer que Deus esteja - talvez aqui ao meu lado, talvez colando vitrais com meu amigo Rubem Alves, em uma noite bonita como esta- esteja sorrindo, orgulhoso.  


Sine cera, íntegra, original, aluada , enluada e doida. Porém, inteira.  Vida só é boa se for assim,. Isso claro, para mim. E desejo isso também a você, que me lê. Mesmo se, porventura, a recíproca não for verdadeira. Desejo muitas pontes e poucos 'muros', até que, de olhar para si, não aceite pequenas mentiras, migalhas dormidas de ilusórias abstrações, enfim, afagos irreais.


LUZ!


sábado, 30 de junho de 2018

Pequenos notas sobre o "Quando..."



O último pedaço de bolo, um domingo no cinema,
Perder a hora do poema, esquecer e não anotar a rima,
Não ir gastar o fim de tarde na Paulista
Deixar de observar o vento balançar a vida...

Não viver o momento, adocicado e lento
Com a delicadeza de estar presente, inteira.

Esquecer o aniversário de alguém amado, 
Esconder um verso, ir menos ao teatro e mais ao supermercado,
Apagar um sonho riscado com a ponta de giz,
ter medo, errar e não pedir perdão...

Só me devora o que não fiz, quase sem querer!
A aula que não pude aprender, o tempo  em que desfiz laços...
As vezes que fugi de mim e nem notei
A lágrima  sentida, no bolso esquerdo guardado

O amor que esqueci no varal e secou,
A velha dor nos joelhos, o tempo que não me doo, 
e justifico e sigo! a falta que não digo,
e às vezes, nem percebo.

Não fazer o melhor poema de amor a cada  ser amado,
às vezes, desatentamente, errar a curva da estrada
machucar a emoção de alguém 
Ou não doar o melhor em mim no 'agora',

---- Só o que não fiz  e o que não vivi 
O que não doei e não me dispus, 
A dor que gerei e não pude reparar
A vida flagrante, que deixei de respirar :

São as coisas tantas que, às vezes, junto do poema
Sentam comigo, sob minha janela
e perguntam sempre e muito:
Quando? Quando? Quando?   ---

#

" O mundo começa agora
Apenas começamos"



Conversa ao Espelho ou "tudo que queria te dizer'' (Filosofia do Boteco da Lua)



Senta ai, caro leitor, que eu ando com saudades desse boteco e nossa prosa poética, às madrugadas! hoje, o papo vai sair quentinho, junto com o café das cinco, pois nem sempre as madrugadas são para esta lua antiga, que já tem 34 e, às vezes, sente um sono de 340...

Aliás, confesso que me sinto 340 pessoas diferentes ou mais, um milhão de vezes...e quantas mais será que poderia ter sido? Sei lá.  Aliás, já sentiu vontade de conversar consigo mesmo? Não estou falando de múltiplas realidades, coisa que também adoro, mas de uma única - a de agora - onde um 'eu' do futuro conversa com um 'eu' do passado. Ou vice-versa.

Certa vez, há muito tempo atrás, li um livro intitulado "Tudo que eu queria te dizer", da poetisa e cronista Martha Medeiros, onde, por meio das mais variadas situações, foram registradas cartas entre pessoas 'anônimas', aconselhando ou expressando opiniões. Por algum motivo, interpretei que a autora enviou, em muitas daquelas correspondências, cartas a si mesma. Ou às muitas que ela foi.


O tempo é mesmo engraçado, pois nos transforma de formas diferentes e nos convida a andar e aprender com ele ou a repetir a lição, até adequar as lentes do presente. E como é dolorido aprender! às vezes, queria ter nascido pronta e pulado cada queda que ralou os joelhos, cada lágrima ou curva errônea do caminho...quem nunca? mas depois, lembro como foi bacana aprender a andar de bicicleta. Nunca vou esquecer aquela calçada. Como foi legal nadar nas correntezas do Amazonas pela primeira vez, o rio que inunda que corre em meu sangue e emoção.

Como foi lindo ver a primeira planta do meu jardim ser plantada. Ah! Tantas coisas legais que foi legal não saber e vivenciar pela primeira vez! A vida é uma roda-gigante. Aliás, estudos confirmam que o cérebro é melhor estimulado se você faz algo novo todos os dias. Sabia? talvez por isso goste de escrever: se sair muito igual, já sei que preciso 'viver mais'.

Tem um monte de gente criando roteiros de vida perfeita e há ainda os que tentam seguir essa cartilha. Será que é por isso que tem tanta gente 'doente do coração', como diria o Chico? há muita dor no mundo e muitas pessoas boas sentindo essa dor intensamente. Será que a gente aprende no futuro o que vivencia no passado? como um 'retardo' de entendimento? ah, sei lá. Particularmente, acho que sim. Eu tenho mesmo essa 'atraso de vida', como disse Manoel de Barros.

Sobre o assunto, recomendo o filme ao lado. Amo a ludicidade como é retratado as angústias de ser e o significado real de ser feliz. A primeira vez que o vi, comecei a rabiscar esse texto. 

De pensar sobre essas coisas, sobre o ontem, o hoje e o amanhã, rolou um rascunho de algumas coisas que eu - de agora - gostaria de ter dito, umas ou outras vezes à outras Jacis, do passado - ou futuro.  É meio sentimental e vago, porque cada uma das pessoas que eu fui viveu outras realizadades e detalhes que talvez agora passem desapercebidos ao meu olhar de Jaci do presente...

Certamente, as tuas melhores ou piores memórias te acompanham. O resto é meio que um amontoado desorganizado que caminha contigo e comigo também. Agora imagina juntar isso em algo? E ainda encostar no mundo ' do outro'?  dai a confusão e, já disse Caetano, ' o inferno são os outros'. Acho que é por isso, que tantas vezes, rola aquele velho ' como seria se...'

Bom, a maior parte do tempo, quero mesmo é construir laços honestos e felizes de amor, hoje, agora, para que esse EU que me habita, goste de caminhar pela vida e para que a JACI do Futuro receba de mim o seguinte recado: fui honesta com minhas emoções e sonhos, fui justa com as pessoas ao meu redor, eu realmente fiz o melhor que podia, em cada lugar que escolhi estar. E espero que, por isso, você seja uma pessoa FELIZ.



Bom,  fiz um rascunho. E te te convido a fazer o teu.  Compartilhei contigo por lealdade à tua leitura nesta longa digressão. Se quiser passear comigo, aí vai. :)

Atiro as palavras como a náufraga que envia a si mesma mensagens...vai que um dia chegam.






(...) Olá, garotinha! não tenha medo do escuro. O dia vai raiar. Freddy Krueger não existe. Nenhum medo é maior que o amor que te rodeia...durma, meu bem, sonhe o mais que puder (...)

(...) Ei, jovenzinha. Sei que está com outro tipo de problema agora...que o 'escuro' é o futuro. O medo do vestibular e da escolha de vida que envolve, aos 16 anos, não ter a graça de errar, é real. às vezes, vais pensar que erraste. Mas errar é bonito e, ainda que dolorido, tu vais se tornar uma pessoa e uma profissional bacana para o mundo, justamente por viver e sentir cada instante dessa escolha difícil e dolorida, que um dia aprenderás a amar e honrar (...)

(...) Olhe firme firme nos olhos dos idiotas de cabeça branca e aspecto intelectual, que riem quando gaguejas ao falar de leis e diga eles que estão ali finalizando uma etapa de suas vidas, que nem parece ser tão boa assim, já que riem de alguém que estava apenas começando.  Tu vais falar para plateias melhores e mais qualificadas, no futuro, com tranquilidade e empatia pelos que ainda não conseguem, porque aprendeu com a vida que todo mundo está em algum ponto de seu caminho pessoal, intransferível e bonito, à sua maneira  (...)

(...) Pode chorar, rosa de abril. Pode se despedir, sem esquecer que não é o fim. Ainda  há muita coisa para fazer esse cara se orgulhar do que te ensinou.  Você teve e terá uma vida melhor e poderá fazer ainda mais bonito, movida pela força do amor raro que recebeu (...)

(...) Tudo bem não ter esquecido só aquela jaqueta, tudo bem não ter embarcado naquela viagem. Desse ponto de interrogação em suspenso, muitos saberes se multiplicarão. Depois de tanto aprendizado, tudo vai fazer sentido. E o que não fizer, é aprendizado inconcluso que uma hora ou outra chegará. (...) 


(...) Continue a sonhar. Alguns planos não vão florescer, apesar do  empenho e expectativa. Muitas coisas extraordinárias são vividas em cada 'não' e em cada 'sim'. Persevere doce! tenha paciência consigo, porque ainda chegarão outras, que precisarão desse carinho emocional (...)

Por fim, queria dizer à desconhecida que virá e  às outras que a sucederão talvez...

 Ei, dentro, dentro do possível, estou fazendo, em cada lugar, o meu melhor. Espero que baste e que o lugar onde estejas seja bom, bonito e seguro, porque aqui, todo dia,  tento enviar para você do futuro esse presente generoso e justo, de uma vida feliz!

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Das "sabências"



Rir para o sol, desenhar beijos com batom
Brincar de tecer sonhos com as pontas dos dedos!
Nuvens de algodão, contos de fadas
Crer nas coisas doces, alma amalucada
desistir da semântica e recitar o silêncio...

Descobrir a alegria da contemplação - encontrar
aprender a segurar e não soltar
 – um alguém, um lugar- 
entrelaçar as mãos e ver o pôr do sol
Bonito e doce, ser amor e lar.

Ajeitar os passos para dançar junto,
Passear em céus azuis e noites estreladas 
com as delicadas asas da felicidade
Respeitar a espírito da natureza
dançar com a tempestade...

Ser sentimental e frágil - Sine cera
Encontrar a delicadeza e tocar quimeras
Descobrir no horizonte almas tão dispostas
Quanto o próprio coração...
Receber a vida, curtir cada prorrogação

Caminhar com emoções descalças
Sem medo das pedras ou curvas da estrada
Doar sentimento, tanto e desmesurado
Seguir com o tempo, peito sossegado.
( Toda poesia sabe que veio ao mundo morar n´um amor)




Música boa para começar a semana e abençoar a você que me lê:
Muito amor para a sua semana. A gente veio aqui, feito poesia...
('Sabências')

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Tempos Modernos






A última vez que fui ao mercado
Dei com seu João, cabisbaixo
Pensativo, lá, com seus botões...

Alguns dias depois, fui ao cinema
Percebi o quão triste estava a mocinha à minha frente
Parecia quase dormente
Tão nova, eu quase perguntei...

É, há uma delicadeza dispersa
Que cada vez mais desfaz o riso solto
‘Um bom dia ‘ ou verso louco
Que faça as pessoas falarem em amor...

E  ainda existem os sensatos
Gente de inexpressão
Que, ao olhar para o lado,
Não enxerga a dor de  um irmão...

E há ópio pra curar ou para enlouquecer
E pouco tempo para sentar
Conversar com um amigo ou ver o dia nascer:
Que tempos são esses - já dizia minha avó...

é difícil ser gente e construir no verbo e ação
Tudo que dizem que é felicidade,
e para completar toda essa ambiguidade           
também não a sei definir...

Mas, por teimosia, quiçá lealdade à poesia
Quero sempre falar no mistério e  alegria
Que é estar e ser, dia a dia, parte dessa jornada
E sonhar tocar o sol com meu belo par de asas

Encontrar a doçura tanta que  mora no azul...

Reverenciar , pois, no meio de um incrível mistério
Por uma força qualquer do universo
Existem estrelas e sol e cometas
Riso, borboleta, flor, luar e alegria

E muita coisa doida e linda pra viver!



Dos pesos e levezas



O peso do mundo
a dor do segundo
O que cabe na gota 
que rega o olhar?

Uma despedida,
triste partida,
aguda alegria
O sol, a areia, o ar...

todo mundo é  rio
e traz um mar dentro do peito
e às vezes, dá de a onda bater forte 
e arranhar a ribanceira,

às vezes, é dura a correnteza
e fica difícil viver
medir ou mensurar!
Entre peso e leveza

O que cabe na água  que cai de um olhar?

#

E eu espero que, se houver água no teu olhar, que me lê, haja um nome qualquer que tu possas cantar, só para reafirmar que o mundo é bom.  <3

LUZ!


quinta-feira, 21 de junho de 2018

Infinito mundo! Tão pequeno...



 Infinito mundo! Tão pequeno...

Veja, aquela flor, cabe na palma da minha mão.
Num universo vasto e lindo
O que importa é o bem-vindo
Apelo da emoção...

Assim, km, metro,segundo
Tudo é apenas medida e comporta
Regras de espaço e tempo que a  gente só nota
 quando é preciso alcançar a rota...

Prefiro então a medida do verso
Que eu seja o alcance do verbo
Que a gente saiba caber
Bem dentro de um amor!

Prefiro então a medida do abraço
Com quanta alegria de faz um laço
E que a gente só conte o espaço
Entre a pele e o coração!

 Não metrificar ou quantificar alegria
provar  do sal e do sol na saliva
Sentir o calor da terra no pé ao tocar chão!
Andar por ai  e descobrir a geografia  da vida

segurando em tua mão...# 



Mas meu amor está distante, umas sei lá, 48 horas
Quando faz falta, já diz o poema: A gente nota! <3




quarta-feira, 20 de junho de 2018

Enigmas do Espelho



Universo complexo, mundo disperso,
Tudo em que toco seria  o que realmente vejo?
Nem me lembro da última vez em que não duvidei...

É que o espelho me diz que do avesso é  como a face se parece! 
e que o rosto que ri na imagem
É um tipo de ‘eu ao contrário’...
 - Ou seria só miragem?

Então, por que será que a gente cresce
Sem se perceber ?...

Depois desta constatação,
dei de olhar desconfiada para o reflexo
Suspeito que a qualquer hora,  se moverá, per si
Alma que não movi,identidade alheia a mim...

- Deves me achar louca, bem sei.

E até confesso que já cometi loucuras
Perco tempo a entender cada ângulo de um quadrado
Há tanto cuidado, pois, no cotidiano de espelhos quebrados
 Tudo é avesso ou lado?

Será que fui para o verso errado
Da última vez em que te vi?
Será que num outro unir de verbo
Onde mudei o bater de minha asa

Tu ainda estás em casa?

Será que não estou dentro de um paradigma?
Ou existo num tipo de estranho enigma?
Numa Matrix onde nem mesmo percebo? 
Presa em metáforas,  

feito ‘Alice, através do espelho?’


* Por um detalhe no dia da minha despedida mais doida e doída (dar 'até breve' ao meu pai), sempre me perguntei se 'o bater de minhas asas' não poderia ter mudado esta despedida...

Com o passar dos (d)anos, muitos livros e até alguns filmes suscitaram questões parecidas...efeito borboleta, Donnie Darko, 'A dona da história', 'Feitiço no tempo', e principalmente "Alice através do espelho".

Este poema nasceu dessa dúvida, que vez ou outra me ocorre: onde estou é onde acho que estou? eu poderia ter feito algo para alterar um pedacinho sequer de algo? e se esse algo mudasse, quem será que eu seria agora? Será que em algum lugar, eu sou essa outra que eu poderia ser? quantas versões de mim eu poderia ter sido? ou sou? 

Será que eu algum lugar 'eu sou'?
é uma doideira existir. Suspeito.
Não note.

LUZ! :)

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Elixir Paregórico (Ensaios sobre a dor)


Uma das lembranças mais doces de ser criança de uma cidade do interior do norte é a alegria e o contato íntimo com a natureza e a sabedoria mística que envolve as coisas da floresta.

Coisas como Chá de Cidreira para cólica e sono de criança, erva doce e hortelã para digestão, mastruz para vermes, enfim…tantas ervas e raízes! Tive mais contato com este tipo de remédio do que com fármacos, propriamente. Conto isso com grande alegria e pretendo que, se Deus permitir, transmitir esta sabedoria de avós a netos, vida afora.

Outro remédio que minha mãe costumava dar era um líquido profundamente adocicado, enjoativo, para tudo que era doença ou male: caiu, ralou o joelho? santo elixir misterioso em ação. Dor de cabeça para não ir para a escola? dor de barriga sem febre? santo elixir! Muitos anos depois, soube que era água com açúcar. Ao que parece, muitas vezes, fui curada através da medicina mais profunda que uma criança pode receber: palavra de mãe de que a dor vai passar.
Meu pai, por outro lado, era cheio de frascos diferentes, do tipo que raramente vemos hoje. Como por exemplo, o ‘delicioso’ elixir paregórico, 40 gotas que curavam TUDO que uma criança ou adolescente pudessem contrair. Isso trouxe a lembrança de que Rubem Alves, uma das minhas grandes referências literárias nacionais, escreveu sobre memórias e remédios de infância em uma crônica (do qual esta provavelmente é filha tímida), que fala da saudade do gosto ruim do Elixir de Nogueira, remédio que tinha gosto de peixe e do qual tanto sentiu falta. Rubem ainda rememora que a expressão elixir é de etimologia árabe, interligada ao conceito de Alquimia...

E a expressão ‘panos quentes’? aprendi depois de adulta para que servem (Ufa!). Aliás, sobre a dor, minha so(l)brinha, tinha receios diferentes dos meus. Ela não temia o instante, mas sim o medo de não sarar.  Chorava pedindo para ‘tirarmos’ o dodói dela…ah! Quem nos dera se Deus nos tivesse dado o santo poder de sermos heróis de nossas crianças…

Infelizmente ou felizmente, o tempo nos alcança e quanto mais corremos, mais ele passa. Hoje há comprimidos para solidão, tristeza, insônia, coração partido. Farmácias crescem e se tornam cada vez mais essenciais à rotina das cidades.  São os estudos e a evolução de outras formas de compreender o mundo, essenciais à melhoria da qualidade de vida, mas confesso que sinto saudades da sabedoria simples que a tudo curava.

Confesso que ainda tomo chás, alguns do jardim, alguns de espera (ah! paciência!), outros de sabedoria,  paz…outros em sachê, quando a pressa não deixa ir à feira maluca, ou quando a vida acelerada me distancia deste hábito tão bom que é sentir a delícia das ervas frescas...

É que mora em mim a mágica daquele elixir adocicado e das 40 gotinhas que curavam qualquer dor, de caber dentro do colo dos meus, num abraço apertado que ainda garante,  dentro do meu peito, que para meu grande alívio, tudo, qualquer dor … vai passar!

Enquanto tempestade





No meio do caos de milhões
das tantas solidões e emoções
eis que uma só me dói
e corta a carne...

A chuva cai,
E  no meio de gotas de tempestade
aquelas que nos olhos ardem
São justamente a que caem em nós...

às vezes a gente só precisa
De alguém para nos proteger da chuva
e dizer que vai ficar tudo bem...

às vezes a gente é feito bicho
que quando ferido, não quer ser atacado
pois sabe que  o corte precisa de cuidado...

Dentro de uma tempestade,
Toda a gente devia de ter
uma fórmula secreta contra a dor (deve ser amor)
porque somos frágeis...

dentro da tempestade,
todo ser que respira
só precisa de um canto
p´ra se sentir guardado.


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