terça-feira, 20 de março de 2018

Flor do tempo


A flor do tempo presente
mais uma vez despetalou
A hora segue, rumo ao fim ...
Hoje, 22h43 do dia 20.03,
o dia passou, o vento soprou,

Outono chegou!
parece que foi ontem,  havia tanta flor...
A primavera,  irmã de tantas quimeras
delicadamente retirou-se do instante
abriu espaço ao abre-alas da nova estação...

Mas, tudo certo,
pois o curso do Amazonas  cedo ensinou
Que no vai e vem de existir
não há permanências,
O movimento, a brevidade é a  essência.

Mas, sossegas, coração!
as muitas que fui sorriem ao espelho
criança, jovem, menina-moça
 mulher crescida, saltos e  batom vermelho
não tenho  pressa de me ser no amanhã...

Mas, tudo certo,
mesmo Júlia já passa rímel 
e ri de coisas na internet! 
a rosa lá de casa, aos poucos, abre  asas 
alça voo e floresce...

O botão da vida que mora em cada um
faz nascer nova estação
entre o arfar do peito e a respiração,
as andorinhas  passeiam 
levam e trazem o verão!

#

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Ensaios sobre amor e dor







Dor é linguagem universal
Amor, não:
é multicor, multiverso
Multipessoal

Ama-se pelo riso ou olfato
Pela ausência de sentido
No avesso do avesso
De qualquer explicação…

É uma teia intrínseca
De afeto
Que não julga
O que é errado ou certo.

Dor, é pontual.
Chega sempre que o coração é rasgado
E, por outro lado,
 amor atrasa a gente

É que o peito sente
mais calmamente a chuva
E a mansidão do vento
acolhe a beleza dos dias frios…

Dor é adrenalina
movimento impensado
Amor, dopamina
Caminhar junto para um mesmo lado.

O peito reclama quando flui em dor
Amor, sorriso incontido,
coração em flor.

#

Um dia de amor para nós.
LUZ!




terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Considerações a respeito da viagem




Conhecer

Do valor de um riso ou de um segundo
Da página final de um livro
à última colher de brigadeiro
e o prazer de caminhar lado a lado
(Seguir a vida desatentamente enamorado)

Retribuir 

O abraço e o apreço
Sentir o calor do beijo matinal
Onde o amor é único  endereço
E a ausência de juízo
Diz que vale o  preço.

Sentir

Tocar o mundo e sempre muito
Doar-se sem impor!
- Num mundo onde tudo se barganha
E se perde enquanto ganha –

Ser

Gente que poetiza
 além de Carteira de Identificação
 e  do Cadastro de pessoa física
- Onde a existência vale  o que se somatiza - 

Conhecer, retribuir,sentir, ser:  e Chegar!

De forma tal que ao ter contigo
Não precise barganhar com tudo,
Mas apenas, calmamente,
 Sentar com um amigo.

#

Para a felicidade geral de tudo que mora em mim, se ao final, tiver esta bagagem para falar com a grande força mística de universo (que chamamos de Deus), eu me considerarei uma pessoa plena. Sucesso, afinal, é subjetivo. 
Quero apenas estar leve, tomar um café e conversar com um grande amigo (Ou amiga. Ele/ela sabe que eu não ligo) :)

LUZ!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Mistério


Por que força cósmica
Magia ou mero acaso
estamos de fato
com os pés fincados no agora?

- Fato:
Que não é igual p´ra ninguém...

Por exemplo
Neste exato limiar do momento
meu coração, derramado no jardim
recarrega suas lições, seus saberes...seu tempo.

A experiência cósmica do vento
balança as asas da borboleta
Regida pelo destino ou por nada.
Ah! existir é qualquer coisa

entre o instante e a estrada.

#

 E que seja, ainda que diferente, especial  e justo para  cada um.

LUZ!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Entre um poema e outro




Entre um poema e outro
Corro para o trabalho, médicos  e padaria
Vou ao mercado, à feira e à CEA
Leio as páginas da economia

Nesse ano de meu Deus de dois mil e mais dezoito
Há muito a aprender
Para o tempo vindouro
Reparar as perdas e guardar tesouros…

Tem gente morrendo de fome neste meu país
E há quem jure inocência
Muito preconceito e pré-julgamento
Pouca empatia e clemência

Aqui, todo mundo é rei
E juiz de um tribunal de exceção
A gente tenta não fazer, mas peca junto
Todos com sua própria (auto) justificação.

Então, entre um poema e outro
Tento  não esquecer  que sou poeta!
E que nisso, há mais que mera digressão.
Há carne que pulsa, vida que assombra

E, sobretudo, um coração.


 #

Luz, para o dia de hoje!

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Mapa, cá.




Sempre que procuro no peito
A geografia do amor
O mar que abriga meu lar

A luz de um lugar  acende em meu peito.



Paisagens que o tempo não leva:
Um santo que abraça o amazonas,
Grande casa de pedras, igrejinha,
A bênção, meu S. José!

Sempre que penso no lar,
É batuque, samaúma, maré cheia
Ruas enfeitadas de mangueiras
Capital morena, segunda mãe

Casa minha.

Terra da poesia de Fernando, Alcinea, Maria Ester
Marabaixo no pé, de Tia Luci até aqui,
É igarapé das mulheres, lendas e crenças,
Flores do mato,

Ervas que curam , vida que abunda,
Cá dentro de mim.

#

Parabéns, terra querida.
Obrigada, segunda mãe.
Observação:  Há muito mais poetas, cantores e artistas em geral em nossa linda cidade. 
Sintam-se representados.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Eterno Retorno



Desde que acordei
Já deixei pra trás tanta coisa!
Meu sonho esquecido da noite anterior,
A beleza da lua passada,
E até um belo par de asas…

É que o tempo cria demônios
Redemoinhos e tufões
E leva embora tudo que somos – efemeridade
Para trazer, com o mo do mundo,
Novas partículas de segundo.

Por isso, adeus, adeus!
Mas é sempre até breve…
Pois na curva do arco-íris
O amor (mágica infinita)
Em si, repete.

O vento que fez a curva,
Girou a roda do universo
voltou no dobrar da esquina,
arejou certezas,
e hoje dança com as cortinas…

#

Somos Luz e ação que câmeras não alcançam.
Existir é mesmo muito raro.
<3

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Cinza!



O dia está cinza lá fora e, só por isso, meu coração sorri.
Meu coração é dado às pequenas afeições: a manteiga derretida no bolo, a fumaça do café ou do incenso, cheirinho de livro, o manto cinza que recai sobre as cores, em dias nublados.
Pode dar de chover, pode não.
Meu coração não pergunta da chuva que horas ela vem. Nem se vem. Basta-lhe o cinza do céu. Depois desse céu cinza, que uma coruja negra acabou que riscar, eu sei que tem o universo. E multiversos. E vida, colorida, explodindo, para que eu,você e tudo que nos rodeia exista, reexista, e se reinvente, pelas mãos do artista.
É, ele é o primeiro artista que já existiu: Deus ama a poesia, explode estrelas e depois modela tudo. Faz novamente, depois. É mesmo um artesão incrível.
Há um beija-flor  que sentou para beber água com açúcar aqui na minha janela: é gordo e manso, porque o cativei e tratei com religiosidade sua fome e sede, senta-se porque sua estrutura mudou e já confia em minha natureza de bicho inofensivo.
Faz um silêncio enorme na rua, tudo está cinza e ouço o barulho do teclado, enquanto arrisco essa quase-crônica, que é só um arremedo do dia que inicia.
Já deveria ter cansado de escrever sobre o cinza. 
Mas eles nunca são iguais, só para agraciar o meu coração de poeta. 

#

Publicado em 18.01.2016 e revisitado agora, que os dias cinzas de dezembro se prenunciam...

Todo dezembro chove em Macapá


Todo dezembro chove em Macapá
Mas as águas sempre caem diferente 
Dentro da gente...

Tem vezes que a maré 
Se ajunta à sinfonia da chuva
E o peito fica cheio da canção da água...

Havia um tempo que a gente corria pela rua 
sonhar era fácil
E a gente soltava barcos de  papel
só pra ver os pequenos riachos levarem 

A beleza simples da vida escorria pelos olhos...

A noite chegava cedo 
E a gente podia vencer o medo
do assobio do vento 
Das chuvas de meia noite...

Agora, o tempo fechou…
Mas quem sabe amanhã sorri
E nas asas de um bem-te-vi
Caiam águas coloridas por um arco-íris...

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Lições da Infância



Quando criança,
sob as calçadas encardidas da Salvador Diniz
Aprendi que o céu era o limite!
E que o mapa encantado até a chegada existia
Ao fim dos pulinhos da amarelinha,
Desafio nosso de cada dia…

Oceano era a lagoa do quintal do meu avô
O tesouro, sempre ao fim do arco-íris
Os dragões eram vencidos por príncipes
E éramos grandes navegadores a navegar
E tudo parecia ter o seu lugar…

Passadas décadas, ruas e avenidas
Desaprendi esquinas
Pois a máquina de engolir vida
Apagou as linhas finas
Que apontavam por onde caminhar…

Agora, sigo desalinhada
Sei pouco sobre certezas e  chegadas
Canso de ouvir  – e escrever –
 as mesmas palavras
e não sei onde dobrar…

Queria ter outra tarde
Daquelas mornas e empoeiradas de infância
Brincar de correr para todo lado
E ao fim do dia  correr para o colo encantado
Dos olhos de mel da minha irmã…

Mas a máquina de engolir vida
Segue a comer lembranças
E aquela esperança vive
Da luz que existe na memória
Daquelas velhas histórias
Repetidas antes de sonhar! …


#

Que  gente sempre encontre o fim da amarelinha,
E que a caminhada seja boa. :)

LUZ!

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Caminhada





Caminho pelo mundo
E, entre verbos e rimas,
Vivo de parir emoções:
Respiro o caos de um coração enternurado!

Perdi-me dos roteiros
Desenhei à mãos sorrisos
Em dias de chuva
Vida em versos livres e laços guardados…

Acho que não sei quem sou,
Mas desaprendi de ser quem era,
Estou mais em paz com o caos
De ser essa coisa bruta: 
Caos de poesia,pedra,poeira...

E, em meio a cortina fina da normalidade…
Dizem que  sou doida:
 -Termo de Confissão: 
é verdade! -

Sinto saudade
Sinto paz, frio e calor!
Mas gosto mesmo é de ser  rima solta
Estar e ir aonde o amor for…

#

Que o amor, como todos aqueles livros lindos que li,
Seja algo que sempre nos leve pra casa.
:)

LUZ!

Rio!



O que será que é o amor?
Quantas milhões de coisas ele ainda virá a ser?
Quem um dia poderá, ainda que breve
Explicar, ponderar, compreender?

Sei que é toque, canção, cheiro, emoção  (alucinada!)
Sei que é dia a dia, mão na mão
Segurar o coração,
Seguir em par pela estrada…

É perda, suor e ganho
Inocência, saliva  e ilusão
Mas é que é também o possível
Depois de encontrar com a razão…

É deixar de abrir páginas encantadas
Para estar na pele amada
ter absoluto medo e ainda assim, 
aceitar-se desassossegada…

Mas eis que não sei mais do amor 
do que aquilo já alcancei.
Sempre à procura de seu infinito!
Feito chuva, molha a alma, invade a pele, 

Doce rio de mistério…#

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Elixir Paregórico (Ensaios sobre a dor)


Uma das lembranças mais doces de ser criança de uma cidade do interior do norte é a alegria e o contato íntimo com a natureza e a sabedoria mística que envolve as coisas da floresta.

Coisas como Chá de Cidreira para cólica e sono de criança, erva doce e hortelã para digestão, mastruz para vermes, enfim…tantas ervas e raízes! Tive mais contato com este tipo de remédio do que com fármacos, propriamente. Conto isso com grande alegria e pretendo que, se Deus permitir, transmitir esta sabedoria de avós a netos, vida afora.

Outro remédio que minha mãe costumava dar era um líquido profundamente adocicado, enjoativo, para tudo que era doença ou male: caiu, ralou o joelho? santo elixir misterioso em ação. Dor de cabeça para não ir para a escola? dor de barriga sem febre? santo elixir! Muitos anos depois, soube que era água com açúcar. Ao que parece, muitas vezes, fui curada através da medicina mais profunda que uma criança pode receber: palavra de mãe de que a dor vai passar.
Meu pai, por outro lado, era cheio de frascos diferentes, do tipo que raramente vemos hoje. Como por exemplo, o ‘delicioso’ elixir paregórico, 40 gotas que curavam TUDO que uma criança ou adolescente pudessem contrair. Isso trouxe a lembrança de que Rubem Alves, uma das minhas grandes referências literárias nacionais, escreveu sobre memórias e remédios de infância em uma crônica (do qual esta provavelmente é filha tímida), que fala da saudade do gosto ruim do Elixir de Nogueira, remédio que tinha gosto de peixe e do qual tanto sentiu falta. Rubem ainda rememora que a expressão elixir é de etimologia árabe, interligada ao conceito de Alquimia...

E a expressão ‘panos quentes’? aprendi depois de adulta para que servem (Ufa!). Aliás, sobre a dor, minha so(l)brinha, tinha receios diferentes dos meus. Ela não temia o instante, mas sim o medo de não sarar.  Chorava pedindo para ‘tirarmos’ o dodói dela…ah! Quem nos dera se Deus nos tivesse dado o santo poder de sermos heróis de nossas crianças…
Infelizmente ou felizmente, o tempo nos alcança e quanto mais corremos, mais ele passa. Hoje há comprimidos para solidão, tristeza, insônia, coração partido. Farmácias crescem e se tornam cada vez mais essenciais à rotina das cidades.  Longe de fazer crítica aos estudos e evolução da humanidade, tão essenciais à melhoria da qualidade de vida, mas confesso que sinto saudades da sabedoria simples que a tudo curava.
Confesso que ainda tomo chás, alguns do jardim, alguns de espera (ah! paciência!), outros de sabedoria,  paz…outros em sachê, quando a pressa não deixa ir à feira maluca sentir a delícia das ervas frescas...

É que mora em mim a mágica daquele elixir adocicado e das 40 gotinhas que curavam qualquer dor, de caber dentro do colo dos meus, num abraço apertado que ainda garante,  dentro do meu peito, que para meu grande alívio, tudo, qualquer dor … vai passar!


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Bicho Incomum



Depois do depois de borrar o batom,
De esquecer  as chaves e a  hora
E ter os olhos molhados de Drummond,
Perdi a condução, a rima e a razão.

Aliás, Senhor, confesso:
 não sei muito da elegância de um verso.

Brinco de recriar a narrativa do cotidiano
Com as palavras vadias do Jornal
Um noticiário particular fantástico!
Onde finais felizes - no esforço do contrário

não são lá  mui raros…

Sonho demais.
Acredito na efemeridade dos milagres
Vivo o hoje, mas sei olhar para trás
Com o coração enternecido da paisagem…

Bicho incomum, depois de ler um ou dois Garcias
Dei de olhar a mística do Universo!
Não comovo com o ordinário
vivo entre as estrelas e a mágica infinita

Dos excessos.

 #


·    
LUZ!

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Divagações de fim de tarde e um café. ( Filosofia do Boteco da Lua)



O carro da esquina buzina, o  relógio ecoa um monótono tique-taque. Da janela embaçada do café, vejo cair um morno fim de tarde. Hoje, 21.11.2017, mulher ao espelho: Caucasiana, 1.59, cabelos avermelhados. Na bolsa, C.I e outros dados.  A este conjunto de pequenas afirmações materiais, entre slogans e dados, chamam de identidade.

Confesso, isso sempre me inquietou. Recordei agora, meio que por instinto, do filme “O sorriso de Mona Lisa’’, que tinha como personagem principal uma professora, interpretada por Julia Roberts.  A primeira coisa que chamou-me ao filme, foi o título: o tão estudado, metrificado e explicado, ainda assim misterioso, riso de Mona Lisa. Em um dado momento, após uma divagação, a personagem diz: ‘ olhe para ela. Ela parece feliz? Ela não está feliz’.

A primeira vez que refleti sobre a frase, imaginei o triste óbvio da informação. De fato, Mona Lisa não parecia tão feliz. Sob a luz diáfana, seus olhos não riem. Mas, com o passar dos anos, percebi que… talvez ria sim. Quem sabe cabe a cada um de nós o riso ou a tristeza que atribuímos à moça. Monalisa mesmo, a pessoa que emprestou sua estética para o pintor, terá sempre o mistério e a bênção de ser própria.

Quanto a mim,  é bem verdade que não sei exatamente  quem sou, pois ser Pessoa, bem

sabia Fernando, é ser muitos em um. Sei que em mim  mora a menina que  costumava sentar no colo dos pais e brincar na rua de terra batida com os primos. Há a adolescente que lia e devorava de folhetins adolescentes, do tipo Sabrina a  Kafka, Dostoiévski e Rubem Alves, entre tantos outros, que fizeram comigo a travessia para a fase adulta.


Que aprecia abraços, recebe com alegria tudo que é diferente, apesar dos dias, que caem iguais, e  destas ‘pessoas  cinzas, normais’, que passam, assinam o ponto, vendem a alma com desconto e fingem ser gente… enquanto isso, a tarde vai.

E o que eu era de manhã já não sou mais, nada acompanha a estética do momento, que é mais sutil e voraz que toda a ótica do tempo. Simbolicamente, em mim, carrego esta multidão. Deve ser por isso a referência bíblica a demônios: temos todos os nossos, o fogo de ‘se ser’.

E talvez por isso a modernidade, nosso acelerado, a quebra das convicções mais singelas, as distopias, tantas produções cinematográficas de super-heróis: para salvar e sermos salvos. Mas, de repente, algo delicioso aparece no roteiro alucinado desta epifania e,  na simplicidade minha multidão silencia e cai em ‘nós’… um café e a breve satisfação, sensação cheirosa e quente de ser inundada, preenchida. Sei que o apelo parece quase sexual. Aliás, já li algo a respeito em Rubem Alves sobre esta interligação de prazeres, que ‘ ao outro lado’, chamamos ‘comer’.


Sei que não é fácil rimar tantos anos e danos, entre vidas e corações entrecortados – todo mundo é um furacão. Mas, num breve instante, é possível sorver um pedaço da incrível 'dor e delícia' de me ser, engolir o calor do mundo e sentir tudo que mora em mim… repousar.