quinta-feira, 8 de setembro de 2011

...não me olhe como se eu fosse santa...
eu sou feita de uma essência peculiar
meio menina ...meio leoa
não tente me interpretar...


...não teste o limite da minha emoção...
eu venho de longe
e estou sempre
querendo voltar para casa...


eu pinto a face e me visto
para guerrear
sou meio selvagem...
mas a selva daqui
pode me assustar...


sou predadora...
e sou guerreira em
meu habitat


mas aqui
me sinto em uma prisão
viro vítima da paisagem 
quase bicho em extinção...  
                                           (Mary Rocha)




(Fonte: www.madrugadasdeoutono.blogspot.com)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

“Cordel Drumontante”*


E agora?
Maria e José?
E agora?
Distinta a luz no poste
Que alumia o rosto
A agonia e o gozo
Norte e Sul...
Não mais dois
Para cada lado
Um!
...
Vento balança
A saia de Maria
José , longe pensa
No cheiro que sorri o dia
Café pra UM! (-qualquer?)
No boteco do seu João...
Sem café,
Sem almoço,
Sem jantar
O outro lado bebe o chorar!...
...
Ópera chinesa
Vai consolar Maria
O conforto de José?
As pernas de Luzia...
Ópera,pernas – apenas artifícios banais
Pensa que dançar
Já não quer mais...
Acende a lua!
Pega o telefone
-E volta atrás! #

·        * Poetizando com Drummond e Alice Ruiz, ajuntei em cordel José e Maria! =)

domingo, 4 de setembro de 2011

“Pés descalços”

Entre  eira e pó
Pequenas e grandes pedras
Contorno...
 
Viajando
Eu e minha bagagem
Meus fantasmas
Visitantes de passagem..
.
A estrada
Uma    
Só a paisagem
Muda    
É bom assim...

Na imensidão
De construir
Quem sou
E quem vai seguir
Há tanto
a decidir!

Ou não...            
Às vezes é bom perder a razão
Ser tudo e toda intuição.....
- Jogo os dados:
Quantos passos dou?
Pit stop! - Então
- paragem de manutenção....#

sábado, 3 de setembro de 2011

" A tempestade"

A tempestade molhou meus cabelos
Você viu?
Transpassou minha pele
Transbordou pelos poros
Em lágrimas
Fez-se rio...

Foi trama de poeira e carvão
Oásis de ilusão
Fogo em brasa nos pés
Pisei e não vi queimar
Absorta pela paisagem a ladear...

O ar formou-se em vento
Levando o calendário,
Subjetivando o tempo
Aspergiu conforto
Produziu entendimento...

Crescer dói...agora sei!
- Mas produz crença consciente
Na vida
e a ferida,
a água lava...
...e leva! #

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

"Recria`ação"

Com massinha de modelar
re`crio ação
- faço um coração...

é que ao fim
aquele já não servia
por excessos
já não sentia...

é ,tanto ímpeto
fez mal
desfez o todo em ácido e sal...

Polvilho alegria
modelo em mel
coloco no corpo de papel
- e sopro!!!...

trago o ar...
re`creio a vida!
Que na paisagem fazia-se (de) esquecida...

Uno-me enfim!
Re`flexão do que fui...do que sou...
A mulher que sorri.
A menina que chorou... #

terça-feira, 30 de agosto de 2011

"Manifesto Feminino"

Não estou
Na feira de exposição
Fruta à disposição
De se colher

Nem marionete
Bonequinha de pano
Sem pulsação
guiada pelo teu condão...

sou sangue
Fluído e sentido
Correnteza sem prumo
suor, desejos, sumo

Só vou sorrir
Se sentir vontade
E te vou beijar
Se bem o desejar

Eu não preciso provar
Do teu sabor
 pra reafirmar minha feminilidade
Isto é coisa de quem precisa de metades
E eu sou inteira até pra me doar...

Faças algo mais que o trivial
Pra te fazeres notar
Não noto "coisas"
Que julgas normal
Não alimento matéria banal... #

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Parei de respirar
Pra ver teu bloco passar
Calei
Chorei pra brisa o fracasso
sorri pro espelho

 E foram teus sorrisos
Que mais ficaram no sabor da minha boca
bebendo lágrimas
em goles fartos de ausência pela tua doçura...

A eternidade numa casca de “noz”
Uma redoma de vidro formou
Pois eu me matei pra vida
Pra ver cicatrizar essa ferida...

séculos estão passando
ventos vão soprando
Modelando paisagens mais amenas
Reaproveitando destroços
Pedaços do que foi tão nosso...

Diz-me então... o que é o tempo?
Senão substantivo
 não substancial
Que nada sabe
Desta vida o que é real...#

sábado, 27 de agosto de 2011

"Pode ser"



Pode ser a derrota
Tua face no chão
Esteirada sobre o concreto da ilusão...

Ou pode ser estrada aberta
Caminho
 pr`a uma nova descoberta...

Pode ser lágrima
Ou o mar a molhar tua face
Lavando tudo que é resíduo ou disfarce...

Pode ser adeus
 até breve
Ou a estrada da vida
transformando o peso em coisa leve!!!#

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Sabedoria de rua,paisagem urbana da praça da Liberdade - SP.


No site: http://papodehomem.com.br/sabedoria-das-ruas/ (Mto bom! -O post) ;)


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

'Oração pr`a você'

Que as intempéries
não levem a tua doçura
encoberta nesses versos sãos
Não tire a venda
da ludicidade que é a  existência
não te enlouqueça
dominando tua crença...

Que as desventuras
não roubem tua identidade
e a vaidade
fique no espelho inverso
refletindo a quem precisa
deste vão senso de  nexo...

Que possas ter dentro de tí
toda a ciência existente
que tu nades contra a corrente
mas permita-se amar
reinar em plena (des) ordem
conquistar a sí. confiar-se  a alguém
Olhar para o lugar de onde a chuva vem... #

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

"O vento no meu quintal"
O vento
Formou um furacão
Quebrou portas
Adentrou em pedaços
Intransponíveis do meu coração
E como se não bastasse
Desmanchou minha emoção
Derretendo dores
Moinhos de ilusão
Entornou o cale-se
Bebeu o cálice
E foi lavando
Bêbadas mentiras
Asseptia trôpega
Sem anestésico p`ralma...
Desdenhou do rio
Lágrimas de incerteza
Soprou umas verdades duras
Ironizou minha tristeza...
Saiu
Dono da calmaria!
Pelo quintal permaneceu
Apenas por nostalgia......#

sábado, 20 de agosto de 2011

"InquietAção"

Sabe quando o vento pára de soprar?- A terra silencia, a  maré muda de lugar...
Quando tudo parece tão absurdamente morno,de uma inércia inquietante, que não dialoga com a paz?  Quando a folha que vai ao léu demora a cair no chão? Como se o tempo, se divertindo,mexesse com seu relógio interno, só para enganar o sentido dos olhos?
...sentidos. Quando os sentidos deixam de sentir e passam apenas a captar e vc parece não encontrar seu lugar?
...captar,usurpar da vida pedaços, sem efetivamente vivê-la, como que roubando do senhor-das-histórias-vividas sua determinação, desdenhando daquilo que deveria ser?
Rindo à toa, não por felicidade,mas por desespero, confirmando a rima do poeta? Quando você percebe as discrepâncias de tudo o que crê?
Você, que odeia horários, que aprecia pássaros, que ama poesia, tendo um despertador ao lado que apenas te DESPERTA, mas não para a dor da vida, ele apenas abre teus olhos, não acende teu coração, não te arranca um sorriso, não te dá nada, só mais um artifício da vida moderna te tornando um pouco mais máquina? A vida de-veras, tá passando, e você está aí, feito sapo,confortável na água quente em que está sendo cozido.
Você não voa como os pássaros, e agora acha que porque não é mais criança não pode mais brincar de voar por aí, correndo na chuva, comendo fruta no pé da árvore;  ama poesia,mas passa seus tempos debruçado sobre livros técnicos, entediando-se, anestesiando-se, isolando-se.
É, i-sol-lando-se.
Você não é um sol, vem pra vida,brincar!!! #



"Sereia"

não perscrutes meu interior
por versos         
pedaços ao vento      
maliciosamente dispersos        

Canto estórias      
sangro sem sentir dor
qual sereia      
ao pescador...    

Vejo a  lágrima      
transformo em beleza
eternizo             
‘tempos de delicadeza’

Mas não me creias sã
absurdamente pagã 
 minto            
não sinto aquilo que digo

Componho         
capa de proteção      
ao vento jogo pedaços de ilusão
 p`ra ludibriar teu coração... #

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

"a`Deus"

Sobre a roda do tempo
Meus passos
Cansaço
Me abraça um pouco?
prossigo...

Parece frio
Vão
Delírio
Mas é apenas
Vento
Promovendo o esquecimento....

Rebobinando
Queimando
Rodando o filme
ao contrário
Torturando
Lenta` mente...

O círculo
virou circo
O laço,
transmutou-se nó
O que era doce
agora é pó

Enganando aos olhos
não disse adeus
deixou-nos
a resgatar pedaços
refazendo traços
a`Deus!...#


quinta-feira, 18 de agosto de 2011











Estas fotos belíssimas são da companhia de circo tecendo fios D`eter, por Felipe Nagô. De per si, são poesia em foto-grafia. Vê lá... http://cliqueshow.blogspot.com/2011/08/tecendo-fios-deter.html.
A proposta da Tecendo Fios D´eter (pelo pouco que vi) é  rica, excêntrica, exuberante,delicada, dá vontade de pegar um avião e ir correndo assistir...
Mas, viajando pela internet,cá estou eu... http://companhiafiosdeeter.blogspot.com/

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

“Premente"


(nota) é premente
Não faças
     Poesia p`ra  mente
Semente
plante aqui
onde o sangue jorra...

 O pulso
Precisa de impulso
Sentido!
Língua materna
Mãe-aconchego

Expõe
traz à superficie
(in)verdades
(des)constrói  identidades...

                Mais que vernáculo
                      Verbos
                  Substantivos
                 Complementos
compõe sentimento! #

terça-feira, 16 de agosto de 2011

"Encontro"



Marcado!?
Selado.
Beijo ao vento
 ... pensamento

Um dia
...sorrio
Uma noite
...suspiro
Una hora
...quem sabe?

Verbo
que se compõe
Substantivando:
... Encontro!#



*Ouvindo "Antes das seis" -Legião.

sábado, 13 de agosto de 2011

“Então”
Capturando doçuras
Com a mão
Guardando pedaços
pétalas de ilusão

Sonhando acordada
Quimeras
Tropeçando na realidade
Estúpida,invade
 
Reinventando histórias
Sorrindo
Em dias cinzentos
Colorindo

Transformando arte
Em vida
Correndo atrás de sonhos
Na lida #

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Não tente entender quem sou
Passeio por mim
Círculo sem fim...
 
Pássaros que voaram
Tempo do que restou
Do que partiu
Do que ficou...

Poetizo dores
Antigas(?)
Alheias ...
- Minhas...

nado pelo lago negro
Enluarada
Pulo do muro da consciência
Mergulho no nada

meu ópio é  a poesia!
Afundo.
Flutuo...

Vou além!
...não tente entender quem sou
pertenço ao mistério do mundo..#

terça-feira, 9 de agosto de 2011

"Antiguidades..."

"Antiguidades I"

Menina
Moça
Conta pra essa mulher
O que lhe dói o pé...

Descalça
Balança
No jardim da pureza
Infância...

Mas,
Há saltos,espelho
batom vermelho
e tinta no cabelo!...

Passaram
Pedaços
Passarão - outros mais
não olhe para o que ficou pra trás...#








"Antiguidades II"

Mulher
malícia
conta pra essa menina
teus medos

tua escuridão
teus segredos
- aquilo que só confessas
debaixo da fria terra...

Calça os saltos
perfume 
batom
(pecaminosamente) perca o tom...

Mas,
há fitas de cabelo
bonecas no chão
e um sonho todo enfeitado
de emoção...

Passou? ficou?
- Quem dita ao coração?
retoque os lábios!
deixe o sorriso vermelho
saia da pintura!- engane a menina no espelho...#