sexta-feira, 28 de junho de 2019

Aquarela


Eu me balanço com o vento
danço a dança do tempo
faço de mim um templo
e ainda me divirto enquanto aprendo e cresço...

Toco o tecido dos dias com um intenso coração
E trago meus soldados abatidos pela estrada
Pois, aprendi que o amor é a maior força
e acima dele, mais nada.

Ainda não sei o que virá...

Mas já fiz minha morada,
Consertei meu par de asas e reaprendi a voar
Depois disso, sei 
Nada mais será capaz de me frear...

Mas ainda fico boba

Com a aquarela delicada das histórias de amor
Cumpro meus próprios rituais de recomeço
Sei que, no fundo, o melhor da vida
Não tem preço...

Depois de brigar com o tempo, Deus e o Destino
Aprendi a apreciar minhas perdas e ganhos
A fazer menos planos e ser cada dia mais leve
Pois já carreguei com meu sangue o peso da escuridão...

E hoje só quero brincar de ciranda,
Viver das sutilezas necessárias, 
Com menos tragédia, drama ou cena
Só a beleza das coisas que cabem dentro de um poema

#

" E  ali logo em frente a esperar pela gente, o futuro está...
e o futuro é uma astronave que tentamos pilotar..."


LUZ!

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Coragem




Caminhar de pés descalços dá medo
A estrada é tão bonita, vejo uma flor a cada esquina...
(Sim, é um bonito dia)
Ainda assim, nada a declarar

É apenas medo, a vida virá... 
O sol já vem – ele me disse, antes de amanhecer
E a luz veio, porque o natural da vida, 
é cumprir o ritual de renascer...

Ainda assim, a cada passo, haja coração e espaço
Para lidar com cada descoberta
O 'eu ao espelho' é o desafio mais louco
Ainda assim, cada segundo é pouco.

Para cada abraço que dei, mais dez ainda daria...
E também a cada riso e a cada alegria...
E a cada erro, digo que joguei fora as pedras do meu coração
Pois, já disse o poeta: De uma forma insondável,

‘ a vida tem sempre razão’

E por isso, é preciso coragem!
-Colocar o coração aberto à descoberta-
A vida é uma flor ao sol
- Com pétalas abertas -

Então, cá estou...pés descalços e alma leve
nenhum espaço para sombras ou dor
Só um riso bobo, uns poemas nos bolsos
E umas e outras canções de amor.

#

LUZ!

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Instante



Derrame-se sobre o agora,
O sol já se pôs para o ontem
E tudo que há de bom 
é o vento morno no instante...

Sente o verbo
O gosto de aventura, o que virá
A roda do destino, 
a vida que não cessa de girar...

E quem sou no instante celebra
Todas as luas que passaram
O coração, pequena coleção de relicários
Ainda tem muito a viver desta feira moderna

Mas, feito criança, dança
No seu próprio tempo
Ritmo, cores
 e aquarela.

E hoje tudo que quero é ser melhor, viver melhor
Mais em paz com meus vícios e manias
Com o ardente coração que engole o melhor de cada mundo
 porque desconfia que existir é um mistério tão profundo!

- Sorvido, segundo a segundo.

E a voz lá de dentro diz: Abandone-se...deixe o cais
A bagagem interna e os temporais
Tudo que for importante permanecerá
não olhe para trás 

- Não há mais nada lá.

Derrame-se, menina
Vício de viver é  sina
Não há nada mais fragrante
que o gosto adocicado do instante.

#

LUZ!

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Pequena Biografia Non sense do Agora.


Lerdinha, distraída,esquisita!

Quase sonolenta pra vida
Não fossem as borboletas,
 flores e movimento das folhas secas
A chamar a atenção...

Pouca bagagem!

Só uns versinhos soltos na paisagem
Histórias de infância e de chuva
Cheiro de livros, amor e café
E uma canoa furada a remar contra a maré....

Muito a aprender

Sobre o silêncio e a luz de cada um
E as coisas todas não lá muito comuns
Essências em frascos pequenos
 receitas de amor e veneno...

Ah! 

E umas crendices antigas, demodés
relicário  particular de clichês
sonhos velhos, coisas em extinção
Que sopra baixinho, em forma de oração...


#

Porque o facebook  pediu uma biografia.
Não sei fazê-la, ainda está em construção.
Então fiz uma pequena biografia Non Sense do agora. =) 

*Republicada, porque ainda sou assim.

sábado, 22 de junho de 2019

Destino


Jogo uma ou duas cartas
Peço às estrelas que iluminem a estrada
Vivo de brincar com o destino
e os meus passos, sou eu quem assino...

Gosto das pequenas nostalgias
Deixar o coração espalhado pelo Jardim
escolher dois livros, ler e ouvir música ao mesmo tempo
Ou ficar quieta, sentindo a dança do vento...

Desisti de desistir.

-Um coração cansado definitivamente não é para mim!-
A mágica das coisas apenas gruda em minha pele
e vejo as pequenas coisas tecidas na beleza do cotidiano
Sei que, no fundo, o Universo tem um plano...

E isso é doce, tolo e clichê:
Mas essa é a beleza da transitoriedade:
A borboleta bate a asa e, no outro lado do planeta
O Amazonas dança sob o fim de tarde...

E nada responde às perguntas do meu coração...
E dizem que é tempo de ter paciência
Pois vejo sonhos que plantei há tantos anos
Hoje, florescerem em minhas mãos

(Estação de florescência)

E ainda tenho grãos
regados com o melhor de mim
Porque viver é assim: expectativa e realização
Por isso, não sei do que virá...e  eis a métrica do Destino!

Mas, já disse um sábio poeta: " O que pintar, eu assino*".

#


* Leminski.


LUZ!



Entre Mapas e Convenções


Vivo entre mapas e convenções
Dicionários e repartições
“Excelentíssimos” e “Ilustríssimos”
Passo horas e ‘oras’ entre artigos…

Visto a roupa da normalidade,
Transito,
Caminho bem entre convenções…

Mas, se me olhares de perto
Talvez note… (talvez não)
Um rubor, um calor em excesso
Que denuncia em mim todo ‘não’:

Não me encaixo,
Não cedo, disperso:
Arranco rótulos: dissolução!
E me abrigo em (im)próprios excessos

Moro dentro de minha ilusão!

#

"Calma!
A tudo, eu prefiro minha alma
Quero que este seja meu brilho
e o meu preço" 

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Iluminada!



Chove douradinho
Na minha janela
As chuvas de verão são assim:
Molham, iluminam, refrescam

E passam, quase como quem nem chegou...

É  beleza da estação,
Daqui a pouco faz sol,
Já já a lua chega,
As coisas são assim, a vida é efêmera...

As coisas frágeis pedem passagem
e é preciso ser borboleta
delicadamente (re)pousar
sobre o que está...

Leio um poema, um livro de amor...
Fazia tempo que não fazia nada tão doce e tolo
Quanto torcer pelo mocinho e a mocinha
Fazia tempo que não ouvia e nem contava

Contos da carochinha...

Tirei um tempo para (re) acreditar em mim
E naquelas coisas bonitas que a gente duvida
Mas, lá no fundo,sabe que existem
Como o potinho dourado no fim de um arco-íris...

E apesar do profundidade do Amazonas
é bonito ver a maré assim...lisinha
Parece que dá de caminhar
Que a terra vai segurar nossa leveza...

- é a beleza das pequenas sutilezas - 

Aproveito o sabor do agora:
O desacelerado que estou e este poema manso
A vontade de ser para o mundo
e florescer com o que virá

Pois ainda estou no começo,
é só o início do melhor da caminhada
E essa chuva tão fininha
Deixa a estrada iluminada...



#

Estradas iluminadas.
LUZ!

terça-feira, 18 de junho de 2019

Ciclos



O tempo não passa.
Eu passo...eu,o vento, o sol.
A alquimia da vida se transforma
e o tempo apenas recebe o que nos somos

 -Todos os dias, projeto de gente, inauguramos -
Sim...a vida é que move.

A folha fenece,
A flor floresce
Outono precisa ir embora,
Para a primavera vir...

O tempo não passa, apenas recebe a estação...

Recebo a luz do Sol agora.
Quente...macia...apenas sinto.
E com a intersecção, essa alquimia se transforma
eu me transformo com o dia que nasce...

Eu escorrego macia 
Sobre o ontem
Toco com carinho as cicatrizes
-Já nem lembro mais o que as causou

Mas os sorrisos que o peito inaugurou
Guardo no melhor canto do armário
O coração, que é feito relicário
Só quer o que for bom...

O tempo não passa, 
eu é quem vou
Descobrir o novo sol e o novo dia
As muitas formas de encontrar sorrisos

e estar em par com a alegria.

#

"Você vai rir
Sem perceber
Felicidade é só questão de ser..."




Junho



Eu deixo agosto ir
E ainda é Junho
É estranho falar ao coração assim...

Meu verbo que não arde
Hoje é tão singelo.
Parece que a paz chegou aqui...

Antes, foi preciso ver
Mil revoadas
E o sol se pôs comigo
Infinitas vezes por 90 dias

Para que pudesse entender 
a beleza da transitoriedade
E o tropical daquela tempestade
Deixou tão lindo tudo que ficou...

É Junho...

Há flores no jardim
E nada arde, nem mesmo o que hoje sara
A noite ontem foi tão enluarada
O jardim inteiro viu...

Há paz aqui.
Não a paz estática das certezas
Mas a calma das coisas tecidas 
com a beleza das delicadezas

Pois passou 
Aquela chuva torrencial...

E porque é Junho
Deixo a vida vir, clara
Abri as janelas
Depois de um tempo sem olhar sobre as cortinas

E a paisagem mais parece uma aquarela ensolarada...

#
*Lembrei dessa canção porque adoro Alceu Valença e ele com a Orquestra de Ouro preto é arte que gera mais arte, dentro do coração.
Poesia para um dia claro.
:)


LUZ!

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Pequenas Observações sobre o sol do Equador

Fotografia: Floriano Lima

Todos os dias faz sol no Equador
E todos os dias a maré vem e vai
Mas amanhece morno e desacelerado
E as folhas são varridas no quintal...

Sempre nascem flores no Equador
E as folhas renascem o ano inteiro
E quando chega fevereiro
Aqui também é Carnaval.

Todos os dias nasce um poema para o Equador
Ontem a gente dançou Marabaixo
Porque, de ponta a ponta, caboclo é amor
E a gente celebra...

Sempre tem sal, pimenta e cominho
Na comida
Porque tudo aqui é forte e quente, como o Sol
- E como o melhor da vida-

O peixe não vai ao gelo, sai do anzol.
E para temperar ainda mais a vida,
Aqui tem tanta musicalidade, verbo,arte, poesia!
É de enternecer...

Por toda essa intensidade, de dezembro a abril
No cio das águas - precisa chover aqui e ali
E no cio do Sol,
não há nada mais lindo que o amanhecer no Araguari...

E dizem até que quando criou as águas do nosso mar doce
Deus dançava com Yemanjá
E criou o manto mais bonito que o olhar já viu
Até hoje as ondas dançam, nos luares de março e abril...

#


Um poema sobre 'cá', que tanto amo e que tantas vezes escolhi ficar.

Eterno Retorno



Desde que acordei
Já deixei pra trás tanta coisa!
Meu sonho esquecido da noite anterior,
A beleza da lua passada,
E até um belo par de asas…

É que o tempo cria demônios
Redemoinhos e tufões
E leva embora tudo que somos – efemeridade
Para trazer, com o mo do mundo,
Novas partículas de segundo.

Por isso, adeus, adeus!
Mas é sempre até breve…
Pois na curva do arco-íris
O amor (mágica infinita)
Em si, repete.

O vento que fez a curva,
Girou a roda do universo
voltou no dobrar da esquina,
arejou certezas,
e hoje dança com as cortinas…

#



* Republicado.
Somos Luz e ação que câmeras não alcançam.
Existir é mesmo muito raro.
<3

domingo, 16 de junho de 2019

As coisas que valem o poema


Poema Visual de Maria Represas

Acho que não sei dizer nada
Que não seja...bênção! 
As coisas que valem o poema
Não podem ser diferentes: 

O dia  nasce
 e só consigo desejar bons dias
O coração é um pássaro azul, 
pulsa e diz: love is good.

E tem perfume e  açúcar
Na prateleira da emoção
Aquela poesia descaradamente bela
Uma aquarela...pintada na face

E fica dentro de nós toda beleza e  arte
Para emoldurar as paredes de quem estamos
Construções aleatórias de um arquiteto brincalhão...
- Projeto de vida, todos os dias, inauguramos - 

E sempre tem uma piada torta,
Uma canção antiga e umas alegrias
A luz se insinua por sobre as frestas
Chega o sol, café e nostalgia.

E quem a gente é no agora?
Deixa o tempo contar sua própria história!
Nascem as próximas 24 horas...
Por que antecipar? Se tudo acontecerá

Segundo a segundo...(é a lei do mundo)

E o coração tá quente do johrei 
Que recebeu no olhar da Maria
Luz que inunda tudo com um tipo particular de magia
 - Como se Deus estivesse num abraço
daquelas  mãos de poesia - 

E o noticiário permanece assustador e alucinado
Só para lembrar que o tempo é precário
E é preciso  sentir cada surpresa, susto e dilema
Porque a vida, meu amigo: é um mistério!

 e a gente só leva as coisas que cabem dentro de um poema.

#

*Republicado, porque foi acessado e gosto tanto deste poema.
As coisas que pelas quais viemos até aqui... são as que cabem dentro de um poema. 
Deixo o tempo embalar a vida, com sua sabedoria e faço do poema minha mais singela...Oração!

:)


LUZ!

IMM*


Todos têm em si
micromundos!
laços frouxos
a se fazer e refazer
no tempo e espaço
e o compasso  roda
pai do instante
que gira e movimenta
e a gente tenta
se equilibrar...

Cada coisa em nós
Tem mais de um lugar!
A espaçonave se adequa
e no cosmos viaja!
A máquina da vida  
é intensa e voraz
E se retroalimenta
num ciclo de eterno ir e vir
Pois tudo que é vivo
 é capaz de fluir!#


*Republicado de 20.01.2016, porque foi acessado e é bem interligado à digressão abaixo.

*http://ciencia.hsw.uol.com.br/quantum-suicidio2.htm

sábado, 15 de junho de 2019

Atrás da Porta...(Filosofia do Boteco da Lua)

*Leia a digressão ao som  da canção (ins)piradora ;)


"Atrás da Porta..."

Adoro essa expressão. Acho filosófica e profunda. Um olhar pode ser uma porta. Um sorriso. Uma palavra. Um quadro...uma fotografia...uma chegada. E até uma partida. Porta. Fenda que abre. Uma 'casa', uma alma, um olhar, uma pessoa. Sim, pode achar me chamar de d.Louca. 

A verdade é que  andava com saudades de filosofar nesse lugar só meu, livremente, sem muita preocupação com quem 'vai me ler'. Explico. De uns anos para cá, o aluanaodorme, que era só um diário poético emocional, ganhou 'tamanho' e ganhou você, que me lê e acompanha. Algumas épocas, como essa semana, tive mais de 750 acessos por dia...vez ou outra, acontece. Daí fiquei mais tímida para as filosofias doidas que escrevia...para não cansar seus olhos de leitor, que vem aqui buscar por poesia e leveza. Daí diminuí a sessão "Filosofia do boteco da Lua".

Bom...o fato é que, 'a insustentável leveza do ser', pelo menos do meu ser - com o perdão do empréstimo de Kundera, precisa às vezes escrever umas coisas doidas, e ai vai uma.

Nunca gostei de ver apenas a superfície. Sempre perguntei o porque das coisas: da luz, das sombras, de mim, de ti, das dualidades tantas que fazem com que cada ser humano seja um multiverso inexplicável, multicor e tão multidimensional. Sempre li tudo que podia para tentar explicar ou contentar com o fato de que era inexplicável...

Nunca sinto pouco. Sempre sinto tudo. Se é amor, eu vou toda coração. Mas meu avesso é bem avesso mesmo, que é para sustentar a força desse verbo...esse que o peito bate com tanta força. Hoje, eu coloco tudo , debaixo de um sorriso e essa suavidade parece enternecer as pessoas...é engraçado. Tem tanto calor aqui embaixo, que às vezes queima. Mas tudo bem, quem nunca queimou dentro de si, não é capaz de saber o que é ser...Fênix.

Curiosamente, sempre tive medo de tudo isso...dessa intensidade e dessa vontade de sentir. Da compaixão que às vezes não me deixa dormir,para sentir a dor do outro...desse gênio de lâmpada queimada, que tenta equilibrar toda a filosofia, musicalidade e poesia que esse mundo gigante e colorido me trouxe...
Belchior dizia "eu não estou interessado em nenhuma teoria, em nenhuma fantasia, nem no algo mais..." - Isso tudo dito pelo músico que mais compôs diálogos intercalados com a poesia, filosofia e literatura de outros compositores brasileiros, o que mostra o quanto um poeta pode ser mesmo 'maluco'.

Eu gosto dessa loucura. Dessa intensidade. Eu sou isso. E isso me desloca...ou me coloca em uma órbita própria. Não que eu queira ou que ache legal. Isso tem seu preço e não é fácil arcar com ele. Mas, por sorte...tem mais gente maluca, que quer ver a vida longe da superficialidade e quer sentir, e quer esquecer toda essa modernidade líquida que dissolve pessoas...realidades...relacionamentos...por isso, sou muito amada, apesar do leve incômodo da solidão de sentir.

A solidão de sentir é uma coisa estranha. É uma porta para a existencialidade. É foda (com o perdão da palavra).Não tem a ver com estar acompanhada. Tem a ver com 'se' sentir e sentir o mundo de uma forma tão particular...que ninguém mais poderia compreender. É uma porta 'toda sua' com o mundo ou por onde o mundo entra em você. E isso é tocante e forte... nessas horas,  me faço companhia e me acalmo (coisas que aprendi com a 'idade).

" Mas eu preciso de outros sapatos, de outras roupas, outros temperos...para provar minhas ideias e meus sentimentos..."

Mas não queria ser uma pessoa diferente. Gosto de conversar sobre a vida, sobre as muitas possibilidades de tudo: Deus (como o conheço) existir, sobre o que acho que ele espera de mim...gosto de conversar sobre o Deus que morava em Pessoa e todos seus heterônimos, sobre a lírica em Lispector, em Cecília...e também na Maria Ester, Alcinea, Fernando Canto, gente que me diz como o meu mundo era, há algum tempo atrás...e que me auxilia a construir a minha territorialidade pessoal como um reflexo...

"é porque trago tudo de fora (...) trago a imagem de todas as ruas por onde passo...
Eu sou a soma de tudo que vejo e minha casa é um espelho...onde à noite eu me deito e sonho com as coisas mais loucas...sem saber porque!
"

Sempre  disseram que eu era 'meio bossa nova e rock and roll'  e que meu rock and roll era meio 'non sense'...acho que essa é uma boa forma de se referir a essa loucura toda aqui. O fato é que eu também sou uma porta. Como todos somos. Portas a Universos, múltiplas vivências, pesos e levezas, experiências, dores, amores, e é difícil pegar a nossa 'porta' e aconchegar em 'outra'....quando isso acontece, é sempre mágico. Mas nem tô falando de amor romântico, propriamente.

De tudo. De amizades, de universos...de estar 'em par' com uma pessoa para rir...para assistir filme...para brincar...

Não sei se é bem uma 'escolha'. O tempo passa e acredito cada vez mais em encaixe. Sabe a música ' a sua loucura parece um pouco com a minha'? Acho que é isso. E isso me recorda que, há uns anos atrás,uma amiga preferiu construir sua casa(concreto) a fazer terapia. E disse a ela que eu faria a escolha contrária, porque 'a minha casa, o meu lar...sou eu'.  Aqui, neste espacinho de ser eu, tenho aprendido a ser mesmo a rainha (longe de menosprezar outros reinados).

O fato é que, bom, atrás das portas...existem casas maiores,menores, amplas, dogmáticas, livres, etc.etc.etc...infinitas!  Mas eu não tenho tempo...não tenho vida e nem espaço...para nada que queira só a 'porta'. É que, mais do que porta,penso que pessoas são portais. Portais para todas as possibilidades de melhora, vida, crescimento que podemos ter. 

O futuro que construímos. Portal para a vida que virá e para os universos que transformamos com a nossa existência...afinal, você quer ser a lembrança doída ou a suave e bonita brisa na memória dos seus?

Bom, o fato é que eu ouvi essa música novamente um milhão de vezes...escrevi inconclusivamente, só para dizer, depois dessa digressão muito louca é...que eu ainda estou na descoberta da minha própria 'casa'. Do meu portal. E que "she´s mad but she´s magic. There´s no lie in her fire".

Então, quando olho nos arredores ''do meu reino', gosto do que 'tô' vendo nascer e que construo, tijolinho por tijolinho, moldando - e cercando - das melhores emoções. E que eu cuido daquilo que não gosto, e logo, que é para ver ficar bonito. Porque afinal, antes de mudar o mundo...a gente só pode - e deve - mesmo olhar a nossa própria edificação.

E é tão óbvio, mas ao mesmo tempo tão loucamente complexo e trabalhoso: todos os dias, o único portal que eu posso mesmo 'viajar'...é o (m)eu. Os demais são meus companheiros de viagem. 

E isso é louco. Mas também é  mágico. 
"Como tudo na vida'' - já dizia outro escritor.
 :)
#

Boas portas, para você que me Lê! Bom reinado!  LUZ!
:)