Piração na piração:
Brinco
de cotidianos!
Amores tão-bem-vividos e amados
Que até parecem (m)eus...
Faço da tez do dia o tecido
Com que bordo a poesia
E vou a bordo dessa nau
Que me salva do ordinário ordinatório caos dos dias...
Construo-me nesses detalhes:
Mesmo naqueles que nem sei
Uso as flores que plantei
Para enfeitar o verso....
A linha entre o real e irreal é desigual
Mas, afinal, quem sabe a diferença?
Quando a dormência parece ser o prato do dia
Enfeitando com o ‘nada’ o que foi feito para ser alegria...
- Sou salva desse veneno todos os dias!
É piração o que carrego no peito, meu bem
Loucura, sinestesia psicodélica
Que nunca me deixa amornar o verbo
Tira de mim o ajuste entre o abstrato e o concreto.
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“Meu Deus, me dá cinco anos (...)
Me dá a mão, me cura de ser grande"
Adélia Prado, em 'Orfandade'.

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