quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Piração




Piração na piração:

 Brinco de cotidianos!

Amores tão-bem-vividos e amados

Que até parecem (m)eus...

 

Faço da tez do dia o tecido

Com que bordo a poesia

E vou a bordo dessa nau

Que me salva do ordinário ordinatório caos dos dias...

 

Construo-me nesses detalhes:

Mesmo naqueles que nem sei

Uso as flores que plantei

Para enfeitar o verso....

 

A linha entre o real e irreal é desigual

Mas, afinal, quem sabe a diferença?

Quando a dormência parece ser o prato do dia

Enfeitando com o  ‘nada’ o que foi feito para ser alegria...

 

- Sou salva desse veneno todos os dias! 


É piração o que carrego no peito, meu bem

Loucura, sinestesia psicodélica

Que nunca me deixa amornar o verbo

Tira de mim o ajuste entre o abstrato e o concreto.


#

 

“Meu Deus, me dá cinco anos (...)

Me dá a mão, me cura de ser grande" 

Adélia Prado, em 'Orfandade'.

 

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