Ok, o Velho Safado já nos falou que o o amor é um cão dos diabos.
Apesar de ter viajado em suas epifanias e até mesmo, por muito tempo, cedido ao charme da imperfeição sacana com que Buck descrevia afetos, envolto em toda a crueza com que se encontrava consigo e com o resto (Sim, pensa em um cara centrado,rs), de fato, sou mais à la Jabor, quando o assunto é AMOR. Mas me uno ao Velho Buck quando o assunto é...paixão.
Sim, inferno. Paixão é um cão dos diabos.
Eu sei que tu sabes disso, querido (a).
Minha última postagem (a do que ainda tem 'eu' aqui no aluanaodorme) teve para mais de 5.000 (vocês quebraram essa banca, obrigada), porque a gente gosta mesmo é de ver o sangue do poeta estirado na rua da emoção (drama).
Não sou diferente de ti, que me lê. E nem te julgo (risos).
É, a paixão é um cão dos diabos. E, como todos concordamos, poderia parar por aqui essa breve epifania, mas sou seguir. Primeiro, quem atrelou o significado da palavra PAIXÃO à um sentimento romântico, além de um sádico, é um sábio. Isso porque, na etimologia da palavra, Paixão vem de passione, algo parecido com...passio/passividade, assimilada a sofrimento(tem fonte para caramba acerca).Religiosamente, é atrelada ao sofrimento de Cristo, no calvário.
A paixão, cientifica e biologicamente, modifica a estrutura hormonal do corpo humano, injetando doses de...dopamina. Seus efeitos, dizem estudos, assimila-se ao uso de cocaína. Sua abstinência, também. Então... a paixão domina? (https://super.abril.com.br/coluna/alexandre-versignassi/paixao-e-cocaina-amor-e-rivotril-2/) .
Ou seja, todo mundo já esteve chapado de paixão. A não ser que sejas algum ponto fora da curva. Fora disso, se já lês o aluanaodorme...já saboreaste esta desgrama - e ela já orbita/obitou nossas veias, literalmente, sob o ponto de vista dopaminérgico.E, ó: não tem sensato e adulto que dê conta.
===Mas eu tento. Bem-vindo ao meu inferno==
Na parte da obra 'o inferno' (Do Dante), temos muitas percepções acerca do que é o Inferno do cabra lá e... parece que parte do meu é encontrar com coisas que meu 'sistema imunológico emocional' precisa equalizar com a razão. Fui dizer isso para meu anjo loiro, Ester, e ela me disse: Mas quem você seria sem isso? - Bom, eu não vou ficar sozinha com essa pergunta: QUEM VOCÊ SERIA SEM SUAS PAIXÕES?
Algumas paixões são parte da gente. Entram na nossa vida e modificam significativamente nossa história e composição da matéria essencial...o que seria do meu Destino sem tê-la vivenciado? tsc...eu nem gostaria de saber. Deixa que existam, em seus campos particulares, batendo o maior bolão. A poesia, por exemplo.
E não dá para dizer que é amor em estado simples, é paixão mesmo. O poema dói, rasga, eviscera, incomoda, acorda às madrugadas, quando tenho uma audiência às 7h30 da manhã. Não adianta, precisa nascer. Mas, como poucas coisas nessa vida, a poesia tem uma incrível potência de cura...e de conexões humanas singulares. A poesia e a arte unem as pessoas em um outro tipo singular de estrutura quântica universal.
E formulam gente com uma densidade única, um campo gravitacional...por isso, o Estado enquanto poder tem medo da arte ou a utiliza em doses homeopáticas como medida de dormência. A força, em qualquer direção, ainda é força.
Mas, voltando ...a questão é quando este sentirenvolve... o 'outro'. E Sartre sabiamente disse que 'O inferno são os outros'. Não consigo acreditar nisso. Acredito na teoria do poço, de HIMYM (descrita na temporada 8, episódios 11 e 12). Acho que a nossa mente nos coloca em qualquer condição. Inclusive na de ...aprisionados. Pelos nossos medos e...adivinha pelo quê mais? risos...
É fato que existem paixões ruins. Essas, nos ensinam tanto quanto as boas. Não digo que ensinam 'mais', porque a dor enrijece a veia, enquanto o afeto nos faz macios. É uma via de escolha e, é como diz a canção...'desculpe, estranho, eu voltei mais puro do céu'.
Confesso que não acredito propriamente no conceito tradicional de céu e inferno, para ser sincera. Penso que Deus seja tão gente boa e democrático, que a gente vai 'ajustando contas' pelo caminho, mesmo que isso leve muitas estradas. Mas cada um tem o seu particular e isso inclui muitas camadas. Uma dela, para mim, é isso-tudo-que-envolve-isso- aqui.
Aliás, desacredito no inferno tradicional e na ideia de 'demônio', que não seja sob a lógica de daimons (mas aí são outras epifanias). Só que credito no 'CÃO' (porque já o conheci quando o coração bate tum tum tum), descrito biologicamente como...dopamina. Nessas condições, digo.E tu podes rir, podes chorar. E pode isso tudo junto. Se esqueceu, foi? Quando chegar a tua vez, a gente conversa.
Att,
A administração.
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*Este texto nasceu de uma conversa com a Ester sobre as coisas da vida lá pelo final de janeiro, mas concluiu seu circuito de escrita agora, nos fins de abril/maio. Então, está republicado com algumas alterações. Esta é uma das crônicas que mais deu acessos nesse espaço, na época de sua publicação... e fará parte de uma nova coletânea. Vem mais um livro por aí.
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