quarta-feira, 29 de maio de 2024

Rotinas e Roteiros


 

E assim, ele já sabe
Que eu saio à noite pra dançar fit dance
E ler 100 poemas de Shakespeare apaixonado no intervalo
Que faço bolo de limão só porque ele gosta
- Mas bom mesmo é dormir de 'costa com costa'...

E assim ele aprendeu
Que debato política parecendo uma fera
E que, às vezes choro por quimeras
Porque sou muito apaixonada no que sinto
E às, vezes, um labirinto de emoções...

E o tempo vem dizer que a gente é 
Livro ininterruptamente acontecendo
Página a página 'se' escrevendo
Em mil versos e canções
Cheio das coisas tão pequenas

Tudo que compõem grandes paixões...!


#

domingo, 26 de maio de 2024

Ode às coisas que se achegam


 
Um vídeo novo
Um poema de amor bem docinho sobre as cores novas de abril
Um cego que abriu os olhos para a imensidão
...é um milagre.

Um carinho dos céus, não é mesmo?

E é sempre isso: 
Se achega macio e desde até o umbigo
Um frio, um cio, uma coisa gostosa...
Uma descoberta tamanha

- Daquelas de deixar Cabral apagado no mar da história...-

Sem dar de viver desse suor, um homem fica louco, 
'Assim me disse Zaratrustra' - Que triste !
 - De tal feito morreu Nietzsche 
No lugar que colhe gente doida...

- Demorou de disfarçar que era dor de amor
Que, como nego, também já quis morrer 
Do remédio irremediável do estado...
- o elo inenarrável com o sagrado -

Por isso, 

Antes de pirar de ausências, receita-se:
- Que o coração se encha de crença! 
( Ainda que com tanta contraindicação)
Vá lá, seu moço... endoideça de emoção...

Há sal e açúcar em cada descoberta:
Prepara-te, tempera do melhor sabor...
Mas, tu sabes, eu sei... é preciso coragem...
Pois, feito tatuagem, há beleza e dor...

De ser ancestral e real: 

Cru e sem palavras, só um bicho,
Entregue bem aos braços do benzinho
Curtindo plenos domingo
E depois de exausto, dormir...

Pleno de paixão!

De sentir sem explicar
E de ser sem ter razão
- Como sempre é de ser
Nas coisas do coração... - 

Ah! as coisas do coração...


#


Esse poema contém milhões de referências...

quinta-feira, 16 de maio de 2024

Calor



 Entrega teu calor, sem medo: que eu me derreto, amor
Sou muito afeita a tudo que também me é dado
Elos são afetos cultivados
Amores amáveis são os que fazemos com prazer...

Cuido de ti, não te preocupes
Eu sei fazer valer cada pedaço
Gosto de te ver sorrir e do som da tua risada
Confesso que acho que é meu primeiro sinal de afeto

O primeiro tijolinho da jornada...

Segura na minha mão
Colho com carinho aquela lágrima
Caiu quase sem querer, não foi?
Coisas da vida lá fora,

Que às vezes dá de acontecer...

É nessas horas que a gente entende
Que precisa de construir bons elos de amparo
Pois mundo precisa de um amor que se demora
Nos dias ruins, aquele alguém que não vai embora...

Então, senta no sofá, mas não embaralha a manta
A gente vê o jornal enquanto janta
Tu me contas uma piada bem tonta
E a gente decide não ir ao cinema, mas ver televisão...

É sempre assim:

Tu sempre falas uns minutos - ou horas
O quanto gostas do Hithcock ou de Tarantino
E eu perdoo tua falta de apreço pela boa película clichê
Mas conto meu melhor segredo pra tua língua

E a gente faz a vida acontecer...

Sabe, é tão bom viver você!  
Assim, tão de levinho
Entre a água e o vinho
O dia nasce sempre tão quentinho

És assim, benzinho,

Um sol todinho em mim...




#


Esse poema foi deveras clichê.
Dos meus arquivos de pieguices. <3

Amnésia (Republicado, corrigido)



Esqueça
Aquele poema matinal
Aquele tempo é para o hoje irreal:
Viver é deixar morrer - eis a ambiguidade.

A vida, tão escrita e tão escrevinhada
É feita a traços finos de giz
Mesmo o mais imenso sol amarelo
Derrete sob as águas do agora...

14 de Maio de 2024: é precioso e raro
Nunca mais virá....

E  o mundo é cheio de coisas bonitas
As mais belas declarações de amor são escritas
E ainda existem crianças correndo
Em algum lugar chamado 'felicidade'...

Tudo que é de verdade está aqui: é um milagre!
Trilhões de células cooperando para o todo
E assim, dou de acordar em meio a um mar in blue
E de ver, sei e sinto que tudo é melhor do que jamais imaginei...

Por isso,

Hoje gosto tanto da palavra 'esquecer'  quanto 'recordar'
Acredito que a inocência reside nessa estranha ambiguidade
E ninguém é criança de verdade
Sem entender dessa peculiar mistura...

É uma dádiva perder espaços da recordação!
Ainda  mais   quando se adoece do coração
Pois até mesmo o poema reconhece a razão
Própria do ato da impropriedade: 

 Liberta-se o fato da memória inglória: 
Que segue pura e assim repousa a história... 

Então:
Goodbye, Norma Jean!
Por favor, entenda. Ou perdoe, se puder...
Adeus, Diana! Por favor, descansa.

Cheguem novos contos, outros pontos
...conexões!
Pois é certo que nada é tão dissociado
Somos a partitura e o som da canção...

Afinal, convenhamos - com boas doses de ironia, 
já que nunca conviemos em nada - 
Tudo pode acontecer, menos a repetição da palavra
Viver não é sobre eterno repeat de página

E Caetano canta sob todos os espaços da sala
Que a  '' a novidade veio dar a praia...''

E assim, até os céus já sabem  e anunciam!
Que,  na perfeita metáfora dita desde Heráclito
Nunca é o mesmo sangue que passa...
- nem a mesma poesia.

E dito isso, nasce um novo coração...


Diz-se, na obra 'O brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças''..." Abençoados os que esquecemporque aproveitam até mesmo seus equívocos", que é de Friedrich Nietzsche, na obra 'Além do bem e do mal'.

E assim, esse poema nasce de reler um artigo científico sobre o direito ao esquecimento e associá-lo ao filme....e de pensar em cada coisinha da nossa história que merece o bom e velho esquecimento como uma forma de redenção do tempo.

A vida é tão colorida, artística, bela e irrepetível - sob pena de se tornar 'ordinária'.

P.s:Depois eu respondo a mim sobre a importância dos clássicos e da memória para a constituição da identidade. :)

terça-feira, 14 de maio de 2024

O Resgate (Poema-crônica partido de ouvir a história de um sobrevivente do Novo Amapá)


Entre pescado e pescador
Na escuridão, deita o milagre:
No tempo do naufrágio, 
Bênção em pleno breu...

Alucinação, Amazonas: leito e confessionário!
O mais profundo é imensa luz azul! 
O céu é multicor: estenda a mão
Deite sua fé em meio ao caos...

Grite:
"Senhor, eu não sou digno!
Mas dizeis uma só palavra...''
Com toda força, com toda alma...estenda a mão...

Dito isso, o céu se enfeita
O pai se deleita
Arma a mais farta mesa
Porque o amor de Deus é abundância e paz...

- Faz-se perfeito silêncio em meio à tempestade-
Pois mesmo o infinito amazonas se ajeita para receber os passos
Vira estrada florida, multicolorida
Frente àquele amor... -

E eis, que então:
Na escuridão, a voz de um irmão: reencontro, abraço!
É sempre assim: Pedro um dia pescou, 
Outro dia foi pescado!

Pois, por todo lado, o mistério insondável do supremo amor nos alcança...

E volta o filho e volta um pai: 
Todos se encontram na amada
O lugar onde a jornada
É doce caminho prometido a ser partilhado...

Por isso, sente o tempo, o zelo e o cuidado
Pois é fato:  Ora pescamos, ora somos pescados
- Mas sempre resgatados! - 
Pelo imenso  amor dos céus...


#


Transformei em poesia uma linda história que ouvi de um sobrevivente do naufrágio da embarcação chamada de 'Novo Amapá', que aqui em meu estado, um triste episódio de nossa história, que faz parte da nossa memória coletiva e é um alerta acerca de como devemos respeitar os limites: nossos e da natureza. 

Religião é sempre algo muito pessoal e a poeta fez com o que ouviu, com o que sentiu, de ouvir o outro. Mas há beleza em toda forma de encontro com a grande força poética do Universo...o que me leva à uma pequena flor de outubro, que é 'lanterna' e que sempre me salva, quando estou 'afogada' e que é, certamente, demonstração clara e inconteste da presença de Deus em meu pequeno universo...

Esta é uma história de salvação, de muitos modos.


quarta-feira, 8 de maio de 2024

Aconteceu!

 O poema não existe sem você
O tempo sabe, o jardim inteiro concluiu, benzinho
Pois eu canto em sua presença
E a gente acampa na varanda, em dias amenos...

A vida é mais risonha com você
E assim aprendi que tempos leves ensinam melhor
Afinal, não é o relógio que nos leva ao nosso bom destino,
Mas sim...a maré!

E no uso do clichê mais velho do universo
Tudo se torna heroicamente belo
O café com tapioca, beijo na boca
Luzes e cores particulares, madrugada adentro...

Menino que balança minha racionalidade
Mas que não queima meu juízo
Se preciso, espero mais um tempo
Só pra gente jantar junto

E de manhã, bem mulherzinha
Um tipo de bebê totalmente entregue ao teu afeto
Ponho mais café, faço cafuné
Vem pra minha rede, mata em mim a tua sede...

Depois, vamos ao domingo na Igrejinha
Confessar  pecados 
Por todo lado, não há anjos ou avessos
Faz do teu corpo o meu travesseiro... 

Nesse amor bem de antíteses complementares
Por todos os lugares, em cada esquina
A vida nos ensina: era nossa sina
E eis que então, aconteceu.




#


Quanto riso tudo isso...uma história partilhada, bem fofinha, do tipo que faz encher o coração das coisas boas que merecemos sentir...

Recados para meu Pai




Eu...ainda guardo uns palavrões dentro da boca
Porque me educaste a não falar, apesar de falares
Ainda tenho as longas laudas e a voz rouca
Que aprendi a guardar mais - apesar dos pesares.

Ainda passo na Coriolano Jucá para falar em saudades, com as mangueiras de lá...

Ainda enfrento dragões com o escudo do teu amor
Ainda lembro 'eu sou boa, aonde for' - só porque você me contou
Ainda risco poemas e teço boas redações
Ainda leio livros e converso com teu riso e ouço teus sermões...

Ainda pulo do carro, se me encheres o saco - tu sabes da lua alucinada
Mas limpo o quarto com aquela camisa verde-cheguei do tipo 'quadriculada'
Ainda detesto pescarias, mas gosto de ver alguém pescar
Isso me leva para perto de mim, contigo...em algum lugar

Ainda te levo para o lar, toda vez que volto para casa...
Contigo aprendi como fazer minha pequena flor de outubro
Sentir-se irrestritamente amada
E até tô doida para ensinar mais  uma menina -flor...

Por enquanto, pacientemente aprendo
E começo a cumprir a  missão:
Uma doce flor de outubro
Sente e sabe de ti
Pela feliz batida do meu coração!

E ela sabe que o Vovô era: duro, cínico e abstrato
Mas também: O cara mais inteligente, forte e fantástico 
Cheio de histórias de igarapé e de passeios na feirinha maluca
Cheio de uma inexplicável humanidade latente, tão apaixonante e presente...

Eu,

Ainda adoro quando as pessoas dizem que pareço contigo
É uma espécie de escudo contra qualquer coisa errada que façam comigo
Porque, é fato, Pai: não, eu não revido
Desvio e sigo, sei que vou chegar: 

Afinal, foi contigo que eu aprendi
A maré se move, mas eu sigo na canoa, a remar...

Eu,

Ainda sinto saudades 
A ponto de falhar as batidas do meu coração
Ainda sinto, quando tenho medo,
A tua quente mão...

E agora, adivinha? Eu sei que já sabes
Já já aqueles corredores vão ter mais de ti, em mim...
E até mesmo quem nunca imaginou, duvidou ou fingiu que não viu
Já sabe, Pai, 


Que a gente conseguiu...






#

Muito obrigada por me amar nas minhas inutilidades, Papai!
Que você esteja muito feliz e saiba e sinta daqui como eu estou cada vez melhor!  Eu vou te orgulhar muitoooo mais! <3 
Muito Obrigada por tudo! ===> "Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você (...) P' ra além de quando eu respirar''



domingo, 5 de maio de 2024

Conversas de Domingo à Noite




Esta cidade nem é tão grande assim
700 mil solidões brilham sob 142.815 km!
Há mais de Amazonas Mãe e peixes no rio-mar 
Acompanhado das tempestades que caem em pleno solstício...

Tudo aqui é puramente elementar: isso é uma resposta.

Não percebes, Anjo?
Essa busca inquieta por porto ou por voo
Esse tempo de encantos que não se assossegam
Será que te esqueces que descanso não é acomodar

Mas sim, permitir o pouso?

Aqui, dualidades: ou é intenso sol ou a mais molhada chuva
Tempo de águas ou de borboletas amarelas
A gente mede a vida pelo cheiro da maré e pelo vento
E se vive desse (e)terno movimento...

Percebes a beleza?

Ainda assim, diante de toda imensidão
Resta o sentimento, Anjo,
De que tão passional que és, te falta algo
Em meio à paz desse rio doce mora uma espécie de inquietação...

Como se o mundo inteiro precisasse de lógica ou explicação...

Quanta bobice!

Riem-se de ti os botos e as iaras
Ri-se de ti uma lua que não dorme!
Pois é fato, Anjo, que nem tudo precisa de se explicar para ti
Porque as coisas simplesmente são, em si:

Então coabita.

Toma teu porre, chora, busca colo,
Conta da vida as coisas que doem, voa, se te faz feliz!
Mas também aproveita a maluvida estada
Antes que as asas de cera diluam na jornada...

Aproveita a paz, descansa com prazer
Sente o mundo inteiro pulsar, que a vida é de incandescer
Mas também de experiênciar a simplicidades na jornada:
 Desde a água do ventre da mãe, 
Até a terra te (a)colher: eis a estada.




#


Para os bebedores de maré e os viajantes de si e de outros multiversos....LUZ!

quarta-feira, 1 de maio de 2024

Anjos e Demônios...em Nós! (Republicado)

                                               


Você é as flores que plantou, os sorrisos que deu, as pequenas ínfimas bondades que fez, o que te prende a atenção e o que te agrega valor. Você é o amor que doou, as rugas que ganhou por sorrir, as lágrimas de felicidade, as pessoas que escolheu para caminhar. Os amigos que fez, o  amor que cultivou, as luzes que gerou, a alegria provocada. A caridade despretensiosa e gentil que emanou,  bons fluídos que passou, a gentileza que não se amesquinha a títulos, a doçura intrínseca em ver e reconhecer no outro suas potencialidades, a honesta capacidade de assumir lados e pagar pelas consequências com leveza, o trato, o gesto, o laço... Você é o bem que faz.

Mas, ha! Esse não é só um textinho meigo sobre quem você ou eu somos no "lado bom da vida".


Você também é aquele chute no balde que deu, o porre vergonhoso que seus familiares acolheram, as burradas e "emperradas" na beira da estrada, as dores - de parto ou partida- que sentiu, e as coisas que fez e magoou à alguém. É também o mal que desejou, as mãos que não apertou, a paciência que não teve, a garganta que gritou. Você é o descontrole ocasional no trânsito- da vida ou emocional, a luz que deixou de doar e o "vai à merda" que soltou à alguém. Você é o que deixou na estrada, a mão sangrando machucada (metaforicamente, por favor), o coração partido e magoado de outro alguém, a dor quase imediata da gentileza não doada e aquele desejo fundinho (ainda que raro) de que algo dê errado para aquele fdp do seu trabalho, só para que ele "aprenda", como se fôssemos Deuses.


É preciso primeiro, antes de responder à esta questão tão visceral: "Quem eu sou?", saber de sua própria luz e esquisitices, deixar de querer ser "normal ou diferente", ter atitude de si. E até, aceitar e perdoar o 'eu no espelho' e, partindo dessa lição, perdoar e lidar com o outro. Daí dá para saber onde se quer ir. 

O mundo é um lugar bom! Mas é preciso assumir que as flores têm espinhos, que é lindo deitar na grama e olhar o céu enluarado,mas você pode ser assaltado, e que o vento que sopra na orla e lhe acaricia a face iria desarrumar sua casa inteira e deixar você maluco tentando segurar seus livros e notas fiscais (rs), e que a chuva é LINDA! Mas que baratas (e voadoras!!!) existem, às vezes para acabar com aquele seu resquício de mulher-maravilha.


Finalizo com um texto da Martha sobre a nossa humana natureza :)






Sou capaz dos gestos mais nobres
nem eu consigo me aceitar assim tão justa
chego a parecer burra,
loira, pálida e profunda
nada me detém,sou a dignidade em pessoa
ninguém diria que uma criatura como eu pudesse ser tão boa,
uma santa,uma alma do outro mundo...

Mas se acordo atordoada,
sou capaz de armar um circo
solto fogo pelas ventas,
não resmungo, grito mesmo
ninguém me aguenta,
sou herege, estúpida, ruim como o diabo
me escondo em qualquer beco, rabugenta, bem no fundo do buraco,
a cara cheia de olheiras...

...argh!!Que sou de lascar quando quero
haja paciência e sabedoria ou pouco ou ego imenso
ou isso tudo para enfrentar o céu e o inferno a cada vinte minutos.

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*Republicado de 11.09.2014, pois somos todos desta mesma matéria muito HUMANA e porque foi acessado.

Mas é bom lembrar que, em 2024, a gente aprende que grandes emoções não precisam ser emoções ruins e que força, às vezes, é 'não botar para quebrar', e sim deixar a roda da vida 'botar pra girar' até que a rota equalize na estação que nos convém, que é sempre, aquele lugar onde somos confortavelmente amados e capazes de acomodar nas coisas belas e produzir ainda mais lindezas... e de incomodar  apenas com o necessário para que esse lugar se mantenha.


                                                                                 LUZ!!!