quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Anjos*e*demônios.


Você é as flores que plantou, os sorrisos que deu, as pequenas ínfimas bondades que fez, o que te prende a atenção e o que te agrega valor. Você é o amor que doou, as rugas que ganhou por sorrir, as lágrimas de felicidade, as pessoas que escolheu para caminhar. Os amigos que fez, o  amor que cultivou, as luzes gerou, a alegria que provocou. A caridade despretensiosa e gentil que emanou. Os bons fluídos que passou, a gentileza que não se amesquinha a títulos, a doçura intrínseca em ver e reconhecer no outro suas potencialidades, a honesta capacidade de assumir lados e pagar pelas consequências com leveza, o trato, o gesto, o laço... Você é o bem que faz.

Mas, ha! Esse não é só um textinho meigo sobre quem você ou eu somos no "lado bom da vida".


Você também é aquele chute no balde que deu, o porre vergonhoso que seus familiares acolheram, as burradas e "emperradas" na beira da estrada, as dores - de parto ou partida- que sentiu, e as coisas que fez e magoou à alguém. É também o mal que desejou, as mãos que não apertou, a paciência que não teve, a garganta que gritou. Você é o descontrole ocasional no trânsito- da vida ou emocional, a luz que deixou de doar e o "vai à merda" que soltou à alguém. Você é o que você deixou na estrada, a mão sangrando machucada (metaforicamente, por favor), o coração partido e magoado de outro alguém, a dor quase imediata da gentileza não doada e aquele desejo fundinho (ainda que raro) de que algo dê errado para aquele fdp do seu trabalho, só para que ele "aprenda", como se fossemos Deuses.


É preciso primeiro, antes de responder à esta questão tão visceral: "Quem eu sou?", saber de sua própria luz e esquisitices, deixar de querer ser "normal ou diferente", ter atitude de si. E até, aceitar e perdoar a si, e, partindo dessa lição, perdoar e lidar com o outro. Daí dá para saber onde se quer ir. 

O mundo é um lugar bom! Mas é preciso assumir que as flores tem espinhos, que é lindo deitar na grama e olhar o céu enluarado,mas você pode ser assaltado, e que o vento que sopra na orla e lhe acaricia a face iria desarrumar sua casa inteira e deixar você maluco tentando segurar seus livros e notas fiscais (rs), e que a chuva é LINDA! Mas que baratas (e voadoras!!!) existem, às vezes para acabar com aquele seu resquício de mulher-maravilha.


Finalizo com um texto da Martha sobre a nossa humana natureza :)






Sou capaz dos gestos mais nobres
nem eu consigo me aceitar assim tão justa
chego a parecer burra,
loira, pálida e profunda
nada me detém,sou a dignidade em pessoa
ninguém diria que uma criatura como eu pudesse ser tão boa,
uma santa,uma alma do outro mundo...

Mas se acordo atordoada,
sou capaz de armar um circo
solto fogo pelas ventas,
não resmungo, grito mesmo
ninguém me aguenta,
sou herege, estúpida, ruim como o diabo
me escondo em qualquer beco, rabugenta, bem no fundo do buraco,
a cara cheia de olheiras...

...argh!!Que sou de lascar quando quero
haja paciência e sabedoria ou pouco ou ego imenso
ou isso tudo para enfrentar o céu e o inferno a cada vinte minutos.



Somos todos desta mesma muito HUMANA matéria.
 Essa é a "dor e a delícia".Por isso às vezes, como Cazuza, "odiamos as pessoas", só para depois, "amá-las" mais.





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