quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Percepção






Não me reconheças ao espelho da tua memória
O ontem foi sobre mim, porém mais desavisada
A vida é sine cera
Acontece na hora da virtude e do delito

No hoje, meu bem, 'monalisa' já entende o 'grito'...

Sei, tudo isso parece-te muito abs ratio
Pois é muita pele para o fino trato
Para ti, existir é um pouco menos abstrato
E tudo bem, pois já diz o adágio

 Um ponto de vista é a vista de um ponto
E mesmo o 'nada' é uma questão de percepção...

Mas, nem mesmo cabe uma explicação
Tampouco apresentação: Apesar dos termos postos
Tudo é variável, constante mutação
Não fala, estende a mão: percebe.

Por isso, perdoe se repito:
Não me reconheças ao espelho da tua memória
O ontem foi sobre mim, porém mais desavisada
A vida é sine cera

Acontece na hora da virtude e do delito
No hoje, meu bem, 'monalisa' já entende o 'grito'...

#

Sentidos e sonhos!





As coisas mais sentidas em nossa paisagem interior não são expressáveis. Não encontram na fala ou na escrita a expressão que as comporte. 

As coisas mais sentidas são guardadas, mesmo que sem querer. Emoção é coisa que rega e frutifica de emoção.É coisa muito interna. A escrita é a tentativa do indescritível...
Eis uma das belezas da literatura: conhecer as 'causas perdidas' do mensageiro! 
E quando o mensageiro tem heterônimos? ....é ''Dar a cada emoção uma alma, a cada estado de alma uma alma''. 

Ter muitas almas dentro de cada emoção que nos habita! Amor, raiva, alegria, (saudades!!!)...acho que daí explicam-se os sonhos, ainda que os mais bobos: medos ou vontades das almas das nossas emoções.
É de sonhos que deixamos de ser "gente" e nos tornamos "pessoa", termo grego que quer dizer "soar com intensidade".
Por isso ser pessoa é tão forte, ao mesmo tempo, imprescindível. E, por mais cheio de nuances que seja, o melhor de tudo é saber...que não é impossível.

Por aqui...'lágrimas nos olhos de ler o Pessoa..."


*Republicado de 02.01.2015 porque foi acessado e sinceramente adorei esta escrita.

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Verbo, Vem!



 Verbo, vem!

Renova o sabor adocicado da palavra 
Renasce os dias, o tempo, a poesia
Outras formas de alegria nascem
Com tua chegada...

Verbo, vem!

Tu que faz presença no chão da minha sala
Nas manhãs mais doces de domingo
No tempo de preguiça que antecede janeiro
Pois ainda chove em Macapá todo Dezembro...

Chega manso, recém encarnado...
Abraçado como tudo que é novo e encantado
Luzes de neón não são mais fortes que as batidas 
Deste meu velho coração - que renasce em ti

De pensar em toda poesia que se enfeita
Só para te ver passar
Consegui dormir e acordar feito criança
Enfeito o tempo, as cores do meu lar

Verbo, vem! - quero te ver chegar...

#


"E eis que o verbo fez-se Carne" <3

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Adeus, Olá



Não haverão auroras iguais
Mesmo as boreais-
A vida move, a gente move
- E o tempo é uma criança que brinca e dorme
 
Acorda novinho em folha, a cada manhã...
 
Por isso, cuido daquilo que quero que permaneça
As rosas de meu pequeno mundo são tão únicas!
E compreendo mais a dor do pequenino princepezinho
Que sentia fundo cada passo do caminho...
 
Tal qual o doce visitante
Também exploro planetas e sóis
E depois viajo de volta a mim
Mesmo sabendo que nem isso é igual
 
-  Há sempre um agricodoce entre o açúcar e o sal-
 
E 2024 vai embora e leva junto
Alguns abraços que não mais terei...
E 2025 nasce e traz consigo
Coisas que eu tanto sonhei!
 
Seguro um pouco o ar só para prender o instante
- Mas que bobagem!
Tal como eu, o vento e o dia
Estão em sua própria viagem...
 
Não há precisão! 
Entre despedidas e cheganças
Cada encontro é de ser regado...elo cultivado, cuidado:
Amado!

Ou, desfaz-se na imensidão
E dele só resta...A´Deus e Oração!
 
#

Luz!

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Eu, que não aprendi a rezar (Reza Pagã)

 



Eu, que não aprendi a rezar...

Pesco palavras no cotidiano
Só para explicar ao tolo coração
Por onde a  vida,  imperiosa e bonita
arrasta sonhos no correr dos anos...

Busco no azul a linha dos enganos!
Delinquente sentimental,
Ficha corrida de pequenos delitos emocionais
Por sustentar amor demais...

Mas, M.M Juiz, 

Anjo decaído de um tribunal de exceção!
Não queiras mesmo explicação
Para o doce do Amazonas ou o sal do mar
Condena-me ao verbo: (perpetuamente) amar!

eu, que não aprendi a rezar.

#


LUZ!


*Dias claros. :)

Poema republicado, porque foi acessado e gostei de tê-lo escrito.

A Pele da Memória

 


  
Não é preciso entender:
A pele conta sua própria história
Dispensa apresentações:
Reconhece iguais pela memória...
 
Feito canção: toca-me
Entoa também no meu ouvido
Tudo diferente e tão igual:
Sabor, pele, gemido...
 
Espelhado o rosto presente
Dormiu no peito da minha mente
Noites adentro, no espaço do tempo
Carne pulsante, latente - pensamento.
 
Desisto: te puxo pra perto
Vilões e heróis são meras percepções
Apaga a luz para acender o melhor de nós
- As emoções!
 
Disco arranhado, eterno retorno:
 
Não é preciso entender:
A pele conta sua própria história
Dispensa apresentações,
Reconhece iguais pela memória...

#

 Feito para essa música e vinda dela, inclusive.

 

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Quando eu era jovem o suficiente


...Quando eu era jovem o suficiente para acreditar que as nuvens eram de algodão doce, não dormia à noite, pensando em um jeito de chegar lá. E eram noites incríveis aquelas, regadas a música, lirismo e um bom livro ( tu sabes que só se vai ao céu,amigo, pelas páginas encantadas de um livro ou de um amor).
...
Quando eu era jovem o suficiente para acreditar em contos de fadas, podia gastar a vista de tanto ler sabrinas, julias, escondidas dentro de um livro de Stephen Hawking, que era meu jeito de misturar paixão e filosofia, longe de Kafka ou Jane Austen. Hoje brinco com minha própria Júlia e com Ana, e elas sim, sabem renovar minha fé...
...
Quando eu era jovem o suficiente, não apertava a mão de quem não apreciava e virava o rosto mas não cumprimentava gente chata, para a vergonha e horror de meus pais, irmãos, tios e amigas...
...
Quando eu era jovem, tomava banho no igarapé da fortaleza e depois fazia castelos de argila, que é a areia do nortista - e rola um fuxico que é também a matéria com que Deus nos fez.
...
Quando eu era jovem tinha certezas, deitava no asfalto e sentia as gotas de chuva caírem no rosto, não misturava manga com leite nem sob decreto e chamava todas as pessoas mais velhas de "Tio".
...
Quando eu era jovem, ligava para meu pai, quando me faziam chorar e às vezes, podia vê-lo aplicar a sua justiça pouco convencional - de onde aprendi a amar anti-heróis.
...
Ah! Quando eu era realmente jovem, tinha um plano, um plano mesmo, todo certinho, de vida, um projeto bem 'grandão' a ser executado. Tinha pouca memória, muita ansiedade e  a bagagem cheia de  certezas.
...

Hoje, rabisco lembranças, faço planos menores, sou feliz no agora e ainda acho graça, enquanto revejo e refaço planos e agendas.

E cuido com zelo e apreço minha feliz coleção de perguntas.

#

* Republicado.

O Preço*

 




Não me coloquei à venda
Nem pela farinha do ócio
Nem pela manteiga do pão
Não fiz escárnio do sonho de ser gente

Sequer confio na socialização!

Não pago o preço da tua palma aberta
e nem preciso de afeição teatral
Não pego a vaga de indigente
Na tua representação desleal

Não finjo afetos, sigo no que acho certo
Pago para ver, dou a cara a tapa
Não tenho métrica para medir a alma
Desconheço o exato custo por me ser

De entender inutilidades
Faço mil anotações para desaprender...

Não, eu não mercantilizo nenhuma forma de amor ou prazer

Não cultuo o teu deus: o Poder.
E nem gasto saliva apenas para emitir som, 
Dou à palavra o respeito à uma entidade mágica, fluída liberdade
Que voa, transmuta em borboleta

E dança no cio da primavera...

Volto todos os dias para a mesma casa: peito calmo, descanso 
Esse campo sagrado de sonho e de bem-viver: águas de remanso.
O meu prato de cio  sirvo à poesia do dia - limpo alimento.
E, por todo lado, a minha alegria 

Está na 'dor e delícia' de ser quem eu sou...

#

*De uma conversa com a Annie sobre o preço do que vale ser realmente vivido e o valor de bons elos de afeto. <3

O Poder da Gentileza!

                                     


Gosto muito da filosofia implícita que originou cada palavra de nossa língua materna. Penso que cada uma delas quer dizer muito mais do que simplesmente é...basta consultar sua história. Por exemplo, hoje é o dia nacional da Gentileza, uma das minhas palavras preferidas.

Gentileza é palavra oriunda do latim “Gen”, que significa conjunto de pessoas que possuem origem em comum, ou “Gentilis” , aqueles que são de mesma família ou clã. Assim, ser gentil é tratar como igual como igual, ou... ‘como gente’. A palavra tem também um antônimo em latim,  ‘gentios’, que significa ‘estrangeiro’.
O conceito evoluiu dentro deste contexto de honradez, com acepção mais ampla do que a mera cortesia (atos da corte). A cortesia é ato, fração externa da atitude. Gentileza é gesto, carícia  humana, parte essencial à formação de um bom caráter.
Portanto, para mim, é gentil quem tem gestos de bondade, de respeito e de proteção ao Universo individual que é ser humano. É gentil quem preza a honestidade, quem vive de acordo com que acredita, quem ama e dá amor como deseja ser amado, é gentil quem atravessa a vida sem ferir, tratando cada pessoa como a um familiar, na mais perfeita acepção que originou a palavra Gentilis.
Tratar com cordialidade é ato de boa educação. A cortesia é ato ‘gentio’, externa e estrangeira à pessoa. Tratar com gentileza é uma conduta...é, gentileza é mesmo uma lindeza de palavra. Sei também que, em um mundo tão complicado, onde o ego(ismo) impera, o conceito acaba por encolher. É uma pena.
Mas confesso que tenho sorte, pois nesse maravilhoso Universo, sei que desperto muito desse sentimento nas pessoas que sopram sua brisa sobre a minha vida. E, por justeza de caráter, é de mim fazer o mesmo, em um tipo de reciprocidade natural e feliz...é, sou uma velha boba mesmo. E gosto. 
Aliás, isso recordou que, há um tempo atrás, li um livro intitulado "O poder da Gentileza". A titulação trouxe a reflexão de que, se nós somos os heróis e os vilões desse imenso mundo, que nos cobra o exercício do contrário para sermos justos e corretos com a vida e com o outro, ser gentil é ter UM SUPER PODER, conferido pela Bondade.

Que isso se multiplique sempre em nosso caminhar.

Viva a gentileza!


P.s: Publicado originalmente em 13.11.2018. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Notas do Eterno Retorno Existencial



 I - Da morte

 
O mesmo mundo que leva uma canção
Deixa reverberar o sangue na mão do carrasco
Às vezes, é difícil compreender o compasso
O tempo do espaço e as escolhas do Universo
 
E no espaço reverso um antigo ditado ecoa: ‘tudo coopera para o bem’...
 
Mas,
 
É impossível esquecer que na máxima do equilibrista
Estar bêbado é um jeito de sonegar a estúpida realidade
O estado das coisas, o teatro obtuso
É... já disse Pessoa:  ‘tudo é absurdo’.
 
Dentro da química interação de quem somos
A acidez coopera para a dissolução
A soma de negativos totaliza positivos
Mas nem isso nos torna potencialmente mais vivos...
 
II - Do espaço do ser
 
Então...o que me faz existir, de verdade?
 
O riso in blue  de uma pequena flor
Um café da tarde regado de amor
Desaguar para recarregar de afetos
Pois mesmo um carrinho de mão pode levar flores ou dejetos...
 
O que me faz amar, de verdade?
 
Admira a ação!
 
Gostar de que são os meus afetos
Aqueles onde descanso quando o mundo é cão
Pois é fato que bem explicou Gil,
 ‘ o amor da gente é como um grão...’
 
III - Do Retorno
 
O jeito mais potente de nunca esquecer de ser gente
O antídoto ao veneno da indiferença:
A lágrima colhida, o abraço quente e a alma latente
Que sempre escorre na palma da mão em toda crença...
 
Sentir. Sentir. Sentir!
 
Tornar-se frágil e forte sem embrutecer
Deixar liberto o coração – máquina de afetos –
Para tecer com o próprio sangue delicados elos
E só assim descobrir então a fonte da essência do  ‘eterno’...
 
E de experienciar aquilo que sou
E repousar na palavra  ‘inconclusão’
No parir do poema
Surge um novo coração!
 
- Renasço...
 
 
#
  
Nesse outubro eu morri, mas em novembro eu não morro, pois renasci de reler um amigo.
A literatura eterniza e une.
 
Luz!

sábado, 2 de novembro de 2024

Eu, que não acredito em Adeus




 Eu, 
Que não acredito em Adeus
Sigo, em par com os meus
Fincados de raiz no peito...

Eu, que raramente versifico perdas
Mas conheço de cor  a ritualística da dor 
Sei como é difícil sentir saudades
Esse silêncio tão preenchível pelo amor...

Que gosto de conversar com as nuvens 
Com o ar e os cheiros do Amazonas
Que penso que a presença é muito mais do que estar em carne viva
Mas sim, ter a latência ativa do ser e estar...

Eu,
Que não acredito em Adeus
Sigo em par com os meus
fincados de raiz no peito...

#

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

A Grande Charada

 

Deve ter havido algum engano, porque em algum lugar do planeta, dizem por aí que um ser elementar mudou de rota: saiu de um espaço existencial para outro, sem deixar de ser e estar.

Não, não falo de uma deidade.

Falo de um tipo diferente de criação: Um tipo muito humano mesmo de gente, que alegra a toda forma de Criador. Gente macia que, uma vez a cada trilhão de existência, a eternidade deixa vir para a matéria, por um tempo (in)finito, para partilhar conosco, os que por aqui ainda vagam.

Gente macia é tão difícil de encontrar...lá, do outro lado, eles são ‘os elementares’.

Não confundi-los com divindades, os elementares nunca poderiam parecê-las, pois são cobertos de uma humanidade latente, ambiguidades que perfazem o ser complexo e natural.

Aliás, tão naturais que foram criados da mistura particular não da água e do barro, mas de todos os elementos, daí serem ‘por lá’ conhecidos como elementares. Foram feitos compostos do ar, da água, do sal da terra, feitos pelas mãos da mistura de todos os tipos de Deuses, os ‘Supremos’.

Os elementares vem ao mundo para serem muito humanos! O tipo de matéria humana que os criadores realizaram  sorrindo...aqueles que a quem chama, em particular, de ‘amigo’.

Uma curiosidade: é com eles que os “Supremos’’ gostam de sentar para saber como é experienciar detalhes curiosos da experiência humana: as doçuras e lanhuras da paixão, as histórias de um Estado em Construção, as piadas sujas e limpinhas tecidas no meio fio de uma mesa de bar entremeada quase ao meio fio e até, pasme, as linhas edificantes e edificáveis das mesas dos meritíssimos e veneráveis.

Claro, os Supremos não são afeitos a estas ultimas coisas, construídas pela mente humana. Mas, os elementares, quando as compõe, fazem dessas uma experiência de partilha, humildade, conhecimento e entusiasmo, e o entusiasmo genuíno encanta qualquer tipo de consciência e onisciência. ...

Ah! Os elementares, por aqui chamados de ‘gente macia’.

Gente macia não gosta de palco, não faz alarde, não apresenta títulos: antes, contribui com o aprendizado, é discreto na fala e gigante no doar tímido que compõe toda partilha confortável. Gente macia, do tipo que a gente de sente confortável em enviar um poema, em deixar a pele da alma à ‘mostra’, sabendo que não receberá de volta nada dolorido...Gente macia nos faz rir de uma piada pronta ou criada naquele momento, mas sabe piada bacana? Aquela em que todo mundo ri?...ou que, quem não ri é meio abestado?

Gente dessa natureza - os elementares -  a gente vai contar no único dedo da mão às vezes, e mesmo assim precisa agradecer ao infinito pela graça do PRESENTE.

Presente que, de tão real, jamais ‘foi’, mesmo quando se ausenta - pois os elementares integram-se à matéria tocada: é impossível não tocar em um elementar e não cair de afetos e ser alterada por sua consubstancialidade com o Universo: Um elementar é parte do todo.

Dito isso, é impossível que se diga ‘foi’.

Eu preciso confessar a você, caro leitor: Eu conheço um elementar.

 E o  que eu conheço é feito de tudo aquilo que disse acima, e guarda suas peculiaridades: Foi feito de matéria amazônica, dos muitos sóis do equador. É composto das sombras do solstício, do cio e do ócio da linha que nos divide em metades, das borboletas e ipês amarelos que enfeitam a JK todo insano setembro e que dançam suas flores pela Universidade Federal do Amapá...

Por isso, digo e reafirmo: Deve ter havido algum engano, porque em algum lugar do planeta, dizem por aí que um ser elementar mudou de rota: saiu de um espaço existencial para outro, sem deixar de ser e estar.

Mas eu o vejo ainda hoje, pois em pleno Outubro, faz um sol macio e uma borboleta amarela dança, livre pela JK.

 

#

 

Saiu das linhas dessa crônica molhada de teimosa água:

Um grande abraço, Fernando.

O engano, tu sabes e eu sei, é certamente uma brincadeira, um conto surreal teu com essa grande charada, e os personagens somos todos nós. Que bom que eu sou aquela que, na tua escrita, sabe que, por seres elemento vivo da Amazônia, segues conosco. E tem muitos outros, tocados pela tua existência, que também sabem.

Eu vou sentir saudades, por um tempo...depois,vou amar te reencontrar.


(P.s: ''Deve ter havido algum engano'' é uma variação de uma das traduções de 'O Processo', de Kafka, que emprestei, pois parece muito surreal ou absurdo. Esse conto não está revisado, pois estou 'lua velha', empalidecida e empalidecendo e sem todas as letras que moram dentro da boca e da alma...) 






sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Impacto

  


O bater da asa da borboleta
O tufão do outro lado do Universo
A vida acontece concomitante
E interdependente...
 
As águas aquecem lá no Oceano
E aqui é a tempestade equatorial varreu telhados
O tempo da vida não está no relógio, é real
Acontece segundo a segundo...
 
A velocidade, a massa:
Cuidado com o ponto de impacto
Atenta para a existência,
Pois um corpo é matéria em latência
 
Nem sempre sutil é o encontro....
 
Por isso,
 
Cuidado ao tocar os pés no universo:
O progresso do regresso é uma perda de rotação
Na dúvida, senta e respira
Põe o coração em oração...
 
Não há como fugir ou acelerar: existir é inexorável
Naturalmente move, feito onda do mar
O tempo do perfeito é o natural...acalma
Sem tanta pressa em viver, pois por benção ou carma,
 
A existência inexoravelmente passa!
Todo mundo encontra com sua própria alma
Luz e sombras particulares entremeadas
E a gente não ultrapassa a velocidade do sol...

#

LUZ!

Breguíssimos!





Beijar o espelho 
Encher a tua cama
Dos meus fios vermelhos
Marcar tua boca no tom do meu batom

Te amar de um jeito brega e cafona
Sem medo do ridículo :
 Sem jogos, sem luta ou lona...
Inteiramente frágil e enternecida...

E se não fosse assim, que nem viesse
Porque ou entra na chuva e dança com a tempestade
Ou fica em casa, guardada do prazer e do frio
Ou tudo ou nada: calor e arrepio...

Folia fora do carnaval
Filminho clichê no meu tempo real
As coisas mais bobas, suspiros macios...
ah! são os melhores...

Andar pelas esquinas marcada da tua saliva
Um tipo de segredinho bem doce e guardado
Curtir a maré contigo ao meu lado
Num tempo em que o amor não arde...

Só assim cabe a vida. ...e só a vida vale a arte!

                                                                                #

*Essa música é uma das melhores canções de amor dos últimos 3 anos...

(P.s: Nada de referências.rs. Arte é arte e é sempre maior que o contexto)

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Das desimportâncias.


Não é por mim que florescem begônias na Av. Fab.
Nem foi porque pedi que o Amazonas subiu
Ontem choveu, bem na hora em que fazia uma oração
Tenho certeza que também não foi por mim...

- E, a despeito do poema maravilhado, 
Passaram tinta cinza na palavra 'saudade' do muro do antigo CCA...- 

Os correios deixaram de entregar mensagens de amor
Nunca recebi uma carta perfumada,
Não é minha esta noite enluarada no equador
E, a despeito de mim, faz um estrondoso calor...

Deslumbro com a dança as folhas secas entre outono e verão 
Com a marcha  de formigas que calmamente ensina o poder da união
E as borboletas amarelas e seu balé de quimeras
Anunciam que é primavera! é primavera...

Há um Rubem Alves novo na livraria
 recados deixados na estante de sua emoção
relicário, epitáfio de lições dispostas em capa colorida 
Pequenos pedaços de filosofia mansa e macia 
Ah! Meu velho amigo, tu nem sabes...

Mas, ainda hoje foi manchete no noticiário:
descobriram uma nova lua em um outro planeta
A milhas e milhas, anos-luz afora deste sistema solar,
A exótica harmonia existencial não pára de se desvendar!
- E  nada, nada disso é por mim.

É apenas a ordem natural do Universo...
Ainda assim, escrevo, contemplo, disperso!
Sinto cada pequena emoção e geografia
Pois, bem sei, diploma e sina de poeta
É beber o mundo na taça da poesia.


#

Escorreu do poema: 

(E de ressaca poética
carregar o peso e a leveza de seu próprio coração,
Desmanchar de amores  pelas cores da estação... )


#



*Para o  dia internacional do poeta - o diplomata entre a palavra e a contemplação, em 04.10.2018, republicado agora, porque a poesia ainda é parte do que me faz forte...e feliz.


                                                                             LUZ!


LUZ! 

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Encontro



 Meu universo toca o teu: é fato
Mãos que já foram continentes formam nós
Um repente,
Gesto que me leva até o teu olhar...

Meu corpo feito estrelas, no teu: constelação!
Não é poesia, meu bem, 
- É uma constatação -
Certeza que se firma com sua luz particular...

Meus olhos que já foram parte das águas
Quem sabe, do nosso Amazonas
Desaguam mansamente nos teus
Fluem calmamente, e ainda assim: é preamar...

De pré-amar fomos assim:
Convite ao cinema negado
Aquela ligação recusada...
O medo, as cascas, as marcas partilhadas...

De bem viver somos verdadeiramente:  o próprio big bang
De um tipo novo de mundo a ser descoberto!
- Magicamente programados 
Para acontecer no tempo certo -



#


Sobre o dia: Um 'amor de cartas claras sobre a mesa' é o que desejo a mim, e a ti, que me lê! LUZ!

<3

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Maktub

 



Escrevo um poema a cada sentimento,
Num eterno sente e psicografa a vida
Como quem corre atrás de vaga-lumes
Nas estradas escuras ou noites coloridas...

Penso em cada linha, passos, afetos!
Agrego verdades e perdoo mentiras
Desisti dos passos sempre entrelaçados e certos
-Faço em pontilhados minhas próprias linhas.

Caminho, Sina:
Destino, arbítrio: 
embaralhadas teorias!
Enquanto escrevo, papéis de carta enfeitam a cor dos dias...

Faço perguntas tolas para o céu:
Não sei se sou quem deveria ou escolhi me ser
No meio aleatório de coincidências e possibilidades
creio num pai bondoso que decide nos dar o dom do movimento

De fazer acontecer.

Como um jogo de xadrez:
 a gente analisa as perdas e ganhos de cada movimento
Mas, por um segundo desatento, podem se perder grandes chances
É então que  Ele,  grande força  amável e tolerante

acerta o tempo e reescreve o instante.

É, o tempo é sempre bondoso, mesmo quando não deveria
E nos diz entre o certo e o errado
Verdades que nenhum de nós, antes do exato momento 
Acreditaria.

Então, 
"Estava escrito", ou... "tinha que acontecer"
Mas a estrada é sempre nossa
E nosso é o dom de fazer valer.

#


" Maktub,Particípio passado do verbo Kitab.É a expressão característica do fatalismo muçulmano.Maktub significa: "estava escrito"; ou melhor, "tinha que acontecer".Essa expressiva palavra dita nos momentos de dor ou angústia,Não é um brado de revolta contra o destino,Mas sim, a reafirmação do espírito plenamente resignado diante dos desígnios da vida " (Oriente, na canção "Vida longa, mundo pequeno")



Bons caminhos, para mim e para ti, que me lê.

*Republicado, pois foi acessado e me reencontrei na escrita.

LUZ!