sexta-feira, 22 de junho de 2012

Madrugada


Quanto amor!
tanto aroma guardado
utopias inteiras
de um sonho alado...

Que loucura!
Guardar-se num retrato
encerrando-se num espelho convexo
louco,desconexo, alucinado!

Tanta coisa guardada!
Quanta vida perdida!
sorrisos encerrados
numa lua escondida...

Mas há uma luz nesta madrugada
iluminando a fria sacada
espalhando movimento e ar
- e o sino dos ventos começa a tocar...

O canto sombrio da coruja
Já não fala de choros e adeus
e as estrelas colhem desta solidão
...sorrisos meus!#

11 comentários:

  1. Que belo poema!!! Gostei! Tenha uma ótima semana!

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    1. Obrigada,querido! Uma ótima semana para nós! =)

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  2. Não fales alto,
    Ou pelo menos
    Não fales tão alto...
    Agora é tarde, Já é de noite.
    Não esbravejes tanto!
    Digo para mim e comigo
    De frente ao espelho.
    Esta aqui é a vida,
    E eu estou cansado,
    E a noite avança...

    Não fales tão alto!
    Já é muito tarde,
    Já é quase dia...
    E depois no final da tarde,
    Na saída do trabalho
    Vou pegar o ônibus,
    Vou voltar pra casa vazia,
    Onde todos estão mortos,
    Menos eu...
    Eu estou vivo?

    A vidraça da sala está quebrada...
    Foi talvez o menino
    Que joga bola na rua
    E que anda descalço
    E que fala palavrões
    E que solta pipas...
    Tenho inveja deste menino
    Que nunca fui
    E que nunca serei...
    Agora é tarde.

    Eu afrouxo a gravata
    E ascendo um cigarro,
    Ascendo a luz da sacada
    E olho por entre as pálpebras
    Muitos lugares
    Ainda repletos de estrelas...

    Já é quase dia...
    Estou cansado
    E não tenho sono...

    Perdi todas as esperanças
    De dormir a noite...
    E através do meu cansaço
    Sinto toda a humanidade
    Que acorda cedo,
    São de carne e osso
    Toda esta gente?
    Ou são como moscas
    Com as asas presas
    Numa teia de aranha
    Sobre o abismo?

    Bem... Mas isso
    É só uma razão qualquer
    Que me vem a mente,
    Porque agora é tarde,
    É de madrugada...
    E se eu tomasse
    Um café bem quente?
    Um pouco de água ardente?
    E se eu escovasse os dentes?

    Sim... Esta é só uma razão qualquer
    Que me vem a mente
    E eu não creio em nada...
    Ou talvez eu creia,
    Eu não sei direito,
    Mas repito sempre
    Uma pergunta tola:
    O amor deve ser constante?
    Sim, deve ser!
    Que embrulhada
    A gente arranja!
    Mas isto aqui é a vida,
    Tenham paciência!
    Amanhã eu trago o dinheiro!

    Sim! Está bem,
    Ó grande sol
    Tu não sabes nada disso!
    E é inútil prolongar esta conversa
    Diante de todo este silêncio.
    Melhor é afundar-me
    Neste sofá grande
    E fumar o meu cigarro
    Enquanto o tempo passa.

    Sim... É inútil!
    Até a vida no campo
    É igualmente inútil,
    E há coisas
    Que são tão difíceis de dizer...
    E este silêncio todo...
    A noite que se prolongou
    Até a madrugada,
    E ainda faltam quatro horas
    Para raiar o dia
    E o desespero desta insônia...
    E de repente
    O humano quadrado
    De uma janela iluminada
    Do outro lado da rua
    De frente a sacada,
    Fraternidade incógnita
    E involuntária na noite.

    Perante a humanidade alheia
    Estamos ambos despertos...
    Todos dormem, mas nós
    Temos luz!
    Mas quem será?
    Doente? Falsificador de dinheiro?
    Ou simplesmente insone como eu?
    Ora! Não importa!
    A noite é eterna e infinita,
    E agora neste lugar
    Há apenas a humanidade
    Das nossas duas janelas,
    O coração pulsante
    Das nossas duas luzes acesas...
    Agora somos todo o mundo,
    Toda a vida sentindo
    A úmida noite,
    E eu me agarro ao parapeito da sacada,
    Debruço-me para o infinito universo...
    Os galos não estão gritando ainda
    E o silêncio é definitivo.

    E o que fazes aí camarada
    Da janela com luz?
    Sonho? Falta de sono?
    Caso de morte ou vida?
    Sei lá! Sei lá!
    A luz se apaga...

    E fica apenas eu
    Em pé na sacada,
    O dia lentamente vem chegando,
    Já desponta um transeunte
    Indo pro trabalho,
    Ascendo outro cigarro e penso
    Seria tão bom dormir agora...

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    1. "Altas madrugadas..."

      Como acolhe a vida que me traga!
      O peito pulsa uma canção silenciosa
      Hoje não há verso ou prosa
      que alongue este aflito coração...

      Da janela
      sei que sou um grão
      no todo que roda sem um quê
      ou um porque...

      Não me contaram a composição
      A alquimia desta forma de ser
      esta intrínseca composição
      não me trouxeram pela mão...

      Não há mais ninguém
      nada está movente!
      Oh! pedras! contem-me o segredo
      de estar para não ser...

      Faz chover,mundo!
      Quero negar que são lágrimas
      este soluço!
      Quero em teu colo adormecer...

      Madrugada, não te rias de mim!
      Não sê indolente!
      Que minh`alma não morreu! Nem é dormente!
      uma hora tudo vai amanhecer...#

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    2. Vivo entre
      O quarto andar
      E o infinito...

      Todos os dias
      Acontecem coisas no mundo
      Inexplicáveis pelas leis que conhecemos,
      O próprio sonho, por vezes me castiga
      Porque adquiro nele uma lucidez...

      São reais as coisas que sonhamos?
      Plausíveis e palpáveis
      Como a própria realidade?

      Quando acordo
      Sinto uma angústia
      Por ter acordado
      E saber que era deveras sonho
      O que eu tinha sonhado...

      Parece que a dor humana é infinita,
      Que não há tréguas na vida...

      O tédio pesa
      Como águas soturnas
      Caudalosas, estagnadas...
      Pesa como lodo,
      Como sombra noturna.

      Da janela
      As ruas são foscas
      E os transeuntes
      São espectros incógnitos
      Que deixam seus rastros
      Despidos de glória...

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    3. "Da janela"

      Ha! Quem são essas almas?
      Quais suas tragédias
      e suas verdades
      onde encontram lugar?

      Quero descansar o peito
      mas tudo queima:
      A alma, a vista
      a janela e o sino
      que não cessa de tocar...

      De quem são essas dores
      que escorrem por mim?
      Porque sou assim?
      o peito não quer serenar...!

      Lá fora...tudo é escuridão:
      Os rostos,as luzes
      - Quanta imensidão!
      Estou resumida a mim
      e não alcanço o mistério...ou fim.#

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    4. Portas se abrem para o abismo,
      Há apenas uma fresta
      Da onde posso vislumbrar o mundo...

      Notícias invadem a minha casa,
      Lá fora transitam pessoas...

      Por antenas e fios condutores
      O meu pensamento flutua...

      O canto
      De pássaros cativos
      Ressoam de dentro dos livros...

      Revirei páginas e gavetas
      Nos arquivos de minha vida
      Tracei hieróglifos herméticos
      Sobre cadernos antigos...

      Abri as venezianas
      Que me ocultavam os dias
      Dois sóis amarelos
      Em horizontes distintos
      Cegaram a minha vista...

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  3. Obrigada, Thiago! Tbm divago com as madrugadas...aliás, é por isso que a lua não dorme...!:)
    beijo.

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