terça-feira, 24 de junho de 2025

Universo em Movimento

 


Move, mundo!
Rotação e translação mudam marés...
Pessoas correm, a vida às vezes assopra, noutras morde
Ponteiro, relógio: desperta-dor!

O estômago agita, outra vez, é hora do café...

Trump anuncia novas ogivas contra o Irã
Eu faço Poesia
Alguém esquece o sentido da palavra 'irmã'
- Eu, faço poesia

Quanta tolice, quanta perda: não há vence-dores!

O tempo leva, o tempo leva...
A vida ensina: isso é só vaidade
Bebo meu café e recito por dentro
Receitas de simplicidade.

#


"Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo
Tende piedade de nós
Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo
Dai-nos a paz...."

Bom diaaaaa. Esse blog deu um 'bummmm' de acessos nos últimos sete dias e muitos pedaços antigos de mim têm sido visitados...vou republicar aos poucos, mas fica aqui uma palavra: Gratidão! 
E, enquanto Trump não anuncia outra grande vaidade, aliados a outras vaidades do cotidiano,  sigamos o dia abraçados com a simplicidade. A vida cobra o preço do avesso, cobra sim....a conta chega. Mas, mesmo que não cobrasse...que a gente caminhe como quem sabe que vai prestar contas à poderosa força de amor e justiça do Universo.

LUZ! Um dia bom.

:)

Das coisas que eu vim fazer aqui




A gente está aqui para aprender a voar no fim de tarde
Barcos de papel marché em busca do horizonte
Ao sabor de um ardente sol...

E sabemos tão pouco
Do tanto, do gesto
Do multiverso que abriga cada um...

A gente está aqui, sem dublê
E tudo é movimento, vida, ação
E a alma se bate toda no imenso labirinto
enquanto quixoteia moinhos de vento...

Parece que a gente devia ter vindo
Com manual de instruções
Quiçá, bula de contra-indicações
Com tarja de aviso:  “Advertência: risco de dano severo às emoções”

E no reverso, a gente se faz de grande navegador
E descobre um mundo novo a cada abrir de olhos
E corre a vida só para não cair na apatia
De ir com a maré...

A gente veio ao mundo
Desinventar de ter medo
E aprender com a aerodinâmica sutil da borboleta!

E no meio do caminho, a gente prova-vida:
Manga, suor, sorvete: Existir é um banquete
Cada um se serve como pode.

A gente veio ao mundo se espantar
Cair de amores pelo pôr do sol!
Encher os olhos d´agua de ler um Pessoa
Vibrar numa matriz particular (Ou simplesmente  mergulhar n´uma lagoa)

Só não vale não se apaixonar
Não experimentar, não mover com força o próprio coração
Não se encantar, não arriscar, não se vestir de luz e cor
Só não vale não ser , falar,sentir, doar...

AMOR.

#

*Republicado de 08.06.2018

Ensaios sobre a vida



I - Breves Considerações sobre o Clima e o dia

São três da tarde e o relógio me diz que há milhões de afazeres na agenda, e que preciso ir para a vida, cumprir meus compromissos.
Ah! Debaixo de um sol que derrete a paisagem, vejo um quadro de Dali desenhar o chão do Equador.Ou, pinturas pincelas de cor e água, da pouca chuva que vez ou outra beija a paisagem, feito pintura de Galdin.  Líquidos demais, no mês de junho. Não é muito animador.
A gente luta dolorosamente com o sol, aqui nestas bandas do Norte. Isso já dá um cansaço.
Longe de ufanismos, apesar disso, a paisagem brilhante é linda também.
As tardes meio molhadas perto do rio fazem um bem danado à emoção.
Mas são três da tarde e estou sonolenta e cansada. 
De junho em diante, rego o jardim duas vezes ao dia. Ainda falta uma vez, hoje.
Vale o sacrifício. As plantas, vibrantes, me ajudam a viver.
Às vezes, viver é um baita desafio.

II  Da aspereza do Cotidiano

 A gente faz um p... esforço pra ser um bom ser humano: correr atrás dos sonhos sem passar por cima de ninguém. Correr para a vida e ser honesto dentro do trabalho e das emoções...e não revidar ao convite diário da cretinice. Um baita exercício de superação esse de tentar não revidar. 
A gente tenta não reproduzir no mundo aquilo que nos fere. Cair. Errar. Às vezes, comete uma ou outra coisa fora da linha do ser humano que construímos... e aí, tem o desafio de não tornar isso um hábito.Reiniciar e viver na melhor das tentativas, mesmo quando ainda tem um montão de coisa para aprender...

Claro, as 24 horas que são minhas, não são as mesmas para ninguém. Cada um tem seu próprio peso e catarse, no meio do caminhar por este sol e pelas sombras da época.

Mas, decerto, uma ou outra tentativa se assemelham.
E ainda tem este ardente sol...

III Breves Inconclusões.

Apesar dos calos e do calor, minha alma não parece assim tão desgastada. Ainda hoje, lembrei como foi engraçado tentar empinar pipa. Que desastre.
Mas eu era boa em bolinhas de gude.
Vai ver, daqui a milhões de brisas, daquelas que sopram e levam embora o ardor, eu recorde de mim no hoje, com o mesmo olhar indulgente com o qual me visito, menina.
É que ainda tem muita estrada.E ainda são 15h...tem muito tempo.


E eu preciso me tratar bem - porque foi difícil e bonito chegar aqui...e também porque só assim, posso ser boa para meus amores e justa para conosco - o eu e o eles, que vivem comigo, no coração.

 Por isso, água, protetor solar e coragem: Parece texto de Mary Schmich ou do Jabor, mas é apenas eu, indo pra lida. Afinal, entendo finalmente porque certas escritas são chamadas de 'ensaio': nada do que escrevo ou descrevo, é mais do que mera intenção.

O que eu sou, no cotidiano, acontece mesmo quando saio daqui, desde o tímido barulho de teclado que compete mansamente com a cigarra insistente, do jardim...e dessa luz, que é quase uma metáfora para a vida: às vezes cega, mas é bonita de olhar. 

Let´s go!

#


*Republicado de 14.06.2018.

sábado, 14 de junho de 2025

Amazonas!


 

Posso rasgar a casca da ferida
Chorar, dolorida
A má água que jorraste em mim: 
é que eu sou Amazonas, querida

Rio de muita água doce para verter
Eu danço às luas cheias, 
Me derramo, se encho até a beira
Vivo de me derreter...

Posso doar em dobro
Qualquer coisa do que me tomaste
É que sou bambu sem aste
Eu vergo para me recompor...

Eu também danço e canto e celebro a vida
Que ainda que traga o susto do 'perceber'
Ensina o caminho que nos leva a aprender
e eu sigo ''tranquila como uma manhã de domingo''

Filha dos elementos
Eu sou água, suor do vento
E também o sal que tempera o paladar
E já sei dizer adeus sem alarde

(Esse poema já não arde ao se declamar...)


#

Depois de ler pela primeira vez 'Tudo é rio'', de Carla Madeira. Quem 'bebe' da literatura, vive de 'jorrar'...como é linda a nossa mãe-poema.


quarta-feira, 11 de junho de 2025

Às margens do rio


Trago as mãos ásperas
Do sal das lágrimas
Que já verti.

Sem ti, 
saudade virou poesia
Verbo que chega e fica
já não pede mais permissão...

 Remo a canoa da vida
De um jeito manso e macio
Guiada por teu olhar
Na outra margem do rio...

Mas, ainda é agosto, e as marés rasas 
não dizem como atravessar!
A tênue fronteira da vida
Não se enternece para o amor!

(Quem sabe, no cair do próximo luar...)

Roda a estação...
Roda, rosa-louca do tempo!
... e porque  me geraste de amor
Eu te envio flores com meu pensamento! #

"Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você..."

Nada nesses 22 anos nos distanciou. Pelo contrário. Sou mais humana e, dizem por aí, que sou muito das coisas que te orgulham, como gente. Tenho as mesmas amizades, mas também sou amiga de gente nova que tu adorarias conhecer. 
Eu faço o 'dever de casa', mesmo quando é difícil, meu Pa(i)ssarinho.

Eu estou feliz por te amar como meu Pai e sigo iluminada das tuas boas lições.

MUITO OBRIGADA. 

Em qualquer canto
do teu voo
Recebe o meu amor!


segunda-feira, 9 de junho de 2025

Paralelismo Sentimental Viciante (Devaneio do Boteco da Lua)








Foi em uma das muitas madrugadas em que estou de papo com Bel. Ouvi esta versão antiga , interpretada pela Vanusa, da canção "Paralelas'', com a frase 

" E as borboletas do que fui pousam demais
Por entre as flores do asfalto em que tu vais..."

Fiquei curiosa  e quis compreender o motivo de trecho da canção ter sido modificado. Primeiro, porque o poema ganha ainda mais sentido, com o trecho retirado, que aliás, poderia ter sido perfeitamente agregado ao verso que o precedeu "Como é perversa a juventude do meu coração / Que só entende o que é cruel / e o que é paixão".


Explico. É que, "'Paralelas'', para mim, sempre evocou o inevitável sentimento de solidão de Belchior, frente aos conceitos propagados nas grandes cidades, o da 'multiplicação', 'riqueza', assim como o registro do eu lírico do poeta, em contraposição a estes conceitos, esvaziados de emoção.

Parecia-me uma declaração de Bel sobre o peso do capital e seu preço sobre as relações afetivas. Bom, acontece que,  com o ''novo'' verso em mente, tive a curiosidade de perguntar o porque 'as paralelas dos pneus na água das ruas são duas estradas nuas...' e porque a música ganhou o título 'Paralelas'.

Como sabemos, nosso poeta misturava conceitos físicos, filosóficos, astrológicos, poéticos e sim, matemáticos e geométricos para falar de emoção. Então, eis um conceito geométrico simples de 'Paralelas':

Uma Reta é uma sucessão infinita de pontos, situados todos em uma mesma direção, no entanto, essa sucessão se caracteriza por ser contínua e indefinida, portanto, uma reta não tem nem inicio nem fim; junto ao plano e ao ponto, a reta é um dos elementos geométricos fundamentais. E a paralela é um adjetivo empregado para referir-se àquilo que é semelhante, correspondente, ou que já foi desenvolvido em um mesmo tempo.
Então, as retas paralelas são aquelas retas encontradas em um mesmo plano, apresentam a mesma inclinação e não apresentam nenhum ponto em comum; isto significa que não se cruzam, nem se tocam e nem sequer cruzam suas prolongações. Um dos exemplos mais populares é o das vias de um trem. (Artigo http://queconceito.com.br/retas-paralelas)

Foi então que compreendi que Belchior falou  de solidão, do preço cobrado pelos conceitos moderníssimos das grandes capitais, mas também, de si e de um outro alguém, um sentimento pessoal, comparando-os à linhas paralelas, que embora similares, por serem retas, não se cruzavam. 

A letra fez mais sentido e a solidão do poeta,também. Mesmo a canção teve seu momento de íntima verdade do emocional do amor que mora dentro daquela canção: "Dentro do carro/ Sobre o trevo/ A cem por hora, ó meu amor/ Só tens agora os carinhos do motor.../ E no escritório em que eu trabalho / E fico rico/ Quanto mais eu multiplico/ Diminui o meu amor..."



Cada uma das retas vivenciava sua própria aceleração, diferenciadas, parecidas, paralelas. De refletir sobre isso, acabei por relacionar ao vício pós-moderno, tão explorado em Bauman, sobre o fim das comunidades e a era das 'redes': menos encontro e mais paralelas. Parece viciante e solitário...

Por outro lado, percebi que confundo paralelas com linhas encontradas. Preciso corrigir alguns poemas (e emoções), onde entendo 'paralelas' no sentido de 'cruzamento',graças ao déficit de atenção geográfico/geométrico/espacial/emocional.

Bom, como não sou matemática ou física, me perdoei e fui atrás de saber o avesso ao conceito de paralela, ou seja, quando as linhas se encontram. Descobri que é chamado de 'interseção', cujo significado é:


O conceito interseção pode ser utilizado em nosso idioma com dois sentidos diferentes. De um lado, é utilizado no campo da geometria para designar aquele ponto estabelecido em que se cruzam duas linhas. Também serve para indicar o encontro entre duas linhas, planos ou objetos.Mas sem dúvida é no trânsito onde mais se usa esse termo, mesmo assim não podemos esquecer que sua utilização é resultado direto de sua referência apresentada na geometria.
Basicamente a interseção no trânsito se refere ao cruzamento de duas ou mais ruas. Sua principal função é possibilitar o acesso de quem circula à outra via e assim chegar ao seu destino.  Artigo http://queconceito.com.br/intersecao

Bom, quer mais poesia do que isso? Tome algumas taças de vinho e leia este texto, ao som de paralelas. Se a interseção é o encontro, falta ao mundo e a cada um de nós o charme do alinhamento sentimental. Mas isso envolve o conhecimento da geografia interna  e não é fácil reconhecer nossos espaços. É a árdua tarefa que viemos fazer por aqui... e tem tanto a ver com o amor!

Bom, o meu desejo após desta longa digressão em Belchior é que, depois de caminhar comigo pela canção "Paralelas",  um pouco do paralelismo sentimental viciante - doença do coração que esta poeta aqui inventou - seja curado de dentro de seu coração. Que explores dentro de você o que é um estar em par e esteja  ávido por um amor interseção, que te leve ao  encontro! - Com o seu destino.


LUZ!!! 
LUZ!!!
LUZ!!!

*Republicado, porque o texto foi acessado e gostei muito de ter escrito isso...e porque ainda é tudo em que acredito.

segunda-feira, 2 de junho de 2025

A Gentileza é um Super Poder! (Filosofia da Velha Boba)




Gosto muito da filosofia implícita que originou cada palavra de nossa língua materna. Penso que cada uma delas quer dizer muito mais do que simplesmente é...basta consultar sua história. Por exemplo, hoje é o dia nacional da Gentileza, uma das minhas palavras preferidas.
Gentileza é palavra oriunda do latim “Gen”, que significa conjunto de pessoas que possuem origem em comum, ou “Gentilis” , aqueles que são de mesma família ou clã. Assim, ser gentil é tratar como igual como igual, ou... ‘como gente’. A palavra tem também um antônimo em latim,  ‘gentios’, que significa ‘estrangeiro’.
O conceito evoluiu dentro deste contexto de honradez, com acepção mais ampla do que a mera cortesia (atos da corte). A cortesia é ato, fração externa da atitude. Gentileza é gesto, carícia  humana, parte essencial à formação de um bom caráter.
Portanto, para mim, é gentil quem tem gestos de bondade, de respeito e de proteção ao Universo individual que é ser humano. É gentil quem preza a honestidade, quem vive de acordo com que acredita, quem ama e dá amor como deseja ser amado, é gentil quem atravessa a vida sem ferir, tratando cada pessoa como a um familiar, na mais perfeita acepção que originou a palavra Gentilis.
Tratar com cordialidade é ato de boa educação. A cortesia é ato ‘gentio’, externa e estrangeira à pessoa. Tratar com gentileza é uma conduta...é, gentileza é mesmo uma lindeza de palavra. Sei também que, em um mundo tão complicado, onde o ego(ismo) impera, o conceito acaba por encolher. É uma pena.
Mas confesso que tenho sorte, pois nesse maravilhoso Universo, sei que desperto muito desse sentimento nas pessoas que sopram sua brisa sobre a minha vida. E, por justeza de caráter, é de mim fazer o mesmo, em um tipo de reciprocidade natural e feliz...é, sou uma velha boba mesmo. E gosto. 
Aliás, isso recordou que, há um tempo atrás, li um livro intitulado "O poder da Gentileza". A titulação trouxe a reflexão de que, se nós somos os heróis e os vilões desse imenso mundo, que nos cobra o exercício do contrário para sermos justos e corretos com a vida e com o outro, ser gentil é ter UM SUPER PODER, conferido pela Bondade.

E ter bondade, já dizia o Poeta...'é ter coragem'.

Que isso se multiplique sempre em nosso caminhar.

Viva a gentileza!

LUZ!


* Fonte: www.fontedaspalavras.blogspot.com.br

Republicado de 13.11.2018