quinta-feira, 12 de julho de 2018

Colha o dia (Da Mary Rocha para a Jaci, com amor,no raiar das zero horas)




Colha o dia
Ainda que esteja nublado, frio e cinzento
(A)colha o que a vida te trouxe
Na forma em que se apresenta...

O frio nos relembra a necessidade que temos do outro
E o cinza contrasta com tudo que brilha
de forma que é possível identificar 
mais claramente o caminho...

Colha o dia
O medo, dizia o poeta, é irmão da ousadia
então (en)colha a tristeza
e lhe dê manso abrigo

Ter paciência - consigo-é um dom cultivado
 Só não esqueça
a estrada se faz mais interessante
Quanto mais amor caminha ao  seu lado...

Colha o dia
Não queira vencer de uma vez só todas as estações
A vida é feita de instantes que não se repetem
então tenha a certeza de ter vivido tudo que foi entregue

Apenas colha o dia...
e não renegue nenhum sentimento
 - ao contrário, transborde a exaustão do que te (as)sombra-
retoma tua luz... ela é leve...

Colha o dia
Mas não descure nunca de significado
Pois, cada passo dado nos aproxima do grande final
e, muito mais que letras ou imagens de vitral
seremos sempre resultado daquilo que (es)colher...

Então, que seja você
a espalhar suas pétalas no caminho
a florir sem descartar seus espinhos
E a voar sem renegar o casulo

Antes de tudo, escreve versos - naquele muro que te assombra.

Colha o dia
e então mesmo que a nostalgia
assuma a narrativa do seu espetáculo pessoal
Haverá aplausos no final


a própria existência te saudará, de pé.



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