segunda-feira, 3 de abril de 2017

Aquele casal (Crônica ou Devaneio sentimental da Velha Boba)


Lágrimas ardentes queimaram-me a visão. O coração acelerou!
Foi aquele casal, no aeroporto.
Eles não queriam  mesmo desgrudar um do outro e pareciam não poder viver sem o "toque essencial" do amor compartilhado. Eram jovens. Aliás, eu diria que muito jovens. Naquela época em que a nossa ternura ainda não foi duramente golpeada ou posta à prova.
Quase esqueci de que estava em uma fila de embarque. Fiquei ali, entre os cabelos cacheados da garota (a quem o garoto não parava de tocar) e o riso bobo compartilhado entre as lágrimas da saudade antevista. Entrei no avião com a sensação da beleza e da tragédia no amor, com o coração palpitando por me separar da imagem terna que juntos, eles formavam. Mesmo agora, confesso que lagrimei, só de recordar...

Mas, não foi o acaso. Sei que não. Digo isso porque ultimamente, eu, que sempre fui uma fonte de lágrimas, não tinha mais chorado pelas coisas ternas (e trágicas da vida) e, por observação de uma amiga, percebi que andava prática demais, sem prestar tanta atenção à delicadeza de existir. Desde então, tentei me animar com filmes. Pedi sugestões. Li uma tragédia romântica. Achei tudo quase tão previsível quanto minha presença de ausência das sentimentalidades do mundo. Nada resolvia. Nenhuma emoção arranhava minha imagem.

Dei de pensar que era "adultice" - apelidei de adultice a apatia da normalidade.E fiquei preocupada comigo mesma. Não faz parte do meu plano de felicidade esquecer o barato (já diria Caetano, a dor e a delícia) de viver.  Quero mesmo curtir a vida.Ser feliz nos detalhes sentimentais. Sou esse tipo de bicho. Aí, depois de tentar umas animações com filmes e livros, com um expresso em mãos, na fila para a entrada no aviaõ, aquele casal arrebatou minha emoção. E recordou a esse velho coração que a arte é para ser sentida através da nossa perspectiva de experiência. E que uma vida sem sentir torna tudo (até mesmo a arte, ou principalmente ela) vazia.

A arte é expressão,emoção, força viva.
Mas a vida...ah! a vida é uma viagem louca.
Sempre salva.

LUZ!

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