quinta-feira, 22 de maio de 2025

País



O meu país tem um jardim
Que rego para florescer
Poesias e canções
E algumas lições!
Que leio cada amanhecer...
Uma antiga máquina de escrever
E alguns laços de cetim
O meu país transborda em pouco espaço
Mas lá sou rei de mim...#

*Republicadinha de 03.02.2015. Porque foi acessada e recordou que meu país segue cada vez mais sob meus próprios ( e impróprios) cuidados. Rs.

terça-feira, 20 de maio de 2025

Patrimônio

 



De tanta coisa para aprender
Tantos livros para ler
Tanta gente para viver
Tanta estrada, coisa e tal...
Eu optei por me ser

- dentro das escolhas que me foram apresentadas-

Na geografia emocional 
Territórios e lagos, altas viagens!
Costuras de cotidianos vários
Texturas e ampulhetas giradas entre o não e o sim
Na confusão aleatória do Universo

- Ainda assim, escolhi a mim.

Todo mundo faz isso, não é mesmo?
E segue à esmo dentro do que é possível ser
A gente aprende tanto, e às vezes
Dá de desaprender
Para se 'rever' no meio do processo

- às vezes, a involução é um progresso-

Dentro do sim e do não que mora em nossa geografia
Entre goles de café e trocados de poesia
Ainda que tenha visto tanta gente tomar outra estrada
Vender sua sombra por espaços na 'calçada'
Escolhi o outro tanto!

Olhar estrelas cadentes, bem-viver a emoção
- Entre mortos e feridos, escolhi - e acolhi! -

Meu coração.

#








Adeus...Olá!

 

 
Não haverão auroras iguais
Mesmo as boreais-
A vida move, a gente move
- E o tempo é uma criança que brinca e dorme

Acorda novinho em folha, a cada manhã...
 
Por isso, cuido daquilo que quero que permaneça
As rosas de meu pequeno mundo são tão únicas!
E compreendo mais a dor do pequenino princepezinho
Que sentia fundo cada passo do caminho...
 
Tal qual o doce visitante
Também exploro planetas e sóis
E depois viajo de volta a mim
Mesmo sabendo que nem isso é igual
 
-  Há sempre um agricodoce entre o açúcar e o sal-
 
E 2024 vai embora e leva junto
Alguns abraços que não mais terei...
E 2025 nasce e traz consigo
Coisas que eu tanto sonhei!
 
Seguro um pouco o ar só para prender o instante
- Mas que bobagem!
Tal como eu, o vento e o dia
Estamos todos em uma viagem...
 
E nessa estranha efêmera paisagem
Giro nessa roda louca e, no compasso,
Penso que te vi dançar
Talvez a gente se reveja no ano que se adianta
 
Quiçá, a gente possa se encontrar...
 
#

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Ciranda





Jogo mais uma de amor ao céu
Quem sabe alguma hora seja eu.
Não é tão difícil 
- se a gente brincar de ser Deus!

Mas,

Na carne do dia a dia,
Na letargia do cotidiano
Nem sempre é fácil dar as mãos
 - E a canção ecoa 

"Olhe em volta/ olhe em volta
Grato por não recusar'' -

Mas não recusar o quê?
Na lei da oferta e da procura
Com a cruel mistura da globalização - afetos liquidificados!-
Tudo é tão grande, meu irmão: 

é preciso ter cuidado...

De outro lado,
Ainda assim...ser doce e acreditar
Porque somos humanos e não máquinas
Construções feitas por I.A

O coração, que é tão de carne
Carece de calor
- E por que não ser mais direta?
E dizer:  todo mundo precisa de amor!

Jogo mais uma de amor ao céu
Quem sabe alguma hora seja eu.
Não é tão difícil 
- se a gente brincar de ser Deus!




#


Direto dos rascunhos do 'aluanaodorme' :)

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Identidade



 Complexa e incompleta:
Vivo dos pedaços mal contados de quem fui
Quando ainda não era 'eu'
E na procura do que é meu, caminho.

Tropeço em retalhos
O passado não é uma arte da sessão da tarde
Mas, ainda assim me contaram a estorinha da carochinha
de como Cabral descobriu o Brasil...

A pele branca que esconde a latência de ser filha do sol do equador
O tempo complexo: outrora dominante, noutras dominador*
Ainda choro pelo que ainda não sou
- Descubro-me em camadas, na fala e nos silêncios irmãos...

Somos desiguais e iguais, em uma estranha simbiologia!
Corpos e mentes tão diversos, na procura das semelhanças -dispersos
Vivo a dor de querer curar feridas que não causei
Mas sei que usar privilégios para revolucionar é um jeito de transgredir

- A primeira vez que  ouvi Emicida dizer: REVIDE -  me arrepiei
Pois existe um caminho a seguir!

Afinal, já disse Bel 
'Eu sou pessoa/essa é minha canoa' - Ainda que doa
Então, o lance é  questionar, Buscar, procurar...Curar!
E Anitelli lança a 'braba':  'nossa sina é se ensinar'!
- Pego minha pequena canoa e navego...

É, ainda não estou completa, mas não estou perdida
Pelo contrário, cada vez mais acolhida
Procurei minha tribo e encontrei pedaços em cada esquina
E, enquanto não mudamos a realidade
Construímos pontes 

Pelo poder da prosa-arte-poesia!

#




#

*Esse poema surgiu de um poema. De um diálogo com  'Intersecções', da Lara Utzig, publicado no livro 'Disforia de Gênesis' (LEIA, LEIAAAA, LEIAAA, faça essa gentileza ao seu espírito) - que foi debatido hoje em minha sala de aula da disciplina de Direitos Humanos, sob o contexto de 'Vulneráveis e Minorias' desse nosso imenso país.

E se adensou dentro de mim até transbordar porque ainda ontem a dicotomia dominante/dominador surgiu de um amplo debate do livro 'Hibisco Roxo', da Chimamanda Idichie, no clube do livro 'Café com Letras', livro que me deu febre emocional, por suas intensa dor nas complexas camadas, texturas e CORES ... LEIA, LEIA, LEIA.

P.s:O primeiro clipe já me fez chorar mil vezes, em épocas diferentes e por motivos diferentes. Mas a hora da plaquinha 'advogado' hoje me faz derreter em mil partes, por uma daquelas vivências tão particulares da academia.  O Segundo clipe me deu saudades de como poderíamos ter sido diferentes no processo civilizatório se tivéssemos percebido  que 'tudo que nós tem é nós' e confesso que também curou algumas dores em mim. Que ele te alcance.

REVIDE.



quinta-feira, 8 de maio de 2025

Natural




 Eu quero esquecer como se faz poesia
Desenhar todas as letras novas
Quando te conhecer meu bem, 
Que seja o big bang em nós.

Não como quem brinca de matéria morta
Mas como faz de coisa secular vida nova
Que abrolha e desenvolve nos detalhes seculares
Que constroem milagres...

Eu quero esquecer como se dança
Para reaprender a dançar no movimento de nós dois
Não como quem não sabe andar só
Mas como quem se sente melhor...crescendo na essência...

Quero desaprender expressões
Curtir silêncios e emoções
Feitas de - vagar...
Pois a vida é feita no instante natural

Como o rio corre pro mar...

#

Uns poemas bobos que andavam perdidos dentro de mim, na  seção 'rascunhos'.


terça-feira, 6 de maio de 2025

Modernidade Mórbida

 



Faces enumeradas – sem expressão
Vida que segue morna – Dissolução!
Sem solução, caminham os desvalidos
Sequiosos por circo e pão
Bestas-feras vigiados e entorpecidos:
Controlar e punir: Socialização!
Sob as luzes de ribalta a crueza mórbida
Encapa sonhos com ilusão
Capitalizando, uniformizando
Marcas e programas: formas de opressão!
E o sistema nos faz ‘livres’ - para escolher do que morrer
Cigarros,vícios,tédio:  Tudo à prateleira
Peça ao sommelier!

 #





“A tirania deixa o corpo livre e vai direto à alma” – Tocqueville.




*Publicado direto de 14.11.2014 para o agora, porque foi acessado e porque representa muito do que estamos vivenciando, no agora, quando estamos des/'confortavelmente entorpecidos' pelo absurdo das muitas formas de violência que nos alcançam de forma tão dolorosa e latente, ainda recentemente, neste nosso Amapá.