sexta-feira, 3 de julho de 2026

Não sou gente fofa (Republicado e acrescido)




Não sou gente fofa.

Leio jornal, critico o senso comum, detesto pessoas reunidas para vivenciar conveniências e amenidades.  Gosto de gente, alma, carne. De quem realmente entrega enquanto pede a mão.
E isso não é 'charme'.  É uma realidade, nua e crua.

Tento a coisa da vida legalzinha, é claro: a vida real pede. Não me coloco dentro de uma 'bolha', OU SEJA, eu 'socializo'. Só não faço disso meu mecanismo de interação humana real. Publico coisas bacanas, amores e desamores, meus, teus, da vida que se achega até mim. Ouço muitas histórias, guardo segredos bons, que é para contar por aqui mais do apenas de mim.

Sim, falo de flores, nobreza de alma e gentilezas, chuva, céu e Deus, porque realmente acredito nisso. Mas não sou gente fofa.Gente fofa concorda, é apropriada: eu, distraída demais. Gente fofa conversa com todo mundo, fala amenidades: eu, bom português ou  palavrão (e só se eu gostar muito de você), porque a língua é quem é materna, eu não.

Sou antipática com '' gente-sobrenome'', detesto quem diz 'Fulano, filho do ciclano' ou a profissão da pessoa. Como se aquilo lhe desse qualquer superioridade. Acho isso de uma frivolidade. Detesto modinhas, sabe? aquele negócio de manada. Me vejo em uma ou outra de vez em quando, apesar disso.

Respeito é gente inteligente e conheço muita gente rica linear e gente porreta demais para guardar qualquer centavo. Tenho as mesmas velhas amizades, de quando a gente só se chamada de 'coisinha'. E, nossa. Como elas me fazem feliz. Quem chegou de lá para cá, só me faz mais feliz ainda.

Trago  poesias debaixo dos olhos e o mesmo hábito de fugir para dentro de mim, através da escrita. Ou da leitura. É, eu me salvo assim: formo um casulo e saro as asas. Depois eu voo melhor. Não sou, não sou fofa. Já não queimo tanto, nem desacerto tudo,  mas defendo meu ponto de vista e pago o preço pelo que acredito. 

Não sou ''gente-fã'': se eu admiro, falo pessoalmente, mas corrijo (se necessário) e exercito aprender a ser corrigida com humildade.  Nunca defendi uma 'ideologia' pronta e acabada, de religião à movimento social, tudo em mim tem de ser particularizado. 

Não me cabe ferir propositadamente o Universo de ninguém. Mas não pise no meu calo...

Gosto de arte, leio poemas, cultivo um jardim, choro em dramas, e confesso: detesto aquele filme que todos gostam e olha,tá bom , acho o "Titanic" um horror, um enorme drama, nem de longe, nem um tiquinho, um romance. Vejo filmes docinhos, coisas fofinhas, mas passo a madrugada a ler sobre o Universo, as fórmulas matemáticas que nos permitem existir e vivenciar o mistério da vida, do amor e do poema...

Eu adoro sinceridade. Já queimei na fogueira de minhas próprias buscas. E sei que é este o contexto de vida aonde quero estar...sempre. Acho que uma inverdade  ou meia-verdade, ainda é meia-mentira, 'ementa' de vida...fica lá, suspensa, à espera de ser iluminada.  E a vida ilumina mentiras, acredite.

O meu amigo Deus ri  comigo das dúvidas, face à grandeza do infinito e a pequenez de nós e todas as nossas explicações para tudo. Ele sabe que preciso questionar, para encontrar-me plena, com sinceridade, face a face. E eu duvido mesmo. Principalmente de gente fofa!  Isso, eu nunca quero ser. Mas também não sou gente escrota (essas, a gente reconhece pelo cheiro).

Até porque, ''fofa'' ...argh! - Amarguei só de pensar. 


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*Republicado e acrescido. 

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