Bora botecanear? :)

Dia atrás, brincando, perguntei de uma pessoa quantas vozes tinha na cabeça. Ela me respondeu duas....e me zoou que eu não seria inventada, nem por IA - dadas as minhas peculiaridades. Fiquei pensativa: Eu seria então...
GENTE DEMAIS?
Explico. É, sou várias JACI´s. Algumas, já conheço de longa data. A Lua é das artes, poeta, escritora, que vem se desdobrando em camadas e camadas...a lua perde o sono e escreve sobre a vida, sente a cidade, lê pichações, ouve conversas de rabo de ouvido para saber das pessoas (fofoca), vê beleza na paisagem da cidade, passeia com a vida...hoje, a lua dorme um pouco, no meu umbigo, para que a Jaci adulta, advogada, escritora, professora, possa existir.
Tenho a que sou com cada uma das pessoas que quero estar (a gente escolhe quem pode colher de nós o nosso Eu, não é?). E nestas, sou sempre singular. Tenho a leitora ávida, a colecionadora de vinis, a apaixonada por perfumes e decoração, tenho a modista, a normalista, a clichézona que é cheia de fofurices, tenho a menina cheia de vestidinhos de boneca e pinturas e laços, a velhinha que organiza louças e bordados, tenho a dançarina de fitdance, a cozinheira aprendiz, tenho a acadêmica (de várias formas de academia)...e tenho a ARIANA - uma tal 'DIABA VERMELHA' ou "DIABA RUIVA' (hahahahahhaha). Aparece bem menos, hoje em dia (Maas ...)
E tenho muito, muito mais...
Então, vou perguntar de ti, que me lê: Tu se sentes um único 'eu'?
Não estou falando do transtorno de personalidade fragmentada claro (se for seu caso, receba meu abraço e sinceros ensejos de um justo e digno tratamento). Mas, para além...independente da ideia de personalidade integrada (ou não), nunca somos 'lineares' em todos os espaços: as interações importam, as emoções ...mais ainda. Os lugares e pessoas...ditas conexões ou interjeições.
Quem sou eu, quando não me sou? Pois Fernando Pessoa sabia a importância dos heterônimos para continuar sendo e, por absoluta sinceridade alertou: O poeta é um fingidor.
MAS AFINAL, NÃO SERÍAMOS TODOS FINGI-DORES?
Martha Medeiros, se chama da EQUIPE. Adorei! ela diz que quando todas as suas personalidades se encontram, é reunião de equipe. Rosa Montero flerta com a loucura ao admitir sua pluralidade e diz mais: todo artista é doido. Rimbaud diz que 'eu é um outro'.
E isso recordou que, no aluanaodorme tem vida própria...escreve sobre livros, filmes, poemas, histórias da literatura e da vida real que se achegam a mim. Sobre gente que se viu e se amou debaixo dos meus olhos, em algum livro ou filme. E sobre teorias e outras coisas da vida real. Muito bonitas, válidas e sempre minhas, ainda que nem tudo tenha sido vivenciado por...mim. Este 'eu' aqui, do cotidiano.
Mas... tudo aqui é REAL. Seja por mim, seja por quem viveu cada uma dessas coisas. Realmente visto a pele de tudo que sou - e isso inclui admitir que, mesmo quando não é sobre mim, é sentido sim...MUITO.
Afinal, tem gente p´ra caramba aqui dentro, é fato.
Mas eu sou autêntica, nessa porra.
Como nosso equador, feito da mais-molhada-chuva e do mais-intenso-sol.
Um ser que caminha pegando fogo de vida por dentro, com asas de Ícar
Uma desgrama de lua que não dorme. Uma feira maluca.
Eu posso encantar meu interlocutor - falo isso com sinceridade. Posso ser a conversa preferida de várias pessoas (e digo sem me gabar). Mas também posso cansar ou confundir um interlocutor mais linear...afinal, 'quem faz sentido é soldado'. Sine cera, apesar de várias.
Aliás, já tentei ser linear: A tal da voz do anjo e do diabinho. Que diacho de vida chata. Desisti. Melhor ser vários sinceros EUS, do que camuflar tudo em uma identidade única - porque o conceito de identidade não tem a ver com unicidade, mesmo ( e eu estudo isso academicamente). Tem a ver com RECONHECER e PERTENCER na pluralidade de SER.
Não confundir pluralidade de GOSTARES com quebra de VALORES. Aliás, para ter noção do valor, é preciso conhecer o preço. Ser próprio.
Muito própria e nada apropriada.
Aliás, cuidado em ser muito apropriadX, viu? Não vire gente chatX. A
Achatada de normalidade.
Replicável por IA.
Eu não conheço todo mundo que mora em mim. Mas me pertenço. E acolho as novas pessoas que chegam, porque eu sou lua crescente...(já diria o Fernando Canto). Aliás, crescer é acrescer. E dito isso, lembro que falsidade quer dizer...' falsear'. E, neste espaço, você não vai encontrar disso.
É o que quero registrar. É o que quero passar. Viver é muito plural. Ser gente real é ser TANTO. Ou tantã. Não somos de UNICIDADE - nem eu e nem tu, que me lês. Somos vários mesmo...
Bora ser, de verdade, afinal... quem precisa ser replicável por IA?
Meu compromisso comigo e contigo, que me lê? Não perder a coragem de existir, sentir... e partilhar. Ter um espaço que ARDE emoções de muitas GENTES é permitir que, quando tu chegues aqui, tenhas algo real (e não metrificado ou estético). É...nem tudo é sobre mim, neste pequeno espaço. Mas que bom que ainda tem 'euS' ...cheias de detalhes, manias, cores e poesia...dentro do aluanaodorme ❤️.
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P.s: Levei a indagação para gente do meu convívio íntimo. Sabe que percebi? que ninguém se mede por tamanho ou quantidade. A verdadeira companhia acolhe o tanto.
LUZ!