quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Te apressa, Felicidade



 Te apressa, Felicidade:
Que o meu apreço em respirar é o sorriso cálido
A poesia mansa
A chuva quente de Dezembro que lava o ano

Leva o passado e deixa a estrada limpa para o que virá...

Te apressa em voltar a bater, coração:
Não há espaço para diacronia
Naufragar, às vezes, pode acontecer
Reconstrói a nau: 

faz valer.

Não deixa a vida te dizer coisa diversa:
Dispersa a névoa densa, deixa ir
Entrar a luz do sol e as coisas boas
Recebe o afeto que te dá o universo

Pois amor em movimento é sempre Deus...





#

Tenho AMADO ouvir João Gomes.... ele têm me feito apaixonar, namorar,casar e descasar...tudo na poesia. rs.
:)

Qualquer coisa a mais


A saliva do teu beijo secou
A marca da tua boca sumiu
Ficou eu aqui,
Com uma saudade silenciosa de ti.
 
Incômodo... não dizer e sentir
Mais ainda, sentir e não dizer!
Vontade de dizer: vem cá
Vontade ainda maior de te esquecer
 
Bastava um toque
Na minha mão, de coração derretido
Bastava ter dito
Qualquer coisa a mais...
 
Não foi banal, mas foi mal, sem querer, pessoa
Foi um engano – coração bateu mais forte
Confundiu calor com emoção
Que estranho querer:
 
Vontade de dizer: Vem cá
Vontade ainda maior de te esquecer.
Quem sabe, um tanto faz...
(  Bastava ter dito...Qualquer coisa a mais)

#


P.s: Escrevi especificamente para a canção.
 Como diz Fernando Pessoa '' O poeta é um fingidor''.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Poema da Purificação (Do Bruxo)



Depois de tantos combates
o anjo bom matou o anjo mau
e jogou seu corpo no rio.

As águas ficaram tintas
de um sangue que não descorava
e os peixes todos morreram

Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo,
e outro anjo pensou a ferida
do anjo batalhador.

(Carlos Drummond de Andrade)


 

Água Má (II)



 Eu não sei dizer dor no poema:

Risco a linha
Traço o sol
A maresia

Ensaio com o horizonte-firmamento:
Tristeza, vá embora
Que eu vim ser feliz....

Ensaio passos
Danço, mesmo sem querer
Beijo o infinito 
E espero o sopro do Amazonas curar 

Pois a  vida... é de acontecer 

Ah...Meu coração !
De onde vens, decepção?
Até o sangue que me corre a veia dói...
- Por todo tempo que acreditei em coisas sãs - Vãs!

- De onde vens, já podes ir:
Decepção

#

*Na imagem, Ofélia, de Sir John Millais.

Água Má

 


Sai de mim, lívido Amazonas! 
Não faz morada assim
No meu coração de sol tropical
Não enche meu pulmão de sal - Oceano

Leva o ledo engano
Esvai...

Que te dói em mim,
Lívido Amazonas?
Rasga o tecido da ilusão! 
Torna em nada o sangue que alimentou minha veia

No revés do milagre:
 distração ...

...de onde vens, já podes ir:
decepção

#

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Umas e outras lições de amor em Belchior (Republicado)




Ela não quer que ele aprenda a ser cool
Nem que tire o velho blusão do corpo
Quer tomar um gole do seu copo
Marcar sua boca de batom
 Com um beijo louco.

Ela não quer que ele aprenda inglês
Nem que seja um exímio dançarino
Quer apenas um tango argentino
Correr junto para um mesmo destino…

Ela quer filosofar pequenas teorias
Mas sentir o toque real da borboleta
Quer chorar as dores do mundo
E sorrir de pequenas delicadezas

Ela não quer nem isto e nem aquilo!
Que toda menina sonha
Ao brincar de boneca
Quer ver as luzes da cidade!
Correr perigo com a pessoa (in)certa.



#

Sobre coisas que ela aprendeu por amar Belchior... 
E foi deste coração selvagem que o Poeta, ouvindo músicas que ama, deitado em seu sofá, natural e livre, voou, segundo sua mulher companheira (pelo que agradeço à vida a metáfora poética, pois, já disse Drummond, 'o amor bate na aorta').

Reli e apaixonei-me novamente: https://coisasnovaspradizer.wordpress.com/2012/09/19/o-que-e-belchior/. <3

Conversas com o Poeta (Para Belchior)




Vira , revira:

 A gente tem de levar tanta vida dentro de nós!
Para compôr quem somos
Entre espelhos e alma exposta
o amor  encaixa,desencaixa,  apavora!

Pede nossa pele, coração e sentido
Dança em diacronia, é gemido e alma contente
e ainda tem um segredo: é ousadia
de valentes...

Ouvir estrelas, 
mudar as coisas:

E que será mais que a gente veio fazer aqui?
Descobrir as muitas maravilhosas formas de ser gente!
Pois somos feito estrela cadente -  coisa incandescente!
Que todos os dias cai...

E recobra luz de ser bicho humano
Arte, conceito estético e poético
Que todos a cada instante se renova
Multiversificadas linhas emaranhadas

Por fios de destino,sina ou coisas encantadas...

Mas, não: isso não é sobre teorias do oriente,
projeções ilusórias ou horóscopo do dia
O tempo é cosmicamente real: o carbono se refaz !
E se projeta em nós, entre surpresas e alegrias...

"Por isso, cuidado, meu bem'':
Entre esquinas, 'galos,noites e quintais', há tanto perigo!
E um beijo marcado - entre pele e batom- 
Dentro da parede da memória - faz abrigo.


A vida não é lamento:
 é escolha do espaço, corpo e tempo
é nunca esquecer a verdade presente:
"A felicidade é uma arma quente"

- E o amor, força pungente -
Que mantém o poema de pé.

#



LUZ!







Nude



 Sou do dia,

De chuva fina que deixa o dia cinza,
Da rede que embala sonhos no jardim
De coisas cálidas, nada pálidas
Emoções sem fim...

Sou das madrugadas,
Do vinho na taça e Bethânia rolando sob a brisa do Amazonas
Sou molhada de chuva, quente, bicho equatorial
Faço da minha loucura plácida o meu carnaval...

Sou estável e de repentes
De regar as flores e plantar sementes
De sair, quando a hora chega, sem olhar pra trás
Sou de palavra que não torce, de curvas, de silêncios  

(e busquei coisas de paz...)

Leva tempo dar conta de tudo que sou
Confesso, Moço:  
tem muita brisa de amazonas, 
tardes quentes sob as pontes de igarapés...

Tem verso de Belchior e inconformidade de Raul
Gritos de Elis e verbos de Caetano
Uma MPB maluquecida de rock and roll 
Que dança ao som de um blues...

Não tô procurando nada (Será?)
Mas só venha se for pra dar tudo
Eu não entretenho em 'meios-calores'
Nem em elos de versos mudos... 

Por aqui, a feira é maluca
Tem sabor, tempero e cor
De tudo um pouco trago nessa caravela emocional
Um regatão amazônico cheio de tempero, sabor, açúcar e sal...

#


De um papo muito legal sobre identidade, mistura e sonhos. :)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Descobrir

Moço,

Eu não preciso que corras atrás de mim
Em um aeroporto
Nem que sejas meu porto:
Eu me navego bem, voo feliz
E, por um triz, quase não pouso.

Mas eu quero as bobices da partilha
Conhecer a trilha
Que te embala, nas tardes quentes e madrugadas
Sem tudo ou nada: 
Calma...

Eu não preciso de tempo para que a turma do outro bairro
Veja e saiba se te amo
Constrói comigo a nau e navega
Vamos brincar com aventura chamada emoção
E só se for bom para dois,

Segura na minha mão...

Eu já me bagunço toda só de te deixar entrar
Já gosto da tua pele
Me derreto no sorriso
E já brinco de poesia
Porque estás aqui...

(E até penso em te deixar ficar e  a gente se descobrir...)


#

Brinquei com 'Caju', da Liniker e com "Coração Selvagem'', do Bel e 'Você me bagunça'', do Teatro Mágico.

E poetizei!







Pausas




Entre vírgulas
A pausa pede espaço para ser: 
Existir é perceber que o meio-do-caminho
Também é um bom lugar para se estar.

E quem está completo de verdade
Ainda existe, coração?
Ou viver é repousar nas coisas que já são
E trabalhar pelo que se ainda quer vivenciar?

Curtir o tempo do preparo, pois o jardim não nasce
Se não começar pelo plantio...

Preamar precisa da estofa
A tábua da maré regula mesmo é pela lua -  e a lua, pelo sol
Tudo é farol: Somos interligados
Na caminhada, fazemos parte:  Somos a própria estrada

O universo fala...

Então, repara: Repousa.
Dá-te tempo para apreciar bobices
Percebe a sorte das inúmeras possibilidades
Existir com tanta liberdade é uma bênção.

Todo mundo nasce assim: Nu e cheio de variáveis
Que podem comungar 
Para algo qualquer chamado FELICIDADE
A depender das escolhas e progressos

E o processo, bem me ensinou um anjo loiro,
É perguntar: ''O que vamos amar hoje?''
E, entre pausas, caminhar.
E entre caminhadas, comungar

Com a bondade infinita d´Ele, 

DEUS!

#


Emprestei do meu anjo loiro a expressão:  'D´Ele, DEUS!", de um dos poemas que mais amei ler este ano (que é dela, claro)


terça-feira, 2 de dezembro de 2025

A alma e Bernardo Soares...


“Uma das minhas preocupações constantes é o compreender como é que outra gente existe, como é que há almas que não sejam a minha, consciências estranhas à minha consciência que, por ser consciência, me parece ser a única.
(...)
Ninguém, suponho, admite verdadeiramente a existência real de outra pessoa (...)
O que parece haver de desprezo entre homem e homem, de indiferente que permite que se mate gente sem que sinta que se mata, como entre os assassinos, ou sem que pense que se está matando, como entre os soldados, é que ninguém presta a devida atenção ao facto, parece que abstruso, de que os outros são alma também”.


(Bernardo Soares,in "Livro do Desassossego",  p. 303)

*Republicado de 21.01.2015, pois foi acessado e é preciso recordar sempre...

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Pequenos aprendizados inconclusivos sobre a vida




 Passo dado é coisa séria:
O avanço pode ser o retrocesso ou...o avesso
O tempo do relógio é disperso:
Consulta o coração e vai.

Boas ações são melhores que boas petições
Versos bonitos são vivenciáveis:
Por isso, dê de viver entre os que te alimentam boa emoção
Pois a existência é rara...

Não aceitar quem te puxa feito pedra
Para os teus abismos
Aceitar que as coisas, como as pessoas,
São o que são

Aprender que confiar pela segunda vez é esperança
Optar por 'nunca mais'... é proteção.

Entender que todos são afetos ao egoísmo:
Humanos demais que somos para sermos perfeitos!
Proteger-se de rituais onde sua carne é o sacrifício
Fazer dos dias bons um -sagrado- ofício

Perdoar, arejar o peito, manter distância!
Da pesada faca que atingiu sua emoção
Ser racional, quando for de razão
Mas entregar-se às coisas boas...

Permanecer doce, 
Mesmo quando o inexorável te alcançar
Aprender com o Amazonas o ciclo perfeito:
Encher, recuar, tornar...

Seguir, poesia
Inconclusiva e emocional
Amar todas as teorias
E honrar a vida real.

#



Dias bons.


LUZ!


terça-feira, 18 de novembro de 2025

Maktub

                                     


Escrevo um poema a cada sentimento,
Num eterno sente e psicografa a vida
Como quem corre atrás de vaga-lumes
Nas estradas escuras ou noites coloridas...

Penso em cada linha, passos, afetos!
Agrego verdades e perdoo mentiras
Desisti dos passos sempre entrelaçados e certos
-Faço em pontilhados minhas próprias linhas.

Caminho, Sina:
Destino, arbítrio: 
embaralhadas teorias!
Enquanto escrevo, papéis de carta enfeitam a cor dos dias...

Faço perguntas tolas para o céu:
Não sei se sou quem deveria ou escolhi me ser
No meio aleatório de coincidências e possibilidades
creio num pai bondoso que decide nos dar o dom do movimento

De fazer acontecer.

Como um jogo de xadrez:
 a gente analisa as perdas e ganhos de cada movimento
Mas, por um segundo desatento, podem se perder grandes chances
É então que  Ele,  grande força  amável e tolerante

acerta o tempo e reescreve o instante.

É, o tempo é sempre bondoso, mesmo quando não deveria
E nos diz entre o certo e o errado
Verdades que nenhum de nós, antes do exato momento 
Acreditaria.

Então, 
"Estava escrito", ou... "tinha que acontecer"
Mas a estrada é sempre nossa
E nosso é o dom de fazer valer.

#


" Maktub,Particípio passado do verbo Kitab.É a expressão característica do fatalismo muçulmano.Maktub significa: "estava escrito"; ou melhor, "tinha que acontecer".Essa expressiva palavra dita nos momentos de dor ou angústia,Não é um brado de revolta contra o destino,Mas sim, a reafirmação do espírito plenamente resignado diante dos desígnios da vida " (Oriente, na canção "Vida longa, mundo pequeno")



Bons caminhos, para quem é de bons caminhos.
Afinal, a vida é o que fazemos valer com nossos passos.

*Republicado, pois foi acessado e me reencontrei na escrita.

LUZ!

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Filha da Poesia




Eu sou filha da poesia, seu moço
Bebi sopa de letrinhas
E entre versos e canções
Foi quem embalou meu coração e passo

- E minha trajetória eu faço
Molhada de sua saliva -

Ela me coloca no colo quando estou triste
Me deu verdadeiros irmãos
Ela salva minha língua de ser riste
E, entre um abraço e uma rima

Tece em mim com sua linha
Sua própria oração...

Eu sou filha da poesia, seu moço
Fiz meu jardim tecendo passarinho
E o meu caminho é cotidianamente enfeitado
De seu tempo limpo e açucarado...

- E do tempo nublado
Faço pintura no espaço...e danço! -

Também sou irmã da palavra, 
Amo sua lavra, 
Respeito demais o que é de ser dito!
Pois sei da força que tem...

E nessa sina, caminho
Sabendo da sorte de ser.

#

LUZ!

Bom dia! <3

Mistério


Por que força cósmica
Magia ou mero acaso
estamos de fato
com os pés fincados no agora?

- Fato:
Que não é igual p´ra ninguém...

Por exemplo
Neste exato limiar do momento
meu coração, derramado no jardim
recarrega suas lições, seus saberes...seu tempo.

A experiência cósmica do vento
balança as asas da borboleta
Regida pelo destino ou por nada.
Ah! existir é qualquer coisa

entre o instante e a estrada.

#

 E que seja, ainda que diferente, especial  e justo para  cada um.

LUZ!

*Publicada originalmente em 14.02.2018

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Trajetória

                                   

Boas saudades de colo de menina
Casinha na árvore, primeiras Cecílias, Clarices
Universo fantástico da poesia!
E aqueles  doces olhos cinzas...

Primeiro dia na escola, primeiro gibi
A primeira espera ao fim de um dia!
A doce alegria de voltar, triunfante, para casa
As coisas que cabiam em meu pequeno par de asas...

O Sol amarelinho e o céu da amarelinha:
Elástico sagrado da meninada em plena avenida Santana!
O céu estrelado e a janela aberta
Os 'comedeiros da noite' e aminha incrível infância...

Os olhos do meu tio, depois da partida da baralho
Afetos inteiros em meio à realidades entrecortadas
Andar de bicicleta, levando na garupa uma flor
Quem viajou comigo no tempo, pelo poder do amor.

Depois,  aprender a chorar como gente grande:
A primeira dor de amor e o  sentimento bruto de que nunca vai passar
O medo do futuro que, porque a vida é sábia,
Sempre virá...

Caminhar, existir para si!
Descobrir que todo mundo é herói e vilão de seu próprio universo
E que a fragilidade de existir, às vezes, machuca sem querer
Aprender que pedir perdão e perdoar faz parte de ainda saber voar

Depois de crescer...

Permanecer doce! Mesmo quando a vida é desleal
Honrar aquela carta da Alcinea à estrela azul,
Que, por ter palavras tão certas,
Parafraseei e enviei a papai em um dia comum...

Ser generosa, pois os tempos são duros 
E cada um de nós traz as marcas da sobrevivência
Por isso, edificar realidades bonitas
Valorizar experiências como parte de um plano supremo

de bondade e alegria...

Soltar os nós apertados
liberar o último fio que me prendeu
Limpar as asas e alma plena
Para o bonito voo que Deus me deu!

Perguntar todo dia, feito o  conselho de Maria Ester: 
'O que vamos amar hoje?'
E nisso, derramar meu coração!
Sentir mais maduro meu verso

E a estrada que trago e faço
Pela palma da mão...

#




quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Dia de honrar e edificar!

 


Hoje, 29.10, no dia do livro, assumo com grande felicidade a cadeira de imortal da Academia de Letras Barão do Rio Branco, associação cultural sem fins lucrativos que conta com tantos lindos corações entusiasmados e cheios de arte e afeto. 

CULTURA é isso.  Tenho por patrona a Professora Aracy Miranda de Mont'Alverne, professora, poeta, teatróloga, servidora pública e grande personalidade na edificação do nosso Amapá.

Pendurei poesias da Professora Aracy nas árvores, declarei sua arte nas praças da cidade, embalada pela Alcinea Cavalcante, minha estrela azul, através do Movimento Poesia na Boca da Noite, do qual sou fruto doce.

O dia também é de lembrar, de dar cor à memória do afeto, com amor. Hoje, um ser equatorial que muito incentivou minha escrita e poesia, o grande Fernando Canto, faz um ano de que fez o caminho das borboletas amarelas sob a JK, até ganhar o céu dos poetas, que é certamente o céu do Equador. Fernando me deu o maior título que eu poderia ganhar: a de ser uma de suas leituras assíduas, entusiasmadas e frequentes. Tenho a sorte de ter aprendido demais, de ter seus livros, opiniões sensatas e cultas, pacificadora e edificadora.

Tudo se mistura. Seguir fazendo arte, ser parte, partilhar. Essa é a essência de amar algo: edificar. 

Fazer desta  - a escrita -  a própria linha que entremeia jornadas e tornar tudo melhor e mais belo é o melhor jeito de celebrar: o amor, os amigos,  e o simbolismo do dia. 

❤️

P.s: Amanhã escrevo um pouco mais a este leitorado sobre as Academias e o que representam - tecnicamente. Hoje esse texto é emotivo mesmo, cheio de simbolismo para esta que vos fala.


Deus, obrigada. ❤️


LUZ!

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Dos enternecimentos

 



Tenho facilidade em ser feliz!
Se vejo um bem-te-vi ou beija-flor
Logo, dou de conversar com a vida
Um arco-íris, a cor de uma andorinha
ah! peito enternecido, doido, movido
a detalhes sentimentais...

Mas, se  me vem tristeza, fácil de chegar
Em coração tocado de sentir, sou lágrima 
Como se o coração, magoado, jogasse o sal para fora
e a linha do horizonte redesenhasse a aurora
para que a  luz pudesse novamente entrar...

Confesso: Tudo me distrai, não sou atenta
Preciso de espaços, pois quero muito e tanto
 não aprecio trocados de emoção, mas todo encanto
E sempre peço primeiro a sobremesa
Pois é do instante minha prece e fé...

Pouco talento para autopreservação,
Nasci  abissal , pateta, dispersa, 
Como se num descuido, riso, laço, de antemão
esquecesse o passo e me projetasse inteira
nuvem que despeja seu licor sob o Amazonas...

Confesso, não  queria ser diferente.

Gosto da ternura, do sangue, da liquidez 
A pluralidade do  amor sem talvez
Delinquentemente, emoção a cada segundo
e pouco a pouco,  descubro o além-mais
Vivo, eterno vagar-mundo: 

Luz e abstração...

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quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Meu sim! (Maria Ester)

                                               

Gosto dessas coisas
Sem nome
Nome complica as coisas simples
Gosto quando a chuva
Toma conta da gente
Assim totalmente sem explicação
Os banhos de chuva
Têm sabor de infância
Cheiro da terra e dos sonhos de amor
Amo e dou vexame
Não tenho medo da chuva
E nem do sol
Não quero teus dilemas
Mas faço arruaças
Por teu coração
Meu céu. Meu sol. Meu sal.

Meu sim! 

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Além de extensa formação acadêmica, Maria Ester Pena Carvalho -  é Defensora da bandeira contra corrupção e defesa do patrimônio público, histórico, artístico, cultural material e imaterial do estado do Amapá. Servidora Pública Estadual; Conselheira Nacional de Políticas Culturais – Arquivos (CNPC 2015-2017); Presidente da AARPAP (Associação dos Amigos do Arquivo Público do Estado do Amapá), associação que tem por princípio resgatar, contar, mostrar, divulgar, ou seja, tornar conhecida a história, identidade, tradição e memória do estado do Amapá. É autora do projeto 'Conheça a Literatura Tucuju', do qual faço parte, entre muitos outros, pois é arte viva entre grupos literários e culturais.

Para além dessa admirável pessoa no meio da sociedade, Ester é uma admirável pessoa. Isso faz toda a diferença, pois aqui literatura e vida vivem em par com o Universo. Sua poesia leve é cheia dessa verdade, com que permeia sua existência.