segunda-feira, 20 de julho de 2026

Tu sabes! (Republicado)

                                                 


Tu sabes que amas quando nada do que o outro te diga te assusta tanto. Quando recebes segredos e  guardas: gostos, vontades...versos e avessos, naturais. Tu sabes que amas quando conhece a escuridão e sombras alheias e não te assustas, mergulhas sem necessitar clarear. Só coabitar. 
Quando detalhes parecem relevantes, cuidados naturais, e em essência, só um, só um abraço cura mais que todas as palavras ditas ou por toda poesia já escrita. Quando só o silêncio e o som daquela respiração bastam para desarmar teu sistema nervoso e fazer o coração dormir por horas...
Tu sabes que amas quando vê paisagens e pensa no ser amado. Quando vês paisagens no ser amado. Uma flor, um raio de sol diferente, uma folha que voou na face.Tu sabes que amas quando não condiciona presença. Quando torce e diz "vá lá, vai dar certo, estarei contigo''. Ou vai junto, pela vida...
Tu sabes que amas quando o outro não se torna assustador, apesar de conhecê-lo mundo e fundo e nenhuma ausência de luz pode diminuir o sentido, porque simplesmente faz. Tu sabes que amas quando está difícil de gostar daquele ser e, ainda assim, tu estás ali, para partilhar daquela existência, com as dores e delícias inerentes.
Tu sabes que amas quando companhia vira brincadeira: nas ruas e mensagens pichadas da cidade, nos mil dias de observação das mudanças das cores no rio, na hora da escolha de um filme, na admiração da explicação daquela música... ou quando perseguiram o sol naquele fim de tarde alaranjado. 
Tu sabes que amas, é isso.
Sem explicar, como diria 'o Bruxo'.
Sem precisar racionalizar ou cavucar no inconsciente. Com mil razões e emoções diferentes. Com gestos e afagos. Constâncias e cotidianos. No tédio e na doidera de existir. Na admiração inerente de amar o retrato e na visão real do ser, despido da idealização - de um jeito que nem Freud ou Jung entenderiam, porque veio antes mesmo do primeiro louco de amor o sentimento primitivo e passional da escolha e da renúncia. 
Porque tu sabes que amas quando a renúncia vira parte: renúncia do egoísmo, da oferta da liquidação, da projeção. É, tu só sabes. E tu sentes um nada-igual que cutuca a pele do coração...
É quando o leite derrama, e vocês vão juntos enxugar: Porque o leite derrama, meu bem, acrediteee. Tu sabes que amas quando o primeiro e o último pensamento  - ou tantos outros do dia- vão para um mesmo lugar, pedir abrigo sentimental...pois o amor é bicho teimoso, voa e volta, senta no alto da nossa cabeça, puxa o pensamento, de forma natural.
Tu sabes que amas quando canções conversam com a emoção e juntam as tuas mãos, de um jeito tão profundo... àquele certo alguém!


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Acessado hoje.  Esqueci que havia escrito e achei lindo de republicar, mas acresci Freud e Jung, pois este texto brinca com algumas destas teorias...a do 'retrato'. 
De outra vida, de tããooo antigo. Mas fofo.

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