Quando detalhes parecem relevantes, cuidados naturais, e em essência, só um, só um abraço cura mais que todas as palavras ditas ou por toda poesia já escrita. Quando só o silêncio e o som daquela respiração bastam para desarmar teu sistema nervoso e fazer o coração dormir por horas...
Tu sabes que amas quando companhia vira brincadeira: nas ruas e mensagens pichadas da cidade, nos mil dias de observação das mudanças das cores no rio, na hora da escolha de um filme, na admiração da explicação daquela música... ou quando perseguiram o sol naquele fim de tarde alaranjado.
Sem precisar racionalizar ou cavucar no inconsciente. Com mil razões e emoções diferentes. Com gestos e afagos. Constâncias e cotidianos. No tédio e na doidera de existir. Na admiração inerente de amar o retrato e na visão real do ser, despido da idealização - de um jeito que nem Freud ou Jung entenderiam, porque veio antes mesmo do primeiro louco de amor o sentimento primitivo e passional da escolha e da renúncia.
Porque tu sabes que amas quando a renúncia vira parte: renúncia do egoísmo, da oferta da liquidação, da projeção. É, tu só sabes. E tu sentes um nada-igual que cutuca a pele do coração...
É quando o leite derrama, e vocês vão juntos enxugar: Porque o leite derrama, meu bem, acrediteee. Tu sabes que amas quando o primeiro e o último pensamento - ou tantos outros do dia- vão para um mesmo lugar, pedir abrigo sentimental...pois o amor é bicho teimoso, voa e volta, senta no alto da nossa cabeça, puxa o pensamento, de forma natural.
De outra vida, de tããooo antigo. Mas fofo.

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