Dentro de um corpo cabe sangue, excrementos,
batidas de um órgão alucinado, sonhos e ossos quebrados
Dois ou mais cortes e arranhões...
Oxidamos pois, aquilo que nos faz viver,
Com sorte, será justamente o que nos mata:
Respirar é coisa complexa, filosófica
E ao mesmo tempo, crua e involuntária.
E assim, de ciclo em ciclo, por obsolescência programada,
com sorte, envelhecemos...
Apesar de pequenos detalhes comuns à humanidade
São as singularidades que me causam espanto e felicidade
Foi por isso que, quando nasci, não chorei
sei que estava distraída, encantada pela luz do existir...
E vim (desta vez) em uma época muito louca:
Metais fundem, unem e separam pessoas
Computador, celular, fios de cobre, avião
O satélite que passou no espaço saiu na televisão...
é tanta novidade, tanta vida que invade, possibilidades:
Geração fast lovers - furiosamente acelerados
Cheios de sal, açúcar e outras drogas,
noites quentes e corações nublados
- plastificados, perdidos em contratos com tempo marcado -
(Confesso, isso me dá um cansaço...)
às vezes, acho que entendi tudo errado, até aqui.
às vezes, não quero mesmo entender nada!
Só ver a chuva cair na sacada e contemplar o mistério
E lá no fundo, sei que o caminho é (in)justo e (in)correto,
mesmo quando (in)certo...
Somos possibilidades.
Pago o preço de não negociar minha emoção por pouco,
Esse coração que pulsa, batida por batida
Que rega flores, pois é afeito às pequenezas
e trilha cada passo com a marca da pessoalidade
acorda às madrugadas para ler poemas ou olhar a tempestade...
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