sábado, 28 de março de 2026

Ensaios sobre morar dentro do Sol

 
 
 
 
O Equador brilha ligeiro em meu peito
A paz das coisas simples acontecem, é fato
A gente não precisa fazer força para ver coisa bonita
Brotar na terra fértil da emoção....
 
Eu moro dentro do sol – e o sol, dentro de mim...
 
De temperar com pimenta de cheiro
Aprendi que as coisas que não ardem têm sabor
E eu, que busquei tanto a intensidade da malagueta
Reencontro na sutileza novas formas de beleza...
 
Este poema não é simples, apesar de parecer bobo.
 
Eu não tenho em mim
Uma linha – sequer imaginária - que divida o sul do norte
E a minha bússola nasceu quebrada
Mas, tenho uma lua que me acorda às madrugadas
 
E convida a sonhar acordada as coisas bonitas da existência...
 
Já abracei a floresta
Tomei banho de rio de madrugada
Dancei e bebi do céu o sabor da chuva
Ah! Já fiz tanta coisa louca, bonita, emocionada:
 
Tudo isso me salvou um pouquinho
De ser apenas aquilo-que-se-espera
Não me olhe como algo exótico, 
Sou  mais simples do que flor em plena primavera

Eu moro dentro do sol – e o sol, dentro de mim...



sexta-feira, 27 de março de 2026

Moderníssimos



Mar de gente: ora pesca, ora é pescada
Indústria da solidão: companhia pixelizada
Como somos cruéis em inventar distrações!
- Afeto em obsolescência programada -

O tempo exato do afago sob o fogo de um deslike
Deuses de nosso pequeno circulo digital
Mundo vadio, gente mecanizada
-O ordinário do ordinário:

Fast food emocional

 Imenso mar de nada:
Dormência servida a self service
Corações no modo olx 
Canções de afeto feitas por IA

Anestesia imediata:
Corações a custo de escala

#

Poeminha republicado porque foi muito acessado.


Fica a pergunta: Você tem sede de quê?

segunda-feira, 23 de março de 2026

Ode às Imperfeições

Ode às imperfeições:

As minhas, as tuas: 
Encontros, desencontros
Nós é que somos as estações
Aqui nos céus do equador...

Gosto dos teus olhos
Mais do que deveria
E gosto que tu não entendas nada de poesia
Nem esquadrinhe meus espaços para me perceber...

Fico mais imperfeita, natural demais
E acho que me sinto tão normal nesse formato
Sem tirar a roupa da minha emoção a cada linha
Tão eu, sem precisar das palavras para te alcançar...

Acho bom que tu não fales de filosofia
Nem reverbere tua politização com as últimas do noticiário
às vezes, isso tudo é cansativo
a mente fica meio presa nesse looping, feito planta de aquário

Ninguém é espelho e nem precisa ser para afagar
Nenhuma métrica é idêntica, a vida pode acomodar
O vento que sopra suas verdades
 Põe as coisas no lugar....

Sinto saudades da tua presença que não pesa
Da tua leveza que não é nada lesa
Pois, lindeza, a gente aprende tarde como é arte
Estar tão confortável com a respiração de alguém...

Ode às imperfeições:

E às coisas que vão porque têm de ir...




#



Estava no arquivo do blog. 
Um brinde à beleza das coisas que são como são...e ainda assim têm perfume, ternura e verso.

sábado, 21 de março de 2026

Reminiscências

Afeto é fato
Doce que transborda pela boca
Fica pelos risos da casa
Espalha sabor pelos cantos

Na memória daquele riso de antes...

Hoje foi mais um dia estranho
Daqueles que se compõem de ausências
Quase como quando dobramos na rua errada
E não sabemos usar GPS

Difícil explicar...

Viver é aprender contornos - os nossos, o do outro...
Afeto é fogo fátuo:
Aquece e pode arrefecer
Amanhece e pode anoitecer...

C´est la vie!

Ainda assim...resta beleza
Nos detalhes do que serenou
No carinho que se partilhou
No perfume do invisível pelo tempo que passou...




#

Dos rascunhos do blog... 
:)

Águas de Março (por Maria Ester Pena Carvalho)


 
A música da chuva traz reminiscências,
o canto dos pássaros faz batucada no meu peito.
A luz atravessa meu rio-mar em tons acobreados,
flores sorriem sob o aguaceiro de Deus.
Belezas e bênçãos.
Hoje, Dia da Felicidade,
nas Águas de Março, seguimos por aqui,
procurando borboletas nas réstias de sol.
Talvez tudo isso caiba num poema:
libélulas, o rio, as gentes, o roçar do vento.
Felicidade, para mim,
é o vento brincando nos meus cabelos
e o canto da cigarra macho,
chamando a vida a continuar.
E nossas águas 
O que passa, o que fica, o que nos atravessa.

Ou melhor, que te faz feliz?

E vamos lapidando.

Maria Ester Pena Carvalho

#

Ontem foi dia Mundial da Felicidade e tive a felicidade de ler este poema em primeira mão....

E desejo a este leitorado: Que tu tenhas tido um dia com as coisas e pessoas que te fazem feliz. E que hoje, no dia mundial da poesia, teu encontro seja com as coisas que alimentam o poema: EMOÇÃO! Coração! Luz!

:)

Hoje é o Dia Mundial da Poesia e meu coração é só GRATIDÃO....



A poesia me salva.

Me leva para casa e é meu cobertor, quando preciso de proteção  'do mundo'. Me diz que posso, que sou mais corajosa do que acredito ser, e que preciso ser, pois a mesma vida que sangra...sara. E a palavra sarar, já é uma poesia...

A poesia me incomoda

E me convoca à comparecer para as dores do mundo e agir, pois sim, ela quer continuar a existir no peito das pessoas e, para isso, precisa muito de corações humanos agindo em prol do bom que a humanidade tem para dar.

A poesia me conecta - comigo e contigo.

E diz coisas de mim que eu não diria ou saberia...simplesmente fluem, rio de palavras derramadas na rua da emoção.

A poesia me acende sem queimar - ou me queima para 'sarar', cauteriza.

Pois emoções são delicados tecidos que podem ferir e ser feridos. E as palavras, suas navalhas - como diria Bel.

A poesia me presenteia

Com gente maneira, com vida, pois AMO encontrar essa gente MALU-QUECIDA, que transforma emoções em verbo, verbo em verso e verso em partilha...sim, a poesia me deu verdadeiros amigos. 

A poesia me transborda

Sai correndo pelas minhas veias, em plena madrugada, pois sim, tenho uma lua que não dorme dentro de mim, pendurada no meu umbigo, pois sou umbilicalmente ligada à sua existência particular e própria. Assim, ela, aluanaodorme, decide quando também não vou dormir.

A poesia me ilumina

E também me banha, com sua liquidez e cores peculiares....

A poesia é meu caldeirão!

....e muitas vezes o licor alheio, que também aprecio e bebo.


" ...e sinto a bruxa
presa na zona da luz...''


Viva à poesia!










quinta-feira, 19 de março de 2026

Obrigada!

 Aparentemente este leitorado aprecia muito quando o sangue da poeta está estirado na rua da emoção...

 

Porque a última crônica deste lugar teve...



Muito obrigada pela sua presença neste espaço. Em tempos de guerra, vamos fazer amor com as palavras. Mesmo quando não falo de mim ou transcrevo uma emoção minha, é tudo muito SENTIDO: nas vivências e histórias que chegam até mim e tocam o coração. Afinal, como diz o velho Buck:

''Ela é doida, mas é mágica. Não há mentira em seu fogo''

Em um mundo de coisas plásticas, é tão bom ler algo que tenha carne, sangue...tudo real.

Há muita verdade neste fogo sincero que arde por cá. E sei que isso também arde em ti, que me lê. Gratidão.



terça-feira, 17 de março de 2026

O que você faz quando a chuva cai? (Do quadro 'Filosofia no Boteco da Lua)



A chuva cai, torrencial, neste comecinho de dia, março de inverno equatorial, puro equino-cio das águas, como diria o Canto. Bom, saí para cumprir as metas do cotidiano, encantada com a cor-do-dia, o cinza e suas nuances, as 'sombrinhas', distribuídas pelas ruas...e acabei tomando um verdadeiro 'banho involuntário'. E, apesar do 'inconveniente', a água inundou a minha mente de ideias.

 É que a chuva nos fala sobre a beleza da água, que tem seu tempo de cair e renovar a cidade. Sobre coragem e 'time'...e  também sobre nossa forma de ver as coisas. 

Em dias assim, é comum que nossa conversa de origem seja 'Bom dia', já precedido de 'nossa, que chuva' - ou 'muita chuva, xixica - como se diz por cá). E pode de ser no tom de 'chuvinha boa' ou no de 'ah, que droga,a  chuva', pois a comunicação perpassa pelos humores: há quem reclame, há quem veja beleza. Há quem esteja indeciso. Ou reclame e veja beleza.

Afinal, convenhamos, a chuva dá trabalho para a vida 'real'. Ela não é cômoda quando precisamos nos deslocar, nos obriga a nos 'ajustar' à sua temperança e não pede licença para chegar. Tem seu próprio tempo - mesmo quando inapropriado para nós. É natural e própria para si.

COMO AS PESSOAS - que constatação mais clichê. Mas, afinal, ''quais são as palavras que nunca são ditas?''

Enfim, me ocorreu que nós somos a chuva no quintal sequinho de alguém. E vice-versa. Porque entrar ou ficar no mundo de alguém e permitir que alguém esteja no nosso é como lidar com a chuva - literalmente. Mais ou menos como viver o tempo do sol e depois ser inundado por uma presença - até desejada, mas não programada como gostaríamos...afinal, o outro não pode e nem consegue ser o espelho das nossas necessidades, não é mesmo? E é importante aprender isso, afinal,  Narciso se inebriou de sua própria água.

Estar na própria onda, meu caríssimo leitor, é um doce vício que levou Narciso. Porque cada 'eu' é um 'outro',  ou seja... 'outras ondas' mesmo - e isso é bom. A chuva -óbvio - molha, incomoda, pede ajustes. A presença de alguém, também. A gente inunda e é inundado... (afinal, chuva, suor, saliva...águas....risos). Então, nunca fez tanto sentido a expressão

                                                                  'Se está na chuva, é para se molhar...'

Mas, atenção: Apesar disso, do incômodo inicial de uma chegada, pessoas não podem ser ou tornar nosso tempo nublado de tempestades. Não podem causar 'febre' e nem desajustes na existência do outro. É preciso ser sol, também, pois  o ajuste natural da chegada é necessário, claro. Mas os tempos de sol precisam vir...afinal, não é o armagedom, ninguém vai voltar para a arca de Noé (até aonde se sabe)...

Mas, como já sabemos, a paixão é um cão dos diabos e isso dificulta um pouco. E é aí que este texto perde a desgrama da coerência fofinha-óbvia e o 'caldo entorna'. 

Merda. As águas não são o que pedimos, elas não vêm exatamente ajustadas ao nosso caos e beleza, elas têm suas próprias existências caóticas e naturais - como eu, tu, nós...e a gente vira sim, meu caro, a tempestade no peito de alguém. Ou alguém quebra nosso 'telhadinho delicado' e desagua no coração, a despeito de qualquer tipo de sensatez. Às vezes, fica lá, empoçado (daí a ideia de mágoa - má água).

Mas, evitar esse negócio? dizer que a chuva não é linda? sentir o peito todo cheinho da presença de alguém...ah, isso não pode ser considerado ruim. Lembre-se, como de diz por aqui: tu não és tapioca, rapaz.  E que vida mais sem-graça, aquela guardada em meio a guarda-chuvas.

Adoro banhos de chuva (chuva mesmo, sem metáforas). Nessas noites não estreladas, o céu se lava e nos dá uma experiência particular com a beleza bruta do Universo. 

Beije na chuva.  Ame na chuva.  Sinta essa vida, tão rara e bonita...

Aliás, os tempos são áridos. Trump rasga céus e ogivas nucleares ameaçam outra forma de extinção... é preciso mesmo chover afeto, nestes tempos. Mas, ainda assim, fazer calor no peito dos nossos afetos. É uma dualidade interessante e de uma alquimia própria. Nada fácil fazer do

              'frio, uma delicada forma de calor...'

 


Ah! as delicadas formas de calor me recordam  algo piegas e fofinho. Ted e Tracy ( de HYMIM) se conheceram em uma noite de intensa CHUVA. No avesso disso, antes, para ficar com Robin, ele já passou dias tentando fazer chover, sem êxito, ou com êxito esporádico. De uma forma difícil, Ted aprendeu que não é possível forçar a chuva a cair. E também... que não é toda chuva que nos cabe, não é? Tem gente que faz tempestade no nosso tempo bom...é preciso discernir. E tem gente que tem medo (aliás, quem não?)

E isso remete à  um poema atribuído a Shakespeare, que também diz muito sobre esse texto:

"Você diz que ama a chuva, mas abre seu guarda-chuva quando chove. Você diz que ama o sol, mas procura um lugar na sombra quando o sol brilha. Você diz que ama o vento, mas fecha suas janelas quando o vento sopra. É por isso que tenho medo, você diz que me ama também'' 

Eu não sei o quanto a vida já pode ter tirado a sua coragem de se molhar, quando a chuva cai...

Mas eu desejo para ti, um BANHO de bom afeto. Delicadas formas de calor. De chuvas possíveis - ou aquelas impossíveis de resistir...



E você...o que faz quando a chuva cai? 


(Bom tempo, para ti. Seja ele qual for)

#

segunda-feira, 16 de março de 2026

Sorte




 Sentir-se confortável no teu afeto 
Descansar  em teu peito e ouvir o silêncio
Perfume de paz 
Faz bênção em nossas cabeças...

O acaso não sabe da beleza mágica dos encontros, meu bem:
Ainda bem que a gente aprende, no caminho...

Conversar sobre o tempo,
A próxima piada do dia
As coisas amenas que constroem levezas
Ainda bem que a gente sabe da sorte que é...sentir 

Vontade da tua presença, cada dia mais...
(Meu peito voltou a bater depois que te conheceu)


Que bom que tu chegaste 
Quando fazia paz no quintal
 Do meu jardim bagunçado
E que entraste nele com cuidado

...pra eu te aprender...

E há luz por todo lado sob a chuva do equador, tu viste?
Parece que as peças daquele quebra-cabeça antigo se encaixou
Meu corpo com o seu, uma arte
E o acaso até dá de ombros

Com ciúmes dessa nossa sorte.




#

 






Time


 Perda de time
Não é perda de tempo:
Você jogou meu coração da janela do 2o andar
Mas eu flutuei...

Perdoei o mau gesto
Pois, meu bem
O afeto alado que te dei
É só um trago

De todo o maço - buquê que guardo
Para mim.

Perda de time
Não é perda de tempo
Corações destoam
O perfume esvai

Fica a beleza
Do afeto que de partilhou
Do riso sincero e da emoção
Fica a beleza que marcou o coração...

E sou tão boa, assim
Que ainda te chamo de 'meu-mais-prezado-amigo'
Mas, meu coração já não corre perigo
De decair por ti.

Porque você jogou meu coração da janela do 2o andar
Mas eu flutuei...

#

Amei construir esse poema, que está há umas 6 vidas guardado.

Leia com a música, querido ou querida.
Faz um drama bom no coração.  :)






domingo, 15 de março de 2026

Fera Presa




Para te amar
Eu tinha que usar relógio
Seguir à risca o tempo do ponteiro
E, no entremeio,
Agradecer teu tão constante zelo:

Vigilância travestida de cuidado.

Para te amar
Eu precisava decorar um abecedário de regras a cumprir
E compreender o quão haviam coisas erradas comigo
E o quanto o mundo me deixava em perigo

Ao seguir minhas próprias convenções

E era um show de sermão 
Sobre todas as formas do meu comportamento
E assim, para te amar, eu virei um lamento
Arremedo de mim: projeção

Da tua percepção sobre meu espaço:
Na tua gaiola disfarçada de abraço

#

Esse espaço é lugar de verdade, beleza e poesia. Esse poema nasceu como uma 'reminiscência', após ler 'Amores enterrados no Jardim', da Lulih Rojanski.  Recomendo a qualquer mulher/menina, a partir dos 15 anos. Como um jeito de recordar que os tempos são duros, mas nós vencemos com doçura e posicionamento - mesmo que seja difícil aprender.


segunda-feira, 2 de março de 2026

Ensaios sobre a vida real ensaiada

 



 Bate coração, coisa de pele
Sentimental demais, a poesia come de nós dois
Entre suor, saliva, instante
Somos reais, aqui...presentes.

Bate a piada, o riso, a estrada
A conversa calma, possibilidades
As brincadeiras e piadas tolas
Bate até saudades, quando não estás aqui.

Bate a carícia dentro do coração
As coisas sem explicação
Bate irremediavelmente a emoção
(tum tum tum...)

Tão bom sentir assim.
A 'liga' não retira nada:
Minha carne ainda é minha quando não estás
E até o tempo respira em paz...

Nas ausências e presenças - rimas conversadas
Nas palavras ainda não ditas, pontilhadas
O poema assiste, atento, 
Um novo jeito de pulsar o coração...

#

Tão fofo...