segunda-feira, 24 de março de 2025

Madame




 O melhor ângulo para o trejeito mais afetado (Que adequado_):
Madame precisa do espelho para se sentir menos desagradável.
O melhor close, seguida do melhor closet: 
tudo tão palatável!

Segue-se o baile da imagem! - Madame precisa do espelho
Para esconder a própria mediocridade.

Madame precisa de qualquer pedaço de vida
Sua inimiga mortal é qualquer desconhecida  
Madame é 'o horror das inimiga' (tsc...não me diga)
E segue, vazia e aflita.

Na certidão de nascimento, sua origem,  o patriarcado
Por todo lado segue orgulhoso
Madame segue o roteiro falho
De seguir, distópica e aflita

'o terror das inimiga

Madame nem sabe - (Seria isso bom ou  trágico?)
Mas é o espelho de nossa fragilização
O motivo pelo qual o mundo segue o roteiro violento
Da desunião

 - Mas vai aos domingos pedir proteção
(Ao seu modelo de civilização?)

#

Não é do meu feitio promover qualquer tipo de hostilidade entre mulheres, afinal...a vida já faz isso por si. Mas esse poema nasceu de uma situação muito particular e é um alerta.

Cuidemos bem dos nossos corações e dos demais...

sexta-feira, 21 de março de 2025

Genêsis*

 


Depois dos livros e jardim
Veio o sofá e a geladeira
Os móveis e as prateleiras
Lençóis, panos de prato...

Depois do quarto-sala
Veio closet e área para passeio
Da lavanda à colônia de cheiro
24h ligada às caminhadas às seis...

Depois da exclamação 
Veio a interrogação ao espelho
O  batom, o cabelo vermelho
A carteira de motorista!

A highway, a pista...    
 
Depois de um tempo, ficou a interrogação 
A procura por alguma explicação 
As rotas desencontradas
Roupas na mochila amassadas...

Depois do espaço, veio a Flor...
- E meu coração transbordou! -
Sem nenhuma explicação...
...e depois dela, veio o "Eu"

Preenchida do amor de Deus...

#


* Esse poema é sobre meu LAR, que se iniciou como uma casa, mas que, como toda construção, hoje é o lugar onde habita a minha família. O poema tem doses de anacronia, mas uma boa sintonia com o que o coração sentiu...

*A arte inspira e este poema tem claras referências a um sentido que senti/percebi  de um poema da Larinha Utzig, no livro "Disforia de Genêsis''.

terça-feira, 11 de março de 2025

romA (Por Edu Monteiro_)

 



Caro coração de vidro, 
Por que você é assim?
Tão delicado e sensível
Por que, quando recebe amor, ilumina
Para que todos sejam visíveis
Mas, ao quebrar, junta caco a caco em mutismo?
E, ainda assim, você nunca perde o juízo.

Qual é a razão de tudo isso?


#

E esse lindo poema foi feito por um coração que é um vitral, de tão lindo... e a publicação foi  permitida, gentilmente, à este espaço.
E que lindezaaaaa de adoçar a alma!


sábado, 8 de março de 2025

Ouroboros!




Letreiros, paralelas:
Linhas incertas, velhas novidades no jornal das seis
O tempo é mesmo um velho burguês:
Vende espaço para lucrar vida

Engole nossas cores nesses dias cinzas...

Tanta liquidez e tanta sede!
Robinson Crusoé  e Bauman entenderiam
Muitos ajustes convenientes
A fumaça no céu apaga estrelas cadentes...

Os dias correm e parecem brincar comigo
cada um nas linhas de um (im)próprio esconderijo
E eu não sou boa com labirintos:
Para decifrar, devoro-me...

É tudo culpa da disritmia
- Sempre dancei fora do tom, confesso
Cada vez que pensei entender, desfiz da realidade um elo
É falta de jeito, eu sei...

A vontade é tanta de calor humano real!
Mas, minha nau é pequena demais para tanto espaço
Só reconheço a métrica da rima formada
Por um bom abraço...

E nesse percalço, Ouroboros:
Letreiros, paralelas:
Linhas incertas
Velhas novidades no jornal das seis...

#

Poema de 09.03.2025.

Alucinação?

 Hoje...ontem...este mês:
Já fui tanta gente: Deitei e rolei
Brinquei de letrinhas e redescobri o Brasil
Depois de tanto tempo esquecida do quão sou feliz
Empinei o nariz, olhei o céu chover: saí e dancei.

Lavei o corpo do necessário tempo dado à semente
Revirei os astros, vi uma estrela cadente
Tornei a ser poeta, a enluarar madrugadas
Só quem sente sabe...
o quanto isso faz falta!

Fiz mil coisas novas...que até nem deveria
Revi gente que alimenta, aquece, livra o corpo de ser apenas espectro!
Deixei de lado o sentido do certo
Cedi ao desejo: comi brigadeiro
Até doer a boca do estômago:

 - Mirei no hospital, parei no teu manicômio 
(Ah, como foi bom  mais esse conto!)

E bem nessa hora, no exato instante de a gente cumprir
O fatídico sinal do que é a nossa rima
Não sei de se por descaso, ironia ou sina...Acordei!
Perdão, meu bem, eu ainda não te vivi: 
Apenas te sonhei... 

#







sexta-feira, 7 de março de 2025

Originais!

 


Faz tua playlist em mim:
Eu sei dançar em vários ritmos, benzinho
Mas começa devagarinho, que depois de um tempo
o corpo dá de esquecer o passo

Me guarda no teu abraço: deixa eu reaprender o modo 'a dois'...

Me diz tua favorita do inesquecível Buarque
A gente rima nossa noite com vitrola e vinho
E diz a Geraldo que a nossa canção é a única do mundo
A mais original...

Nada programados, somos um sucesso!
Então: Um brinde aos improváveis elos
Desenhados no espaço dos horários vagos e despretensiosos
Sentir preguiçoso, macio, escorregou por dentro...ficou,

Sucesso discreto na raia das paixões: 
Digitais e pegadas...taças e lençóis
Clichês musicais: somos a mais pedida!
Não deixa nada pra depois:

Deixa eu reaprender o modo 'a dois'...

#

Ah...amigos: Apaixonem-se mais! A poesia agradece. E o amor - tão afeito às 'inclinações musicais'...também!!! <3

*Claramente inspirada nas paixões alheias, mas com meu gosto musical. :)



Impregnada

 Eu me impregnei em ti:
Foi de propósito, amor
Foi só pra te dizer que o meu beijo
Tem aquele cheiro com toques de sabor

De incenso e flor...

Foi de propósito
Que bem marquei teu travesseiro
E deixei os meus cabelos
Enrolarem-se nos teus...

Para depois do adeus
Deixar pedaços tecidos no invisível - tão indizível
Das tuas paredes e narinas
Só pra tu saberes que eu sou  fina

Até mesmo ao partir...

Confesso, são tolices de afeto:
 
Foi pra sentires saudades 
Mas também para ficar um pouco mais em ti
Como um segredo bem guardado na memória
De que tão bem-te-quero...

(Mas presta atenção, meu bem:
- Eu não te espero)



#

*O poeta é um fingidor...mas também um bom 'emprestador' de realidades...de uma história fofinha que minha mente desenhou, pois foi contada de modo tão meigo...e a canção da Luísa  veio aqui porque é apreciada por todas as pessoas deste 'retrato', pintado sob o perfume Gabrielle. :D

Ok, Chico é um bobão, na realidade. É uma pena. Mas a obra   'Chico' tem muito mais significado: lembra que todo mundo merece ser DOIDO DE PAIXÃO por alguém. E também recorda que a paixão é coisa muito perfumada: Impacta, impregna...mas segue o 'flow', não espera: festival de efemeridades.


 :)