terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Vida que acaricia

A bondade é uma coisa extremamente despretensiosa...não requer olhar alheio! Tem aquele quê de ser...simplesmente sendo. Penso que essa é a essência de tudo o mais que nos habita. Segue simplesmente sendo. Sozinha, ela acariciava outra vida. Hoje, longe de mistérios ou mais, ela só estendeu a mão a outro bicho e uniu o bicho-gente. Laço de bondade.
E o registro inesperado nem era preciso para o belo se fazer! A vida é flagrantemente urgente! Acaricia com retalhos o dia a dia... Esta imagem alimentou meu dia. Da natureza bondosa e real que tem a vida.
Minha lúdica e delicada Unifap - Em horas de intervalo.

* A docência é, em essência, doce. 
Agridoce, em um país como o nosso. Mas...mais doce!

* Publicado originalmente de 14.05.2014 e republicada porque foi acessada. E porque acredito que a bondade é um superpoder!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Eixo

 


Rotação, translação
A terra gira e a vida se organiza
A gravidade, feita de densidade,
Insiste em colocar os pés no chão...

As estações não erram a hora, meu bem: 
Elas chegam
E nunca mais retornam iguais, mas se renovam
Por isso, a cada ano... temos verão.

E as chuvas lavam um fevereiro novinho em folha
E beijam Macapá...

O mundo não muda sua lógica para ajustar:
Gira em torno de sua órbita particular
Mas coabita bem em outros universos
E tudo o mais que ainda não temos explicação...

Por isso, o bicho homem  é o tipo mais complexo:
Possui ânimos, paixões, desejos, multiversos
Vontades que, às vezes, 
Desaguam em marés contrárias...

E, nestes instantes, a natureza silenciosamente fala:

Procure seu sol e gire aonde tudo fica no lugar
Dentro da desordem que possui todo coração
O eixo central de comando gira, mas permanece
Com o melhor senso de direção...

#

* Fiz esse poema porque senti vontade de (re)ler sobre a linha imaginária e o fenômeno do solstício. E daí me deparei com o conceito de 'eixo'. 
E moramos justamente nesse 'lugar' da terra: a linha imaginária, o 'centro' do 'comando' entre a densidade e a leveza que mantém o mundo 'gerido' pela natureza.

Isso é LINDO e um verdadeiro recado do universo.

LUZ!




segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Luto




E eu vou caminhando, sentindo cada carne que carrego
No peso enevoado do meu coração
A saudade,amor, se anuncia entre o café, entra na garganta
Percorre os cantos da casa, as esquinas e o pátio

Que esperam por ti...

Amo a tua presença... tanto 
E não estares aqui só alonga a lágrima que cai
É tudo igual e nunca mais, pedaço de mim!
Sinto saudades do que é e, ainda assim...

Sei que sabes quanto amor te tenho...

Amor, vai tranquilo: a despedida é do agora
Nas curvas de algum verão a gente se revê
Então...caminho para ter a sorte de te reencontrar
E levo para ti as coisas mais bonitas da jornada

E agora sobrevivo ao peso enevoado do meu coração...

#

A gente esquece que a vida é breve e rememora quando o súbito absurdo que já nos alcançou chega em quem amamos. E de sentir junto,  deu uma saudades do meu pai...

AME HOJE, é urgente.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Delírio


No entremeado das angústias do dia:
O próximo café, petição-poesia
Enquanto, em algum lugar, 
a fumaça das indústrias dissolvem o azul do céu
E lembram que o inimigo-humanidade é voraz:

Corre para me encontrar, amor:

Vamos fazer uma urgência diferente
A urgência do teu corpo quente sobre o meu...
Vamos aproveitar o azul límpido de Macapá
Neste janeiro de chuvas tão bonitas
Feito Amazonas em sua abundância doce:

Navega-me.

(Eu ainda te quero tanto...)

Na confusão dos carros, elevadores vêm e vão
A mente trafega entre o burburinho e a urgência da petição
Gente vã, nada sã, sempre duelando moinhos 
Bêbadas de suas imensas vaidades
Alheias ao céu cinza que antecipa 

A tempestade...

Corre para me encontrar, amor:
Vamos fazer uma fusão diferente:
Delírio de gente que ainda sente
Sem relógio ou convenção
Que não liga para o título que antecipa o verbo

Vem, me dá tua mão...

No entremeado da angústia de sobreviver
À política, que come horas do noticiário
E nos faz acordar com medo - pois a humanidade é cruel
Enquanto tentamos entender 
aonde vai parar tamanha burrice

Leva-me desta insanidade, vamos enlouquecer de um jeito bom...

Enquanto ainda dá tempo
E Trump não estourou os miolos do mundo
Com sua sanha por engrandecer
Ou criou soldadinhos imundos
Tão loucos quanto - pelo ilusório senso de poder...

Vamos aproveitar a doçura de ser
Carne, sangue,suor, saliva
Poesia viva! Coração disposto
Derramando afeto
Em meio ao inconcreto 

Segredo sagrado de existir....

#

Semente


 
Leve, leve

Como a última pétala que resistiu ao Outono,
Ela vai trazer a nova estação
Filha da primavera,
Sabe aonde tocar..há de dar flor

Amiga do inverno e filha do sol: Sabe refazer calor...

Nascida no Equador
Para lembrar a potência da luz e a beleza da sombra
Segue, cada vez mais sua
Isso dá uma paz...

A de saber aonde está
A de saber quem é por si
A de estar por si (finalmente)
Semente....do tempo que virá

No avesso da realidade, pura poesia:

Desistiu de insistir na estação:
Tudo bem, são só outras formas de luz e cor
Afinal, mesmo nisso há beleza
Pois a humana natureza reúne afinados corações...

E pela 'lei natural' - Já disse Darwin -
Sobrevive o mais adaptado
E assim, por todo lado
O ambiente de cada um é o que cultiva


E nisso não há esquiva,  é tempo bom de ver:

A planta que nasce desistiu do casulo
A Flor de Pipoca: O milho que não quis ser duro
O tempo do fogo ou da água: é tudo transformação
Veja: a lágrima já secou o tempo passado,

é calmaria para o coração...

Comunhão de futuros:
Da escolha do hoje ao tempo do amanhã
Não há mistério na receita, é só equacionar
A flor que nasce é a que gente escolhe regar.

E o fruto que vem
Tem o sabor do que a gente cultivou
O não que a gente pratica
É guia do primeiro amor...

À guerra se vai pelos pares
Até nisso, o poder da reciprocidade!
Os ciclos se encerram vagarosamente
Um botão desajeitado, vira flor...e nasce!




Viver é um milagre....

#



!!!

Sob o som dos silêncios



 Sem fazer barulho:
De pouco a pouco apago os teus passos do tapete
Limpo teu cheiro do meu corpo
Esqueço o som do teu riso...

(E choveu saudade a tarde inteira, ainda assim)

Faço o trabalho árduo:
Ocupo o tempo de ser tua com um livro ou poesia
Deixo para mim os motivos para rir 
pequenos detalhes do dia

(E meu peito ainda arde neste festival de paixão...)

Não deixo a vida dedilhar tristezas,
Pois sou mais forte do que pareço, meu bem
Prendo a atenção ao verbo mais forte
às coisas que realmente me tem...

(Mas ainda queria tua poesia sem rima, derramada no olhar...)

Faço tanto silêncio 
Que quase desacredito que exista alguma canção
Mas sei que alguma coisa ainda persiste
Que o real, enfim, resiste
De desaparecer...

(Penso em ti e digo adeus...)

Meu corpo, que é mais leve, de não ter o teu
Passa a caminhar sem detalhes de nós dois
A vida segue e somos mesmos tão adultos e normais..
Topo um anti-ácido - e sigo com algum tipo de paz.

#




quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Mapa, cá.


  Mapa, Cá

Sempre que procuro no peito
A geografia do amor
O mar que abriga meu lar

A luz de um lugar  acende em meu peito.

Paisagens que o tempo não leva:
Um santo que abraça o amazonas,
Grande casa de pedras, igrejinha,
A bênção, meu S. José!

Sempre que penso no lar,
É batuque, samaúma, maré cheia
Ruas enfeitadas de mangueiras
Capital morena, segunda mãe

Casa minha.

Terra da poesia de Fernando, Alcinea, Maria Ester
Marabaixo no pé, de Tia Luci até aqui,
É igarapé das mulheres, lendas e crenças,
Flores do mato,

Ervas que curam , vida que abunda,
Cá dentro de mim.

Jaci Rocha



Parabéns, terra querida.
Obrigada, segunda mãe.
Observação:  Há muito mais poetas, cantores e artistas em geral em nossa linda cidade. 
Sintam-se representados.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Aquela máquina de digitar afetos





Aquela máquina de digitar afetos
Não mais escreveu a palavra "Meu amor"
Por onde andas, 
Afinal?

 

Verbo que é  cheiro,

Quanta falta tu faz em meu jardim... 


Já fui mais atenta ao meu próprio coração!


Mas, depois que passei a usar relógio

O tempo caçoa de mim:

Faz com que tudo tenha exíguos

começo, meio e fim 

 

O amor não coube em nossas 24 horas?

 O tempo, aos poucos, creia, 

A tudo devora -  apavora

Evapora...


- Mas, calma, emoção

Quem sabe ainda temos 

Uma eternidade  a mais

Na próxima Oração...-

 

Quem sabe a gente se tropece - novamente?

Em meio ao burburinho de um café

Quem sabe aquele velho ditado (tão cliché)

 Ainda esteja de pé

 

Incerta beleza de existir....


Frágil agora, tão cheio de efemeridades!

ah! verbo 'futuro' - ingrato,

Descumpridor nato

De quem achamos que seremos...


E sob o mormaço do céu de Macapá ainda arde o fogo intenso das paixões...


Escrevo quase-sem-sentido, ainda que sinta

E me demoro a tentar compreender

O porque essa máquina  (de bater)

nunca mais digitou a palavra 

"Meu amor"...




#



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Paralelismo Sentimental Viciante (Devaneio do Boteco da Lua)








Foi em uma das muitas madrugadas em que estou de papo com Bel. Ouvi esta versão antiga , interpretada pela Vanusa, da canção "Paralelas'', com a frase 

" E as borboletas do que fui pousam demais
Por entre as flores do asfalto em que tu vais..."

Fiquei curiosa  e quis compreender o motivo de trecho da canção ter sido modificado. Primeiro, porque o poema ganha ainda mais sentido, com o trecho retirado, que aliás, poderia ter sido perfeitamente agregado ao verso que o precedeu "Como é perversa a juventude do meu coração / Que só entende o que é cruel / e o que é paixão".


Explico. É que, "'Paralelas'', para mim, sempre evocou o inevitável sentimento de solidão de Belchior, frente aos conceitos propagados nas grandes cidades, o da 'multiplicação', 'riqueza', assim como o registro do eu lírico do poeta, em contraposição a estes conceitos, esvaziados de emoção.

Parecia-me uma declaração de Bel sobre o peso do capital e seu preço sobre as relações afetivas. Bom, acontece que,  com o ''novo'' verso em mente, tive a curiosidade de perguntar o porque 'as paralelas dos pneus na água das ruas são duas estradas nuas...' e porque a música ganhou o título 'Paralelas'.

Como sabemos, nosso poeta misturava conceitos físicos, filosóficos, astrológicos, poéticos e sim, matemáticos e geométricos para falar de emoção. Então, eis um conceito geométrico simples de 'Paralelas':

Uma Reta é uma sucessão infinita de pontos, situados todos em uma mesma direção, no entanto, essa sucessão se caracteriza por ser contínua e indefinida, portanto, uma reta não tem nem inicio nem fim; junto ao plano e ao ponto, a reta é um dos elementos geométricos fundamentais. E a paralela é um adjetivo empregado para referir-se àquilo que é semelhante, correspondente, ou que já foi desenvolvido em um mesmo tempo.
Então, as retas paralelas são aquelas retas encontradas em um mesmo plano, apresentam a mesma inclinação e não apresentam nenhum ponto em comum; isto significa que não se cruzam, nem se tocam e nem sequer cruzam suas prolongações. Um dos exemplos mais populares é o das vias de um trem. (Artigo http://queconceito.com.br/retas-paralelas)

Foi então que compreendi que Belchior falou  de solidão, do preço cobrado pelos conceitos moderníssimos das grandes capitais, mas também, de si e de um outro alguém, um sentimento pessoal, comparando-os à linhas paralelas ,que embora similares, por serem retas, não se cruzavam. 

A letra fez mais sentido e a solidão do poeta,também. Mesmo a canção teve seu momento de íntima verdade do emocional do amor que mora dentro daquela canção: "Dentro do carro/ Sobre o trevo/ A cem por hora, ó meu amor/ Só tens agora os carinhos do motor.../ E no escritório em que eu trabalho / E fico rico/ Quanto mais eu multiplico/ Diminui o meu amor..."



Cada uma das retas vivenciava sua própria aceleração, diferenciadas, parecidas...paralelas. Sim, iguais demais até na direção, para se encontrar. Ou para...flexionar.

De refletir sobre isso, acabei por relacionar ao vício pós-moderno, tão explorado em Bauman, sobre o fim das comunidades e a era das 'redes': menos encontro e mais paralelas. Parece viciante e solitário...

Por outro lado, percebi que confundo paralelas com linhas encontradas. Preciso corrigir alguns poemas (e emoções), onde entendo 'paralelas' no sentido de 'cruzamento',graças ao déficit de atenção geográfico/geométrico/espacial/emocional.

Bom, como não sou matemática ou física, me perdoei e fui atrás de saber o avesso ao conceito de paralela, ou seja, quando as linhas se encontram. Descobri que é chamado de 'interseção', cujo significado é:


O conceito interseção pode ser utilizado em nosso idioma com dois sentidos diferentes. De um lado, é utilizado no campo da geometria para designar aquele ponto estabelecido em que se cruzam duas linhas. Também serve para indicar o encontro entre duas linhas, planos ou objetos.Mas sem dúvida é no trânsito onde mais se usa esse termo, mesmo assim não podemos esquecer que sua utilização é resultado direto de sua referência apresentada na geometria.
Basicamente a interseção no trânsito se refere ao cruzamento de duas ou mais ruas. Sua principal função é possibilitar o acesso de quem circula à outra via e assim chegar ao seu destino.  Artigo http://queconceito.com.br/intersecao

Bom, quer mais poesia do que isso? Tome algumas taças de vinho e leia este texto, ao som de paralelas. Se a interseção é o encontro, falta ao mundo e a cada um de nós o charme do alinhamento sentimental. Mas isso envolve o conhecimento da geografia interna  e não é fácil reconhecer nossos espaços. É a árdua tarefa que viemos fazer por aqui... e tem tanto a ver com o amor!

Bom, o meu desejo após desta longa digressão em Belchior é que, depois de caminhar comigo pela canção "Paralelas",  um pouco do paralelismo sentimental viciante - doença do coração que esta poeta aqui inventou - seja curado de dentro de seu coração. Que explores dentro de você o que é um estar em par e esteja  ávido por um amor interseção, que te leve ao  encontro! - Com o seu destino.


LUZ!!! 
LUZ!!!
LUZ!!!

*Republicado, porque o texto foi acessado e gostei muito de ter escrito isso.