segunda-feira, 22 de junho de 2026

Paixão! (2)



Não te mandar embora e me afastar
Quando tu fores um idiota
Para te espaço para reparar
A imprecisão do desajuste

Aprender teu tempero favorito
E fazer bonito nossos dias comuns...

Te pedir paciência com a minha elegância indiscreta
E a  piração no humor
Ouvir tuas canções, teu riso
Dividir o macarrão p´ra dois
Dar tempo...para o tempo se vestir de nós!

Sentir teu cheiro, sentir tua pele
Te esperar se ajeitar um pouco, tentação!
Sentir bater teu coração
Bem debaixo do meu ouvido...

Isso tudo é dizer sem palavras
O quão gosto de ti...

#


Estava nos rascunhos do blog - dos meses idos -  e é o que penso das coisas boas, dos afetos bons...da mágica incrível e singular que é...a paixão.
Não publiquei por falta de imagem. Então, hoje, estava buscando um poema doce, que nos lembre da palavra 'ajuste' (porque estou muito na torcida por uns e outros por aí), e caí neste. Resolvi usar a mesma imagem, cês sabem...

Preciso ir viver o dia corrido, mas este lugar está cheio de LUZ!

É isso...

Um dia feliz!






A pior pessoa do mundo! (Uma crônica na vida anacrônica, real e possível)



Há uns meses atrás, assisti o filme 'A pior pessoa do mundo'.

Em uma narrativa densa e emocionada, o filme traz a vida de Julie, em diversos momentos, atingindo camadas, sobretudo, dos aspectos conturbados da personalidade humana e dos relacionamentos... e como, por muitas vezes, nós mesmos nos sentimos - ou somos -  'a pior pessoa do mundo'.

E se você não se sentiu ainda a pior pessoa do mundo, tome cuidado com o seu código moral.

Eu (mesmíssima) por diversas vezes,  já me senti a pior pessoa do mundo. Isso porque, nem sempre, conseguimos agir de acordo com a nossa idealização do que é ser uma boa pessoa. Mas tento fazer o que chamo internamente de esforço do contrário, ou seja: busco ajustar minhas ações ao senso de correto, mesmo quando isso significa cortar meu próprio verso.

É claro que esse sentimento - o de ser a pior pessoa do mundo - nos alcança de uma forma ou outra, porque não queremos atingir o universo de uma outra pessoa de uma forma leviana. É a coisa da responsabilidade afetiva, de nossa percepção e até mesmo...compaixão, para com o universo do próximo. Nem sempre isso é fácil, pois já disse Sartre:

O inferno são os outros.

Mas também, o inferno somos nós,  quando não reconhecemos nossas impropriedades e nossa dificuldade de lidar com o senso de correto do outro. Afinal, ninguém aqui é o dono do código de moralidade de ninguém, não é messmo?

E se você se sente assim, tome cuidado com seu código moral.

O que me recorda que, uma vez, conversando com uma pessoa querida, perguntei: 'Será que essas pessoas percebem que estão sendo 'escrotas'? e ela, muito pragmaticamente me disse que: 'não, elas acreditam que estão sendo as melhores pessoas do mundo dentro de suas perspectivas e códigos morais". Essa mesma pessoa me disse...'não espere que o mundo seja para ti o que tu és para ele'( É que, às vezes, eu espero...).

E isso me deixou um pouco revoltada. É, é foda viver em um mundo em que não temos um 'ponto arquimediano' do caráter.  Mas, de outro lado, pensar nisso me convida - e a ti também - a flexibilizar um pouco a narrativa do bom e do mau. Afinal, eu não sou a régua da moralidade alheia.

Isso porque, infelizmente, ainda não dá para ser 'mocinho' de filme de comédia romântica, pois longe da idealização, sou mesmo muito gente: sinto raiva, culpa, desejos de vingança...mas também remorso.

Eu minto também. Quando isso me protege. Mas faço o que chamo de esforço da verdade. Mesmo que seja da minha verdade, para que isso alcance o universo do outro e para que as minhas relações sejam cada vez menos idealizáveis...e cada vez mais naturais e humanas. Mesmo porque, entre meus defeitos, está o de ter dificuldades em pedir desculpas - daí o esforço de tentar não 'errar'. 

E se você não faz , tome cuidado com seu código moral.

Mas também, com a  sua direção. Seu rio vai desaguar em que tipo de mar? ...

Bom, já fui chamada de inocente também, por esse formato. Acho fofo. Mas creio que tudo isso - os códigos de comportamento - são como um moletom quentinho: Nos protegem, nos aquecem e fazem sentir...organismo vivo. Mesmo que seja uma proteção antinatural, pois afinal, 'não quero lembrar...que eu erro também...'

Aliás...essa (ana)crônica é para dizer que, muito recentemente, me senti a pior pessoa do mundo...

E essa é uma forma muito, muito torta... de pedir perdão.


#

P.s: A imagem no fim desta crônica faz menção ao 'retorno de saturno', considerado momento de grande reflexão e amadurecimento, no calendário astrológico. É trazido também na música ''Vinte e Nove, do Legião, em que Renato Russo aprende a ...pedir perdão. 

* Republicado de 06.05.2026, pois acessado. 

LO(U)COMOTIVA DA PAIXÃO! (Conto Poético - Ou seria Profético? - do Boteco da Lua - Revisado)

"Tudo o que é sólido se desmancha no ar''

A frase não dizia respeito à relação afetiva, mas ao Capital. E, por ela, Marx transcendia explicações com uma máxima gigantesca acerca das relações economia-humanidade. Foi profético e, adiante, Baumam explicaria essa frase com a liquidez da modernidade. De lá para cá, haja escritos, por isso não vou me alongar... 
Uma frase muito mais simples me atingiu  que toda a força metafórica das palavras:

Eles não estão mais juntos.

Partiu meu coração por mil motivos. O primeiro, é que sempre achei que era um casal daquele tipo 'tampa e panela'. O segundo, é porque um casal é sempre a lembrança de que somos animais sentimentais...capazes de exercer o bendito mister, apesar do bla bla bla acerca da super individualismo e da superficialidade de uns e outros. 

E o terceiro é que, quando existem mil improbalidades e eles permanecem juntos...dá um senso de conformidade cármica que ...aquece o coração. De que, repente, exista 'um certo alguém' para cada um de nós. Eles se separam e o adeus é coletivo.  Mundos construídos. Vocabulários, apelidos. Dias e dias idos, onde a vida foi absolutamente diferente, pelo universo que construíram....e tudo que eles ainda poderiam ter sido!Ah...a projeção...

Eu sou sentimental, como todos aqui sabemos (gratidão pela visita!). Mas eu sei que dá um fundinho no coração de todo mundo pensar que pessoas que se apaixonaram desencontraram.

Tentei recordar - trazer à memória as cores do coração - o que lembro desses dois. Riso aberto, fofurices, brincadeiras, canções...pequenos rituais, aprendidos e partilhadas. Uma coleção de vínculos e de dias pendurados nas paredes do coração.

Eles não eram aqueles casais plásticos, sabe? projetados pela fórmula das conveniências típicas: eu isso, você aquilo, nós, união de comodidades...aliás, sei que, no começo, era tudo zoação e brincadeira...

Mas... 

Eles eram mágicos. Passava uma energia na pele, uma luz no olhar de um para o outro...uma espécie de fio invisível que os interligava e eletrificava o ambiente. Eles eram engraçados e viciantes.

Tinham potência emocional de dentro para fora. 
Mas...ouvi dizer que  ela  'perdeu a esperança/ porque o perdão também cansa de perdoar', como diria Chico.  E ele estava confuso com a intensidade dela e decidiu aceitar a decisão de descer da estação da paixão.

 Eles não estão mais juntos.

Senti uma desesperança de pensar nisso tudo e, confesso: Fiquei pessimista por umas vinte e quatro horas de tempo com a vida - é quase tudo  de tempo que meu coração aguenta ficar. Neste interim, pensei que, se tudo é impermanência, talvez nem tudo valha tanto à pena assim...talvez se apaixonar seja uma grande bobagem e uma perda de recurso emocional. Talvez o amor seja aprender a se despedir ...( eu estava realmente pessimista).

'Será que a gente tá sempre indo embora?'...ou a gente tá sempre chegando? Será que a gente nunca vai chegar?

Daí, lentamente, a vida fez seu trabalho e me trouxe à memória grandes viajantes que seguem juntos. Amores, amigos. Gente que escolheu acolher as mudanças um do outro para seguir na viagem, em conjunto. Eu não sou, nem de perto, a mesma garota da bicicletinha, aos 6. Mas ela segue comigo. Nós ainda somos referencial de amor uma para a outra. E esse é só um dos milhões de exemplos ...fui inundada das impermanências que se movimentam juntas...

Num impulso de otimismo, refaço a história, em minha mente e coração.

Eu os imagino na estação... estão confusos e magoados, cada um de um lado do trilho do trem.
Na viagem do qual desembarcaram,  estão tristes. Mas não tiraram os pés de lá. Da estação.
Ela pensa no que queria que ele lhe dissesse.
Ele quer que ela pare de querer o diferente.

Mas a viagem era boa, antes da quebra inicial, sabe?

Ela olha para ele. Ele para ela. Sentem falta real um do outro. Será que palavras alcançam mesmo a potência que é o milagre de um encontro? O trem da paixão chega novamente na estação. Barulhento e ensurdecedor. Mas o vagão tem portas de entrada pelos dois lados. Ele levanta. Ela levanta.

Eles caminham um para o outro, sem tanta explicação.
Dão as mãos, dentro do trem...

Não são iguais, depois daquela breve descida. Algumas projeções ficaram na estrada. Mas, afinal...eram só bagagem.  Eles reconhecem que não estão no mesmo tempo-espaço.  Tiveram viagens diferentes até chegarem um ao outro. Não é tão físico assim, é quântico: não é tão individual, é interativo. E tudo é tão válido!

Compreendem, no silêncio, que são viajantes intereslares dentro do próprio multiverso. No meio dessa viagem, o passeio pode ser em...par.

Eles querem estar ali.
Não imaginam mais o 'destino final', nem querem chegar...querem estar. 

Eles. Juntos, novamente, prontos para serem diferentes...

O trem da paixão fecha as portas, com eles lá dentro. E vai embora em sua trajetória rumo ao infinito...!



#


P.a: Eu sei, está PIEGAS.
Mas eu sou piegas quando o assunto é pensar em uma vida menos ordinária, mais colorida e possível.
Quem sabe se todo mundo for menos piegas, a gente ouça menos...'eles não estão mais juntos'.
Fiz para um casal de amigos. Mas quem sabe pode ser a sua história? ;)


quinta-feira, 18 de junho de 2026

Não seja o tubarão... não sangre em meio a eles: nenhum é vegano! - Mas, se sangrar, não vire petisco! (Parte 2 de um texto do Filosofia do Boteco)


Este não é um texto filosófico, é mais uma contação de causo, afinal, tem coisa mais legal do que contar em boteco algo que rolou no boteco? Risos.

Então. Fim de tarde no Mercado Central.  Eis que ela chega até mim (eu a conheço pouco e por isso não posso mencionar) e diz...'Li tua escrita sobre os tubarões. Não concordo contigo. Tu sangras, porque tu falas em amor...'

Eu ri. Não discordei do pensamento dela, porque é direito de quem recebe a mensagem: nada aqui é só meu, depois que vem para o espaço. E é uma delícia ser lida e percebida de um modo diferente. 

Mas aqui vai uma reflexão ...o Amor é um jeito de sangrar? 

 Escrevi a crônica 'Não sangre em meio a tubarões: nenhum é vegano!  (E o que isso tem a ver com o livro 'A natureza da mordida', de Carla Madeira?)'.  E, no texto, falo sobre um encontro atípico com uma desconhecida, no banheiro. Ela chorava. Recordei como aquilo tudo me afetou imediatamente, afinal, impossível não ter sido quebrada pela vida e não sentir a dor do outro, de forma instantânea. O que me fez ligar à inusitada situação  com o livro - doloroso e filosófico,  ' A natureza da mordida', da Carla Madeira.  Afinal, a vida tem seu próprio jeito de nos abocanhar. 

Mas, o que isso tem a ver com AMOR???

Bom, eu não creio que sangre em meio a tubarões, no aluanadorme. Primeiro, porque já entendi que nenhum, nenhum é vegano. Segundo, porque sigo acreditando que AMOR não tem a ver com... fazer sangrar.  Que todo afeto é cura nesta vida maluca. Terceiro, porque tu não és um tubarão...correto?

Escrevo sobre sentimentos, aqui neste espaço. Conformidades, inconformidades: o que ouço, porque muita coisa aqui não é só minha, mas dos meus, das muitas humanidades que permeiam a minha escrita,  do que leio e sobre o que vivencio, às vezes, pelo perceber do outro. TEM MUITA VIDA neste peito doido. Eu adoro ouvir histórias malucas. E... eu gosto de gente quebrada.

Os quebrados dançam, sabendo que não sabem a canção.
Os quebrados se refazem e escolhem não quebrar.
Os quebrados são ...doces, sabendo do sabor do sal.
Eles veêm as coisas por ângulos inimagináveis para os 'inteiros'.
Os quebrados precisaram reiventar a vida e, por isso, conhecem possibilidades infinitas, assuntos variados,  luz multicolorida! ...humanidades. 
Quebrados sabem como a vida é interessante, porque sim...escolheram gostar da vida, e não serem 'engolidos' por ela.

Ou seja:  Não confundir quebrados com gente magoada, cortada. 'Mordida' (risos).  Tem gente que não passou pelas dores, ficou lá: no eterno sentir da má água: mágoa, magoada. Os quebrados são humanos que entendem de inteirezas. De vitrais -  Da beleza da luz, que entra pelos feitos dos cacos...(alô, meu amigo Rubem Alves!).

O fato é que nada aqui neste lugar tem a ver com  'sangrar' em meio aos tubarões. Aliás, eu sigo dizendo: eu me protejo de mordidas.  Isso não significa não permitir viver...apenas fazer escolhas acerca do que pode me alcançar e dos universos que me cabem.Tenho uma sorte imensa...e sorte é sempre Deus. Nesse caminho, faço baixos julgamentos: prefiro saber quem as pessoas são por suas atitudes comigo. É sobre perceber.

Eu também não mordo. Quer dizer... ninguém aqui é alecrim dourado para dizer que não machuca ninguém, não é? mas eu tento. E, querido leitorado...não seja o tubarão na vida de ninguém.  Não se coloque na condição terrível de machucar.  E, se estiver machucado, decida a 'natureza da mordida' e cuide-se:  se estiver quebrado, leia o conceito japonês de wabi-sabi e deixe a luz entrar! 

Digo isso, porque minha leitora fatalmente encontra-se nesta condição, quando associa amor à sangrar. E sei que conselhos, nessa fase, não valem, mas aí vai o meu perceber sobre sentir:

Amor é gostar da saliva. Não de fazer sangrar. Paixão é suor, cheiro, pele. Afeto é  conversa boa, riso, partilha, presença macia. Sentir é memória do coração...a arte de existir que mora no coração da beleza. Amor acomoda...é densidade e leveza. Não é nada fácil, mas é uma escolha, e mesmo nisso reside tanto ajuste...

Mas não machuca intencionalmente.

Permanecer vivo - de verdade -  pede esse processo: o de reconhecer nosso vitral particular e perceber que, sem a potência da emoção,  nossa ternura vai embora no cinza do dia a dia. Que tudo isso sobrevive à dor, mas é no afeto que a gente RESPIRA. Que não tem como conectar  com o que nos faz 'sangrar'.

Bom, enquanto tu descobres tudo isso, nesse processo... só peço que não sangre aonde sua dor não vai ser sarada. Mas, se sangrar, não vire petisco. Não fique lá, esperando compreender ' a natureza da mordida'.  Não fique à mercê de gente abestada. O que quero dizer com isso?

Bom. Já viste os peixinhos comendo um pedacinho de carne? 

É sobre.

#


*P.s: Será que tu vais ler esta resposta? ah...tomara que sim.  :)

Acorda



 Quanto tempo uma canção toca
Sob o silêncio?
Quanta vida a gente precisa sentir passar para compreender...que realmente passa?
Que é breve, efêmera, ligeira: Vai embora, no piscar.
Deixa a gente desnorteado de brevidades...
Tão efêmera. Tão efêmera!
Vagarosa, rápida, linda, diversa...
Acorda: às vezes, 'até breve' pode ser um 'nunca mais'... isso assusta. 
Deixa a gente tão incomodado com a força do adeus.
Cuide do que te faz rir, celebra o sangue que corre, a batida que agita e te faz vivo:
 Pessoas são mágicas particulares sob as cinzas da normalidade, 
existem aquelas aonde a gente fica absurdamente iluminado! 
Viva...não vá embora antes de descobrir todas as cores da palavra infinito
A beleza e a poesia ainda vibram sob um apaixonado coração
Não silencie a canção, o mundo anda tão chato!
Talvez você só precise....

A...cor...dar

#

Foi feita nos dias passados, quando soube. Vc sabia que ela estava em coma?
Mas acordou! :)


quarta-feira, 17 de junho de 2026

Patrimônio

 



De tanta coisa para aprender
Tantos livros para ler
Tanta gente para viver
Tanta estrada, coisa e tal...
Eu optei por me ser

- dentro das escolhas que me foram apresentadas-

Na geografia emocional 
Territórios e lagos, altas viagens!
Costuras de cotidianos vários
Texturas e ampulhetas giradas entre o não e o sim
Na confusão aleatória do Universo

- Ainda assim, escolhi a mim.

Todo mundo faz isso, não é mesmo?
E segue à esmo dentro do que é possível ser
A gente aprende tanto, e às vezes
Dá de desaprender
Para se 'rever' no meio do processo

- às vezes, a involução é um progresso-

Dentro do sim e do não que mora em nossa geografia
Entre goles de café e trocados de poesia
Ainda que tenha visto tanta gente tomar outra estrada
Vender sua sombra por espaços na 'calçada'
Escolhi o outro tanto!

Olhar estrelas cadentes, bem-viver a emoção
- Entre mortos e feridos, escolhi - e acolhi! -

Meu coração.

#



*Republicado de 20.05.2025. 
É, eu me escolhi. E também acolhi.

Conversas de Domingo à Noite sol um céu Equinocial






Esta cidade nem é tão grande assim
700 mil solidões brilham sob 142.815 km!
Há mais de Amazonas-Mãe e peixes no rio-mar 
Acompanhado das tempestades que caem em pleno solstício...

Tudo aqui é puramente elementar: isso é uma resposta.

Não percebes, Anjo?
Essa busca inquieta por porto ou por voo
Esse tempo de encantos que não se assossegam
Será que te esqueces que descanso não é acomodar

Mas sim, permitir o pouso?

Aqui, dualidades: ou é intenso sol ou a mais molhada chuva
Tempo de águas ou de borboletas amarelas
A gente mede a vida pelo cheiro da maré e pelo vento
E se vive desse (e)terno movimento...

Percebes a beleza?

Ainda assim, diante de toda imensidão
Resta o sentimento, Anjo,
De que tão passional que és, te falta algo
Em meio à paz desse rio doce mora uma espécie de inquietação

Como se o mundo inteiro precisasse de lógica ou explicação...

Quanta bobice!

Riem-se de ti os botos e as iaras
Ri-se de ti uma lua que não dorme!
Pois é fato, Anjo, que nem tudo precisa de se explicar para ti
Porque as coisas simplesmente são, em si:

Então coabita.

Toma teu porre, chora, busca colo,
Conta da vida as coisas que doem, voa, se te faz feliz!
Mas também aproveita a maluvida estada
Antes que as asas de cera diluam na jornada...

Aproveita a paz, descansa com prazer
Sente o mundo inteiro pulsar, que a vida é de incandescer
Mas também de experiênciar a simplicidades na jornada:
 Desde a água do ventre da mãe, 
Até a terra te (a)colher: eis a estada.




#


Para os bebedores de maré e os viajantes de si e de outros multiversos....LUZ!

Notas: Uma confissão: esta poeta conversa consigo quando usa a palavra "Anjo''. Não porque se sinta angelical, foi puro instinto...ou quem sabe, o reconhecimento de que temos versos e avessos.

*Republicado de 2024, pois acessado... e amo esse poema.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Trânsito


 
Aceleração na rotação:
O maior e o mais potente...vence
Ninguém viu a estrela cadente
Todos atentos ao noticiário:

Plantas no Aquário.

(Minha pequena cidade cresce, desordenada, desigual
Como as batidas de um amalucado coração...)

Pressa, imprecisão: Moinhos de vento
Rotas em colisão
Sem sentido...ou consentido
Deixamos de sentir

Entupidos de anúncios que ensinam
- Felicidade barata, dopamina cara e seus avessos
Tão rápida, consome vida no busca-dor
Suaves venenos...

Mas, no poste adiante, sob o lambe-lambe
Um coração protesta: Não à PEC da devastação!
Sim à vida, à cidade, à Amazônia!
Sim ao Rio Amazonas, ao AMOR!

E me sinto salva - aí está um irmão.

Alguém que levou sua mão e sua vida à uma ideologia comum de paz
E que recorda que viver é ato, revolucionariamente ser gente em plena luz do dia
É a não conformidade. Assimetria... Distopia!
É ARDER o coração por uma causa - mesmo que perdida...

Aí me sinto salva.
Posso voltar à acreditar.
Posso dizer novamente...
Existe amor em Macapá.

#


Salve-se no que te faz amar. 
Poema do dia. Pão quentinho.  :)

Custo de Troca




Se eu tiro os olhos do instante
Não vejo o teu sorriso amado
Por isso tomo cuidado
Com tudo que tenta me distrair...

- Pois o mundo é vasto,
A vida dilui ou condensa
Em dopamina Barata
No aleatório da oferta de atenção...-

Se eu tiro os olhos do instante
Não vejo as cores do agora
E se tu não te demoras mais que um milhão de anos
Qual o dano ao segundo, amado?

- Pois o mundo é vasto
E o amor adensa ou dispersa
Na ordinatória dispensa
Da prateleira da liquidação...-

Se deixo o verbo não-dito
A palavra torna mal-dita 
E gente sempre perde um pouco
Quando escorre o fim do dia...

Se a gente não se percebe,
Quem sabe o que extravia?
Se eu tiro os olhos do instante,
Pode ser que me perca de ti...

#

Recentemente, tive contato com o conceito da expressão 'Custo de troca', (https://www.youtube.com/watch?v=JvSq2IreJdw) para a mente humana, atrelada à ideia da troca de 'telas', e do quanto a mente cansa e como isso tem empobrecido o cinema...mas...sabemos...o cinema é uma parte da arte, a arte uma parte da vida...

Poema de 22.01.2026, republicado, pois acessado.
E porque amei esta construção filosófica.

domingo, 14 de junho de 2026

Divertidamente Complicados



Vai a Paris.
À avenida Fab.
Corre de mim,
Não corre
Viva bem, meu bem.

 Te quero assim
Sem aparar arestas
Só portas abertas
 Linhas que se encontram
E simplesmente são...

 Me faça rir
 Com o teu jeito doido de tomar café
e escrever ao teu lado no meu blusão mais confortável
Conta o teu lado da cidade
Vai que eu te encontre por lá...

 Me deixa louca, rouca

Não quebra meu coração
Se ajeita um pouco, tentação!
 Conforma o abraço, o passo
 Não me deixa na linha de chegada
Te esperando naquela calçada

Porque tu voltas e eu te quero
E a nossa estrada se entrelaça
Se fica longe, quer se encontrar 
E o coração bagunça
 ...Inexplicavelmente.

#

 Poema para o casal de Sex And the City, porque fiz as pazes com a Carrie e o Sr.Big (Porque compartilhei minhas ideias sobre o casal e tive uma nova visão...então...perhaps love)

Eu sempre brinco com a Salvador Diniz ou a Fab. São minhas linhas imaginárias da infância.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Ensaios sobre Saudades e o Velho e bom amor!

  

Eu e Bia no velho café de sempre, seja à distância, seja perto.  A gente gosta de tradições, sabe? e criou muitas no infinito particular de sermos 'nós'.

No meio do diálogo, eis que ela solta que está preocupada comigo, pois não me via ou ouvia mais publicar algo pessoal sobre o bom e velho amor. Me ouvia falar em afetos, mas não do amor. Nessa palavrinha mágica e singular que tanto nos une. 

Bom, a forma como disse recordou para mim o quão esse relicário sagrado chamado afeto têm estado demodé...e hoje, 12.06, é dia dos Namorados..

A forma como disse me recordou aquelas velhas crenças e crendices de ser criança nos anos 90/2000. Eu fui uma criança bem crédula mesmo. Do tipo que acredita em papai noel, loura do cemitério, mula sem cabeça, saci, Boto. De ficar fascinada e amedrontada com a 'besta da meia noite'. Tive pesadelos com Freddy Krueger e, cruzes, como eu tinha medo de assombração! Tinha uma tia campeã em contar histórias antigas. Ainda hoje gosto de sentar com ela e bater aquele papo longo, pois a afinidade é muita, é a distância que atrapalha. Ah!...a distância que atrapalha. As crendices populares viraram uma memória desbotada e curiosa. E até acho que aprendi que papai noel era meu pai, muito cedo, ele deveria ter me deixado mais tempo...enfim. 

Brinquei com a Bia dizendo: 'Será que o amor é o Papai Noel do adulto? E o medo do não-encontro o novo Freddy Krueger?

Rimos e seguimos o papo. Nenhuma das duas acredita nisso.

Paralelo a esses pensamentos, sai para tomar café com Edilene - outra grande amiga, que está no projeto pessoal de sua família. Ela me presenteou com uma boneca de cabelos rosados, como os meus eram, quando a gente se conheceu....e disse que ainda me via assim, apesar das mudanças e nuances que acalmaram tanto os tons. 

Para fechar essa que foi uma semana de pensar nos 'labirintos ' do caminho e no quanto mudei  através deles, bati um papo com um grandes amigos que tenho nessa vida e ele - que agora está de coração partido - me confidenciou que tinha uma carta para a mulher da vida dele. Eu fiquei tão impressionada por isso ainda ser feito, nestes tempos de descrenças... 

Junto esses eventos para te dizer que todas essas coisas me iluminam. Cada projeto e cada sonho me entusiasma.  Então, resolvi responder à Bia do jeito que hoje creio e  escrevo: 

O amor já está aqui.  Enorme e tranquilo, finalmente. Mas é também cada um desses vínculos doces com quem tenho a honra de viver pequenos milagres e desventuras. E também está lá fora, na vida das demais pessoas, em seus cotidianos e lutas matinais - reais ou ficcionais. O amor me tratou bem nesta caminhada e, confesso que, realmente me deu um ótimo parâmetro.

O amor é a felicidade, no processo de construção de algo - seja plantar um livro, escrever um filho, ter uma árvore. Isso, fora de ordem mesmo: porque o amor é singular e não têm fórmula. Não cumpre mil protocolos. 

O amor é o que faz sentido, quando não tem sentido. É nosso coração em movimento, dizendo que ele tem seu jeito singular de fazer as coisas. Não tem explicação. Só existe. Fica na nossa pele, dentro de um pedaço do nosso corpo e se instala na nossa respiração. Fica lá, sem precisar de nada. Às vezes, sem pedir.

O amor é meu cheiro - e meu perfume - favorito. Sei que é o teu (que me lê) também. 

O amor gosta de gente feliz. Que busca conhecimento, alegria... e não vive à espera ou ansioso....de gente que têm significados como parte de sua formulação e sabe que, por ser construção, é feito de pequenos detalhes nem sempre tão nobres assim. Porque bons sentimentos não param em qualquer parada e afeto real e recíproco não chega quando estamos desnutridos...de nós. 

O amor, quando requer pele, é também paixão: e a paixão é um cão dos diabos (risos)! não é todo ajustadinho à nossa percepção de ser gente: dá trabalho, dá medo, tem desencontro, reencontro, reedição, não é um filme cliché de comédia romântica, mas pode ser uma série: tem primeira, segunda, terceira temporada...quem diz quando acaba? ...e se acaba?

Até porque, minha Bia, foi você quem me disse

 

"Antes de acomodar,

O amor bagunça um pouco''.

 

#

  * Pronto,  escrevi algo pessoal sobre o amor , Bianca Andrade.

*Republicado (acho que de 2024 ou 2025, não consegui acessar a data, pois larguei o piloto no automático e quando fui buscar, não tinha o registro). Mas está adaptado: Contém informações novas.

FELIZ DIA DOS NAMORADOS A ESSE LEITORADO QUE ONTEM ME DEU A HONRA DE TER  1200 ACESSOS (Creio que falar de amor não é tão demodé assim). <3 

Paixão! (Poema 4 da Sessão 'Eu amo o dia dos Namorados')






Então, Paixão.
O que fazer de nós?
Só vem...me abraça um pouco
Senti saudades e falei...

Vamos ter fé que nossos corações dão conta
Que a gente aprende como fazer a janta
Viver nós dois de um jeito calmo,
rir e ver um filme na televisão...

Gosto do cheiro da tua respiração
Da paz que respira em mim
Quando de te vejo brincar, contar uma piada
Igual a um menino bobo, desajeitado

Segura na minha mão, ela quer a tua... sem alarde
Descasca no meu corpo, minha pele nua
Me diz que é bonito sentir contigo
Eu corro esse perigo...corro sim

Fica quieto, Paixão: não fala tanto
Não me pede tantas desculpas e também...não faz assim
Deixa o tempo absorver o impacto
Que eu só gosto dos teus abraços, mesmo

O que dá p´ra fazer? eu tento me escolher, te acolho...

Não há perfeita sincronia no universo, nem o verso
A palavra também precisa de ajuste para encaixar: O que é o tempo
Senão o espaço para o coração significar?
A gente cresce no medo, na euforia, no erro...

Vem cá,
Eu me sinto calma e acesa quando te enlaço,

E quero mais do dia que virá, depois
Feito aprender a beleza de ser...feijão com arroz.
Que coisa maluca, estúpida, que chega e toma conta
... Será que isso é se apaixonar?

#

Estava nos nos rascunhos do blog...e meio que é o que penso de paixão, como elo que conforma.
Sei lá, acho isso tudo aí...tão imperfeito e realmente belo. 
E este é o poema 4 dos dias dos namorados.
De coração para coração, encha-se de fé nas coisas lindas da vida.
Estamos aqui para ver a ternura nos detalhes da borboleta...

Feliz dia dos (e)namorados.
Que teu dia seja bonito.
:)



quinta-feira, 11 de junho de 2026

Conselhos para a ruiva

 

Delicadeza (in)discreta:
Piração na piração
Levou tempo para sustentar o quilate 
Deste impróprio amalucado meu coração!

Mas  o pulso - pasme:  ainda pulsa. E celebra...

As ruas passam, esquinas vão
No vão do peito, tão sem jeito, vivo de dizer aos meus afetos
Que o amor existe...que a bondade é elo
Que nos enlaça,

E, por bênção do destino, nos alcança
Num dia qualquer, entre a Salvador Diniz e a Fab.

Acalma:

O que é teu... te cura!
Creia nisso e caminha.
O que é teu...aterra a emoção, sem soterrar
O que é teu, celebra te encontrar...

Tua  geografia emocional te salva: na dúvida, 
Corre para quem é casa, para quem te abraça feito asa
Para quem te faz gostar do tempo, enquanto passa
E faz o  calor do equador aliviar macio no peito...feito chuva

A vida é coisa tão efêmera e isso tudo a faz tão, tão rara

O resto não perfuma a existência, vapor barato
Não deixa ninguém te reensinar o que te torne menos
Menos quente, feliz, voraz
Menos doce ou crédula... não faz:

A verdade é uma frequência que vibra e se conecta com  paz...

#

Hoje, dia 11.06, é dia de lembrar que a vida é efêmera, pois meu grande amigo, o Senhor meu Pai, faz aniversário de passagem. Eu sei que aprendi muito do que está aí em cima...contigo, amor meu.
E o mais, é o que eu quero contar sobre mim...quando a gente se abraçar novamente.
Amo-te infinito, você é meu anjo mais velho! 
Em qualquer canto do teu voo,
Recebe meu amor.
(Pai)ssarinho.

(Des)aceleração (Poema 2 da Sessão 'Eu amo o dia dos Namorados')



Vida-acorda-em verborragia:
Milhões de letras, entre teclados e dedos
Milhões de verbos - Petições e poemas
Milhões de frases - às vezes sem nenhum sentido

O tic tac do relógio
O tec tec do teclado...
Aceleração!

Então,
Cuida do meu silêncio, meu bem...
(do quão sou confortável contigo)
Na calmaria fina da respiração

No riso macio
no tum tum tum do coração...
(alucinação)

Não espera tanto barulho
Mas a sincera lealdade ao afeto
Não vou falar 'do que é correto'
A  gente segue a estreita margem desse rio

Sem precisar dizer...

Não pergunta o que ofende o laço
Gruda em mim sem se perder de ti
A gente encontra o melhor tom para nós dois
Esquece todo mundo e vira noite-de-conversa-afora

(E no revés da pressa
se demora em construir algo verdadeiro e bom...)

Segura meu coração com calma (eu não quero ir)
Na palma da tua emoção sou tão leve... lugar certo
Me dá o teu mais sincero afeto
Sem ter medo ou te esconder de mim...




#


*Republicado de fevereiro, pois acessado e faz parte da proposta da semana. :)

N.03 - Eles! (Miniconto Poético) - Por Bianca Andrade.

Um cuidou do outro, viram filmes, tiveram filhos (ou não), foram aos parques, discutiram sons, planejaram bobagens, viagens e hoje morrem...




De rir!


(Adaptação de Cicero - Vagalumes Cegos)


Bianca Andrade tem muitas maneiras de ser apresentada: Publicitária, assessora de comunicação, poeta, ser humano gentil e empático que muito amo. Mas a melhor apresentação é ...uma das melhores das vidas. Eu sinto saudades todos os dias da sua leveza de passarinho.

*Republicada de 03.06.2016, da Sessão 'Eu amo o dia dos Namorados' daquele ano.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Aquela Máquina de Digitar Afetos! (Poema 1 da Sessão: Eu amo o dia dos namorados!)



De conhecer o quilate
da máquina que bate e digita afetos
Sua ânsia e seu bailado
Aprendo cotidianamente constâncias:

Viver não é sobre o que agita a maré
Mas sobre o que nos traz fé
Impulsiona para o bem,
Nos faz rir, gostar da vida:

As primeiras pessoas do dia
perto ou longe, sentidas na pele da emoção
A piada, o poema, a poesia...Lívida
Apesar de parecer simples, precisa haver magia..

Química, composição!

E não é fácil encontrar uma boa verdadeira canção...

Se encontrar a sua pessoa, dance. 
Mesmo sem saber dançar...
Se achar quem vale o peso da sua alma, deixe
A vida acomodar...

Sinta, aprenda seu cheiro e  perfume:

Não tenha tanto medo
 - é pavoroso perder sem tentar...-
Como um fantasma que fica, debaixo da pele
Pedindo para vir ao lar...

Se perceber que é bom, coopere: fácil, não será
Não tem simplicidade em ser gente
E ninguém veio com um perfeito encaixe
Quebre qualquer coisa, menos o principal cristal da casa:

Enlace.

Se encontrar suas asas, voe e convide a voar...


#


Há anos este espaço celebra o dia dos Namorados com poesia.   Afetos reais... tudo que é realmente valioso. Conexões significativas: aquelas em que  o tempo passa voando e a gente sente até medo de perder...que trazem fé, bondade, risos...clareza. 
Eu amo o dia dos namorados.  Entre tantas datas comerciais, não é significativo que exista um dia especial para celebrarmos o vínculo com a pessoa que recebe o peso e a leveza do coração? Independente de termos ou não esta pessoa, neste 12.06.2026, eu e tu - que lemos o aluanaodorme - sabemos que este espaço gosta da vida. E de tudo que toca.
Enamorados ou solteiros, vamos celebrar o dia: respirar é o melhor jeito de transgredir. 
A data é uma vitória do afeto. Só não supera 25 de Dezembro, para mim.