quinta-feira, 18 de junho de 2026

Não seja o tubarão... não sangre em meio a eles: nenhum é vegano! - Mas, se sangrar, não vire petisco! (Parte 2 de um texto do Filosofia do Boteco)


Este não é um texto filosófico, é mais uma contação de causo, afinal, tem coisa mais legal do que contar em boteco algo que rolou no boteco? Risos.

Então. Fim de tarde no Mercado Central.  Eis que ela chega até mim (eu a conheço pouco e por isso não posso mencionar) e diz...'Li tua escrita sobre os tubarões. Não concordo contigo. Tu sangras, porque tu falas em amor...'

Eu ri. Não discordei do pensamento dela, porque é direito de quem recebe a mensagem: nada aqui é só meu, depois que vem para o espaço. E é uma delícia ser lida e percebida de um modo diferente. 

Mas aqui vai uma reflexão ...o Amor é um jeito de sangrar? 

 Escrevi a crônica 'Não sangre em meio a tubarões: nenhum é vegano!  (E o que isso tem a ver com o livro 'A natureza da mordida', de Carla Madeira?)'.  E, no texto, falo sobre um encontro atípico com uma desconhecida, no banheiro. Ela chorava. Recordei como aquilo tudo me afetou imediatamente, afinal, impossível não ter sido quebrada pela vida e não sentir a dor do outro, de forma instantânea. O que me fez ligar à inusitada situação  com o livro - doloroso e filosófico,  ' A natureza da mordida', da Carla Madeira.  Afinal, a vida tem seu próprio jeito de nos abocanhar. 

Mas, o que isso tem a ver com AMOR???

Bom, eu não creio que sangre em meio a tubarões, no aluanadorme. Primeiro, porque já entendi que nenhum, nenhum é vegano. Segundo, porque sigo acreditando que AMOR não tem a ver com... fazer sangrar.  Que todo afeto é cura nesta vida maluca. Terceiro, porque tu não és um tubarão...correto?

Escrevo sobre sentimentos, aqui neste espaço. Conformidades, inconformidades: o que ouço, porque muita coisa aqui não é só minha, mas dos meus, das muitas humanidades que permeiam a minha escrita,  do que leio e sobre o que vivencio, às vezes, pelo perceber do outro. TEM MUITA VIDA neste peito doido. Eu adoro ouvir histórias malucas. E... eu gosto de gente quebrada.

Os quebrados dançam, sabendo que não sabem a canção.
Os quebrados se refazem e escolhem não quebrar.
Os quebrados são ...doces, sabendo do sabor do sal.
Eles veêm as coisas por ângulos inimagináveis para os 'inteiros'.
Os quebrados precisaram reiventar a vida e, por isso, conhecem possibilidades infinitas, assuntos variados,  luz multicolorida! ...humanidades. 
Quebrados sabem como a vida é interessante, porque sim...escolheram gostar da vida, e não serem 'engolidos' por ela.

Ou seja:  Não confundir quebrados com gente magoada, cortada. 'Mordida' (risos).  Tem gente que não passou pelas dores, ficou lá: no eterno sentir da má água: mágoa, magoada. Os quebrados são humanos que entendem de inteirezas. De vitrais -  Da beleza da luz, que entra pelos feitos dos cacos...(alô, meu amigo Rubem Alves!).

O fato é que nada aqui neste lugar tem a ver com  'sangrar' em meio aos tubarões. Aliás, eu sigo dizendo: eu me protejo de mordidas.  Isso não significa não permitir viver...apenas fazer escolhas acerca do que pode me alcançar e dos universos que me cabem.Tenho uma sorte imensa...e sorte é sempre Deus. Nesse caminho, faço baixos julgamentos: prefiro saber quem as pessoas são por suas atitudes comigo. É sobre perceber.

Eu também não mordo. Quer dizer... ninguém aqui é alecrim dourado para dizer que não machuca ninguém, não é? mas eu tento. E, querido leitorado...não seja o tubarão na vida de ninguém.  Não se coloque na condição terrível de machucar.  E, se estiver machucado, decida a 'natureza da mordida' e cuide-se:  se estiver quebrado, leia o conceito japonês de wabi-sabi e deixe a luz entrar! 

Digo isso, porque minha leitora fatalmente encontra-se nesta condição, quando associa amor à sangrar. E sei que conselhos, nessa fase, não valem, mas aí vai o meu perceber sobre sentir:

Amor é gostar da saliva. Não de fazer sangrar. Paixão é suor, cheiro, pele. Afeto é  conversa boa, riso, partilha, presença macia. Sentir é memória do coração...a arte de existir que mora no coração da beleza. Amor acomoda...é densidade e leveza. Não é nada fácil, mas é uma escolha, e mesmo nisso reside tanto ajuste...

Mas não machuca intencionalmente.

Permanecer vivo - de verdade -  pede esse processo: o de reconhecer nosso vitral particular e perceber que, sem a potência da emoção,  nossa ternura vai embora no cinza do dia a dia. Que tudo isso sobrevive à dor, mas é no afeto que a gente RESPIRA. Que não tem como conectar  com o que nos faz 'sangrar'.

Bom, enquanto tu descobres tudo isso, nesse processo... só peço que não sangre aonde sua dor não vai ser sarada. Mas, se sangrar, não vire petisco. Não fique lá, esperando compreender ' a natureza da mordida'.  Não fique à mercê de gente abestada. O que quero dizer com isso?

Bom. Já viste os peixinhos comendo um pedacinho de carne? 

É sobre.

#


*P.s: Será que tu vais ler esta resposta? ah...tomara que sim.  :)

Acorda



 Quanto tempo uma canção toca
Sob o silêncio?
Quanta vida a gente precisa sentir passar para compreender...que realmente passa?
Que é breve, efêmera, ligeira: Vai embora, no piscar.
Deixa a gente desnorteado de brevidades...
Tão efêmera. Tão efêmera!
Vagarosa, rápida, linda, diversa...
Acorda: às vezes, 'até breve' pode ser um 'nunca mais'... isso assusta. 
Deixa a gente tão incomodado com a força do adeus.
Cuide do que te faz rir, celebra o sangue que corre, a batida que agita e te faz vivo:
 Pessoas são mágicas particulares sob as cinzas da normalidade, 
existem aquelas aonde a gente fica absurdamente iluminado! 
Viva...não vá embora antes de descobrir todas as cores da palavra infinito
A beleza e a poesia ainda vibram sob um apaixonado coração
Não silencie a canção, o mundo anda tão chato!
Talvez você só precise....

A...cor...dar

#

Foi feita nos dias passados, quando soube. Vc sabia que ela estava em coma?
Mas acordou! :)


quarta-feira, 17 de junho de 2026

Patrimônio

 



De tanta coisa para aprender
Tantos livros para ler
Tanta gente para viver
Tanta estrada, coisa e tal...
Eu optei por me ser

- dentro das escolhas que me foram apresentadas-

Na geografia emocional 
Territórios e lagos, altas viagens!
Costuras de cotidianos vários
Texturas e ampulhetas giradas entre o não e o sim
Na confusão aleatória do Universo

- Ainda assim, escolhi a mim.

Todo mundo faz isso, não é mesmo?
E segue à esmo dentro do que é possível ser
A gente aprende tanto, e às vezes
Dá de desaprender
Para se 'rever' no meio do processo

- às vezes, a involução é um progresso-

Dentro do sim e do não que mora em nossa geografia
Entre goles de café e trocados de poesia
Ainda que tenha visto tanta gente tomar outra estrada
Vender sua sombra por espaços na 'calçada'
Escolhi o outro tanto!

Olhar estrelas cadentes, bem-viver a emoção
- Entre mortos e feridos, escolhi - e acolhi! -

Meu coração.

#



*Republicado de 20.05.2025. 
É, eu me escolhi. E também acolhi.

Conversas de Domingo à Noite sol um céu Equinocial






Esta cidade nem é tão grande assim
700 mil solidões brilham sob 142.815 km!
Há mais de Amazonas-Mãe e peixes no rio-mar 
Acompanhado das tempestades que caem em pleno solstício...

Tudo aqui é puramente elementar: isso é uma resposta.

Não percebes, Anjo?
Essa busca inquieta por porto ou por voo
Esse tempo de encantos que não se assossegam
Será que te esqueces que descanso não é acomodar

Mas sim, permitir o pouso?

Aqui, dualidades: ou é intenso sol ou a mais molhada chuva
Tempo de águas ou de borboletas amarelas
A gente mede a vida pelo cheiro da maré e pelo vento
E se vive desse (e)terno movimento...

Percebes a beleza?

Ainda assim, diante de toda imensidão
Resta o sentimento, Anjo,
De que tão passional que és, te falta algo
Em meio à paz desse rio doce mora uma espécie de inquietação

Como se o mundo inteiro precisasse de lógica ou explicação...

Quanta bobice!

Riem-se de ti os botos e as iaras
Ri-se de ti uma lua que não dorme!
Pois é fato, Anjo, que nem tudo precisa de se explicar para ti
Porque as coisas simplesmente são, em si:

Então coabita.

Toma teu porre, chora, busca colo,
Conta da vida as coisas que doem, voa, se te faz feliz!
Mas também aproveita a maluvida estada
Antes que as asas de cera diluam na jornada...

Aproveita a paz, descansa com prazer
Sente o mundo inteiro pulsar, que a vida é de incandescer
Mas também de experiênciar a simplicidades na jornada:
 Desde a água do ventre da mãe, 
Até a terra te (a)colher: eis a estada.




#


Para os bebedores de maré e os viajantes de si e de outros multiversos....LUZ!

Notas: Uma confissão: esta poeta conversa consigo quando usa a palavra "Anjo''. Não porque se sinta angelical, foi puro instinto...ou quem sabe, o reconhecimento de que temos versos e avessos.

*Republicado de 2024, pois acessado... e amo esse poema.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Trânsito


 
Aceleração na rotação:
O maior e o mais potente...vence
Ninguém viu a estrela cadente
Todos atentos ao noticiário:

Plantas no Aquário.

(Minha pequena cidade cresce, desordenada, desigual
Como as batidas de um amalucado coração...)

Pressa, imprecisão: Moinhos de vento
Rotas em colisão
Sem sentido...ou consentido
Deixamos de sentir

Entupidos de anúncios que ensinam
- Felicidade barata, dopamina cara e seus avessos
Tão rápida, consome vida no busca-dor
Suaves venenos...

Mas, no poste adiante, sob o lambe-lambe
Um coração protesta: Não à PEC da devastação!
Sim à vida, à cidade, à Amazônia!
Sim ao Rio Amazonas, ao AMOR!

E me sinto salva - aí está um irmão.

Alguém que levou sua mão e sua vida à uma ideologia comum de paz
E que recorda que viver é ato, revolucionariamente ser gente em plena luz do dia
É a não conformidade. Assimetria... Distopia!
É ARDER o coração por uma causa - mesmo que perdida...

Aí me sinto salva.
Posso voltar à acreditar.
Posso dizer novamente...
Existe amor em Macapá.

#


Salve-se no que te faz amar. 
Poema do dia. Pão quentinho.  :)

Custo de Troca




Se eu tiro os olhos do instante
Não vejo o teu sorriso amado
Por isso tomo cuidado
Com tudo que tenta me distrair...

- Pois o mundo é vasto,
A vida dilui ou condensa
Em dopamina Barata
No aleatório da oferta de atenção...-

Se eu tiro os olhos do instante
Não vejo as cores do agora
E se tu não te demoras mais que um milhão de anos
Qual o dano ao segundo, amado?

- Pois o mundo é vasto
E o amor adensa ou dispersa
Na ordinatória dispensa
Da prateleira da liquidação...-

Se deixo o verbo não-dito
A palavra torna mal-dita 
E gente sempre perde um pouco
Quando escorre o fim do dia...

Se a gente não se percebe,
Quem sabe o que extravia?
Se eu tiro os olhos do instante,
Pode ser que me perca de ti...

#

Recentemente, tive contato com o conceito da expressão 'Custo de troca', (https://www.youtube.com/watch?v=JvSq2IreJdw) para a mente humana, atrelada à ideia da troca de 'telas', e do quanto a mente cansa e como isso tem empobrecido o cinema...mas...sabemos...o cinema é uma parte da arte, a arte uma parte da vida...

Poema de 22.01.2026, republicado, pois acessado.
E porque amei esta construção filosófica.

domingo, 14 de junho de 2026

Divertidamente Complicados



Vai a Paris.
À avenida Fab.
Corre de mim,
Não corre
Viva bem, meu bem.

 Te quero assim
Sem aparar arestas
Só portas abertas
 Linhas que se encontram
E simplesmente são...

 Me faça rir
 Com o teu jeito doido de tomar café
e escrever ao teu lado no meu blusão mais confortável
Conta o teu lado da cidade
Vai que eu te encontre por lá...

 Me deixa louca, rouca

Não quebra meu coração
Se ajeita um pouco, tentação!
 Conforma o abraço, o passo
 Não me deixa na linha de chegada
Te esperando naquela calçada

Porque tu voltas e eu te quero
E a nossa estrada se entrelaça
Se fica longe, quer se encontrar 
E o coração bagunça
 ...Inexplicavelmente.

#

 Poema para o casal de Sex And the City, porque fiz as pazes com a Carrie e o Sr.Big (Porque compartilhei minhas ideias sobre o casal e tive uma nova visão...então...perhaps love)

Eu sempre brinco com a Salvador Diniz ou a Fab. São minhas linhas imaginárias da infância.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Ensaios sobre Saudades e o Velho e bom amor!

  

Eu e Bia no velho café de sempre, seja à distância, seja perto.  A gente gosta de tradições, sabe? e criou muitas no infinito particular de sermos 'nós'.

No meio do diálogo, eis que ela solta que está preocupada comigo, pois não me via ou ouvia mais publicar algo pessoal sobre o bom e velho amor. Me ouvia falar em afetos, mas não do amor. Nessa palavrinha mágica e singular que tanto nos une. 

Bom, a forma como disse recordou para mim o quão esse relicário sagrado chamado afeto têm estado demodé...e hoje, 12.06, é dia dos Namorados..

A forma como disse me recordou aquelas velhas crenças e crendices de ser criança nos anos 90/2000. Eu fui uma criança bem crédula mesmo. Do tipo que acredita em papai noel, loura do cemitério, mula sem cabeça, saci, Boto. De ficar fascinada e amedrontada com a 'besta da meia noite'. Tive pesadelos com Freddy Krueger e, cruzes, como eu tinha medo de assombração! Tinha uma tia campeã em contar histórias antigas. Ainda hoje gosto de sentar com ela e bater aquele papo longo, pois a afinidade é muita, é a distância que atrapalha. Ah!...a distância que atrapalha. As crendices populares viraram uma memória desbotada e curiosa. E até acho que aprendi que papai noel era meu pai, muito cedo, ele deveria ter me deixado mais tempo...enfim. 

Brinquei com a Bia dizendo: 'Será que o amor é o Papai Noel do adulto? E o medo do não-encontro o novo Freddy Krueger?

Rimos e seguimos o papo. Nenhuma das duas acredita nisso.

Paralelo a esses pensamentos, sai para tomar café com Edilene - outra grande amiga, que está no projeto pessoal de sua família. Ela me presenteou com uma boneca de cabelos rosados, como os meus eram, quando a gente se conheceu....e disse que ainda me via assim, apesar das mudanças e nuances que acalmaram tanto os tons. 

Para fechar essa que foi uma semana de pensar nos 'labirintos ' do caminho e no quanto mudei  através deles, bati um papo com um grandes amigos que tenho nessa vida e ele - que agora está de coração partido - me confidenciou que tinha uma carta para a mulher da vida dele. Eu fiquei tão impressionada por isso ainda ser feito, nestes tempos de descrenças... 

Junto esses eventos para te dizer que todas essas coisas me iluminam. Cada projeto e cada sonho me entusiasma.  Então, resolvi responder à Bia do jeito que hoje creio e  escrevo: 

O amor já está aqui.  Enorme e tranquilo, finalmente. Mas é também cada um desses vínculos doces com quem tenho a honra de viver pequenos milagres e desventuras. E também está lá fora, na vida das demais pessoas, em seus cotidianos e lutas matinais - reais ou ficcionais. O amor me tratou bem nesta caminhada e, confesso que, realmente me deu um ótimo parâmetro.

O amor é a felicidade, no processo de construção de algo - seja plantar um livro, escrever um filho, ter uma árvore. Isso, fora de ordem mesmo: porque o amor é singular e não têm fórmula. Não cumpre mil protocolos. 

O amor é o que faz sentido, quando não tem sentido. É nosso coração em movimento, dizendo que ele tem seu jeito singular de fazer as coisas. Não tem explicação. Só existe. Fica na nossa pele, dentro de um pedaço do nosso corpo e se instala na nossa respiração. Fica lá, sem precisar de nada. Às vezes, sem pedir.

O amor é meu cheiro - e meu perfume - favorito. Sei que é o teu (que me lê) também. 

O amor gosta de gente feliz. Que busca conhecimento, alegria... e não vive à espera ou ansioso....de gente que têm significados como parte de sua formulação e sabe que, por ser construção, é feito de pequenos detalhes nem sempre tão nobres assim. Porque bons sentimentos não param em qualquer parada e afeto real e recíproco não chega quando estamos desnutridos...de nós. 

O amor, quando requer pele, é também paixão: e a paixão é um cão dos diabos (risos)! não é todo ajustadinho à nossa percepção de ser gente: dá trabalho, dá medo, tem desencontro, reencontro, reedição, não é um filme cliché de comédia romântica, mas pode ser uma série: tem primeira, segunda, terceira temporada...quem diz quando acaba? ...e se acaba?

Até porque, minha Bia, foi você quem me disse

 

"Antes de acomodar,

O amor bagunça um pouco''.

 

#

  * Pronto,  escrevi algo pessoal sobre o amor , Bianca Andrade.

*Republicado (acho que de 2024 ou 2025, não consegui acessar a data, pois larguei o piloto no automático e quando fui buscar, não tinha o registro). Mas está adaptado: Contém informações novas.

FELIZ DIA DOS NAMORADOS A ESSE LEITORADO QUE ONTEM ME DEU A HONRA DE TER  1200 ACESSOS (Creio que falar de amor não é tão demodé assim). <3 

Paixão! (Poema 4 da Sessão 'Eu amo o dia dos Namorados')






Então, Paixão.
O que fazer de nós?
Só vem...me abraça um pouco
Senti saudades e falei...

Vamos ter fé que nossos corações dão conta
Que a gente aprende como fazer a janta
Viver nós dois de um jeito calmo,
rir e ver um filme na televisão...

Gosto do cheiro da tua respiração
Da paz que respira em mim
Quando de te vejo brincar, contar uma piada
Igual a um menino bobo, desajeitado

Segura na minha mão, ela quer a tua... sem alarde
Descasca no meu corpo, minha pele nua
Me diz que é bonito sentir contigo
Eu corro esse perigo...corro sim

Fica quieto, Paixão: não fala tanto
Não me pede tantas desculpas e também...não faz assim
Deixa o tempo absorver o impacto
Que eu só gosto dos teus abraços, mesmo

O que dá p´ra fazer? eu tento me escolher, te acolho...

Não há perfeita sincronia no universo, nem o verso
A palavra também precisa de ajuste para encaixar: O que é o tempo
Senão o espaço para o coração significar?
A gente cresce no medo, na euforia, no erro...

Vem cá,
Eu me sinto calma e acesa quando te enlaço,

E quero mais do dia que virá, depois
Feito aprender a beleza de ser...feijão com arroz.
Que coisa maluca, estúpida, que chega e toma conta
... Será que isso é se apaixonar?

#

Estava nos nos rascunhos do blog...e meio que é o que penso de paixão, como elo que conforma.
Sei lá, acho isso tudo aí...tão imperfeito e realmente belo. 
E este é o poema 4 dos dias dos namorados.
De coração para coração, encha-se de fé nas coisas lindas da vida.
Estamos aqui para ver a ternura nos detalhes da borboleta...

Feliz dia dos (e)namorados.
Que teu dia seja bonito.
:)



quinta-feira, 11 de junho de 2026

Conselhos para a ruiva

 

Delicadeza (in)discreta:
Piração na piração
Levou tempo para sustentar o quilate 
Deste impróprio amalucado meu coração!

Mas  o pulso - pasme:  ainda pulsa. E celebra...

As ruas passam, esquinas vão
No vão do peito, tão sem jeito, vivo de dizer aos meus afetos
Que o amor existe...que a bondade é elo
Que nos enlaça,

E, por bênção do destino, nos alcança
Num dia qualquer, entre a Salvador Diniz e a Fab.

Acalma:

O que é teu... te cura!
Creia nisso e caminha.
O que é teu...aterra a emoção, sem soterrar
O que é teu, celebra te encontrar...

Tua  geografia emocional te salva: na dúvida, 
Corre para quem é casa, para quem te abraça feito asa
Para quem te faz gostar do tempo, enquanto passa
E faz o  calor do equador aliviar macio no peito...feito chuva

A vida é coisa tão efêmera e isso tudo a faz tão, tão rara

O resto não perfuma a existência, vapor barato
Não deixa ninguém te reensinar o que te torne menos
Menos quente, feliz, voraz
Menos doce ou crédula... não faz:

A verdade é uma frequência que vibra e se conecta com  paz...

#

Hoje, dia 11.06, é dia de lembrar que a vida é efêmera, pois meu grande amigo, o Senhor meu Pai, faz aniversário de passagem. Eu sei que aprendi muito do que está aí em cima...contigo, amor meu.
E o mais, é o que eu quero contar sobre mim...quando a gente se abraçar novamente.
Amo-te infinito, você é meu anjo mais velho! 
Em qualquer canto do teu voo,
Recebe meu amor.
(Pai)ssarinho.

(Des)aceleração (Poema 2 da Sessão 'Eu amo o dia dos Namorados')



Vida-acorda-em verborragia:
Milhões de letras, entre teclados e dedos
Milhões de verbos - Petições e poemas
Milhões de frases - às vezes sem nenhum sentido

O tic tac do relógio
O tec tec do teclado...
Aceleração!

Então,
Cuida do meu silêncio, meu bem...
(do quão sou confortável contigo)
Na calmaria fina da respiração

No riso macio
no tum tum tum do coração...
(alucinação)

Não espera tanto barulho
Mas a sincera lealdade ao afeto
Não vou falar 'do que é correto'
A  gente segue a estreita margem desse rio

Sem precisar dizer...

Não pergunta o que ofende o laço
Gruda em mim sem se perder de ti
A gente encontra o melhor tom para nós dois
Esquece todo mundo e vira noite-de-conversa-afora

(E no revés da pressa
se demora em construir algo verdadeiro e bom...)

Segura meu coração com calma (eu não quero ir)
Na palma da tua emoção sou tão leve... lugar certo
Me dá o teu mais sincero afeto
Sem ter medo ou te esconder de mim...




#


*Republicado de fevereiro, pois acessado e faz parte da proposta da semana. :)

N.03 - Eles! (Miniconto Poético) - Por Bianca Andrade.

Um cuidou do outro, viram filmes, tiveram filhos (ou não), foram aos parques, discutiram sons, planejaram bobagens, viagens e hoje morrem...




De rir!


(Adaptação de Cicero - Vagalumes Cegos)


Bianca Andrade tem muitas maneiras de ser apresentada: Publicitária, assessora de comunicação, poeta, ser humano gentil e empático que muito amo. Mas a melhor apresentação é ...uma das melhores das vidas. Eu sinto saudades todos os dias da sua leveza de passarinho.

*Republicada de 03.06.2016, da Sessão 'Eu amo o dia dos Namorados' daquele ano.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Aquela Máquina de Digitar Afetos! (Poema 1 da Sessão: Eu amo o dia dos namorados!)



De conhecer o quilate
da máquina que bate e digita afetos
Sua ânsia e seu bailado
Aprendo cotidianamente constâncias:

Viver não é sobre o que agita a maré
Mas sobre o que nos traz fé
Impulsiona para o bem,
Nos faz rir, gostar da vida:

As primeiras pessoas do dia
perto ou longe, sentidas na pele da emoção
A piada, o poema, a poesia...Lívida
Apesar de parecer simples, precisa haver magia..

Química, composição!

E não é fácil encontrar uma boa verdadeira canção...

Se encontrar a sua pessoa, dance. 
Mesmo sem saber dançar...
Se achar quem vale o peso da sua alma, deixe
A vida acomodar...

Sinta, aprenda seu cheiro e  perfume:

Não tenha tanto medo
 - é pavoroso perder sem tentar...-
Como um fantasma que fica, debaixo da pele
Pedindo para vir ao lar...

Se perceber que é bom, coopere: fácil, não será
Não tem simplicidade em ser gente
E ninguém veio com um perfeito encaixe
Quebre qualquer coisa, menos o principal cristal da casa:

Enlace.

Se encontrar suas asas, voe e convide a voar...


#


Há anos este espaço celebra o dia dos Namorados com poesia.   Afetos reais... tudo que é realmente valioso. Conexões significativas: aquelas em que  o tempo passa voando e a gente sente até medo de perder...que trazem fé, bondade, risos...clareza. 
Eu amo o dia dos namorados.  Entre tantas datas comerciais, não é significativo que exista um dia especial para celebrarmos o vínculo com a pessoa que recebe o peso e a leveza do coração? Independente de termos ou não esta pessoa, neste 12.06.2026, eu e tu - que lemos o aluanaodorme - sabemos que este espaço gosta da vida. E de tudo que toca.
Enamorados ou solteiros, vamos celebrar o dia: respirar é o melhor jeito de transgredir. 
A data é uma vitória do afeto. Só não supera 25 de Dezembro, para mim.


Eu nunca pensei que você me faria chorar


Eu acredito nas cores do arco-íris
Passo os dias descobrindo canções e narrativas
Gosto de flexionar o verbo do jeito mais bonito
E de cuidar de afetos feito poesia

- E eu te guardava em mim como uma coisa boa que nunca aconteceu -

Calor quente que invadiu meu peito
Nunca pensei que me farias chorar
Deveria ser proibido algo tão bonito 
Tornar-se parte das coisas comuns...

Eu sempre acreditei nas estrelas cadentes
E aprecio marés exatamente como são:
Sei que as águas vêm e vão
Para cumprir o ritual da vida...

- E eu te guardava em mim entre as fitas coloridas dos elos inacabados...-

Calor quente que invadiu meu peito
Nunca pensei que me farias chorar
Deveria ser proibido algo tão bonito 
Tornar-se parte das coisas comuns...

...eu me refaço na chuva fina que cai
Perdoo excessos, pois afetos são particulares
O tempo passa e cura rastros de presença
Volto meus olhos para as coisas que acredito

E sigo.


#

Republicado em janeiro de 2026 e agora.
Poema de 2020.  De outra vida. haiuhaiuhaiuhaiuhai
Vocês não têm humor?





Simples Assim




Eu não preciso da próxima estação de rádio
Para saber que um som é bom e faz feliz
Não preciso de todas as esquinas da cidade
Para gostar do caminho de casa
E nem  de um longo par de asas
Se puder voar curtinho e macio...
Eu não preciso de tanto verniz para esconder
Imagens, verbos e opiniões
E nem tanta companhia e barulho
- Festival de emoções!
 E...não preciso de você
Ou da sua companhia
Fico bem entre os livros e quadros
Na presença macia da poesia...
- Mas eu fico bem  perto do teu calor
E quase não sinto falta da tão bem-vinda solidão
Quando meu coração te conta meu dia
Ou meus dedos entrelaçam em tua mão...

#
*Republicado de Fevereiro/26, pois acessado.
E porque faz parte da proposta da semana.  :)



terça-feira, 9 de junho de 2026

Sentido!

                                        


Dobro esquinas
E viro páginas
Fecho portas
Mudo as palavras 
E de rima em rima
Faço e refaço
É, eu me enlaço toda
Nessa coisa de ser gente!

Essa carne que vibra
Corpo que abriga e celebra
E que se alegra
Com cada coisa esquisita!
(Uma lágrima 
ou sorriso
Beijos que envio no ar e laços de fita!)

Esse milagre tangente
Que, de Darwin a Jesus,
Tudo e todos tentam explicar!
Em verdade, em verdade
Vos digo:
O poeta é livre
Para contemplar!#


Porque desde que a mãe-poesia me resgatou no berço com suas mãos doces de aceitação, posso ser,sentir e acolher como melhor me aprouver...o existir!
Uma doce madrugada para quem  brinca com o colorido da vida. 

Republicado de outra vida. 
Vocês não têm humor?
hiauhaiaiu  :)

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Amadores!





O amor dá a mão às três da tarde
Cuida daquela febre e dor do domingo
Mas também é aquela tarde de riso
Inteiramente entregues ao conforto de existir...

Amor deixa café quente na garrafa
Beija e abençoa antes de pegar a estrada
Vai já com vontade de voltar
grata certeza de querer ficar...

O Amor é  profundamente leal a si, em si
beleza que te nocauteia no meio da madrugada
deixa recado na caixa eletrônica,
erra,tropeça e volta, assustado

entre o perdão e o colo...

Amor ensina tudo, menos como amar.

A paciência para aquele hábito esquisito
a geografia das palavras do outro, sempre repetidas
 e o vocabulário terno das coisas bem-vindas
a universo  particular das coisas acrescidas...

Amor leva ao futuro, ao antes... e depois
Vive entre o agora e as promessas bem-cumpridas, é feijão com arroz!
Mistério profundo:  não tem  PHDs, mestres ou doutores
No espaço de sentir, somos todos amadores.

#


* Republicado de 12.09.2018, pois foi bem acessado.


LUZ!