Ei, tu sabias que existiu um big bang em pleno equador? Pois é.
O big bang, ao contrário do que prediz sua nomenclatura, não foi uma explosão, foi a expansão de toda matéria, energia e espaço do universo. Foi a viagem da densidade que encontrou espaço para formar o ambiente primitivo natural, de onde surge toda a forma que concebemos de vida, e é a teoria que Deus nos deu de mais concebível, cientificamente, para a concepção do Universo (risos).
Bom, mas o que isso tem a ver com Fernando Canto?
Para explicar, volto uns passinhos no tempo. A primeira vez que vi o Canto ele não me viu. Pudera. Eu ganhei um conto deste autor, do meu pai. Uma coisa simplesmente monumental, chamado de ‘O Bálsamo’. Incrível a ponto de arrepiar. Tão, tão realismo mágico que facilmente se concretiza na realidade, basta acomodar à cada situação ou análise.
Depois do conto, não parou mais.
Vez ou outra eu e papai íamos vê-lo na livraria. Ou papai me trazia algo...e como eu era fã do Fernando
Canto. Como foi incrível debater a realidade do Amapá por suas
lentes mágicas de dedilhar o mundo pela escrita.
Como sabemos, a escrita de Fernando não é fácil. Não é literatura de conforto, é feita para incomodar, arranha a realidade da modernidade porque se aprofunda aonde tudo é tão cliché ou palatável, com desfechos que, de forma abissal, fazem um mergulho do qual é impossível não submergir modificado.
Uma antítese uma escrita tão aguda para um ser tão gentil.
Eu era muito menina quando virei sua fã. Afinal, em 1995, eu devia ter o quê? 10 anos? ...
Os anos passam, e ‘os anjos levaram meu pai pelas mãos’...mas o amor pela poesia, literatura e escrita ficaram. E isso me levou para os lados dessa gente ‘fina, elegante e sincera’. Novas conexões. Algumas surpresas. Fernando. Alcinea....Ester.
Você já conheceu um ídolo? Já se
tornou amigo dele?...pois é. EU SIM!
E que acontecimento é esse cara. Conhecer um ídolo é ver uma espécie de Deus descer ao céu para sentar ao nosso lado e tomar uma cerveja. Não é exagero e Deus sabe que não blasfemo.
Você entende melhor o escritor quando compreende que seu UNIVERSO É A BELEZA DA EXISTÊNCIA HUMANA: pura matéria, energia e espaço...em expansão: Um big bang em pleno equador.
Fernando compunha o realismo fantástico da amazônia para falar da vida, porque sabia que a vida é mágica, ou não é vida. E usava de poética sutil e refinada, ética e técnica apaixonada, para construir sua escrita científica, porque sabia que a ciência é cheia de ternura, ou não é ciência. Fernando que conversou com as pedras da fortaleza e deu voz à sua trajetória, tão nossa. Que poetizou gente, que virou o zezeu em tudo que é canto: carnaval, poesia, música, história, sociologia, universidade!
Colossal, sem deixar de prestar atenção nas coisas pequenas. Com atributos que flertavam com o de uma deidade – mas impossível de ser nominado assim. Porque sua humanidade latente, presente, absolutamente multifacetada e real, o colocava aqui, aonde a vida acontece. E quanta alegria em fazer parte da humanidade: poesia, cachaça, carnaval, gente. Universidade Equatorial, ciência social, vida humana, atravessando o sangue. Borboletas amarelas!
Luz! E Assombros... É, Fernando. Viver tem mesmo tanto disso.
Fernando de tantas pessoas,
tantas...da mulher amada, dos filhos e netos, do debate literário, do boteco,
do Pilão, do Carnaval, da sala de aula. Fernando
das obras de arte, de sua vida e de sua casa, do cafezinho da tarde e da boemia
das madrugadas.
Fernando de tantos amigos, porque dedicou presença sincera e real. De tanto amor, porque exalava essência. Do olhar atento, da sapiência discreta, ávido pela vida que produz mais vida: para uma poesia nova, uma nova geração de poetas. Sempre contanto uma história, legado vivo de um passado que viajou com ele. Um livro que se conectava a um poema, um estilo...
Fernando que, sendo tão gigante,
aquilatou sua efemeridade e sentou com os amigos e falou abertamente sobre o
dom da vida e a possibilidade de partir...(disse a ele, umas duas vezes,que não
conceberia nunca conceberia algo assim).
Não tem descrição que comporte sua genialidade quente, presente. Fernando de tanto amor e de tanta gente. Impossível de encerrar. Nem como gente, nem em texto. Porque vida real só pode produzir mais vida. Mais e mais...infinita e imortal. É, o big bang não fez barulho, pois não existia o som ainda. Então, fez-se o Fernando, canto, canção, composição e tudo o mais...sim, uma viagem de matéria em expansão.
Fernando Canto, um acontecimento, um big bang no dia 29 de Maio. Sendo tanto, ainda assim, tão cheio daquela simplicidade discreta, timidez universal e mente abundante. Amigo de gente velha, de gente nova, de PESSOAS. Fernando, uma vi-a-gem! Para mil lugares diferentes, lá dentro daquele escritório mágico. Ou no jardim, ou no boteco...menos para Caiena.
Ouviste, Canto? Nunca, nada de Caiena para ti.
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Escrevi este texto em lágrimas feitas de poesia. Me perdoem se não fizer sentido. Demorei um ano e meio para mandar este recado ao Universo. E o fiz depois de ler as coisas incríveis que disseram no livro 'Fernando de todos os Cantos", que está lindo...









