quinta-feira, 9 de julho de 2026

Ensaios sobre o tempo, João

  



O segundo é mesmo precário, João:
Ou pula no trem da emoção
E vai, seguir e viver a viagem
Ou fica na Estação e, de antemão

- Aceita a paisagem.

E a vida é mesmo louca, João
Os dias não correm no contar da mão
O sol deita e levanta, mas o tempo de verdade
é muito mais complexo

E, no centro da sala
Bethânia ecoa Caetano: 'Quem não é Côncavo não pode ser Reconvexo...'

E não importa que a poesia deite e role, João
A gente se perdeu sem se ganhar
E o afeto que fica
é pouco para o que se tinha a partilhar

E não importa mais palavras - não há tanto segredo assim
Afinal,  tudo que havia  cabia na porta do olhar
No verbo-não-dito
Guardado dentro de mim

E, ao fim, bem na curva do sol,

Somos mesmo ganhadores! 
Em uma estranha equação
A gente se perdeu no mesmo trem, no ritmo
E no mesmo vagão.

                                                                                    #

Fiz este poema para um casal de amigos (Como digo, não teria como viver tudo que escrevo...há tanto aqui do que ouço e sinto, pelo coração das minhas pessoas...
O fato é: adivinha? Eles estão tentando ( é segredo, mas vocês guardam, certo?) Rs.

Vocês não ficam de coração quentinho quando os afetos tentam o ajuste? Que sorte a minha ouvir tanta coisa boa em meio a essa vida maluca.

Uhu! <3

(E sorte é sempre Deus)


LUZ!

Inteiramente Aqui

                                               


 Eu sei, 

Não sou a pessoa mais exata do mundo
Tomo cafés amargos com bolos de chocolate
Gosto de pingos de água, tempestade emocional 
Verdadeiro vendaval

Sorrio para o nada, mas não falo nem boa tarde a estranhos
Faço pouco cálculo: horas, dias
Perdas, ganhos.
Deve ser difícil esperar de mim alguma precisão...

Não tente, bem.

Eu, por fim, já desisti
Prefiro sentir, acolher e perceber
Estender meu coração 
Acolher a dualidade

E bem-viver...

Mas, será que o mundo inteiro não é mesmo assim?
Se não existe nem mesmo um único grão de areia igual
Porque pedir métrica de mim?
Não faça isso, bem...não alargue nossos espaços por esperar o que não sou
Apenas abraça-me enquanto estou

Inteiramente aqui...

#


P.s: Republiquei  de 21.03, pois acessado.
E porque acho lindo estar... 'inteiramente' dentro de um sentir. De um abraço.
De um poema.

Enfim. Já abraçou alguém que você queria mesmo abraçar, essa semana? :)

LUZ!  :)


Des/Fazer




 Puxar o fio do emaranhado:
Soprar no ar...até dissolver
Desaprender um riso,
Simplificar o simples...

(Pessoas não são simples novelos de lã
Não é banal exilar uma emoção...)

Corações humanos 
Têm seu próprio time
Ritmo e pulsação
Modelam (des) encontros

(Ninguém está tão errado ou tão certo
Por não saber o que fazer...)

Escolhe...ou escola:
Se disser adeus, diga docemente
Todo mundo é estrela cadente
No céu de alguém...

(Corações humanos não têm manual de instrução
Não, não é banal exilar uma emoção...)

No caminho, a gente enlaça as mãos...
A magia inconclusiva da vida...acontece!
Nenhum afeto é de fenecer
Elos se transformam para renascer...

(Possibilidades)






#

Emoções não são novelos de lã, são naturalidade e raiz...mas a IA é muito muito filosófica para ensinar a tricotar...esse poema nasceu porque digitei a expressão  'como puxar o fio do emaranhado'. Tente e veja como é filosófico, você mesmo....(risos).

Observação: Fiz observações sobre o poema dentro do poema. Conversei contigo, que me lê. Se preferir, pode pular o diálogo. Se agregar, faz parte. 


Como você tece seus laços? ;)
 

*Republicado de 25.03.2026, pois acessado.

Dorian Gray ( Retrato poético da obra prima de Oscar Wilde)


Dorian é tão bonito!
Dorian parece tão puro

Que (outros) pecados recaem sobre Dorian
Guardados em um quarto escuro?

Em seu autorretrato
Se fita e nem acredita
(Pois a essência do Narciso
é morrer de amor por si)

E a pintura guarda as marcas por onde Dorian pisou...

E os anos passam para quem corre com eles
Não para Dorian - estátua intocada de beleza 
Que, de ver-se tão bonito
esquece da própria natureza...

- E assim, eis que se perde do humano, a mais bela virtude -

Os anos passam e o  presente dado
Passa a ser a própria maldição
Quando o corpo, sempre cultivado
passa a ser apenas cemitério 

de uma  morta ilusão.


#

Quanto mais a vida se apresenta e se desvenda e conhecemos o mundo, mais sabemos o quanto essa metáfora, preconizada na grande obra 'O retrato de Dorian Gray', de Oscar Wilde, pode ser vista sob múltiplos aspectos. Uma delas, é dessa sociedade de espetáculo, onde as pessoas olham pouco para seus 'retratos'.

Bom, sejamos ainda melhores, a cada dia, para que isso (os falsos autorretratos) não nos machuquem a ponto de nos mudar e nem tornem o mundo um lugar mais triste, a ponto que a gente sempre fique 'com a pureza da resposta das crianças'.

Enfim...retratos do meu dia-a-dia e de uma vida e profissão nos ensina muito sobre as pessoas.

Sejamos ainda mais luz.

*Republicado de 2019, pois acessado.

LUZ!

terça-feira, 7 de julho de 2026

Ensaios sobre a Diaba Vermelha, a Bruxa Ruiva e a Lua que não dorme! (Filosofia do Boteco e uma confissão)



Quantos apelidos tu tens?  

Já percebeste que os apelidos - muito mais que os nomes - são o nosso espaço emocional nos céus dos nossos afetos? ou nos infernos. Pois bem. Eu tenho vários apelidos.


Sou Jaici, para meu titio. Ou Copinho de Leite. Desde gita, sou flor de abril, para papai. Ou natureza. E, no ápice, sou a ‘Bruxa/Bruxinha’. Foi papai quem me explicou o poder de ser bruxa, discernindo com didática da ideia de maldade – estas, chamava de fadas más.
Para Rosângela, sou flor. Para Ester, sou anjo ruivo. Ou flor ruiva.
E tem quem me chame...de Bruxa Ruiva, Feiticeira ou... DIABA VERMELHA.

 (hahahahhahahahaha)

 O fato é que, risos à parte, essa galera toda aí em cima sou eu. O curioso disso é que, essa semana, conversando com um amigo, ele me disse que, para 90% das pessoas, sou apenas os demais adjetivos e para 10%, a tal DIABA VERMELHA. Senti no seu tom que queria dizer que eu escondo a dita ,de ti, que me lê. Eu ri. Não tenho mais toda essa expansão da Diaba.  MAS ELA ESTÁ AQUI.

Hoje tenho só 1% da DIABA , só  não mexa com a potência dessa porcentagem, afinal, eu não me decifro muito, mas também já não me 'mordo' ou devoro tanto assim (alô, Minotauro!) 

Essa memória - da Feiticeira ou da tal da DIABA VERMELHA -  me lembrou que o inferno, o céu e nossa natureza sempre foram parte da filosofia, da psicologia, da poesia...e do Direito, pois o mítico e o literário, o filosófico e o religioso flertam desde sempre.  

Sua etimologia vem do conceito de ‘Daimons’, que aliás, não é unificado, tendo referências extensas em Homero, Platão (que o atrela a Sócrates) e até mesmo na mitologia, na representação do Olimpo Grego, como Afrodite. A figura é analisada também na psicologia, por C.  Jung.

Na poesia, desde Homero, Daimons são...uma força – seja uma divindade ou um evento natural inexorável.  Ambíguos, bons ou maus. Uma voz, uma luz,  uma energia, consciência.  C. Jung menciona Daimons como uma força psicológica autônoma,  atrelada ao inconsciente, realizadora de vontades, confrontadora do ego. 

Para o Willis (Santiago Guerra Filho) – o filósofo mais incrível do País!!! -  os Daimons nos ajudam a compreender até hoje...as decisões humanas. O tal ‘impulso trágico’ que constitui a poesia, a filosofia e o Direito, pois parte da essência da humanidade: tudo tem muitos lados, somos um vértice...

Dos tempos idos até aqui, o termo Daimons e Demônios – terminologia derivada -  possuem uma fusão perigosa.  É que associamos os demônios  à Lúcifer, o tal inteligentíssimo anjo preferido do Criador. Enfim, o Diabo. Aquele que decaiu, na mitologia Cristã. O cara que hoje guarda as portas do tradicional inferno.

Entre mística, bruxaria, inferno e poder também temos outra coligação esquisita com a perspectiva de Potência/ Força. Pura lei da física unida à metafísica. Ou seja: tudo é direção.  Aliás, a teoria poiética do direito e a do Direito Quântico, do esposo da imortal Lygia Fagundes Telles, o renomado Prof. Gofredo Telles Jr, bebem desta perspectiva.  Carl Sagan concordaria, pois diz que somos mesmo...é poeira das estrelas. Força! Potência. Magiaaaa da física. Composição. PODER!

Por isso...

A Lua que não dorme e a Bruxa Ruiva põem a Diaba Vermelha para dormir lá no meu umbigo. Há tempos, elas negociam espaço e as duas primeiras ganham. Mas, ela ainda está aqui...e quer saber? já me tirou de enrascadas, já virou esquinas, já bateu portas e demitiu pessoas do meu coração. É, ela fez e aconteceu, e eu – a administração –  lidei com as consequências. Respeito seu impulso inaugural de colocar fogo no parquinho, no circo e no hospício - tudo ao mesmo tempo. É, a DIABA VERMELHA, já “ set fire to the rain”. 

Eu tento não jogar jogos vorazes. A Diaba Vermelha jogou e zerou o game. Sei, foi válido, pois nesse caminho, tudo foi poesia, piração e humanidade latente. Emoção sem métrica. Luz e poder ultrajovem: poesia na boca da noite, como diria Drummond!

A Diaba Vermelha, seu senso de força e seu gênio de lâmpada queimada precisam existir para salvar a Lua que não dorme, sua delicadeza, livros, metáforas... do seu medo de viver. A Bruxa trouxe a Lua e a Lua põe a Diaba para dormir, cotidianamente, com as canções de ninar de quem teve casinha na árvore, brincadeiras com os passarinhos, quintal cheio de flor de maracujá...

Não me preocupo em ser tanta gente. Teria  medo é de ser pouco.  Tenho medo de gente linear: elas sim, escondem algo.  Eu não escondo: apenas guardo. Sei, inclusive, que posso ser mais...

Por isso, gosto da Diaba Vermelha, ela já não me assusta. É um Daimon. Então, cuido bem do meu 1% e não uso sua expertise em qualquer esquina. Porque até o veneno apura (aviso). Ela dorme e descansa no meu umbigo, pois a LUA gosta de felicidade.  A Bruxa gosta de magia. De poções que não matam...e sabores adocicados. Elas seguem à risca o tal manual anti-b.o.

A Lua cuida de não ser tão curada a ponto de se tornar cinza. Um ser normal, sem multicolorido, seria uma pávida tragédia. Essa piração interna sustenta a órbita. A Lua e a Bruxa sabem que, as portas do seu inferno são cuidadas pela Diaba Vermelha, que vigia quem pode chegar ou quem precisa ir para ‘os quintos’. Alguns, apenas da mais completa ignorância.


LUZ!  
ASSOMBROS!

#

Observação 1: Não uso IA para compor imagens, pois respeito muito a propriedade intelectual e há um debate enorme nas artes acerca da apropriação da matéria humana pela replicação de padrões em IA. O lance é extenso.  Também não reviso textos por esse mecanismo, pois isso sim, acho uma desonestidade artística e acadêmica. É puro respeito à condição humana. Mas essa imagem eu ganhei, é minha exceção, porque está...'eu'.

*Republicado, pois é a coisa mais acessada da última semana. Gratidão!


Fogo na Chuva

 A chuva também queima
O gelo também adoça
O fogo pode congelar
ah! -  Névoas sob meus olhos embaçam poemas  de outrora- 

Pois já não leio teu nome no bater do meu coração no correr dos dias...

Eu ateei fogo à chuva e pus o coração para dormir 60 anos ou... 60 dias?
Descansar de sentir... sem ti
No entremeio, fiz poesia como quem bebe uma garrafa de whiskey à meia noite
Perdida às madrugadas, pelos botecos da lua

Trôpega e sem sentido: é, eu também nunca mais fui a mesma...

Mas quem quer ser igual ao instante passado? 
Que imprudência: inocência vã ou pura tolice.
Entornar o cálice da existência real é aceitar 
Que  o leite pode derramar 

(a vida pode te foder, às vezes, colega: engole o néctar )

Afinal, depois de um tempo,
 A chuva também queima
O gelo também adoça
E o fogo pode congelar:

E a gente é um tipo de maluco qualquer que dança sob os destroços
De algum lugar chamado passado.

#




#


E, sem parecer clichê
"O hoje é uma dádiva, por isso se chama ...''

*Republicado por ser, de longe, o poema mais acessado do aluanaodorme essa semana.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

A Maldição da residência Hill (poesia em forma de spoiler. Corra, se não gostar!)



Ensaios sobre vidas nubladas:
Pomet -  emit -  sonork:
- O tempo ao contrário não diz nada.

Mera sequência aleatória
Casa mal assombrada
lista de todas as angústias 
do que não pudemos pudemos fazer ...

Ao espelho, os monstros são eu e você
Outras frequências, ondas de som silenciadas
Partículas dissociadas,
 enlouquecemos.

Arrependimentos, fracassos, desejos não sucedidos:
Um fantasma é tudo aquilo que nunca foi dito
Sob o telhado de vidro, te faço um pedido:
"segure minhas mãos, enquanto caio"

Eu falho, tu falhas, nós falhamos.
Segure minhas mãos, enquanto conto os hematomas
Marcas de uso - cicatrizes, são histórias
"Você vê a casa, mas não sabe lê-las..."

- Eu não sei contá-las e não sei vivê-las...-

Foi só um sonho, foi só um sonho...um pesadelo!
"a jornada termina quando amantes se encontram"
Não existe desencontro, apenas desencantos
Um relógio parado desde antes...(desde antes!)

Casa infiltrada, somos água.
Vidas naufragadas, des/sincronismo
Nossos medos sabem do terror e estrago
Por isso, ao enfrentá-los: 
Meu bem, cuidado.

"O perdão é quente como uma lágrima"
Deixe a casa morrer com seus fantasmas!
Arrependimentos, dúvidas naufragadas
"O amor é a perda da lógica "
-E tudo que fica-

"O resto é confete", a história continua 
Um relógio parado desde antes, desde antes!
A casa se move, num engole-cospe vidas...
Não existem despedidas.

#

* Pode fazer sentido - ou não. Mas essa foi a MELHOR SÉRIE de terror que já vi, a coisa mais bem produzida e filosófica.
*Republicada de 21.10.2018. 
* Este é um dos poemas mais acessados da história do 'aluanaodorme' e faz muito sentido dentro de mim.


FANTASMAS DA HILL:

"E tudo isso, a culpa, o luto, os segredos, os fantasmas, nesse momento...são apenas medo. E o medo é  o abandono da lógica (...) Mas, ao que parece, o AMOR também. O amor é o abandono da lógica. O abandono voluntário dos padrões racionais. Nós cedemos a ele ou o combatemos. Mas não vivemos sem ele (...)Eu amei vocês. E vocês me amaram. Profundamente. O resto é...confete".

Delírio


No entremeado das angústias do dia:
O próximo café, petição-poesia
Enquanto, em algum lugar, 
a fumaça das indústrias dissolvem o azul do céu
E lembram que o inimigo-humanidade é voraz:

Corre para me encontrar, amor:

Vamos fazer uma urgência diferente
A urgência do teu corpo quente sobre o meu...
Vamos aproveitar o azul límpido de Macapá
Neste janeiro de chuvas tão bonitas
Feito Amazonas em sua abundância doce:

Navega-me.

(Eu ainda te quero tanto...)

Na confusão dos carros, elevadores vêm e vão
A mente trafega entre o burburinho e a urgência da petição
Gente vã, nada sã, sempre duelando moinhos 
Bêbadas de suas imensas vaidades
Alheias ao céu cinza que antecipa 

A tempestade...

Corre para me encontrar, amor:
Vamos fazer uma fusão diferente:
Delírio de gente que ainda sente
Sem relógio ou convenção
Que não liga para o título que antecipa o verbo

Vem, me dá tua mão...

No entremeado da angústia de sobreviver
À política, que come horas do noticiário
E nos faz acordar com medo - pois a humanidade é cruel
Enquanto tentamos entender 
aonde vai parar tamanha burrice

Leva-me desta insanidade, vamos enlouquecer de um jeito bom...

Enquanto ainda dá tempo
E Trump não estourou os miolos do mundo
Com sua sanha por engrandecer
Ou criou soldadinhos imundos
Tão loucos quanto - pelo ilusório senso de poder...

Vamos aproveitar a doçura de ser
Carne, sangue,suor, saliva
Poesia viva! Coração disposto
Derramando afeto
Em meio ao inconcreto 

Segredo sagrado de existir....

#

Edit: Esse casal deu certo! Sigo na torcida. Foi uma urgência boa de poetizar.
Feliz em dizer que escrevo não apenas o que vivo, mas o que ouço e que muita coisa que ouço...é feliz.

*Republicado de Fevereiro, pois acessado.
Acreditem, pois as coisas boas acontecem!

Não faço contratos de Adeus


Perdoa, poeta:
Não faço contratos de amor
amor é contato, suor, é tato
Mas é também ir aonde se for...

Ah! perdoa a falta de jeito para o instante, 2018.
Meu coração  não quer as abjeções do agora
Quer falar manso, vive amor de um jeito antigo
Sentir de um jeito que fica e se demora...

Quer plantar uma semente e ver nascer
Ter fé, caminhar pela estrada
Não falar das coisas que se dissolvem no espaço
Ah, perdoa, poeta: de amor, não faço contratos.

Mas não penses que esqueço
Que escreveste a lágrima 
e deixaste correr um poema no rosto
e que o gosto doeu ...

Mas, não. Não me peças palavras de incredulidade
Recrio na poesia a estrela bendita da eternidade
Creio nas coisas mais que lindas que dançam
Bênçãos que giram e renovam no instante...

Não, não faço contratos de adeus.

#


Queridos, fora do universo poético, sou poeta, ainda assim. Mas também, advogada.
E fui procurada para fazer um contrato de pré-nupcial. Fiquei tão pensativa, que o poema nasceu...em um momento tão lindo, contratos nupciais são 'contratos de adeus'...
E palavra é meu cristal, poema é bênção, amor é fé e coragem.

Edit: Em pleno 2026, eles seguem juntos.
E não fizeram o contrato de Adeus.
LUZ!

sábado, 4 de julho de 2026

Outros ensaios sobre o tanto

 


Já dei passos menores
Perdida em meus (im)próprios moinhos
Já parei sentada à beira do caminho
Apenas olhando estrelas e sentindo a imensidão

Já diminui  meus gigantes sonhos 
Para caber dentro da realidade
Senti o gosto de um amor dentro de um sorriso 
e também, o bom e ruim da solidão...

Gosto mais do agora que do antes ou depois
(Por isso, celebro o instante com calma...)

Levou tempo para ser assim
Filosofia inconclusiva, alma em expansão
Gente que se entrega, desperta
E que tece suas melhores palavras...em ação.

Ainda esqueço, às vezes...sou tão distraída
Perco as chaves, a carteira de identidade 
Pequenos trocados em um jeans usado
não sei se o céu está claro ou nublado...

Não gosto de coisas plásticas: flores, gente, 
emoções feitas na fábrica das convenções
Depois que dobrei no coração esquinas e avenidas,
Aprendi que tenho pouco tempo frente à lógica lenta do universo

Quero as coisas reais.
E ainda tenho tanto para aprender...

Leio bem, mas não aprecio entrelinhas,
Teço emoções e palavras sentidas na tez dos dias
E gosto de coisas que não precisam ser
Tão explicadas...

Sou uma garota de sorte:
Meu coração ainda respira
A vida, o dia que nasce não me quebrou!
E sei que isso é coisa rara

Em meio a moinhos e gente nublada
Trago o peito de  lua crescente em céu aberto
Não apenas mais alguém no fluxo da correnteza
Lutando para não se afogar entre medos e fantasmas...

Mas eu os tenho: medos, fantasmas, dúvidas
Machucados, arranhados, pele, cicatriz
Não sou uma boneca plástica feita apenas de simplicidade
Não escondo essa complexidade

Apenas escolho o que quero multiplicar...
E tento acomodar melhor o tanto.

Há tanto amor, humor e verso
Ternura e paixão no mundo! Levezas...
Confesso, quero mesmo tudo isso.
Seria muita ambição ainda querer?

Sarei minhas asas! -  E o meu destino...é SER.

#

Essa é uma releitura de um poema antigo. Mas ficou completamente diferente!
E, como sempre, gosto mais do agora.
A música só foi posta porque estava rolando no aleatório na hora desta construção. Mas o clipe tem uma história linda e muito particular, pois é a história de amor de Manoel e Letícia. 
Achei justiça poética que viesse junto.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Entre o corpo e o espaço



Dentro de um corpo cabe sangue, excrementos, 
batidas de um órgão alucinado, sonhos e ossos quebrados
Dois ou mais cortes e arranhões...
Oxidamos pois, aquilo que nos faz viver,
Com sorte, será justamente o que nos mata:

Respirar é coisa complexa, filosófica
E ao mesmo tempo, crua e involuntária.
E assim, de ciclo em ciclo,  por obsolescência programada, 
com sorte, envelhecemos...

Apesar de pequenos detalhes comuns à humanidade
São as singularidades que me causam espanto e felicidade
Foi por isso que, quando nasci, não chorei
 sei que estava distraída, encantada pela luz do existir...

E vim (desta vez) em uma época muito louca:

Metais fundem, unem e separam pessoas
Computador, celular, fios de cobre, avião
O satélite que passou no espaço saiu na televisão...
é tanta novidade, tanta vida que invade,  possibilidades:

Geração fast lovers - furiosamente acelerados
Cheios de sal, açúcar e outras drogas, 
noites quentes e corações nublados
-  plastificados, perdidos em contratos com tempo marcado -

(Confesso, isso me dá um cansaço...)

às vezes, acho que entendi tudo errado, até aqui.
às vezes, não quero mesmo entender nada!
Só ver a chuva cair na sacada e contemplar o mistério
E  lá no fundo, sei que o caminho é (in)justo e (in)correto, 
mesmo quando (in)certo...

Somos possibilidades.

Pago o preço de não negociar minha emoção por pouco,
Esse coração que pulsa, batida por batida
Que rega flores, pois é afeito às pequenezas
e  trilha cada passo com a marca da pessoalidade
acorda às madrugadas para ler poemas ou olhar a tempestade...

#


Outros ensaios sobre nós



A chuva cai sob céus feitos de paz
O céu em estado líquido o chão alcança
A vida calmamente reorganiza a substância
Coloca tudo no lugar...

Certeza é caminhar
sorrir...gargalhar!
Ser generosa no sentir
Fazer feliz...ser feliz...

Fazer valer o gasto do gesto:
Conectar
Unir, formar elos
Certezas simples que se consolidam nos dias...

Me faça rir
Sentir segura, perto:
Te dou o mundo em muitos formatos
Sou tantos perfumes em um único frasco...

Sentir não é ensaiar: a vida existe sem roteiro
Admirar a ação é admiração:
Tão bonito, isso.
Tão singelo e singular...

Não faz molecagem na sala do meu coração
Nem por instante, nem em estante: sem coleção
Etérea, feito bolha de sabão, sei ir embora
Passarinho bate as asas, rumo ao céu...

A sabedoria infinita do universo
Refaz as linhas do caminho...- que gentileza!
Mas ninguém sabe o que é ganho ou perda
Até a roda da vida girar...

E,  de repente vem a chuva 
e (re)coloca tudo no lugar...

#

Poeminha feito em frente ao mar . 
*Republicado, pois acessado. 
Acho que preciso de uma praia.  :)

Da máxima da poesia



Não verter
As linhas doces do verso
Por cacos quebrados
Cortantes, lançados
No frio do poema sem sentir...

Não ser
o retorno, a resposta, o suborno
A prostituição da emoção alheia
Poesia é fogueira:
 Viva! Incendeia...

Antes,
Ser o impublicável que escorre
Por sobre os dedos de um ser silente
Que não precisa da platéia
e mantém o peito quente...

A multidão de si
Já multiplica ali
O caos e o sentido de existir!
Pois cada ser é uma composição etérea
Feita de uma única e própria matéria...

#

*Republicada de 2015, pois acessada. 

Desintonizar

Soltar os fios da minha cabeça
Tão sintonizados na batida do teu coração
Desplugar minha pulsação
Dessa vontade de te ver...

Simplificar o simples:

...a rádio do meu coração toca teu riso
Devia ser errado algo assim não funcionar tão bem
Nem faz sentido
Esse afeto que retém...

Não quero mais lembrar:
Pensar em nós deixa meu coração magoado
De um jeito quase inexplicável
Fico frágil

Você teve medo e eu também...

Ainda bem que faz sol 
Na manhã seca e macia do Equador (em plena madrugada)
Meu coração bebe de luz e poesia:
Têm sua própria forma de refazer a beleza...

E eu tento desligar a rádio e não ouvir mais nada:
Conexões reais pedem de nós...coragem
E coragem, tu sabes, eu sei
É o coração em ação...



#

* Republicado, pois acessado.