segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Inadaptação!

 Eu não vou deixar de brincar com a eternidade - não vou.
Mesmo sabendo que posso morrer amanhã, porra.
Ah, não. Nunca viste um poema puto bruto?
Este aqui nasce cansado: calado pelo desespero mudo...

Dessas coisas plásticas, cérebros apodrecidos e almas pálidas
Gente cumprindo o ofício para viver três horinhas do dia
Depois de morrer o dia todo
Muita hipocrisia, muita conveniência, pouco encontro

Tudo tão banal...

Eu não vou, não vou mesmo, acreditar que as coisas são o que são.
Tenho um coração e ele bate as não-obviedades: 
Quero ser doida de muitas formas diferentes
Quero ser lembrada por ser gente,  quente, presente.

Por realmente enlaçar minha alma aonde tocar meus abraços...

Quero ser ignorada pelos que se acham poderosos, pois eu sou frágil:
Muito frágil e quebrável. Mas, muito capaz de recompor...
Quero passar batida para quem pratica o desvio da conduta
E depois se exime da autorresponsabilidade da ação

Pois a gente é comunhão entre quem acredita ser e o que é, de verdade...
Por isso, me conta, na realidade: Do que tu és capaz?

Quero conquistar minha paz no poder do gesto, dos elos
Conformar meu coração e desacostumar de todo resto:
Eu não preciso aprender isso.
Não preciso.

Não vou.

Nunca fui assim tão civilizada, sempre andei meio deslocada
À procura dos meus iguais...e eles existem (Que alívio!)
Ainda não sei do que são feitas as nuvens ou se a humanidade conheceu a lua
De verdade

E sei que os canalhas já nem pensam nisso! Pois sobrevivem do que lhes convém
(E tudo bem...cada um leva da vida, afinal, o agridoce do que lhe retém)

O que me busco é simples e audacioso - Ainda que discreto!
Nesse gigante grão do espaço sideral onde guerreiam 8 bilhões de corações
Entre a vida e o frio do concreto tão direto
Ah!Quero viver, ouvir e ver acontecer

histórias de amor...!


#

.Esse poema é tão EU.

Nem uma linha a mais


  
Eu não vou mais falar de paixão ao pensar em ti.
Não vou.
Demoraste a entender que tudo em mim é decisão.
Sou lenta e macia quando deixo algo me tocar
Levo espaço para acomodar...preciso disso, confesso.
 
Nem uma linha a mais sobre nós: que perda de espaço no papel.
 
Acreditamentos são mágicos encantamentos: não coisa fria, de metal. 
Que a gente puxa ou dissolve...
 
Não vou dizer que não foi bom – foi sim.
O que leva coisa boa de mim deixa espaço para algo ainda melhor
Eu sei de cor falar em bondade em meio ao caos
Feito as nuvens que precisam da densa chuva para nascer arco-íris...
 
Não vou tentar te explicar – tu não consegues nem mesmo se entender.
Nem tentar te convencer...que bobice.
Paixão é paixão: ou a gente pega pela mão e se encoraja
Ou se esconde, amedrontado da viagem...(tudo é bagagem)
 
Também não vou dizer que não errei:  tive medo.
E me escondi dentro de mim, também
Dissolvi minha voltagem, te deixei na minha paisagem
Afinal, eu também tenho uma estante. Sabia?
 
De desencontro em desencontro:  Desencanto.
Tu não entendes de política, filosofia, psicologia ou poesia
E a verdade é que ninguém entende mesmo qualquer coisa.
E eu... não interpreto o portal dos silêncios.

#
 
*Publicado dos rascunhos, de algum lugar.  
*Reacessado, agora.

Romance sob as luzes de Buarque



Põe Chico pra tocar no celular, bem
Não deixa a Luisa Sonza confundir a canção
Põe a mão no meu coração
Vamos dançar...

Aproveita que estou tão anos 40
Me chama de brotinho e a gente janta à meia-noite
Antes disso vamos brincar
de Construção...

Modernidades não me caem bem, tu sabes
Relógios são grandes demais para um pulso de pluma
O tempo, às vezes, é feito espuma
Escorre entre os dedos, macio...

É nisso que acredito.
É nisso em que confio.

Não somos de datas, mas hoje, Buarque faz aniversário
E assim, as leis do abecedário
Giram a roda da vida
Para celebrar...

A gente não seria igual sem Chico, não é mesmo? 
E que amor o seria?

Aquela madrugada fria
Em que escrevestes no meu corpo mil formas de 'te amo'...
Ou quando ficas em mim, feito tatuagem
- Haja coragem, querido...haja coragem...

De tempos em tempos, sou tua bailarina
Sonhamos juntos que o inferno congelou aquela gente chata
Que pensa mais em do que títulos que na beleza da flor
- Que fenece, ainda aquela mais perfumada...

Mas não vamos enrijecer de medo
Só porque a a realidade bate, às vezes
Que a gente cresce mesmo quando entende que a chuva também traz o frio
É quando acorda, percebe que tudo é o que é 

E segue a vida, mesmo assim: macio...



#


Esse é um poema cheio das ideias e referências. Uma singela homenagem ao GRANDE Chico Buarque, no dia 19.06 dos anos idos, no dia de seu aniversário. Republicado porque foi o mais acessado do dia e porque, antes de ontem, Luisa Sonza esteve em Macapá e brilhou, sob as luzes do encontro de Vênus com a Lua. O céu foi palco de grande beleza, neste Agosto de Deus...



Fiz as pazes com meu coração


Faço silêncio quando há barulho por dentro
Gosto de ouvir os detalhes da vida em movimento:
O barulho da respiração, o assobio do passarinho
O farfalhar das folhas pelo chão...

Meu coração, que pulsa aqui dentro 
e procura comunhão com a razão
Faz mais sentido agora do que jamais fez:
Feito o barulhinho do rio que bate no parapeito da orla de cidade...

Ou a gente entende dessas coisas ou não consegue perceber nada.

A tez do dia se insinua neste sol de Agosto e diz:  
O que é real também arde. 
Na pele, nos olhos, na emoção que comunica por dentro...
Afeto não é urgente: é emergente. 

Acresce, vibra, faz parte dos nossos pensamentos...

Sentir é perceber o tempo da maré: Te ouve, Jaci.
Tudo que merece o gasto é o que é real:
Presença, sorriso, uma história longa...como foi teu dia?
A 'liga' é perceber o outro:  Sem pré-conceber.

De tanto tentar entender o externo, briguei um pouco comigo, às vezes:

Sentir é significar? - ah...o mundo! Dá medo.

 São muitos fios, roteiros, cores, cheiros, temperos
O tempo precário e sem roteiro, o caleidoscópio que gira e mostra mais:
Mais vida de instagram, contato sem conexão, sorrisos de liquidação
Mais carne, dopamina, gente barata: mais e mais aceleração.

Tanto barulho, por nada. 

A galáxia e sua perfeita mecânica relembra a verdade:
Mistério mesmo é ser parte.
A gente é estrela, carbono, matéria, respiração!
De perceber, fiz as pazes com meu coração...

#

Se tu ainda buscas poesia no teu dia...quem sabe é porque o coração ainda pulsa.
Faz as pazes com o teu: nele mora o que realmente importa.
:)

LUZ!


sábado, 15 de agosto de 2026

In-Yun (Dois!)

 


Não me procura no passado
Aquele jornal antigo, a chuva que caiu
A lágrima e o jeito de sorrir do tempo
Eu estou aqui, no agora: toda inteira 

Vivo cheia das luas que ainda nascerão...

Quero sorrir contigo as coisas sem graça da vida real:
As convergências, a promoção do supermercado, o mesmo creme dental
Memórias cálidas, o nosso primeiro encontro bobo e simples, cliché
Quero tua existência simples e imperfeita, na minha...

Deitar na mesma cama, conversar amenidades e profundidades
Confessar medos e inseguranças, acolher os teus...até adormecer...

Não sente pelo que foi ou o que poderia ter sido
A minha vida é tão maior contigo, porque sou melhor do que jamais fui
E é bonito me sentir assim, 
Mesmo que eu sonhe uma língua que não consigas decifrar...

"Se estou aqui, aqui é o lugar onde eu devia estar"

#

Este poema foi feito inteiro da/ para a conversa da Nora com o Marido, no filme 'Vidas Passadas'. O sentido do diálogo, para mim, foi a estrofe que grifei. Esse filme é todo incrivelmente perfeito. Mas, esse casal...QUE LINDO!

In-Yun


 

Não é só sobre o trajeto,
É sobre com quem sorrio. 
Com quem troco palavras e silêncios
(Organização e confusão...)

Não é só sobre mais um dia, é sobre aquele fim de tarde
Contemplando a chuva em silêncio, cafézinho na mesa...
Não é só sobre os grandes momentos, é sobre os detalhes pequenos
Que interligam corações

(E formam o verbo ''(es)colher...'')

Não é só sobre coragem, é sobre os pequenos medos que vencemos
Quando avançamos a geografia emocional do individual  e arriscamos...laços...enlaces
Não é só sobre a beleza do Amazonas, é sobre o mergulho
(E assim, quantas vezes ainda irei te (re)encontrar?)

Quem seremos nós, a cada vez?

Das tantas versões, tantas dimensões, aprendizados e missões individuais...
Imigrantes dentro de nossa própria pele - linguagens, sensações.
Na próxima estação...Quem serás, tu? Quem serei eu?
De pensar nisso tudo, celebro tanto! - a oportunidade do  encontro,

No instante.

#

Poesia de depois de ver o filme 'Vidas Passadas', que realmente me fez sentir, sentir tanto, cada detalhe. Porque, na minha percepção, a expressão 'vidas passadas' não fala apenas sobre as 'camadas' de outras vidas...mas sobre as camadas dentro de uma mesma pele... e o poder do instante. Sobre as nossas projeções do outro e sobre o 'eu', que muda, que vibra e que ajusta frequências. E sobre quem somos e quem é conosco, no agora💓

"É como plantar duas árvores em um mesmo vaso: as nossas raízes precisam achar espaço"


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Aceleração!

                                                   

Eu corro muito para dentro de mim:
Da poesia que nasce, sutil, feito um riachinho,
Escorre...
Por isso, sou de fáceis lágrimas e sorrisos.

Eu me apaixono tanto! Por livros, arte, poesia, filmes, palavras, cheiros, percepções
Pessoas, não - estas, conto nos dedos da primeira mão.

Calmaria externa, piração interna: 
Sempre em busca da próxima dúvida
Qual o peso de todas as formigas que tem no universo?
Porque quem fala a verdade é tido como neurodivergente?

O que então, afinal, é ser gente??? 
Normal...que palavra perigosa (perdoe o tom jocoso na prosa)

E a canção não para de bater como pingos de água na caminha cabeça:

" De um lado esse carnaval, De outro a fome total...ôôôÔô...''

Falo tanto em amor: esta é a minha revolução geoeconômica, política!
Não esquecer o que importa só porque querem apagar meu coração
Com propagandas, compras, conceitos tolos, como 'status'
Ou próxima gíria do marketing explicando a felicidade para gente infeliz

Entorpecida do próprio fedor de cera, pus, excrementos - debaixo de fino verniz.

Respira macio comigo, pois nem todo mundo é assim: voltemos ao poema
Lugar aonde ainda vibram as coisas doces...

Pois há  quem sobreviva a esta morte em vida
É que tem gente p´ra caramba neste globo maluco - sempre fatal
Tanto barulho, tanta geografia, Métrica, cálculos de aritmética! 
Nada ideal.

Nunca fiz este estilo: nunca calculei o peso de ninguém
Porém...eu já tive um grilo e ele se chamava 'João'
É isso que queria contar de mim para ti, 
Hoje. 

Faz sentido? ...

A minha visão de sucesso depende
De quanto amor, afeto ou paixão podes partilhar
De quanta gente já feriste para alcançar teu pódio particular
Das coisas que és capaz ou não...

Corre na tua veia que tipo de aceleração, afinal?

Por quem teu coração acorda, o que te causa alegria
O que tu contas a Deus*  no fim do dia?
Será que ontem, falei do que verdadeiramente importa?
Nestas horas a gente nunca sabe qual é a porta para chamar de oração...

Deixo as pedras rolarem ciente de que, afinal, não há negociação:
Existir é difícil como engolir uma dose de cachaça em jejum
Afinal, mesmo Sísifo aprendeu o sentido real e comum da expressão
 'os deuses vendem quando dão'

E, apesar de parecer confusa, 
E nunca ter entendido a racionalidade da raiz quadrada da hipotenusa
Trago uma carta final na manga e ela é meu real (t)alento:
Eu sei que já me perdi ... faz tempo!



#


Este poema foi propositalmente feito sem conceito estético.
Tenho tido severas crises existenciais acerca do conceito de 'conceito' para arte ou produção literária.

*Republicado de 15.07.2026, pois é o mais acessado do momento.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Depois daquela janela ensolarada!

Foto:Nathy Favacho

Depois daquela janela ensolarada, há muitas ruas. Mundos inteiros para desvendar, passeios astrais, ancestrais ou além: como cada viajante conceber.
Depois daquela janela, há medos, intrigas, encontro com poesia, sucessivos sorrisos entremeado em decepções,mas há também vida, mais caótica,aleatória e colorida do que os giz de cera espalhados pelo chão.
Talvez tenha o dia inteirinho a ser vivenciado, sabores próprios de quem sai da janela. É, depois daquela janela, não estou tão protegida. Ou estou?
Daqui, grades silenciosas evocam a força do que a violência traz: medo.
Mas isso, claro...depois daquela janela.
Também tem o rio amazonas, o céu estrelado, as senhorinhas das missas das seis, sempre com seus terços em mãos.
Tem aquela molecada que esqueceu dos anos 2000 e está no meio da rua, a jogar um futebolzinho, últimos resquícios de convívio entre vizinhanças. 
Dizem até que tem amor,  a brincar com o poema. Um pouco do meu, dança ali, do outro lado da rua, entre os bem-te-vis. Outro pedaço, aqui comigo, brinca no sofá, menina-esperança que é.
Depois daquele sol todo, a atordoar a face, veio uma chuva gostosa, daquelas de fazer barulho ao tocar o chão, pingos grossos e fartos, para o ouvido matar a sede e os sentidos florescerem.
E tem as direções, as setas e ruas que traçarei, eu, que não traço planos e faço morada em curvas, viradas de caminho.

#


*De 12.08.2016...'Tempo, mano velho..."

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Cansaço



Trago nas mãos
Notícias e canções
E um cansaço guardado
De parir palavras…

Prefiro sorrisos, silêncios 
Cheiro de café recém-coado
e o farfalhar das folhas 
que dançam com o vento, às seis....

Sinto que estou
Cada vez mais inapta
À sociedade e suas convenções
E acho que essa dislexia
Bem me cai…bem me faz!

- Desconfio de longos sermões,
Prefiro a verdade 
 da engenharia dos abraços
Aprecio o calor do traço
A sutil arquitetura

Quente de um arco…

- Como se o corpo soubesse que é um templo
Berço sagrado de sentir -

Não digo “amor”  a meros conhecidos
Ah! Amor não é bicho inofensivo:
Nem se desfaz feito fumaça de cigarro
- E seus danos colaterais
Têm mais estragos ... - 

E apesar da dureza cotidiana do existir
Sinto a beleza de ser e estar aqui!
Recordo sempre do mantra
Que repetia a antiga canção: 

''tudo é divino,maravilhoso''
- Mas também lição -

ah! Trago nas mãos
Notícias e canções
E um cansaço guardado
De parir palavras…

#

Palavras, esse dom que a gente aprende com o tempo...

E quem irá dizer que isso não é mesmo o grande plano de Deus?

*Republicado.

LUZ!

Viajante

                        

Percorro espaços de um mesmo lugar
Aprendo a ganhar novas voltas do tempo
Respeito o verbo dentro de cada verso
Seu próprio espaço, métrica e movimento...

Eu me descubro, com o passar dos (d)anos
e me refaço a cada verbo colhido
nem tão madura quanto gostaria,
ainda fico, às madrugadas, de papo com a poesia...

(Preciso disso, confesso)

Aqui, escrevo e reescrevo até compreender o mundo
Ou entender que algumas coisas não têm explicação
Torno mais bonito o aparar de arestas
feito o ar da madrugada, que escorre entre portas e frestas...

Quisera ter mais  do que chamam de 'tempo' 
o tal do tic tac do relógio carrasta-me em seus dedos!
Fazia tempo que não sabia que 'faz tanto tempo'...
Hoje, percebi o movimento

Já não somos nós e nem estamos sós
(Para a alegria das boas canções que nascem a cada dia)
Porque, para cada onda que bate à beira do Amazonas
Uma estrela cai,  nasce um amor: uma nova história?

Uma poesia!

#

Republicado de 18.09.2019...nem lembrava que tinha escrito isso. 
Amei recordar.

Causas Perdidas! (Em homenagem ao dia do Advogado e do Estudante - Republicado e revisado)

Eu ADORO vencer e trago um histórico bom neste quesito, na campo em que atuo, que é a minha paixão na advocacia. Vencer é um vício. O sentimento de potência, poder que carrega obter êxito, pode deixar qualquer um maluco. É também um instinto animal, afinal, somos em essência, predadores.

Já sabedor do vício de vencedores que acomete a humanidade, meu pai, que é professor, dizia: é para aquele aluno mais filho da p... mãe, aquele que testa meu emocional, que vão minhas maiores preces. 

Confesso, demorei a compreender. Como poderia o pior receber o melhor do meu pai? Por que não deixar essa potência direcionada para quem realmente estava 'apto' a recebê-la? tive longas conversas com o professor Vilhena, na vida. Essa foi uma delas. Demorei a entender.

A primeira vez  que entrei em uma sala de aula como professora, meu pai já estava do outro lado do rio. E foi na lida que percebi que eram aqueles mais complexos e que mais dependiam de mim, que iam meus maiores esforços. Sabe o que é?...é que não existe um aluno pior ou melhor. Existe humanidade, em uma sala de aula. Gente diferente. Que precisa de suporte de formas diferentes. Gente que também nos ensina. Porque há muita troca em lecionar!

Aos meus queridos e a mim, que sigo na jornada como estudante: obrigada. Feliz dia! E...ô, Pai... MUITO OBRIGADA. Sem saber que eu seguiria seus passos, você já me ensinava que a sala de aula é lugar de humanidade, de potências e fragilidades. Minhas e dos demais.

Na advocacia, algo igual aconteceu: fiz do meu maior pesadelo pessoal a potência do cuidado na atividade. Isso singulariza a gente: a paixão, a preocupação. A manutenção do peito quente e inconformado. Difícil explicar.

Mas é que as causas mais apaixonantes são justamente aquelas que dependem do estremo  esforço: aquelas que te arranham a goela para engolir um copo d´água. Não, não quer dizer que dou atenção diferenciada, mas, decerto que aquelas são que mais afetam minha emoção, acabam por desafiar a técnica. Faz parte. É que 'Advogar´é vestir a pele do outro, mesmo porque ad - vogado, etimologicamente, já nos recorda que é alguém que recebeu a outorga da voz.  Que honra.

Que honra poder ser a companhia eleita para a luta da vida de alguém. E também, que responsabilidade.  Por isso, acredito que o melhor profissional precisa ser uma boa pessoa. Fora disso, a técnica vira ambição sem medida. Isso desumaniza,  e torna tudo mecânico. 

Aliás, quântico que é, o Direito é feito de uma soma infinda de coisas - e sobram teorias acerca de sua densa matéria. Gosto de pensar na poesia do Prof. Goffredo Telles Jr, que diz que o Direito é quântico...na poética do Prof. Willias Santiago Guerra Filho...naqueles que leem a beleza que deve residir na estética do direito...e em suas substâncias.

Não à toa, tantos advogados foram e são...POETAS. 

Justamente por isso, hoje, quero falar daquilo que nenhum advogado gosta: AS CAUSAS PERDIDAS. Aquelas que, na última instância, não encontraram a guarida da justiça e que podem representar não a vergonha do profissional - que deu seu sangue e sua técnica. Mas, muitas vezes, a falência das matrizes das nossas diretrizes normativas. As nossas dificuldades como gente no nosso sistema de justiça. Que palavra poética. Profunda e difícil de enteder.

Nosso país é palco de muita desigualdade social e de muitos fenômenos comuns à américa latina: nossas veias abertas pelos europeus a golpes de machado deixaram lastros de pobreza e sistemas de poder desiguais - e o poder sem freio gerou todo o resto: Corrupção e tudo o mais.

Não aquela que atribuímos diretamente aos políticos. Todos estamos um pouco corrompidos da ideia da virtude. Nós somos um projeto de sucesso de subdesenvolvimento, desigualdade e exploração. A Europa queria isso. A cultura nos relembra.

E, reflexo disso, nosso sistema de justiça e o exercício de poder no executivo e judiciário contém desmedidas inerentes: operações policiais midiáticas reforçam a ideia de revanchismo social. Decisões e condenações sem rastro do devido processo legal - tão necessário à segurança jurídica - tem sido enfrentadas por nós, advogados. Tudo isso fruto da violência - como diria Arendt - esta, que é aplaudida por mim, por ti, quando achamos que o Estado é nosso 'vingador'...e do perigo de esquecermos da bondade que mora dentro da palavra...JUSTIÇA.

Quando as pessoas se tornam lobos revertidos de cordeiros, a engolir os seus. É nessas horas que a harmonia do universo se desequilibra. Quando a Lei deixa de ser meio para o Justo e vira animal a engolir sua própria pele. É nessas horas que dói ser gente.

E que dói ser advogado.

Assim, as causas perdidas lembram o porque existimos, nós, os advogados.

Existimos para relembrar aos mecanismos do Estado o quão a teoria, na prática, precisa vir revestida de teoria para que possamos falar em PODER. Porque poder, é autoridade. E autoridade é coerência. Tudo o mais é violência, já diria aquela que mencionei acima, Arendt. Lembrar de que estamos inseridos neste sistema de justiça ( e também social) é recordar...que tipo de gente eu quero continuar a ser? Que tipo de mundo quero construir?  Advogar sem se incomodar com isso é mecanicismo e carnificina. Aquilo que Chaplin chamou de 'Homens-máquina'.

Isso também nos lembra a importância de pensar em quem somos, fora do 'exercício dos papéis sociais'. Porque é aqui que construímos nosso senso de ética, moral, coletividade, empatia, bondade...é debaixo dos papéis sociais que mora a 'pele'. E a alma. O que aprendemos como gente, como foi a sua escola da vida?

Por isso, repito: lutar as causas ganhas é uma grande satisfação. Uma realização profissional, uma entrega do 'belo' à vida de alguém. Mas, seguir pelas causas perdidas é obrigação para com o Estado Democrático de Direito. Sabe aquele quebra-cabeça complicado, que desencaixado, perde todo o sentido? ...ser gente é saber que o quebra-cabeça precisa de encaixe.

A nossa missão aqui, envolve falar nisso. Na adequação de padrões à vida real. Na humanidade que reside dentro de cada história, de cada singular pessoa, sob os cuidados dessa 'matrix'. 

Quixote tinha bons companheiros, feitos de sonhos. Mas também de aspirações reais e defeitos, de medos e imperfeitas tentativas.  Tinha também a jornada, a ser realizada passo a passo, mesmo quando nem sempre a coragem lhe era o maior atributo, mas apenas o impulso amedrontado da procura...

...Leva tempo, muito tempo...para a gente entender a potência, o significado e a matriz da missão. E a olhar para isso com maturidade e ternura. Sigo aprendiz.



#

*Pai, obrigada por me ensinar o amor às causas perdidas.
*Republicado, pois refiz esse texto de madrugadinha.

Ensaios sobre a Diaba Vermelha, a Bruxa Ruiva e a Lua que não dorme! (Filosofia do Boteco e uma confissão)



Quantos apelidos tu tens?  

Já percebeste que os apelidos - muito mais que os nomes - são o nosso espaço emocional nos céus dos nossos afetos? ou nos infernos. Pois bem. Eu tenho vários apelidos.

Sou Jaici, para meu titio. Ou Copinho de Leite. Desde gita, sou flor de abril, para papai. Ou natureza. E, no ápice, sou a ‘Bruxa/Bruxinha’. Foi papai quem me explicou o poder de ser bruxa, discernindo com didática da ideia de maldade – estas, chamava de fadas más.
Para Rosângela, sou flor. Para Ester, sou anjo ruivo. Ou flor ruiva.
E tem quem me chame...de Bruxa Ruiva, Feiticeira ou... DIABA VERMELHA.

 (hahahahhahahahaha)

 O fato é que, risos à parte, essa galera toda aí em cima sou eu. O curioso disso é que, essa semana, conversando com um amigo, ele me disse que, para 90% das pessoas, sou apenas os demais adjetivos e para 10%, a tal DIABA VERMELHA. Senti no seu tom que queria dizer que eu escondo a dita ,de ti, que me lê. Eu ri. Não tenho mais toda essa expansão da Diaba.   ELA ESTÁ AQUI

Hoje tenho só 1% da DIABA , só  não mexa com a potência dessa porcentagem, afinal, eu não me decifro muito, mas também já não me 'mordo' ou devoro tanto assim (alô, Minotauro!) 

Essa memória - da Feiticeira ou da tal da DIABA VERMELHA -  me lembrou que o inferno, o céu e nossa natureza sempre foram parte da filosofia, da psicologia, da poesia...e do Direito, pois o mítico e o literário, o filosófico e o religioso flertam desde sempre.  

Sua etimologia vem do conceito de ‘Daimons’, que aliás, não é unificado, tendo referências extensas em Homero, Platão (que o atrela a Sócrates) e até mesmo na mitologia, na representação do Olimpo Grego, como Afrodite. A figura é analisada também na psicologia, por C.  Jung.

Na poesia, desde Homero, Daimons são...uma força – seja uma divindade ou um evento natural inexorável.  Ambíguos, bons ou maus. Uma voz, uma luz,  uma energia, consciência.  C. Jung menciona Daimons como uma força psicológica autônoma,  atrelada ao inconsciente, realizadora de vontades, confrontadora do ego. 

Para o Willis (Santiago Guerra Filho) – o filósofo mais incrível do País!!! -  os Daimons nos ajudam a compreender até hoje...as decisões humanas. O tal ‘impulso trágico’ que constitui a poesia, a filosofia e o Direito, pois parte da essência da humanidade: tudo tem muitos lados, somos um vértice...

Dos tempos idos até aqui, o termo Daimons e Demônios – terminologia derivada -  possuem uma fusão perigosa.  É que associamos os demônios  à Lúcifer, o tal inteligentíssimo anjo preferido do Criador. Enfim, o Diabo. Aquele que decaiu, na mitologia Cristã. O cara que hoje guarda as portas do tradicional inferno.

Entre mística, bruxaria, inferno e poder também temos outra coligação esquisita com a perspectiva de Potência/ Força. Pura lei da física unida à metafísica. Ou seja: tudo é direção.  Aliás, a teoria poiética do direito e a do Direito Quântico, do esposo da imortal Lygia Fagundes Telles, o renomado Prof. Gofredo Telles Jr, bebem desta perspectiva.  Carl Sagan concordaria, pois diz que somos mesmo...é poeira das estrelas. Força! Potência. Magiaaaa da física. Composição. PODER!

Por isso...

A Lua que não dorme e a Bruxa Ruiva põem a Diaba Vermelha para dormir lá no meu umbigo. Há tempos, elas negociam espaço e as duas primeiras ganham. Mas, ela ainda está aqui...e quer saber? já me tirou de enrascadas, já virou esquinas, já bateu portas e demitiu pessoas do meu coração. É, ela fez e aconteceu, e eu – a administração –  lidei com as consequências. Respeito seu impulso inaugural de colocar fogo no parquinho, no circo e no hospício - tudo ao mesmo tempo. É, a DIABA VERMELHA, já “ set fire to the rain”. 

Eu tento não jogar jogos vorazes. A Diaba Vermelha jogou e zerou o game. Sei, foi válido, pois nesse caminho, tudo foi poesia, piração e humanidade latente. Emoção sem métrica. Luz e poder ultrajovem: poesia na boca da noite, como diria Drummond!

A Diaba Vermelha, seu senso de justiça, sua força e gênio de lâmpada queimada precisa existir para salvar a Lua que não dorme, sua delicadeza, livros, metáforas... do seu medo de viver. A Bruxa trouxe a Lua e a Lua põe a Diaba para dormir, cotidianamente, com as canções de ninar de quem teve casinha na árvore, brincadeiras com os passarinhos, quintal cheio de flor de maracujá...

Não me preocupo em ser tanta gente. Teria  medo é de ser pouco.  Tenho medo de gente linear: elas sim, escondem algo.  Eu não escondo: apenas guardo. Sei, inclusive, que posso ser mais...

Por isso, gosto da Diaba Vermelha, ela já não me assusta. É um Daimon. Então, cuido bem do meu 1% e não uso sua expertise em qualquer esquina. Porque até o veneno apura (aviso). Ela dorme e descansa no meu umbigo, pois a LUA gosta de felicidade.  A Bruxa gosta de magia. De poções que não matam...e sabores adocicados. Elas seguem à risca o tal manual anti-b.o.

A Lua cuida de não ser tão curada a ponto de se tornar cinza. Um ser normal, sem multicolorido, seria uma pávida tragédia. Essa piração interna sustenta a órbita. A Lua e a Bruxa sabem que, as portas do seu inferno são cuidadas pela Diaba Vermelha, que vigia quem pode chegar ou quem precisa ir para ‘os quintos’. Alguns, apenas da mais completa ignorância.


LUZ!  
ASSOMBROS!

#

Observação 1: Não uso IA para compor imagens, pois respeito muito a propriedade intelectual e há um debate enorme nas artes acerca da apropriação da matéria humana pela replicação de padrões em IA. O lance é extenso.  Também não reviso textos por esse mecanismo, pois isso sim, acho uma desonestidade artística e acadêmica. É puro respeito à condição humana. Mas essa imagem eu ganhei, é minha exceção, porque está...'eu'.

*Republicado, pois ainda está entre os maiores acessos de Agosto. A Diaba aparece, às vezes. Confesso que ela tem um lado bom e um lado ruim. E que, seu lado ruim, costuma vir para me guiar...pois ela cuida das portas do meu inferno. E parece que este leitorado gosta. :)

Gratidão!


terça-feira, 11 de agosto de 2026

Conversas com Chico

 





Macapá também será uma cidade submersa, Chico?
Visitarão nossa igrejinha os escafandristas?
A casa do Canto e da Sonia, seus quadros, seus versos
A alma etérea da Maria Ester, seu jardim encantado...

'milênios no ar...'

- A Nea  nadando, igual a um peixinho, no jardim, com o Tondo -

Amores emersos! Ah, sentir, sentir -  densa matéria que transborda.

Flutua:
Hernani Vitor e d. Lourdes,  no café do fim de tarde
O verão e seu Nonato, que lealmente tocava à Paraci
Pois a paixão é o líquido do cálice da arte! 

Sentir, sentir - densa matéria que transborda.
´
Macapá tem mais amores p´ra contar, também.
Sorrisos guardados nas esquinas 
Nas dobras e nas margens do coração
 - alguns, deixados p´ra depois.

(Ah, mas que bobagem. 
Depois não existe)

A avenida FAB já viu dois loucos perseguindo o Sol.
Parece besteira, mas foi bonito. O tempo lhes dirá!
Já viu a lua descer sobre o infinito e dormir
De tanta intensidade...

E, descobrirão, daqui a milênios e milênios, os cientistas, neste mergulho
Que o amor é uma entidade etérea que resiste à efemeridade - É verdade...

A cidade estará acesa e dourada pelos tons do Amazonas
E assim permanecerá: Encantada.
Guardiã da beleza incandescente de existir
Sob as cores do Equador, temperada de amor...

-Ah!
... O sabor favorito de Deus!



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Os ventos do Amazonas!

 Os ventos do amazonas falam:

Escuta  a mágica sabedoria da água

Que nasce de tão longe e se modela para transformar

Nesse gigante mar ...doce!

Os ventos do amazonas curam: é verdade!

Misturam com a pele da emoção e acalmam

A gente se navega um pouco melhor, depois disso.

Vive o rio...

Os ventos do Amazonas ensinam 

Direção e Movimento: Leveza!

É, eu sei, nem sempre dá para entender a voz de sua correnteza, pois,

Quando a gente faz barulho por dentro, tudo é chiado, caldo entornado

E a frequência perde a potência do encontro de tornar mensagem

E nem sempre a gente sabe a direção e a hora certa de remar

(E tudo torna mera paisagem)

Nestas horas, acalma: retorna à origem, que relembra:

 Os ventos do amazonas falam,

Sente, silencia e ouve a mágica sabedoria das águas...



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domingo, 9 de agosto de 2026

Às margens do rio


Trago as mãos ásperas
Do sal das lágrimas
Que já verti.

Sem ti, 
saudade virou poesia
Verbo que chega e fica
já não pede mais permissão...

 Remo a canoa da vida
De um jeito manso e macio
Guiada por teu olhar
Na outra margem do rio...

Mas, ainda é agosto, e as marés rasas 
não dizem como atravessar!
A tênue fronteira da vida
Não se enternece para o amor!

(Quem sabe, no cair do próximo luar...)

Roda a estação...
Roda, rosa-louca do tempo!
... e porque  me geraste de amor
Eu te envio flores com meu pensamento! 

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"Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você..."

Nada nesses 23 anos nos distanciou. Pelo contrário. Sou mais humana e, dizem que sou muito das coisas que te orgulham, como gente. Tenho as mesmas amizades, mas também sou amiga de gente nova que tu adorarias conhecer.  Ainda faço o 'dever de casa', mesmo quando é difícil, Pa(i)ssarinho. E faço a coisa certa, mesmo quando o certo dói em mim. Porque tem que ser. Porque fui ensinada e sei que, em tempos melhores, é ainda maior a minha responsabilidade. Eu estou feliz por te amar como meu Pai e sigo iluminada das tuas boas lições. MUITO OBRIGADA. 

P.s: Ei, Pai. Esse poema é o favorito da Maria Ester, que  enviaste direto das tuas aulas  no CCA ...para minha vida! Obrigada!. :)

Em qualquer canto
do teu voo
Recebe o meu amor!