quinta-feira, 10 de setembro de 2026

A caminhada! (Crônica Saudosista do Boteco da Lua)




Mal dei os primeiros passos na floriano Peixoto e ela saiu, saltitante. Fiquei meio tonta. Acho que saiu pela garganta. 

Deve ser por isso que estou com sede. 
Mas ela não. Ela corre e chega perto de um dos lagos, com um saquinho transparente, no estilo daqueles que a gente tomava refrigerante quando tinha a idade dela. Ela pega um peixinho preto. Não é bióloga,  não lhe sabe dizer o nome. Vai ser professora, poeta e advogada, na verdade. Dá-lhe o nome de Penélope. Nada demais. Ela chama a todos os seus bichinhos de Penélope. 
Brincalhona, sai com a sacolinha, como quem leva um tesouro e vai correndo em direção à sorveteria que mora em sua lembrança. Pede uma banana split e o devora com uma felicidade tal! Na companhia do pai, com aqueles olhos cinzas derretidos de menino que não comeu banana split.
Ela vai embora feliz. Volta outro dia, com a irmã e um namoradinho chamado Gustavo. Ela está meio confusa. É que já conhecia o Gustavo. Mas enfim. Gustavo e o Gustavo vinham em dias alternados e tinham rostos diferentes. Mas eram o Gustavo, então tudo bem. Ambos lhe davam sorvete. A irmã não se importava se o Gustavo mudava de rosto. Tudo bem. 
A magrela era bem afeiçoada a sorvete. Gustavos lhe levavam sorvete...ah...vai ver ele era alienígena. Sei lá...qualquer dia a irmã conta p'ra vocês.
Dou mais uma volta, ela volta.
Está andando no pedalinho na lagoa. Ela nunca pedalava com a irmã. A irmã era uma chata que ficava sempre no comando. O irmão era mais complacente. Mas ele vinha menos...o irmão trabalha.
O dia vai cedendo à noite, aos pouquinhos. Desisto de caminhar. 
Estou velha, vou ver o sol cair  e olhar o lago em que ela, deslumbrada, procura um Jacaré, que só veio a saber anos depois que existiu, de fato! (Ela sempre teve razão).
Ela corre e nem é ginástica. Desce as ladeirinhas. Conversa e abraça as árvores...depois, vai embora junto com a luz da tarde, no dobrar a esquina, em direção à sua casa, em frente ao Trem da Alegria, onde fazia o pré-escolar. 
A branquinha magrela cheia de pintinhas no rosto e cabelos castanhos sonha que um dia os verá ruivos.  E vai mesmo. Também vai realizar muitos outros sonhos... e vai deixar alguns partirem, no dobrar das paralelas...vai ganhar e perder outros, que nem imaginou. 
Gosto de saber que ela está ali e que brincou e foi feliz com tudo que foi vida e alegria. Gosto de alimentá-la, saber que é nutrida e protegida, que seus sonhos se aquecem e brilham, ainda.
Mas o bom mesmo é saber que a ela vai crescer sem esquecer da floriano, das mangueiras e do místico que mora dentro daquela lagoa encantada.
E que ela vai seguir sempre de papo com a lua, com as águas e com as coisas que verdadeiramente importam. ❤️ 

#

Entre Mística e Realidade : O Eclipse de 28 de Agosto, o portal 09.09... E o que isso tem a ver com DIAS BRANCOS? (Filosofias no Boteco da Lua)


Senta aí, querida, querido, que respira por este espaço.

                           

Em que tu acreditas? 

Bom, a mente humana significa o que não compreende desde sempre: é a própria função do 'Mito', essa ideação perigosa demais, pelo poder simbólico real de mover pessoas - ALÔ, Bordieu!

"Mito', é palavra grega que significa PALAVRA, narrativa e, com o tempo, foi associada à narrativa simbólica dos gregos enquanto povos antigos,  pela história dos Deuses. Religiões e crenças são espaços profundos para a utilização de mitos e símbolos (E Deus me livre não ter algo para crer e significar essa doideira toda, não é mesmo? risos).Adoramos tudo que nos coliga a algo profundo, inexplicável, sagrado. Aliás, o sagrado, desde Roma antiga, era ligado à sacer, o separado, o diferente do profano. PROFANO - aquilo que é 'estranho'. 

Ocorre que...eu sou estranha. Nem sei se pareço. Me preocupo muito com o uso de CONCEITOS - outra palavra perigosa - tais como  'sou intenso' ou ...sou 'profundo'. Aliás, estão muito na moda. Mas é que não sei tua medida de voltagem para dizer isso. Mas, 'estranha', eu sei que sou. 

Vivo de me separar do todo, para me conectar em pequenos pedaços de luz que - para mim- fazem sentir. Eu disse SENTIR, não sentido. Sentido é a essência do mito - e talvez tudo que a gente tenha criado tenha mesmo um pouco de mito: O Estado, o Direito...as convenções. O poder simbólico é controle, como ensina Pierre Bordieu, no magnífico  livro 'O poder simbólico'.  Sentir,não. 

Pudera, ter sido chamada de Bruxa desde criança, deu nisso. Aliás, bom lembrar: a Inquisição queimou pessoas. Investigou e realizou tribunais de exceção contra tudo que ferisse aquela hegemonia. Com base no 'mito' das bruxas e legitimado por este discurso. Ah...o poder simbólico.

O curioso e o injusto é que a palavra magia, na origem, não era ligada à ideia do profano, mas ...aos sacerdotes. Transformados, adiante, nos religiosos de alto escalão.  Ou seja: a inquisição deveria ter matado seus próprios inquisidores. A vida não deixa nunca de perder a ironia - mesmo quando deveria. 

Bruxas, no norte e em muitos outros lugares são associadas às mulheres da floresta. Às curandeiras. Ao poder da ervas. Do encantamento. É assim que penso nessas mágicas...acredito em muitos destas percepções ou explicações. 

Também acredito em KARMA, como no ideário antigo: não uma interconexão inexorável, fruto do vilão destino, mas sim uma bioquímica universal de ação-reação. Acredito no eterno retorno, a teoria de Nieztsche que explica a repetição do universo, outra reinvenção do mito de Ouroboros. Tudo que nos explica o 'giro quântico' dos encontros e reencontros.

Ok. Mas porque estou a hablar sobre isso tudo?

Na última semana, rolou pela internet uma série de explicações sobre o Eclipse Lunar do dia 28 de Agosto. Para a astrologia, este é o 'Eclipse em Peixes' (sim, O SIGNO, que também vem de significado, outro tipo de mística pela qual parte de nós, humanos, procuramos respostas), como um 'fechamento de ciclos'.  Outro destes, segundo a confiável fonte 'instagram', somente em 28 anos. E segundo a tão confiável quanto - IA - acontecerá em Março de 1943. 

Aliás, para encerrar o ciclo de coincidências celestes e místicas, o chamado portal numerológico representado pelo 09.09 - ONTEM,  teve a energia do 1.

E aí, de saber desse significado, minha mente começou a trabalhar...conexões.   Lembra que eu escrevi sobre NOITES BRANCAS  e DIA BRANCO, há dias atrás? Mas as noites brancas, em São Peterbusco, eram...noites com sol!!! Um jeito também mágico de o sol morar no céu, em plena noite. Então, e se, as noites brancas (ou, noites com sol) encerradas no Eclipse do dia 28....for um começo ... dos dias brancos, anunciados pelo PORTAL 09.09?

Verdade ou mentira, mito ou realidade, tanto faz: gosto destes 'divisores de águas', tanto quanto gosto do Ano-Novo: possibilitam um jeito ou um tipo esotérico e místico de a alma reiniciar. E a gente vive de fazer isso, todos os dias, mesmo quando não coloca essa série de mitos entre nossas ações cotidianas:  Uma reencarnação sem precisar morrer, pois, como disse Alice 'Já fui tanta gente, desde que acordei...'

 E se for tempo de girar o dia 1, entre abraços e canções?

Encerrar e iniciar coisas em nós, que há muito, pedem essas ações?

Símbolo, giro quântico do destino, pura coincidência ou uma mensagem do Universo, eu te pergunto: Afinal de contas, no que tu acreditas?

#


Eterno Retorno



Desde que acordei
Já deixei pra trás tanta coisa!
Meu sonho esquecido da noite anterior,
A beleza da lua passada,
E até um belo par de asas…

É que o tempo cria demônios
Redemoinhos e tufões
E leva embora tudo que somos – efemeridade
Para trazer, com o mover do mundo,
Novas partículas de segundo.

Por isso, adeus, adeus!
Mas é sempre até breve…
Pois na curva do arco-íris
O amor (mágica infinita)
Em si, repete.

O vento que fez a curva,
Girou a roda do universo
voltou no dobrar da esquina,
arejou certezas,
e hoje dança com as cortinas…

#


É mesmo preciso imaginar Sísifo feliz, Camus?
É preciso amar o fado, Nietzsche?
A gente deixa alguma coisa entre as sombras e a luz,  querido Canto?
Ou...quando desce, Sísifo é outro?
Ou quando amamos, o fado deixa de ser fado?
E entre as sombras e luz moram...nossos assombrosss!

* Republicado de 2019.
Canto gosta muito este poema.
E eu também.

<3

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Outros Ensaios sobre Eu e o Tempo!

 


Ando com os pés tortos
Durmo de moletom
Pareço um bicho distraído
Perco as chaves, esqueço o caminho

Paro para contemplar as nuvens brancas de um céu clarinho
Reajusto roteiros bem devagarinho
Em baixa ou pouca aceleração:
Gosto de boa companhia e de solidão...

Não preciso fabricar novas palavras
Para significar bons sentimentos
Talvez seja questão de dizer mais e melhor
O simples, de uma forma terna:

Sinto Muito, Me Perdoe, Eu te amo...e Sou grata.

Sigo cada vez mais abstrata: sem tantas respostas para quase nada
Meu pequeno dicionário de afetos
Tece sua própria composição
- e faz sua mágica...

Deixo a torneira desajustada, afinal, eu também sou assim: Desacomodada.
E não tento mudar o que é simples em cada um: a gente não é lugar comum
Somos singularidades à procura 
Do que faz sentido sentir...

Confesso: gosto cada vez mais de ser...assim!

De estar quieta dentro de mim, sem precisar equalizar voltagem
P´ra caber em canto algum:  Um coração humano comum
Mas humano - com seus valores guardados
Não liquidificado entre somas e contratos...

Aprendi a não convencer ninguém a gostar dessa equação: 
No lugar certo, presença é magia partilhada, comunhão!
E assim, faço do dia a dia uma poesia cada vez mais calma
Pois a paz, meu bem, é um luxo 

- Pago pelo seu preço mesmo quando tudo parece confuso - 

Não quero nada, nada mesmo, que não seja (m)eu.
E já sei que, pela lei natural Universo, toda adição imerecida é subtraída
A vida tem um elegante e silencioso jeito de ser a verdadeira dama da justiça
E é mais irônica e imaginativa do que jamais conseguirei entender

E eu já não preciso, não quero e nem tento...

Dizem que é 'impossível viver de poesia'. 
Mas, Senhoras e Senhores, viver é um ESPETÁCULO!
Latente, cru, belo, doído -  e sem ensaio
Por isso, penso o contrário...

A poesia me salvou!

Conectou meu coração ao universo
Expandiu as linhas do tempo e encontrou as mãos que eu precisava
Fez a estrada não ser tão silenciosa e pálida
Mas sim, colorida e amável...

Busco pela correição, sabendo que o mundo não vai fazer o mesmo
E já entendi que esse estranho conceito
Parece beneficiar quem brinca de quantificar as regras do jogo
Como se fosse possível barganhar com Deus...

É...confesso: às vezes, quem tenta barganhar sou eu. 

Faço mais perguntas válidas do que jamais fiz
E um anjo loiro sorri e me diz 
 "O que vamos amar hoje?''

Isso me conecta à verdade da existência
Real preocupação:
O que vale o gasto da batida do meu coração?

( É, eu ando com os pés tortos)
#

Lost!

Sempre tão perdidos em nossa correria
Nossa ânsia de ser e alcançar
Dentro de um mar revolto,um leme
Mesmo que não seja fácil de guiar...

Nunca tão distraídos do entorno
Nos tornamos cada  vez mais em rotação interna
Crianças a divagar
Tão distantes de um lar...

Um lar!
O que isso significa é tão...pessoal
Somos complexos e diversos 
este é o mundo real...

E o que satisfaz também pode ser o que envenena
Entre a dose o antídoto tudo uma questão de gotas
Ou de caleidoscópicos versos
livros,canções e poemas...

Mas entre tudo que é tão nosso
Olhar ao entorno já é um começo de astral
Perceber que entre perdas e ganhos
Só o amor - em toda sua amplitude- é real.*




#

* "Só o amor é real" é uma frase, título de um livro de Brian Weiss, a quem muito aprecio.
* Republicado de 26.09.2014, pois acessado no 'Agora'.

Nude



 Sou do dia,

De chuva fina que deixa o dia cinza,
Da rede que embala sonhos no jardim
De coisas cálidas, nada pálidas
Emoções sem fim...

Sou das madrugadas,
Do vinho na taça e Bethânia rolando sob a brisa do Amazonas
Sou molhada de chuva, quente, bicho equatorial
Faço da minha loucura plácida o meu carnaval...

Sou estável e de repentes
De regar as flores e plantar sementes
De sair, quando a hora chega, sem olhar pra trás
Sou de palavra que não torce, de curvas, de silêncios  

(e busquei coisas de paz...)

Levou tempo dar conta de tudo que sou
Confesso, Moço:  
tem muita brisa de amazonas, 
tardes quentes sob as pontes de igarapés...

Tem verso de Belchior e inconformidade de Raul
Gritos de Elis e verbos de Caetano
Uma MPB maluquecida de rock and roll 
Que dança ao som de um blues...

Tem bordadas delicadezas
Manias, escolhas:  Curvas viradas! 
Algumas capotadas na estrada da vida
Cicatrizes que lembram a potência de sarar...

Não tô procurando nada 
(Será?)
Não me entretenho em 'meios-calores'
Nem em elos de versos mudos... 

Por aqui, a feira é maluca
Tem sabor, tempero e cor
De tudo um pouco,  caravela emocional
Um regatão amazônico cheio de tempero, sabor, açúcar e sal...

#


*É antigo, mas não sei de quando. Eu ainda não registrava a data...Mas é último poema acessado na estatística do  'Agora'.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Chique mesmo é ser humana: Andys e Nigels existem! (O Diabo veste Prada 2 e um toque otimista com a vida)

                                             Qual a capa com a qual vestes o teu rosto?



 
Sabe, querido, querida companheiro e companheira dessa jornada chamada aluanaodorme, sempre disse que chique mesmo é ser intessante, sem ser interesseira. É tentar crescer, sem passar rasteira. É perguntar 'está tudo bem?' e ter cooperado para essa verdade. Porque o avesso disso, é apenas uma máscara deformada que parece um rosto. 

E como tu sustentas o teu rosto? O que te veste a alma?

 'O Diabo Veste Prada 2' está vestido mesmo é dessa  pergunta e singular...mensagem.

Sinceramente, ouvi muitas pessoas dizendo que o '1' é melhor e discordo:  No 2, temos mais do que apenas o que chamo de 'mística-miranda', com toda a potência de uma força arrogante sem delicadeza, mas vestida nela: Temos o poder do tempo como revelador das verdadeiras humanidades e uma máxima anunciada no filme: IMPERFEITOS JUNTOS TAMBÉM É BOM.

Na trama, vemos o reencontro de Andy, Miranda e Nigel 20 anos depois da famosa história que permeou uma geração e que criou o imaginário do que chamo de mística-miranda: a de que o poder não envelhece, é arrogante e forte sem delicadeza, ainda que revestido dela. A de que é poderoso quem é capaz...de tudo. Que é forte 'quem sabe mentir' e não tem problema de atropelar - não importa quem seja. 

Sem dar spoiler, pois vou falar em metáforas, a trama inicia nos mostrando uma verdade universal: Humanos decaem de seus céus ilusionais. 

Sejam eles trabalho, amor...as asas de cera estão em todo lugar: E a vida tem um jeito particular de se encarregar disso, pois o tempo é a verdadeira dama da justiça, com sua ironia e finesse singular.

 Por essas curvas das linhas tortas do destino, Miranda e Andy veem-se novamente unidas para trabalhar em um time em crise. Mas aqui, longe de toda a pompa anterior, temos duas mulheres, com suas potências abaladas, depois de algumas verdades, que precisam se (re)conhecer...afinal de contas. Afinal, moda é identidade...humanidade.

Sempre pensei isso. Sempre me opus à ideia de 'conformar para caber'. Seja em uma roupa, seja em um modo de ser. Claro que todo mundo ajusta um pouco. Mas é importante não deformar o todo. Ou a moda vira mesmo é a capa de cera que esconde o enxerto.

O filme me deu um quentinho no peito, pois eu sei e tu sabes que as Mirandas da vida existem, são mais diversas e imaginativas do que a ficção poderia transcrever. Pessoas cujo ânimo (do filme 1) é: Eu posso engolir você, depois de quebrar seus ossinhos e ainda estar vestida em um lindo casaco de pele, pois eu sou capaz de matar: amizades, confiança...elos.

Mas o '2' nos lembra que, a despeito dessas coisas, Andys e Nigel' s sobrevivem...e se aglutinam: a lei natural dos encontros, sabe? Gente que recomeça após um tombo, que chora o sangue derramado, mas opta por seguir doce. Que é colorida e natural, e não apenas o 'ditado'. 

Que ainda se entusiasma com a beleza não-performada, e até tenta se encaixar, mas é bem maior que a caixa.Que se move pelo coletivo, em um mundo de emoções enormes e ambições mais medidas, e que sabem que potência mesmo...é força e densidade travestida de presença: A tal firmeza de ...Caráter (Oi,Pai. Que saudades!).

E pode ser que tenham mesmo mais Mirandas e que, no fim, a gente nem deva ser tão legal com elas...e que deva aprender a devolver a mordida, para que saibam provar o seu veneno. Mas...quem eu me transformaria se esse veneno me perpassasse?. Aliás, disse para Ester, um dia desses, que eu queria devolver o veneno da mordida e ela, de pronto, me disse: ''eu não. Porque se devolvesse, não sei quem eu seria''. É verdade...

Também conheço Mirandas. Sei que tu já pensaste em pelo menos umas 3. E já vi decaírem ou não - porque a realidade é que, na vida, 20 anos não se passam em 2 horas e é preciso tempo...mas também já vi o tempo transformar em Mirandas ou transformar Mirandas. E é fato que, uma coisa, sei: elas - as místicas-Mirandas - possuem: Coragem sem bordas. Isso é bom? Já me fiz várias vezes essa pergunta.

 E, sinceramente, não sei...pois o fato é que o líder, às vezes, tem de ser 'O príncipe' e jogar as regras do jogo e Miranda(s) possuem a potência de entender a 1a Lei de Newton: A lei é da ação e reação e o movimento precisa vir. Mesmo que seja...letal.

É, tudo tem um preço. Que ser quem somos, mais do que uma bolsa de grife ou uma capa de humano, tem um preço e um valor. Esta continuidade nos lembra...que a vida continua mesmo.

Então...qual é 'a dor e a delícia' desses caminhos para ti?  esse mundo é tão, tão particular. Mas compartilho uma verdade que escorre de "O Diabo veste Prada 2'' e que pingou dentro do meu coração: E a de que uma pessoa é chique mesmo, não pelo closet, mas porque trouxe de casaco de pele...o próprio coração.

E a de que....

IMPERFEITOS JUNTOS TAMBÉM É BOM

Mas a mensagem final de Miranda para y  e a de Nigel para Andy (são cenas diferentes) nos fazem refletir... qual é o bom que queres por perto?

#


LUZ!

Romance sob as Luzes de Buarque

 



Põe Chico pra tocar no celular, bem
Não deixa a Luisa Sonza confundir a canção
Põe a mão no meu coração
Vamos dançar...

Aproveita que estou tão anos 40
Me chama de brotinho e a gente janta à meia-noite
Antes disso vamos brincar
de Construção...

Modernidades não me caem bem, tu sabes
Relógios são grandes demais para um pulso de pluma
O tempo, às vezes, é feito espuma
Escorre entre os dedos, macio...

É nisso que acredito.
É nisso em que confio.

Não somos de datas, mas hoje, Buarque faz aniversário
E assim, as leis do abecedário
Giram a roda da vida
Para celebrar...

A gente não seria igual sem Chico, não é mesmo? 
E que amor o seria?

Aquela madrugada fria
Em que escrevestes no meu corpo mil formas de 'te amo'...
Ou quando ficas em mim, feito tatuagem
- Haja coragem, querido...haja coragem...

De tempos em tempos, sou tua bailarina
Sonhamos juntos que o inferno congelou aquela gente chata
Que pensa mais em do que títulos que na beleza da flor
- Que fenece, ainda aquela mais perfumada...

Mas não vamos enrijecer de medo
Só porque a a realidade bate, às vezes
Que a gente cresce mesmo quando entende que a chuva também traz o frio
É quando acorda, percebe que tudo é o que é 

E segue a vida, mesmo assim: macio...



#


Esse é um poema cheio das ideias e referências. Uma singela homenagem ao GRANDE Chico Buarque, no dia 19.06 dos anos idos, no dia de seu aniversário. Republicado porque foi o mais acessado do dia e porque, antes de ontem, Luisa Sonza esteve em Macapá e brilhou, sob as luzes do encontro de Vênus com a Lua. O céu foi palco de grande beleza, neste Agosto de Deus...


*Republicado, pois acessado no 'Agora'.

domingo, 6 de setembro de 2026

Fenda!


O espírito de uma antiga canção bate à porta
Recebo com surpresa sua presença
Aprendi a organizar as coisas:
Passado, presente, futuro...
 
Recebo-a
Velha amiga de uma guerra antiga
Sirvo-lhe café e sorrisos
Ouço um pouco como foram seus caminhos...
 
O espírito de uma velha canção não chega a assustar
Pois, no espelho inverso desse complexo multiverso
É como sentar com o eu do passado
E eu me trouxe a salvo daquele lugar...
 
O espírito de uma velha canção senta à mesa
Toma um bom café
E me beija!
Sorri de coisas antigas que eu nem lembrava
 
- Envenena meu sangue de um vício antigo de um querer que eu esqueci que recordava,
Fenda no tempo de ternuras e loucuras compartilhadas...-
 
No quarto vermelho*, a alma, desacomodada, percebe
Que solta pedaços da bagagem pela estrada
Mas o coração celebra, honra e guarda
Abraços e canções!*...


#
 
"Eu amei vocês 
E vocês me amaram
O resto é...confete"
 
* Belchior utilizava essa expressão 'Abraços e canções'. Acho que isso representa  algumas das melhores partes do que guardamos em nós.
* Spoiler: O Quarto Vermelho não é o quarto, propriamente, na 'Maldição da Residência Hill', mas sim a sala de estar, a casa de bonecas, a casinha na árvore...enfim, a fenda no espaço para o encontro dos fantasmas – e das grandes despedidas e amores - da casa, aquela eterna engolidora de vidas (como o tempo).
* A música ‘menina veneno’, tem uma lenda em torno de uma alucinação, a 'Noneve'. Juntei as histórias, para esse poema.

* Em qual lugar você guarda sua menina veneno, a Noneve?  Já sentou com ela para um café, alguma vez? ;)


quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Inadaptação!

 Eu não vou deixar de brincar com a eternidade - não vou.
Mesmo sabendo que posso morrer amanhã, porra.
Ah, não. Nunca viste um poema puto bruto?
Este aqui nasce cansado: calado pelo desespero mudo...

Dessas coisas plásticas, cérebros apodrecidos e almas pálidas
Gente cumprindo o ofício para viver três horinhas do dia
Depois de morrer o dia todo
Muita hipocrisia, muita conveniência, pouco encontro

Tudo tão banal...

Eu não vou, não vou mesmo, acreditar que as coisas são o que são.
Tenho um coração e ele bate as não-obviedades: 
Quero ser doida de muitas formas diferentes
Quero ser lembrada por ser gente,  quente, presente.

Por realmente enlaçar minha alma aonde tocar meus abraços...

Quero ser ignorada pelos que se acham poderosos, pois eu sou frágil:
Muito frágil e quebrável. Mas, muito capaz de recompor...
Quero passar batida para quem pratica o desvio da conduta
E depois se exime da autorresponsabilidade da ação

Pois a gente é comunhão entre quem acredita ser e o que é, de verdade...
Por isso, me conta, na realidade: Do que tu és capaz?

Quero conquistar minha paz no poder do gesto, dos elos
Conformar meu coração e desacostumar de todo resto:
Eu não preciso aprender isso.
Não preciso.

Não vou.

Nunca fui assim tão civilizada, sempre andei meio deslocada
À procura dos meus iguais...e eles existem (Que alívio!)
Ainda não sei do que são feitas as nuvens ou se a humanidade conheceu a lua
De verdade

E sei que os canalhas já nem pensam nisso! Pois sobrevivem do que lhes convém
(E tudo bem...cada um leva da vida, afinal, o agridoce do que lhe retém)

O que me busco é simples e audacioso - Ainda que discreto!
Nesse gigante grão do espaço sideral onde guerreiam 8 bilhões de corações
Entre a vida e o frio do concreto tão direto
Ah!Quero viver, ouvir e ver acontecer

Histórias de amor...!


#

"Sei que amores imperfeitos

São as flores da Estação"


Esse poema é tão EU. <3

domingo, 30 de agosto de 2026

Amigo, Presente de Deus (Por Maria Ester)

 

Amiga
Amigo, amigo-irmão, amiga-irmã, 
Surge puro como a água,
Com ou sem bolinhas de gás.

Compreende as verdades, as qualidades, até as menores dificuldades;
O antes e o depois do tinir das taças.
E vem... sempre vem…

Goste ou não do time, com ou sem o brinde dos vinhos,
Suspira junto na vida, nas vitórias, e é ombro quando nada acontece.

É amigo com ou sem champanhe,
E traz o charme das histórias
Apalavradas na simbiose dos chás
(Camomila para acalmar ou hibisco para lutar).

Mas como a força do café não há!
Ele escreve, ouve, canta e declama,
Nas brumas das manhãs ou nos entardeceres.

Às vezes, basta um afago,
um suspiro, um riso, um choro, uma cura.
Café tem que haver e traz junto
o coração, o carinho, cafuné, abraços quentinhos.

Remédios enviados por Deus.

                                                                                              Maria Ester

#

Maria Ester faz parte do que nomeio Santíssima Trindade Poética do Amapá, também composta por Fernando Canto e Alcinea Cavalcante.

Que sorte a minha, nesta existência, ter a oportunidade de partilhar...

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

‘Noites Brancas’, ‘Dia Branco’...e eu, o que faço com meu DESEJO(S) quebrado? - Filosofia do Boteco da Lua.

 


Caríssimo (a), me responda com sinceridade: Qual fim tu destinas aos estilhaços do que tanto quis?

Ah...DESEJO.

Essa matéria quente, brasa acesa na pele, chama alta que queima lábios e juízos, incendeia a alma e ordena vontades. Nossa língua (a materna, não falei desta que já formigou na tua boca, de pensar), carrega essa feitiçaria pronta na palavra – esse empurrão certeiro que nos lança na correnteza da vida, feito gente que não sabe nadar e é empurrado de um trapiche, em dia de maré alta.

É pimenta, já diz Rubem Alves. Dá água na boca, arde enquanto molha...

Bom, a palavra viajou no espaço-tempo, como alguns de nossos quereres.

Na origem, vem de desiderare, de - siderare, nomeada pelos Romanos como a ânsia do contato com as estrelas e a existência de uma separação entre aspiração – realidade: a ausência do contato que produz a ânsia do encontro.

O curioso é que L.Krauss já nos lembrou que a nossa composição natural contém carbono, uma substância que não existe no planeta terra, mas sim, nas estrelas. Logo, trazemos o pó do cosmos nas veias. Que deboche do destino, desde os antigos até aqui: o ser humano correr atrás daquilo que pulsa em sua carne e sangue.

É, os Deuses vendem quando dão: O Desejo, desde a origem, é uma zombaria linda, ingênua e dolorida. E de dor e beleza, convenhamos, todo mundo entende bem.  Pois bem.

Ocorre que li, recentemente 'Noites Brancas', cujo personagem central,  "O Sonhador’’ – já que jamais deu-se ao trabalho de se apresentar pela formalidade de seu nome – conta  as quatro noites ‘mais significativas’ de sua existência: A do encontro com a idealização do amor, personificado pela fulana de tal - que chamarei assim apenas para não pessoalizá-la demais, já que vamos falar em projeção.

O sonhador começa como um mero caminhante na cidade de São Petersburgo, como parte da paisagem da cidade, absorvendo a vida e o cotidiano a tal ponto, que conversava com as casas da cidade até o encontro quase inacreditável com fulana-de-tal. O livro é desenvolvido em partes singulares, as ditas quatro noites brancas: o encontro/ a intimidade (o querer da entrega não concretizada)/ A vertigem do sentir/  o derradeiro fim. Tudo em uma voltagem singular: Coisa instantânea.

De início, não ganhei identidade com a leitura, como em outras obras do Dostô, pela gritante diferença entre a escrita – claramente de seu início -  e as suas clássicas obras, tal como "Crime e Castigo" ou "Memória da casa dos Mortos", que, complexas e tortuosas, demonstram nuances e melindres da filosofia que mora dentro das sombras humanas, rasgadas entre carne-armadura, sombras, luz, ambivalências...

Dias depois de concluir o livro, a ficha caiu: fazia algo banal, como estacionar o carro, quando percebi que fulana-de-tal foi a personificação do desejo do sonhador.  Uma espelho de sua própria solidão. Fiquei encantada com a delicadeza de Dostoiévski – aliás, sem isso, a alma humana é quem quebra.

Neste mesmo momento, curiosamente, levantei do carro, a bolsa caiu do meu colo e quebrei um perfume que se chama, adivinhem? ...DESEJOS. Mas, apesar de quebrado, ele não derramou o líquido. Resolvi que poderia transformar, tal qual o sonhador, meu ‘desejos’ quebrado em algo bom – afinal, a beleza das coisas quebradas é a essência da filosofia japonesa wabi-sabi.

O Sonhador pegou as quatro noites ‘mais significativas’ de sua existência e transformou em mensagem, afeto e gratidão pura: fez algo belo com seu Desejo Quebrado. Ele poderia ter chorado o papel de coitado, mas recolheu seus pedaços com a melhor parte da palavra calma: ALMA. Pura arte.

              Ah...meu DESEJO quebrado (risos) e suas noites brancas sob os céus do Equador!

O fato é que, muito paralelamente, correlacionei o livro ‘Noites Brancas’ à canção ‘Dia Branco’ , de Geraldo Azevedo - que, quem sabe? - não foi nomeada em clara analogia e contraposição ao livro, sendo aqui descrito como um afeto, um sentir... possível.

A letra diz:, " Se você vier pro que der e vier comigo/  Eu lhe prometo o sol ...se hoje o sol sair/  Ou a chuva...se a chuva cair.../ Até onde a gente chegar/  Numa praça, na beira do mar, um pedaço de qualquer lugar.../Neste dia branco - se branco ele for (...)”

Ah! A beleza das coisas...possíveis!

Sim, é fato que a vida real acontece a cada abrir de olhos, feita no cotidiano dos dias brancos, vivenciados na nossa escala singular de possibilidades.  E é verdade que ninguém aqui nasceu para estátua de mármore, e que apesar de querermos essa simplicidade, pulsamos ambivalências, voltagens e vontades particulares: Temos e somos o desejo partido de alguém.

O lance é que, ajustar o coração à loucura cotidiana - com suas dores e miudezas -  é a única chave para a felicidade. Um realismo esperançoso, como diz Suassuna. Uma estratégia de sobrevivência mais profunda do que um manual sobre a guerra. Difícil de aprender, impossível de ensinar. Vamos à lida.

Então, caríssima (o), não sei o fim que tu destinas aos estilhaços do teu querer... sei que tens tuas noites brancas. Então, te desejo SIM  a poesia clara do dia, feita de abraços e afetos... ao alcance da mão.

É ISSO!

A publicação está fora das margens. É a única da história do aluanaodorme neste formato. Porque tudo que em nós transborda...é querer. :)

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Coabitação



Nunca perguntei para o mar
Porque as ondas vão e vem
Nem pedi a um vagão de trem
Para ir no avesso da jornada! - Interestelar:
 As coisas são o que naturalmente são!

Ou a gente segue o vento ou muda a direção...

A vida é feito morar em uma caótica casa
Com 7 bilhões de habitantes
E ver o coração se arrebentar de amor
Por umas 10 ou 20  pessoas na jornada
E compreender a efemeridade de não saber nada...

Ah! 

Mas os dez  ou mais corações
Pelos quais bate o meu compasso
Fazem valer à pena cada passo dado!
Por isso, bem disse a poeta:
Viver é ser quem caminha ao nosso lado...

Mas... é também os calos e o calor
De tudo que a gente sente ou doou
À esta imensa casa, nosso planeta!
Pois sei que vim, humana e imperfeita
Crescer, contribuir, servir...e amar!

Depois, voltar p´ra casa nas asas de um cometa...

#




'' Cada átomo de seu corpo veio de uma estrela que explodiu. Os átomos de sua mão esquerda provavelmente vieram de uma estrela diferente da dos átomos da sua mão direita. Essa é a coisa mais poética que eu conheço sobre física: vocês são todos poeira das estrelas'' -  L. Krauss

LUZ! -  e caos, afinal...uma estrela não explodiu e morreu em ti, para que possas nascer e não fazer e acontecer, por aqui. :)

*Republicado de 01.01.2016, pois acessado no 'agora'. Hoje, são 8 bilhões.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Tem Gente!

 



 Tem gente que só de a gente saber que existe dá um quentinho no coração, não é?

Gente que conversa macio, que a gente não vê o tempo passar...que tudo parece mais: mais quente, mais terno, mais interessante. Tem gente que está escorrendo sal sendo açúcar na nossa existência. Tem gente que escolhe presença ativa e que a gente sente um prazer danado em acomodar no dia.

Tem gente para quem a gente quer contar as coisas e com quem a gente pode contar...que a gente quer por perto...que sente falta...aproxima. Tem gente honesta, batalhadora, interessante, se encontrando para tomar um café, antes das seis (ou até depois), para falar de muitas formas como a estrada é sobre lealdade. Amizade, amizade bruta mesmo, daquela que não distingue nada: sexo, orientação, idade, sobrenome, religião...

Tem gente que chega e vira irmão no meio de uma piração danada.

Tem gente com quem a gente não precisa 'performar' nada: vira quarta, quinta, sexta e sábado na netflix ou na noitada. E acorda novinho em folha, porque se sente...gente. Tem gente que parece nosso livro favorito: é filosofia pura, notas existenciais sobre existir. E, ainda assim, capaz de rir...de fazer rir...de ser gostosa...com bobices e manias, gente que é toda bordadinha, feita de detalhes...

É, tem gente que recarrega a gente. Com uma poesia, uma piada. Uma receita nova! Comidinha boa...um olhar quentinho. É, tem gente que é calor humano e isso, por si, já é um poema. Gente que teima e que conecta e que espalha acolhimento, mesmo quando a vida tá confusa. Tem gente que não tem tempo para nada, mas que para tudo para te abraçar. Para te acompanhar.  Que te conhece como as linhas de um lar. Que te faz respirar melhor só de saber que existe...

Tem gente que erra e aprende o caminho do acerto. Que volta, reconecta, reconhece a singularidade afeto. Tem gente que nem diz nada, só não repete o ato. E que não pede desculpas, mas aparece com um café quentinho, para refazer o laço...

Tem gente que a gente quer fazer qualquer coisa e 'qualquer nada' juntos. Que a gente nem quer escolher, só estar e acomodar. Que é bom até estar em silêncio e respirar...presença.

Tem um montão de gente que sara enquanto sangra, porque reconhece na ternura sua força maior. Tem tanta gente que administra sua confusão sem confundir ninguém e faz da vida um lugar honesto, interessante, colorido e colorível, que forma laços, conexões e significados, pois aprende em conjunto como existir pode ser bom... como sentir é bonito...

Tem gente que brota um jardim no coração e que faz a gente descansar enquanto dança. 

Como se fosse um flow, uma magia quântica...

#

*Republicado, pois é uma das  filosofias de boteco mais otimistas que o Aluanaodorme possui. 

LUZ! 

Fiz as pazes com meu coração (Parte 2)

                                          


Faço silêncio quando há barulho por dentro
Gosto de ouvir os detalhes da vida em movimento:
O barulho da respiração, o assobio do passarinho
O farfalhar das folhas secas pelo chão...

Sou muito molhada: chuva no Equador!
Meu coração, que pulsa aqui dentro 
Procura comunhão com a razão
Sente tanto e faz mais sentido agora do que jamais fez:

Feito o barulhinho do rio que bate no parapeito da orla de cidade...
Detalhes: Ou a gente entende dessas coisas ou não consegue perceber nada, sabe?

E Agosto com esse sol tremendo,  diz:  
O que é real também arde. 
Na pele, nos olhos, na emoção que comunica por dentro...
Afeto não é urgente: é emergente. 

Acresce, vibra, faz parte dos nossos pensamentos...

Tudo que merece o gasto, pede também:
Presença, sorriso, uma história longa...como foi teu dia?
A 'liga' é perceber o outro:  Sem pré-conceber.
De tanto tentar entender o externo, briguei um pouco comigo, às vezes:

Mas, eu...ah! fiz as pazes com meu coração...

É, o mundo dá medo, Nego:

No aleatório do cotidiano, entrecortadas cores, cheiros, roteiros
A vida é aleatoriamente bonita e, enquanto a gente respira, o caleidoscópio gira!
Vidas de instagram, palavras explicadas, tanta racionalidade! sorrisos de liquidação
Dopamina de gente barata: mais e mais aceleração.

A galáxia e sua perfeita mecânica relembra a verdade:
A verdadeira piração é Mistério... e a arte é ser parte.
Permitir-se vibrar com a matéria densa da realidade
É lembrar que a gente é estrela, carbono, matéria, desejo, paixão

Uma mistura quântica maluca e quase sem explicação....

(De perceber, sem precisar entender 
Fiz as pazes com meu coração)

#


LUZ!