sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Aceleração!

 


 Eu corro muito para dentro de mim:
Da poesia que nasce, sutil, feito um riachinho,
Escorre...
Por isso, sou de fáceis lágrimas e sorrisos.

Eu me apaixono tanto! Por livros, arte, poesia, filmes, palavras, cheiros, percepções
Pessoas, não - estas, conto nos dedos da primeira mão.

Calmaria externa, piração interna: 
Sempre em busca da próxima dúvida
Qual o peso de todas as formigas que tem no universo?
Porque quem fala a verdade é tido como neurodivergente?

O que então, afinal, é ser gente??? 
Normal...que palavra perigosa (perdoe o tom jocoso na prosa)

E a canção não para de bater como pingos de água na caminha cabeça:

" De um lado esse carnaval, De outro a fome total...ôôôÔô...''

Falo tanto em amor: esta é a minha revolução geoeconômica, política!
Não esquecer o que importa só porque querem apagar meu coração
Com propagandas, compras, conceitos tolos, como 'status'
Ou próxima gíria do marketing explicando a felicidade para gente infeliz

Entorpecida do próprio fedor de ambição, cera, pus, excrementos - debaixo de fino verniz.

Respira macio comigo, pois nem todo mundo é assim: voltemos ao poema
Lugar aonde ainda vibram as coisas doces...

Pois há  quem sobreviva a esta morte em vida
É que tem gente p´ra caramba neste globo maluco - sempre fatal
Tanto barulho, tanta geografia, Métrica, cálculos de aritmética! 
Nada ideal.

Nunca fiz este estilo: nunca calculei o peso de ninguém
Porém...eu já tive um grilo e ele se chamava 'João'
É isso que queria contar de mim para ti, 
Hoje. 

Faz sentido? ...

A minha visão de sucesso depende
De quanto amor, afeto ou paixão podes partilhar
De quanta gente já feriste para alcançar teu pódio particular
Das coisas que és capaz ou não...

Corre na tua veia que tipo de aceleração, afinal?

Por quem teu coração acorda, o que te causa alegria
O que tu contas a Deus*  no fim do dia?
Será que ontem, falei do que verdadeiramente importa?
Nestas horas a gente nunca sabe qual é a porta para chamar de oração...

Deixo as pedras rolarem ciente de que, afinal, não há negociação:
Existir é difícil como engolir uma dose de cachaça em jejum
Afinal, mesmo Sísifo aprendeu o sentido real e comum da expressão
 'os deuses vendem quando dão'

E, apesar de parecer confusa, 
E nunca ter entendido a racionalidade da raiz quadrada da hipotenusa
Trago uma carta final na manga e ela é meu real (t)alento:
Eu sei que já me perdi ... faz tempo!



#

*Republicado de 15.07.2026, pois é o mais acessado do momento.

Refúgio (Por Maria Ester)

 


SER!

                                         


Caoticamente habito o espaço de me ser.
Como pode alguém querer a paz e ser poesia?
é como pedir ao céu que se vista de fantasia
E depois não imploda em milhões de fragmentos...

Resquícios: tudo que li compõe um teorema
A verdade habita meteoros e dilemas...
O big bang?
 O grande encontro: somos todos emocionais!

Longe de teorias: Senti-mentais!

Não estáticos, posto que somos as estrelas
De uma festa bossa/rock interior
E dançamos em ritmo aleatório
embebedados da  matéria: amor...! #

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Sobre a Chegada! (Bem-vindo,Outubro!)

 

"Eu me lembro muito bem, do dia em que eu cheguei...”
Dia 13 de Outubro este blog completa 16 anos de existência. Durante muito tempo, não registrei o passar dessa data, que é um aniversário. Mas, há oito anos atrás comecei a me dar conta do que foi criar minha lua que não dorme e a grande alegria que foi nascer dentro deste blog, depois de anos – e muito papel – guardados na gaveta. Foi em um texto intitulado “Manjericão”.
Nele rememoro que, quando criei o 'aluanaodorme', desenhei suas bordas com pedaços nus da minha emoção. Este é um espaço de sonhos, mas também de crescimento, porque confesso que só mantenho meus escritos dos anos de 2010 – 2016 para lembrar que a nossa trajetória é uma construção (risos). Caminho com a  poesia. Sempre com ela. 
Antes daqui. Eu leio desde os cinco anos e, muito cedo,  passei a brincar com as palavras, pois já diz Bel, é...''Eu escolhi a vida como minha namorada". Apesar de falar que brinco com as palavras, levo a sério o que elas representam e seu imenso poder:  palavra é cristal. Ela é o meu, pelo menos. Por isso, cuido muito das minhas promessas e das minhas atitudes. Embora isso seja cansativo e exija análise constante.
Algumas vezes, tive vergonha deste espaço. Achava que era como convidar alguém para entrar na minha casa, dentro da minha alma. E que, como ela não estava perfeita, precisava escondê-la...Quando me amei de verdade, passei a entender que tudo aqui é precioso: até - e principalmente - as imperfeições. Então, passei a celebrar os visitantes e, aliás, hoje em dia, raramente temos menos que um mil visitantes por dia. Mesmo quando não atualizo. Por isso: Gratidão!
Escrevo com verdade, sabe? minhas palavras não são um conjuntinho de doces mentiras que planto para agradar a uma comunidade: eu vivo o que está dito aqui - e muito mais. Os livros, as experiências, os amores ( meus e dos meus amados, dos livros, o que capto e me toca, no universo). 
As filosofias! ... os medos, as 'inconclusões'...e a FELICIDADE!
É, gosto de falar de coisas doces dentro de um mundo onde há tanta dureza. É duro e também leve existir. No texto em que rememoro essa antiga paixão chamada escrever, fiz uma descrição comparativa em relação a um Manjericão, que nasce n´água e também na terra. É  que criar raiz é coisa mesmo de quem sabe que existir  exige força, transformação e movimento. Mas também tempero. Eu sou muito temperada.
Criei raiz e também asas por aqui, felizmente: A LUA É ONÍRICA. Mas também REAL. Ela dorme, acorda...confesso que gosto disso: quando ela dorme. É quando estou mais plácida e a filosofia da vida não me bate à porta e requer que eu faça questionamentos sobre todos os porquês de existir, alguns sem resposta...parece que, nessas épocas, estou mais bicho, mais em paz com o barulho da cidade e com o canto do bem-te-vi. Com meus silêncios...
Gosto também quando  acorda. Tudo ganha muitas formas de enxergar, os multiversos pedem espaço, carinho, e nascem: borbulhantes, entre meus dedos. Parir um poema é parir um pouco de mim que precisa de acalanto. Compartilhar contigo que me lê é deixar que tu se embales comigo na ‘dor e delícia’ de existir. 
O certo é que, hoje, preciso desse espaço, como de ar, de plantas, de amor e de luz. Sei que muitas vezes fui salva pela escrita e espero que tenha ajudado alguns corações, também. Também compreendo que não 'cheguei' aonde 'queria' e desconfio que ninguém 'chega', no sentido de fim, mas, felizmente, de inauguração...sim! Todos os dias, inclusive.  Por isso, continuo a caminhada...
Em Outubro, faremos dezesseis anos por aqui. E não parece que foi ontem, não!  Eu enxergo a longa estrada com gratidão e calma. Não sou mais a mesma, mas eu sou o LAR de todas as menininhas ruivas que chegaram e timidamente mostraram o que tinham para compartilhar, com toda fé e vontade de viver, descobrir a vida, por meio das palavras...e  revolucionar a si.
E a gente segue, cada vez mais em paz com esse movimento. 

LUZ!






e

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Quando Macapá era tão Úmida ( Crônica saudosista de ARREPIAR da Maria Ester)



Era final da década de 1970. A terra de piçarra vermelha no final da avenida Pedro Baião, no bairro do Trem, pertencia a um coro invisível que clamava ao cair da noite. Muito antes de os pedalinhos e as belas calçadas de hoje dividirem o chão na Praça Floriano Peixoto, aquele lugar pantanoso com seu olho d’água era conhecido apenas como Praça do Sapo, ou Largo do Sapo. 

Sob o manto de uma fina neblina, que chegava com o inverno equatorial, entre as folhas flutuantes e o mato alto, o lago pulsava com uma vida simples, onde os sapos cantantes eram os verdadeiros donos daquele lugar úmido e encantado. Mas a noite dava medo! O nome, que carregava um afeto folclórico, batizava um canto de terra que cheirava a chuva fresca, mato e mistério, uma sinfonia natural que a praça de hoje com seus pedalinhos e o concreto, mais tarde, silenciaram. 

Eu atravessava aquela escuridão apressada, com um misto de temor e confiança. Afinal, do outro lado morava minha tia Gracy: cuidado, colo e amor em todas as horas. O alívio era imenso quando, depois da breve caminhada, eu finalmente pisava no firme, chegando sã e salva àquela casa de madeira e de chão alto. 

Anos depois, na década de 1990, o apelido do lugar piorou e o povo passou a chamá-la de "Praça do Jacaré". Dizem que assustava todos que passavam por lá, mas eu nunca o vi. Se o Largo do Sapo já assombrava meus pequenos passos, imagine o tamanho da alegria e do triunfo que era, a cada jornada, vencer os monstros imaginários da noite para encontrar o abraço seguro da minha tia, lá do outro lado da praça Floriano Peixoto. Ainda existe a lenda da Praça dos jacarés, na Floriano, mas essa fica pra próxima.


Maria Ester

#


P.s: Eu tenho a sorte de ter a vida contata por esses olhos de água que transcrevem o mundo com uma ternura mágica, que é a Maria Ester! Essa crônica nasceu de nossa conversa sobre a menininha aí embaixo...e nos falam de uma Macapá que eu só respirei agora, quando andei com ela pelas ruas do Lago do Sapo...que veio a ser a minha Floriano encantada!

A caminhada! (Crônica Saudosista do Boteco da Lua)




Mal dei os primeiros passos na Floriano Peixoto e ela saiu, saltitante. Fiquei meio tonta. Acho que saiu pela garganta. Deve ser por isso que estou com sede. 

Mas ela não. Ela corre e chega perto de um dos lagos, com um saquinho transparente, no estilo daqueles que a gente tomava refrigerante quando tinha a idade dela. Ela pega um peixinho preto. Não é bióloga,  não lhe sabe dizer o nome. Vai ser professora, poeta e advogada, na verdade. Dá-lhe o nome de Penélope. Nada demais. Ela chama a todos os seus bichinhos de Penélope. 
Brincalhona, sai com a sacolinha, como quem leva um tesouro e vai correndo em direção à sorveteria que mora em sua lembrança. Pede uma banana split e o devora com uma felicidade tal! Na companhia do pai, com aqueles olhos cinzas derretidos de menino que não comeu banana split.
Ela vai embora feliz, tagarelante: é uma criança muito feliz e barulhenta. Falante, curiosa. 
Volta outro dia, com a irmã e um namoradinho chamado Gustavo. Ela está meio confusa. É que já conhecia o Gustavo. Mas enfim. Gustavo e o Gustavo vinham em dias alternados e tinham rostos diferentes. Mas eram o Gustavo, então tudo bem. ELA TENTOU PERGUNTAR AOS GUSTAVOS PORQUE MUDAVAM DE ROSTO. Eles riram. E, ah, ambos lhe davam sorvete. A irmã não se importava se o Gustavo mudava de rosto. Tudo bem. 
A magrela era bem afeiçoada a sorvete. Gustavos lhe levavam sorvete...ah...vai ver ele era alienígena. Sei lá...
Dou mais uma volta, ela volta.
Está andando no pedalinho na lagoa. Ela nunca pedalava com a irmã. A irmã era uma chata que ficava sempre no comando. O irmão era mais complacente. Mas ele vinha menos...o irmão trabalha.

O dia vai cedendo à noite, aos pouquinhos. Ela corre um bocado. Eu, desisto de caminhar: vou apreciá-la, com sua ternura ingênua e seu entusiasmo livre. Estou velha, vou ver o sol cair  e olhar o lago em que ela, deslumbrada, procura um Jacaré, que só veio a saber anos depois que existiu, de fato! (Ela sempre teve razão).

Ela sai em disparada e nem é ginástica. Desce as ladeirinhas. Conversa e abraça as árvores...depois, vai embora junto com a luz da tarde, no dobrar a esquina, em direção à sua casa, em frente ao Trem da Alegria, onde fazia o pré-escolar. Ela lia muito e não queria deixar de brincar, por isso voltou da 1a série ao pré, apenas para ser mais um pouquinho criança.

A branquinha magrela cheia de pintinhas no rosto e cabelos castanhos sonha que um dia os verá ruivos e compridos. E vai mesmo. Também vai realizar muitos outros sonhos... e vai deixar alguns partirem, no dobrar das paralelas...vai ganhar e perder outros, que nem imaginou. 

Gosto de ir até a Floriano, saber que ela está ali e que brincou e foi feliz com tudo que foi vida e alegria. Gosto de alimentá-la, saber que é nutrida e protegida, que seus sonhos se aquecem e brilham, ainda. Sinto paz em saber que hoje eu cuido dela, que ela pode correr, livre, sonhar macio e sentir-se segura...

E, bom mesmo, de verdade, é saber que a ela vai crescer sem esquecer da Floriano, das mangueiras e do místico que mora dentro daquela lagoa encantada.  E que ela vai seguir... de papo com a lua, com as águas e com as coisas que verdadeiramente importam. 

E aqui acontece a mágica do nosso encontro.❤️ 

#

EU AMOOO ESSA CRÔNICA. Porque ela aconteceu mesmo.

E foi a mais acessada da semana. Gratidão.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Cósmicos!



Meu coração pulsa o carbono de uma estrela-mãe
Que veio assim: ENDOIDECIDA DE TERNURA!
Difícil acomodar tudo que me bate e acaricia...

Por isso, 

Gosto das folhas das árvores quando caem
Porque lembram que o Universo constrói, desprende e renasce
De um jeito diferente, o mundo é inteiro, biodegradável e reciclável
Meu Deus, que poder infinito: 

Que força.

Amo a chuva que celebra o sol no Equador
E faz nascer as lavadeiras coloridas e os ipês amarelos da JK
Como se a vida soubesse que 'esperançar'
Antes de Freire, já era preciso.

E o sol ardente que seca a paisagem e traz a lua alaranjada dos Setembros...

Respiro: Que coisa macia e involuntária:
É o que me faz viver e me mata!
Pois oxido aos poucos para retornar à nave-mãe,
Mas... isso já não me angustia, isso me acalma:

Não tenho pressa de chegar, pois já estou.

Por sorte, um dia
Uma parte minha poderá morar na folha que caiu
De um ipê na JK, em pleno Abril
Ou no pingo d´água de uma chuva em março...

Elementar: Uma estrela morreu. 
O meu coração, no útero de minha mãe, nasceu.
Enquanto isso, o cheiro do Amazonas lembra 
Que a vida movimenta  sob águas doces...

Eu me reinvento, tu te reinventas 
Da arte poética do Cosmos!
Não estamos, somos: 
Partes, pedaços, conexões...

E assim, sigo: 
Perdida ou entretida entre tanta beleza:
Percepções, descobertas... e o inexplicável!
Muito à vontade com o infinito, que é a própria lúcida loucura:

ENDOIDECIDA e AMALUCADA DE TERNURA.

#



quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Travessia


 Notas sobre a vida:

Somos rio: é verdade?
Mananciais de água a contemplar o céu...
Desbravar caminhos, subir, recuar
Receber, sentir, doar:

Entregar e receber afeto.

Firmar elos: oceanos e lagoas...
Desviar de pedras e espinhos
Seguir a trilha própria 
Enquanto encontra com o sal e o açúcar do caminho...

Ora, Atravessamos. 
Noutros, somos atravessados!
Encontros tão vários, tanta coisa a se sentir
Querer...

'Somos o que podemos ser'... mas somos.

Caronte nos observa, do submundo, ao longe
No rio sombrio da dor, à espera da derradeira travessia
Quando só a força ou a poesia fizeram um vivo passar
Ah! mas até lá

Nossa moeda é viver e encontrar
Sorrisos, abraços...canções e laços: Espaços!
Porque, talvez, a travessia seja a própria jornada
E a trajetória seja o nosso coração!

Talvez a gente seja, mesmo, realmente água:

Rio em pleno movimento...

#

Pretendo fazer uma crônica a respeito deste poema, para conversar contigo, que me lê.

:)

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Ensaios sobre o presente

 

Eu já não busco mais explicar a lógica de cada segundo:
Seguro meu coração nas mãos e saio para passear
O mundo, o tempo, a vida têm um jeito particular de acomodar
O instante - com seus próprios temperos e significados!

Já não tenho tanto medo de a vida acelerar...pausar
Pois construí no peito a fortaleza que embala
A serenidade dos dias
E, para a minha alegria, tudo que a menina mais temia,

Já aconteceu.

E, no meio de tudo, ficou o 'Eu'
Que é feito de sonhos, sangue forte e uma gentileza peculiar:
Não te preocupa, Anjo, meu coração já sabe perguntar
''O que vamos amar hoje?''*

Mesmo quando não tem respostas ao elemento essencial...

Aprendo a silenciar o verbo,  deixar a mente tranquila e quieta
Permitir que o presente faça a sua mágica particular
Que é trazer para mim, prontas e no instante perfeito
As respostas que eu antes achava que encontraria no espelho...

E eu já sei estar inteiramente aqui...
E ser feliz com isso!

Afinal de contas, quem tem qualquer certeza 
Está morto! -  ou fidedignamente iludido
Pois o presente é visceralmente o corte entre a expectativa e a realidade
E, desde que fugi do último castelo com teto de vidro

Percebi 

Que bom mesmo é de olhar o céu, as estrelas e as coisas
Com amor e verdade
Deixar meu coração à vontade para criar seu próprio roteiro incerto
Respirar as simplicidades e amar os tempos verbais no imperfeito...

#

*A pergunta essencial ''O que vamos amar hoje? '' é um trecho de um poema de Maria Ester, feito para mim. E este poema foi feito de uma conversa com ela, ontem, sobre aprender a beleza da vida, enquanto ela se acontece e conforma, em nós. :)

LUZ!

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Poemas Perdidos!


 
Trago poemas perdidos no meio do peito
Despejados pelo tempo - o instante e seus significados
É, tem rimas inteiras que já nem sabia
Que fui eu quem fiz...

Alma vadia! Deixa pedaços seus pelas esquinas da emoção:
Um relicário sem explicação deixado em algum vagão de trem...
Trago vaga-lumes da última noite estrelada
O cheiro de rio que mora na minha sacada, sabe:

Gosto da quietude do vento e, nem por isso, guardo...

Trago retalhos de vivências partilhadas, memórias apagadas
Deixo que morem aonde estão:
Quem sabe o corpo tenha sua própria e peculiar razão?
Inexplicável, como tanta coisa, enfim...

Já não me exijo tanto, quase nada, na verdade
Creio na potência da ternura de construir o instante
Com a simplicidade de quem gosta de viver
Afinal, o que já foi e o que ainda vai ser 

São abstrações:

Meros significados dispersos
De quem fui. Ou serei...
Nada disso é (m)Eu, de verdade
É, na realidade,

Só hoje entendi a beleza dos poemas perdidos...

#


Ensaios sobre a essência dos dias


Fica o perfume dos sonhos
Fica a rosa regada
A borda da costura delicadamente dobrada
Fica a vida, imperiosa e bonita

Que acende a tez do instante.

Dos dias,
Fica o verbo passado
E, por outro lado,
Estou sempre indo a um outro lugar!

E isso é mesmo tão singelo:
Só o que é belo pode nos acompanhar
Todos os dias são
De se despedir de retalhos e caminhar...

Dizer adeus às lutas que não cabem mais
Pois o tempo não anda para trás e, hoje sei.
Isso é um presente!
O irremediável, no fim, é uma ferida cicatrizada,

E sobre ela, mais nada.

E sob a água derramada
Dançam as lavadeiras
-  bênção da estação
Pois, no calor da essência duradoura,

Somos mesmo as coisas vindouras!
Semeadas do agora, que dança, em nós.

#
*Foto: Maria Ester.
<3

Não seja o tubarão... não sangre em meio a eles: nenhum é vegano! - Mas, se sangrar, não vire petisco! (Parte 2 de um texto do Filosofia do Boteco)


Este não é um texto filosófico, é mais uma contação de causo e uma reflexão meio torta, afinal, tem coisa mais legal do que contar  algo que rolou no boteco? Risos.

Então. Fim de tarde no Mercado Central.  Eis que ela chega até mim (eu a conheço pouco e por isso não posso mencionar) e diz...'Li tua escrita sobre os tubarões. Não concordo contigo. Tu sangras, porque tu falas em amor...'

Eu ri. Não discordei do pensamento dela, porque é direito de quem recebe a mensagem: nada aqui é só meu, depois que vem para o espaço. 

Mas, confesso que fiquei preocupada com a visão. 

E dela surgiu esta reflexão ...o Amor é um jeito de sangrar? 

 Escrevi a crônica 'Não sangre em meio a tubarões: nenhum é vegano!  (E o que isso tem a ver com o livro 'A natureza da mordida', de Carla Madeira?)'. E, no texto, falo sobre um encontro atípico com uma desconhecida, no banheiro. Ela chorava. Recordei como aquilo tudo me afetou imediatamente, afinal, impossível não ter sido quebrada pela vida e não sentir a dor do outro, de forma instantânea. O que me fez ligar à inusitada situação  com o livro - doloroso e filosófico,  ' A natureza da mordida', da Carla Madeira.  Afinal, a vida tem seu próprio jeito de nos abocanhar. 

Mas, o que isso tem a ver com AMOR???

Bom, eu não creio que sangre em meio a tubarões, no aluanadorme.  Há tempos, aprendi um segredo mágico essencial: Sentir é paz. Não porque romantize a inexistência do sangue que envolve cada batida do coração ou porque não acredite em 'tubarões'. Mas é que, desde que entendi que nenhum é vegano, não romantizo 'mordidas'.

Todo afeto é cura nesta vida maluca.  Todo desvio disso é disfunção.

Escrevo sobre sentimentos, aqui neste espaço. Conformidades, inconformidades: o que ouço (porque muita coisa aqui não é só minha, mas dos meus, das muitas humanidades que permeiam a minha escrita),  do que leio e sobre o que vivencio, às vezes, pelo perceber do outro. TEM MUITA VIDA neste peito doido. Eu adoro ouvir histórias malucas. E... eu gosto de gente quebrada, rasgada, eviscerada: Todo mundo que já recebeu quebras, cortes ou mordidas...sabe a potência de ser um bicho que se curou sangrando.

E, assim...

Os quebrados dançam, sabendo que não sabem a canção.
Os quebrados se refazem e escolhem não quebrar.
Os quebrados são ...doces, sabendo do sabor do sal.
Eles veêm as coisas por ângulos inimagináveis para os 'inteiros'.
Os quebrados precisaram reiventar a vida e, por isso, conhecem possibilidades infinitas, assuntos variados,  luz multicolorida! ...humanidades. 
Quebrados sabem como a vida é interessante, porque sim...escolheram gostar da vida, e não serem 'engolidos' por ela.

Ou seja:  Não confundir quebrados com gente magoada, cortada, 'Mordida' (risos).  Tem gente que não passou pelas dores, ficou lá: no eterno sentir da má água: mágoa. Os quebrados são humanos que entendem de inteirezas. De vitrais -  Da beleza da luz, que entra pelos feitos dos cacos, como tantas vezes me disse meu amigo, Rubem Alves.

O fato é que nada aqui neste lugar tem a ver com  'sangrar' em meio aos tubarões. Aliás, eu sigo dizendo: eu me protejo de mordidas.  Isso não significa não permitir viver...apenas fazer escolhas acerca do que pode me alcançar e dos universos que me cabem. Nesse caminho, faço baixos julgamentos: prefiro saber quem as pessoas são por suas atitudes comigo. É sobre perceber, de forma prática e racional, sem tirar o coração da equação, mas sem deixá-lo ser o único suporte.

Eu também não mordo. Quer dizer... ninguém aqui é alecrim dourado para dizer que não machuca ninguém, não é? sobre isso, leia 'A pior pessoa do mundo'(Uma crônica da vida anacrônica, real e possível). Mas, não faço disso minha razão de orgulho. E nem retroalimento.

Porque afeto é...beleza. E demora para a gente aprender a simplicidade densa que envolve tudo isso.

Bom, enquanto tu descobres essas coisas,  nesse processo... aconselho que não sangre aonde sua dor não vai ser sarada. Mas, se sangrar, não vire petisco. Não fique lá, à espera de compreender ' a natureza da mordida'.  Não fique à mercê de gente abestada....afinal, o que quero dizer com isso?

Bom. Já viste os peixinhos comendo um pedacinho de carne? 

É sobre.

E, Não: o aluanaodorme não é um jeito de sangrar. E eu não sangro em meio a tubarões, pois nem por bem e nem por mal, nenhum é vegano. 

#

*Republicado, pois extremamente acessado, essa semana.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

A Maldição da residência Hill (poesia em forma de spoiler. Corra, se não gostar!)



Ensaios sobre vidas nubladas:
Pomet -  emit -  sonork:
- O tempo ao contrário não diz nada.

Mera sequência aleatória
Casa mal assombrada
lista de todas as angústias 
do que não pudemos pudemos fazer ...

Ao espelho, os monstros são eu e você
Outras frequências, ondas de som silenciadas
Partículas dissociadas,
 enlouquecemos.

Arrependimentos, fracassos, desejos não sucedidos:
Um fantasma é tudo aquilo que nunca foi dito
Sob o telhado de vidro, te faço um pedido:
"segure minhas mãos, enquanto caio"

Eu falho, tu falhas, nós falhamos.
Segure minhas mãos, enquanto conto os hematomas
Marcas de uso - cicatrizes, são histórias
"Você vê a casa, mas não sabe lê-las..."

- Eu não sei contá-las e não sei vivê-las...-

Foi só um sonho, foi só um sonho...um pesadelo!
"a jornada termina quando amantes se encontram"
Não existe desencontro, apenas desencantos
Um relógio parado desde antes...(desde antes!)

Casa infiltrada, somos água.
Vidas naufragadas, des/sincronismo
Nossos medos sabem do terror e estrago
Por isso, ao enfrentá-los: 
Meu bem, cuidado.

"O perdão é quente como uma lágrima"
Deixe a casa morrer com seus fantasmas!
Arrependimentos, dúvidas naufragadas
"O amor é a perda da lógica "
-E tudo que fica-

"O resto é confete"... a história continua 
Um relógio parado desde antes, desde antes!
A casa se move, num engole-cospe vidas...
Não existem despedidas.

#

* Pode fazer sentido - ou não. Mas essa foi a MELHOR SÉRIE de terror que já vi, a coisa mais bem produzida e filosófica.
*Republicada de 21.10.2018. 
* Este é um dos poemas mais acessados da história do 'aluanaodorme' e faz muito sentido dentro de mim.


FANTASMAS DA HILL:

"E tudo isso, a culpa, o luto, os segredos, os fantasmas, nesse momento...são apenas medo. E o medo é  o abandono da lógica (...) Mas, ao que parece, o AMOR também. O amor é o abandono da lógica. O abandono voluntário dos padrões racionais. Nós cedemos a ele ou o combatemos. Mas não vivemos sem ele (...)Eu amei vocês. E vocês me amaram. Profundamente. O resto é...confete".

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Setembro




Vem, amor! 
Beber a liquidez do dia
Seguir o  rastro encantado de fogo
das borboletas amarelas!

Viver o sol de Setembro
 -  Que cai
Enquanto a tarde vai
enfeitada de nós dois...

O vento espalha o equinócio
Luz alaranjada!
E emana o néctar 
da maré adocicada

( A natureza viva  dança
Sob o dia tropical
Que te anuncia...)

Vamos assoprar o sol
E acender a lua
Brincar com o agora
Tomar um porre 

de Amazonas!

#

domingo, 13 de setembro de 2026

Alucinação



Não me dê flashs e faróis, nem um plástico Girassol
Toda flor gosta mesmo  é da verdadeira luz
Aquela que  nasce e dorme ao fim do dia
P´ra se reinventar em outro lugar

Não me dê bom dia se o dia não for bom:
Não sei entender esses silogismos  complicados
Afinal, quem diz que 'se o tempo está nublado é porque a chuva vem'
Não conhece Macapá, em pleno Setembro

- Eu bem me lembro...

Não me dê um conceito no dicionário:
Esse tempo de coisas de mera estética me consome
Voraz, eu quero o cheiro e o sabor da maçã
Um elo entre a cor e o afã...adocicado

(E assim, de perceber, descobrir seu significado -  Para mim...)

O Mundo é assim: Múltiplo e essencialmente Singular
Do meu umbigo à Coreia do Sul
O que nos une é uma humanidade tão plural
Meu dicionário não alcança!

Alucinação: a vida é canção, meu bem!
A gente sente, significa, vive, cogita, ouve e  dança...

De perceber a sandice, vou ao divã descobrir meus abismos e construir minha paz
Um jeito qualquer de me ser nesse espaço de tanta liquidez e velocidade
Por isso gosto de sentir fome, sede, calor: Saudades!
De desejo a amor, urgir afeto: ser um bicho voraz, que ainda arde

Mansa -mente...

Viver de filosofar teorias: Afinal, de Kelsen a Reale
Tudo é só uma questão de realidade e sentidos
Afinal, o que te faz sentir?
Mesmo que não tenha explicação, enfim...

Reconheço que não há um 'tudo' ou um 'todo'
Exceto através de um ponto arquimediano 
Afinal, entre o eu e o momento
"Era uma vez um homem e o seu tempo..."

Estamos na descoberta, o tempo todo: é tudo tão singular...

- A vida, Senhores, é mais do que uma alegoria
Entre o palpite e o fetiche, o que te realiza?
E a verdade de cada dia, creia: é mágica!
Bem mais que esta simples poesia...

Somos mesmo significados entrecortados  de cores, sabores: Caminhos!
O comum e a discrepância entre o  ser, a água e o vinho
Do big bang até aqui: Tudo tem um quê de matéria essencial!
Será que o carbono do meu coração veio da mesma estrela que o teu?

Isso sim, é real.


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sábado, 12 de setembro de 2026

Nunca Mais vou me Esquecer na Estrada





 Eu nunca mais pedirei
O que necessita ser obviamente partilhado:
A cada elo quebrado
Direi apenas...A-Deus...

Nunca mais seguirei
Por caminhos mal pontilhados
A não ser que pelo puro prazer de andar na contramão
Do contrário, mudo a rota, o controle e a direção...

Não mais farei poesia pela metade
Não esperarei do outro o que, em essência, é  minha contribuição
Retomarei o que é meu
Pela delicadeza de minha mão...

Não receberei mais o que não é meu
Como se o fosse
Pelo contrário! pelos meus pés
Colocarei meu próprio corpo

E tudo bem que  tenha construído outras edificações
- São partes do processo de aprendizagem do 'eu'
Todo mundo ganhou, e se a essência partiu
Tudo bem se agora, em pleno junho, se achega um novo abril...

Nunca mais deixarei meu coração marginalizado 
Enquanto corro para salvar-me de dragões imaginários
Sentirei comigo cada coisa, as dores e delícias
Sim, vou reelaborar tudo que o 'eu' precisa...

Fazer o trabalho árduo, perdoar sem esquecer
Como uma espécie de proteção sem armaduras
Assim mesmo: como uma decisão...
Vou me tornar cada vez mais inteira, ainda que hajam partes quebradas,

Nunca mais, nunca mais vou me esquecer  de mim na Estrada...

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*De 2023.