Quantos apelidos tu
tens?
Já percebeste que os apelidos -
muito mais que os nomes - são o nosso espaço emocional nos céus dos nossos
afetos? ou nos infernos. Pois bem. Eu tenho vários apelidos.
Sou Jaici, para meu titio. Ou
Copinho de Leite. Desde gita, sou flor de abril, para papai. Ou natureza. E, no
ápice, sou a ‘Bruxa/Bruxinha’. Foi papai quem me explicou o poder de ser bruxa,
discernindo com didática da ideia de maldade – estas, chamava de fadas más.
Para Rosângela, sou flor.
Para Ester, sou anjo ruivo. Ou flor ruiva.
E tem quem me chame...de
Bruxa Ruiva, Feiticeira ou... DIABA VERMELHA.
(hahahahhahahahaha)
O fato é que, risos à parte,
essa galera toda aí em cima sou eu. O curioso disso é que, essa semana,
conversando com um amigo, ele me disse que, para 90% das pessoas, sou apenas os
demais adjetivos e para 10%, a tal DIABA VERMELHA. Senti no seu tom que queria
dizer que eu escondo a dita ,de ti, que me lê. Eu ri. Não tenho mais
toda essa expansão da Diaba. MAS ELA ESTÁ AQUI.
Hoje tenho só 1% da DIABA , só
não mexa com a potência dessa porcentagem, afinal, eu não me decifro
muito, mas também já não me 'mordo' ou devoro tanto assim (alô, Minotauro!)
Essa memória -
da Feiticeira ou da tal da DIABA VERMELHA - me lembrou que o inferno, o céu
e nossa natureza sempre foram parte da filosofia, da psicologia, da poesia...e do Direito,
pois o mítico e o literário, o filosófico e o religioso flertam desde sempre.
Sua etimologia vem do conceito
de ‘Daimons’, que aliás, não é unificado, tendo referências extensas em
Homero, Platão (que o atrela a Sócrates) e até mesmo na mitologia, na
representação do Olimpo Grego, como Afrodite. A figura é analisada também na
psicologia, por C. Jung.
Na poesia, desde Homero,
Daimons são...uma força – seja uma divindade ou um evento natural
inexorável. Ambíguos, bons ou maus. Uma
voz, uma luz, uma energia, consciência. C. Jung menciona Daimons como uma força
psicológica autônoma, atrelada ao
inconsciente, realizadora de vontades, confrontadora do ego.
Para o Willis (Santiago
Guerra Filho) – o filósofo mais incrível do País!!! - os Daimons nos ajudam a compreender até
hoje...as decisões humanas. O tal ‘impulso trágico’ que constitui a poesia,
a filosofia e o Direito, pois parte da essência da humanidade: tudo tem muitos
lados, somos um vértice...
Dos tempos idos até aqui, o
termo Daimons e Demônios – terminologia derivada - possuem uma fusão perigosa. É que
associamos os demônios à Lúcifer, o tal inteligentíssimo anjo preferido
do Criador. Enfim, o Diabo. Aquele que decaiu, na mitologia Cristã. O cara que hoje guarda as
portas do tradicional inferno.
Entre mística, bruxaria,
inferno e poder também temos outra coligação esquisita com a perspectiva de
Potência/ Força. Pura lei da física unida à metafísica. Ou seja: tudo é
direção. Aliás, a teoria poiética do direito e a do Direito Quântico, do esposo da imortal Lygia Fagundes Telles, o renomado Prof. Gofredo Telles Jr, bebem desta perspectiva. Carl Sagan concordaria, pois diz que somos mesmo...é poeira das estrelas. Força! Potência. Magiaaaa da física. Composição. PODER!
Por isso...
A Lua que não dorme e a Bruxa Ruiva põem a
Diaba Vermelha para dormir lá no meu umbigo. Há tempos, elas negociam espaço e
as duas primeiras ganham. Mas, ela ainda está aqui...e quer saber? já me tirou
de enrascadas, já virou esquinas, já bateu portas e demitiu pessoas do meu
coração. É, ela fez e aconteceu, e eu – a administração – lidei com as consequências. Respeito
seu impulso inaugural de colocar fogo no parquinho, no circo e no hospício -
tudo ao mesmo tempo. É, a DIABA VERMELHA, já “ set fire to the rain”.
Eu tento não jogar jogos
vorazes. A Diaba Vermelha jogou e zerou o game. Sei, foi válido, pois nesse
caminho, tudo foi poesia, piração e humanidade latente. Emoção sem métrica. Luz
e poder ultrajovem: poesia na boca da noite, como diria Drummond!
A Diaba Vermelha, seu senso
de força e seu gênio de lâmpada queimada precisam existir para salvar a Lua que
não dorme, sua delicadeza, livros, metáforas... do seu medo de viver. A Bruxa
trouxe a Lua e a Lua põe a Diaba para dormir, cotidianamente, com as canções de
ninar de quem teve casinha na árvore, brincadeiras com os passarinhos, quintal
cheio de flor de maracujá...
Não me preocupo em ser tanta
gente. Teria medo é de ser pouco.
Tenho medo de gente linear: elas sim, escondem algo. Eu não escondo: apenas guardo. Sei, inclusive, que posso ser mais...
Por isso, gosto da Diaba
Vermelha, ela já não me assusta. É um Daimon. Então, cuido bem do
meu 1% e não uso sua expertise em qualquer esquina. Porque até o veneno apura
(aviso). Ela dorme e descansa no meu umbigo, pois a LUA gosta de
felicidade. A Bruxa gosta de magia. De poções que não matam...e sabores
adocicados. Elas seguem à risca o tal manual anti-b.o.
A Lua cuida de não ser tão
curada a ponto de se tornar cinza. Um ser normal, sem multicolorido, seria uma
pávida tragédia. Essa piração interna sustenta a órbita. A Lua e a Bruxa sabem que, as portas do seu inferno são
cuidadas pela Diaba Vermelha, que vigia quem pode chegar ou quem precisa ir para ‘os
quintos’. Alguns, apenas da mais completa ignorância.
LUZ!
ASSOMBROS!
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Observação 1: Não uso IA para compor imagens, pois respeito muito a propriedade intelectual e há um debate enorme nas artes acerca da apropriação da matéria humana pela replicação de padrões em IA. O lance é extenso. Também não reviso
textos por esse mecanismo, pois isso sim, acho uma desonestidade artística e acadêmica. É puro respeito à condição humana. Mas essa imagem eu ganhei, é minha exceção, porque está...'eu'.
*Republicado, pois é a coisa mais acessada da última semana. Gratidão!