... a lua não dorme ...
Poesia, Filosofia de boteco, Observações do Cotidiano e o que mais vier p´ro mundo da lua! ;) . . . . . . . . . . . . . . . . . CONSIDERAÇÕES SOBRE O BLOG :1 - Viva a liberdade poética e a proteção aos direitos autorais!Toda vez que posto algo,indico autor. Se não o faço, é porque é a autora quem vos posta.2) Imagens? -Dr.Google. Exceções? Indico autoria. 2) -Poemas,velhos caducos que falam de tudo.NEM SEMPRE FALAM DO QUE SINTO! ... ***quem dera...***
terça-feira, 2 de junho de 2026
Metafísica
segunda-feira, 1 de junho de 2026
Ternural*
* Fiz esse poema após conversar com Sônia Canto sobre ...amor. (Con)Viver,amar. Experimentar a existência ao lado de um grande amor. Conformar personalidades...escolher quem queremos ser e quem somos com o outro. Apesar de muito romântico, sentir é um ato político: resistência e afeto. Mas também negociar a ação: negociação. Achei muito parecido com um negócio jurídico, inclusive (risos). Tudo envolve muita honestidade, força delicada, ternura.
Comentei com essa percepção com ela - de que sinto uma força terna em sua presença. Ela riu e partilhou que Fernando a chamava de 'ternural'. Que lindeza. E aí o poema fez o caminho de casa...
Que os amores tenham a sorte e a coragem de serem enormes. E ternuraisBoemia é charme, bebum é chato - Malandro é chique, otário, um saco (Filosofia seca do boteco da Lua)
'Eu vou fazer um samba em homenagem
Como sabemos, eu sou mais do cafézinho do que da noitada, mais da água com gás do que da cachaça.Então, porque a sessão de filosofia deste canto aqui se chama Boteco da Lua e não cafézinho encantado da Lua?
Bom, a primeira questão é... ''a paixão que mora na filosofia''.
Ninguém que aborde a vida em suas inacreditáveis vertentes, que lide com o absurdo existencial abissal das emoções...suporta a vida sem uma ajudinha. E aí, cada um com seu 'veneno'. Ou com seus venenos. Eu conheci muita gente interessante que só sobrevive (literalmente sem perder o réu primário) porque aprendeu a sentar no boteco com outras pessoas também porretas para partilhar merdas: Sortes e desventuras do cotidiano.
Na mesa do boteco vale tudo: piada 5a série entremeada às notas existenciais de Sartre ou Nietszche, lágrimas de desamor, traição, eternidade...atração. Foda.A vida é foda e não julgue este espaço pela palavra forte, tu tens mais de 18 anos e eu já dobrei essa conta.
Poesia. Declamada ou existencial. Memória. Revisada, ou sentida, falada e percebida...
Mas, veja bem. Ser 'malandro' não é para qualquer um. O malandro real - e não 'o regular profissional' - é o charme da Boemia - não é um cara engatilhando uma frivolidade atrás da outra com uma latinha na mão. O malandro, antes de ir ao boteco, BEBE A VIDA - e isso temos em comum..
O malandro tem paixão pela vida, por isso, desperta paixões...e, geralmente, a vida gosta dele, pois reconhece sua 'autoridade' para o assunto experienciar. Sim, criei a palavra, no estilo Paulo Freire, que é um grande educador. Aliás, o malandro é aprendiz. E é incansável nessa coisa de aprender.
Por isso, o malandro entende de química. Sabe que a vida é alquimia e, ainda assim, muitas vezes, perde a dose...porque é desmedido. Ou seja, nem todo malandro está bêbado, mas pode ficar. E é maluco. Acontece.
Por isso, geralmente, a Boemia dá canseira. O malandro envelhece, é fato - se tiver muita sorte e um anjo trabalhador. Não fica idoso gourmand: aquela pessoa toda esticadinha e empoadinha. O malhado da academia de ginástica (e isso também não é um ode ao sedentarismo, eu malho e conheço gente bacana que também o faz).
Não, o malandro não tem tempo para tanto espelho: Fica velho gostoso. Sabe, pessoa gostosa? aquela que a gente gosta de esticar o papo, de virar a madrugada conversando, de ver o sol nascer trocando vida...exalando essência, energia, realidade...buscando vida...admirando a lua. Ou usufruindo da madrugada.
O malandro está à vontade e deixa as pessoas à vontade.
Agora, não confundir Boemia com Bebum e nem Malandro com otário, o tal 'regular profisisonal'. Porque mesa de bar é como a roda da vida: pode virar um saco, pode ser um tédio, ou algo apenas comum...ao lado das pessoas erradas.
Mas pode ser inacreditavelmente engraçada, bacana e real... com as pessoas (in)certas - ou seja...aquelas que não têm tantas certezas.
E cada um prova da vida o que gosta.
(risos)
#
Esse texto surgiu quase todinho, na minha cabeça, ao sair da cada do Fernando Canto, pois fui abraçar "a mulher da chuva e do sol do equador" e, entre copinhos de água, saí bêbada de...boas recordações e afeto. Histórias de grande amor. Amor latente, gostoso, vívido e vivido. Mais que dividido, partilhado.
Ah! Impossível não sair de lá toda alimentada de arte. Impossível não pensar...que o amor encontra mil jeitos de voltar para casa. Impossível não sentir vontade de tomar um vinho.
O luto já começa à dar lugar à arte, aqui pelo aluanaodorme. E a arte é sempre presença. E este texto é também uma homenagem ao Fernando Pimentel Canto, que aliás fazia parte...da "Boêmios do Laguinho''. :P
sábado, 30 de maio de 2026
Muitas viagens em um Big Bang: Fernando Canto.
Ei, tu sabias que existiu um big bang em pleno equador? Pois é.
O big bang, ao contrário do que prediz sua nomenclatura, não foi uma explosão, foi a expansão de toda matéria, energia e espaço do universo. Foi a viagem da densidade que encontrou espaço para formar o ambiente primitivo natural, de onde surge toda a forma que concebemos de vida, e é a teoria que Deus nos deu de mais concebível, cientificamente, para a concepção do Universo (risos).
Bom, mas o que isso tem a ver com Fernando Canto?
Para explicar, volto uns passinhos no tempo. A primeira vez que vi o Canto ele não me viu. Pudera. Eu ganhei um conto deste autor, do meu pai. Uma coisa simplesmente monumental, chamado de ‘O Bálsamo’. Incrível a ponto de arrepiar. Tão, tão realismo mágico que facilmente se concretiza na realidade, basta acomodar à cada situação ou análise.
Depois do conto, não parou mais.
Vez ou outra eu e papai íamos vê-lo na livraria. Ou papai me trazia algo...e como eu era fã do Fernando
Canto. Como foi incrível debater a realidade do Amapá por suas
lentes mágicas de dedilhar o mundo pela escrita.
Como sabemos, a escrita de Fernando não é fácil. Não é literatura de conforto, é feita para incomodar, arranha a realidade da modernidade porque se aprofunda aonde tudo é tão cliché ou palatável, com desfechos que, de forma abissal, fazem um mergulho do qual é impossível não submergir modificado.
Uma antítese uma escrita tão aguda para um ser tão gentil.
Eu era muito menina quando virei sua fã. Afinal, em 1995, eu devia ter o quê? 10 anos? ...
Os anos passam, e ‘os anjos levaram meu pai pelas mãos’...mas o amor pela poesia, literatura e escrita ficaram. E isso me levou para os lados dessa gente ‘fina, elegante e sincera’. Novas conexões. Algumas surpresas. Fernando. Alcinea....Ester.
Você já conheceu um ídolo? Já se
tornou amigo dele?...pois é. EU SIM!
E que acontecimento é esse cara. Conhecer um ídolo é ver uma espécie de Deus descer ao céu para sentar ao nosso lado e tomar uma cerveja. Não é exagero e Deus sabe que não blasfemo.
Você entende melhor o escritor quando compreende que seu UNIVERSO É A BELEZA DA EXISTÊNCIA HUMANA: pura matéria, energia e espaço...em expansão: Um big bang em pleno equador.
Fernando compunha o realismo fantástico da amazônia para falar da vida, porque sabia que a vida é mágica, ou não é vida. E usava de poética sutil e refinada, ética e técnica apaixonada, para construir sua escrita científica, porque sabia que a ciência é cheia de ternura, ou não é ciência. Fernando que conversou com as pedras da fortaleza e deu voz à sua trajetória, tão nossa. Que poetizou gente, que virou o zezeu em tudo que é canto: carnaval, poesia, música, história, sociologia, universidade!
Colossal, sem deixar de prestar atenção nas coisas pequenas. Com atributos que flertavam com o de uma deidade – mas impossível de ser nominado assim. Porque sua humanidade latente, presente, absolutamente multifacetada e real, o colocava aqui, aonde a vida acontece. E quanta alegria em fazer parte da humanidade: poesia, cachaça, carnaval, gente. Universidade Equatorial, ciência social, vida humana, atravessando o sangue. Borboletas amarelas!
Luz! E Assombros... É, Fernando. Viver tem mesmo tanto disso.
Fernando de tantas pessoas,
tantas...da mulher amada, dos filhos e netos, do debate literário, do boteco,
do Pilão, do Carnaval, da sala de aula. Fernando
das obras de arte, de sua vida e de sua casa, do cafezinho da tarde e da boemia
das madrugadas.
Fernando de tantos amigos, porque dedicou presença sincera e real. De tanto amor, porque exalava essência. Do olhar atento, da sapiência discreta, ávido pela vida que produz mais vida: para uma poesia nova, uma nova geração de poetas. Sempre contanto uma história, legado vivo de um passado que viajou com ele. Um livro que se conectava a um poema, um estilo...
Fernando que, sendo tão gigante,
aquilatou sua efemeridade e sentou com os amigos e falou abertamente sobre o
dom da vida e a possibilidade de partir...(disse a ele, umas duas vezes,que não
conceberia nunca conceberia algo assim).
Não tem descrição que comporte sua genialidade quente, presente. Fernando de tanto amor e de tanta gente. Impossível de encerrar. Nem como gente, nem em texto. Porque vida real só pode produzir mais vida. Mais e mais...infinita e imortal. É, o big bang não fez barulho, pois não existia o som ainda. Então, fez-se o Fernando, canto, canção, composição e tudo o mais...sim, uma viagem de matéria em expansão.
Fernando Canto, um acontecimento, um big bang no dia 29 de Maio. Sendo tanto, ainda assim, tão cheio daquela simplicidade discreta, timidez universal e mente abundante. Amigo de gente velha, de gente nova, de PESSOAS. Fernando, uma vi-a-gem! Para mil lugares diferentes, lá dentro daquele escritório mágico. Ou no jardim, ou no boteco...menos para Caiena.
Ouviste, Canto? Nunca, nada de Caiena para ti.
#
Escrevi este texto em lágrimas feitas de poesia. Me perdoem se não fizer sentido. Demorei um ano e meio para mandar este recado ao Universo. E o fiz depois de ler as coisas incríveis que disseram no livro 'Fernando de todos os Cantos", que está lindo...
Regatão
sexta-feira, 29 de maio de 2026
A tragédia alheia (republicado de 01.09.2015)
quinta-feira, 28 de maio de 2026
Outros ensaios sobre nós
segunda-feira, 25 de maio de 2026
O coringa é o agente do Caos ou...Super-Vilões Somos nós, Anakin? (devaneio da Velha Boba, republicado de 2016)
Apesar das nuvens cinzas deste
dia sem nuvens, sem chuva e sem dia, há um pingo de sol debaixo do meu
olhar: Sempre foi assim. Sempre vi a luz mais que a escuridão, o doce
mais do que o amargo e, nas pessoas, sempre encontrei o melhor lado...e
já me disseram que eu sou capaz de fazer um violão sem corda tocar a mais linda
canção, porque puxo das pessoas seu melhor lado.Não sei se é sempre assim...eu
mesma já vi o avesso, justamente por isso. Enfim...
Este texto nasceu em um momento
de muita reflexão, logo após alguém querido dizer que eu tenho a retidão de
caráter de um jedi...o que me inspirou a escrever sobre vilania e seus
avessos. Associo o universo à bondade harmoniosa do todo. Mas a desordem...é o seu avesso. E quem, afinal, é o AGENTE DO CAOS?
O caminho da bondade tem
sempre muitas curvas e, às vezes, a gente derrapa. É preciso seguir
firme, mesmo depois de escorregar, pois ser bom não é um super-poder
inerente: é preciso exercitar a coisa de ser pessoa… para longe
das meras palavras, porque se você tiver atitudes feias e boas
palavras, não passa de um idiota com bom jogo de marketing.
No meio de um monte de escolhas, estradas viradas, atitudes pensadas e impensadas - ou mal pensadas- reside quem nós somos. Não isoladamente. Nossas estradas nos constroem, isso é um fato e um fardo. Mas também uma bênção. Ninguém foge disso, afinal...a gente não 'departamentaliza' caráter.
Certa vez, em uma conversa com Nathalia, falamos sobre o Coringa e o que fez com o “Harvey Dent”: pegou algo absolutamente puro e corrompeu. Só para provar que mesmo o melhor, a coisa mais bonita, pode se tornar o pior.Achei extremamente metafórico.
Então...O coringa é o agente do caos?... nós somos todos agentes do caos. Nossos sentimentos, nossos corações tolos, ego, orgulho, tudo encoberto pela fria poeira das nossas capas socialmente apresentadas. Nós usamos toda forma de capa que nos proteja da dor. Nesse sentido, o justo, o justíssimo, representado pelo Harvey Dent, é nossa auto-imagem. Nós nos achamos mesmo tão íntegros! (Mas a moeda tem duas faces, quem lembra? o duas-caras nunca perde).
Também somos, frequentemente, donos do caos que nos rodeia e o resultado - o “duas caras” - o que nos tornamos, quando nos perdemos. Aliás, veja quanta coisa dúbia há no “duas caras”: a deformação dentro de um invólucro que, visto sob um único ângulo, é bonito. Mas se transtornou...
Como aliás, ocorreu a um certo super poderoso Jedi, em uma galáxia distante, que tinha o maior potencial da galáxia e foi para o lado sombrio...(veja o risco de ser um JEDI!)
Apesar dos erros, ninguém precisa da capa de vilão. Nem de dono da razão. Ter compromisso com o erro é só uma forma de ter desistir das coisas boas do universo... a retidão de caráter nem sempre, no mundo real, é sobre nunca errar. Talvez a retidão mais possível seja reconhecer o caminho e aprender com ele ...a melhorar!
Quem sabe seja libertador dizer que, apesar da retidão de caráter, eu também posso ser um violão sem cordas...
Os agentes do caos de nossos próprios multiversos. Mas não compromissados com os erros.
Então, misturando universos: Que a força esteja com você.
O preço
Nem toda coroa é ... realeza
Nem toda cara é verdadeira
E a moeda, por inteira
às vezes, não vale nem a linha do poema.
Nem toda palavra é sine cera
Nem toda besteira é brincadeira
E tudo, tudo, está exposto
Entre cara e coroa, toda janela é exposta
E a verdade é que a vida é muito menos ordinária
A vida é...feitiço!
E só descobre quem acredita nela
- às vezes, o preço e o valor
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Fiz esse poema depois de me reler, na crônica de 10 anos atrás...a vida tem mesmo, tem mesmo e mesmo seus valores e apreços.
Eu ainda gosto de violões sem cordas :)
A paixão é um cão dos DIABOS (Epifania Buckowlesca anedótica, republicada e revisada)
domingo, 24 de maio de 2026
Que horas eu te pego, afinal?
Formatos importam
Porque a alma expande aonde conforma...
Cuide do seu coração
e dos corações que te cercam
Da pureza do outro
Quando toca teu universo
Flores de plástico não morrem
Mas também não vivem...
Continue a acreditar
Na força poderosa da efemeridade
Afeto é potência
Voltagem que une (in)finitos!
No fim, a poesia é cura
E uniu nossas mãos
Salvou da crueza indelicada
Que, às vezes, toca a existência
Nos adoçou sem adoecer
Manteve o néctar
Isso não é um MILAGRE?
sexta-feira, 22 de maio de 2026
Quânticos!
Sentires, emoções: tudo que vai
Fica um pouco em nós...no espaço
Pelo tempo em que se fez...presente
A gente cresce, acresce, sente
Compartilha: respiração, energia, saliva, verbo
Universo paralelo
Que permanece...ali.
Em um calendário exato de dias marcados
Do tempo, do afeto e do aprendizado
Que deixa em nós...
E respira em algum canto na galáxia da mente
Como uma semente que, enfim,
cumpriu o ciclo (im)perfeito de existir
#
Foi uma luta achar imagem para isso. :P
quinta-feira, 21 de maio de 2026
Filosofia do Boteco da Lua: Entre Desencontrados ou Perdidos; Mortos e Feridos: O que é Pior? ( É mesmo preciso usar filtro? e o solar?)
Dias desses, em um café, conversei com o Carvalho-Pai, que me deu a felicidade ler um conto seu, intitulado 'Como perder um grande amor''. De uma maneira quase anedótica, a história conta um pouco disso que o próprio título vos apresenta: Um amor irremediavelmente perdido. Fiquei meio indignada com o desfecho (não darei spoiler). Apenas sugiro que recordei do texto "Wear Sunscream', de Mary Schmich, traduzido por Pedro Bial em 'Filtro Solar' : " Não seja leviano com o coração dos outros/ Não ature gente de coração leviano".
E fiquei com algumas questões na cuca a semana toda... afinal, quem não perdeu um grande amor? Quem nunca se perdeu ou desencontrou? O que promove um bom 'encontro'? E quem nunca se desencontrou de um grande amor? E mais: quem nunca ficou impactado com isso?
Viro as aspas e pergunto o mesmo para...a paixão. Entre perdas e desencontros, tu és o quê, depois de uma onda dessa, do tipo tsunami? Bom, por incrível que pareça, as palavras 'perdido' e 'desencontrado' não são sinônimo, no dicionário. Vamos lá:
Ao ler estes sinônimos, lembrei do poema da Cecília Meirelles, que bem sabia o que disse, ao explicar em 'Despedida': "Não ando perdida, mas desencontrada/ Levo meu rumo na minha mão..."
Acabei por associar 'desencontrados' e 'perdidos' com a expressão ''entre mortos e feridos'', pois só está perdido o irremediável, findado...finado.O ferido tem a possibilidade mágica de sarar, como o desencontro, que não é, per si, irremediável, ferida que lateja...talvez por isso os desencontros sejam piores do que o encerramento natural de um ciclo, como a morte.
É...a gente faz as duas coisas todos os dias. E a gente vive a opção todos os dias, pois é certo que...nossos corações são assim! podem escolher morrer dentro de nós ou brotar, depois do corte. Há quem tenha morrido e nem viu. E há quem apenas desencontrou.
A gente se perde ou se desencontra de tantas formas diferentes. Morre um pouco, todo dia, inclusive pela respiração, que nos oxida. Mas - que antítese - só vive o agora porque morre um pouco no instante...a gente encontra a vida, porque aceita a efemeridade. Só vive por algo que nos mata...(eu tô falando da respiração ahahhaahah). Mas o encontro não é tão diferente assim, para ninguém...
No final das contas, não creio que nenhuma dessas coisas - a perda ou o desencontro - sejam coisas 'piores'. Depois de um tempo, a gente percebe que vai perder no caminho...coisas que ficarão como parte da nossa estrada, se formos sábios. E a gente vai se desencontrar também, se a gente for só um pouquinho inquieto ( a essência de ser interessante, na minha opinião).
Bom, achei que a crônica tinha acabado por aqui, então levei para meu anjo loiro, que me ouviu e assim disse: " Meu bem, não se preocupe em 'como perder um grande amor'. Em encontros e desencontros. Vamos ganhar nossos amores...cotidianamente".
Essa é a mágica e é claro que, de ouvi-la, fiquei impactada. É...eu tenho muita sorte de poder partilhar esses conselhos. E por vê-los nos meus dias, quase-como-comuns, sabedora de que afetos - e seus efeitos - não são coisas ordinárias: são milagres.
E isso me fez recordar que Bial atualizou 'Filtro Solar', agora em Dezembro de 2025:
" Senhoras e senhoras, meus irmãos humanos da era digital, faz já 25 anos que compartilhei conselhos com vocês, conselhos sobre o futuro. 'Use filtro solar', era que o eu dizia então. Pois, o futuro chegou. Ele sempre chega, e eu continuo dizendo: use filtro solar, mas eu recomendo fortemente: desuse o filtro emocional, ele embaça" (...) Desuse o filtro da tela, da vaidade, da suposta perfeição. Se eu pudesse dar um único conselho, seria este: a vida é melhor sem filtro. E o afeto, o afeto para valer, esse, sim, tem fator de proteção altíssimo contra a frieza das máquinas",
Ressalto do texto: Usem filtro solar. Desusem o filtro emocional, ele embaça! - E faz todo sentido, pois filtros embaçados não nos permitem ver bem a paisagem e as coisas incríveis da Highway....e a vida é incrivelmente colorida, doce e bonita...
Embora seja perigoso sentir sem filtro, com tanta gente embaçada brincando de mercado com as emoções, fazendo listas e carregando refil de carne com nome 'possibilidades' na bagagem, cheios de suas baixas densidades e fortes em suas emoções amortecidas e sem uma tarja de b.o na testa (vide crônica 'O Manual Anti-impacto não existe). Aliás, não existe saída menos honrosa do que existir assim...é a própria essência da perda do elemento essencial. Perda, não desencontro.
Ou seja...sim, eu uso filtro... O solar. Acredito na ''força feiticeira da palavra'' e mais ainda no poder mágico dos afetos e não topo essa parada de emoção de coador. Não entro e não topo liquidações e licitações emocionais. Afinal, eu não uso filtro nem para fazer café.
Mas não dá para andar cínica por aí, ou isso seria a perda...do meu próprio coração. A perda das conexões significativas e incríveis que fiz, ao longo da jornada. Não falo aqui da paixão ou amor romântico(desejo sempre essa sorte para ti e para mim), mas falo de pessoas. Significados. Elos. Aquele 'núcleo' que faz meu coração pensar: 'Será que você vai saber o quanto penso em você, com o meu coração?".
Fiquei mais tranquila quando pensei no quanto o universo é coerente, pois liguei tudo isso à um conceito físico e químico acerca da densidade da matéria, para aproximação (os tais encontros):
No fim, é sobre ter um pouco de fé na física e na química particular do universo, que com sua magia quântica elementar, aproxima a matéria devido à interação de suas partículas fundamentais (parecidas ou complementares), criando a mágica da combustão física, o que também funciona para aquilo que chamamos de ...a lei natural dos encontros, que nos aproxima ...de quem tem em si mesma (ou complementar) matéria essencial.
E, enquanto isso, quase distraídos, otimistas e coisa e tal... quem sabe o que virá? Deus, Destino... e o inexorável. Vamos confiar.
LUZ!
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* Carvalho-Pai é como nomeio o querido amigo Wilson Carvalho, que é imortal da Academia Amapaense de Letras e de quem sou grande admiradora da obra.
* Anjo Loiro é como chamo Maria Ester Pena Carvalho, que faz parte da minha santíssima trindade poética, composta por ela, Alcinea e Fernando Canto. Essa galera é toda imortal, mas o que eles tem de importante mesmo é o fato de serem pessoas lindas! e eu tenho a sorte de ter tanta gente admirável para me ajudar a desembaçar as lentes da vida... para ser afeto, inteireza e emoção em universos confortáveis








