terça-feira, 21 de julho de 2026

Faz silêncio no meu coração como um rio parado...



 Faz silêncio no meu coração
Como um rio parado 
Sentir e espelhar a paisagem:
Luz e assombros...

O rio 
Parado
Vira enquadro
E celebra as sombras que desenham imagens em sua tez...

O rio acredita em visagem, pois sabe
Que a vida é mais do que a ilusória concretude da Fab ou da Paulista
A vida é equilibrista
Que brinca com as disparidades...

- Complementares?

Luz e (a)ssombros...

Sombras sob  a tez líquida da foz:
E um sol de lascar a alma, arde, aqui, em Macapá.
Faz silêncio no meu coração
Como um rio parado: Que dorme.

- O que será que ele diz?

#

Fiz esse poema após reler 'Um pouco além do Arquipélago - Onde acho que Deus mora' ontem, antes de dormir. Que baita incrível sorte existir no mesmo planeta que o Canto. 
Poema de 21.06.2026.

Aceleração!



 Eu corro muito para dentro de mim:
Da poesia que nasce, sutil, feito um riachinho,
Escorre...
Por isso, sou de fáceis lágrimas e sorrisos.

Eu me apaixono tanto! Por livros, arte, poesia, filmes, palavras, cheiros, percepções
Pessoas, não - estas, conto nos dedos da primeira mão.

Calmaria externa, piração interna: 
Sempre em busca da próxima dúvida
Qual o peso de todas as formigas que tem no universo?
Porque quem fala a verdade é tido como neurodivergente?

O que então, afinal, é ser gente??? 
Normal...que palavra perigosa (perdoe o tom jocoso na prosa)

E a canção não para de bater como pingos de água na caminha cabeça:

" De um lado esse carnaval, De outro a fome total...ôôôÔô...''

Falo tanto em amor: esta é a minha revolução geoeconômica, política!
Não esquecer o que importa só porque querem apagar meu coração
Com propagandas, compras, conceitos tolos, como 'status'
Ou próxima gíria do marketing explicando a felicidade para gente infeliz

Entorpecida do próprio fedor de cera, pus, excrementos - debaixo de fino verniz.

Respira macio comigo, pois nem todo mundo é assim: voltemos ao poema
Lugar aonde ainda vibram as coisas doces...

Pois há  quem sobreviva a esta morte em vida
É que tem gente p´ra caramba neste globo maluco - sempre fatal
Tanto barulho, tanta geografia, Métrica, cálculos de aritmética! 
Nada ideal.

Nunca fiz este estilo: nunca calculei o peso de ninguém
Porém...eu já tive um grilo e ele se chamava 'João'
É isso que queria contar de mim para ti, 
Hoje. 

Faz sentido? ...

A minha visão de sucesso depende
De quanto amor, afeto ou paixão podes partilhar
De quanta gente já feriste para alcançar teu pódio particular
Das coisas que és capaz ou não...

Corre na tua veia que tipo de aceleração, afinal?

Por quem teu coração acorda, o que te causa alegria
O que tu contas a Deus*  no fim do dia?
Será que ontem, falei do que verdadeiramente importa?
Nestas horas a gente nunca sabe qual é a porta para chamar de oração...

Deixo as pedras rolarem ciente de que, afinal, não há negociação:
Existir é difícil como engolir uma dose de cachaça em jejum
Afinal, mesmo Sísifo aprendeu o sentido real e comum da expressão
 'os deuses vendem quando dão'

E, apesar de parecer confusa, 
E nunca ter entendido a racionalidade da raiz quadrada da hipotenusa
Trago uma carta final na manga e ela é meu real (t)alento:
Eu sei que já me perdi ... faz tempo!



#


Este poema foi propositalmente feito sem conceito estético.
Tenho tido severas crises existenciais acerca do conceito de 'conceito' para arte ou produção literária.

*Republicado de 15.07.2026, pois é o mais acessado do momento.

A Maldição da residência Hill (poesia em forma de spoiler. Corra, se não gostar!)



Ensaios sobre vidas nubladas:
Pomet -  emit -  sonork:
- O tempo ao contrário não diz nada.

Mera sequência aleatória
Casa mal assombrada
lista de todas as angústias 
do que não pudemos pudemos fazer ...

Ao espelho, os monstros são eu e você
Outras frequências, ondas de som silenciadas
Partículas dissociadas,
 enlouquecemos.

Arrependimentos, fracassos, desejos não sucedidos:
Um fantasma é tudo aquilo que nunca foi dito
Sob o telhado de vidro, te faço um pedido:
"segure minhas mãos, enquanto caio"

Eu falho, tu falhas, nós falhamos.
Segure minhas mãos, enquanto conto os hematomas
Marcas de uso - cicatrizes, são histórias
"Você vê a casa, mas não sabe lê-las..."

- Eu não sei contá-las e não sei vivê-las...-

Foi só um sonho, foi só um sonho...um pesadelo!
"a jornada termina quando amantes se encontram"
Não existe desencontro, apenas desencantos
Um relógio parado desde antes...(desde antes!)

Casa infiltrada, somos água.
Vidas naufragadas, des/sincronismo
Nossos medos sabem do terror e estrago
Por isso, ao enfrentá-los: 
Meu bem, cuidado.

"O perdão é quente como uma lágrima"
Deixe a casa morrer com seus fantasmas!
Arrependimentos, dúvidas naufragadas
"O amor é a perda da lógica "
-E tudo que fica-

"O resto é confete", a história continua 
Um relógio parado desde antes, desde antes!
A casa se move, num engole-cospe vidas...
Não existem despedidas.

#

* Pode fazer sentido - ou não. Mas essa foi a MELHOR SÉRIE de terror que já vi, a coisa mais bem produzida e filosófica.
*Republicada de 21.10.2018. 
* Este é um dos poemas mais acessados da história do 'aluanaodorme' e faz muito sentido dentro de mim.


FANTASMAS DA HILL:

"E tudo isso, a culpa, o luto, os segredos, os fantasmas, nesse momento...são apenas medo. E o medo é  o abandono da lógica (...) Mas, ao que parece, o AMOR também. O amor é o abandono da lógica. O abandono voluntário dos padrões racionais. Nós cedemos a ele ou o combatemos. Mas não vivemos sem ele (...)Eu amei vocês. E vocês me amaram. Profundamente. O resto é...confete".

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Tu sabes! (Republicado)

                                                 


Tu sabes que amas quando nada do que o outro te diga te assusta tanto. Quando recebes segredos e  guardas: gostos, vontades...versos e avessos, naturais. Tu sabes que amas quando conhece a escuridão e sombras alheias e não te assustas, mergulhas sem necessitar clarear. Só coabitar. 
Quando detalhes parecem relevantes, cuidados naturais, e em essência, só um, só um abraço cura mais que todas as palavras ditas ou por toda poesia já escrita. Quando só o silêncio e o som daquela respiração bastam para desarmar teu sistema nervoso e fazer o coração dormir por horas...
Tu sabes que amas quando vê paisagens e pensa no ser amado. Quando vês paisagens no ser amado. Uma flor, um raio de sol diferente, uma folha que voou na face.Tu sabes que amas quando não condiciona presença. Quando torce e diz "vá lá, vai dar certo, estarei contigo''. Ou vai junto, pela vida...
Tu sabes que amas quando o outro não se torna assustador, apesar de conhecê-lo mundo e fundo e nenhuma ausência de luz pode diminuir o sentido, porque simplesmente faz. Tu sabes que amas quando está difícil de gostar daquele ser e, ainda assim, tu estás ali, para partilhar daquela existência, com as dores e delícias inerentes.
Tu sabes que amas quando companhia vira brincadeira: nas ruas e mensagens pichadas da cidade, nos mil dias de observação das mudanças das cores no rio, na hora da escolha de um filme, na admiração da explicação daquela música... ou quando perseguiram o sol naquele fim de tarde alaranjado. 
Tu sabes que amas, é isso.
Sem explicar, como diria 'o Bruxo'.
Sem precisar racionalizar ou cavucar no inconsciente. Com mil razões e emoções diferentes. Com gestos e afagos. Constâncias e cotidianos. No tédio e na doidera de existir. Na admiração inerente de amar o retrato e na visão real do ser, despido da idealização - de um jeito que nem Freud ou Jung entenderiam, porque veio antes mesmo do primeiro louco de amor o sentimento primitivo e passional da escolha e da renúncia. 
Porque tu sabes que amas quando a renúncia vira parte: renúncia do egoísmo, da oferta da liquidação, da projeção. É, tu só sabes. E tu sentes um nada-igual que cutuca a pele do coração...
É quando o leite derrama, e vocês vão juntos enxugar: Porque o leite derrama, meu bem, acrediteee. Tu sabes que amas quando o primeiro e o último pensamento  - ou tantos outros do dia- vão para um mesmo lugar, pedir abrigo sentimental...pois o amor é bicho teimoso, voa e volta, senta no alto da nossa cabeça, puxa o pensamento, de forma natural.
Tu sabes que amas quando canções conversam com a emoção e juntam as tuas mãos, de um jeito tão profundo... àquele certo alguém!


#


Acessado hoje.  Esqueci que havia escrito e achei lindo de republicar, mas acresci Freud e Jung, pois este texto brinca com algumas destas teorias...a do 'retrato'. 
De outra vida, de tããooo antigo. Mas fofo.

domingo, 19 de julho de 2026

Akai Ito



Mentes desalinhadas
Desajustam corações afins
- É uma pena...

Ainda bem que o poema
Tal como o fio invisível do 'está escrito'
Sabe mais que nós...

E assim, Akai Ito ou..."Maktub": 
'Está escrito, ou, tinha que acontecer'
Dos encontros e desencontros:
Aprender...desaprender...

Descobrir! Deixar sentir. 
Leve, borboletas no estômago:
Dançar. Viver
Fluir...

Mas, afinal, existe paixão sem isso?
Sem a fina pele, a fragilidade, o risco?
O medo e a audácia de sentir? 

Não adormecer, arrepiar, entusiasmar de verdade:
Afinal, existe poema sem coragem? 
- E  tu sabes,Poeta, coragem
É sempre o coração em ação...

Por isso e por tudo o mais:
Quebre os grilhões dos medos, 
Dê adeus à dor
Diga olá ao desconhecido!

Ou, ao re-conhecido
Elos de afeto:  
É sempre amor.


#

Fiz este poema em 27.03.2024,  para um casal de amigos, que segue na beleza da tentativa/ encontro. O poema está republicado com a música que ela escolheu. 
Guardem esse segredinho comigo, tá? :)

Ensaios sobre a Diaba Vermelha, a Bruxa Ruiva e a Lua que não dorme! (Filosofia do Boteco e uma confissão)



Quantos apelidos tu tens?  

Já percebeste que os apelidos - muito mais que os nomes - são o nosso espaço emocional nos céus dos nossos afetos? ou nos infernos. Pois bem. Eu tenho vários apelidos.


Sou Jaici, para meu titio. Ou Copinho de Leite. Desde gita, sou flor de abril, para papai. Ou natureza. E, no ápice, sou a ‘Bruxa/Bruxinha’. Foi papai quem me explicou o poder de ser bruxa, discernindo com didática da ideia de maldade – estas, chamava de fadas más.
Para Rosângela, sou flor. Para Ester, sou anjo ruivo. Ou flor ruiva.
E tem quem me chame...de Bruxa Ruiva, Feiticeira ou... DIABA VERMELHA.

 (hahahahhahahahaha)

 O fato é que, risos à parte, essa galera toda aí em cima sou eu. O curioso disso é que, essa semana, conversando com um amigo, ele me disse que, para 90% das pessoas, sou apenas os demais adjetivos e para 10%, a tal DIABA VERMELHA. Senti no seu tom que queria dizer que eu escondo a dita ,de ti, que me lê. Eu ri. Não tenho mais toda essa expansão da Diaba.  MAS ELA ESTÁ AQUI.

Hoje tenho só 1% da DIABA , só  não mexa com a potência dessa porcentagem, afinal, eu não me decifro muito, mas também já não me 'mordo' ou devoro tanto assim (alô, Minotauro!) 

Essa memória - da Feiticeira ou da tal da DIABA VERMELHA -  me lembrou que o inferno, o céu e nossa natureza sempre foram parte da filosofia, da psicologia, da poesia...e do Direito, pois o mítico e o literário, o filosófico e o religioso flertam desde sempre.  

Sua etimologia vem do conceito de ‘Daimons’, que aliás, não é unificado, tendo referências extensas em Homero, Platão (que o atrela a Sócrates) e até mesmo na mitologia, na representação do Olimpo Grego, como Afrodite. A figura é analisada também na psicologia, por C.  Jung.

Na poesia, desde Homero, Daimons são...uma força – seja uma divindade ou um evento natural inexorável.  Ambíguos, bons ou maus. Uma voz, uma luz,  uma energia, consciência.  C. Jung menciona Daimons como uma força psicológica autônoma,  atrelada ao inconsciente, realizadora de vontades, confrontadora do ego. 

Para o Willis (Santiago Guerra Filho) – o filósofo mais incrível do País!!! -  os Daimons nos ajudam a compreender até hoje...as decisões humanas. O tal ‘impulso trágico’ que constitui a poesia, a filosofia e o Direito, pois parte da essência da humanidade: tudo tem muitos lados, somos um vértice...

Dos tempos idos até aqui, o termo Daimons e Demônios – terminologia derivada -  possuem uma fusão perigosa.  É que associamos os demônios  à Lúcifer, o tal inteligentíssimo anjo preferido do Criador. Enfim, o Diabo. Aquele que decaiu, na mitologia Cristã. O cara que hoje guarda as portas do tradicional inferno.

Entre mística, bruxaria, inferno e poder também temos outra coligação esquisita com a perspectiva de Potência/ Força. Pura lei da física unida à metafísica. Ou seja: tudo é direção.  Aliás, a teoria poiética do direito e a do Direito Quântico, do esposo da imortal Lygia Fagundes Telles, o renomado Prof. Gofredo Telles Jr, bebem desta perspectiva.  Carl Sagan concordaria, pois diz que somos mesmo...é poeira das estrelas. Força! Potência. Magiaaaa da física. Composição. PODER!

Por isso...

A Lua que não dorme e a Bruxa Ruiva põem a Diaba Vermelha para dormir lá no meu umbigo. Há tempos, elas negociam espaço e as duas primeiras ganham. Mas, ela ainda está aqui...e quer saber? já me tirou de enrascadas, já virou esquinas, já bateu portas e demitiu pessoas do meu coração. É, ela fez e aconteceu, e eu – a administração –  lidei com as consequências. Respeito seu impulso inaugural de colocar fogo no parquinho, no circo e no hospício - tudo ao mesmo tempo. É, a DIABA VERMELHA, já “ set fire to the rain”. 

Eu tento não jogar jogos vorazes. A Diaba Vermelha jogou e zerou o game. Sei, foi válido, pois nesse caminho, tudo foi poesia, piração e humanidade latente. Emoção sem métrica. Luz e poder ultrajovem: poesia na boca da noite, como diria Drummond!

A Diaba Vermelha, seu senso de força e seu gênio de lâmpada queimada precisam existir para salvar a Lua que não dorme, sua delicadeza, livros, metáforas... do seu medo de viver. A Bruxa trouxe a Lua e a Lua põe a Diaba para dormir, cotidianamente, com as canções de ninar de quem teve casinha na árvore, brincadeiras com os passarinhos, quintal cheio de flor de maracujá...

Não me preocupo em ser tanta gente. Teria  medo é de ser pouco.  Tenho medo de gente linear: elas sim, escondem algo.  Eu não escondo: apenas guardo. Sei, inclusive, que posso ser mais...

Por isso, gosto da Diaba Vermelha, ela já não me assusta. É um Daimon. Então, cuido bem do meu 1% e não uso sua expertise em qualquer esquina. Porque até o veneno apura (aviso). Ela dorme e descansa no meu umbigo, pois a LUA gosta de felicidade.  A Bruxa gosta de magia. De poções que não matam...e sabores adocicados. Elas seguem à risca o tal manual anti-b.o.

A Lua cuida de não ser tão curada a ponto de se tornar cinza. Um ser normal, sem multicolorido, seria uma pávida tragédia. Essa piração interna sustenta a órbita. A Lua e a Bruxa sabem que, as portas do seu inferno são cuidadas pela Diaba Vermelha, que vigia quem pode chegar ou quem precisa ir para ‘os quintos’. Alguns, apenas da mais completa ignorância.


LUZ!  
ASSOMBROS!

#

Observação 1: Não uso IA para compor imagens, pois respeito muito a propriedade intelectual e há um debate enorme nas artes acerca da apropriação da matéria humana pela replicação de padrões em IA. O lance é extenso.  Também não reviso textos por esse mecanismo, pois isso sim, acho uma desonestidade artística e acadêmica. É puro respeito à condição humana. Mas essa imagem eu ganhei, é minha exceção, porque está...'eu'.

*Republicado, pois é a coisa mais acessada do mês. Gratidão!


sexta-feira, 17 de julho de 2026

Ensaios sobre o Instante.


 
Planejar um sonho em voz baixinha
No ritmo da chuva que cai e acelera e depois fica mansa
Pois mesmo a tempestade diminui a marcha 
No vai-e-vem da natureza que tão mansamente lava a estrada.
Deixa a highway iluminada!

... Seria a JK ...ou o meu olhar?
-  Faz tempo que não me percebo tão feliz, confesso.

E digo isso com um tipo de vergonha tímida de quem sabe
O quão a vida pode revirar, a qualquer momento, 
Enlouquecer e agitar a tépida maresia do instante
-Mas, mesmo isso, é bom.

Acho que, depois de um tempo,
Ou a gente aprende a colher a doçura do fruto do instante
Ou vive de futuro e de passado
E, por todo lado, eu vejo gente que se perdeu nesse caminho de angústia ou ambição...

Ah, deixa p´ra lá - não quero mais ter razão.
Nem quero nem mesmo pensar ou falar sobre isso
Quero fazer ....feitiço! 
Simples.

Quero só chegar em casa, falar com meus amores
Saber que o dia foi bom, descansar meu par de asas,
Contar o meu dia, fazer poesia, ouvir uma canção:
Aprender uma nova forma de fazer o mesmo macarrão!

Ainda gosto de Cecílias e Clarices - lágrimas e acidez
Ler um Pessoa ou beber a calmaria do Bruxo
E do Canto,Alcinea e Ester - sou um bom freguês
Mas aprecio também... o silêncio. A natureza. 

Esse barulho da água no telhado fazendo um barulhinho doce
dentro do coração...

Descubro a existência desse ser que dança, ri, reza e celebra - Em camadas. 
É surpreendente se deixar descomplicar:
O que me cabe e o que não me cabe no tipo de densidade
Que me faz sorrir...e o que me faz sarar...

!

#


Komorebi



 Ensaios sobre a sombra e a luz:
Ninguém é todo feito de abismos ou linhas retas
sombras, luz: olha para o céu, percebe
O farfalhar alucinado das folhas não pede alinhamento ou explicação...

Tudo é denso, tudo é leve
A vida faz arte no unir confuso de corações
Nas mais loucas paixões que nascem de (im)prováveis
(dança de emoções sob os céus)

E o que parece um dia normal no planeta
é o bater de 8,3 bilhões de corações...

Opostos são lados de um mesmo verso
Iguais também
-  Certas horas a gente se percebe
E nas incertas, simplesmente se tem...

- E a roda gira até deixar tonto o coração mais doce  -

Ninguém está inteiro ou errado
Por todo lado, caminhamos na procura de encontrar
... E na demora da espera de chegar ao  lar
Confesso que parei para sentir minhas sombras e luzes 

(Encontrei detalhes guardados de você...)


#

*Feito após ver o filme 'Dias Perfeitos' e nele inspirado. Esse filme é pura poesia e filosofia. Talvez faça um sentido diferente para ti, que me lê, após ver o filme...
 
De 04.01.2026, republicada, pois acessada.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Apresentação Aleatória! (Uma viagem no tempo)

 Simples assim:

Ria para mim como se eu fosse única
Enquanto a brisa do amazonas bagunça meus cabelos
Frases tolas curam a gente de se grande e rimam com o infinito...

Beleza simples faz meu coração baixar a guarda...

Me diga algo bonito: 
Bonito de verdade
Uma pequena ternura da tua semana
Deixa eu perceber o que é valioso para ti...

Não fala de etiqueta, preço e propriedade
Já fugi de castelos de ouro banhados
Não tenho esse tipo de vaidade
Com sinceridade: eu simplesmente não ligo.

Na verdade,

Sou mais afeita às coisas assim:
Carinho de dedinho,
Guerra em meio travesseiros
Pipoquinha e cinema às sete...

Ou ouvir algo que te apaixone e entusiasme
Debater a vida, as canções no vinil
Trump e o nosso medo de morrer antes de viver
O maravilhoso complexo multiverso

Sim, há tantas possibilidades e tanta gente dormente, sem se aperceber...

No fim, é sobre isso: significar.
Não precisa me trazer o mar
Me dá um dia calmo
Nada que eu precise interpretar...

Não acha minha inteligência uma ameaça ou um requinte
Vivo de aprender, de querer,  me encantar e perceber
Detalhes e detalhes no infinito
Ninguém é mais, ninguém é menos, afinal...

Não me exclui do mundo real
Como se eu fosse um bicho exótico, esquisito
Sou tão  presente, eu gosto de tantas coisas
Um universo não acomodado em movimento...


Não me fere, sou um tipo de bicho vivo
Vou eviscerar o que sinto
Pôr a Bruxa e a Diaba no recinto.
Queimar as portas do meu labirinto

Endoidecer calmamente...até sarar.

#

Talvez esse poema se chame 'apresentação' porque faz parte de todas as coisas que eu deveria dizer...não foi criado para alguém ou de uma situação específica. Por isso tem esse nome.

*Republicado, pois acessado nas últimas 24 hrs e porque é, atualmente, o mais acessado da semana (está quase junto de 'Aceleração', que veio ontem e já fez seu caminho...

LUZ!


:)


Mágica Presença


Chegaste
E chovia denso sob meu quintal
Colocaste teu corpo para no meu frio para secar
Feito roupa no varal, sol da manhã!

E simples assim, fez sentido estar.
Eu ri de tudo um dia inteiro
Passei meu cheiro no teu corpo e descobri o teu
Começo a gostar de te aprender aos poucos...

Sinto menos medo de te deixar ficar a cada dia
Tua lógica que não entende tanto filosofia ou poesia
Me faz rir e me sentir...normal, simples, natural
De um jeito manso, vou amolecendo aos poucos...

Enquanto a gente vê um filme no sofá
Pede comida ou aprende a cozinhar
Debate sobre tudo e nada ou simplesmente se apoia no cotidiano
Enquanto a gente se apaixona assim, tão devagar...

#


Uma poesia cheia de mágica presença, porque a vida é louca, mas é mágicaaaaaaa (é do Velho Buck, mas é isso).

De abril.
Está nos acessos das últimas 24hrs e é fofa.  :)

Tolos!


Eu fecho portas bem fechadas: se não puder sentir inteiro, não me demoro
Mas não apavoro: vivo um universo particular de afetos mansos...
Gosto de maresia e também de maré calma
E sobre a alma:  faço as pazes, cada dia mais, com minha imensidão

- Caminho e aprendo o passo, no segundo.

Eu leio o mundo e o mundo...segue cada vez mais gentil comigo
Já não corro mais perigo, de tanto confiar...
Aprendi que a força mágica da vida é acreditar
Rir, permanecer curiosa, ávida e distraída

- No meio disso tudo, a mágica acontece.

Ser gente real é aceitar imperfeições e cooperar
Caminhar na ânsia de não machucar ninguém
Sabendo que, às vezes, sucede
E a gente cresce no processo de aprender...

- O risco da vida é não viver, Jaci - me diz um anjo in blue...

Qual o caminho para chegar em casa?
Se minha asa é de cera e quer o calor do sol...
Como pode meu coração de gelo conter tanta brasa?
E ainda acreditar em afeto real...

- Vai ver, na curva da estrada, quase distraídos, venceremos, nós: Os tolos!

#

*Republicada de 18.05.2026, pois foi super acessada nas últimas 24hrs.

terça-feira, 14 de julho de 2026

Suporte

 

O peso do cristal
A linha fina do silêncio
'Metal contra as nuvens':
Língua afiada, guardado punhal...

Muito prazer (pode até ser)
Que faz doer (é só dizer)
Ou leve...leve...de flutuar...
(Acende)

A carne quente
Máquina ativa, nada cativa
Escrevendo emoções em brasa
...ah! o par de asas...

Suporte:

O leve do algodão: Emoção...
Paixão...bolha de sabão! Magia.
A química da razão...ah! a razão:
Sentir é uma decisão.


#

*Para a Diaba Vermelha, que faz parte do meu suporte como gente (E que dorme no meu umbigo, guardiã que é das portas do inferno da  Bruxa e da Lua que não dorme). Afinal, é Lispector quem diz...existem pedaços nossos que não merecem ser corte, pois são estrutura.  

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Risco!


 Parece que é isso:
Sentir é arriscar a pele da emoção
Sair da caverna e se molhar na chuva:

Até sentir fraqueza
Medo.
Algo assim...

Ninguém escapa ileso
stay alive
Nunca mais você, meu bem?
It´s so cruel...

Então é isso
Cortar o fio
Riscar o fósforo
Deixar apagar

Você e eu sorrimos
E está tudo bem
Nunca mais você
(Foi apenas uma paixão ruim?)

It´s so cruel...


#

Bonno, em so cruel, canalizou a energia de separação de outro casal para compô-la. Como isso acontece muito comigo, sinto uma identidade particular com a música.

Feliz dia Mundial do ROCK!


sábado, 11 de julho de 2026

Lembrança

 

Vem quando não quero, feito brisa
Um nome parecido, um verbo que alguém diz, uma palavra
Vem quando o universo decide por te distinguir...
Chega no meio de uma reunião, de um poema
Vem, depois de eu te pedir  p´ra partir de mim e voei
Voltei melhor, meu bem, eu sei:
Os ventos calmos e as marés ensinam. Isso é bom. 
Existir é mágico, mas é preciso escolher como viver:
Acolher e imaginar a vida como gostamos de sentir e nos sentir
Pensar no segundo como um projeto em composição
A vida, afinal, é isso: um quebra-cabeças delicado 
Que montamos lentamente a imagem e a percepção
Mesmo assim, tu vens, tentação:
Quando acho chato um riso ou opinião
Quando te vejo distante, em meio a uma multidão
Ah...como é feia a comparação...
Vem no entremeio, quando me distraio
De qualquer coisa e de nada, no meio de uma piada
Vem macio e depois vai...sem eu nem perceber
...A lembrança do teu cheiro e de você
 (ah! Contradição do não-querer)

Contradição do não-querer...

#


Aquele amor!

"Ele tocava. Ele era bom com seu violão, dedicado e tals, mas ela… Ela era fantástica! A moça cantava as músicas que escrevia e ainda revisava as composições dele. E sempre as melhorava. A cantora e o violonista formavam uma ótima dupla. Até saíram em turnê. Levaram alegria a quem os assistia e acompanhava. E foram eternos enquanto durou aquela parceria (...)  Ela era um furação formado de talento, inteligência, ironia, amor e teimosia"*

 


Todas aquelas palavras
Versos e canções
Todas aquelas risadas
Altas
Soltas
Une- versais
Todos aqueles verbos imorais
(sorrisos dentro de um poema)
Máxima voltagem
Toda intensidade
Cores e mais cores derramadas 
Sob os céus...
Toda aquela beleza, inocente, pueril:
Palavras e sentidos em máxima potência
Magia, pacto de sangue: latência efervescente!
Uniu nossas voltagens
Selou nosso destino:
Aquele amor se foi de nós e hoje alimenta as cores do infinito!

#

*Eu teria acrescentado 'humor', pois eu sou muito engraçadinha.
hauihauhaihaua.
Bom, o poema foi para um casal que mora no passado..
E, às coisas belas que se eternizam no infinito: Poesia!
Mas também ao dom da Amizade, tão leal - pois o amor é (multi)transformador.




quinta-feira, 9 de julho de 2026

Regatão



Navegar a vida
Trazer o doce, trazer o sal
O néctar para enfrentar o temporal:
Ancorar o coração sem naufragar a nau:

ser mais leve que a densidade...

Amar: guardar. Admirar. Proteger!
O passado que não é apenas retrato: é carne 
O presente lembra o ato...e celebra:
Orgulho imenso do mapa e da geologia, do trajeto e da geografia...

A gente  é o mar  ou o rio...o  que nos concebe?
A maré flui,  nos empurra para o cais
Mas, é preciso mais...a gente sempre quer mais...
Ser gente é ser tanto.

Carregar um regatão de emoção dentro de si!
Dar conta da viagem e da bagagem
Pequenas quinquilharias, micro-universos sentimentais:
Museu particular de ser gente!
Quente, latente

Que segue pelo espaço sideral...




#

Hoje li sobre os regatões, na Amazônia. 
Meu avô tinha um regatão.
Eu sou um.

E tu? :)
*Republicado, pois acessado.






Ensaios sobre o tempo, João

  



O segundo é mesmo precário, João:
Ou pula no trem da emoção
E vai, seguir e viver a viagem
Ou fica na Estação e, de antemão

- Aceita a paisagem.

E a vida é mesmo louca, João
Os dias não correm no contar da mão
O sol deita e levanta, mas o tempo de verdade
é muito mais complexo

E, no centro da sala
Bethânia ecoa Caetano: 'Quem não é Côncavo não pode ser Reconvexo...'

E não importa que a poesia deite e role, João
A gente se perdeu sem se ganhar
E o afeto que fica
é pouco para o que se tinha a partilhar

E não importa mais palavras - não há tanto segredo assim
Afinal,  tudo que havia  cabia na porta do olhar
No verbo-não-dito
Guardado dentro de mim

E, ao fim, bem na curva do sol,

Somos mesmo ganhadores! 
Em uma estranha equação
A gente se perdeu no mesmo trem, no ritmo
E no mesmo vagão.

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Fiz este poema para um casal de amigos (Como digo, não teria como viver tudo que escrevo...há tanto aqui do que ouço e sinto, pelo coração das minhas pessoas...
O fato é: adivinha? Eles estão tentando ( é segredo, mas vocês guardam, certo?) Rs.

Vocês não ficam de coração quentinho quando os afetos tentam o ajuste? Que sorte a minha ouvir tanta coisa boa em meio a essa vida maluca.

Uhu! <3

(E sorte é sempre Deus)


LUZ!

Inteiramente Aqui

                                               


 Eu sei, 

Não sou a pessoa mais exata do mundo
Tomo cafés amargos com bolos de chocolate
Gosto de pingos de água, tempestade emocional 
Verdadeiro vendaval

Sorrio para o nada, mas não falo nem boa tarde a estranhos
Faço pouco cálculo: horas, dias
Perdas, ganhos.
Deve ser difícil esperar de mim alguma precisão...

Não tente, bem.

Eu, por fim, já desisti
Prefiro sentir, acolher e perceber
Estender meu coração 
Acolher a dualidade

E bem-viver...

Mas, será que o mundo inteiro não é mesmo assim?
Se não existe nem mesmo um único grão de areia igual
Porque pedir métrica de mim?
Não faça isso, bem...não alargue nossos espaços por esperar o que não sou
Apenas abraça-me enquanto estou

Inteiramente aqui...

#


P.s: Republiquei  de 21.03, pois acessado.
E porque acho lindo estar... 'inteiramente' dentro de um sentir. De um abraço.
De um poema.

Enfim. Já abraçou alguém que você queria mesmo abraçar, essa semana? :)

LUZ!  :)