sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Ensaios sobre os dias Comuns




- Entre goles de amazonas e
 uns trocados de poesia:

 Brinco de ser feliz todo dia, vida
Entre números do caminho e a próxima rima
Trago mais risos e doçuras
Do que seus avessos...

Mas bem que vivo ao contrário, quando preciso: 
Aprendi a dizer não à toda forma de desmedidas
O mundo te engole, Nego, se tu te fizeres de tonto
Por isso, olha para um ponto e diz: 

Eis aqui meus contornos.

Mas, ei, maninho, não fica velho de tanto azedar às novidades
Não se engessar no processo é preciso: 
Vive o bom da aceleração
Pega a liquidez e deixa de lado o limão:

Hidrate-se das coisas boas...

A vida acontece e a gente acontece junto: é fato
O que discerne a palavra do teatro
É a ação, constituída dia a dia,
Acredita: o olho sabe bem o que vê...

E assim, trato de ser feliz todo dia
Guardo no peito a alegria singular
Que escorre entre as páginas de pedidos e goles de café
-Pois, afinal, cada um bebe do 'ser quem se é'...

Mas a gente não precisa sentir tanto o alheio, não é mesmo?
Basta colher do próprio pomar
Sentir o aroma da vida. Acolher.
Abraçar.

E, no entremeado do cotidiano, 
Encontrar a magia
Pois é fato que tudo é
 Chegada, partida ou estadia

Então, guardo no peito as coisas bonitas
Esqueço à valer as maldades!
- Bebo a vida, entre goles de amazonas
 E trocados de poesia

E respiro as simplicidades !

#


Ninguém é inteiramente feliz todo dia, a não ser quando criança. Mas a poesia falou com a criança que mora em mim e que ama as borboletas  e as flores amarelas da estação...e tudo me deixou singularmente feliz.

Mas não é sobre brincar de Pollyana, ninguém aqui quer o jogo-do-contente. É sobre escolher o que colher. Aonde colocar o coração. 

LUZ!

*Republicado de 2025, com uma foto nova.




A paixão é um cão dos DIABOS! (Epifania Buckowlesca anedótica, republicada e revisada)

 


Ok, o Velho Safado já nos falou que o o amor é um cão dos diabos.

Apesar de ter viajado em suas epifanias e até mesmo, por muito tempo, cedido ao charme da imperfeição sacana com que Buck descrevia afetos, envolto em toda a crueza com que se encontrava consigo e com o resto (Sim, pensa em um cara centrado,rs), de fato, sou mais à la Jabor, quando o assunto é AMOR. Mas me uno ao Velho Buck quando o assunto é...paixão.

Sim, inferno. Paixão é um cão dos diabos.

Eu sei que tu sabes disso, querido (a).
Minha última postagem (a do que ainda tem 'eu' aqui no aluanaodorme) teve para mais de 5.000 (vocês quebraram essa banca, obrigada), porque a gente gosta mesmo é de ver o sangue do poeta estirado na rua da emoção (drama).

Não sou diferente de ti, que me lê. E nem te julgo (risos).

 É, a paixão é um cão dos diabos. E, como todos concordamos, poderia parar por aqui essa breve epifania, mas vou seguir. Primeiro, quem atrelou o significado da palavra PAIXÃO à um sentimento romântico, além de um sádico, é um sábio.  Isso porque, na etimologia da palavra, Paixão vem de passione, algo parecido com...passio/passividade, assimilada a sofrimento(tem fonte para caramba acerca).Religiosamente, é atrelada ao sofrimento de Cristo, no calvário. 

A paixão, cientifica e biologicamente, modifica a estrutura hormonal do corpo humano, injetando doses de...dopamina. Seus efeitos, dizem estudos, assimila-se ao uso de cocaína. Sua abstinência, também. Então... a paixão domina?  (https://super.abril.com.br/coluna/alexandre-versignassi/paixao-e-cocaina-amor-e-rivotril-2/) .

Ou seja, todo mundo já esteve chapado de paixão. A não ser que sejas algum ponto fora da curva. Fora disso, se já lês o aluanaodorme,  essa plataforma com mais de quinze anos, já saboreaste esta desgrama - e ela já orbita/obitou nossas veias, literalmente, sob o ponto de vista dopaminérgico. E, ó: não tem sensato e adulto que dê conta. 

===Mas eu tento. Bem-vindo ao meu inferno==

Na parte da obra  'o inferno' (Do Dante), temos muitas percepções acerca do que é o Inferno do cabra lá e... parece que parte do meu é encontrar com coisas que meu 'sistema imunológico emocional' precisa equalizar com a  razão. Fui dizer isso para meu anjo loiro, Ester, e ela me disse: Mas quem você seria sem isso? -  Bom, eu não vou ficar sozinha com essa pergunta: QUEM VOCÊ SERIA SEM SUAS PAIXÕES?

Algumas paixões são parte da gente. Entram na nossa vida e modificam significativamente  nossa história e composição da matéria essencial...o que seria do meu Destino sem tê-la vivenciado? tsc...eu nem gostaria de saber. Deixa que existam, em seus campos particulares, batendo o maior bolão. A poesia, por exemplo. 

E não dá para dizer que é amor em estado simples, é paixão mesmo. O poema dói, rasga, eviscera, incomoda, acorda às madrugadas, quando tenho uma audiência às 7h30 da manhã. Não adianta, precisa nascer. Mas, como poucas coisas nessa vida, a poesia tem uma incrível potência de cura...e de formar conexões humanas singulares. A poesia e a arte unem as pessoas em um outro tipo único de estrutura quântica universal. 

E formulam gente com uma densidade única, um campo gravitacional...por isso, o Estado enquanto poder tem medo da arte ou a utiliza em doses homeopáticas como medida de dormência. A força, em qualquer direção, ainda é força.

Mas, voltando ...a questão é quando este sentir envolve... o 'outro'. E Sartre sabiamente disse que 'O inferno são os outros'.  Não consigo acreditar nisso. Acredito na teoria do poço, de HIMYM (descrita na temporada 8, episódios 11 e 12). Acho que a nossa mente nos coloca em qualquer condição. Inclusive na de ...aprisionados. Pelos nossos medos e...adivinha pelo quê mais? risos...Rubem Alves chamou isso de 'retratos de amor'. Jung de 'projeção'.

Por isso, é fato que existem paixões ruins. Essas, nos ensinam tanto quanto as boas. Não digo que ensinam 'mais', porque  a dor enrijece a veia, enquanto o afeto nos faz macios. É uma via de escolha e, é como diz a canção...'desculpe, estranho, eu voltei mais puro do céu'. 

Confesso que não acredito propriamente no conceito tradicional de céu e inferno, para ser sincera. Penso que Deus seja tão gente boa e democrático, que a gente vai 'ajustando contas' pelo caminho, mesmo que isso leve muitas estradas. Mas cada um tem o seu particular e isso inclui muitas camadas. Uma dela, para mim, é isso-tudo-que-envolve-isso- aqui

Aliás, desacredito no inferno tradicional e na ideia de 'demônio', que não seja sob a lógica de daimons (mas aí são outras epifanias). Só que credito no 'CÃO', porque já o conheci quando o coração bate tum tum tum, descrito biologicamente como...dopamina ( nessas condições, digo).

E tu podes rir, podes chorar. E pode isso tudo junto. Se esqueceu, foi?  Quando chegar a tua vez, a gente conversa.

Att,

A administração.

#

*Este texto nasceu de uma conversa com a Ester sobre as coisas da vida lá pelo final de janeiro, mas concluiu seu circuito de escrita agora, nos fins de abril/maio.  Então, está republicado com algumas alterações. Esta é uma das crônicas que mais deu acessos nesse espaço, na época de sua publicação... e fará parte de uma nova coletânea. Vem mais um livro por aí. 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

O Manual Anti-impacto NÃO existe: Mas o arbítrio sim! - E o que você vai fazer com isso? (Filosofia do Boteco da Lua )

                                      

 Ligo para ela*

Eu estou emputecida da vida e com vontade de contratar um caba- do- olho amarelo para resolver um ódio recém-passado, mas gosto muito do meu réu primário para perdê-lo por idiotices.

O que acaba de me acontecer é inusitado.

Explico.

Há dias atrás eu presenciei alguma das conversas mais grotescas  que já ouvi a  respeito de outros seres humanos (e olha...eu sou advogada criminalista há coisa de 15 anos, mas aí são outras ondas). Ouvi um ser humano do tipo homem-hétero-otário tecer considerações sobre detalhes de um corpo humano (vide, uma mulher que-sequer-deve-saber que seu corpo esteve em uma 'roda' de análise).

E ouvir esse 'ser' tecer considerações sobre uma tal 'garota', 'namoro', 'vida' - se é que isso existe nesse tipo de mentalidade. Mas, nada disso me diz respeito propriamente. Eu APENAS ouvi - como se isso já não fosse uma violência, independente de sobre quem. E ouvi quase-sem-querer, pois nem mesmo era interlocutora (Graças a Deus, mesmo porque eu jamais seria).

Bom, apesar de muito impactada na hora, o fato é que esqueci o evento por alguns bons dias. Mas o que me embasbacou foi: hoje, eu estava em um café debatendo estratégias de uma análise e muito concentrada a respeito, quando vi essa figura andando pela 'rua' do shopping com uma mulher, a quem conheço de outras alucinações, nessa paisagem chamada vida. É uma garota legal e, embora não seja minha amiga, me parece ser uma pessoa boa...e fiquei triste pensando no quão magoada poderia sair daquele tipo de des/conexão com aquele tipo de des/figura(do)  - risos.

 

Bom, a situação me deixou mais que indignada, pois me fez refletir detalhes da minha personalidade. É que tenho dificuldades de achar pessoas ruins e já fui chamada de inocente por isso, algumas vezes. Mas a verdade é que não acredito que possa pré-conceber alguém baseado na experiência alheia. Então, creio que as pessoas, com suas atitudes, contam quem são. Mas, apesar disso, sigo à risca o manual anti b.o e ele dá certo, na maior parte das vezes. Mas eu também me engano e a mocinha à minha frente - certamente uma mulher adulta - parecia inclusive nem perceber a cilada. Senti uma súbita empatia.

Pois bem. Ocorre que essa 'pessoa' passou com aquela-menina-legal (até onde sei), e na passagem me olhou bem nos olhos. E foi involuntário pensar: gente assim existe mesmo. Não é feito aquele personagem de 'O amor é Cego', o Maurício, que com seu rabinho escondido ficava a medir a beleza e o potencial de perfeição alheia. Eles circulam entre o meio, como se fossem genteBom, no fundo, eles são como o personagem: encontram problemas nos outros porque possuem algo em si.

Depois disso, chego em casa, tomo uma BOA TAÇA DE VINHO e penso em  Sex And the City. 

Confesso que a minha relação com a série é ambígua, porque a independência feminina lá preconizada ainda é muito voltada para relacionamentos (mas, já diria Bel...era uma vez o homem e o seu tempo). Enfim.

Fato é que, no primeiro episódio, a personagem Carrie fala sobre a morte do amor em Manhattam, nos anos 90 - e foi por isso tudo que comecei a traçar essas-mal-traçadas-linhas. 

 


Será que ainda existe amor em Eme- cê- Pê? 





Bom, falo por mim e vou seguir a dizer. A vida foi legal comigo, mesmo quando não. Tudo que teve um sincero impacto na minha existência foi permeado de significado ... e muita, muita beleza, arte,leveza e densidade. E isso me fez discernir bemmm o que é para mim.  É uma baita sorte - e sorte é sempre Deus.

Ainda assim, dá um baita medo de que gente desse tipo tenha promovido a morte do amor, com suas atitudes: baixando tanto a régua, fazendo corações com ternura perderem um pouco do viço, diminuindo a profundidade das águas limpas, sendo apenas um pocinho raso de baixíssimos valores, reagindo à vida como se suas 'presenças' fossem um 'presente de Deus' (Dizem que o inferno tem as portas iguais às do Céu...risos).

E isso me recordou também outras formas de gente escrota. Gente que não cumpre seus acordos, a não ser que tenha consequências. Que mente e aperta mãos, até que possa puxar o punhal. Gente que deixou de ser coerente com suas paixões e promessas à Deus...gente que deixou de pensar no quão falha é. Isso me inclui e te inclui, certamente,porque 'ninguém aqui é puro anjo ou demônio'. E todo mundo é um pouco 'o cão'.

Aí, disquei o 'disque-melhor-amiga', e essa anacrônica volta ao começo.

Na ligação,  comentamos o quão é uma pena que ninguém venha com um SELO DE B.O na testa, ou escrito: SOU ESCROTO. Escroto mesmo, porque mesmo a palavra medíocre vem de mediano...e gente assim não cabe em outro adjetivo. Sei que nenhum de nós escaparia de usar esse 'selo' para alguém, em algum momento. Mas tem gente que é repetente. Coitada da moça.

O fato é que vamos coabitar, (co)orbitar e até colidir com esse tipo, vez ou outra, pois não temos evidências de que estamos na Matrix e pior: Não temos uma Matrix diferente para cada tipo de programação pessoal - É UMA PENA! Já imaginou que lindo todos os escrotinhos vivendo no seu mundo de escrotidão e a galera com caráter do outro lado?

E quem estivesse no limbo entre 'escrotidão -coirreição-caráter', também tivesse um lugar particular para decidir, onde coabitaria com gente 'ser/nãos ser', até decidir qual seu lado da Matrix? Ô Sonho.

Se bem que... os escrotinhos não gostam dos escrotinhos. Essa é a verdade. Eles gostam de gente maneira, porque: a) Fingem ou ignoram sua escrotidão; b) Não se acham escrotos; c) Precisam de um besta para ser escroto (porque outro escroto poderia lhes atribuir igual lição). 

Sabe o único período em que gente escrota gosta de gente escrota? quando vão se unir para serem escrotos em desfavor de outrem. Mas aí, é questão de tempo para o veneno entornar( e, talvez, essa seja uma das maneiras mais elegantes de justiça sem vingança, para esse tipo de natureza).

Outra questão é a relação causa-consequência. Os escrotos se revestiriam de gente correta, para não sofrer o peso de suas ações e irem parar na Matrix 'certa'. Não por arbítrio, pois a escolha da virtude seria sobrevivência. Puro oportunismo. Esse tipo de modelo é bem narrado nas distopias que envolvem hipervigilância, como 1984 ou Admirável Mundo Novo. 

 No fundo, curiosa e ambiguamente, a Matrix seria uma violência ao arbítrio. E o arbítrio é a essência da identidade.  Bom, essa é a emblemática questão do arbítrio, pelo qual se reveste todo o debate acerca de teologia e da natureza de Deus e da humanidade, na tentativa de explicar a 'criação'. E também de Bauman e a super star teoria da modernidade líquida. Eitaaaaa...como liguei? Vamos lá.

Bom, tu tens um minutinho para a palavra de BAUMAN? hahahahahahaha.

Para Bauman, a identidade é conformada individualmente e não é estática, é flutuante: move-se de acordo com as interações do indivíduo. Mas, é claro, depende de fatores que não controlamos: eu não escolhi nascer no país que vivo, na cidade aonde moro, na família em que vim. Por isso, mesmo o arbítrio possui condicionamentos intrínsecos. Por consequência...'sem querer, querendo', somos parte do 'meio'. Não produto: parte. Isso é ainda mais preocupante.

Mas ainda é uma ponte de resistência. A mesma coisa acontece com o tal 'arbítrio', na questão teológica. É o que distingue a essência entre o ir para a MATRIX religiosa bem dividinha de paraíso-purgatório-inferno. Enfim...por aqui, seja lá qual lugar estamos, essa distinção simplesmente não existe.A não ser dentro de nós: Opa, senti algum alento.

Bom, quanto à minha preocupação de origem - a da ligação - restou torcer por aquela querida. Para que ela tenha 'tutano' dentro de si e conexões significativas e suficientes. E com isso, retomo à Sex And the City e às conexões reais - pois foi assim encerramos a nossa reflexão na  longa chamada ao disque-melhor-amiga.

Não, Carrie:  O amor não morreu em Manhattam e certamente não morreu em Macapá. Ele está todos os dias nos ligando uns aos outros, promovendo encontros e salvando a alma de ser pedra. Ele está em quem escolhemos dizer 'você me importa', em quem pensamos em ligar para contar como foi o dia, em saber se está bem...nas pessoas que nosso coração pensa, ao acordar. Afinal,  a alma sabe mais do que a consciência ( Lembra de 'como se fosse a primeira vez?).

Está nos risos e piadas, nos lanhos e batalhas, nos abraços e canções que escolhemos chamar de  nossos.  Nas imperfeições com que queremos e podemos conviver. Está no que admiramos e acolhemos. Está em...permitir-se ser alcançado, mesmo que isso signifique arriscar.

É, o Manual Anti-impacto não existe.

 Mas o antifrágil ...SIM!


#

*P.s1: Vocês já sabem quem, a ligação foi para a santa da minha melhor amiga.

*P.s2: Eu continuo frágil, no sentido Belchioresco.

*P.s3: Republicado, de 13.05.2026, porque foi acessado ontem e antes de ontem, e conversei esse assunto bem recentemente. Realizei um parágrafo de acréscimo. Esse é um texto bestinha e otimista e meu editor me disse que não está do meu tamanho, real. Depois de muito reajuste, foi aprovada como tal. rs.

Mas, ei, eu também sou bestinha, às vezes, faz bem ao coração...


terça-feira, 18 de agosto de 2026

Suporte

 

O peso do cristal
A linha fina do silêncio
'Metal contra as nuvens':
Língua afiada, guardado punhal...

Muito prazer (pode até ser)
Que faz doer (é só dizer)
Ou leve...leve...de flutuar...
(Acende)

A carne quente
Máquina ativa, nada cativa
Escrevendo emoções em brasa
...ah! o par de asas...

Suporte:

O leve do algodão: Emoção...
Paixão...bolha de sabão! Magia.
A química da razão...ah! a razão:
Sentir é uma decisão.


#

*Para a Diaba Vermelha, que faz parte do meu suporte como gente (E que dorme no meu umbigo, guardiã que é das portas do inferno da  Bruxa e da Lua que não dorme). Afinal, é Lispector quem diz...existem pedaços nossos que não merecem ser corte, pois são estrutura.  ;)

*De junho/2026.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Inadaptação!

 Eu não vou deixar de brincar com a eternidade - não vou.
Mesmo sabendo que posso morrer amanhã, porra.
Ah, não. Nunca viste um poema puto bruto?
Este aqui nasce cansado: calado pelo desespero mudo...

Dessas coisas plásticas, cérebros apodrecidos e almas pálidas
Gente cumprindo o ofício para viver três horinhas do dia
Depois de morrer o dia todo
Muita hipocrisia, muita conveniência, pouco encontro

Tudo tão banal...

Eu não vou, não vou mesmo, acreditar que as coisas são o que são.
Tenho um coração e ele bate as não-obviedades: 
Quero ser doida de muitas formas diferentes
Quero ser lembrada por ser gente,  quente, presente.

Por realmente enlaçar minha alma aonde tocar meus abraços...

Quero ser ignorada pelos que se acham poderosos, pois eu sou frágil:
Muito frágil e quebrável. Mas, muito capaz de recompor...
Quero passar batida para quem pratica o desvio da conduta
E depois se exime da autorresponsabilidade da ação

Pois a gente é comunhão entre quem acredita ser e o que é, de verdade...
Por isso, me conta, na realidade: Do que tu és capaz?

Quero conquistar minha paz no poder do gesto, dos elos
Conformar meu coração e desacostumar de todo resto:
Eu não preciso aprender isso.
Não preciso.

Não vou.

Nunca fui assim tão civilizada, sempre andei meio deslocada
À procura dos meus iguais...e eles existem (Que alívio!)
Ainda não sei do que são feitas as nuvens ou se a humanidade conheceu a lua
De verdade

E sei que os canalhas já nem pensam nisso! Pois sobrevivem do que lhes convém
(E tudo bem...cada um leva da vida, afinal, o agridoce do que lhe retém)

O que me busco é simples e audacioso - Ainda que discreto!
Nesse gigante grão do espaço sideral onde guerreiam 8 bilhões de corações
Entre a vida e o frio do concreto tão direto
Ah!Quero viver, ouvir e ver acontecer

histórias de amor...!


#

.Esse poema é tão EU.

Nem uma linha a mais


  
Eu não vou mais falar de paixão ao pensar em ti.
Não vou.
Demoraste a entender que tudo em mim é decisão.
Sou lenta e macia quando deixo algo me tocar
Levo espaço para acomodar...preciso disso, confesso.
 
Nem uma linha a mais sobre nós: que perda de espaço no papel.
 
Acreditamentos são mágicos encantamentos: não coisa fria, de metal. 
Que a gente puxa ou dissolve...
 
Não vou dizer que não foi bom – foi sim.
O que leva coisa boa de mim deixa espaço para algo ainda melhor
Eu sei de cor falar em bondade em meio ao caos
Feito as nuvens que precisam da densa chuva para nascer arco-íris...
 
Não vou tentar te explicar – tu não consegues nem mesmo se entender.
Nem tentar te convencer...que bobice.
Paixão é paixão: ou a gente pega pela mão e se encoraja
Ou se esconde, amedrontado da viagem...(tudo é bagagem)
 
Também não vou dizer que não errei:  tive medo.
E me escondi dentro de mim, também
Dissolvi minha voltagem, te deixei na minha paisagem
Afinal, eu também tenho uma estante. Sabia?
 
De desencontro em desencontro:  Desencanto.
Tu não entendes de política, filosofia, psicologia ou poesia
E a verdade é que ninguém entende mesmo qualquer coisa.
E eu... não interpreto o portal dos silêncios.

#
 
*Publicado dos rascunhos, de algum lugar.  
*Reacessado, agora.

Romance sob as luzes de Buarque



Põe Chico pra tocar no celular, bem
Não deixa a Luisa Sonza confundir a canção
Põe a mão no meu coração
Vamos dançar...

Aproveita que estou tão anos 40
Me chama de brotinho e a gente janta à meia-noite
Antes disso vamos brincar
de Construção...

Modernidades não me caem bem, tu sabes
Relógios são grandes demais para um pulso de pluma
O tempo, às vezes, é feito espuma
Escorre entre os dedos, macio...

É nisso que acredito.
É nisso em que confio.

Não somos de datas, mas hoje, Buarque faz aniversário
E assim, as leis do abecedário
Giram a roda da vida
Para celebrar...

A gente não seria igual sem Chico, não é mesmo? 
E que amor o seria?

Aquela madrugada fria
Em que escrevestes no meu corpo mil formas de 'te amo'...
Ou quando ficas em mim, feito tatuagem
- Haja coragem, querido...haja coragem...

De tempos em tempos, sou tua bailarina
Sonhamos juntos que o inferno congelou aquela gente chata
Que pensa mais em do que títulos que na beleza da flor
- Que fenece, ainda aquela mais perfumada...

Mas não vamos enrijecer de medo
Só porque a a realidade bate, às vezes
Que a gente cresce mesmo quando entende que a chuva também traz o frio
É quando acorda, percebe que tudo é o que é 

E segue a vida, mesmo assim: macio...



#


Esse é um poema cheio das ideias e referências. Uma singela homenagem ao GRANDE Chico Buarque, no dia 19.06 dos anos idos, no dia de seu aniversário. Republicado porque foi o mais acessado do dia e porque, antes de ontem, Luisa Sonza esteve em Macapá e brilhou, sob as luzes do encontro de Vênus com a Lua. O céu foi palco de grande beleza, neste Agosto de Deus...



Fiz as pazes com meu coração


Faço silêncio quando há barulho por dentro
Gosto de ouvir os detalhes da vida em movimento:
O barulho da respiração, o assobio do passarinho
O farfalhar das folhas pelo chão...

Meu coração, que pulsa aqui dentro 
e procura comunhão com a razão
Faz mais sentido agora do que jamais fez:
Feito o barulhinho do rio que bate no parapeito da orla de cidade...

Ou a gente entende dessas coisas ou não consegue perceber nada.

A tez do dia se insinua neste sol de Agosto e diz:  
O que é real também arde. 
Na pele, nos olhos, na emoção que comunica por dentro...
Afeto não é urgente: é emergente. 

Acresce, vibra, faz parte dos nossos pensamentos...

Sentir é perceber o tempo da maré: Te ouve, Jaci.
Tudo que merece o gasto é o que é real:
Presença, sorriso, uma história longa...como foi teu dia?
A 'liga' é perceber o outro:  Sem pré-conceber.

De tanto tentar entender o externo, briguei um pouco comigo, às vezes:

Sentir é significar? - ah...o mundo! Dá medo.

 São muitos fios, roteiros, cores, cheiros, temperos
O tempo precário e sem roteiro, o caleidoscópio que gira e mostra mais:
Mais vida de instagram, contato sem conexão, sorrisos de liquidação
Mais carne, dopamina, gente barata: mais e mais aceleração.

Tanto barulho, por nada. 

A galáxia e sua perfeita mecânica relembra a verdade:
Mistério mesmo é ser parte.
A gente é estrela, carbono, matéria, respiração!
De perceber, fiz as pazes com meu coração...

#

Se tu ainda buscas poesia no teu dia...quem sabe é porque o coração ainda pulsa.
Faz as pazes com o teu: nele mora o que realmente importa.
:)

LUZ!


sábado, 15 de agosto de 2026

In-Yun (Dois!)

 


Não me procura no passado
Aquele jornal antigo, a chuva que caiu
A lágrima e o jeito de sorrir do tempo
Eu estou aqui, no agora: toda inteira 

Vivo cheia das luas que ainda nascerão...

Quero sorrir contigo as coisas sem graça da vida real:
As convergências, a promoção do supermercado, o mesmo creme dental
Memórias cálidas, o nosso primeiro encontro bobo e simples, cliché
Quero tua existência simples e imperfeita, na minha...

Deitar na mesma cama, conversar amenidades e profundidades
Confessar medos e inseguranças, acolher os teus...até adormecer...

Não sente pelo que foi ou o que poderia ter sido
A minha vida é tão maior contigo, porque sou melhor do que jamais fui
E é bonito me sentir assim, 
Mesmo que eu sonhe uma língua que não consigas decifrar...

"Se estou aqui, aqui é o lugar onde eu devia estar"

#

Este poema foi feito inteiro da/ para a conversa da Nora com o Marido, no filme 'Vidas Passadas'. O sentido do diálogo, para mim, foi a estrofe que grifei. Esse filme é todo incrivelmente perfeito. Mas, esse casal...QUE LINDO!

In-Yun


 

Não é só sobre o trajeto,
É sobre com quem sorrio. 
Com quem troco palavras e silêncios
(Organização e confusão...)

Não é só sobre mais um dia, é sobre aquele fim de tarde
Contemplando a chuva em silêncio, cafézinho na mesa...
Não é só sobre os grandes momentos, é sobre os detalhes pequenos
Que interligam corações

(E formam o verbo ''(es)colher...'')

Não é só sobre coragem, é sobre os pequenos medos que vencemos
Quando avançamos a geografia emocional do individual  e arriscamos...laços...enlaces
Não é só sobre a beleza do Amazonas, é sobre o mergulho
(E assim, quantas vezes ainda irei te (re)encontrar?)

Quem seremos nós, a cada vez?

Das tantas versões, tantas dimensões, aprendizados e missões individuais...
Imigrantes dentro de nossa própria pele - linguagens, sensações.
Na próxima estação...Quem serás, tu? Quem serei eu?
De pensar nisso tudo, celebro tanto! - a oportunidade do  encontro,

No instante.

#

Poesia de depois de ver o filme 'Vidas Passadas', que realmente me fez sentir, sentir tanto, cada detalhe. Porque, na minha percepção, a expressão 'vidas passadas' não fala apenas sobre as 'camadas' de outras vidas...mas sobre as camadas dentro de uma mesma pele... e o poder do instante. Sobre as nossas projeções do outro e sobre o 'eu', que muda, que vibra e que ajusta frequências. E sobre quem somos e quem é conosco, no agora💓

"É como plantar duas árvores em um mesmo vaso: as nossas raízes precisam achar espaço"


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Aceleração!

                                                   

Eu corro muito para dentro de mim:
Da poesia que nasce, sutil, feito um riachinho,
Escorre...
Por isso, sou de fáceis lágrimas e sorrisos.

Eu me apaixono tanto! Por livros, arte, poesia, filmes, palavras, cheiros, percepções
Pessoas, não - estas, conto nos dedos da primeira mão.

Calmaria externa, piração interna: 
Sempre em busca da próxima dúvida
Qual o peso de todas as formigas que tem no universo?
Porque quem fala a verdade é tido como neurodivergente?

O que então, afinal, é ser gente??? 
Normal...que palavra perigosa (perdoe o tom jocoso na prosa)

E a canção não para de bater como pingos de água na caminha cabeça:

" De um lado esse carnaval, De outro a fome total...ôôôÔô...''

Falo tanto em amor: esta é a minha revolução geoeconômica, política!
Não esquecer o que importa só porque querem apagar meu coração
Com propagandas, compras, conceitos tolos, como 'status'
Ou próxima gíria do marketing explicando a felicidade para gente infeliz

Entorpecida do próprio fedor de cera, pus, excrementos - debaixo de fino verniz.

Respira macio comigo, pois nem todo mundo é assim: voltemos ao poema
Lugar aonde ainda vibram as coisas doces...

Pois há  quem sobreviva a esta morte em vida
É que tem gente p´ra caramba neste globo maluco - sempre fatal
Tanto barulho, tanta geografia, Métrica, cálculos de aritmética! 
Nada ideal.

Nunca fiz este estilo: nunca calculei o peso de ninguém
Porém...eu já tive um grilo e ele se chamava 'João'
É isso que queria contar de mim para ti, 
Hoje. 

Faz sentido? ...

A minha visão de sucesso depende
De quanto amor, afeto ou paixão podes partilhar
De quanta gente já feriste para alcançar teu pódio particular
Das coisas que és capaz ou não...

Corre na tua veia que tipo de aceleração, afinal?

Por quem teu coração acorda, o que te causa alegria
O que tu contas a Deus*  no fim do dia?
Será que ontem, falei do que verdadeiramente importa?
Nestas horas a gente nunca sabe qual é a porta para chamar de oração...

Deixo as pedras rolarem ciente de que, afinal, não há negociação:
Existir é difícil como engolir uma dose de cachaça em jejum
Afinal, mesmo Sísifo aprendeu o sentido real e comum da expressão
 'os deuses vendem quando dão'

E, apesar de parecer confusa, 
E nunca ter entendido a racionalidade da raiz quadrada da hipotenusa
Trago uma carta final na manga e ela é meu real (t)alento:
Eu sei que já me perdi ... faz tempo!



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Este poema foi propositalmente feito sem conceito estético.
Tenho tido severas crises existenciais acerca do conceito de 'conceito' para arte ou produção literária.

*Republicado de 15.07.2026, pois é o mais acessado do momento.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Depois daquela janela ensolarada!

Foto:Nathy Favacho

Depois daquela janela ensolarada, há muitas ruas. Mundos inteiros para desvendar, passeios astrais, ancestrais ou além: como cada viajante conceber.
Depois daquela janela, há medos, intrigas, encontro com poesia, sucessivos sorrisos entremeado em decepções,mas há também vida, mais caótica,aleatória e colorida do que os giz de cera espalhados pelo chão.
Talvez tenha o dia inteirinho a ser vivenciado, sabores próprios de quem sai da janela. É, depois daquela janela, não estou tão protegida. Ou estou?
Daqui, grades silenciosas evocam a força do que a violência traz: medo.
Mas isso, claro...depois daquela janela.
Também tem o rio amazonas, o céu estrelado, as senhorinhas das missas das seis, sempre com seus terços em mãos.
Tem aquela molecada que esqueceu dos anos 2000 e está no meio da rua, a jogar um futebolzinho, últimos resquícios de convívio entre vizinhanças. 
Dizem até que tem amor,  a brincar com o poema. Um pouco do meu, dança ali, do outro lado da rua, entre os bem-te-vis. Outro pedaço, aqui comigo, brinca no sofá, menina-esperança que é.
Depois daquele sol todo, a atordoar a face, veio uma chuva gostosa, daquelas de fazer barulho ao tocar o chão, pingos grossos e fartos, para o ouvido matar a sede e os sentidos florescerem.
E tem as direções, as setas e ruas que traçarei, eu, que não traço planos e faço morada em curvas, viradas de caminho.

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*De 12.08.2016...'Tempo, mano velho..."

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Cansaço



Trago nas mãos
Notícias e canções
E um cansaço guardado
De parir palavras…

Prefiro sorrisos, silêncios 
Cheiro de café recém-coado
e o farfalhar das folhas 
que dançam com o vento, às seis....

Sinto que estou
Cada vez mais inapta
À sociedade e suas convenções
E acho que essa dislexia
Bem me cai…bem me faz!

- Desconfio de longos sermões,
Prefiro a verdade 
 da engenharia dos abraços
Aprecio o calor do traço
A sutil arquitetura

Quente de um arco…

- Como se o corpo soubesse que é um templo
Berço sagrado de sentir -

Não digo “amor”  a meros conhecidos
Ah! Amor não é bicho inofensivo:
Nem se desfaz feito fumaça de cigarro
- E seus danos colaterais
Têm mais estragos ... - 

E apesar da dureza cotidiana do existir
Sinto a beleza de ser e estar aqui!
Recordo sempre do mantra
Que repetia a antiga canção: 

''tudo é divino,maravilhoso''
- Mas também lição -

ah! Trago nas mãos
Notícias e canções
E um cansaço guardado
De parir palavras…

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Palavras, esse dom que a gente aprende com o tempo...

E quem irá dizer que isso não é mesmo o grande plano de Deus?

*Republicado.

LUZ!

Viajante

                        

Percorro espaços de um mesmo lugar
Aprendo a ganhar novas voltas do tempo
Respeito o verbo dentro de cada verso
Seu próprio espaço, métrica e movimento...

Eu me descubro, com o passar dos (d)anos
e me refaço a cada verbo colhido
nem tão madura quanto gostaria,
ainda fico, às madrugadas, de papo com a poesia...

(Preciso disso, confesso)

Aqui, escrevo e reescrevo até compreender o mundo
Ou entender que algumas coisas não têm explicação
Torno mais bonito o aparar de arestas
feito o ar da madrugada, que escorre entre portas e frestas...

Quisera ter mais  do que chamam de 'tempo' 
o tal do tic tac do relógio carrasta-me em seus dedos!
Fazia tempo que não sabia que 'faz tanto tempo'...
Hoje, percebi o movimento

Já não somos nós e nem estamos sós
(Para a alegria das boas canções que nascem a cada dia)
Porque, para cada onda que bate à beira do Amazonas
Uma estrela cai,  nasce um amor: uma nova história?

Uma poesia!

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Republicado de 18.09.2019...nem lembrava que tinha escrito isso. 
Amei recordar.