domingo, 26 de julho de 2026

Gostares



Gosto de pingos de água,
De risos e amanheceres
Gosto das tardes, que deitam o sol ardente do equador
Aprecio a leveza de mãos que se juntam de forma calma

Com alma...(no gesto)

Teço poesia e afetos delicados
Pois o mundo é bruto, coração!
Cotidianamente tenta nos fazer desacreditar
Na beleza da existência.

Sou real: palavras e silêncios
Presença e  ausência
E, apesar de perceber e registrar
Quase não consigo compreender quem escolhe viver o avesso da equação...

As coisas simples existem: repita isso 03 vezes
E abra as portas do peito para ser bom para alguém
Não é tão difícil, se a gente acreditar juntos 
É assim que 'nós' formamos 'laço'

Abraço, leveza, 
Estar por acolher...
- Viu como um poema pode ser doce, leve
E aquecer? - 

Basta a gente se escolher...

#


*Republicado, pois acessado. 
Hoje esse blog de poesia conta com mais de 3.700 acessos.
Gratidão!

Ode às Imperfeições

Ode às imperfeições:

As minhas, as tuas: 
Encontros, desencontros
Nós é que somos as estações
Aqui nos céus do equador...

Gosto dos teus olhos
Mais do que deveria
E gosto que tu não entendas nada de poesia
Nem esquadrinhe meus espaços para me perceber...

Fico mais imperfeita, natural demais
E acho que me sinto tão normal nesse formato
Sem tirar a roupa da minha emoção a cada linha
Tão eu, sem precisar das palavras para te alcançar...

Acho bom que tu não fales de filosofia
Nem reverbere tua politização com as últimas do noticiário
às vezes, isso tudo é cansativo
a mente fica meio presa nesse looping, feito planta de aquário

Ninguém é espelho e nem precisa ser para afagar
Nenhuma métrica é idêntica, a vida pode acomodar
O vento que sopra suas verdades
 Põe as coisas no lugar....

Sinto saudades da tua presença que não pesa
Da tua leveza que não é nada lesa
Pois, lindeza, a gente aprende tarde como é arte
Estar tão confortável com a respiração de alguém...

Ode às imperfeições:

E às coisas que vão porque têm de ir...




#



Republicado de 23.03 e acessado agorinha. 
Republicado. 
:)

Ensaios sobre morar dentro do Sol

 
 
 
 
O Equador brilha ligeiro em meu peito
A paz das coisas simples acontecem, é fato
A gente não precisa fazer força para ver coisa bonita
Brotar na terra fértil da emoção....
 
Eu moro dentro do sol – e o sol, dentro de mim...
 
De temperar com pimenta de cheiro
Aprendi que as coisas que não ardem têm sabor
E eu, que busquei tanto a intensidade da malagueta
Reencontro na sutileza novas formas de beleza...
 
Este poema não é simples, apesar de parecer bobo.
 
Eu não tenho em mim
Uma linha – sequer imaginária - que divida o sul do norte
E a minha bússola nasceu quebrada
Mas, tenho uma lua que me acorda às madrugadas
 
E convida a sonhar acordada as coisas bonitas da existência...
 
Já abracei a floresta
Tomei banho de rio de madrugada
Dancei e bebi do céu o sabor da chuva
Ah! Já fiz tanta coisa louca, bonita, emocionada:
 
Tudo isso me salvou um pouquinho
De ser apenas aquilo-que-se-espera
Não me olhe como algo exótico, 
Sou  mais simples do que flor em plena primavera

Eu moro dentro do sol – e o sol, dentro de mim...

#

Ahhhh...esse poema foi de 28.03. Republicado, pois acessado. E fez um barulhinho bonito dentro da Oca que chamo de coração...



Paixão! (Parte 3)

 
 

Fazia tempo que eu não me sentia assim:
Interligada.
Pensando em dividir minhas horas pra caber mais tu...
Fazia tempo que eu não era isso: Boba.
Do tipo que acorda às madrugadas
Só pra te abraçar...
E eu te confesso que nunca fui assim tão calma:
 Do tipo que espaça...que deixa rastro e dá um time para deixar acertar.
Que faz silêncio, que abranda...que te espera pra jantar e acomodar.
E justo assim, calhaste de machucar o papel marché da minha emoção
E eu tive de fechar os portais da nossa conexão – esquecer de ti, tentação!
Porque a paixão também entorna, vira feitiço que se joga fora,
Magia esquecida, elo fora de cogitação...
Tu devias ter cuidado melhor do meu coração.

#

*Vocês conhecem a história da música 'Conversa de botas batidas?'
A LENDA em seu entorno é linda.  É sobre um casal que morreu em um desabamento de prédio antigo no RJ. É inspiradora.


sábado, 25 de julho de 2026

Lembrança

 

Vem quando não quero, feito brisa
Um nome parecido, um verbo que alguém diz, uma palavra
Vem quando o universo decide por te distinguir...
Chega no meio de uma reunião, de um poema
Vem, depois de eu te pedir  p´ra partir de mim e voei
Voltei melhor, meu bem, eu sei:
Os ventos calmos e as marés ensinam. Isso é bom. 
Existir é mágico, mas é preciso escolher como viver:
Acolher e imaginar a vida como gostamos de sentir e nos sentir
Pensar no segundo como um projeto em composição
A vida, afinal, é isso: um quebra-cabeças delicado 
Que montamos lentamente a imagem e a percepção
Mesmo assim, tu vens, tentação:
Quando acho chato um riso ou opinião
Quando te vejo distante, em meio a uma multidão
Ah...como é feia a comparação...
Vem no entremeio, quando me distraio
De qualquer coisa e de nada, no meio de uma piada
Vem macio e depois vai...sem eu nem perceber
...A lembrança do teu cheiro e de você
 (ah! Contradição do não-querer)

Contradição do não-querer...

#


Conversas com Tomas.



Tomas, Tomas...

A densidade e leveza coabitam
Não tão divididas e nem tão espaçadas
Pessoas não são matemática:
Não há metrificação...

Coração não é licitação:
 - Quem suporta mais a bagunça do meu coração? -
A vida é mais bela e esplendorosa
O dia nasce, o céu clareia, a poesia vale a prosa...

Do caos nasce a ideia de sistema:
O big bang está aí para provar:
A natureza se alvoroça para metamorfosear
 Vida em Beleza!

E esta é uma lógica simples e maravilhosa:

A densidade e a leveza coexistem para transformar
Beleza em paz, caos em razão
- E tudo que, com esta dialética não coabita,
Tende à extinção...-

#

*Este poema é para o personagem do livro da minha vida, Tomas, de 'A insustentável leveza do ser'. Republicado de Jan/2026, pois acessado.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Construção

                            


Ferida,  sou cacto
Mansa, cheia de flor.
Na vida, espinhosa e árida
Na alma, perfumada e cálida

...é assim também no amor!

Esotérica,
Pele com  banho de cheiro,
E, no entremeio,  Bruxa e Artesã: Teço poesias.
Cuidado:

Teço poesias!

Não pude aprender com minha Avó Cecília
As rezas pagãs das benzedeiras
Os místicos rituais, tendo o Amazonas por beira
É um pedaço em mim que jamais se completou...

Então, regatão:

 Resgato um pouco desta magia
Na força da ancestralidade que me corre o sangue,
E brinco com a fina poeira do cotidiano
Aprendo com a natureza  que não há enganos
A semente que floresce é a que plantamos...

E a Bruxa passeia pelos cantos de mim...

Aprendi que é de lágrima
Que se faz um mar, mas é de riso que o Amazonas dança
Cada um com seu próprio movimento
Sabor e  temperança que acomodamos e partilhamos

E que existir é mesmo feito disso tudo: De dualidades...

Ainda criança, aprendi a entender a maré
E a mergulhar nas águas de um igarapé
Como o respeito à sua soberania
Pois  o bom filho da mãe d´água 

Encontra o rumo, pois está em casa:
é, eu estou em casa neste céu azul setentrional que me abraça...

Sigo uma rota tão particular!  Não sei aonde vou chegar
E nem preciso mais desta resposta
Eu já abri as portas do meu coração
E aceitei a lógica insensata de minha imprecisão

Certeza? nem de navegar.

#


É que, no avesso complementar da célebre frase da Frida, eu sou o que mais desconheço. E em tudo que descubro, teço...poesia! Por aqui, dá para saber muito de mim, da fina pele da emoção que me recobre.

LUZ!

Divertidamente Complicados



Vai a Paris.
À avenida Fab.
Corre de mim,
Não corre
Viva bem, meu bem.

 Te quero assim
Sem aparar arestas
Só portas abertas
 Linhas que se encontram
E simplesmente são...

 Me faça rir
 Com o teu jeito doido de tomar café
E escrever ao teu lado no meu blusão mais confortável
Conta o teu lado da cidade
Vai que eu te encontre por lá...

 Me deixa louca, rouca

Não quebra meu coração
Se ajeita um pouco, tentação!
 Conforma o abraço, o passo
 Não me deixa na linha de chegada
Te esperando naquela calçada

Porque tu voltas e eu te quero
E a nossa estrada se entrelaça
Se fica longe, quer se encontrar 
E o coração bagunça
 ...Inexplicavelmente.

#

Eu não gosto do Sr. Big.

Que fique registrado.

Mas fiz o poema para o casal de Sex And the City, porque fiz as pazes com a ideia de que o roteiro de Sex And The City e com a Carrie e o Sr.Big - na imperfeição das coisas como são.

Quanto às geografias. Amo escrever sobre meu lugar e brinco com a Salvador Diniz ou a Fab. São minhas linhas imaginárias da infância...

*Republicado, pois acessado.

Reconquista

                      


Dessa vez,
Não tirei tua escova do lugar
Nem joguei teu cheiro fora,
Saí inteira:

nem mesmo bati a porta.

Dessa vez,
Não jurei, não te odiei
Nem ofereci canções de desamor
Não senti medo quando o céu desabou

- A chuva linda, cheia de raios e trovões
em sua fúria natural, parecia redenção...-

Dessa vez,
O dia permaneceu no linear
Não briguei com as horas,
Nem mudei os móveis de lugar

Fiquei quieta, deixei a vida em seu próprio caminhar
se encaminhar...

Dessa vez,
Não usei os lenços da casa,
Nem revirei nos lençóis da cama
ou andei descabelada, de pijama....

...e Eu nem mesmo te avisei!

Em silêncio,
eu me reconquistei.


#

Depois de ver um episódio da segunda temporada de 'A coisa mais bonita', uma das melhores séries do país, produzidas na última década. Sobre ser mulher, ser gente e ser FORTE, sobre emancipação feminina, sobre reconquista, sobre o mundo, que deve girar em torno do primeiro amor...que é (em Cristo -na minha crença, e também...) o próprio.

O primeiro episódio da segunda temporada já diz a que veio, quando inicia com o  o poema do Vinicius , ' a mulher ideal', que  nas letras do  poeta  "tem que saber amar, saber sofrer pelo seu amor e ser só perdão'', e se desenvolve para levar à mensagem forte e maravilhosa de ''Vaca Profana'', do Caetano:


"Respeito muito minhas lágrimas
Ainda mais minha risada(...)
Vaca das divinas tetas
derrama o leite sobre a minha cara
e o leite mal na cara dos caretas..."



* Republicada de Junho/2020,  feita logo após a série, republicada agora porque acessada e gosto desse poema.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Suporte

 

O peso do cristal
A linha fina do silêncio
'Metal contra as nuvens':
Língua afiada, guardado punhal...

Muito prazer (pode até ser)
Que faz doer (é só dizer)
Ou leve...leve...de flutuar...
(Acende)

A carne quente
Máquina ativa, nada cativa
Escrevendo emoções em brasa
...ah! o par de asas...

Suporte:

O leve do algodão: Emoção...
Paixão...bolha de sabão! Magia.
A química da razão...ah! a razão:
Sentir é uma decisão.


#

*Para a Diaba Vermelha, que faz parte do meu suporte como gente (E que dorme no meu umbigo, guardiã que é das portas do inferno da  Bruxa e da Lua que não dorme). Afinal, é Lispector quem diz...existem pedaços nossos que não merecem ser corte, pois são estrutura.  

Ensaios sobre a Diaba Vermelha, a Bruxa Ruiva e a Lua que não dorme! (Filosofia do Boteco e uma confissão)



Quantos apelidos tu tens?  

Já percebeste que os apelidos - muito mais que os nomes - são o nosso espaço emocional nos céus dos nossos afetos? ou nos infernos. Pois bem. Eu tenho vários apelidos.


Sou Jaici, para meu titio. Ou Copinho de Leite. Desde gita, sou flor de abril, para papai. Ou natureza. E, no ápice, sou a ‘Bruxa/Bruxinha’. Foi papai quem me explicou o poder de ser bruxa, discernindo com didática da ideia de maldade – estas, chamava de fadas más.
Para Rosângela, sou flor. Para Ester, sou anjo ruivo. Ou flor ruiva.
E tem quem me chame...de Bruxa Ruiva, Feiticeira ou... DIABA VERMELHA.

 (hahahahhahahahaha)

 O fato é que, risos à parte, essa galera toda aí em cima sou eu. O curioso disso é que, essa semana, conversando com um amigo, ele me disse que, para 90% das pessoas, sou apenas os demais adjetivos e para 10%, a tal DIABA VERMELHA. Senti no seu tom que queria dizer que eu escondo a dita ,de ti, que me lê. Eu ri. Não tenho mais toda essa expansão da Diaba.  MAS ELA ESTÁ AQUI.

Hoje tenho só 1% da DIABA , só  não mexa com a potência dessa porcentagem, afinal, eu não me decifro muito, mas também já não me 'mordo' ou devoro tanto assim (alô, Minotauro!) 

Essa memória - da Feiticeira ou da tal da DIABA VERMELHA -  me lembrou que o inferno, o céu e nossa natureza sempre foram parte da filosofia, da psicologia, da poesia...e do Direito, pois o mítico e o literário, o filosófico e o religioso flertam desde sempre.  

Sua etimologia vem do conceito de ‘Daimons’, que aliás, não é unificado, tendo referências extensas em Homero, Platão (que o atrela a Sócrates) e até mesmo na mitologia, na representação do Olimpo Grego, como Afrodite. A figura é analisada também na psicologia, por C.  Jung.

Na poesia, desde Homero, Daimons são...uma força – seja uma divindade ou um evento natural inexorável.  Ambíguos, bons ou maus. Uma voz, uma luz,  uma energia, consciência.  C. Jung menciona Daimons como uma força psicológica autônoma,  atrelada ao inconsciente, realizadora de vontades, confrontadora do ego. 

Para o Willis (Santiago Guerra Filho) – o filósofo mais incrível do País!!! -  os Daimons nos ajudam a compreender até hoje...as decisões humanas. O tal ‘impulso trágico’ que constitui a poesia, a filosofia e o Direito, pois parte da essência da humanidade: tudo tem muitos lados, somos um vértice...

Dos tempos idos até aqui, o termo Daimons e Demônios – terminologia derivada -  possuem uma fusão perigosa.  É que associamos os demônios  à Lúcifer, o tal inteligentíssimo anjo preferido do Criador. Enfim, o Diabo. Aquele que decaiu, na mitologia Cristã. O cara que hoje guarda as portas do tradicional inferno.

Entre mística, bruxaria, inferno e poder também temos outra coligação esquisita com a perspectiva de Potência/ Força. Pura lei da física unida à metafísica. Ou seja: tudo é direção.  Aliás, a teoria poiética do direito e a do Direito Quântico, do esposo da imortal Lygia Fagundes Telles, o renomado Prof. Gofredo Telles Jr, bebem desta perspectiva.  Carl Sagan concordaria, pois diz que somos mesmo...é poeira das estrelas. Força! Potência. Magiaaaa da física. Composição. PODER!

Por isso...

A Lua que não dorme e a Bruxa Ruiva põem a Diaba Vermelha para dormir lá no meu umbigo. Há tempos, elas negociam espaço e as duas primeiras ganham. Mas, ela ainda está aqui...e quer saber? já me tirou de enrascadas, já virou esquinas, já bateu portas e demitiu pessoas do meu coração. É, ela fez e aconteceu, e eu – a administração –  lidei com as consequências. Respeito seu impulso inaugural de colocar fogo no parquinho, no circo e no hospício - tudo ao mesmo tempo. É, a DIABA VERMELHA, já “ set fire to the rain”. 

Eu tento não jogar jogos vorazes. A Diaba Vermelha jogou e zerou o game. Sei, foi válido, pois nesse caminho, tudo foi poesia, piração e humanidade latente. Emoção sem métrica. Luz e poder ultrajovem: poesia na boca da noite, como diria Drummond!

A Diaba Vermelha, seu senso de força e seu gênio de lâmpada queimada precisam existir para salvar a Lua que não dorme, sua delicadeza, livros, metáforas... do seu medo de viver. A Bruxa trouxe a Lua e a Lua põe a Diaba para dormir, cotidianamente, com as canções de ninar de quem teve casinha na árvore, brincadeiras com os passarinhos, quintal cheio de flor de maracujá...

Não me preocupo em ser tanta gente. Teria  medo é de ser pouco.  Tenho medo de gente linear: elas sim, escondem algo.  Eu não escondo: apenas guardo. Sei, inclusive, que posso ser mais...

Por isso, gosto da Diaba Vermelha, ela já não me assusta. É um Daimon. Então, cuido bem do meu 1% e não uso sua expertise em qualquer esquina. Porque até o veneno apura (aviso). Ela dorme e descansa no meu umbigo, pois a LUA gosta de felicidade.  A Bruxa gosta de magia. De poções que não matam...e sabores adocicados. Elas seguem à risca o tal manual anti-b.o.

A Lua cuida de não ser tão curada a ponto de se tornar cinza. Um ser normal, sem multicolorido, seria uma pávida tragédia. Essa piração interna sustenta a órbita. A Lua e a Bruxa sabem que, as portas do seu inferno são cuidadas pela Diaba Vermelha, que vigia quem pode chegar ou quem precisa ir para ‘os quintos’. Alguns, apenas da mais completa ignorância.


LUZ!  
ASSOMBROS!

#

Observação 1: Não uso IA para compor imagens, pois respeito muito a propriedade intelectual e há um debate enorme nas artes acerca da apropriação da matéria humana pela replicação de padrões em IA. O lance é extenso.  Também não reviso textos por esse mecanismo, pois isso sim, acho uma desonestidade artística e acadêmica. É puro respeito à condição humana. Mas essa imagem eu ganhei, é minha exceção, porque está...'eu'.

*Republicado, pois é a coisa mais acessada do mês. Gratidão!


terça-feira, 21 de julho de 2026

Astronauta em mim


O meu infinito
É um conjunto de sorrisos
E a minha força 
Reside em tudo que acredito...

Entre o arco íris há um pote
De cor a mais : Um dia encontro!
Amanhã ou um dia a mais.
Tanto faz...

É, já não conto os segundos
Aproveito a dádiva de existir
Estar aqui, filha da chuva
Sem máscaras,sapatos ou luvas..

Não me perder no jogo de espelhos
Manter a velha fé, cumprir a sina
Seguir e aquietar a pulsação 
Sustentar meu coração de menina! 

#

*De 08.03.2016, republicado, pois acessado.

Vamos FARMAR AURA , falar de Ultraviolência, Ultraprocessados e Ultrapassados: OVNI´s em Macapá! Existe vida em Marte? (Filosofia do Boteco da Lua)

  " E existem muitos formatos
Que só têm verniz e não tem invenção
E tudo aquilo contra o que sempre lutam
É exatamente tudo aquilo que eles são...''


Tu és um modelo ultraprocessado em forma de gente.
Sabias disso?
Vou ao conceito:

"Ultraprocessado são formulações industriais prontas para consumo feitas com ingredientes extraídos de alimentos ou sintetizados em laboratório (como corantes e aromatizantes). Eles passam por várias etapas de processamento e contêm aditivos para imitar a "comida de verdade", sendo associados ao aumento de doenças crônicas"

Sabes quem fez esse conceito para mim, extraído da Academia Brasileira de Letras - e que eu poderia citar, por desonestidade literária? A IA. Mas por respeito a ti, que me lê, consultei o site de referência e está condensado, mas verdadeiro. Leia o texto integral aqui: https://www.academia.org.br/nossa-lingua/nova-palavra/ultraprocessado.

Bom, nós também somos formulações industriais condensadas, firmadas e alimentadas pela estrutura carnívora e canibal do capitalismo mais selvagem e ilógico, essa máquina de engolir gente. Todos sabemos disso. Criados para reproduzir 'Sísifo feliz', na busca eterna por prazer enlatado, vendido na forma de status, poder, grana, beleza,etc - tudo isso, conceitos ultraprocessados de sucesso e felicidade.

Por isso, eu me sinto confortável em ler distopias: Essas pessoas previram o grau de violência a que chegaríamos, não porque não viviam a violência, mas porque a vivenciavam sim: em graus diversos, a mesma perversidade.

Bauman, em 'A era do medo' - menos conhecidinho do que o seu livro popstar e a teoria popstar da liquidez, falava sobre a idade média exatamente nestes termos: MEDO, pavor. A modernidade ultraprocessou o MEDO e anestesiou nossa condição humana, sintetizou nossas relações e  fez com que a gente goste de ser o que eles queriam...pessoas-máquina. E, na narrativa de um passado pavoroso, ela nos amedronta e faz pensar que estamos bem, nós aqui, vivendo 1984 em pleno 2026 enquanto pensamos que 'farmamos aura'. O MEDO antecede a LIQUIDEZ e é a solidez de sua (in)concretude.

Afinal

'Quem controla o passado, controla o futuro. Quem controla o presente, domina o futuro'


O que me recorda essas novas gírias do momento...e o quão parecem inofensivas. Mas foram feitas em laboratório, é óbvio. Ou achas que a expressão SIX SEVEN nasceu da periferia do nosso País, que não conhece tanto de cultura anglo-americana assim para compreender o tamanho da dominação cultural das elites e a velha relação de dominados e dominantes expressa uma simples 'gíria'? Aliás, 1984 fala do crimepensar, naquela língua maquinalmente produzida para reduzir expressões e ...significados . Tudo tão angustiante.

Outra velha angústia que exorcizo agora: fui comprar carne no supermercado e ela estava ROSA. Rosinha, como a pele alva tão descrita nos romances que acabam com a estima de 57 milhões de mulheres pretas e pardas desse nosso país racista, misógino, homofóbico e fodido que xinga argentinos de racistas (não que eles não sejam) - perdoem a perda do prumo.

Sim, carne rosa e sem sangue, muito limpinha. Pronta para não ter gosto de NADA. Para servir para a balança que mede 120 g dos malhados de academia e não sujar a roupa daquele que trabalha e chega tarde para cozinhar. Aquela merda sem gosto que levei para casa sabendo que estou tão perdida quanto todo mundo, aqui.

E eu e tu sabemos que o corpo humano já possui elementos de plástico até no cérebro. Dizer que isso não é mutação de orgânico para ultraprocessado é bobagem. Puro otimismo. Os tempos nunca deixaram de ser o que são: velozes e vorazes.

Não digam que estou ficando velha e repetindo um papo cliché. Se bem que, é: talvez esteja. Todos os velhos repetem coisas bonitas do passado e esse é um jeito torto de sobreviver à mediocridade nossa de cada tempo, nunca menor ou maior: são hipocrisias reinventadas.

Se disso tu achas que não nascem movimentos como o Bolsonarismo e essa gente toda que quer ser salva de seus próprios pecados - a mesma lógica irracional do NAZISMO e de todas as grandes tragédias da humanidade, apenas não me leia- não tenho mais tanta paciência para debater, a não ser em sala de aula - aonde ainda rego sementes e sou regada por elas.

E eu não trago muitas respostas, neste texto hostil, que mais parece uma metralhadora de angústias. Na verdade, nunca traguei nada e nem precisei para ficar maluca e sinceramente não guardo opinião de quem faz isso para se salvar desse sentimento abissal que é se perceber humano.

A poesia me salva da ideia de tempos modernos, por cerca de uma hora e meia, ou o tempo em que demoro a acabar um livro bom...ou por 5 minutos daquela música que me enternece...beijar e abraçar alguém que amo, sabendo que somos uns enlatados gostosinhos...sei lá. Quem sabe com um pouco de sabor.

Eu só queria mesmo um jeito de não ser um produto ultraprocessado e colocado na bandeja, para ser consumida pelo tempo, entre gírias de laboratório, tônicos para crescer músculos fantasiosos, legumes nascidos  milagrosamente cada vez maiores e conceitos resumidos por IA.
Mas estou esperançosa, pois ontem um OVNI foi visto dando uma voltinha pelas bandas de Macapá. Será que existe vida em Marte?
                                                                                      #



Faz silêncio no meu coração como um rio parado...



 Faz silêncio no meu coração
Como um rio parado 
Sentir e espelhar a paisagem:
Luz e assombros...

O rio 
Parado
Vira enquadro
E celebra as sombras que desenham imagens em sua tez...

O rio acredita em visagem, pois sabe
Que a vida é mais do que a ilusória concretude da Fab ou da Paulista
A vida é equilibrista
Que brinca com as disparidades...

- Complementares?

Luz e (a)ssombros...

Sombras sob  a tez líquida da foz:
E um sol de lascar a alma, arde, aqui, em Macapá.
Faz silêncio no meu coração
Como um rio parado: Que dorme.

- O que será que ele diz?

#

Fiz esse poema após reler 'Um pouco além do Arquipélago - Onde acho que Deus mora' ontem, antes de dormir. Que baita incrível sorte existir no mesmo planeta que o Canto. 
Poema de 21.06.2026.

Aceleração!



 Eu corro muito para dentro de mim:
Da poesia que nasce, sutil, feito um riachinho,
Escorre...
Por isso, sou de fáceis lágrimas e sorrisos.

Eu me apaixono tanto! Por livros, arte, poesia, filmes, palavras, cheiros, percepções
Pessoas, não - estas, conto nos dedos da primeira mão.

Calmaria externa, piração interna: 
Sempre em busca da próxima dúvida
Qual o peso de todas as formigas que tem no universo?
Porque quem fala a verdade é tido como neurodivergente?

O que então, afinal, é ser gente??? 
Normal...que palavra perigosa (perdoe o tom jocoso na prosa)

E a canção não para de bater como pingos de água na caminha cabeça:

" De um lado esse carnaval, De outro a fome total...ôôôÔô...''

Falo tanto em amor: esta é a minha revolução geoeconômica, política!
Não esquecer o que importa só porque querem apagar meu coração
Com propagandas, compras, conceitos tolos, como 'status'
Ou próxima gíria do marketing explicando a felicidade para gente infeliz

Entorpecida do próprio fedor de cera, pus, excrementos - debaixo de fino verniz.

Respira macio comigo, pois nem todo mundo é assim: voltemos ao poema
Lugar aonde ainda vibram as coisas doces...

Pois há  quem sobreviva a esta morte em vida
É que tem gente p´ra caramba neste globo maluco - sempre fatal
Tanto barulho, tanta geografia, Métrica, cálculos de aritmética! 
Nada ideal.

Nunca fiz este estilo: nunca calculei o peso de ninguém
Porém...eu já tive um grilo e ele se chamava 'João'
É isso que queria contar de mim para ti, 
Hoje. 

Faz sentido? ...

A minha visão de sucesso depende
De quanto amor, afeto ou paixão podes partilhar
De quanta gente já feriste para alcançar teu pódio particular
Das coisas que és capaz ou não...

Corre na tua veia que tipo de aceleração, afinal?

Por quem teu coração acorda, o que te causa alegria
O que tu contas a Deus*  no fim do dia?
Será que ontem, falei do que verdadeiramente importa?
Nestas horas a gente nunca sabe qual é a porta para chamar de oração...

Deixo as pedras rolarem ciente de que, afinal, não há negociação:
Existir é difícil como engolir uma dose de cachaça em jejum
Afinal, mesmo Sísifo aprendeu o sentido real e comum da expressão
 'os deuses vendem quando dão'

E, apesar de parecer confusa, 
E nunca ter entendido a racionalidade da raiz quadrada da hipotenusa
Trago uma carta final na manga e ela é meu real (t)alento:
Eu sei que já me perdi ... faz tempo!



#


Este poema foi propositalmente feito sem conceito estético.
Tenho tido severas crises existenciais acerca do conceito de 'conceito' para arte ou produção literária.

*Republicado de 15.07.2026, pois é o mais acessado do momento.