quarta-feira, 13 de maio de 2026

Densidade Poética do Bem Viver (Por Maria Ester)


Só queremos viver:
Nossos sonhos, 
levezas, 
luz,
Realidades afeitas de delicadezas.

E os sonhos,
ah, os sonhos!

Não queremos ter o 
que não temos,
Queremos o bem viver...

A Escola leva tempo e o tempo é uma Escola.
Passo muitos sufocos,
tento não sufocar ninguém,
mas
nem sempre consigo...

Às vezes marés, às vezes rios,
Às vezes uma lagoa fechada e
quase sempre este riachinho serelepe que vos fala nesta reunião de covens.

Lembre-se:
Nesta densidade poética da Vida,
Esforço, às vezes, não é força.
Tua presença transforma escuridão em luz!
Tua voz é leveza e uma força ímpar!

Tua delicadeza é a própria proteção.

Tua energia é encantada e tão única...
Eu a amo.
Amo como amo os amanheceres pintados por Deus!
Histórias todo mundo tem.

Ah! Filhos! 
Ah! Mães!
De onde vim trazem você para você.

E se não tem história ainda...
Comece agora. 
Já!


#


Maria Ester é tanta coisa que fica difícil dizer. Mas é meu anjo loiro, irmã, alma espelhada
... e uma das poetas mais incríveis que conheço. Ela me enviou esse poema cedinho, mas eu não tinha conseguido revisar a crônica. E eles conversam lindamente.

O Manual Anti-impacto NÃO existe: E o que você vai fazer com isso? (Filosofia do Boteco da Lua)



 Ligo para ela*

Eu estou emputecida da vida e com vontade de contratar um caba- do- olho amarelo para resolver um ódio recém-passado, mas gosto muito do meu réu primário para perdê-lo por idiotices.

O que acaba de me acontecer é inusitado.

Explico.

Há dias atrás eu presenciei alguma das conversas mais grotescas  que já ouvi a  respeito de outros seres humanos (e olha...eu sou advogada criminalista há coisa de 15 anos, mas aí são outras ondas). Ouvi um ser humano do tipo homem-hétero-otário tecer considerações sobre detalhes de um corpo humano (vide, uma mulher que-sequer-deve-saber que seu corpo esteve em uma 'roda' de análise).

E ouvir esse ser tecer considerações sobre 'a garota', 'namoro', 'vida' - se é que isso existe nesse tipo de mentalidade. Mas, nada disso me diz respeito propriamente. Eu APENAS ouvi - como se isso já não fosse uma violência, independente de sobre quem. E ouvi quase-sem-querer, pois nem mesmo era interlocutora (Graças a Deus, mesmo porque eu jamais seria).

Bom, apesar de muito impactada na hora, o fato é que esqueci o evento por alguns bons dias. Mas o que me embasbacou foi: hoje, eu estava em um café debatendo estratégias de uma análise e muito concentrada a respeito, quando vi essa figura andando pela 'rua' do shopping com uma mulher, a quem conheço de outras alucinações, nessa paisagem chamada vida. É uma garota legal e, embora não seja minha amiga, me parece ser uma pessoa boa...e fiquei triste pensando no quão magoada poderia sair daquele tipo de des/conexão com aquele tipo de des/figura(do)  - risos.

 

E a situação me pegou ainda mais, por uma questão: tenho dificuldades de achar pessoas ruins e já fui chamada de inocente por isso, algumas vezes. Mas a verdade é que deixo que as pessoas, com suas atitudes, me contem quem são. E não permito que elas quebrem a minha ternura - por isso, continuo a crer, mesmo quando contradizem minha fé inicial. 

Apesar disso, sigo à risca o manual anti b.o e ele dá certo, na maior parte das vezes. Mas eu também me engano e a mocinha à minha frente - certamente uma mulher adulta - parecia inclusive nem perceber a cilada. Senti uma súbita empatia.

Pois bem. Ocorre que essa pessoa passou com aquela-menina-legal (até onde sei), e na passagem me olhou bem nos olhos. E foi involuntário pensar: gente assim existe mesmo. Não é feito aquele personagem de 'O amor é Cego', o Maurício, que com seu rabinho escondido ficava a medir a beleza e o potencial de perfeição alheia. Eles circulam entre o meio, como se fossem gente. MAs eles são horríveis, pior: ELES FEDEM (ahahahahahahahahah).

Chego em casa, tomo uma BOA TAÇA DE VINHO e penso em  Sex And the City e na personagem Carrie falando sobre a morte do amor em Manhattam, nos anos 90 - isso tudo enquanto escrevo essas-mal-traçadas-linhas. 

 


Será que ainda existe amor em Eme- cê- Pê? 





Bom, falo por mim e vou seguir a dizer. A vida foi legal comigo, mesmo quando não. Tudo que teve um sincero impacto na minha existência foi permeado de significado ... e muita, muita beleza, arte,leveza e densidade. E isso me fez discernir bemmm o que é para mim.  É uma baita sorte - e sorte é sempre Deus.

Mas, naquela hora - da ligação - eu não conseguia pensar nessa sorte. Mas sim no baita medo de que gente desse tipo tenha promovido a morte do amor, com suas atitudes: baixando tanto a régua, fazendo corações com ternura perderem um pouco do viço, diminuindo a profundidade das águas limpas, sendo apenas um pocinho raso de baixíssimos valores, reagindo à vida como se suas 'presenças' fossem um 'presente de Deus' (Dizem que o inferno tem as portas iguais às do Céu...risos).

E isso me recordou também outras formas de gente escrota. Gente que não cumpre seus acordos, a não ser que tenha consequências. Que mente e aperta mãos, até que possa puxar o punhal. Gente que deixou de ser coerente com suas paixões e promessas à Deus...gente que deixou de pensar no quão falha é. Isso me inclui e te inclui, certamente,porque 'ninguém aqui é puro anjo ou demônio'. E todo mundo é um pouco 'o cão'.

Enquanto falava com ela* , na ligação,  comentamos o quão é uma pena que ninguém venha com um SELO DE B.O na testa, ou escrito: SOU ESCROTO. Escroto mesmo, porque mesmo a palavra medíocre vem de mediano...e gente assim não cabe em outro adjetivo. Sei que nenhum de nós escaparia de usar esse 'selo' para alguém, em algum momento.Mas tem gente ...

O fato é que a gente vai coabitar e (co)orbitar e até colidir com esse tipo, vez ou outra, pois não temos evidências de que estamos na Matrix e pior: Não temos uma Matrix diferente para cada tipo de programação pessoal - É UMA PENA!  Quanto à minha preocupação de origem - a da ligação - restou torcer por aquela mulher em rota-de-colisã0. E para que ela tenha conexões significativas o suficiente. E com isso, retomo à Sex And the City e às conexões reais.

Não, Carrie:  O amor não morreu em Manhattam e certamente não morreu em Macapá. Ele está todos os dias nos ligando uns aos outros, promovendo encontros e salvando a alma de ser pedra. Ele está em quem escolhemos dizer 'você me importa', em quem pensamos em ligar para contar como foi o dia, em saber se está bem...nas pessoas que nosso coração pensa, ao acordar. Afinal,  a alma sabe mais do que a consciência ( Lembra de 'como se fosse a primeira vez?).

Está nos risos e piadas, nos lanhos e batalhas, nos abraços e canções que escolhemos como nossos.  Nas imperfeições com que queremos e podemos conviver. Está em...permitir-se ser alcançado, mesmo que isso signifique arriscar.

É, o Manual Anti-impacto não existe.

 Mas o antifrágil ...SIM!


#

*P.s1: Vocês já sabem quem, a ligação foi para a santa da minha melhor amiga

*P.s2: Eu continuo frágil, no sentido Belchioresco.

*P.s3: Isso aqui não é videogame, mas tô virando biscoiteira com esse negócio de crônica, de tanto que me acessam.

*P.s4: Eu sei, a pobre da moça anda por aí, desavisada. Pior é ele, que acorda com ele por dentro, todos os dias. :P

terça-feira, 12 de maio de 2026

Quebra-Cabeça(s)



 Não
Vale
à pena
Um
Poema
Entre 
Cortado(s)

Não 
Cabe
Em 
Mim
Versos
Moídos
Mastigados

Não 
Caibo
Em 
Espaços
Laços
Conceitos
Apertados

Eu levo tempo,corpo, cheiro, verbo...elos, sentidos:
significados!

#

Tive contato com a teoria do "Objeto Parcial'', de Lacan. Eu adoro Lacan, aliás. E Jung. 
Fiquei DOIDONA de poesia e aí está. EU AMEIIIIIIIIII esta construção poética.
Mudei o nome de 'Objeto Parcial' para 'Quebra-Cabeça(s)' porque ...TUDO é objeto parcial' - veja que ironia. E penso que o poema perdeu parte da ideia de ...significados. 
Isso porque nós também somos objeto parcial de outros quereres e fazemos do outro sim, o nosso objeto parcial - a projeção do desejo do que queremos que seja. O 'recorte'. 
Dizer que eu ou você vemos o outro na sua integralidade é uma grande bobagem. Não vemos. 
É impossível tocar, de verdade, o todo até do 'eu', imagine do 'outro'.

No meio disso tudo, as peças se (des)encaixam e... tudo faz sentido.


HUMANA!



 Trocar duas lâmpadas da casa
Reunir às 10, às 14, Dançar às 16...
Me manter um indivíduo que se move pelo coletivo
Caminhar...

Prestar atenção nos meus carinhos,
Nos laços amados que compõem o meu destino
Seguir, lenta e feliz, sem saber de quase nada...
Descobrir um novo cheiro:  Flor de laranjeira fica bem com chocolate?

Encantar meu coração com o fim de tarde...

Rir muito, sobreviver ao caos:

Soberana soberba: Trump anuncia uma nova megalomania
Enquanto a rádio entoa uma 'super mega operação'
Valores em liquidação: Estado, poder...ilusão!
Santo Deus...

(Parece que ninguém nunca ganha, afinal)


Cuidar do meu pequeno incrível milagre:
Uma flor com  olhos de céu
Que se derrete em inocência e afago
Perceber, nessas horas, o quanto sou meu melhor lado...

Salvar meu coração de ser líquido: 
Sem jogos mentais, plural ilusão!
Sentir, sentir mesmo tudo que a vida evoca
 No individual, sem coleção...

.. o 'eu' já é um festival de emoções que dança, colore,  comove e toca...

Debater política, músicas, livros
Pegar um filme às sete, falar de profundidades, mas também trivialidades
Amor, humor, arte ...e algumas  outras coisas que valem o poema...
...me perder! aceitar a ausência de direção...

Não ser refém de nenhuma forma de sentir, mas sentir muito!  
Sarar sem machucar ninguém...
Achar que já não sei de nada, nem mesmo quem sou
E, surpresa até, me reencontrar aos poucos...

...Afinal, qual o sentido disso tudo?


#
Estar aqui nesse planeta é meio caótico para todo mundo, de um jeito diferente.
Esse poema foi incrivelmente acessado, nos últimos tempos, por isso está republicado de 07.05.2026.

Ah...sejamos assim...tão humanos e tocáveis, tão plurais e acesos para a vida...

LUZ!

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Pequenas Notas sobre o Tempo


O tempo é uma invenção!
Uma ilusão de óptica
Vitrais coloridos
De um mesmo ser...

É multiplicador e divisor
de distâncias
Sua balança inexata
Pende...

'O tempo rege o ato'
Na metáfora perfeita do jurista
E o ato engole o tempo
no inverso do avesso do escasso dia a dia...

O tempo é sempre presente
Mesmo quando passado
Afinal, mais do que carne e matéria
A memória é sua espaçonave.

#

Republicado de 2017, pois acessado.
O tempo é cada vez mais um bom mano velho...viaja mais macio no correr das marés...





Revisado e Acrescido: Nessa torre de Babel, barquinhos de Papel! - Um Manual Antifrágil? (Filosofia do Boteco da Lua)

 


Voce já se sentiu frágil, confuso?

Já teve a sensação de que fala uma linguagem que o outro não ouve? Já ficou à deriva...ou, deslocado, em um certo tipo de ambiente ou emoção?

 tsc,tsc... Sei que sim. 

Bom, começo esta crônica pelo fim: Nessa torre de babel, procure os barquinhos de papel que viajam contigo pelo tempo....e navegue! 

Mas... o que isso tem a ver com o livro antifrágil, do Nicholas Taleb?

Bom, é que a vida é...dura, meu caro, minha cara. A vida real é 'incronicável' - não passível de uma única descrição cronológica. A vida real é indiscreta. Faz pirracinha de nossos medos facilmente. Envolve suor, sangue, saliva e excrementos - que são a menor das merdas por aqui(risos). A vida real é forte e pode facilmente nos fragilizar, quebrar...fazer picadinho do nosso poeminha feito no papel de pão: E nem essa descrição faz seu mister real.

Parcamente descrevo um dedinho da prosa toda, que nem mesmo entendo. O conceito de 'torre de babel' se encaixa direitinho nisso aqui: a gente pensa que quis dizer, mas não disse como deveria. A gente perde o timing e parece que, às vezes, perde a dose... desentende, ou entende parcialmente. A fala é um mistério - o silêncio mais ainda. E a escrita, então...ah! nem me fale.Eu e tu entendemos isso já tem tempo, se você lê a plataforma blogspot (risos).

Essa semana, na loucura da vida, comentei com minha melhor amiga (o ser humano neurotípico mais incrível do planeta - digo sem medo) algumas características minhas que me 'isolavam' e como isso poderia ser por 'aquilo'...(me deixem, não quero falar sobre a respeito).

Mas o fato é que mencionei como ''isso-tudo'' me fazia sentir numa torre de babel, flutuando em um imenso rio de muitas marés, navegando perdidinha. Ou melhor, deslocada e ...eu estava preocupada em me sentir assim

É que terminei recentemente o livro 'Antifrágil' ( literatura que comprei por pura afronta ao título...''afinal, como ele ousa falar das coisas frágeis?'') e ainda sentia certas dúvidas sobre como vou sobreviver por aqui, se a tese do autor é justamente que o frágil não resiste. E dizia Bel:

"Meu coração, cuidado, é frágil...''

Mas acontece que o livro transformou demais o meu conceito de fragilidade. Explico. De forma quase didática, de tão moderada, o autor aborda que as crises (ou as quebras, cracks, etc) produzem novas possibilidades de articulações. Literalmente, produzem novas forças da fraqueza. E a fraqueza de origem se transforma em força: o Antifrágil.  Não confundir delicadeza com fragilidade, Jaci! - Anotado. E não confundir antifrágil... com rigidez.

Tu que me lês, aí do outro lado... não se egane. Antifrágil não é uma literatura de ajuda própria (algo que também valorizo muito e considero inteligentíssimo). Mas é que o livro tem uma proposta muito diferente. Longe desse viés, a narrativa muito racionalmente reproduz circunstâncias em que o caos e a desorganização produzem novas formas de ...coerência. 

Bom, voltando à conversa com minha melhor amiga: o curioso disso é que eu estava tão preocupada, 'emaranhada' e cheia de questões quanto a certos 'issos' ...mas, só de chegar perto dela para falar das marés da vida nessa imensa torre de babel, e...zaz! meu sistema nervoso desacelerou e consegui falar com clareza a respeito de tudo: 'contradições,fissões, confusões' - ou seja, as coisas pendentes na minha setlist emocional. E fiquei mais confortável do que estar dentro do meu moletom favorito, em dias de chuva.

Depois de risos, cafés abraços e algumas lágrimas, ficamos algum tempo em silêncio, ela vendo série...eu viajando por dentro de mim e tirando a concentração dela, vez ou outra, ou...apenas quietas, praticando a linguagem da presença. Como sempre foi, desde os sete anos de idade.

Vim para casa tão normal - e eu nem acredito em normalidade e desconfio de quem se autointitulaÉ...realmente acredito que estamos em uma torre de babel que flutua em um imenso rio de muitas marés. Mas existem certos alguéns (as nossas almas-espelhadas, emprestei o termo) que...falam a nossa língua e até nossos silêncios. Falam conosco mesmo quando a gente tem um-monte-de-gente-dentro-de-nós, falando até dinamarquês ( Quem não tem?).

Algumas pessoas que nos fazem ser...mais humanos, densos e suaves, malucos e aquecidos, felizes, felizes mesmo, em ser quem somos. Família, amor, amigos...estes alguéns podem estar em qualquer um desses círculos - ou até mesmo estarem em uma breve fenda no tempo com para nos alcançar ou para que as alcancemos.

Há quem se conecte conosco sem a fala. Nos sentimos ligadas, 'eletrificadas' ou magnetizadas confortavelmente... pelo olhar. Pela piscadinha. Pela respiração...eu chamo isso de 'LIGA'. Existem alguéns que são lugares, que respeitam a nossa singularidade de forma tal, que nos fazem entender que, ser normal, na verdade...é ser confortável perto do outro. Que delícia de emoção: ser confortável em falar uma língua diferente dentro de uma anormalidade singular. 

Sei que, ou tu pensaste aí nas tuas pessoas, ou pensaste apenas... 'essa doida é doida mesmo'.

Mas ...  isso faz sentido, de verdade: existem pessoas que navegam conosco a existência, 'a dor e a delícia' de sermos exatamente...quem somos. Por nossos valores  e também por nosso 'valor'. Mas não só isso...por ALQUIMIA QUÂNTICA, singular. Algo único, elétrico, especial, que nos interconecta...o tal 'fio vermelho do destino'. Não falo só do amor romântico, não (embora eu deseje para ti e para mim essa sorte). Falo de... laços. 

São encontros reais, confortáveis e singulares que falam uma linguagem universal: A do afeto.

Já não ando tão preocupada em continuar delicadamente 'quebrável', no sentido de ser sensível às coisas da vida, pois sei  que o caos se reorganiza...e o afeto, queridos e queridas...é a 'liga' mais  antifrágil DO MUNDO!  

Pois afeto é a linguagem universal do Amor. E isso sim, é a verdadeira mágica de existir.

E o meu manual antifrágil, então...é  ISSO.



                                                                                   #




domingo, 10 de maio de 2026

Explicação!

Imagem do filme "Nuestros amantes"

Foi por teu riso aberto
Pela piada de banco de praça
O rastro sutil de perfume
E as confissões ditas 
Antes de saber teu nome...

Foi por tua alma
Doce e dispersa
Apresentada sem metáforas
E o jeito terno e macio
Com que me abraças...

Foi a louca ternura
Com que nos beijamos 
Depois de dividir
No terço do segundo
Fragilidades e ambiguidades de existir

Foi por tu seres assim...

E de como imagino contigo
Em um loop sem jeito
A paranóia vulgar gostosa
De como Bukowski
Chama sua dama ao leito

Foi por tua alma 
Cheia de clichés não-ditos e tuas próprias confusões
Em meio a risos sem sentido
E por nosso Adeus tão demodé
Por quem me apaixonei...

#

" As vezes, quando se escreve um roteiro
é difícil saber quando parar..."  

*Republicada de 30.04.2017, pois foi acessado algumas vezes essa semana.
Frase do filme "Nuestros amantes", que deu o tom e a inspiração a este poema. 
Melhor comédia romântica que assisti nos últimos meses!!! (Naquele tempo)
Assista, se gostar de "paixão morando na filosofia" . :)


Pequenas notas sopre o tempo e a vida



O tempo não anda pra trás (é uma pena)
Mas resolve a rima solta do poema
Deixa o vento livre
pra ser paz...

Na equação mágica da vida
Tudo soma!
brilha, reluz, multiplica
e o resultado é sempre um tipo de alegria...

Por isso, vou te contar um segredo:
Não tenho medo de sangrar...
Que o ciclo perfeito do universo
é um perfeito verso

- Um eterno retornar ao lar...-

A chuva cai...
e a natureza diz
que mesmo a água vive
Um eterno transformar!

E agora eu sei que é de vida, bênção,
 e sopro de amor!
Mesmo o vento que balança
Os cabelos da flor...

(Vida, eu também já sei brotar)

#

Este poema é de 03.06.2017 e foi republicado pois foi bem acessado, nos últimos dias...nessa época, a curva do meu rio profissional mudava e eu com ele...acho que a vida sempre pode mudar, a depender da curva do rio...e eu aprendo cada vez mais a ser água, apesar de me chamar Rocha.

:)

LUZ!




sábado, 9 de maio de 2026

Detesto consertar o que não quebrei! (Crônica do Boteco da Lua - Revisado)




Eu cantava a todos os pulmões 'Desculpe, estou um pouco atrasada...mas espero que ainda dê tempo", quando ----  Crack! ----O som de algo rompendo o transe da canção me atingiu, literalmente, naquele dia 20.11.2024.

Alguém acabava de bater no para-choques do meu carro. Quebrou a lanterna traseira e, por ironia, ainda brinquei "Como o dia em que roubaram o seu carro e deixou uma lembrança''. Poesia à parte, fazia um engarrafamento enorme, do tipo que não se vê em Macapá, em dias comuns. 

Bom, aconteceu. O impacto assustou, mas estava lá. Restava decidir: a) descer e perder o resto das minhas parcas horas de sono antes de uma audiência, b) acionar o seguro (se o dano fosse maior) ou... c) consertar o que não quebrei...não foi intencional, mas fiz o que sempre faço: me retirei, mesmo quando acho que tenho razão (E nesse caso, tinha todaaaa). Foi uma escolha consciente e confesso, um pouco evitativa.

A questão está no que aconteceu logo depois: passei a não olhar para a lanterna quebrada. Ela não existia para mim, afinal, eu não quebrei aquela lanterna e não dei causa alguma àquela quebra. Já entrei com o carro para a manutenção e não troquei a lanterna. Porque ela nem existia na minha cabeça, já que não-foi-eu-quem-a-quebrei.

Até o comecinho desse ano, sequer olhava a lanterna que, para mim, estava intocável e não 'olhável'. Mas foi aí que algo me chamou atenção. Eu seguia 'quebrada', fingindo que não existia, porque não dei causa.  

E claro, a pessoa que praticou a quebra, vendo meu pouco ânimo de arguir meus direitos, fez o que as pessoas fazem: saem sem se responsabilizar pelo dano.  Eis um ponto sensível dessa prosa. É que é difícil para mim entender que, algumas vezes -  algumas pessoas- não são tão responsáveis com o seu erro. Tento mesmo ser bem responsável com o-que-atinge-o-mundo-do-outro. E por isso já disseram que eu tenho 'a retidão de caráter de um Jedi'...faz tempo, mas tenho a felicidade de dizer que meu código de conduta 'não ficou na estrada, preso na poeira'.

O fato é que, de tanto negar a lanterna quebrada, algum momento, precisei mesmo olhar para ela e isso me causou um enorme espanto. E me perguntei quantas coisas aconteceram neste mesmo viés...quantos pedaços meus foram quebrados e eu segui, fingindo que nem existiam? Desde aquela simples lanterna?...

Foi aí que a bendita passou a me incomodar, de fato. Representava minha 'inação' para com o externo - e confesso que eu paraliso um pouco quando as coisas me doem. De tomar consciência disso, foram dias olhando apenas a lanterna, enquanto olhava meu carro. Aquilo sim começou a representar minha ausência de mim, pois costumo me preservar bastante dos 'baques' e impactos e tive muito cuidado em construir a minha paz, que foi feita com responsabilidade, paciência e cabeça no lugar...

Então, por que a demora em admitir que algo estava quebrado? 

Incomodou, incomodou...até que agi. Levou apenas um ano (e meiooo - risos) para que eu assumisse que precisava ajeitar a lanterna. Já o fiz. Hoje a lanterna chegou e amanhã estará no lugar. É...também hoje entendi que vou precisar consertar algumas outras poucas coisas quebradas, mesmo não tendo sido eu quem as quebrei. 

Mas isso me lembrou duas coisas singulares sobre as quebras! A primeira, é o conceito de wabi-sabi - conceito japonês que representa...a beleza da imperfeição, da impermanência. Nada é tão permanente assim que não possa ser transformado...inclusive a imperfeição.  Também me recordou a crônica do meu amigo Rubem Alves, chamada...'Vitrais'. E o quão são singulares os caquinhos montados. E isso me remeteu aos quebra-cabeças,  coisas repartidas para formar um todo...que se encaixa. Foi então que vi profunda beleza e paz nisso tudo.

Bom, hoje a lanterna já está no lugar. Mas, para minha surpresa, os impactos internos causaram uma breve pane nos sensores: Isso é autoexplicativo e muito poético, apesar de uma merda

Quanto às coisas quebradas: Já começo a olhar para cada uma...com paciência. E cuidarei de repará-las ou ...de fazer arte com elas!

#

LUZ!



Ah!...esse lugar explode em acessos com crônicas. Eu sei...eu sei...são mais pessoais. 
Queria colocar uma play toda do Nando, bem fofinha, mas não achei. Fica na linha imaginária enquanto tu lês. 
E, sobre os acessos do dia...Obrigada!

quarta-feira, 6 de maio de 2026

A pior pessoa do mundo! (Uma crônica na vida anacrônica, real e possível)



Há uns meses atrás, assisti o filme 'A pior pessoa do mundo'.

Em uma narrativa densa e emocionada, o filme traz a vida de Julie, em diversos momentos, atingindo camadas, sobretudo, dos aspectos conturbados da personalidade humana e dos relacionamentos... e como, por muitas vezes, nós mesmos nos sentimos - ou somos -  'a pior pessoa do mundo'.

E se você não se sentiu ainda a pior pessoa do mundo, tome cuidado com o seu código moral.

Eu (mesmíssima) por diversas vezes,  já me senti a pior pessoa do mundo. Isso porque, nem sempre, conseguimos agir de acordo com a nossa idealização do que é ser uma boa pessoa. Mas tento fazer o que chamo internamente de esforço do contrário, ou seja: busco ajustar minhas ações ao senso de correto, mesmo quando isso significa cortar meu próprio verso.

É claro que esse sentimento - o de ser a pior pessoa do mundo - nos alcança de uma forma ou outra, porque não queremos atingir o universo de uma outra pessoa de uma forma leviana. É a coisa da responsabilidade afetiva, de nossa percepção e até mesmo...compaixão, para com o universo do próximo. Nem sempre isso é fácil, pois já disse Sartre:

O inferno são os outros.

Mas também, o inferno somos nós,  quando não reconhecemos nossas impropriedades e nossa dificuldade de lidar com o senso de correto do outro. Afinal, ninguém aqui é o dono do código de moralidade de ninguém, não é messmo?

E se você se sente assim, tome cuidado com seu código moral.

O que me recorda que, uma vez, conversando com uma pessoa querida, perguntei: 'Será que essas pessoas percebem que estão sendo 'escrotas'? e ela, muito pragmaticamente me disse que: 'não, elas acreditam que estão sendo as melhores pessoas do mundo dentro de suas perspectivas e códigos morais".

Isso me deixou um pouco revoltada. É, é foda viver em um mundo em que não temos um 'ponto arquimediano' do caráter.  Mas, de outro lado, pensar nisso me convida - e a ti também - a flexibilizar um pouco a narrativa do bom e do mau. Afinal, eu não sou a régua da moralidade alheia.

Isso porque, infelizmente, ainda não dá para ser 'mocinho' de filme de comédia romântica, pois longe da idealização, sou mesmo muito gente: sinto raiva, culpa, desejos de vingança...mas também remorso.

Eu minto também. Quando isso me protege. Mas faço o que chamo de esforço da verdade. Mesmo que seja da minha verdade, para que isso alcance o universo do outro e para que as minhas relações sejam cada vez menos idealizáveis...e cada vez mais naturais e humanas. Mesmo porque, entre meus defeitos, está o de ter dificuldades em pedir desculpas - daí o esforço de tentar não 'errar'. 

E se você não faz , tome cuidado com seu código moral.

Mas também, com a  sua direção. Seu rio vai desaguar em que tipo de mar? ...

Bom, já fui chamada de inocente também, por esse formato. Acho fofo. Mas creio que tudo isso - os códigos de comportamento - são como um moletom quentinho: Nos protegem, nos aquecem e fazem sentir...organismo vivo. Mesmo que seja uma proteção antinatural, pois afinal, 'não quero lembrar...que eu erro também...'

Aliás...essa (ana)crônica é para dizer que, muito recentemente, me senti a pior pessoa do mundo...

E essa é uma forma muito, muito torta... de pedir perdão.


#

P.s: A imagem no fim desta crônica faz menção ao 'retorno de saturno', considerado momento de grande reflexão e amadurecimento, no calendário astrológico. É trazido também na música ''Vinte e Nove, do Legião, em que Renato Russo aprende a ...pedir perdão. :)

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Alquimia



As areias do saara 
Beijam os céus  de Macapá
O deserto viajou no espaço
Para se entregar e virar flor...

Feito gente
Que é feita de poeira interestelar!
O universo é uma poesia nua, pronta para alvorecer
O big bang chegou para a gente se viver...

E lua virou a noite, sublime e molhada
Encheu de beleza a madrugada
E se achega o tempo de cio das águas 
No céu setentrional...

É caloroso e terno o encontro
Quando a natureza é, no espaço
O próprio tempo do querer
A vida fala como as coisas são de se viver...

E é verdade

Que tudo se enamora enquanto a chuva cai:
Areia vira tempestade equatorial
Pois é preciso liquidez: chuva, suor, saliva
Para a matéria fazer sua estranha e perfeita química

Acontecer...
#

Fiz este poema na madrugada de 24 para 25.02 deste ano e se tornou o favorito do meu anjo loiro, Maria Ester. Então...republico.

Havia lido, mais cedo, que as areias do saara estão sobre os céus de Macapá e que esse encontro produz uma alquimia mágica que renova a vida. Feito nós, que somos poeira interestelar (carbono vindo do espaço, poeira das estrelas, diria o Carl Sagan).Isso não é lindo?

Pensar na viagem, no encontro, na alquimia...sob estes céus cinzas. E como o  equinócio das águas sob os céus se aproxima (em Março), a junção virou romance e tudo aconteceu na minha mente.  Que o universo conspire lindamente para tudo o mais, já que estamos por aqui. 

Leia a notícia aqui==> https://www.instagram.com/p/DVFX9etDE6L/


Superpoder!






Minha coluna 
Não é feita de adamantium
Pode vergar quando dói
Meu coração é peso-pluma

No ringue da vida...

Minha emoção
Não tem fator-de-cura-mutante
Precisa de tempo: água...maré...maresia
Para lentamente acomodar...

Sinto como gente - carne, pulsação!
Mas eu também sou  mutável
Uma pintura perfeitamente aquarelável
Desenho pintado de sangue...

Eu não sou um X-Men
Não tenho 'a força que você pensa que eu tenho'
Nem quero ter...
E o meu superpoder

É afeto.

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Este poema é um o produto contrário à tese do Bauman de 'amores líquidos' e surgiu de uma conversa com meu melhor amigo, há um tempo atrás.

Então...é para nós, os que sentem e os que não têm emoções com fator de cura mutante: instantaneamente saráveis. Mas fazemos do afeto  - energia, mente, corpo, emoções -  uma forma poderosa de poder.

Em um mundo de emoções plásticas, sentir e ser real... é o verdadeiro superpoder. <3

*Republicado, pois esse poema  foi muito acessado. :)



Ode às coisas que ficam quando algo vai




 É tão boa e tão simples...tua presença
O tempo voa,a vida vai macia
Como algo tão bom pode simplesmente não funcionar?
É uma pena...

Como uma paleta multicolorida que vai perdendo a cor
Bala de açúcar que dissolve e não renova
A nossa canção é bem bonita e a gente ri de tudo
É uma pena algo assim não funcionar...

A gente encaixa e desencaixa em um segundo
Se entende muito sem dizer e não entende nada dito
Como pode algo tão bonito 
Ser assim, tão confuso?

Eu te quero e tu me queres...
Eu falo flores, tu entendes girassol...ah! desincronia
O tempo passa, eu vou junto
Fica a poesia.

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Este poema está republicado em tempo recente porque explodiu em acesso...tanto poema felizinho para vocês lerem, hein?
Eu hein...
:P

terça-feira, 28 de abril de 2026

Inteira Afeto

 
Sorrio de bobagens
Desenho em nuvens
Encontro nos dias 
Mil motivos para brincar com o universo

A vida é muito curta 
P'ra viver sem amor, humor e verso
Inteira afeto
É só como sei existir...

Eu sou o que sinto - não é confuso, se você prestar atenção
Falo verdades entre silêncios calmos
Nunca sei distinguir máscaras
Acredito na força mágica da palavra 

E no poder dos laços 'metal contra as nuvens'
Que se forjam com o tempo...

Vou caminhar assim:
Pisando leve no universo alheio
Chegando mansa e perfumando espaços
Sendo presença calma ou ausência doce

Distraída pela estrada e cheia de anjos a quem chamo de AMOR...

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Coisas que aprendi em O Mágico de OZ:

"- Vou pedir um cérebro, em vez de um coração - disse o Espantalho - Um tolo não saberia como usar um coração, mesmo que o tivesse.
"- E eu escolho o coração - respondeu o Homem de Lata - Pois a inteligência, por si só, não traz felicidade. E a felicidade é a coisa mais preciosa do mundo"


Notas desta que vos fala: Um cérebro tranquilo pode cair bem ao coração.  :)

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Mágica Presença


Chegaste
E chovia denso sob meu quintal
Colocaste teu corpo para no meu frio para secar
Feito roupa no varal, sol da manhã!

E simples assim, fez sentido estar.
Eu ri de tudo um dia inteiro
Passei meu cheiro no teu corpo e descobri o teu
Começo a gostar de te aprender aos poucos...

Sinto menos medo de te deixar ficar a cada dia
Tua lógica que não entende tanto poesia
Me faz rir e me sentir...normal, simples, natural
De um jeito manso, vou amolecendo aos poucos...

Enquanto a gente vê um filme no sofá
Pede comida ou aprende a cozinhar
Debate sobre tudo e nada ou simplesmente se apoia no cotidiano
Enquanto a gente se apaixona assim, tão devagar...

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Para essa galera linda que explodiu os acessos desse final de semana... SEJAM AFETO!

Uma poesia cheia de mágica presença, porque a vida é louca, mas é mágicaaaaaaa (é do Velho Buck, mas é isso) 



:)

Foi bom!




 Pontilhei teus nomes nas dobras do meu coração
Que não batia mais tum tum tum
Mas o som do teu riso
E foi bom...

Tua presença me reensinou 
O quão é belo sentir afeto
E ele bateu, ciente e tranquilo
Louco por ti...

Te deixei entrar no meu universo, Viajante de outro planeta!

Adaptei meus dias p´ra viver nós dois
E te chamei de 'afeto' em silêncio
Entre os nossos risos e piadas
Senti  nossas mãos entrelaçarem

com calma, alma e presença...

Brinquei de te deixar ficar, 
Sem te mandar embora
Ainda sabedora de que 'os deuses vendem quando dão'
Abri espaços fechados do meu coração...

(Foi bom)



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Estava nos rascunhos do aluanaodorme, pois precisava de uma imagem e uma canção...