terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Aquela máquina de digitar afetos





Aquela máquina de digitar afetos
Não mais escreveu a palavra "Meu amor"
Por onde andas, 
Afinal?

 

Verbo que é  cheiro,

Quanta falta tu faz em meu jardim... 


Já fui mais atenta ao meu próprio coração!


Mas, depois que passei a usar relógio

O tempo caçoa de mim:

Faz com que tudo tenha exíguos

começo, meio e fim 

 

O amor não coube em nossas 24 horas?

 O tempo, aos poucos, creia, 

A tudo devora -  apavora

Evapora...


- Mas, calma, emoção

Quem sabe ainda temos 

Uma eternidade  a mais

Na próxima Oração...-

 

Quem sabe a gente se tropece - novamente?

Em meio ao burburinho de um café

Quem sabe aquele velho ditado (tão cliché)

 Ainda esteja de pé

 

Incerta beleza de existir....


Frágil agora, tão cheio de efemeridades!

ah! verbo 'futuro' - ingrato,

Descumpridor nato

De quem achamos que seremos...


E sob o mormaço do céu de Macapá ainda arde o fogo intenso das paixões...


Escrevo quase-sem-sentido, ainda que sinta

E me demoro a tentar compreender

O porque essa máquina  (de bater)

nunca mais digitou a palavra 

"Meu amor"...




#



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

(Des)aceleração



Vida-acorda-em verborragia:
Milhões de letras, entre teclados e dedos
Milhões de verbos - Petições e poemas
Milhões de frases - às vezes sem nenhum sentido

O tic tac do relógio
O tec tec do teclado...
Aceleração!

Então,
Cuida do meu silêncio, meu bem...
(do quão sou confortável contigo)
Na calmaria fina da respiração

No riso macio
no tum tum tum do coração...
(alucinação)

Não espera tanto barulho
Mas a sincera lealdade ao afeto
Não vou falar 'do que é correto'
A  gente segue a estreita margem desse rio

Sem precisar dizer...

Não pergunta o que ofende o laço
Gruda em mim sem se perder de ti
A gente encontra o melhor tom para nós dois
Esquece todo mundo e vira noite-de-conversa-afora

(E no revés da pressa
se demora em construir algo verdadeiro e bom...)

Segura meu coração com calma (eu não quero ir)
Na palma da tua emoção estou no lugar certo
Me dá o teu mais sincero afeto
Sem ter medo ou te esconder de mim...




#



Paralelismo Sentimental Viciante (Devaneio do Boteco da Lua)








Foi em uma das muitas madrugadas em que estou de papo com Bel. Ouvi esta versão antiga , interpretada pela Vanusa, da canção "Paralelas'', com a frase 

" E as borboletas do que fui pousam demais
Por entre as flores do asfalto em que tu vais..."

Fiquei curiosa  e quis compreender o motivo de trecho da canção ter sido modificado. Primeiro, porque o poema ganha ainda mais sentido, com o trecho retirado, que aliás, poderia ter sido perfeitamente agregado ao verso que o precedeu "Como é perversa a juventude do meu coração / Que só entende o que é cruel / e o que é paixão".


Explico. É que, "'Paralelas'', para mim, sempre evocou o inevitável sentimento de solidão de Belchior, frente aos conceitos propagados nas grandes cidades, o da 'multiplicação', 'riqueza', assim como o registro do eu lírico do poeta, em contraposição a estes conceitos, esvaziados de emoção.

Parecia-me uma declaração de Bel sobre o peso do capital e seu preço sobre as relações afetivas. Bom, acontece que,  com o ''novo'' verso em mente, tive a curiosidade de perguntar o porque 'as paralelas dos pneus na água das ruas são duas estradas nuas...' e porque a música ganhou o título 'Paralelas'.

Como sabemos, nosso poeta misturava conceitos físicos, filosóficos, astrológicos, poéticos e sim, matemáticos e geométricos para falar de emoção. Então, eis um conceito geométrico simples de 'Paralelas':

Uma Reta é uma sucessão infinita de pontos, situados todos em uma mesma direção, no entanto, essa sucessão se caracteriza por ser contínua e indefinida, portanto, uma reta não tem nem inicio nem fim; junto ao plano e ao ponto, a reta é um dos elementos geométricos fundamentais. E a paralela é um adjetivo empregado para referir-se àquilo que é semelhante, correspondente, ou que já foi desenvolvido em um mesmo tempo.
Então, as retas paralelas são aquelas retas encontradas em um mesmo plano, apresentam a mesma inclinação e não apresentam nenhum ponto em comum; isto significa que não se cruzam, nem se tocam e nem sequer cruzam suas prolongações. Um dos exemplos mais populares é o das vias de um trem. (Artigo http://queconceito.com.br/retas-paralelas)

Foi então que compreendi que Belchior falou  de solidão, do preço cobrado pelos conceitos moderníssimos das grandes capitais, mas também, de si e de um outro alguém, um sentimento pessoal, comparando-os à linhas paralelas ,que embora similares, por serem retas, não se cruzavam. 

A letra fez mais sentido e a solidão do poeta,também. Mesmo a canção teve seu momento de íntima verdade do emocional do amor que mora dentro daquela canção: "Dentro do carro/ Sobre o trevo/ A cem por hora, ó meu amor/ Só tens agora os carinhos do motor.../ E no escritório em que eu trabalho / E fico rico/ Quanto mais eu multiplico/ Diminui o meu amor..."



Cada uma das retas vivenciava sua própria aceleração, diferenciadas, parecidas...paralelas. Sim, iguais demais até na direção, para se encontrar. Ou para...flexionar.

De refletir sobre isso, acabei por relacionar ao vício pós-moderno, tão explorado em Bauman, sobre o fim das comunidades e a era das 'redes': menos encontro e mais paralelas. Parece viciante e solitário...

Por outro lado, percebi que confundo paralelas com linhas encontradas. Preciso corrigir alguns poemas (e emoções), onde entendo 'paralelas' no sentido de 'cruzamento',graças ao déficit de atenção geográfico/geométrico/espacial/emocional.

Bom, como não sou matemática ou física, me perdoei e fui atrás de saber o avesso ao conceito de paralela, ou seja, quando as linhas se encontram. Descobri que é chamado de 'interseção', cujo significado é:


O conceito interseção pode ser utilizado em nosso idioma com dois sentidos diferentes. De um lado, é utilizado no campo da geometria para designar aquele ponto estabelecido em que se cruzam duas linhas. Também serve para indicar o encontro entre duas linhas, planos ou objetos.Mas sem dúvida é no trânsito onde mais se usa esse termo, mesmo assim não podemos esquecer que sua utilização é resultado direto de sua referência apresentada na geometria.
Basicamente a interseção no trânsito se refere ao cruzamento de duas ou mais ruas. Sua principal função é possibilitar o acesso de quem circula à outra via e assim chegar ao seu destino.  Artigo http://queconceito.com.br/intersecao

Bom, quer mais poesia do que isso? Tome algumas taças de vinho e leia este texto, ao som de paralelas. Se a interseção é o encontro, falta ao mundo e a cada um de nós o charme do alinhamento sentimental. Mas isso envolve o conhecimento da geografia interna  e não é fácil reconhecer nossos espaços. É a árdua tarefa que viemos fazer por aqui... e tem tanto a ver com o amor!

Bom, o meu desejo após desta longa digressão em Belchior é que, depois de caminhar comigo pela canção "Paralelas",  um pouco do paralelismo sentimental viciante - doença do coração que esta poeta aqui inventou - seja curado de dentro de seu coração. Que explores dentro de você o que é um estar em par e esteja  ávido por um amor interseção, que te leve ao  encontro! - Com o seu destino.


LUZ!!! 
LUZ!!!
LUZ!!!

*Republicado, porque o texto foi acessado e gostei muito de ter escrito isso.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Piração




Piração na piração:

 Brinco de cotidianos!

Amores tão-bem-vividos e amados

Que até parecem (m)eus...

 

Faço da tez do dia o tecido

Com que bordo a poesia

E vou a bordo dessa nau

Que me salva do ordinário ordinatório caos dos dias...

 

Construo-me nesses detalhes:

Mesmo naqueles que nem sei

Uso as flores que plantei

Para enfeitar o verso....

 

A linha entre o real e irreal é desigual

Mas, afinal, quem sabe a diferença?

Quando a dormência parece ser o prato do dia

Enfeitando com o  ‘nada’ o que foi feito para ser alegria...

 

- Sou salva desse veneno todos os dias! 


É piração o que carrego no peito, meu bem

Loucura, sinestesia psicodélica

Que nunca me deixa amornar o verbo

Tira de mim o ajuste entre o abstrato e o concreto.


#

 

“Meu Deus, me dá cinco anos (...)

Me dá a mão, me cura de ser grande" 

Adélia Prado, em 'Orfandade'.

 

A paixão é um cão dos DIABOS (Epifania Bucolesca anedótica)


Ok, o Velho Safado já nos falou que o o amor é um cão dos diabos.

Apesar de ter viajado em suas epifanias e até mesmo, por muito tempo, cedido ao charme da imperfeição sacana com que Buck descrevia afetos, envolto em toda a crueza com que se encontrava consigo e com o resto (Sim, pensa em um cara centrado,rs), de fato, sou mais à la Jabor, quando o assunto é AMOR. Mas me uno ao Velho Buck quando o assunto é...paixão.

Sim, inferno. Paixão é um cão dos diabos.

Eu sei que tu sabes disso, querido (a).
Minha última postagem (a do que ainda tem 'eu' aqui no aluanaodorme) teve para mais de 800 acessos, porque a gente gosta mesmo é de ver o sangue do poeta estirado na rua da emoção (drama).

Não sou diferente de ti, que me lê. E nem te julgo (risos).

 É, a paixão é um cão dos diabos. E, como todos concordamos, poderia parar por aqui essa breve epifania, mas sou seguir. Primeiro, quem atrelou o significado da palavra PAIXÃO à um sentimento romântico, além de um sádico, é um sábio. 

Isso porque, na etimologia da palavra, Paixão vem de passione, algo parecido com...passio/passividade, assimilada a sofrimento(tem fonte para caramba acerca).Religiosamente, é atrelada ao sofrimento de Cristo, no calvário. 

A paixão, cientifica e biologicamente, modifica a estrutura hormonal do corpo humano, injetando doses de...dopamina. Seus efeitos, dizem estudos, assimila-se ao uso de cocaína. Sua abstinência, também. Então... a paixão domina?  (https://super.abril.com.br/coluna/alexandre-versignassi/paixao-e-cocaina-amor-e-rivotril-2/) .

Ou seja, todo mundo já esteve chapado de paixão. A não ser que sejas algum ponto fora da curva. Fora disso, se já lês o aluanaodorme...já saboreaste esta desgrama - e ela já orbita/obitou nossas veias, literalmente, sob o ponto de vista dopaminérgico.

E, ó: não tem sensato e adulto que dê conta. 

Mas eu tento. Bem-vindo ao meu inferno. 

Na parte da obra  'o inferno' (Do Dante), temos muitas percepções acerca do que é o Inferno do cabra lá e... parece que parte do meu é encontrar com coisas que meu 'sistema imunológico emocional' precisa equalizar com a  razão.

Fui dizer isso para meu anjo loiro, Ester, e ela me disse: Mas quem você seria sem isso? -  Bom, eu não vou ficar sozinha com essa pergunta:

                    QUEM VOCÊ SERIA SEM SUAS PAIXÕES?

Isso me deu certo alento,pois a minha paixão-poesia me deu uma de minhas maiores referências literárias e de gente, Maria Ester,  e outras boas e incríveis amizades. 

Bom, Sartre disse que 'O inferno são os outros'.  Caetano musicou algo a respeito. Não consigo acreditar nisso. Acredito na teoria do poço, de HIMYM (descrita na temporada 8, episódios 11 e 12). Acho que a nossa mente nos coloca em qualquer condição. Inclusive na de ...aprisionados. Pelos nossos medos e...adivinha? rs...

Bom, não acredito propriamente no conceito tradicional de inferno, para ser sincera. Acredito que Deus seja tão gente boa e democrático, que a gente vai 'ajustando contas' pelo caminho, mesmo que isso leve muitas estradas.

Mas cada um tem o seu particular e isso inclui muitas camadas. Uma dela, para mim, é isso-tudo-que-envolve-isso- aqui.

Desacredito no inferno tradicional, nem na ideia de 'demônio', que não seja sob a lógica de daimons (mas aí são outras epifanias).

Só que credito no 'CÃO' (porque já o conheci quando o coração bate tum tum tum), descrito biologicamente como...dopamina. Nessas condições, digo.


E tu podes rir, podes chorar. E pode isso tudo junto. Se esqueceu, foi?  Quando chegar a tua vez, a gente conversa.

Att,

A administração.

#
*Este texto nasceu de uma conversa com a Ester sobre as coisas da vida, e é só uma pequena brincadeira. Emoções são singulares, nunca iguais. E super válidas.

Eu, ainda aqui.


Muitos espelhos
Muitos espaços
O coração parece acostumado
A dizer o que ouviu dizer

Para acomodar a alma sob as cobertas macias do tempo...

Eu
Que tantas vezes preciso de re-unir conexões das tantas coisas que sou
Em meio à fina poeira do cotidiano
Me (re)encontrar sem me perder dos meus

E ser o melhor que posso em meio à ventania do Equador...

Eu 
Ainda estou buscando a melhor canção
A sintonia da estação...no espaço
O jeito certo de dizer o que se precisa dizer

A palavra mais perfeita, sabendo que tudo é imperfeição...

#


Esse poema é, de longe, uma das coisas que mais falam de mim, no instante. 
<3


segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Nem tudo é sobre mim, neste pequeno espaço - Mas que bom que ainda tem 'eu' dentro do aluanaodorme ( Da seção 'Filosofia do Boteco da Lua')


       

Senta aí, querido leitorado...eu andava com saudades desse espaço filosófico dentro deste espaço poético. Hoje, com muitas demandas e a vida cheia de 'mim', surgiram algumas questões que eu queria partilhar contigo, na companhia de um café (ou algo mais forte, se te aprouver): Bora botecanear? :)

Uma pergunta básica: Tu se sentes um único 'eu'?-  Não estou falando do transtorno de personalidade fragmentada claro (se for seu caso, receba meu abraço e sinceros ensejos de um justo e digno tratamento). Mas, para além...independente da ideia de personalidade integrada (ou não), nunca somos 'lineares' em todos os espaços: as interações importam, as emoções ...mais ainda. Os lugares e pessoas...ditas conexões ou interjeições.

Constatei, não muito satisfeita, que não me sinto igual em situações em que gostaria de sê-lo. Em outras, sou grata por ser tão plural...então:

Quem sou eu, quando não me sou?

 Fernando Pessoa sabia a importância dos heterônimos para continuar sendo e, por absoluta sinceridade alertou: O poeta é um fingidor. Acabei pensando muito nisso ultimamente pelo conceito de 'masking', atrelado ao autismo, pois eis que estamos sempre em construção - e parece que esse é mais um tijolinho da minha história. Em contato com o conceito, pensei: O autista também é um fingidor. Como o poeta. A gente mascara emoção, aprende a evitar o 'estranhamento cotidiano' do mundo lá fora, descobre um jeito de parecer e acomodar e parece que isso funciona mais para uns do que para outros, em muitos formatos.

MAS AFINAL, NÃO SERÍAMOS TODOS FINGI-DORES?

O problema residiu justamente aí também: Percebi que sou boa em fingir não sentir dores. É uma pena, mas a casca do cotidiano nos ensina que 'sangrar' em meio ao 'mar de gente' é perigoso, pois nem todo mundo tem a lógica do acolhimento inerente à humanidade (é sobre-humano, amar, diz a canção).

E isso me lembrou que, nos últimos tempos, tenho escrito muito sobre literatura, poesia, artes, menos voltada à experiência pessoal, porque os livros me acalmam e me dão uma ideia singular de normalidade ( e porque livros são maravilhosos,rs). Mas isso já foi um jeito de fazer parte. Eu fui a menina inteligente do 'papai', o cara que conversava comigo sobre toda a complexidade da existência e para quem guardo um monte de coisas para contar e partilhar quando chegar do outro lado da margem do rio.

Apesar de amar essas viagens, sei o quanto é bom SENTIR e experimentar a existência. Mesmo que isso doa, às vezes - afinal  'visão de raio x, o x dessa questão é ver além da máscara'. Mas faz parte da experiência humana e provavelmente é alguma das poucas coisas que nos interliga e diferencia esse texto  de um primor artístico feito pela IA.

Aqui, escrevo porque me conecto comigo e contigo - muito longe de algorítmos. Escrevo para sentir e para que tu sintas também. Mas o 'aluanaodorme' tem vida própria...escreveeee sobre livros, filmes, poemas, histórias da literatura e da vida real que se achegam a mim. Sobre gente que se viu e se amou debaixo dos meus olhos, em algum livro ou filme. E sobre teorias e outras coisas da vida real. Muito bonitas, válidas e sempre minhas, ainda que nem tudo tenha sido vivenciado por...mim. Este 'eu' aqui.  

Mas eu queria reiterar com você, que me lê, o quanto é bom ...sentir. Nesses tempos de tanta liquidez e gente pagando o preço do 'custo de troca', ou do 'masking sentimental', é tão bom ter um coração 'de carne'. Eu te confesso que, por medo, já optei por ficar quieta. Apaziguar tudo. Ficar 'confortavelmente entorpecida'. 

Quem nunca?

Mas...Sentir a brisa do amazonas, a poesia de um amigo, a partilha de afeto que mora no dia a dia.  Sentir os medos e as delícias de outra existência, ter o coração ativo em contato com o fim de tarde,caminhar ...Tem coisa mais bonita? Tem coisa mais bonita do que ser o contato preferido de alguém? Não o contato telefônico, estou falando de humanidades. De amar uma presença. Sentir seus afetos reais, as contradições existenciais, o medo e a doçura.

Sim, eu já fugi muito da vida e, confesso, coloquei livros ao invés do próprio coração para bater nesses teclados. Deu certo (acredito). Mas também já senti do jeito certo. E do jeito torto  ou incerto- porque não acredito em sentir errado. Já evitei venenos e já deixei o coração apático, por precaução.. e também já me encontrei com o afeto real e a gente já se perdeu também. Foi bom.

2026 chega e ganho com ele algumas lições na jornada.  A principal é: eu não tenho tanto medo da chuva. Eu sinto cada vez menos necessidade da máscara, e apesar de escrever por muitas histórias de livros, filmes e poemas, eu sinto de verdade tudo que escrevo - seja por mim, seja por quem viveu cada uma dessas coisas.

Amo as conexões profundas que criei, e também as leves e suaves, porque nem tudo é denso o tempo todo. Não tenho mais medo do que possa me causar, porque no meio da jornada, eu cuidei da casa, plantei meu jardim, fiz os deveres de casa e sigo no aprendizado, cada vez mais forte. Não deixei ' a minha ternura na estrada/ presa na poeira', nas lições de Gonzaguinha.E sigo cada vez mais responsável em descobrir os melhores dias - que começam sempre agora, no hoje.

Amo que quando eu sou outra e escrevo aqui, posso de repente estar falando não de mim, mas do seu dia. Do seu amor. Do seu instante de conexão.  Isso me aproxima. E também espero escrever mais sobre mim, sim...esse eu, que está aqui, prontinha para seguir plural e com menos medo da chuva (risos). Acho que não perder a coragem faz parte do compromisso com a arte. Da existência e da poesia.

E...Eu gosto do amor. O amor é bom. E uma hora a gente se encontra ❤️.

É...nem tudo é sobre mim, neste pequeno espaço. Mas que bom que ainda tem 'eu' dentro do aluanaodorme.

#


p.s: Sobre os livros e filmes, se quiserem me indicar, é só enviar nos comentários. São moderados e não publicados. É sobre, eu também gosto de amar assim (risos). 

Um sopro de otimismo para mim e para ti, que me lê.

LUZ!

Má - temática


 Gosto das coisas...doces
Tranquilas e confortáveis noites de janeiro
Velas acesas, luzes pela casa
Um livro, um amor, um vinil pra tocar...

Entalhada  equação em detalhes:
Coração de vidro - vitral
Coloridas cores em espiral...

Gosto das coisas c(almas)
 - Porque a flama, meu bem, 
fica nos lençóis...Onde somos nós e o luar lá fora
Brincando de quem se demora...

E gosto de ti aqui,
Mas não assim...

Gosto de livros e histórias
Mas acho Romeu e Julieta uma tragédia
Os sofrimentos de Jovem Wherter me deixam assustada
E com Doryan aprendi o quão pessoas podem ser apenas...ilustradas.

Presto bem atenção no que é dito com a ação
E aprecio a alucinação
Presa à um bom papo, à um cinema ou teatro
Para a vida: luz de boa ação...

E eu gosto de ti,
Mas não assim...

Eu sei, parece bobo
Mas luxo, mesmo, meu bem, é calmaria
Do tipo que nem faz poema:  Felicidade simples
Luz de um bom verão...

#


<3

Se eu me perder de ti enquanto procuro por mim





  - Ensaios sobre as coisas que se perdem enquanto o Eu se procura-

Quem sabe do que se perde
Enquanto o Eu me encontra?
 * todo mundo já rodopiou com seus moinhos...

Ventos do Amazonas sopram
Falam de doçura
Nossas ansiedades, meu bem, são a cura
Para nosso encontro...

Ninguém é perfeito, essa é a maior lição
É coisa para maluco viver:
Chega e bagunça a batida do coração

Mas...se eu te perder enquanto estava a me procurar
Nas prateleiras da vida, buscando ordenar meu lugar
E se a tua emoção não puder esperar
O tempo acomodar...

Me guarda em teu afeto
No tempo certo...de algum lado desse elo
A gente há de vingar...

#


Ensaios sobre a vida real ensaiada

 



 Bate coração, coisa de pele
Sentimental demais, a poesia come de nós dois
Entre suor, saliva, instante
Somos reais, aqui...presentes.

Bate a piada, o riso, a estrada
A conversa calma, possibilidades
As brincadeiras e piadas tolas
Bate até saudades, quando não estás aqui.

Bate a carícia dentro do coração
As coisas sem explicação
Bate irremediavelmente a emoção
(tum tum tum...)

Tão bom sentir assim.
A 'liga' não retira nada:
Minha carne ainda é minha quando não estás
E até o tempo respira em paz...

Nas ausências e presenças conversadas
Nas palavras ainda não ditas, pontilhadas
O poema assiste, atento, 
Um novo jeito de pulsar o coração...

#

*Estava nos rascunhos do aluanaodorme. 
Essa canção não é inspiradora?


domingo, 25 de janeiro de 2026

Presença



 Das brincadeiras de menina
Das luzes entremeadas de poesia
Nossa verdade tão delicadamente construída
Raízes fundas de amor...

Nas trilhas Macapá-Santana ou unidas na bicicletinha
Pontes de afeto: nossos corações
- Com quantas orações se faz um irmão?
Assim somos nós, na estrada...

E até parece que você adivinha meu olhar
E o nosso silêncio fala sobre acomodar
Verdades tão profundas
Que carecem de explicação...

Os passos vêm...caminhamos juntas
Estou aqui, amor, pode contar
Para a vida que foi, que é
E a que será

Porque te amo como parte do meu coração...

#

Para Flor <3


Nada valeria nós dois



 Nada

Nesse mundo

Valeria o quanto

Valeu nós dois

Por isso a vida

Te guardou em mim

Para depois.

#


*Filme(s) lindo(s)! 


Eu nunca pensei que você me faria chorar


Eu acredito nas cores do arco-íris
Passo os dias descobrindo canções e narrativas
Gosto de flexionar o verbo do jeito mais bonito
E de cuidar de afetos feito poesia

- E eu te guardava em mim como uma coisa boa que nunca aconteceu -

Calor quente que invadiu meu peito
Nunca pensei que me farias chorar
Deveria ser proibido algo tão bonito 
Tornar-se parte das coisas comuns...

Eu sempre acreditei nas estrelas cadentes
E aprecio marés exatamente como são:
Sei que as águas vêm e vão
Para cumprir o ritual da vida...

- E eu te guardava em mim entre as fitas coloridas dos elos inacabados...-

Calor quente que invadiu meu peito
Nunca pensei que me farias chorar
Deveria ser proibido algo tão bonito 
Tornar-se parte das coisas comuns...

...eu me refaço na chuva fina que cai
Perdoo excessos, pois afetos são particulares
O tempo passa e cura rastros de presença
Volto meus olhos para as coisas que acredito

E sigo.




#







sábado, 24 de janeiro de 2026

Qualquer coisa a mais



A saliva do teu beijo secou
O gosto da tua boca sumiu
Ficou eu aqui,
Com uma saudade silenciosa de ti.
 
Incômodo... não dizer e sentir
Mais ainda, sentir e não dizer!
Vontade de dizer: vem cá
Vontade ainda maior de te esquecer
 
Bastava um toque
Na minha mão, de coração derretido
Bastava ter dito
Qualquer coisa a mais...
 
Não foi banal, mas foi mal, 
Quase-sem-querer
Coração bateu mais forte
Que estranho querer...
 
Vontade de dizer: Vem cá
Vontade ainda maior de te esquecer.

Quem sabe já não seja nada
Que não caiba um talvez ou tanto faz
Quem sabe eu já não sei de nada...
- Bastava ter dito...Qualquer coisa a mais
#

* Dos rascunhos, publicado para equilibrar o açúcar das publicações anteriores. :P

Liga






Pensa no meu coração
Que bate calmo e forte
De sentir o teu

Me fala do teu dia
Tive saudades do teu olhar
Se a gente se perder, meu bem
Foi bom te encontrar...

Fica quieto comigo
A gente não é bom em ensinar roteiros
Mas se reconhece pelo cheiro
Como gente faz...

Fica em paz no meu peito
Não é sobre a carne mais quente
É sobre maresia, corrente
águas que se re-unem sem se desencontrar de si....

#

*Poema fofo que estava no rascunho do blog.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Wabi-Sabi!




Uns dias atrás, ao falar com meu primo sobre a filosofia oriental, ele recordou a expressão wabi-sabi: a beleza das coisas imperfeitas. Eis um conceito retirado da internet:
" Wabi-sabi representa uma abrangente visão do mundo japonesa ou a estética centrada na aceitação da transitoriedade e imperfeição. Uma ideologia artística desenvolvida por volta do século XV no Japão, durante o período Muromachi, com bases nos ideais do zen budismo..."

Wabi-Sabi, embora um conceito estético e artístico, tem bastante da filosofia oriental, que tem uma forma diferente de entendimento sobre transcendência, Deus, perfeição...enfim, inquietações da raça humana. Divagamos sobre questões que gostaríamos de compreender,mas nossa ocidentalidade não nos permite. E de vivenciar com mais tranquilidade, pois somos muito inquietos e questionadores, a exemplo da coisa incrível que deve ser meditar... um projeto futuro.

Essa papo começou da leitura de um livro em comum, o da filosofia  Tao te Ching, de Lao Tse. O Tao te Ching é um livro incrível.Na capa, galhos de cerejeira estão desenhadas, a demonstrar a ligação  oriental. A estrutura textual é toda poética, ou seja, as 'verdades do mundo' são confidenciadas em formas de poemas, de profundo caráter filosófico. Antes de ser uma procura pelo transcendental divino, é uma forma de contemplar o universo, lá de cima. Sem respostas, límpido. É um livro pequeno, mas demorado de absorver, porque é preciso retirar os sapatos da ocidentalidade e subir, descalço, para o topo da árvore que nos levará a contemplar o infinito do "sem respostas" (Em uma brincadeira com O Mundo de Sofia).



Fiz esta metáfora com ele, rimos e ambos manifestaram a vontade de ter uma bonsai, aquela árvorezinha , outra pequena 'invenção' que tem bela carga de mensagem: o grande o pequeno, o belo e o feio, os anos e o tempo, tudo é questão de ótica. E o papo enveredou por outros, esquecemos de concluí-lo, mesmo por ser,como a vida, inconclusivo, solto...Wabi-Sabi.

Esta semana,  ganhei dele esta delicada árvore...que agora tem o nome de Groot, porque afinal de contas, acima, mora uma Galáxia inteira.Ou várias. Sim, sim...nós somos imperfeitos e muito pequenos, nesta casa chamada Universo. Somos ínfimos e plurais, cada um estragado e belo à sua maneira, enquanto procuramos as perguntas certas, feito agulhas em um palheiro...



Republicado de 28.04.2016, pois foi acessado. 

Custo de Troca


Se eu tiro os olhos do instante
Não vejo o teu sorriso amado
Por isso tomo cuidado
Com tudo que tenta me distrair...

- Pois o mundo é vasto,
A vida dilui ou condensa
No aleatório da oferta de atenção...-

Se eu tiro os olhos do instante
Não vejo as cores do agora
E se tu não te demoras mais que um milhão de anos
Qual o dano ao segundo, amado?

- Pois o mundo é vasto
E o amor adensa ou dispersa
Na prateleira da liquidação...-

Se deixo o verbo não-dito
A palavra torna mal-dita 
E gente sempre perde um pouco
Quando escorre o fim do dia...

Se a gente não se percebe, quem sabe o que extravia?
Se eu tiro os olhos do instante,
Pode ser que me perca de ti...

#

Recentemente, tive contato com o conceito da expressão 'Custo de troca', (https://www.youtube.com/watch?v=JvSq2IreJdw) para a mente humana, atrelada à ideia da troca de 'telas', e do quanto a mente cansa e como isso tem empobrecido o cinema...mas...sabemos...o cinema é uma parte da arte, a arte uma parte da vida...e a vida, não existe - ou não tem significado - sem amor.

E daí, eis o poema.  Aliás, esse vídeo vale vários...que virão. 
Aguentem meus poemas fofos.

:)


quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Exceção (II)

 


Eu
Não sinto necessidade de multidão
Gosto da quietude do quarto
Da simplicidade que mora na solidão...

Posso fazer silêncio até a eternidade
Em meio às pessoas-tempestade
E faço a mesma cara de paisagem
Para as coisas banais...

Eu,

Posso passar distraída
Das luzes do mainstream
Não faço força desmedida
Para atrair nada do que não me tem

Mas, daí... acontece ''Você'
Que chega manso
E viro colorida e falante
Pois, meu bem, sem explicação...

"You on the only Exception''

De repente,
O tempo ajusta a hora no meu relógio 
E você  me faz rir da confusão
Dormir minha densidade e falar só de bobagens

Segurando na tua mão...

E, em meio às nuvens da chuva torrencial
Clareias a sala e as cores do meu coração
Pois a tua presença calma resolve coisas 
Que não consigo falar... explicar a razão

Pois meu bem, você sabe,
Que é a minha exceção

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Exceção





Corações se partem
Emoções se quebram
Pessoas se encontram
Ajustam, percebem...

Dobram esquinas
Escondem verdades
Percebem bobagens
Tão particulares...

Pessoas são lares...ou apenas lugares
Fazem obra de arte ou ...integram meras rotinas
No custo-de-troca
Da lógica ordinária do existir...

Pessoas caminham
Para seus próprios destinos
Infernos ou paraísos molhados 
De suas próprias abstrações

Pessoas se perdem
E até mesmo se esquecem
Mas...às vezes, não.
Pois, meu bem, tu bem sabes...

Que é minha exceção.

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Ok, vcs vão enjoar de poesia fofa nesse blog.
É a safra do momento. :P