sexta-feira, 12 de junho de 2026

Ensaios sobre Saudades e o Velho e bom amor!

  

Eu e Bia no velho café de sempre, seja à distância, seja perto.  A gente gosta de tradições, sabe? e criou muitas no infinito particular de sermos 'nós'.

No meio do diálogo, eis que ela solta que está preocupada comigo, pois não me via ou ouvia mais publicar algo pessoal sobre o bom e velho amor. Me ouvia falar em afetos, mas não do amor. Nessa palavrinha mágica e singular que tanto nos une. 

Bom, a forma como disse recordou para mim o quão esse relicário sagrado chamado afeto têm estado demodé...e hoje, 12.06, é dia dos Namorados..

A forma como disse me recordou aquelas velhas crenças e crendices de ser criança nos anos 90/2000. Eu fui uma criança bem crédula mesmo. Do tipo que acredita em papai noel, loura do cemitério, mula sem cabeça, saci, Boto. De ficar fascinada e amedrontada com a 'besta da meia noite'. Tive pesadelos com Freddy Krueger e, cruzes, como eu tinha medo de assombração! Tinha uma tia campeã em contar histórias antigas. Ainda hoje gosto de sentar com ela e bater aquele papo longo, pois a afinidade é muita, é a distância que atrapalha. Ah!...a distância que atrapalha. As crendices populares viraram uma memória desbotada e curiosa. E até acho que aprendi que papai noel era meu pai, muito cedo, ele deveria ter me deixado mais tempo...enfim. 

Brinquei com a Bia dizendo: 'Será que o amor é o Papai Noel do adulto? E o medo do não-encontro o novo Freddy Krueger?

Rimos e seguimos o papo. Nenhuma das duas acredita nisso.

Paralelo a esses pensamentos, sai para tomar café com Edilene - outra grande amiga, que está no projeto pessoal de sua família. Ela me presenteou com uma boneca de cabelos rosados, como os meus eram, quando a gente se conheceu....e disse que ainda me via assim, apesar das mudanças e nuances que acalmaram tanto os tons. 

Para fechar essa que foi uma semana de pensar nos 'labirintos ' do caminho e no quanto mudei  através deles, bati um papo com um grandes amigos que tenho nessa vida e ele - que agora está de coração partido - me confidenciou que tinha uma carta para a mulher da vida dele. Eu fiquei tão impressionada por isso ainda ser feito, nestes tempos de descrenças... 

Junto esses eventos para te dizer que todas essas coisas me iluminam. Cada projeto e cada sonho me entusiasma.  Então, resolvi responder à Bia do jeito que hoje creio e  escrevo: 

O amor já está aqui.  Enorme e tranquilo, finalmente. Mas é também cada um desses vínculos doces com quem tenho a honra de viver pequenos milagres e desventuras. E também está lá fora, na vida das demais pessoas, em seus cotidianos e lutas matinais - reais ou ficcionais. O amor me tratou bem nesta caminhada e, confesso que, realmente me deu um ótimo parâmetro.

O amor é a felicidade, no processo de construção de algo - seja plantar um livro, escrever um filho, ter uma árvore. Isso, fora de ordem mesmo: porque o amor é singular e não têm fórmula. Não cumpre mil protocolos. 

O amor é o que faz sentido, quando não tem sentido. É nosso coração em movimento, dizendo que ele tem seu jeito singular de fazer as coisas. Não tem explicação. Só existe. Fica na nossa pele, dentro de um pedaço do nosso corpo e se instala na nossa respiração. Fica lá, sem precisar de nada. Às vezes, sem pedir.

O amor é meu cheiro - e meu perfume - favorito. Sei que é o teu (que me lê) também. 

O amor gosta de gente feliz. Que busca conhecimento, alegria... e não vive à espera ou ansioso....de gente que têm significados como parte de sua formulação e sabe que, por ser construção, é feito de pequenos detalhes nem sempre tão nobres assim. Porque bons sentimentos não param em qualquer parada e afeto real e recíproco não chega quando estamos desnutridos...de nós. 

O amor, quando requer pele, é também paixão: e a paixão é um cão dos diabos (risos)! não é todo ajustadinho à nossa percepção de ser gente: dá trabalho, dá medo, tem desencontro, reencontro, reedição, não é um filme cliché de comédia romântica, mas pode ser uma série: tem primeira, segunda, terceira temporada...quem diz quando acaba? ...e se acaba?

Até porque, minha Bia, foi você quem me disse

 

"Antes de acomodar,

O amor bagunça um pouco''.

 

#

  * Pronto,  escrevi algo pessoal sobre o amor , Bianca Andrade.

*Republicado (acho que de 2024 ou 2025, não consegui acessar a data, pois larguei o piloto no automático e quando fui buscar, não tinha o registro). Mas está adaptado: Contém informações novas.

FELIZ DIA DOS NAMORADOS A ESSE LEITORADO QUE ONTEM ME DEU A HONRA DE TER  1200 ACESSOS (Creio que falar de amor não é tão demodé assim). <3 

Paixão! (Poema 4 da Sessão 'Eu amo o dia dos Namorados')






Então, Paixão.
O que fazer de nós?
Só vem...me abraça um pouco
Senti saudades e falei...

Vamos ter fé que nossos corações dão conta
Que a gente aprende como fazer a janta
Viver nós dois de um jeito calmo,
rir e ver um filme na televisão...

Gosto do cheiro da tua respiração
Da paz que respira em mim
Quando de te vejo brincar, contar uma piada
Igual a um menino bobo, desajeitado

Segura na minha mão, ela quer a tua... sem alarde
Descasca no meu corpo, minha pele nua
Me diz que é bonito sentir contigo
Eu corro esse perigo...corro sim

Fica quieto, Paixão: não fala tanto
Não me pede tantas desculpas e também...não faz assim
Deixa o tempo absorver o impacto
Que eu só gosto dos teus abraços, mesmo

O que dá p´ra fazer? eu tento me escolher, te acolho...

Não há perfeita sincronia no universo, nem o verso
A palavra também precisa de ajuste para encaixar: O que é o tempo
Senão o espaço para o coração significar?
A gente cresce no medo, na euforia, no erro...

Vem cá,
Eu me sinto calma e acesa quando te enlaço,

E quero mais do dia que virá, depois
Feito aprender a beleza de ser...feijão com arroz.
Que coisa maluca, estúpida, que chega e toma conta
... Será que isso é se apaixonar?

#

Estava nos nos rascunhos do blog...e meio que é o que penso de paixão, como elo que conforma.
Sei lá, acho isso tudo aí...tão imperfeito e realmente belo. 
E este é o poema 4 dos dias dos namorados.
De coração para coração, encha-se de fé nas coisas lindas da vida.
Estamos aqui para ver a ternura nos detalhes da borboleta...

Feliz dia dos (e)namorados.
Que teu dia seja bonito.
:)



quinta-feira, 11 de junho de 2026

Conselhos para a ruiva

 

Delicadeza (in)discreta:
Piração na piração
Levou tempo para sustentar o quilate 
Deste impróprio amalucado meu coração!

Mas  o pulso - pasme:  ainda pulsa. E celebra...

As ruas passam, esquinas vão
No vão do peito, tão sem jeito, vivo de dizer aos meus afetos
Que o amor existe...que a bondade é elo
Que nos enlaça,

E, por bênção do destino, nos alcança
Num dia qualquer, entre a Salvador Diniz e a Fab.

Acalma:

O que é teu... te cura!
Creia nisso e caminha.
O que é teu...aterra a emoção, sem soterrar
O que é teu, celebra te encontrar...

Tua  geografia emocional te salva: na dúvida, 
Corre para quem é casa, para quem te abraça feito asa
Para quem te faz gostar do tempo, enquanto passa
E faz o  calor do equador aliviar macio no peito...feito chuva

A vida é coisa tão efêmera e isso tudo a faz tão, tão rara

O resto não perfuma a existência, vapor barato
Não deixa ninguém te reensinar o que te torne menos
Menos quente, feliz, voraz
Menos doce ou crédula... não faz:

A verdade é uma frequência que vibra e se conecta com  paz...

#

Hoje, dia 11.06, é dia de lembrar que a vida é efêmera, pois meu grande amigo, o Senhor meu Pai, faz aniversário de passagem. Eu sei que aprendi muito do que está aí em cima...contigo, amor meu.
E o mais, é o que eu quero contar sobre mim...quando a gente se abraçar novamente.
Amo-te infinito, você é meu anjo mais velho! 
Em qualquer canto do teu voo,
Recebe meu amor.
(Pai)ssarinho.

(Des)aceleração (Poema 2 da Sessão 'Eu amo o dia dos Namorados')



Vida-acorda-em verborragia:
Milhões de letras, entre teclados e dedos
Milhões de verbos - Petições e poemas
Milhões de frases - às vezes sem nenhum sentido

O tic tac do relógio
O tec tec do teclado...
Aceleração!

Então,
Cuida do meu silêncio, meu bem...
(do quão sou confortável contigo)
Na calmaria fina da respiração

No riso macio
no tum tum tum do coração...
(alucinação)

Não espera tanto barulho
Mas a sincera lealdade ao afeto
Não vou falar 'do que é correto'
A  gente segue a estreita margem desse rio

Sem precisar dizer...

Não pergunta o que ofende o laço
Gruda em mim sem se perder de ti
A gente encontra o melhor tom para nós dois
Esquece todo mundo e vira noite-de-conversa-afora

(E no revés da pressa
se demora em construir algo verdadeiro e bom...)

Segura meu coração com calma (eu não quero ir)
Na palma da tua emoção sou tão leve... lugar certo
Me dá o teu mais sincero afeto
Sem ter medo ou te esconder de mim...




#


*Republicado de fevereiro, pois acessado e faz parte da proposta da semana. :)

N.03 - Eles! (Miniconto Poético) - Por Bianca Andrade.

Um cuidou do outro, viram filmes, tiveram filhos (ou não), foram aos parques, discutiram sons, planejaram bobagens, viagens e hoje morrem...




De rir!


(Adaptação de Cicero - Vagalumes Cegos)


Bianca Andrade tem muitas maneiras de ser apresentada: Publicitária, assessora de comunicação, poeta, ser humano gentil e empático que muito amo. Mas a melhor apresentação é ...uma das melhores das vidas. Eu sinto saudades todos os dias da sua leveza de passarinho.

*Republicada de 03.06.2016, da Sessão 'Eu amo o dia dos Namorados' daquele ano.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Aquela Máquina de Digitar Afetos! (Poema 1 da Sessão: Eu amo o dia dos namorados!)



De conhecer o quilate
da máquina que bate e digita afetos
Sua ânsia e seu bailado
Aprendo cotidianamente constâncias:

Viver não é sobre o que agita a maré
Mas sobre o que nos traz fé
Impulsiona para o bem,
Nos faz rir, gostar da vida:

As primeiras pessoas do dia
perto ou longe, sentidas na pele da emoção
A piada, o poema, a poesia...Lívida
Apesar de parecer simples, precisa haver magia..

Química, composição!

E não é fácil encontrar uma boa verdadeira canção...

Se encontrar a sua pessoa, dance. 
Mesmo sem saber dançar...
Se achar quem vale o peso da sua alma, deixe
A vida acomodar...

Sinta, aprenda seu cheiro e  perfume:

Não tenha tanto medo
 - é pavoroso perder sem tentar...-
Como um fantasma que fica, debaixo da pele
Pedindo para vir ao lar...

Se perceber que é bom, coopere: fácil, não será
Não tem simplicidade em ser gente
E ninguém veio com um perfeito encaixe
Quebre qualquer coisa, menos o principal cristal da casa:

Enlace.

Se encontrar suas asas, voe e convide a voar...


#


Há anos este espaço celebra o dia dos Namorados com poesia.   Afetos reais... tudo que é realmente valioso. Conexões significativas: aquelas em que  o tempo passa voando e a gente sente até medo de perder...que trazem fé, bondade, risos...clareza. 
Eu amo o dia dos namorados.  Entre tantas datas comerciais, não é significativo que exista um dia especial para celebrarmos o vínculo com a pessoa que recebe o peso e a leveza do coração? Independente de termos ou não esta pessoa, neste 12.06.2026, eu e tu - que lemos o aluanaodorme - sabemos que este espaço gosta da vida. E de tudo que toca.
Enamorados ou solteiros, vamos celebrar o dia: respirar é o melhor jeito de transgredir. 
A data é uma vitória do afeto. Só não supera 25 de Dezembro, para mim.


Eu nunca pensei que você me faria chorar


Eu acredito nas cores do arco-íris
Passo os dias descobrindo canções e narrativas
Gosto de flexionar o verbo do jeito mais bonito
E de cuidar de afetos feito poesia

- E eu te guardava em mim como uma coisa boa que nunca aconteceu -

Calor quente que invadiu meu peito
Nunca pensei que me farias chorar
Deveria ser proibido algo tão bonito 
Tornar-se parte das coisas comuns...

Eu sempre acreditei nas estrelas cadentes
E aprecio marés exatamente como são:
Sei que as águas vêm e vão
Para cumprir o ritual da vida...

- E eu te guardava em mim entre as fitas coloridas dos elos inacabados...-

Calor quente que invadiu meu peito
Nunca pensei que me farias chorar
Deveria ser proibido algo tão bonito 
Tornar-se parte das coisas comuns...

...eu me refaço na chuva fina que cai
Perdoo excessos, pois afetos são particulares
O tempo passa e cura rastros de presença
Volto meus olhos para as coisas que acredito

E sigo.


#

Republicado em janeiro de 2026 e agora.
Poema de 2020.  De outra vida. haiuhaiuhaiuhaiuhai
Vocês não têm humor?





Simples Assim




Eu não preciso da próxima estação de rádio
Para saber que um som é bom e faz feliz
Não preciso de todas as esquinas da cidade
Para gostar do caminho de casa
E nem  de um longo par de asas
Se puder voar curtinho e macio...
Eu não preciso de tanto verniz para esconder
Imagens, verbos e opiniões
E nem tanta companhia e barulho
- Festival de emoções!
 E...não preciso de você
Ou da sua companhia
Fico bem entre os livros e quadros
Na presença macia da poesia...
- Mas eu fico bem  perto do teu calor
E quase não sinto falta da tão bem-vinda solidão
Quando meu coração te conta meu dia
Ou meus dedos entrelaçam em tua mão...

#
*Republicado de Fevereiro/26, pois acessado.
E porque faz parte da proposta da semana.  :)



terça-feira, 9 de junho de 2026

Sentido!

                                        


Dobro esquinas
E viro páginas
Fecho portas
Mudo as palavras 
E de rima em rima
Faço e refaço
É, eu me enlaço toda
Nessa coisa de ser gente!

Essa carne que vibra
Corpo que abriga e celebra
E que se alegra
Com cada coisa esquisita!
(Uma lágrima 
ou sorriso
Beijos que envio no ar e laços de fita!)

Esse milagre tangente
Que, de Darwin a Jesus,
Tudo e todos tentam explicar!
Em verdade, em verdade
Vos digo:
O poeta é livre
Para contemplar!#


Porque desde que a mãe-poesia me resgatou no berço com suas mãos doces de aceitação, posso ser,sentir e acolher como melhor me aprouver...o existir!
Uma doce madrugada para quem  brinca com o colorido da vida. 

Republicado de outra vida. 
Vocês não têm humor?
hiauhaiaiu  :)

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Amadores!





O amor dá a mão às três da tarde
Cuida daquela febre e dor do domingo
Mas também é aquela tarde de riso
Inteiramente entregues ao conforto de existir...

Amor deixa café quente na garrafa
Beija e abençoa antes de pegar a estrada
Vai já com vontade de voltar
grata certeza de querer ficar...

O Amor é  profundamente leal a si, em si
beleza que te nocauteia no meio da madrugada
deixa recado na caixa eletrônica,
erra,tropeça e volta, assustado

entre o perdão e o colo...

Amor ensina tudo, menos como amar.

A paciência para aquele hábito esquisito
a geografia das palavras do outro, sempre repetidas
 e o vocabulário terno das coisas bem-vindas
a universo  particular das coisas acrescidas...

Amor leva ao futuro, ao antes... e depois
Vive entre o agora e as promessas bem-cumpridas, é feijão com arroz!
Mistério profundo:  não tem  PHDs, mestres ou doutores
No espaço de sentir, somos todos amadores.

#


* Republicado de 12.09.2018, pois foi bem acessado.


LUZ!


Inteiramente Aqui

                                                       


 Eu sei, 

Não sou a pessoa mais exata do mundo
Tomo cafés amargos com bolos de chocolate
Gosto de pingos de água, tempestade emocional 
Verdadeiro vendaval

Sorrio para o nada, mas não falo nem boa tarde a estranhos
Faço pouco cálculo: horas, dias
Perdas, ganhos.
Deve ser difícil esperar de mim alguma precisão...

Não tente, bem.

Eu, por fim, já desisti
Prefiro sentir, acolher e perceber
Estender meu coração 
Acolher a dualidade

E bem-viver...

Mas, será que o mundo inteiro não é mesmo assim?
Se não existe nem mesmo um único grão de areia igual
Porque pedir métrica de mim?
Não faça isso, bem...não alargue nossos espaços por esperar o que não sou
Apenas abraça-me enquanto estou

Inteiramente aqui...

#


P.s: Republiquei este poema de 21.03, porque fiz  a reflexão sobre a série.

LUZ!  :)


E se eu for o Sr. Big. E se eu for...o Aidan? ( Ei, vamos brincar de Power Rangers com Sex And The City? - Filosofia do Boteco da Lua)


Prólogo:

Ei, tu já brincaste de ser o power ranger? Bom,  considerando que estamos na plataforma blogspot...deves ter vivido os anos 2000. Pois então. Eu sempre queria ser Power Ranger Vermelha. 

Ocorre que eu faço isso em séries, também. Escolho um personagem e brinco de estar 'por lá'. 

Bom, a questão é que Sex and the City vai sair da Netflix e...estou vendo a série com outros olhos. Eu estou brincando de power ranger. 

 Ok, vocês podem ter enjoado de Sex And the CityÉ tão anos 90! Mas acontece que nos anos 90 eu tinha 5/6 anos. E até os anos 2000, eu brincava mesmo era de Power Ranger.

Agora que deu para me apaixonar pela série, então aceitem meu delay. Então, voilá à questão.

A Questão

Como todos sabemos, a série é contada sob a perspectiva da  Carrie, que escreve sobre relacionamentos em uma cidade grande - e não exatamente apenas sexo, como o nome sugere. Carrie vive uma intensa relação de amizade com suas outras 3 amigas, em um grupo de mulheres que têm uma relação linda e singular:  mulheres independentes em uma cidade grande, que vivenciam a experiência da independência, cada uma à sua maneira.

...não me identifico, particularmente, com nenhuma delas. 

Não me vejo em Samantha - e bem que a acho sexy, mas é uma mulher criada por um roteirista homem. Nem com Miranda, uma advogada ruiva que luta com a ideia de não querer uma vida suburbana clássica. Tampouco com Charlotte, que quer muito casar...com quem a queira - e não com quem ela quer. 

Bom, gosto delas. Mas não me identifico. Compreendo seus dilemas femininos e admiro suas autonomias...mas não sou 'uma delas'. Por um tempo, cogitei  e me preocupei que eu fosse... o Sr. Big.  O sr Big já me deu sessões de barzinho e, pasmemmm, umas duas cervejas...pois brincar de power ranger é perigoso, faz a gente se preocupar em quem somos NO MUNDO. Para o mundo. Para as pessoas ao redor...e pior: Para nós mesmos.

O Sr. Big é uma pessoa que sai correndo quando o coraçãozinho bate mais forte . Uma figura carismática, capaz de discernir afeto e senti-lo...desde que a dose seja homeopática (bom, o seu final é muito simbólico, inclusive).

Tu podes dizer...Jaci, tu até és poeta. Não tens como ser o Sr. Big. 

Ora, meu caro. Não julgue o Sr.Big pela aparente superficialidade. Na verdade, todo mundo tem uma história para contar e, depois de um caldo, qualquer um pode brincar de Power Ranger sendo ... o Sr. Big.

Okay? ...Okay.

Mas, na terceira temporada, surge um personagem singular. O Aidan.

E o carinha é simplesmente ...diferente. Aidan está tranquilo na existência, cuidando da sua própria bagunça. É artista, está profissionalmente se firmando, tem amigos, pais e...não está procurando nada. O cara apenas singulariza suas relações e tece os vínculos de afeto com delicadeza. Não à toa, Aidan é marceneiro.

Uma coisa adorável no relacionamento que forma com Carrie é sua disponibilidade emocional para ESTAR. E sua estabilidade emocional para ...SAIR. Em vários episódios, Aidan fala a linguagem do 'Gosto e preciso de ti, mas quero logo explicar...não gosto porque preciso, preciso sim...por gostar' .

Tu podes me perguntar: Jaci, e por que não ser a Carrie? tu até escreves! 

Bom, um motivo simples: Carrie não é disponível, de verdade. Carrie se apaixona no primeiro episódio pelo Sr. Big, e como tenta com ele um relacionamento que perdura por dois anos e  este é um desastre, ela sai por aí - solteira emocionalmente indisponível por Manhattan. 

 É duro dizer isso, mas é a realidade.

De conhecer esses perfis todos, na 3a temporada eu estava preocupada: E SE EU FOR...o AIDAN?  Tu podes dizer: sorte a tua, Jaci!  Bom, sinceramente,  depois de pensar um bocado, eu também acho. Porque eu nunca quis ser o personagem principal, aquela galera que sofre horrores e tem suas vidas profundamente marcadas por doses cavalares de 'coragens' e reviravoltas.

Eu gosto da ideia de ser coadjuvante do drama cármico do Universo. Uma vida mais 'colaborativa' com o todo e harmônica com esse a existência. Dá trabalho, de todo jeito, mas não é trágico.  Porque bate um coração que coopera e convive com esse bando de personagens - e pasmem, em plena vida real, a gente tem de lidar com gente dublê.

Epílogo:

O problema .. é a Carrie. E o Sr. Big.

E esse universo bem maior e mais confuso que Sex And the City.

#

 (Terminei essa filosofia de boteco na madrugada. Perdoe aí se tiver algo fora de contexto, será revisado)

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Tem gente!





 Tem gente que só de a gente saber que existe dá um quentinho no coração, não é?

Gente que conversa macio, que a gente não vê o tempo passar...que tudo parece mais: mais quente, mais terno, mais interessante. Tem gente que está escorrendo sal sendo açúcar na nossa existência. Tem gente que escolhe presença ativa e que a gente sente um prazer danado em acomodar no dia.

Tem gente para quem a gente quer contar as coisas e com quem a gente pode contar...que a gente quer por perto...que sente falta...aproxima. Tem gente honesta, batalhadora, interessante, se encontrando para tomar um café, antes das seis, para falar de muitas formas como a estrada é sobre lealdade. Amizade, amizade bruta mesmo, daquela que não distingue nada: sexo, orientação, idade, sobrenome, religião...

Tem gente que chega e vira irmão no meio de uma piração dadana.

Tem gente com quem a gente não precisa 'performar' nada: vira quarta, quinta, sexta e sábado na netflix ou na noitada. E acorda novinho em folha, porque se sente...gente. Tem gente que parece nosso livro favorito: é filosofia pura, notas existenciais sobre existir. E, ainda assim, capaz de rir...de fazer rir...de ser gostosa...com bobices e manias, gente que é toda bordadinha, feita de detalhes...

É, tem gente que recarrega a gente. Com uma poesia, uma piada. Uma receita nova! Comidinha boa...um olhar quentinho. É, tem gente que é calor humano e isso, por si, já é um poema. Gente que teima e que conecta e que espalha acolhimento, mesmo quando a vida tá confusa. Tem gente que não tem tempo para nada, mas que para tudo para te abraçar. Para te acompanhar.  Que te conhece como as linhas de um lar. Que te faz respirar melhor só de saber que existe...

Tem gente que erra e aprende o caminho do acerto. Que volta, reconecta, reconhece a singularidade afeto. Tem gente que nem diz nada, só não repete o ato. E que não pede desculpas, mas aparece com um café quentinho, para refazer o laço...

Tem gente que a gente quer fazer qualquer coisa e 'qualquer nada' juntos. Que a gente nem quer escolher, só estar e acomodar. Que é bom até estar em silêncio e respirar...presença.

Tem um montão de gente que sara enquanto sangra, porque reconhece na ternura sua força maior. Tem tanta gente administrando sua confusão sem confundir ninguém, fazendo da vida um lugar honesto, interessante, colorido e colorível, formando laços, conexões e significados, aprendendo em conjunto como existir pode ser bom... como sentir é bonito...

Tem gente que brota um jardim no coração e que faz a gente descansar enquanto dança. 

Como se fosse um flow, uma magia quântica...

#

Ps: Fiz ainda ontem, para um amigo, que estava triste e  me disse que não sabe se existe gente legal no planeta. Pensei nas várias pessoas incríveis que compõem nosso acorde universal e fiz esse texto. Tem muito da minha experiência pessoal nele, mas espero que sirva para te lembrar...que  tá cheio de gente bacana, SIM. 
E os demais? como diz a Ester...ficam ali, naquela estante.
(Resolvi partilhar, para lembra para ti, que me lê...que viver é muito legal)
E acredite: tem gente bacana. 

"Não é trilho, é trilha"*: Faça o que tem de ser feito! ( Da sessão recém criada: As bruxas mágicas da minha Aldeia)




Fui vê-la. 

Seu mesmo olhar meigo machucou meu coração que se sente uma merda de frágil, nessas horas. Como sempre, essa mulher exala força.

- Como estamos? - Sorri.
'Faço o que tem que ser feito' - Ela respondeu.
Aliás...ela já me disse isso, há uns anos atrás, quando fiz essa mesma pergunta.
Inacreditavelmente forte, jovem e ternural, no meio das coisas duras da vida.
Ficamos em silêncio, mas logo engatilhamos o papo para um algo em comum: A nossa saudade. 
Mas ela ria doce, ao falar. 

No meio deste caminho, eu estava me perguntando um monte de coisas em silêncio, e ela solta esta pérola: Jaci, viver não é trilho, é trilha. Bagunçou meu coração. 

Adoro linhas retas. Tenho fotos nos trilhos do trem. Adoro alinhamento de coisas, coisas que se encaixam...acho tão bela a harmonia do enquadramento. Compreendo as 'paralelas' do Bel como a singularidade da perfeição...todo mundo é uma paralela? será? - Já escrevi sobre isso, por aqui. 

Tenho algumas recordações das  trilhas da vida, e das vezes em que plantei flores sobre pedregulhos. Deu certo, foi bom. Mas eu nunca penso na estrada como algo assim e isso me chocou...

E, de repente, ele - a nossa saudade -  sentou conosco e a lua no jardim ficou GIGANTE.

Ela acendeu um cigarro e parecia uma bruxa mágica, aliás...ela é uma bruxa mágica (acredite, existem bruxas comuns, depois que virou moda. E fadas más, que são outros 500). E me contou umas coisas de gente real: do amor como ato político, da negociação e da escolha cotidiana, do cru que existe em toda carne que é real. E da mística mágica de partilhar como ato. Como gesto. Não é algo fácil. 

Ela me falava do romance como algo construível e mais: não linear. Da não romantização do romance (alô, Kundera!).

Nessas horas, a literatura parece pouco, sabe? ouvir como um amor pode ser partilhado entre  bilhetes enamorados e tempo para o outro respirar.   Espaço para a piração do cotidiano, força para não romper o laço, flexibilidade para esticar o espaço e compatibilizar a química elementar de cada um. Escolher. Colher o escolhido, mas também o fruto que vem da equação.

De quando a força encontra com a força e ninguém precisa quebrar o fluxo, mesmo assim não sai desastre, mas sim conformação. Que a imperfeição e a perfeição são conceitos particulares, íntimos. Que, na vida real e possível, nada é linha reta- ou seja, não pode ser de paralelas. Existir é de se trilhar... 

De ouvir tanta coisa, pensei: Essa mulher é forte. Como é forte ( E pensar que a gente chama de sorte quando não conhece 'a trilha'). 

Falando coisas tão complexas, ela seguia ali, calma, me ensinando a como tomar água de sol e me alimentar da química elementar do universo para caminhar ...

É por isso que inspirou o amor daquele cara que olhava para ela, naquele momento, todo cheio de ternura. Fiquei encabulada, de ver e sentir aquela energia elementar natural. Falei menos, não quis incomodar eles dois. E também bem honrada, por ser eu a partilhar aquele momento. Sei que tem mais gente com quem fazem isso, porque são imensos...

Saí de lá sem saudades, alimentada de poesia. Em estado de.

Não aquela poesia toda rimadinha que eu gosto tanto, mas sim aquela que tem meio-fio quebrado e trilhas tortas do destino, que fala de dose como antídodo ou veneno e ensina que a imperfeição também é linda e, que nela, por distração, encontramos ...felicidade e beleza.


Não é trilho, é trilha.   E eu não sou boa com isso. Mas, quem é?

Façamos valer.

É o que tem que ser feito.



#

Responsabilidades Ternas

 



O dia vem, vestido de azul
Céu limpo, tempo claro
O resto é abstrato
Ainda não se deu de descobrir...

A vida tem uma lógica particular e clara:
Mesmo o que o olho neste instante vê
é feito de coisas milimetricamente passadas
Assim, somos eternos viajantes do tempo

Apenas demoramos - ou não percebemos -
O quão importante é o momento.

E de saber disso tudo, decido:
Quero toda a paz que puder construir  - Bons ventos!
Momentos e emoções blindadas de poesia
Caminhar de par em par com o riso, a bondade e a poesia...

Pois aprendi e entendi:  é sempre agora!
Estava escrito, mas é escolha - não se demora -
Um segundo pode mudar definitivamente a rota
Responsabilidade terna - é a meta.

Pois alguém me disse - e eu me faço cada vez mais -
 dona da própria história...

Responsabilidade com emoções - as minhas, as de quem toco
Pois somos canções e perfumes, permeados de carne, suor e sangue
Encarcerados dentro de frascos que só podem caminhar um passo por vez
Feito um rei dentro de seu próprio jogo de xadrez...

Por isso, para mim e para ti: "Amor e compaixão"
Dentro de um mundo onde tudo é tão confuso, disperso
Somos elos em conexão, pontos de luz em uma imensa jornada
Fontes de energia que encontram, dispersam e convergem

Em busca de nossa íntima e interconectada estrada...

#


Dias bonitos. :)

LUZ!

terça-feira, 2 de junho de 2026

Metafísica



O conta-gotas vida não diz nada
Águas abissais remam a maré
E só quem sabe quem se é
Mergulha no caos de si...

Em busca da liquidez  do (pró)fundo
A escorrer seus próprios absurdos
Sem medo do res ultado
Pela força do impulso vital cultivado...

Acrescer!  Expandir na multiplicação da implosão
Consumir o tempo e por ele não ser consumido
Independer da física para o sentido...
Leis do espaço,do passo, gravidade?

Ao plural da ciência  essa distinção!
Pulso a força de ser  coração
ritual  limiar entre o eterno e o segundo: Ser louca!
Verbo e  riso a escorrer no canto da boca...

#
Ah! como é bom ser louca...
(Republicado de 19.01. 2015, pois acessado e relembrado)

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Ternural*

Força
É paz
Não faz barulho, não brilha para ofuscar...
A natureza se refaz
Sem alarde

O fogo arde intensidades...e tudo isso é bom:
Carbono – deserto – composição!
Das estrelas
Nossas mãos.
 
União é bênção ...parece simples, mas é complexo
...Como tudo em nós.

Viver..."não é trilho, é trilha! "
Fui ensinada - ainda ontem - por  Sonia Canto
Mas isso não pode assustar e sim...mover
Galáxias podem se afastar ou reaproximar

Mas as paralelas se reencontram no infinito
Como é bonito pensar nas coisas todas que podemos ser quando já fomos...
Força...é paz: 
A natureza se refaz

Porque a força é...ternural


#
 

* Fiz esse poema após conversar com Sônia Canto sobre ...amor. (Con)Viver,amar.  Experimentar a existência ao lado de um grande amor. Conformar personalidades...escolher quem queremos ser e quem somos com o outro. Apesar de muito romântico, sentir é um ato político: resistência e afeto. Mas também negociar a ação: negociação. Achei muito parecido com um negócio jurídico, inclusive (risos). Tudo envolve muita honestidade, força delicada, ternura.

Comentei com essa percepção com ela - de que sinto uma força terna em sua presença. Ela riu e partilhou que Fernando a chamava de 'ternural'. Que lindeza. E aí o poema fez o caminho de casa...

Que os amores tenham a sorte e a coragem de serem enormes. E ternurais