quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Depois daquela janela ensolarada!

Foto:Nathy Favacho

Depois daquela janela ensolarada, há muitas ruas. Mundos inteiros para desvendar, passeios astrais, ancestrais ou além: como cada viajante conceber.
Depois daquela janela, há medos, intrigas, encontro com poesia, sucessivos sorrisos entremeado em decepções,mas há também vida, mais caótica,aleatória e colorida do que os giz de cera espalhados pelo chão.
Talvez tenha o dia inteirinho a ser vivenciado, sabores próprios de quem sai da janela. É, depois daquela janela, não estou tão protegida. Ou estou?
Daqui, grades silenciosas evocam a força do que a violência traz: medo.
Mas isso, claro...depois daquela janela.
Também tem o rio amazonas, o céu estrelado, as senhorinhas das missas das seis, sempre com seus terços em mãos.
Tem aquela molecada que esqueceu dos anos 2000 e está no meio da rua, a jogar um futebolzinho, últimos resquícios de convívio entre vizinhanças. 
Dizem até que tem amor,  a brincar com o poema. Um pouco do meu, dança ali, do outro lado da rua, entre os bem-te-vis. Outro pedaço, aqui comigo, brinca no sofá, menina-esperança que é.
Depois daquele sol todo, a atordoar a face, veio uma chuva gostosa, daquelas de fazer barulho ao tocar o chão, pingos grossos e fartos, para o ouvido matar a sede e os sentidos florescerem.
E tem as direções, as setas e ruas que traçarei, eu, que não traço planos e faço morada em curvas, viradas de caminho.

#


*De 12.08.2016...'Tempo, mano velho..."

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Nem uma linha a mais


  
Eu não vou mais falar de paixão ao pensar em ti.
Não vou.
Demoraste a entender que tudo em mim é decisão.
Sou lenta e macia quando deixo algo me tocar
Levo espaço para acomodar...preciso disso, confesso.
 
Nem uma linha a mais sobre nós: que perda de espaço no papel.
 
Acreditamentos são mágicos encantamentos: não coisa fria, de metal. 
Que a gente puxa ou dissolve...
 
Não vou dizer que não foi bom – foi sim.
O que leva coisa boa de mim deixa espaço para algo ainda melhor
Eu sei de cor falar em bondade em meio ao caos
Feito as nuvens que precisam da densa chuva para nascer arco-íris...
 
Não vou tentar te explicar – tu não consegues nem mesmo se entender.
Nem tentar te convencer...que bobice.
Paixão é paixão: ou a gente pega pela mão e se encoraja
Ou se esconde, amedrontado da viagem...(tudo é bagagem)
 
Também não vou dizer que não errei:  tive medo.
E me escondi dentro de mim, também
Dissolvi minha voltagem, te deixei na minha paisagem
Afinal, eu também tenho uma estante. Sabia?
 
De desencontro em desencontro:  Desencanto.
Tu não entendes de política, filosofia, psicologia ou poesia
E a verdade é que ninguém entende mesmo qualquer coisa.
E eu... não interpreto o portal dos silêncios.

#
 
*Publicado dos rascunhos, de algum lugar.  

Cansaço



Trago nas mãos
Notícias e canções
E um cansaço guardado
De parir palavras…

Prefiro sorrisos, silêncios 
Cheiro de café recém-coado
e o farfalhar das folhas 
que dançam com o vento, às seis....

Sinto que estou
Cada vez mais inapta
À sociedade e suas convenções
E acho que essa dislexia
Bem me cai…bem me faz!

- Desconfio de longos sermões,
Prefiro a verdade 
 da engenharia dos abraços
Aprecio o calor do traço
A sutil arquitetura

Quente de um arco…

- Como se o corpo soubesse que é um templo
Berço sagrado de sentir -

Não digo “amor”  a meros conhecidos
Ah! Amor não é bicho inofensivo:
Nem se desfaz feito fumaça de cigarro
- E seus danos colaterais
Têm mais estragos ... - 

E apesar da dureza cotidiana do existir
Sinto a beleza de ser e estar aqui!
Recordo sempre do mantra
Que repetia a antiga canção: 

''tudo é divino,maravilhoso''
- Mas também lição -

ah! Trago nas mãos
Notícias e canções
E um cansaço guardado
De parir palavras…

#

Palavras, esse dom que a gente aprende com o tempo...

E quem irá dizer que isso não é mesmo o grande plano de Deus?

*Republicado.

LUZ!

Viajante

                        

Percorro espaços de um mesmo lugar
Aprendo a ganhar novas voltas do tempo
Respeito o verbo dentro de cada verso
Seu próprio espaço, métrica e movimento...

Eu me descubro, com o passar dos (d)anos
e me refaço a cada verbo colhido
nem tão madura quanto gostaria,
ainda fico, às madrugadas, de papo com a poesia...

(Preciso disso, confesso)

Aqui, escrevo e reescrevo até compreender o mundo
Ou entender que algumas coisas não têm explicação
Torno mais bonito o aparar de arestas
feito o ar da madrugada, que escorre entre portas e frestas...

Quisera ter mais  do que chamam de 'tempo' 
o tal do tic tac do relógio carrasta-me em seus dedos!
Fazia tempo que não sabia que 'faz tanto tempo'...
Hoje, percebi o movimento

Já não somos nós e nem estamos sós
(Para a alegria das boas canções que nascem a cada dia)
Porque, para cada onda que bate à beira do Amazonas
Uma estrela cai,  nasce um amor: uma nova história?

Uma poesia!

#

Republicado de 18.09.2019...nem lembrava que tinha escrito isso. 
Amei recordar.

Causas Perdidas! (Em homenagem ao dia do Advogado e do Estudante - Republicado e revisado)

Eu ADORO vencer e trago um histórico bom neste quesito, na campo em que atuo, que é a minha paixão na advocacia. Vencer é um vício. O sentimento de potência, poder que carrega obter êxito, pode deixar qualquer um maluco. É também um instinto animal, afinal, somos em essência, predadores.

Já sabedor do vício de vencedores que acomete a humanidade, meu pai, que é professor, dizia: é para aquele aluno mais filho da p... mãe, aquele que testa meu emocional, que vão minhas maiores preces. 

Confesso, demorei a compreender. Como poderia o pior receber o melhor do meu pai? Por que não deixar essa potência direcionada para quem realmente estava 'apto' a recebê-la? tive longas conversas com o professor Vilhena, na vida. Essa foi uma delas. Demorei a entender.

A primeira vez  que entrei em uma sala de aula como professora, meu pai já estava do outro lado do rio. E foi na lida que percebi que eram aqueles mais complexos e que mais dependiam de mim, que iam meus maiores esforços. Sabe o que é?...é que não existe um aluno pior ou melhor. Existe humanidade, em uma sala de aula. Gente diferente. Que precisa de suporte de formas diferentes. Gente que também nos ensina. Porque há muita troca em lecionar!

Aos meus queridos e a mim, que sigo na jornada como estudante: obrigada. Feliz dia! E...ô, Pai... MUITO OBRIGADA. Sem saber que eu seguiria seus passos, você já me ensinava que a sala de aula é lugar de humanidade, de potências e fragilidades. Minhas e dos demais.

Na advocacia, algo igual aconteceu: fiz do meu maior pesadelo pessoal a potência do cuidado na atividade. Isso singulariza a gente: a paixão, a preocupação. A manutenção do peito quente e inconformado. Difícil explicar.

Mas é que as causas mais apaixonantes são justamente aquelas que dependem do estremo  esforço: aquelas que te arranham a goela para engolir um copo d´água. Não, não quer dizer que dou atenção diferenciada, mas, decerto que aquelas são que mais afetam minha emoção, acabam por desafiar a técnica. Faz parte. É que 'Advogar´é vestir a pele do outro, mesmo porque ad - vogado, etimologicamente, já nos recorda que é alguém que recebeu a outorga da voz.  Que honra.

Que honra poder ser a companhia eleita para a luta da vida de alguém. E também, que responsabilidade.  Por isso, acredito que o melhor profissional precisa ser uma boa pessoa. Fora disso, a técnica vira ambição sem medida. Isso desumaniza,  e torna tudo mecânico. 

Aliás, quântico que é, o Direito é feito de uma soma infinda de coisas - e sobram teorias acerca de sua densa matéria. Gosto de pensar na poesia do Prof. Goffredo Telles Jr, que diz que o Direito é quântico...na poética do Prof. Willias Santiago Guerra Filho...naqueles que leem a beleza que deve residir na estética do direito...e em suas substâncias.

Não à toa, tantos advogados foram e são...POETAS. 

Justamente por isso, hoje, quero falar daquilo que nenhum advogado gosta: AS CAUSAS PERDIDAS. Aquelas que, na última instância, não encontraram a guarida da justiça e que podem representar não a vergonha do profissional - que deu seu sangue e sua técnica. Mas, muitas vezes, a falência das matrizes das nossas diretrizes normativas. As nossas dificuldades como gente no nosso sistema de justiça. Que palavra poética. Profunda e difícil de enteder.

Nosso país é palco de muita desigualdade social e de muitos fenômenos comuns à américa latina: nossas veias abertas pelos europeus a golpes de machado deixaram lastros de pobreza e sistemas de poder desiguais - e o poder sem freio gerou todo o resto: Corrupção e tudo o mais.

Não aquela que atribuímos diretamente aos políticos. Todos estamos um pouco corrompidos da ideia da virtude. Nós somos um projeto de sucesso de subdesenvolvimento, desigualdade e exploração. A Europa queria isso. A cultura nos relembra.

E, reflexo disso, nosso sistema de justiça e o exercício de poder no executivo e judiciário contém desmedidas inerentes: operações policiais midiáticas reforçam a ideia de revanchismo social. Decisões e condenações sem rastro do devido processo legal - tão necessário à segurança jurídica - tem sido enfrentadas por nós, advogados. Tudo isso fruto da violência - como diria Arendt - esta, que é aplaudida por mim, por ti, quando achamos que o Estado é nosso 'vingador'...e do perigo de esquecermos da bondade que mora dentro da palavra...JUSTIÇA.

Quando as pessoas se tornam lobos revertidos de cordeiros, a engolir os seus. É nessas horas que a harmonia do universo se desequilibra. Quando a Lei deixa de ser meio para o Justo e vira animal a engolir sua própria pele. É nessas horas que dói ser gente.

E que dói ser advogado.

Assim, as causas perdidas lembram o porque existimos, nós, os advogados.

Existimos para relembrar aos mecanismos do Estado o quão a teoria, na prática, precisa vir revestida de teoria para que possamos falar em PODER. Porque poder, é autoridade. E autoridade é coerência. Tudo o mais é violência, já diria aquela que mencionei acima, Arendt. Lembrar de que estamos inseridos neste sistema de justiça ( e também social) é recordar...que tipo de gente eu quero continuar a ser? Que tipo de mundo quero construir?  Advogar sem se incomodar com isso é mecanicismo e carnificina. Aquilo que Chaplin chamou de 'Homens-máquina'.

Isso também nos lembra a importância de pensar em quem somos, fora do 'exercício dos papéis sociais'. Porque é aqui que construímos nosso senso de ética, moral, coletividade, empatia, bondade...é debaixo dos papéis sociais que mora a 'pele'. E a alma. O que aprendemos como gente, como foi a sua escola da vida?

Por isso, repito: lutar as causas ganhas é uma grande satisfação. Uma realização profissional, uma entrega do 'belo' à vida de alguém. Mas, seguir pelas causas perdidas é obrigação para com o Estado Democrático de Direito. Sabe aquele quebra-cabeça complicado, que desencaixado, perde todo o sentido? ...ser gente é saber que o quebra-cabeça precisa de encaixe.

A nossa missão aqui, envolve falar nisso. Na adequação de padrões à vida real. Na humanidade que reside dentro de cada história, de cada singular pessoa, sob os cuidados dessa 'matrix'. 

Quixote tinha bons companheiros, feitos de sonhos. Mas também de aspirações reais e defeitos, de medos e imperfeitas tentativas.  Tinha também a jornada, a ser realizada passo a passo, mesmo quando nem sempre a coragem lhe era o maior atributo, mas apenas o impulso amedrontado da procura...

...Leva tempo, muito tempo...para a gente entender a potência, o significado e a matriz da missão. E a olhar para isso com maturidade e ternura. Sigo aprendiz.



#

*Pai, obrigada por me ensinar o amor às causas perdidas.
*Republicado, pois refiz esse texto de madrugadinha.

Ensaios sobre a Diaba Vermelha, a Bruxa Ruiva e a Lua que não dorme! (Filosofia do Boteco e uma confissão)



Quantos apelidos tu tens?  

Já percebeste que os apelidos - muito mais que os nomes - são o nosso espaço emocional nos céus dos nossos afetos? ou nos infernos. Pois bem. Eu tenho vários apelidos.

Sou Jaici, para meu titio. Ou Copinho de Leite. Desde gita, sou flor de abril, para papai. Ou natureza. E, no ápice, sou a ‘Bruxa/Bruxinha’. Foi papai quem me explicou o poder de ser bruxa, discernindo com didática da ideia de maldade – estas, chamava de fadas más.
Para Rosângela, sou flor. Para Ester, sou anjo ruivo. Ou flor ruiva.
E tem quem me chame...de Bruxa Ruiva, Feiticeira ou... DIABA VERMELHA.

 (hahahahhahahahaha)

 O fato é que, risos à parte, essa galera toda aí em cima sou eu. O curioso disso é que, essa semana, conversando com um amigo, ele me disse que, para 90% das pessoas, sou apenas os demais adjetivos e para 10%, a tal DIABA VERMELHA. Senti no seu tom que queria dizer que eu escondo a dita ,de ti, que me lê. Eu ri. Não tenho mais toda essa expansão da Diaba.   ELA ESTÁ AQUI

Hoje tenho só 1% da DIABA , só  não mexa com a potência dessa porcentagem, afinal, eu não me decifro muito, mas também já não me 'mordo' ou devoro tanto assim (alô, Minotauro!) 

Essa memória - da Feiticeira ou da tal da DIABA VERMELHA -  me lembrou que o inferno, o céu e nossa natureza sempre foram parte da filosofia, da psicologia, da poesia...e do Direito, pois o mítico e o literário, o filosófico e o religioso flertam desde sempre.  

Sua etimologia vem do conceito de ‘Daimons’, que aliás, não é unificado, tendo referências extensas em Homero, Platão (que o atrela a Sócrates) e até mesmo na mitologia, na representação do Olimpo Grego, como Afrodite. A figura é analisada também na psicologia, por C.  Jung.

Na poesia, desde Homero, Daimons são...uma força – seja uma divindade ou um evento natural inexorável.  Ambíguos, bons ou maus. Uma voz, uma luz,  uma energia, consciência.  C. Jung menciona Daimons como uma força psicológica autônoma,  atrelada ao inconsciente, realizadora de vontades, confrontadora do ego. 

Para o Willis (Santiago Guerra Filho) – o filósofo mais incrível do País!!! -  os Daimons nos ajudam a compreender até hoje...as decisões humanas. O tal ‘impulso trágico’ que constitui a poesia, a filosofia e o Direito, pois parte da essência da humanidade: tudo tem muitos lados, somos um vértice...

Dos tempos idos até aqui, o termo Daimons e Demônios – terminologia derivada -  possuem uma fusão perigosa.  É que associamos os demônios  à Lúcifer, o tal inteligentíssimo anjo preferido do Criador. Enfim, o Diabo. Aquele que decaiu, na mitologia Cristã. O cara que hoje guarda as portas do tradicional inferno.

Entre mística, bruxaria, inferno e poder também temos outra coligação esquisita com a perspectiva de Potência/ Força. Pura lei da física unida à metafísica. Ou seja: tudo é direção.  Aliás, a teoria poiética do direito e a do Direito Quântico, do esposo da imortal Lygia Fagundes Telles, o renomado Prof. Gofredo Telles Jr, bebem desta perspectiva.  Carl Sagan concordaria, pois diz que somos mesmo...é poeira das estrelas. Força! Potência. Magiaaaa da física. Composição. PODER!

Por isso...

A Lua que não dorme e a Bruxa Ruiva põem a Diaba Vermelha para dormir lá no meu umbigo. Há tempos, elas negociam espaço e as duas primeiras ganham. Mas, ela ainda está aqui...e quer saber? já me tirou de enrascadas, já virou esquinas, já bateu portas e demitiu pessoas do meu coração. É, ela fez e aconteceu, e eu – a administração –  lidei com as consequências. Respeito seu impulso inaugural de colocar fogo no parquinho, no circo e no hospício - tudo ao mesmo tempo. É, a DIABA VERMELHA, já “ set fire to the rain”. 

Eu tento não jogar jogos vorazes. A Diaba Vermelha jogou e zerou o game. Sei, foi válido, pois nesse caminho, tudo foi poesia, piração e humanidade latente. Emoção sem métrica. Luz e poder ultrajovem: poesia na boca da noite, como diria Drummond!

A Diaba Vermelha, seu senso de justiça, sua força e gênio de lâmpada queimada precisa existir para salvar a Lua que não dorme, sua delicadeza, livros, metáforas... do seu medo de viver. A Bruxa trouxe a Lua e a Lua põe a Diaba para dormir, cotidianamente, com as canções de ninar de quem teve casinha na árvore, brincadeiras com os passarinhos, quintal cheio de flor de maracujá...

Não me preocupo em ser tanta gente. Teria  medo é de ser pouco.  Tenho medo de gente linear: elas sim, escondem algo.  Eu não escondo: apenas guardo. Sei, inclusive, que posso ser mais...

Por isso, gosto da Diaba Vermelha, ela já não me assusta. É um Daimon. Então, cuido bem do meu 1% e não uso sua expertise em qualquer esquina. Porque até o veneno apura (aviso). Ela dorme e descansa no meu umbigo, pois a LUA gosta de felicidade.  A Bruxa gosta de magia. De poções que não matam...e sabores adocicados. Elas seguem à risca o tal manual anti-b.o.

A Lua cuida de não ser tão curada a ponto de se tornar cinza. Um ser normal, sem multicolorido, seria uma pávida tragédia. Essa piração interna sustenta a órbita. A Lua e a Bruxa sabem que, as portas do seu inferno são cuidadas pela Diaba Vermelha, que vigia quem pode chegar ou quem precisa ir para ‘os quintos’. Alguns, apenas da mais completa ignorância.


LUZ!  
ASSOMBROS!

#

Observação 1: Não uso IA para compor imagens, pois respeito muito a propriedade intelectual e há um debate enorme nas artes acerca da apropriação da matéria humana pela replicação de padrões em IA. O lance é extenso.  Também não reviso textos por esse mecanismo, pois isso sim, acho uma desonestidade artística e acadêmica. É puro respeito à condição humana. Mas essa imagem eu ganhei, é minha exceção, porque está...'eu'.

*Republicado, pois ainda está entre os maiores acessos de Agosto. A Diaba aparece, às vezes. Confesso que ela tem um lado bom e um lado ruim. E que, seu lado ruim, costuma vir para me guiar...pois ela cuida das portas do meu inferno. E parece que este leitorado gosta. :)

Gratidão!


terça-feira, 11 de agosto de 2026

Conversas com Chico

 





Macapá também será uma cidade submersa, Chico?
Visitarão nossa igrejinha os escafandristas?
A casa do Canto e da Sonia, seus quadros, seus versos
A alma etérea da Maria Ester, seu jardim encantado...

'milênios no ar...'

- A Nea  nadando, igual a um peixinho, no jardim, com o Tondo -

Amores emersos! Ah, sentir, sentir -  densa matéria que transborda.

Flutua:
Hernani Vitor e d. Lourdes,  no café do fim de tarde
O verão e seu Nonato, que lealmente tocava à Paraci
Pois a paixão é o líquido do cálice da arte! 

Sentir, sentir - densa matéria que transborda.
´
Macapá tem mais amores p´ra contar, também.
Sorrisos guardados nas esquinas 
Nas dobras e nas margens do coração
 - alguns, deixados p´ra depois.

(Ah, mas que bobagem. 
Depois não existe)

A avenida FAB já viu dois loucos perseguindo o Sol.
Parece besteira, mas foi bonito. O tempo lhes dirá!
Já viu a lua descer sobre o infinito e dormir
De tanta intensidade...

E, descobrirão, daqui a milênios e milênios, os cientistas, neste mergulho
Que o amor é uma entidade etérea que resiste à efemeridade - É verdade...

A cidade estará acesa e dourada pelos tons do Amazonas
E assim permanecerá: Encantada.
Guardiã da beleza incandescente de existir
Sob as cores do Equador, temperada de amor...

-Ah!
... O sabor favorito de Deus!



#





Os ventos do Amazonas!

 Os ventos do amazonas falam:

Escuta  a mágica sabedoria da água

Que nasce de tão longe e se modela para transformar

Nesse gigante mar ...doce!

Os ventos do amazonas curam: é verdade!

Misturam com a pele da emoção e acalmam

A gente se navega um pouco melhor, depois disso.

Vive o rio...

Os ventos do Amazonas ensinam 

Direção e Movimento: Leveza!

É, eu sei, nem sempre dá para entender a voz de sua correnteza, pois,

Quando a gente faz barulho por dentro, tudo é chiado, caldo entornado

E a frequência perde a potência do encontro de tornar mensagem

E nem sempre a gente sabe a direção e a hora certa de remar

(E tudo torna mera paisagem)

Nestas horas, acalma: retorna à origem, que relembra:

 Os ventos do amazonas falam,

Sente, silencia e ouve a mágica sabedoria das águas...



#

domingo, 9 de agosto de 2026

Às margens do rio


Trago as mãos ásperas
Do sal das lágrimas
Que já verti.

Sem ti, 
saudade virou poesia
Verbo que chega e fica
já não pede mais permissão...

 Remo a canoa da vida
De um jeito manso e macio
Guiada por teu olhar
Na outra margem do rio...

Mas, ainda é agosto, e as marés rasas 
não dizem como atravessar!
A tênue fronteira da vida
Não se enternece para o amor!

(Quem sabe, no cair do próximo luar...)

Roda a estação...
Roda, rosa-louca do tempo!
... e porque  me geraste de amor
Eu te envio flores com meu pensamento! 

#


"Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você..."

Nada nesses 23 anos nos distanciou. Pelo contrário. Sou mais humana e, dizem que sou muito das coisas que te orgulham, como gente. Tenho as mesmas amizades, mas também sou amiga de gente nova que tu adorarias conhecer.  Ainda faço o 'dever de casa', mesmo quando é difícil, Pa(i)ssarinho. E faço a coisa certa, mesmo quando o certo dói em mim. Porque tem que ser. Porque fui ensinada e sei que, em tempos melhores, é ainda maior a minha responsabilidade. Eu estou feliz por te amar como meu Pai e sigo iluminada das tuas boas lições. MUITO OBRIGADA. 

P.s: Ei, Pai. Esse poema é o favorito da Maria Ester, que  enviaste direto das tuas aulas  no CCA ...para minha vida! Obrigada!. :)

Em qualquer canto
do teu voo
Recebe o meu amor!


Recados ao meu Pai (2026)


As mangueiras da cidade ainda sabem de ti
É verdade!
A poesia da Coriolano Jucá em dias de chuva segue sabendo
Do nosso amor...

O tempo não esquece nunca de parar para deixar dançar o teu sorriso
De menino levado, irônico, perdido...
Nossas horas e horas de papo sobre o mundo, em meio à vastidão de ser bicho 
Em meio ao mato, às águas e ao  sol equatorial...

Os livros na estante conhecem teu nome, sabia?
É verdade, Vilhena: 
E todos os meus poemas contém palavras que aprendi contigo,
Pois ainda risco o céu e o box do banheiro com elas...

Pensamentos que anotei sobre coisas que me ensinaste passeiam nas esquinas,
E me abraçam, às vezes, feito o anagrama 'Saudade', nos muros do CCA...

A vida acha bonito quando ouço uma canção e digo
"meu pai vai gostar disso'' - e cantarolo contigo, em pensamento...
E até o vento sabe que o nosso eterno amor é imutável
Inegociável tesouro.

Eu corrijo a postura por ti, sabia?
Não apenas a coluna, mas a ação...
Lembro da palavra integridade e a exercito, nos detalhes
Pois, em tempos melhores, é ainda mais minha obrigação...

Eu honro tua palavra quando escrevo, tu sabes
Mas, as ruas e os luares sabem que, por onde passo,
Tem teu passo.
 Antes e depois do meu...

Até meu timbre parece com o teu
 -Assim como a ternura e a honestidade - 
E não é segredo no universo que, por todo lado,
 ...sinto exalar o teu perfume!





#
" Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar...''

Eu te amo com esse sangue que ainda sabe escrever

Eu te amo com esse sangue que ainda sabe escrever
Que gosta de olhar para o jogo de amarelinha
Para lembrar como é estar contigo
Como quem lê um livro e sabe se tu ias gostar

E ainda sei que posso partilhar...

Eu te amo como quem espera um dia
Um encontro, um café, um riso
Contar as presepadas de 'parecer tanto'
Ainda que sem parecer...

Sabe, eu sei
Que ainda te orgulho até 'encher a tampa'
Ainda desço a rampa 
Pra molhar os pés no amazonas...

Eu te amo como quem não se despede:
- Que deselegância essa lágrima que cai, agora - 
Mas é apenas reforço da saudade
Como aquela rápida tempestade em dia de sol...

Eu te amo como quem ainda espera os domingos
E recolhe e acolhe histórias, verbos, poemas 
E outras coisas bonitas da vida para te mostrar:
..porque esse dia chegará!

-  E te amo como quem sabe que o outro lado do rio
É apenas um outro lugar - 
E que a gente se reencontra por milhões de anos
O que são apenas 19 anos?

Mas, confesso: que faz uma falta danada, faz
A gente risca poesia, ri de uma recordação
Junta retalhos e recompõe um dia
Agradece pela - boa - partilha

E diz: da próxima vez, vai ser ainda melhor
Tu vais ver!
Eu te amo com esse sangue 
Que ainda sabe escrever....




                                                                             #

Republicado de 2023,

Conversa com meu Pai (A melhor!)


Sorrio teu riso
Ouço tuas canções
Conto tuas piadas prontas,
Estou sempre pronta pra te reencontrar...

Visto o mesmo velho blusão verde 'cheguei'
Converso com o espelho que é tu
Ah! faço tanta coisa igual a ti
E até (ainda) reclamo do presidente Sarney...

Tenho esse gênio de lâmpada queimada
e os pés e telhados firmes 
(íntegra jornada)
E sempre envio flores pra tua caminhada...

Mas tenho tantas novidades!

Acho que tua menina cresceu, Pai
Viste como a rua do (antigo) CCA está bonita?
é, o mundo permanece incrível
apesar dos pesares da lida...

Há tanta solidão
Nem Robinson Crusoé aguentaria
Mas sei que eu jamais ando sozinha
Pois sou rima da tua poesia...

Aqui, ainda é Capi ou Waldez
E tudo se reveza de um jeito estranho
A vida permanece o velho equilíbrio:
Suportar as perdas e sustentar os ganhos...

às vezes,  colho teu abraço
nas mangueiras da Coriolano Jucá
e por força do hábito
penso que te vi, por lá...

Fiz poucas e boas
Bati e apanhei um bocado
Sei que tu riste das brigas:
conheces meu bom  - e o pior dos lados.

Bom, pai...até breve
o poema acaba e preciso aceitar
Se cuida, meu pai, que o vento te leve!
e que Deus te abrigue, até te reencontrar.

#

* Esse é o primeiro poema da sessão 'Conversas com meu Pai', e foi feito em 2017, É meu preferido. Republicado.

Conversa com meu Pai (Parte 3)




Os anéis de saturno ainda estão lá...
As mangueiras da Coriolano permanecem
O tempo levou o Jucá mais pra perto da Padre Júlio
E ainda mora, encoberto nos muros do antigo CCA,

Um anagrama da palavra saudade...

Eu ainda sou eu, sabia, Pai?
...tua menina.

Sigo teimosa e enluarada
E ainda digo não pras coisas erradas dessa vida
Ando mais calma, no direito sagrado de te amar
Mas, sem exigir do Universo o que não puder me dar...

É, Pai...

Eu quero de cada um só o que puder
Da vida, com esforço, sonho e doçura, busco mais
Pois quero que da tua sombra e do teu fruto
Venha para o mundo ainda mais amor e cheiro de jasmim

E sobretudo, quero te dar orgulho e paz, sempre que pensar em mim!

Já não se fala mais em Presidente Sarney, sabia, Pai?
E isso me recorda que o poder é uma ilusão
Mas ainda se fala em Capi e Waldez, papai querido
Porém, gente nova  vem trazendo mais daquele sonho antigo...


Não sei se saio daqui fazendo alguma diferença - Quem faz?
O mundo é mesmo um tão vasto mundo, José!
A gente se pergunta tanto 'e agora'?
De repente, a gente chega e, sempre num susto,

Vai embora...

E por aí, José? Como vai viver?
Já tomou um baré com o Madureira?
Já visitou os amores - aqui e acolá 
E foi pescar em alguma 'beira'? 

Há tanta saudade...nem sei dizer!
Faz uma eternidade que não me buscas pra almoçar
Faz um tempão que não tocas a campainha
Não vens com o pão ou me chamas pra lanchar...

Faz um tempão que a gente não ouve Chico
Não debate a matemática inconclusiva de existir
Ou eu te inquieto por algum filme ou quem sabe, um Pessoa
Ou a gente não foge da civilização

E fica em paz dentro de um rio ou uma lagoa...

De tudo isso, Pai,
Fica uma saudade que se alonga nos dias
Se dilui um pouco mais ou se adensa no decorrer das emoções
às vezes, até mesmo sem motivo
- O coração tem suas razões...

Bom, Pai...até breve!
O poema acaba e preciso aceitar
Que bom que nos une, sempre que a saudade vem
Esse elo que sagrado que a gente tem!

Bom, Pai...até breve
O poema relutantemente acaba...preciso aceitar
Se cuida meu pai, que o vento te leve!
E que Deus te abrigue, até eu te reencontrar...

#
*Poema de 2024, para ele, minha saudade.

sábado, 8 de agosto de 2026

Pequenas Notas sobre o Coração!

 



Meu coração não é burguês
Nunca deu ou recebeu trocado
EXAGERADO
Sente a vida com inteirezA:

- Por isso,
Não me peças um meio-calor, eu não sei fazer isso...

Fico me sentindo um animal descolado
Acuado na luz da lupa míope alheia
Como se estivesse errado estar e ser 
Dentro de um sentir -

Meu coração não faz feira para vender miúdos
é filosofia, paixão, estrelas, mundos!
Vive de desvendar infinitos...

Multiplicação:

 - Não sabe  fatiar-se em pedaços
Como uma embalagem  descartável de supermercado
Ou uma roupa de loja de departamento
Na esteira da liquidação...-

Ah! Meu coração é MALUCO,  real, vívido!

Vive de coisa bonita, acomoda o caos e a simplicidade
Certezas e de talvez, encontros, desencontros -  Complexidade!
Pois tudo que rima com felicidade e realidade
Dá um trabalho danado: é verdade.

(As coisas boas não chegam prontas e sentir dá medo, eu sei, tu sabes...)

Meu coração constrói suas verdades...devagar
Prova o mundo, deixa chegar...anota recados nas esquinas de um olhar...

Percebe a vida a cada instante - Deslumbrado!
Meu coração  - EXAGERADO
Respeita a dor e a maravilha de existir
Pois sabe o quão sagrado é o espaço do sentir

É, meu coração gosta da beleza da palavra...ACREDITAR!



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*Esse poema nasceu na hora que estava lendo outro poema com essa música.
Daí, veio fazer companhia... :)
LUZ!