quarta-feira, 22 de julho de 2026

Na Oca!

 



Na oca sou silêncio e  solidão
Calmaria de deserto...desconexão
Fora da área de serviço,desconfigurada
Alma mais inteira...ainda que penada!

Na oca...sou só mais um ser: Elementar!
Buscando o abrigo do vento
A carícia doce do ar...

Sou bicho, raiz, borboleta
Bruxa, flor, sol resplandecente
Lua aquecida pela visão linda de uma borboleta que sorri
Peito inerte, ainda que adoecido de si...

#


No meu lúdico intervalo, tanto valor!

*De 03.09.2014 - nas idas horas na Universidade Federal do Amapá. 
Como eu amava este lugar e estar lá. 
Minha alma lagrimou. A quem acessou este poema, muito obrigada!

Metamorfose


Todo dia acordo bicho
Olhando o cerco, desnorteado
para mim absurdo e desconhecido,
Irreconhecível aos meus...
Ansiando a distância de olhares
E do peso de falsos julgamentos
Animal acuado e aflito
Preso ao sabor dos acontecimentos...
Todo dia acordo bicho!
Bicho-papão, bicho-gente
-O mais medonho e maldito-
Cheio de caos e mudanças
Limitado à condição do imposto
Até quiçá, descanse o peso d´alma
Enfim, trancafiado a um corpo...
Inerte, imóvel...

Morto!





Ao Kafka, uma de minhas leituras mais instigantes, a literatura do absurdo mais real, quase louca, de tão normal...que  hoje estaria de aniversário!

*Republicado de 03.07.2013.



terça-feira, 21 de julho de 2026

Astronauta em mim


O meu infinito
É um conjunto de sorrisos
E a minha força 
Reside em tudo que acredito...

Entre o arco íris há um pote
De cor a mais : Um dia encontro!
Amanhã ou um dia a mais.
Tanto faz...

É, já não conto os segundos
Aproveito a dádiva de existir
Estar aqui, filha da chuva
Sem máscaras,sapatos ou luvas..

Não me perder no jogo de espelhos
Manter a velha fé, cumprir a sina
Seguir e aquietar a pulsação 
Sustentar meu coração de menina! 

#

*De 08.03.2016, republicado, pois acessado.

Vamos FARMAR AURA , falar de Ultraviolência, Ultraprocessados e Ultrapassados: OVNI´s em Macapá! Existe vida em Marte? (Filosofia do Boteco da Lua)

  " E existem muitos formatos
Que só têm verniz e não tem invenção
E tudo aquilo contra o que sempre lutam
É exatamente tudo aquilo que eles são...''


Tu és um modelo ultraprocessado em forma de gente.
Sabias disso?
Vou ao conceito:

"Ultraprocessado são formulações industriais prontas para consumo feitas com ingredientes extraídos de alimentos ou sintetizados em laboratório (como corantes e aromatizantes). Eles passam por várias etapas de processamento e contêm aditivos para imitar a "comida de verdade", sendo associados ao aumento de doenças crônicas"

Sabes quem fez esse conceito para mim, extraído da Academia Brasileira de Letras - e que eu poderia citar, por desonestidade literária? A IA. Mas por respeito a ti, que me lê, consultei o site de referência e está condensado, mas verdadeiro. Leia o texto integral aqui: https://www.academia.org.br/nossa-lingua/nova-palavra/ultraprocessado.

Bom, nós também somos formulações industriais condensadas, firmadas e alimentadas pela estrutura carnívora e canibal do capitalismo mais selvagem e ilógico, essa máquina de engolir gente. Todos sabemos disso. Criados para reproduzir 'Sísifo feliz', na busca eterna por prazer enlatado, vendido na forma de status, poder, grana, beleza,etc - tudo isso, conceitos ultraprocessados de sucesso e felicidade.

Por isso, eu me sinto confortável em ler distopias: Essas pessoas previram o grau de violência a que chegaríamos, não porque não viviam a violência, mas porque a vivenciavam sim: em graus diversos, a mesma perversidade.

Bauman, em 'A era do medo' - menos conhecidinho do que o seu livro popstar e a teoria popstar da liquidez, falava sobre a idade média exatamente nestes termos: MEDO, pavor. A modernidade ultraprocessou o MEDO e anestesiou nossa condição humana, sintetizou nossas relações e  fez com que a gente goste de ser o que eles queriam...pessoas-máquina. E, na narrativa de um passado pavoroso, ela nos amedronta e faz pensar que estamos bem, nós aqui, vivendo 1984 em pleno 2026 enquanto pensamos que 'farmamos aura'. O MEDO antecede a LIQUIDEZ e é a solidez de sua (in)concretude.

Afinal

'Quem controla o passado, controla o futuro. Quem controla o presente, domina o futuro'


O que me recorda essas novas gírias do momento...e o quão parecem inofensivas. Mas foram feitas em laboratório, é óbvio. Ou achas que a expressão SIX SEVEN nasceu da periferia do nosso País, que não conhece tanto de cultura anglo-americana assim para compreender o tamanho da dominação cultural das elites e a velha relação de dominados e dominantes expressa uma simples 'gíria'? Aliás, 1984 fala do crimepensar, naquela língua maquinalmente produzida para reduzir expressões e ...significados . Tudo tão angustiante.

Outra velha angústia que exorcizo agora: fui comprar carne no supermercado e ela estava ROSA. Rosinha, como a pele alva tão descrita nos romances que acabam com a estima de 57 milhões de mulheres pretas e pardas desse nosso país racista, misógino, homofóbico e fodido que xinga argentinos de racistas (não que eles não sejam) - perdoem a perda do prumo.

Sim, carne rosa e sem sangue, muito limpinha. Pronta para não ter gosto de NADA. Para servir para a balança que mede 120 g dos malhados de academia e não sujar a roupa daquele que trabalha e chega tarde para cozinhar. Aquela merda sem gosto que levei para casa sabendo que estou tão perdida quanto todo mundo, aqui.

E eu e tu sabemos que o corpo humano já possui elementos de plástico até no cérebro. Dizer que isso não é mutação de orgânico para ultraprocessado é bobagem. Puro otimismo. Os tempos nunca deixaram de ser o que são: velozes e vorazes.

Não digam que estou ficando velha e repetindo um papo cliché. Se bem que, é: talvez esteja. Todos os velhos repetem coisas bonitas do passado e esse é um jeito torto de sobreviver à mediocridade nossa de cada tempo, nunca menor ou maior: são hipocrisias reinventadas.

Se disso tu achas que não nascem movimentos como o Bolsonarismo e essa gente toda que quer ser salva de seus próprios pecados - a mesma lógica irracional do NAZISMO e de todas as grandes tragédias da humanidade, apenas não me leia- não tenho mais tanta paciência para debater, a não ser em sala de aula - aonde ainda rego sementes e sou regada por elas.

E eu não trago muitas respostas, neste texto hostil, que mais parece uma metralhadora de angústias. Na verdade, nunca traguei nada e nem precisei para ficar maluca e sinceramente não guardo opinião de quem faz isso para se salvar desse sentimento abissal que é se perceber humano.

A poesia me salva da ideia de tempos modernos, por cerca de uma hora e meia, ou o tempo em que demoro a acabar um livro bom...ou por 5 minutos daquela música que me enternece...beijar e abraçar alguém que amo, sabendo que somos uns enlatados gostosinhos...sei lá. Quem sabe com um pouco de sabor.

Eu só queria mesmo um jeito de não ser um produto ultraprocessado e colocado na bandeja, para ser consumida pelo tempo, entre gírias de laboratório, tônicos para crescer músculos fantasiosos, legumes nascidos  milagrosamente cada vez maiores e conceitos resumidos por IA.
Mas estou esperançosa, pois ontem um OVNI foi visto dando uma voltinha pelas bandas de Macapá. Será que existe vida em Marte?
                                                                                      #



Faz silêncio no meu coração como um rio parado...



 Faz silêncio no meu coração
Como um rio parado 
Sentir e espelhar a paisagem:
Luz e assombros...

O rio 
Parado
Vira enquadro
E celebra as sombras que desenham imagens em sua tez...

O rio acredita em visagem, pois sabe
Que a vida é mais do que a ilusória concretude da Fab ou da Paulista
A vida é equilibrista
Que brinca com as disparidades...

- Complementares?

Luz e (a)ssombros...

Sombras sob  a tez líquida da foz:
E um sol de lascar a alma, arde, aqui, em Macapá.
Faz silêncio no meu coração
Como um rio parado: Que dorme.

- O que será que ele diz?

#

Fiz esse poema após reler 'Um pouco além do Arquipélago - Onde acho que Deus mora' ontem, antes de dormir. Que baita incrível sorte existir no mesmo planeta que o Canto. 
Poema de 21.06.2026.

Aceleração!



 Eu corro muito para dentro de mim:
Da poesia que nasce, sutil, feito um riachinho,
Escorre...
Por isso, sou de fáceis lágrimas e sorrisos.

Eu me apaixono tanto! Por livros, arte, poesia, filmes, palavras, cheiros, percepções
Pessoas, não - estas, conto nos dedos da primeira mão.

Calmaria externa, piração interna: 
Sempre em busca da próxima dúvida
Qual o peso de todas as formigas que tem no universo?
Porque quem fala a verdade é tido como neurodivergente?

O que então, afinal, é ser gente??? 
Normal...que palavra perigosa (perdoe o tom jocoso na prosa)

E a canção não para de bater como pingos de água na caminha cabeça:

" De um lado esse carnaval, De outro a fome total...ôôôÔô...''

Falo tanto em amor: esta é a minha revolução geoeconômica, política!
Não esquecer o que importa só porque querem apagar meu coração
Com propagandas, compras, conceitos tolos, como 'status'
Ou próxima gíria do marketing explicando a felicidade para gente infeliz

Entorpecida do próprio fedor de cera, pus, excrementos - debaixo de fino verniz.

Respira macio comigo, pois nem todo mundo é assim: voltemos ao poema
Lugar aonde ainda vibram as coisas doces...

Pois há  quem sobreviva a esta morte em vida
É que tem gente p´ra caramba neste globo maluco - sempre fatal
Tanto barulho, tanta geografia, Métrica, cálculos de aritmética! 
Nada ideal.

Nunca fiz este estilo: nunca calculei o peso de ninguém
Porém...eu já tive um grilo e ele se chamava 'João'
É isso que queria contar de mim para ti, 
Hoje. 

Faz sentido? ...

A minha visão de sucesso depende
De quanto amor, afeto ou paixão podes partilhar
De quanta gente já feriste para alcançar teu pódio particular
Das coisas que és capaz ou não...

Corre na tua veia que tipo de aceleração, afinal?

Por quem teu coração acorda, o que te causa alegria
O que tu contas a Deus*  no fim do dia?
Será que ontem, falei do que verdadeiramente importa?
Nestas horas a gente nunca sabe qual é a porta para chamar de oração...

Deixo as pedras rolarem ciente de que, afinal, não há negociação:
Existir é difícil como engolir uma dose de cachaça em jejum
Afinal, mesmo Sísifo aprendeu o sentido real e comum da expressão
 'os deuses vendem quando dão'

E, apesar de parecer confusa, 
E nunca ter entendido a racionalidade da raiz quadrada da hipotenusa
Trago uma carta final na manga e ela é meu real (t)alento:
Eu sei que já me perdi ... faz tempo!



#


Este poema foi propositalmente feito sem conceito estético.
Tenho tido severas crises existenciais acerca do conceito de 'conceito' para arte ou produção literária.

*Republicado de 15.07.2026, pois é o mais acessado do momento.

A Maldição da residência Hill (poesia em forma de spoiler. Corra, se não gostar!)



Ensaios sobre vidas nubladas:
Pomet -  emit -  sonork:
- O tempo ao contrário não diz nada.

Mera sequência aleatória
Casa mal assombrada
lista de todas as angústias 
do que não pudemos pudemos fazer ...

Ao espelho, os monstros são eu e você
Outras frequências, ondas de som silenciadas
Partículas dissociadas,
 enlouquecemos.

Arrependimentos, fracassos, desejos não sucedidos:
Um fantasma é tudo aquilo que nunca foi dito
Sob o telhado de vidro, te faço um pedido:
"segure minhas mãos, enquanto caio"

Eu falho, tu falhas, nós falhamos.
Segure minhas mãos, enquanto conto os hematomas
Marcas de uso - cicatrizes, são histórias
"Você vê a casa, mas não sabe lê-las..."

- Eu não sei contá-las e não sei vivê-las...-

Foi só um sonho, foi só um sonho...um pesadelo!
"a jornada termina quando amantes se encontram"
Não existe desencontro, apenas desencantos
Um relógio parado desde antes...(desde antes!)

Casa infiltrada, somos água.
Vidas naufragadas, des/sincronismo
Nossos medos sabem do terror e estrago
Por isso, ao enfrentá-los: 
Meu bem, cuidado.

"O perdão é quente como uma lágrima"
Deixe a casa morrer com seus fantasmas!
Arrependimentos, dúvidas naufragadas
"O amor é a perda da lógica "
-E tudo que fica-

"O resto é confete", a história continua 
Um relógio parado desde antes, desde antes!
A casa se move, num engole-cospe vidas...
Não existem despedidas.

#

* Pode fazer sentido - ou não. Mas essa foi a MELHOR SÉRIE de terror que já vi, a coisa mais bem produzida e filosófica.
*Republicada de 21.10.2018. 
* Este é um dos poemas mais acessados da história do 'aluanaodorme' e faz muito sentido dentro de mim.


FANTASMAS DA HILL:

"E tudo isso, a culpa, o luto, os segredos, os fantasmas, nesse momento...são apenas medo. E o medo é  o abandono da lógica (...) Mas, ao que parece, o AMOR também. O amor é o abandono da lógica. O abandono voluntário dos padrões racionais. Nós cedemos a ele ou o combatemos. Mas não vivemos sem ele (...)Eu amei vocês. E vocês me amaram. Profundamente. O resto é...confete".

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Tu sabes! (Republicado)

                                                 


Tu sabes que amas quando nada do que o outro te diga te assusta tanto. Quando recebes segredos e  guardas: gostos, vontades...versos e avessos, naturais. Tu sabes que amas quando conhece a escuridão e sombras alheias e não te assustas, mergulhas sem necessitar clarear. Só coabitar. 
Quando detalhes parecem relevantes, cuidados naturais, e em essência, só um, só um abraço cura mais que todas as palavras ditas ou por toda poesia já escrita. Quando só o silêncio e o som daquela respiração bastam para desarmar teu sistema nervoso e fazer o coração dormir por horas...
Tu sabes que amas quando vê paisagens e pensa no ser amado. Quando vês paisagens no ser amado. Uma flor, um raio de sol diferente, uma folha que voou na face.Tu sabes que amas quando não condiciona presença. Quando torce e diz "vá lá, vai dar certo, estarei contigo''. Ou vai junto, pela vida...
Tu sabes que amas quando o outro não se torna assustador, apesar de conhecê-lo mundo e fundo e nenhuma ausência de luz pode diminuir o sentido, porque simplesmente faz. Tu sabes que amas quando está difícil de gostar daquele ser e, ainda assim, tu estás ali, para partilhar daquela existência, com as dores e delícias inerentes.
Tu sabes que amas quando companhia vira brincadeira: nas ruas e mensagens pichadas da cidade, nos mil dias de observação das mudanças das cores no rio, na hora da escolha de um filme, na admiração da explicação daquela música... ou quando perseguiram o sol naquele fim de tarde alaranjado. 
Tu sabes que amas, é isso.
Sem explicar, como diria 'o Bruxo'.
Sem precisar racionalizar ou cavucar no inconsciente. Com mil razões e emoções diferentes. Com gestos e afagos. Constâncias e cotidianos. No tédio e na doidera de existir. Na admiração inerente de amar o retrato e na visão real do ser, despido da idealização - de um jeito que nem Freud ou Jung entenderiam, porque veio antes mesmo do primeiro louco de amor o sentimento primitivo e passional da escolha e da renúncia. 
Porque tu sabes que amas quando a renúncia vira parte: renúncia do egoísmo, da oferta da liquidação, da projeção. É, tu só sabes. E tu sentes um nada-igual que cutuca a pele do coração...
É quando o leite derrama, e vocês vão juntos enxugar: Porque o leite derrama, meu bem, acrediteee. Tu sabes que amas quando o primeiro e o último pensamento  - ou tantos outros do dia- vão para um mesmo lugar, pedir abrigo sentimental...pois o amor é bicho teimoso, voa e volta, senta no alto da nossa cabeça, puxa o pensamento, de forma natural.
Tu sabes que amas quando canções conversam com a emoção e juntam as tuas mãos, de um jeito tão profundo... àquele certo alguém!


#


Acessado hoje.  Esqueci que havia escrito e achei lindo de republicar, mas acresci Freud e Jung, pois este texto brinca com algumas destas teorias...a do 'retrato'. 
De outra vida, de tããooo antigo. Mas fofo.

domingo, 19 de julho de 2026

Akai Ito



Mentes desalinhadas
Desajustam corações afins
- É uma pena...

Ainda bem que o poema
Tal como o fio invisível do 'está escrito'
Sabe mais que nós...

E assim, Akai Ito ou..."Maktub": 
'Está escrito, ou, tinha que acontecer'
Dos encontros e desencontros:
Aprender...desaprender...

Descobrir! Deixar sentir. 
Leve, borboletas no estômago:
Dançar. Viver
Fluir...

Mas, afinal, existe paixão sem isso?
Sem a fina pele, a fragilidade, o risco?
O medo e a audácia de sentir? 

Não adormecer, arrepiar, entusiasmar de verdade:
Afinal, existe poema sem coragem? 
- E  tu sabes,Poeta, coragem
É sempre o coração em ação...

Por isso e por tudo o mais:
Quebre os grilhões dos medos, 
Dê adeus à dor
Diga olá ao desconhecido!

Ou, ao re-conhecido
Elos de afeto:  
É sempre amor.


#

Fiz este poema em 27.03.2024,  para um casal de amigos, que segue na beleza da tentativa/ encontro. O poema está republicado com a música que ela escolheu. 
Guardem esse segredinho comigo, tá? :)

Ensaios sobre a Diaba Vermelha, a Bruxa Ruiva e a Lua que não dorme! (Filosofia do Boteco e uma confissão)



Quantos apelidos tu tens?  

Já percebeste que os apelidos - muito mais que os nomes - são o nosso espaço emocional nos céus dos nossos afetos? ou nos infernos. Pois bem. Eu tenho vários apelidos.


Sou Jaici, para meu titio. Ou Copinho de Leite. Desde gita, sou flor de abril, para papai. Ou natureza. E, no ápice, sou a ‘Bruxa/Bruxinha’. Foi papai quem me explicou o poder de ser bruxa, discernindo com didática da ideia de maldade – estas, chamava de fadas más.
Para Rosângela, sou flor. Para Ester, sou anjo ruivo. Ou flor ruiva.
E tem quem me chame...de Bruxa Ruiva, Feiticeira ou... DIABA VERMELHA.

 (hahahahhahahahaha)

 O fato é que, risos à parte, essa galera toda aí em cima sou eu. O curioso disso é que, essa semana, conversando com um amigo, ele me disse que, para 90% das pessoas, sou apenas os demais adjetivos e para 10%, a tal DIABA VERMELHA. Senti no seu tom que queria dizer que eu escondo a dita ,de ti, que me lê. Eu ri. Não tenho mais toda essa expansão da Diaba.  MAS ELA ESTÁ AQUI.

Hoje tenho só 1% da DIABA , só  não mexa com a potência dessa porcentagem, afinal, eu não me decifro muito, mas também já não me 'mordo' ou devoro tanto assim (alô, Minotauro!) 

Essa memória - da Feiticeira ou da tal da DIABA VERMELHA -  me lembrou que o inferno, o céu e nossa natureza sempre foram parte da filosofia, da psicologia, da poesia...e do Direito, pois o mítico e o literário, o filosófico e o religioso flertam desde sempre.  

Sua etimologia vem do conceito de ‘Daimons’, que aliás, não é unificado, tendo referências extensas em Homero, Platão (que o atrela a Sócrates) e até mesmo na mitologia, na representação do Olimpo Grego, como Afrodite. A figura é analisada também na psicologia, por C.  Jung.

Na poesia, desde Homero, Daimons são...uma força – seja uma divindade ou um evento natural inexorável.  Ambíguos, bons ou maus. Uma voz, uma luz,  uma energia, consciência.  C. Jung menciona Daimons como uma força psicológica autônoma,  atrelada ao inconsciente, realizadora de vontades, confrontadora do ego. 

Para o Willis (Santiago Guerra Filho) – o filósofo mais incrível do País!!! -  os Daimons nos ajudam a compreender até hoje...as decisões humanas. O tal ‘impulso trágico’ que constitui a poesia, a filosofia e o Direito, pois parte da essência da humanidade: tudo tem muitos lados, somos um vértice...

Dos tempos idos até aqui, o termo Daimons e Demônios – terminologia derivada -  possuem uma fusão perigosa.  É que associamos os demônios  à Lúcifer, o tal inteligentíssimo anjo preferido do Criador. Enfim, o Diabo. Aquele que decaiu, na mitologia Cristã. O cara que hoje guarda as portas do tradicional inferno.

Entre mística, bruxaria, inferno e poder também temos outra coligação esquisita com a perspectiva de Potência/ Força. Pura lei da física unida à metafísica. Ou seja: tudo é direção.  Aliás, a teoria poiética do direito e a do Direito Quântico, do esposo da imortal Lygia Fagundes Telles, o renomado Prof. Gofredo Telles Jr, bebem desta perspectiva.  Carl Sagan concordaria, pois diz que somos mesmo...é poeira das estrelas. Força! Potência. Magiaaaa da física. Composição. PODER!

Por isso...

A Lua que não dorme e a Bruxa Ruiva põem a Diaba Vermelha para dormir lá no meu umbigo. Há tempos, elas negociam espaço e as duas primeiras ganham. Mas, ela ainda está aqui...e quer saber? já me tirou de enrascadas, já virou esquinas, já bateu portas e demitiu pessoas do meu coração. É, ela fez e aconteceu, e eu – a administração –  lidei com as consequências. Respeito seu impulso inaugural de colocar fogo no parquinho, no circo e no hospício - tudo ao mesmo tempo. É, a DIABA VERMELHA, já “ set fire to the rain”. 

Eu tento não jogar jogos vorazes. A Diaba Vermelha jogou e zerou o game. Sei, foi válido, pois nesse caminho, tudo foi poesia, piração e humanidade latente. Emoção sem métrica. Luz e poder ultrajovem: poesia na boca da noite, como diria Drummond!

A Diaba Vermelha, seu senso de força e seu gênio de lâmpada queimada precisam existir para salvar a Lua que não dorme, sua delicadeza, livros, metáforas... do seu medo de viver. A Bruxa trouxe a Lua e a Lua põe a Diaba para dormir, cotidianamente, com as canções de ninar de quem teve casinha na árvore, brincadeiras com os passarinhos, quintal cheio de flor de maracujá...

Não me preocupo em ser tanta gente. Teria  medo é de ser pouco.  Tenho medo de gente linear: elas sim, escondem algo.  Eu não escondo: apenas guardo. Sei, inclusive, que posso ser mais...

Por isso, gosto da Diaba Vermelha, ela já não me assusta. É um Daimon. Então, cuido bem do meu 1% e não uso sua expertise em qualquer esquina. Porque até o veneno apura (aviso). Ela dorme e descansa no meu umbigo, pois a LUA gosta de felicidade.  A Bruxa gosta de magia. De poções que não matam...e sabores adocicados. Elas seguem à risca o tal manual anti-b.o.

A Lua cuida de não ser tão curada a ponto de se tornar cinza. Um ser normal, sem multicolorido, seria uma pávida tragédia. Essa piração interna sustenta a órbita. A Lua e a Bruxa sabem que, as portas do seu inferno são cuidadas pela Diaba Vermelha, que vigia quem pode chegar ou quem precisa ir para ‘os quintos’. Alguns, apenas da mais completa ignorância.


LUZ!  
ASSOMBROS!

#

Observação 1: Não uso IA para compor imagens, pois respeito muito a propriedade intelectual e há um debate enorme nas artes acerca da apropriação da matéria humana pela replicação de padrões em IA. O lance é extenso.  Também não reviso textos por esse mecanismo, pois isso sim, acho uma desonestidade artística e acadêmica. É puro respeito à condição humana. Mas essa imagem eu ganhei, é minha exceção, porque está...'eu'.

*Republicado, pois é a coisa mais acessada do mês. Gratidão!


sexta-feira, 17 de julho de 2026

Ensaios sobre o Instante.


 
Planejar um sonho em voz baixinha
No ritmo da chuva que cai e acelera e depois fica mansa
Pois mesmo a tempestade diminui a marcha 
No vai-e-vem da natureza que tão mansamente lava a estrada.
Deixa a highway iluminada!

... Seria a JK ...ou o meu olhar?
-  Faz tempo que não me percebo tão feliz, confesso.

E digo isso com um tipo de vergonha tímida de quem sabe
O quão a vida pode revirar, a qualquer momento, 
Enlouquecer e agitar a tépida maresia do instante
-Mas, mesmo isso, é bom.

Acho que, depois de um tempo,
Ou a gente aprende a colher a doçura do fruto do instante
Ou vive de futuro e de passado
E, por todo lado, eu vejo gente que se perdeu nesse caminho de angústia ou ambição...

Ah, deixa p´ra lá - não quero mais ter razão.
Nem quero nem mesmo pensar ou falar sobre isso
Quero fazer ....feitiço! 
Simples.

Quero só chegar em casa, falar com meus amores
Saber que o dia foi bom, descansar meu par de asas,
Contar o meu dia, fazer poesia, ouvir uma canção:
Aprender uma nova forma de fazer o mesmo macarrão!

Ainda gosto de Cecílias e Clarices - lágrimas e acidez
Ler um Pessoa ou beber a calmaria do Bruxo
E do Canto,Alcinea e Ester - sou um bom freguês
Mas aprecio também... o silêncio. A natureza. 

Esse barulho da água no telhado fazendo um barulhinho doce
dentro do coração...

Descubro a existência desse ser que dança, ri, reza e celebra - Em camadas. 
É surpreendente se deixar descomplicar:
O que me cabe e o que não me cabe no tipo de densidade
Que me faz sorrir...e o que me faz sarar...

!

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