domingo, 9 de agosto de 2026

Às margens do rio


Trago as mãos ásperas
Do sal das lágrimas
Que já verti.

Sem ti, 
saudade virou poesia
Verbo que chega e fica
já não pede mais permissão...

 Remo a canoa da vida
De um jeito manso e macio
Guiada por teu olhar
Na outra margem do rio...

Mas, ainda é agosto, e as marés rasas 
não dizem como atravessar!
A tênue fronteira da vida
Não se enternece para o amor!

(Quem sabe, no cair do próximo luar...)

Roda a estação...
Roda, rosa-louca do tempo!
... e porque  me geraste de amor
Eu te envio flores com meu pensamento! 

#


"Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você..."

Nada nesses 23 anos nos distanciou. Pelo contrário. Sou mais humana e, dizem que sou muito das coisas que te orgulham, como gente. Tenho as mesmas amizades, mas também sou amiga de gente nova que tu adorarias conhecer.  Ainda faço o 'dever de casa', mesmo quando é difícil, Pa(i)ssarinho. E faço a coisa certa, mesmo quando o certo dói em mim. Porque tem que ser. Porque fui ensinada e sei que, em tempos melhores, é ainda maior a minha responsabilidade. Eu estou feliz por te amar como meu Pai e sigo iluminada das tuas boas lições. MUITO OBRIGADA. 

P.s: Ei, Pai. Esse poema é o favorito da Maria Ester, que  enviaste direto das tuas aulas  no CCA ...para minha vida! Obrigada!. :)

Em qualquer canto
do teu voo
Recebe o meu amor!


Recados ao meu Pai (2026)


As mangueiras da cidade ainda sabem de ti
É verdade!
A poesia da Coriolano Jucá em dias de chuva segue sabendo
Do nosso amor...

O tempo não esquece nunca de parar para deixar dançar o teu sorriso
De menino levado, irônico, perdido...
Nossas horas e horas de papo sobre o mundo, em meio à vastidão de ser bicho 
Em meio ao mato, às águas e ao  sol equatorial...

Os livros na estante conhecem teu nome, sabia?
É verdade, Vilhena: 
E todos os meus poemas contém palavras que aprendi contigo,
Pois ainda risco o céu e o box do banheiro com elas...

Pensamentos que anotei sobre coisas que me ensinaste passeiam nas esquinas,
E me abraçam, às vezes, feito o anagrama 'Saudade', nos muros do CCA...

A vida acha bonito quando ouço uma canção e digo
"meu pai vai gostar disso'' - e cantarolo contigo, em pensamento...
E até o vento sabe que o nosso eterno amor é imutável
Inegociável tesouro.

Eu corrijo a postura por ti, sabia?
Não apenas a coluna, mas a ação...
Lembro da palavra integridade e a exercito, nos detalhes
Pois, em tempos melhores, é ainda mais minha obrigação...

Eu honro tua palavra quando escrevo, tu sabes
Mas, as ruas e os luares sabem que, por onde passo,
Tem teu passo.
 Antes e depois do meu...

Até meu timbre parece com o teu
 -Assim como a ternura e a honestidade - 
E não é segredo no universo que, por todo lado,
 ...sinto exalar o teu perfume!





#
" Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar...''

Eu te amo com esse sangue que ainda sabe escrever

Eu te amo com esse sangue que ainda sabe escrever
Que gosta de olhar para o jogo de amarelinha
Para lembrar como é estar contigo
Como quem lê um livro e sabe se tu ias gostar

E ainda sei que posso partilhar...

Eu te amo como quem espera um dia
Um encontro, um café, um riso
Contar as presepadas de 'parecer tanto'
Ainda que sem parecer...

Sabe, eu sei
Que ainda te orgulho até 'encher a tampa'
Ainda desço a rampa 
Pra molhar os pés no amazonas...

Eu te amo como quem não se despede:
- Que deselegância essa lágrima que cai, agora - 
Mas é apenas reforço da saudade
Como aquela rápida tempestade em dia de sol...

Eu te amo como quem ainda espera os domingos
E recolhe e acolhe histórias, verbos, poemas 
E outras coisas bonitas da vida para te mostrar:
..porque esse dia chegará!

-  E te amo como quem sabe que o outro lado do rio
É apenas um outro lugar - 
E que a gente se reencontra por milhões de anos
O que são apenas 19 anos?

Mas, confesso: que faz uma falta danada, faz
A gente risca poesia, ri de uma recordação
Junta retalhos e recompõe um dia
Agradece pela - boa - partilha

E diz: da próxima vez, vai ser ainda melhor
Tu vais ver!
Eu te amo com esse sangue 
Que ainda sabe escrever....




                                                                             #

Republicado de 2023,

Conversa com meu Pai (A melhor!)


Sorrio teu riso
Ouço tuas canções
Conto tuas piadas prontas,
Estou sempre pronta pra te reencontrar...

Visto o mesmo velho blusão verde 'cheguei'
Converso com o espelho que é tu
Ah! faço tanta coisa igual a ti
E até (ainda) reclamo do presidente Sarney...

Tenho esse gênio de lâmpada queimada
e os pés e telhados firmes 
(íntegra jornada)
E sempre envio flores pra tua caminhada...

Mas tenho tantas novidades!

Acho que tua menina cresceu, Pai
Viste como a rua do (antigo) CCA está bonita?
é, o mundo permanece incrível
apesar dos pesares da lida...

Há tanta solidão
Nem Robinson Crusoé aguentaria
Mas sei que eu jamais ando sozinha
Pois sou rima da tua poesia...

Aqui, ainda é Capi ou Waldez
E tudo se reveza de um jeito estranho
A vida permanece o velho equilíbrio:
Suportar as perdas e sustentar os ganhos...

às vezes,  colho teu abraço
nas mangueiras da Coriolano Jucá
e por força do hábito
penso que te vi, por lá...

Fiz poucas e boas
Bati e apanhei um bocado
Sei que tu riste das brigas:
conheces meu bom  - e o pior dos lados.

Bom, pai...até breve
o poema acaba e preciso aceitar
Se cuida, meu pai, que o vento te leve!
e que Deus te abrigue, até te reencontrar.

#

* Esse é o primeiro poema da sessão 'Conversas com meu Pai', e foi feito em 2017, É meu preferido. Republicado.

Conversa com meu Pai (Parte 3)




Os anéis de saturno ainda estão lá...
As mangueiras da Coriolano permanecem
O tempo levou o Jucá mais pra perto da Padre Júlio
E ainda mora, encoberto nos muros do antigo CCA,

Um anagrama da palavra saudade...

Eu ainda sou eu, sabia, Pai?
...tua menina.

Sigo teimosa e enluarada
E ainda digo não pras coisas erradas dessa vida
Ando mais calma, no direito sagrado de te amar
Mas, sem exigir do Universo o que não puder me dar...

É, Pai...

Eu quero de cada um só o que puder
Da vida, com esforço, sonho e doçura, busco mais
Pois quero que da tua sombra e do teu fruto
Venha para o mundo ainda mais amor e cheiro de jasmim

E sobretudo, quero te dar orgulho e paz, sempre que pensar em mim!

Já não se fala mais em Presidente Sarney, sabia, Pai?
E isso me recorda que o poder é uma ilusão
Mas ainda se fala em Capi e Waldez, papai querido
Porém, gente nova  vem trazendo mais daquele sonho antigo...


Não sei se saio daqui fazendo alguma diferença - Quem faz?
O mundo é mesmo um tão vasto mundo, José!
A gente se pergunta tanto 'e agora'?
De repente, a gente chega e, sempre num susto,

Vai embora...

E por aí, José? Como vai viver?
Já tomou um baré com o Madureira?
Já visitou os amores - aqui e acolá 
E foi pescar em alguma 'beira'? 

Há tanta saudade...nem sei dizer!
Faz uma eternidade que não me buscas pra almoçar
Faz um tempão que não tocas a campainha
Não vens com o pão ou me chamas pra lanchar...

Faz um tempão que a gente não ouve Chico
Não debate a matemática inconclusiva de existir
Ou eu te inquieto por algum filme ou quem sabe, um Pessoa
Ou a gente não foge da civilização

E fica em paz dentro de um rio ou uma lagoa...

De tudo isso, Pai,
Fica uma saudade que se alonga nos dias
Se dilui um pouco mais ou se adensa no decorrer das emoções
às vezes, até mesmo sem motivo
- O coração tem suas razões...

Bom, Pai...até breve!
O poema acaba e preciso aceitar
Que bom que nos une, sempre que a saudade vem
Esse elo que sagrado que a gente tem!

Bom, Pai...até breve
O poema relutantemente acaba...preciso aceitar
Se cuida meu pai, que o vento te leve!
E que Deus te abrigue, até eu te reencontrar...

#
*Poema de 2024, para ele, minha saudade.

sábado, 8 de agosto de 2026

Pequenas Notas sobre o Coração!

 



Meu coração não é burguês
Nunca deu ou recebeu trocado
EXAGERADO
Sente a vida com inteirezA:

- Por isso,
Não me peças um meio-calor, eu não sei fazer isso...

Fico me sentindo um animal descolado
Acuado na luz da lupa míope alheia
Como se estivesse errado estar e ser 
Dentro de um sentir -

Meu coração não faz feira para vender miúdos
é filosofia, paixão, estrelas, mundos!
Vive de desvendar infinitos...

Multiplicação:

 - Não sabe  fatiar-se em pedaços
Como uma embalagem  descartável de supermercado
Ou uma roupa de loja de departamento
Na esteira da liquidação...-

Ah! Meu coração é MALUCO,  real, vívido!

Vive de coisa bonita, acomoda o caos e a simplicidade
Certezas e de talvez, encontros, desencontros -  Complexidade!
Pois tudo que rima com felicidade e realidade
Dá um trabalho danado: é verdade.

(As coisas boas não chegam prontas e sentir dá medo, eu sei, tu sabes...)

Meu coração constrói suas verdades...devagar
Prova o mundo, deixa chegar...anota recados nas esquinas de um olhar...

Percebe a vida a cada instante - Deslumbrado!
Meu coração  - EXAGERADO
Respeita a dor e a maravilha de existir
Pois sabe o quão sagrado é o espaço do sentir

É, meu coração gosta da beleza da palavra...ACREDITAR!



#

*Esse poema nasceu na hora que estava lendo outro poema com essa música.
Daí, veio fazer companhia... :)
LUZ!

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Inadaptação!

 Eu não vou deixar de brincar com a eternidade - não vou.
Mesmo sabendo que posso morrer amanhã, porra.
Ah, não. Nunca viste um poema puto bruto?
Este aqui nasce cansado: calado pelo desespero mudo

Dessas coisas plásticas, cérebros apodrecidos e almas pálidas
Gente cumprindo o ofício para viver três horinhas do dia
Depois de morrer o dia todo
Muita hipocrisia, muita conveniência, pouco encontro

Tudo tão banal...

Eu não vou, não vou mesmo, acreditar que as coisas são o que são.
Tenho um coração e ele bate as não-obviedades: 
Quero ser doida de muitas formas diferentes
Quero ser lembrada por ser gente,  quente, presente.

Por realmente enlaçar minha alma aonde tocar meus abraços...

Quero ser ignorada pelos que se acham poderosos, pois eu sou frágil:
Muito frágil e quebrável. Mas, muito capaz de recompor...
Quero passar batida para quem pratica o desvio da conduta
E depois se exime da autorresponsabilidade da ação

Pois a gente é comunhão entre quem acredita ser e o que é, de verdade...
Por isso, me conta, na realidade: Do que tu és capaz?

Quero conquistar minha paz no poder do gesto, dos elos
Conformar meu coração e desacostumar de todo resto:
Eu não preciso aprender isso.
Não preciso.

Não vou.

Nunca fui assim tão civilizada, sempre andei meio deslocada
À procura dos meus iguais...e eles existem (Que alívio!)
Ainda não sei do que são feitas as nuvens ou se a humanidade conheceu a lua
De verdade

E sei que os canalhas já nem pensam nisso! Pois sobrevivem do que lhes convém
(E tudo bem...cada um leva da vida, afinal, o agridoce do que lhe retém)

O que me busco é simples e audacioso - Ainda que discreto!
Nesse gigante grão do espaço sideral onde guerreiam 8 bilhões de corações
Entre a vida e o frio do concreto tão direto
Ah!Quero viver, ouvir e ver acontecer

histórias de amor...!


#

.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Toda poesia

 



Olho a tarde cair
até mesmo a natureza cai,
o dia vai, a gente é assim…
s´tá sempre findando um pouquinho. 

A vida não é ideal
e apesar disso, ainda é lindo
sorrir, pendurar poemas no varal
fazer alguma coisa a mais
Que apenas respirar. 

Regar, ainda que aos pouquinhos
desenhar as páginas pálidas do cotidiano
sustentar os ganhos, os planos, os sonhos
pacientemente acreditar na estrada.

É isso: Acreditar na estrada e ser doce! 

Por isso a fé,
os olhos voltados para o céu azul, o sol
por isso o jardim, o arco-íris, as lavadeiras
por isso, toda a poesia – é teimosia.

Só teimosia boa… 

Por isso as linhas que falam em amor,
palavras feito: bênção, quintal, flor e magia
delicadeza, beleza, alegria…
é teimosia, só teimosia

é só vontade de acreditar
(Na vida)

 #

Poesia é casa. Estar nela é estar no lar. Daí a imagem.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Mágica e métrica!

 


Desde criança, olho o céu
Vejo na vida a beleza da magia
sempre soube que as nuvens não eram de algodão!
Mesmo assim, a cada dia,
Inspiro e sinto o gosto adocicado do céu

Do azul entremeado às pequenas alegrias…

Sou assim: realidade, clareza
Permeada da luz do lado bom
Sem esquecer minha própria escuridão
Afinal, somos imperfeitas dualidades:
Cristais que exalam a luz que recebem

E acolhem (im)próprias tempestades…

Agradeço a experiência de existir:  não esqueço detalhes preciosos
Rir em conjunto ou reverenciar a maré, a cor do sol quando vai
Pequenos elos de delicadeza
Entre nós, o criador e a tarde que cai…

Confesso:
Acho que há um pote de mel
Depois do arco-íris
Afinal, que graça teria?
Não pensar, sonhar e ver
O leve colorido dos dias…

A vida sem a arte do belo
Seria apenas encontro com a brutalidade
 E desta deselegância do existir, é preciso bem se proteger 
Sem fazer disto a própria realidade:
eis a mágica e a métrica de ‘ser’.

Ainda acredito em fadas!
Sentimentos bons, ternura!
Em bruxas, magias, divindades, duendes
Na força poderosa da palavra
No elo sagrado de ser gente…

Também não desacredito no avesso:
Paralelas…desencantos e desencontros... 
Mas insisto na reza do poeta
Que diz que a vida ‘é a arte do encontro’.
 
#
 


Pimenta de Cheiro!

 



 Eu não caberia no teu olhar
Minha alma é quente, Setentrional
Interestelar!
Originária, quântica, verdade que
brota nascente

Eu trago a carne viva
E o peito quente

Não vais conseguir me dizer
O tom que me recai melhor
A natureza fala
e sua língua
Sei de cor

Não vou vestir a capa
Que te recai tão bem
Sou filha da lua
O amazonas me tem

Não adianta pedir
A mudança dos meus cabelos
Filha de tupã
Reconheço a mentira pelo cheiro

Sincrética, híbrida: natural
A moda é parte da cultura - e não seu curto avesso
O seu olhar de desdém não me afeta
Tu não tens (esse) tempero

Eu sou mata, flor, ipê
Lavadeira nascida em solo de concreto
Bruxa e curandeira, Pomba-gira, Matinta,
Pimenta de cheiro!

                                                                                #

*Este poema foi feito para o tanto que as mulheres do norte são tidas como 'temperadas'.

Porque nós...somos mesmo. MUITO. :)

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Ausência Calma


 Uma ausência calma
Um adeus tão manso quanto um domingo
Risco as linhas da poesia e, entre os risos do dia,
Não tem mais teu nome preso na minha língua...

"Suave coisa nenhuma" - ecoa nos recantos escondidos de mim...

Desisto de entender. Desisto.

A clara-luz-do-dia convida a viver...e eu vou
Sabedora que as estradas são o impulso da direção
Guardo teu beijo no coração
Deixo a memória de nós dois em paz

"...e ficamos suspensos/ Perdidos no Espaço...''

Quem diria que algo tão doce teria por epílogo essas canções?
Quem explica nossas emoções?
Quem as escolhe?
E as ondas do amazonas recolhem e levam o teu nome...


#


*De 26.04.2026, republicado, pois acessado no 'agora'.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Ensaios sobre a Diaba Vermelha, a Bruxa Ruiva e a Lua que não dorme! (Filosofia do Boteco e uma confissão)



Quantos apelidos tu tens?  

Já percebeste que os apelidos - muito mais que os nomes - são o nosso espaço emocional nos céus dos nossos afetos? ou nos infernos. Pois bem. Eu tenho vários apelidos.


Sou Jaici, para meu titio. Ou Copinho de Leite. Desde gita, sou flor de abril, para papai. Ou natureza. E, no ápice, sou a ‘Bruxa/Bruxinha’. Foi papai quem me explicou o poder de ser bruxa, discernindo com didática da ideia de maldade – estas, chamava de fadas más.
Para Rosângela, sou flor. Para Ester, sou anjo ruivo. Ou flor ruiva.
E tem quem me chame...de Bruxa Ruiva, Feiticeira ou... DIABA VERMELHA.

 (hahahahhahahahaha)

 O fato é que, risos à parte, essa galera toda aí em cima sou eu. O curioso disso é que, essa semana, conversando com um amigo, ele me disse que, para 90% das pessoas, sou apenas os demais adjetivos e para 10%, a tal DIABA VERMELHA. Senti no seu tom que queria dizer que eu escondo a dita ,de ti, que me lê. Eu ri. Não tenho mais toda essa expansão da Diaba.  MAS ELA ESTÁ AQUI

Hoje tenho só 1% da DIABA , só  não mexa com a potência dessa porcentagem, afinal, eu não me decifro muito, mas também já não me 'mordo' ou devoro tanto assim (alô, Minotauro!) 

Essa memória - da Feiticeira ou da tal da DIABA VERMELHA -  me lembrou que o inferno, o céu e nossa natureza sempre foram parte da filosofia, da psicologia, da poesia...e do Direito, pois o mítico e o literário, o filosófico e o religioso flertam desde sempre.  

Sua etimologia vem do conceito de ‘Daimons’, que aliás, não é unificado, tendo referências extensas em Homero, Platão (que o atrela a Sócrates) e até mesmo na mitologia, na representação do Olimpo Grego, como Afrodite. A figura é analisada também na psicologia, por C.  Jung.

Na poesia, desde Homero, Daimons são...uma força – seja uma divindade ou um evento natural inexorável.  Ambíguos, bons ou maus. Uma voz, uma luz,  uma energia, consciência.  C. Jung menciona Daimons como uma força psicológica autônoma,  atrelada ao inconsciente, realizadora de vontades, confrontadora do ego. 

Para o Willis (Santiago Guerra Filho) – o filósofo mais incrível do País!!! -  os Daimons nos ajudam a compreender até hoje...as decisões humanas. O tal ‘impulso trágico’ que constitui a poesia, a filosofia e o Direito, pois parte da essência da humanidade: tudo tem muitos lados, somos um vértice...

Dos tempos idos até aqui, o termo Daimons e Demônios – terminologia derivada -  possuem uma fusão perigosa.  É que associamos os demônios  à Lúcifer, o tal inteligentíssimo anjo preferido do Criador. Enfim, o Diabo. Aquele que decaiu, na mitologia Cristã. O cara que hoje guarda as portas do tradicional inferno.

Entre mística, bruxaria, inferno e poder também temos outra coligação esquisita com a perspectiva de Potência/ Força. Pura lei da física unida à metafísica. Ou seja: tudo é direção.  Aliás, a teoria poiética do direito e a do Direito Quântico, do esposo da imortal Lygia Fagundes Telles, o renomado Prof. Gofredo Telles Jr, bebem desta perspectiva.  Carl Sagan concordaria, pois diz que somos mesmo...é poeira das estrelas. Força! Potência. Magiaaaa da física. Composição. PODER!

Por isso...

A Lua que não dorme e a Bruxa Ruiva põem a Diaba Vermelha para dormir lá no meu umbigo. Há tempos, elas negociam espaço e as duas primeiras ganham. Mas, ela ainda está aqui...e quer saber? já me tirou de enrascadas, já virou esquinas, já bateu portas e demitiu pessoas do meu coração. É, ela fez e aconteceu, e eu – a administração –  lidei com as consequências. Respeito seu impulso inaugural de colocar fogo no parquinho, no circo e no hospício - tudo ao mesmo tempo. É, a DIABA VERMELHA, já “ set fire to the rain”. 

Eu tento não jogar jogos vorazes. A Diaba Vermelha jogou e zerou o game. Sei, foi válido, pois nesse caminho, tudo foi poesia, piração e humanidade latente. Emoção sem métrica. Luz e poder ultrajovem: poesia na boca da noite, como diria Drummond!

A Diaba Vermelha, seu senso de força e seu gênio de lâmpada queimada precisam existir para salvar a Lua que não dorme, sua delicadeza, livros, metáforas... do seu medo de viver. A Bruxa trouxe a Lua e a Lua põe a Diaba para dormir, cotidianamente, com as canções de ninar de quem teve casinha na árvore, brincadeiras com os passarinhos, quintal cheio de flor de maracujá...

Não me preocupo em ser tanta gente. Teria  medo é de ser pouco.  Tenho medo de gente linear: elas sim, escondem algo.  Eu não escondo: apenas guardo. Sei, inclusive, que posso ser mais...

Por isso, gosto da Diaba Vermelha, ela já não me assusta. É um Daimon. Então, cuido bem do meu 1% e não uso sua expertise em qualquer esquina. Porque até o veneno apura (aviso). Ela dorme e descansa no meu umbigo, pois a LUA gosta de felicidade.  A Bruxa gosta de magia. De poções que não matam...e sabores adocicados. Elas seguem à risca o tal manual anti-b.o.

A Lua cuida de não ser tão curada a ponto de se tornar cinza. Um ser normal, sem multicolorido, seria uma pávida tragédia. Essa piração interna sustenta a órbita. A Lua e a Bruxa sabem que, as portas do seu inferno são cuidadas pela Diaba Vermelha, que vigia quem pode chegar ou quem precisa ir para ‘os quintos’. Alguns, apenas da mais completa ignorância.


LUZ!  
ASSOMBROS!

#

Observação 1: Não uso IA para compor imagens, pois respeito muito a propriedade intelectual e há um debate enorme nas artes acerca da apropriação da matéria humana pela replicação de padrões em IA. O lance é extenso.  Também não reviso textos por esse mecanismo, pois isso sim, acho uma desonestidade artística e acadêmica. É puro respeito à condição humana. Mas essa imagem eu ganhei, é minha exceção, porque está...'eu'.

*Republicado, pois é a coisa mais acessada do mês de julho e segue, firme e forte, neste começo de Agosto: Gratidão!


Adeus!

 



À beira do adeus
O silêncio faz sua melhor arte: move as ondas do mar, ajusta a luz da lua
Deixa de traduzir o intraduzível e replicar o que não repete: 
Conforma a casa toda bagunçada e a arte de recolocar tudo no lugar
Reconduzir de volta pro lar a a própria emoção...
À beira da beira do adeus:  Apenas o vão entre mãos
Que entrelaçaram confusamente  suas confusas mentes
O último adeus, o último poema:
A corda apertada e o absoluto nada
O silêncio de uma alma absolutamente calada:
O último degrau da escada: 

Nem verso, 
                                                      nem canção, 

                                                                                                                nem possibilidade.

#


Cansei de dizer não para meu coração



Nem sempre dá para ser assim tão sensata
às vezes, a alma é inconclusiva e visceral
A pele tem memórias exatas, é tão passional
E puxa uma vontade imperiosa, abstrata

Apenas manda e exala: Um querer.

A gente se puxa de volta, quase  involuntário
Laço que se puxa e se repele: um sentir, duas peles
Que se reconhecem pelo tempo inexato e pela voltagem
... Vontades são mesmo inadiáveis ?

O tempo do relógio não é o tempo da emoção...

- E o coração colocou a razão para dormir, só agora, quem sabe uma última vez... -

Que confusão: 

Dois quereres sem tanta direção não sabem como se querer
Como dizer a palavra, a curva que se entrelaça, 
Um algo qualquer que encaixe esse quebra-cabeças caduco!
Uma noite insone, uma respiração: tu me chamas
E eu cansei de dizer não para meu coração...




#

Poema bemmm fresquinho, neste aluanaodorme. Bom dia, dia!

Para minhas menininhas! (Ana e Ju)

Eu desejo...
Que o teu encontro com o tempo
Seja o de crescimento...interior!
E que o verbo que mais conjugues seja 'amor'
Ainda que a vida, teimosamente
às vezes queime algumas verdades,
Dissolvendo o que era pedra por dentro.

Quando isso acontecer,
Fique quieta. Sinta o vento...

Eu desejo...
Que teus sonhos de menina
Sejam parte dos valores que a mulher carrega
Que tu não deixes de ser crédula e piegas
E que não perca o sentido de sentir,
Pois viemos para cá para isso: Partilhar a maravilhosa existência.
Ainda que a dor, às vezes venha te visitar.

Quando isso acontecer,
Chore. A água levará...

Eu desejo...
Estar perto para te lembrar quem és
E te incentivar a não desistir ao sabor das marés
Para que não esqueças que a fibra do barco
é que comanda o rumo
Então acerte o prumo 
E prossiga. Ainda que às vezes duvide da vida...

E quando isso acontecer,
Não durma. Contemple a mensagem do amanhecer...

Eu desejo...
Que a tua matéria tenha sabores o suficiente
Mas que não deixes de olhar toda a gente
Pelas múltiplas cores que possuem por dentro
E que só deixes aconchegar quem te agrega essência, pois somos matéria rara...
Mesmo que, às vezes, isso te cause algum isolamento
E deixe no peito uma certa dormência,

Quando isso acontecer,
Me abrace. Só o amor reconstrói as puras crenças...#




Para minha Ana e Minha Julia, feito em 2013. 
Estava sem foto da Ana, vou procurar uma, para reeditar.

*Republicado de 30.10.2013, pois acessado AGORA. :)





domingo, 2 de agosto de 2026

Uma canção melhor!

 Talvez seja preciso ir lá fora:
Olhar o céu, as águas, as pessoas
Tocar os pés no chão, descalça...
 e caminhar!

Tirar o coração da estante empoeirada
Onde deixei guardada
A minha emoção...

Quem sabe tenha chegado a hora
De deixar a vida dizer o que virá
Pois que surpresa pode dar de acontecer
Se a gente acreditar na magia poderosa do Universo?

Dizem que a gente atrai pra perto o que a gente é...
(Cuide do seu coração e coopere)

Talvez ainda exista - Quem poderá dizer?
Alguma coisa realmente rara, realmente válida
Imperfeitamente cálida...capaz de nos mover
Talvez possa acontecer: contigo, comigo...

QUEM SABE?

Todo sopro de emoção é um progresso
Nestes tempos estranhos de gente mais estranha ainda
Que tenta fazer do gostar uma matemática de obviedades
E protege mais o coração do que a própria pele

Como se isso pudesse fazer qualquer sentido...

Mas, o que faz sentido? - Também a paixão é ilógica
Deixa a gente meio idiota, desnorteado em pleno equador...

E talvez  esse cão dos infernos só apareça nas horas inapropriadas 
Depois, fica arranhando a cuca, deixa a gente meio maluca
Incomoda, pede espaço...ou vai embora, se enxerga corações covardes.
Sem tanto alarde.  Só arruma e vai.

Mas, talvez, não seja só isso que temos para contar.
Talvez a gente possa dar de cantar
Uma canção melhor...

Talvez ainda exista - Quem poderá dizer?
Alguma coisa realmente rara, realmente válida
Imperfeitamente cálida...capaz de nos mover
Talvez possa acontecer: contigo, comigo...



#