Gosto de pingos de água,
Poesia, Filosofia de boteco, Observações do Cotidiano e o que mais vier p´ro mundo da lua! ;) . . . . . . . . . . . . . . . . . CONSIDERAÇÕES SOBRE O BLOG :1 - Viva a liberdade poética e a proteção aos direitos autorais!Toda vez que posto algo,indico autor. Se não o faço, é porque é a autora quem vos posta.2) Imagens? -Dr.Google. Exceções? Indico autoria. 2) -Poemas,velhos caducos que falam de tudo.NEM SEMPRE FALAM DO QUE SINTO! ... ***quem dera...***
Quantos apelidos tu tens?
Já percebeste que os apelidos - muito mais que os nomes - são o nosso espaço emocional nos céus dos nossos afetos? ou nos infernos. Pois bem. Eu tenho vários apelidos.
Hoje tenho só 1% da DIABA , só não mexa com a potência dessa porcentagem, afinal, eu não me decifro muito, mas também já não me 'mordo' ou devoro tanto assim (alô, Minotauro!)
Essa memória - da Feiticeira ou da tal da DIABA VERMELHA - me lembrou que o inferno, o céu e nossa natureza sempre foram parte da filosofia, da psicologia, da poesia...e do Direito, pois o mítico e o literário, o filosófico e o religioso flertam desde sempre.
Sua etimologia vem do conceito de ‘Daimons’, que aliás, não é unificado, tendo referências extensas em Homero, Platão (que o atrela a Sócrates) e até mesmo na mitologia, na representação do Olimpo Grego, como Afrodite. A figura é analisada também na psicologia, por C. Jung.
Na poesia, desde Homero, Daimons são...uma força – seja uma divindade ou um evento natural inexorável. Ambíguos, bons ou maus. Uma voz, uma luz, uma energia, consciência. C. Jung menciona Daimons como uma força psicológica autônoma, atrelada ao inconsciente, realizadora de vontades, confrontadora do ego.
Para o Willis (Santiago Guerra Filho) – o filósofo mais incrível do País!!! - os Daimons nos ajudam a compreender até hoje...as decisões humanas. O tal ‘impulso trágico’ que constitui a poesia, a filosofia e o Direito, pois parte da essência da humanidade: tudo tem muitos lados, somos um vértice...
Dos tempos idos até aqui, o termo Daimons e Demônios – terminologia derivada - possuem uma fusão perigosa. É que associamos os demônios à Lúcifer, o tal inteligentíssimo anjo preferido do Criador. Enfim, o Diabo. Aquele que decaiu, na mitologia Cristã. O cara que hoje guarda as portas do tradicional inferno.
Entre mística, bruxaria, inferno e poder também temos outra coligação esquisita com a perspectiva de Potência/ Força. Pura lei da física unida à metafísica. Ou seja: tudo é direção. Aliás, a teoria poiética do direito e a do Direito Quântico, do esposo da imortal Lygia Fagundes Telles, o renomado Prof. Gofredo Telles Jr, bebem desta perspectiva. Carl Sagan concordaria, pois diz que somos mesmo...é poeira das estrelas. Força! Potência. Magiaaaa da física. Composição. PODER!
Por isso...
A Lua que não dorme e a Bruxa Ruiva põem a Diaba Vermelha para dormir lá no meu umbigo. Há tempos, elas negociam espaço e as duas primeiras ganham. Mas, ela ainda está aqui...e quer saber? já me tirou de enrascadas, já virou esquinas, já bateu portas e demitiu pessoas do meu coração. É, ela fez e aconteceu, e eu – a administração – lidei com as consequências. Respeito seu impulso inaugural de colocar fogo no parquinho, no circo e no hospício - tudo ao mesmo tempo. É, a DIABA VERMELHA, já “ set fire to the rain”.
Eu tento não jogar jogos vorazes. A Diaba Vermelha jogou e zerou o game. Sei, foi válido, pois nesse caminho, tudo foi poesia, piração e humanidade latente. Emoção sem métrica. Luz e poder ultrajovem: poesia na boca da noite, como diria Drummond!
A Diaba Vermelha, seu senso de força e seu gênio de lâmpada queimada precisam existir para salvar a Lua que não dorme, sua delicadeza, livros, metáforas... do seu medo de viver. A Bruxa trouxe a Lua e a Lua põe a Diaba para dormir, cotidianamente, com as canções de ninar de quem teve casinha na árvore, brincadeiras com os passarinhos, quintal cheio de flor de maracujá...
Por isso, gosto da Diaba Vermelha, ela já não me assusta. É um Daimon. Então, cuido bem do meu 1% e não uso sua expertise em qualquer esquina. Porque até o veneno apura (aviso). Ela dorme e descansa no meu umbigo, pois a LUA gosta de felicidade. A Bruxa gosta de magia. De poções que não matam...e sabores adocicados. Elas seguem à risca o tal manual anti-b.o.
A Lua cuida de não ser tão curada a ponto de se tornar cinza. Um ser normal, sem multicolorido, seria uma pávida tragédia. Essa piração interna sustenta a órbita. A Lua e a Bruxa sabem que, as portas do seu inferno são cuidadas pela Diaba Vermelha, que vigia quem pode chegar ou quem precisa ir para ‘os quintos’. Alguns, apenas da mais completa ignorância.
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Bora botecanear? :)
Dia atrás, brincando, perguntei a uma amiga quantas vozes tinha na cabeça. E ela me respondeu duas....e me retornou a brincadeira dizendo que eu sou tantas que não seria inventada, nem por IA - dadas as minhas peculiaridades. Da forma como falou aquilo, fiquei pensativa: Eu seria então...
GENTE DEMAIS?
Explico. É, sou várias JACI´s. Algumas, já conheço de longa data. Tenho mais fases que a lua e levou tempo para perceber as camadas...
A Lua é das artes, poeta, escritora, que vem se desdobrando em camadas e camadas...a lua perde o sono e escreve sobre a vida, sente a cidade, lê pichações, ouve conversas de rabo de ouvido para saber das pessoas (fofoca ahahahah), vê beleza na paisagem da cidade, passeia com a vida...hoje, a lua dorme um pouco, no meu umbigo, para que a Jaci adulta, advogada, pesquisadora, professora, possa existir.
Tenho a que sou com cada uma das pessoas que quero estar (a gente escolhe quem pode colher de nós o nosso Eu, não é?). E nestas, sou sempre singular. Tenho a leitora ávida, a colecionadora de vinis, a apaixonada por perfumes e decoração, tenho a modista, a normalista, a clichézona que é cheia de fofurices, tenho a menina cheia de vestidinhos de boneca e pinturas e laços, a velhinha que organiza louças e bordados, tenho a dançarina de fitdance, a cozinheira aprendiz, tenho a acadêmica (de várias formas de academia)...e tenho a ARIANA - uma tal 'DIABA VERMELHA' ou "DIABA RUIVA' (hahahahahhaha), que tem um gênio de lâmpada queimada e hoje aparece bem menos(Maas ...) . E tenho muito, muito mais!
Então, vou perguntar de ti, que me lê: Tu se sentes um único 'eu'?
Não estou falando do transtorno de personalidade fragmentada claro (se for seu caso, receba meu abraço e sinceros ensejos de um justo e digno tratamento). Mas, para além...independente da ideia de personalidade integrada (ou não), nunca somos 'lineares' em todos os espaços: as interações importam, as emoções ...mais ainda. Os lugares e pessoas...ditas conexões ou interjeições.
Quem sou eu, quando não me sou? ... Fernando Pessoa sabia a importância dos heterônimos para continuar sendo e, por absoluta sinceridade alertou: O poeta é um fingidor.
MAS AFINAL, NÃO SERÍAMOS TODOS FINGI-DORES?
Martha Medeiros, se chama da EQUIPE. Adorei! ela diz que quando todas as suas personalidades se encontram, é reunião de equipe. Rosa Montero flerta com a loucura ao admitir sua pluralidade e diz mais: todo artista é doido. Rimbaud diz que 'eu é um outro'.
E isso recordou que, no aluanaodorme tem vida própria...escreve sobre livros, filmes, poemas, histórias da literatura e da vida real que se achegam a mim. Sobre gente que se viu e se amou debaixo dos meus olhos, em algum livro ou filme. E sobre teorias e outras coisas da vida real. Mas... tudo aqui é verdadeiro. Seja por mim, seja por quem viveu cada uma dessas coisas. Realmente visto a pele de tudo que sou - e isso inclui admitir que, mesmo quando não é sobre mim, é sentido sim...MUITO.
Eu posso encantar meu interlocutor - falo isso com sinceridade. Posso ser a conversa preferida de várias pessoas (e digo sem me gabar). Mas também posso cansar ou confundir um interlocutor mais linear...afinal, 'quem faz sentido é soldado'. Sine cera, apesar de várias.
Aliás, já tentei ser linear: A tal da voz do anjo e do diabinho. Que diacho de vida chata. Desisti. Melhor ser vários sinceros EUS, do que camuflar tudo em uma identidade única - porque o conceito de identidade não tem a ver com unicidade, mesmo ( e eu estudo isso academicamente). Tem a ver com RECONHECER e PERTENCER na pluralidade de SER.
Não confundir pluralidade de GOSTARES com quebra de VALORES. Aliás, para ter noção do valor, é preciso conhecer o preço. Ser próprio. Muito própria e nada apropriada. Aliás, cuidado em ser muito apropriadX, viu? Não vire gente chatX. Achatada de normalidade.
Eu não conheço todo mundo que mora em mim. Mas me pertenço. E acolho as novas pessoas que chegam, porque eu sou lua crescente...(já diria o Fernando Canto). Aliás, crescer é acrescer. E dito isso, lembro que falsidade quer dizer...' falsear'. E, neste espaço, você não vai encontrar disso. É o que quero registrar. É o que quero passar. Viver é muito plural. Ser gente real é ser TANTO. Ou tantã. Não somos de UNICIDADE - nem eu e nem tu, que me lês. Somos vários mesmo. Bora ser, de verdade, afinal... quem precisa ser replicável por IA?
Meu compromisso comigo e contigo, que me lê? Não perder a coragem de existir, sentir... e partilhar. Ter um espaço que ARDE emoções de muitas GENTES é permitir que, quando tu chegues aqui, tenhas algo real (e não metrificado ou estético). Gente p´ra caramba aqui. É...nem tudo é sobre mim, neste pequeno espaço. Mas que bom que ainda tem 'euS' ...cheias de detalhes, manias, cores e poesia...dentro do aluanaodorme ❤️. LUZ!
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Fiz esse poema depois de me reler, na crônica sobre supervilões, de 10 anos atrás...a vida tem mesmo seus valores e apreços.
Poema de Maio de 2026, republicado, pois esteve bem acessado essa semana.
Mini-crônica engraçada - As coisas que acontecem com poetas:
Há uns meses atrás, assisti o filme 'A pior pessoa do mundo'.
Em uma narrativa densa e emocionada, o filme traz a vida de Julie, em diversos momentos, atingindo camadas, sobretudo, dos aspectos conturbados da personalidade humana e dos relacionamentos... e como, por muitas vezes, nós mesmos nos sentimos - ou somos - 'a pior pessoa do mundo'.
E se você não se sentiu ainda a pior pessoa do mundo, tome cuidado com o seu código moral.
Eu (mesmíssima) por diversas vezes, já me senti a pior pessoa do mundo. Isso porque, nem sempre, conseguimos agir de acordo com a nossa idealização do que é ser uma boa pessoa. Mas tento fazer o que chamo internamente de esforço do contrário, ou seja: busco ajustar minhas ações ao senso de correto, mesmo quando isso significa cortar meu próprio verso.
É claro que esse sentimento - o de ser a pior pessoa do mundo - nos alcança de uma forma ou outra, porque não queremos atingir o universo de uma outra pessoa de uma forma leviana. É a coisa da responsabilidade afetiva, de nossa percepção e até mesmo...compaixão, para com o universo do próximo. Nem sempre isso é fácil, pois já disse Sartre:
O inferno são os outros.
Mas também, o inferno somos nós, quando não reconhecemos nossas impropriedades e nossa dificuldade de lidar com o senso de correto do outro. Afinal, ninguém aqui é o dono do código de moralidade de ninguém, não é messmo?
E se você se sente assim, tome cuidado com seu código moral.
O que me recorda que, uma vez, conversando com uma pessoa querida, perguntei: 'Será que essas pessoas percebem que estão sendo 'escrotas'? e ela, muito pragmaticamente me disse que: 'não, elas acreditam que estão sendo as melhores pessoas do mundo dentro de suas perspectivas e códigos morais". Essa mesma pessoa me disse...'não espere que o mundo seja para ti o que tu és para ele'( É que, às vezes, eu espero...).
E isso me deixou um pouco revoltada. É, é foda viver em um mundo em que não temos um 'ponto arquimediano' do caráter. Mas, de outro lado, pensar nisso me convida - e a ti também - a flexibilizar um pouco a narrativa do bom e do mau. Afinal, eu não sou a régua da moralidade alheia.
Isso porque, infelizmente, ainda não dá para ser 'mocinho' de filme de comédia romântica, pois longe da idealização, sou mesmo muito gente: sinto raiva, culpa, desejos de vingança...mas também remorso.
Eu minto também. Quando isso me protege. Mas faço o que chamo de esforço da verdade. Mesmo que seja da minha verdade, para que isso alcance o universo do outro e para que as minhas relações sejam cada vez menos idealizáveis...e cada vez mais naturais e humanas. Mesmo porque, entre meus defeitos, está o de ter dificuldades em pedir desculpas - daí o esforço de tentar não 'errar'.
E se você não faz , tome cuidado com seu código moral.
Mas também, com a sua direção. Seu rio vai desaguar em que tipo de mar? ...
Bom, já fui chamada de inocente também, por esse formato. Acho fofo. Mas creio que tudo isso - os códigos de comportamento - são como um moletom quentinho: Nos protegem, nos aquecem e fazem sentir...organismo vivo. Mesmo que seja uma proteção antinatural, pois afinal, 'não quero lembrar...que eu erro também...'
Aliás...essa (ana)crônica é para dizer que, muito recentemente, me senti a pior pessoa do mundo...
E essa é uma forma muito, muito torta... de pedir perdão.
P.s: A imagem no fim desta crônica faz menção ao 'retorno de saturno', considerado momento de grande reflexão e amadurecimento, no calendário astrológico. É trazido também na música ''Vinte e Nove, do Legião, em que Renato Russo aprende a ...pedir perdão.
* Republicado de 06.05.2026, pois acessado.
Este não é um texto filosófico, é mais uma contação de causo, afinal, tem coisa mais legal do que contar em boteco algo que rolou no boteco? Risos.
Então. Fim de tarde no Mercado Central. Eis que ela chega até mim (eu a conheço pouco e por isso não posso mencionar) e diz...'Li tua escrita sobre os tubarões. Não concordo contigo. Tu sangras, porque tu falas em amor...'
Eu ri. Não discordei do pensamento dela, porque é direito de quem recebe a mensagem: nada aqui é só meu, depois que vem para o espaço. E é uma delícia ser lida e percebida de um modo diferente.
Mas aqui vai uma reflexão ...o Amor é um jeito de sangrar?
Escrevi a crônica 'Não sangre em meio a tubarões: nenhum é vegano! (E o que isso tem a ver com o livro 'A natureza da mordida', de Carla Madeira?)'. E, no texto, falo sobre um encontro atípico com uma desconhecida, no banheiro. Ela chorava. Recordei como aquilo tudo me afetou imediatamente, afinal, impossível não ter sido quebrada pela vida e não sentir a dor do outro, de forma instantânea. O que me fez ligar à inusitada situação com o livro - doloroso e filosófico, ' A natureza da mordida', da Carla Madeira. Afinal, a vida tem seu próprio jeito de nos abocanhar.
Mas, o que isso tem a ver com AMOR???
Bom, eu não creio que sangre em meio a tubarões, no aluanadorme. Primeiro, porque já entendi que nenhum, nenhum é vegano. Segundo, porque sigo acreditando que AMOR não tem a ver com... fazer sangrar. Que todo afeto é cura nesta vida maluca. Terceiro, porque tu não és um tubarão...correto?
Escrevo sobre sentimentos, aqui neste espaço. Conformidades, inconformidades: o que ouço, porque muita coisa aqui não é só minha, mas dos meus, das muitas humanidades que permeiam a minha escrita, do que leio e sobre o que vivencio, às vezes, pelo perceber do outro. TEM MUITA VIDA neste peito doido. Eu adoro ouvir histórias malucas. E... eu gosto de gente quebrada.
Eu também não mordo. Quer dizer... ninguém aqui é alecrim dourado para dizer que não machuca ninguém, não é? mas eu tento. E, querido leitorado...não seja o tubarão na vida de ninguém. Não se coloque na condição terrível de machucar. E, se estiver machucado, decida a 'natureza da mordida' e cuide-se: se estiver quebrado, leia o conceito japonês de wabi-sabi e deixe a luz entrar!
Digo isso, porque minha leitora fatalmente encontra-se nesta condição, quando associa amor à sangrar. E sei que conselhos, nessa fase, não valem, mas aí vai o meu perceber sobre sentir:
Amor é gostar da saliva. Não de fazer sangrar. Paixão é suor, cheiro, pele. Afeto é conversa boa, riso, partilha, presença macia. Sentir é memória do coração...a arte de existir que mora no coração da beleza. Amor acomoda...é densidade e leveza. Não é nada fácil, mas é uma escolha, e mesmo nisso reside tanto ajuste...
Mas não machuca intencionalmente.
Permanecer vivo - de verdade - pede esse processo: o de reconhecer nosso vitral particular e perceber que, sem a potência da emoção, nossa ternura vai embora no cinza do dia a dia. Que tudo isso sobrevive à dor, mas é no afeto que a gente RESPIRA. Que não tem como conectar com o que nos faz 'sangrar'.
Bom, enquanto tu descobres tudo isso, nesse processo... só peço que não sangre aonde sua dor não vai ser sarada. Mas, se sangrar, não vire petisco. Não fique lá, esperando compreender ' a natureza da mordida'. Não fique à mercê de gente abestada. O que quero dizer com isso?
Bom. Já viste os peixinhos comendo um pedacinho de carne?
É sobre.
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*P.s: Será que tu vais ler esta resposta? ah...tomara que sim. :)