sexta-feira, 3 de julho de 2026

Outros ensaios sobre nós



A chuva cai sob céus feitos de paz
O céu em estado líquido o chão alcança
A vida calmamente reorganiza a substância
Coloca tudo no lugar...

Certeza é caminhar
sorrir...gargalhar!
Ser generosa no sentir
Fazer feliz...ser feliz...

Fazer valer o gasto do gesto:
Conectar
Unir, formar elos
Certezas simples que se consolidam nos dias...

Me faça rir
Sentir segura, perto:
Te dou o mundo em muitos formatos
Sou tantos perfumes em um único frasco...

Sentir não é ensaiar: a vida existe sem roteiro
Admirar a ação é admiração:
Tão bonito, isso.
Tão singelo e singular...

Não faz molecagem na sala do meu coração
Nem por instante, nem em estante: sem coleção
Etérea, feito bolha de sabão, sei ir embora
Passarinho bate as asas, rumo ao céu...

A sabedoria infinita do universo
Refaz as linhas do caminho...- que gentileza!
Mas ninguém sabe o que é ganho ou perda
Até a roda da vida girar...

E,  de repente vem a chuva 
e (re)coloca tudo no lugar...

#

Poeminha feito em frente ao mar . 
*Republicado, pois acessado. 
Acho que preciso de uma praia.  :)

Da máxima da poesia



Não verter
As linhas doces do verso
Por cacos quebrados
Cortantes, lançados
No frio do poema sem sentir...

Não ser
o retorno, a resposta, o suborno
A prostituição da emoção alheia
Poesia é fogueira:
 Viva! Incendeia...

Antes,
Ser o impublicável que escorre
Por sobre os dedos de um ser silente
Que não precisa da platéia
e mantém o peito quente...

A multidão de si
Já multiplica ali
O caos e o sentido de existir!
Pois cada ser é uma composição etérea
Feita de uma única e própria matéria...

#

*Republicada de 2015, pois acessada. 

Desintonizar

Soltar os fios da minha cabeça
Tão sintonizados na batida do teu coração
Desplugar minha pulsação
Dessa vontade de te ver...

Simplificar o simples:

...a rádio do meu coração toca teu riso
Devia ser errado algo assim não funcionar tão bem
Nem faz sentido
Esse afeto que retém...

Não quero mais lembrar:
Pensar em nós deixa meu coração magoado
De um jeito quase inexplicável
Fico frágil

Você teve medo e eu também...

Ainda bem que faz sol 
Na manhã seca e macia do Equador (em plena madrugada)
Meu coração bebe de luz e poesia:
Têm sua própria forma de refazer a beleza...

E eu tento desligar a rádio e não ouvir mais nada:
Conexões reais pedem de nós...coragem
E coragem, tu sabes, eu sei
É o coração em ação...



#

* Republicado, pois acessado. 

Não sou gente fofa (Republicado e acrescido)




Não sou gente fofa.

Leio jornal, critico o senso comum, detesto pessoas reunidas para vivenciar conveniências e amenidades.  Gosto de gente, alma, carne. De quem realmente entrega enquanto pede a mão.
E isso não é 'charme'.  É uma realidade, nua e crua.

Tento a coisa da vida legalzinha, é claro: a vida real pede. Não me coloco dentro de uma 'bolha', OU SEJA, eu 'socializo'. Só não faço disso meu mecanismo de interação humana real. Publico coisas bacanas, amores e desamores, meus, teus, da vida que se achega até mim. Ouço muitas histórias, guardo segredos bons, que é para contar por aqui mais do apenas de mim.

Sim, falo de flores, nobreza de alma e gentilezas, chuva, céu e Deus, porque realmente acredito nisso. Mas não sou gente fofa.Gente fofa concorda, é apropriada: eu, distraída demais. Gente fofa conversa com todo mundo, fala amenidades: eu, bom português ou  palavrão (e só se eu gostar muito de você), porque a língua é quem é materna, eu não.

Sou antipática com '' gente-sobrenome'', detesto quem diz 'Fulano, filho do ciclano' ou a profissão da pessoa. Como se aquilo lhe desse qualquer superioridade. Acho isso de uma frivolidade. Detesto modinhas, sabe? aquele negócio de manada. Me vejo em uma ou outra de vez em quando, apesar disso.

Respeito é gente inteligente e conheço muita gente rica linear e gente porreta demais para guardar qualquer centavo. Tenho as mesmas velhas amizades, de quando a gente só se chamada de 'coisinha'. E, nossa. Como elas me fazem feliz. Quem chegou de lá para cá, só me faz mais feliz ainda.

Trago  poesias debaixo dos olhos e o mesmo hábito de fugir para dentro de mim, através da escrita. Ou da leitura. É, eu me salvo assim: formo um casulo e saro as asas. Depois eu voo melhor. Não sou, não sou fofa. Já não queimo tanto, nem desacerto tudo,  mas defendo meu ponto de vista e pago o preço pelo que acredito. 

Não sou ''gente-fã'': se eu admiro, falo pessoalmente, mas corrijo (se necessário) e exercito aprender a ser corrigida com humildade.  Nunca defendi uma 'ideologia' pronta e acabada, de religião à movimento social, tudo em mim tem de ser particularizado. 

Não me cabe ferir propositadamente o Universo de ninguém. Mas não pise no meu calo...

Gosto de arte, leio poemas, cultivo um jardim, choro em dramas, e confesso: detesto aquele filme que todos gostam e olha,tá bom , acho o "Titanic" um horror, um enorme drama, nem de longe, nem um tiquinho, um romance. Vejo filmes docinhos, coisas fofinhas, mas passo a madrugada a ler sobre o Universo, as fórmulas matemáticas que nos permitem existir e vivenciar o mistério da vida, do amor e do poema...

Eu adoro sinceridade. Já queimei na fogueira de minhas próprias buscas. E sei que é este o contexto de vida aonde quero estar...sempre. Acho que uma inverdade  ou meia-verdade, ainda é meia-mentira, 'ementa' de vida...fica lá, suspensa, à espera de ser iluminada.  E a vida ilumina mentiras, acredite.

O meu amigo Deus ri  comigo das dúvidas, face à grandeza do infinito e a pequenez de nós e todas as nossas explicações para tudo. Ele sabe que preciso questionar, para encontrar-me plena, com sinceridade, face a face. E eu duvido mesmo. Principalmente de gente fofa!  Isso, eu nunca quero ser. Mas também não sou gente escrota (essas, a gente reconhece pelo cheiro).

Até porque, ''fofa'' ...argh! - Amarguei só de pensar. 


#


*Republicado e acrescido. 

Fogo na Chuva

 A chuva também queima
O gelo também adoça
O fogo pode congelar
ah! -  Névoas sob meus olhos embaçam poemas  de outrora- 

Pois já não leio teu nome no bater do meu coração no correr dos dias...

Eu ateei fogo à chuva e pus o coração para dormir 60 anos ou... 60 dias?
Descansar de sentir... sem ti
No entremeio, fiz poesia como quem bebe uma garrafa de whiskey à meia noite
Perdida às madrugadas, pelos botecos da lua

Trôpega e sem sentido: é, eu também nunca mais fui a mesma...

Mas quem quer ser igual ao instante passado? 
Que imprudência: inocência vã ou pura tolice.
Entornar o cálice da existência real é aceitar 
Que  o leite pode derramar 

(a vida pode te foder, às vezes, colega: engole o néctar )

Afinal, depois de um tempo,
 A chuva também queima
O gelo também adoça
E o fogo pode congelar:

E a gente é um tipo de maluco qualquer que dança sob os destroços
De algum lugar chamado passado.

#




#


E, sem parecer clichê
"O hoje é uma dádiva, por isso se chama ...''
Tenha um dia FELIZ, tu, que me lês.
*Poema publicado sem imagem, porque sinceramente não encontrei nada.

Muitos instantes de felicidade! :)

 



quarta-feira, 1 de julho de 2026

Gostares

 



Gosto de pingos de água,
De risos e amanheceres
Gosto das tardes, que deitam o sol ardente do equador
Aprecio a leveza de mãos que se juntam de forma calma

Com alma...(no gesto)

Teço poesia e afetos delicados
Pois o mundo é bruto, coração!
Cotidianamente tenta nos fazer desacreditar
Na beleza da existência.

Sou real: palavras e silêncios
Presença e  ausência
E, apesar de perceber e registrar
Quase não consigo compreender quem escolhe viver o avesso da equação...

As coisas simples existem: repita isso 03 vezes
E abra as portas do peito para ser bom para alguém
Não é tão difícil, se a gente acreditar juntos 
É assim que 'nós' formamos 'laço'

Abraço, leveza, 
Estar por acolher...
- Viu como um poema pode ser doce, leve
E aquecer? - 

Basta a gente se escolher...

#


*Republicado, pois acessado. 

terça-feira, 30 de junho de 2026

Suporte

 

O peso do cristal
A linha fina do silêncio
'Metal contra as nuvens':
Língua afiada, guardado punhal...

Muito prazer (pode até ser)
Que faz doer (é só dizer)
Ou leve...leve...de flutuar...
(Acende)

A carne quente
Máquina ativa, nada cativa
Escrevendo emoções em brasa
...ah! o par de asas...

Suporte:

O leve do algodão: Emoção...
Paixão...bolha de sabão! Magia.
A química da razão...ah! a razão:
Sentir é uma decisão.


#

*Para a Diaba Vermelha, que faz parte do meu suporte como gente (E que dorme no meu umbigo, guardiã que é das portas do inferno da  Bruxa e da Lua que não dorme). Afinal, é Lispector quem diz...existem pedaços nossos que não merecem ser corte, pois são estrutura.  ;)

Ensaios sobre a Diaba Vermelha, a Bruxa Ruiva e a Lua que não dorme! (Filosofia do Boteco e uma confissão)



Quantos apelidos tu tens?  

Já percebeste que os apelidos - muito mais que os nomes - são o nosso espaço emocional nos céus dos nossos afetos? ou nos infernos. Pois bem. Eu tenho vários apelidos.


Sou Jaici, para meu titio. Ou Copinho de Leite. Desde gita, sou flor de abril, para papai. Ou natureza. E, no ápice, sou a ‘Bruxa/Bruxinha’. Foi papai quem me explicou o poder de ser bruxa, discernindo com didática da ideia de maldade – estas, chamava de fadas más.
Para Rosângela, sou flor. Para Ester, sou anjo ruivo. Ou flor ruiva.
E tem quem me chame...de Bruxa Ruiva, Feiticeira ou... DIABA VERMELHA.

 (hahahahhahahahaha)

 O fato é que, risos à parte, essa galera toda aí em cima sou eu. O curioso disso é que, essa semana, conversando com um amigo, ele me disse que, para 90% das pessoas, sou apenas os demais adjetivos e para 10%, a tal DIABA VERMELHA. Senti no seu tom que queria dizer que eu escondo a dita ,de ti, que me lê. Eu ri. Não tenho mais toda essa expansão da Diaba.  MAS ELA ESTÁ AQUI.

Hoje tenho só 1% da DIABA , só  não mexa com a potência dessa porcentagem, afinal, eu não me decifro muito, mas também já não me 'mordo' ou devoro tanto assim (alô, Minotauro!) 

Essa memória - da Feiticeira ou da tal da DIABA VERMELHA -  me lembrou que o inferno, o céu e nossa natureza sempre foram parte da filosofia, da psicologia, da poesia...e do Direito, pois o mítico e o literário, o filosófico e o religioso flertam desde sempre.  

Sua etimologia vem do conceito de ‘Daimons’, que aliás, não é unificado, tendo referências extensas em Homero, Platão (que o atrela a Sócrates) e até mesmo na mitologia, na representação do Olimpo Grego, como Afrodite. A figura é analisada também na psicologia, por C.  Jung.

Na poesia, desde Homero, Daimons são...uma força – seja uma divindade ou um evento natural inexorável.  Ambíguos, bons ou maus. Uma voz, uma luz,  uma energia, consciência.  C. Jung menciona Daimons como uma força psicológica autônoma,  atrelada ao inconsciente, realizadora de vontades, confrontadora do ego. 

Para o Willis (Santiago Guerra Filho) – o filósofo mais incrível do País!!! -  os Daimons nos ajudam a compreender até hoje...as decisões humanas. O tal ‘impulso trágico’ que constitui a poesia, a filosofia e o Direito, pois parte da essência da humanidade: tudo tem muitos lados, somos um vértice...

Dos tempos idos até aqui, o termo Daimons e Demônios – terminologia derivada -  possuem uma fusão perigosa.  É que associamos os demônios  à Lúcifer, o tal inteligentíssimo anjo preferido do Criador. Enfim, o Diabo. Aquele que decaiu, na mitologia Cristã. O cara que hoje guarda as portas do tradicional inferno.

Entre mística, bruxaria, inferno e poder também temos outra coligação esquisita com a perspectiva de Potência/ Força. Pura lei da física unida à metafísica. Ou seja: tudo é direção.  Aliás, a teoria poiética do direito e a do Direito Quântico, do esposo da imortal Lygia Fagundes Telles, o renomado Prof. Gofredo Telles Jr, bebem desta perspectiva.  Carl Sagan concordaria, pois diz que somos mesmo...é poeira das estrelas. Força! Potência. Magiaaaa da física. Composição. PODER!

Por isso...

A Lua que não dorme e a Bruxa Ruiva põem a Diaba Vermelha para dormir lá no meu umbigo. Há tempos, elas negociam espaço e as duas primeiras ganham. Mas, ela ainda está aqui...e quer saber? já me tirou de enrascadas, já virou esquinas, já bateu portas e demitiu pessoas do meu coração. É, ela fez e aconteceu, e eu – a administração –  lidei com as consequências. Respeito seu impulso inaugural de colocar fogo no parquinho, no circo e no hospício - tudo ao mesmo tempo. É, a DIABA VERMELHA, já “ set fire to the rain”. 

Eu tento não jogar jogos vorazes. A Diaba Vermelha jogou e zerou o game. Sei, foi válido, pois nesse caminho, tudo foi poesia, piração e humanidade latente. Emoção sem métrica. Luz e poder ultrajovem: poesia na boca da noite, como diria Drummond!

A Diaba Vermelha, seu senso de força e seu gênio de lâmpada queimada precisam existir para salvar a Lua que não dorme, sua delicadeza, livros, metáforas... do seu medo de viver. A Bruxa trouxe a Lua e a Lua põe a Diaba para dormir, cotidianamente, com as canções de ninar de quem teve casinha na árvore, brincadeiras com os passarinhos, quintal cheio de flor de maracujá...

Não me preocupo em ser tanta gente. Teria  medo é de ser pouco.  Tenho medo de gente linear: elas sim, escondem algo.  Eu não escondo: apenas guardo. Sei, inclusive, que posso ser mais...

Por isso, gosto da Diaba Vermelha, ela já não me assusta. É um Daimon. Então, cuido bem do meu 1% e não uso sua expertise em qualquer esquina. Porque até o veneno apura (aviso). Ela dorme e descansa no meu umbigo, pois a LUA gosta de felicidade.  A Bruxa gosta de magia. De poções que não matam...e sabores adocicados. Elas seguem à risca o tal manual anti-b.o.

A Lua cuida de não ser tão curada a ponto de se tornar cinza. Um ser normal, sem multicolorido, seria uma pávida tragédia. Essa piração interna sustenta a órbita. A Lua e a Bruxa sabem que, as portas do seu inferno são cuidadas pela Diaba Vermelha, que vigia quem pode chegar ou quem precisa ir para ‘os quintos’. Alguns, apenas da mais completa ignorância.


LUZ!  
ASSOMBROS!

#

Observação 1: Não uso IA para compor imagens, pois respeito muito a propriedade intelectual e há um debate enorme nas artes acerca da apropriação da matéria humana pela replicação de padrões em IA. O lance é extenso.  Também não reviso textos por esse mecanismo, pois isso sim, acho uma desonestidade artística e acadêmica. É puro respeito à condição humana. Mas essa imagem eu ganhei, é minha exceção, porque está...'eu'.


Paixão! (2)



Não te mandar embora e me afastar
Quando tu fores um idiota
Para te espaço para reparar
A imprecisão do desajuste

Aprender teu tempero favorito
E fazer bonito nossos dias comuns...

Te pedir paciência com a minha elegância indiscreta
E a  piração no humor
Ouvir tuas canções, teu riso
Dividir o macarrão p´ra dois
Dar tempo...para o tempo se vestir de nós!

Sentir teu cheiro, sentir tua pele
Te esperar se ajeitar um pouco, tentação!
Sentir bater teu coração
Bem debaixo do meu ouvido...

Isso tudo é dizer sem palavras
O quão gosto de ti...

#


Estava nos rascunhos do blog - dos meses idos -  e é o que penso das coisas boas, dos afetos bons...da mágica incrível e singular que é...a paixão.
Não publiquei por falta de imagem. Então, hoje, estava buscando um poema doce, que nos lembre da palavra 'ajuste' (porque estou muito na torcida por uns e outros por aí), e caí neste. Resolvi usar a mesma imagem, cês sabem...

Preciso ir viver o dia corrido, mas este lugar está cheio de LUZ!

*Republicado, pois muito acessado. 






sexta-feira, 26 de junho de 2026

Faz silêncio no meu coração como um rio parado...

" Em pleno amor de sombra/ de luz/ e de silêncios..."
(Fernando Canto)

 Faz silêncio no meu coração
Como um rio parado 
Sentir e espelhar a paisagem:
Luz e assombros...

O rio 
Parado
Vira enquadro
E celebra as sombras que desenham imagens em sua tez...

O rio acredita em visagem, pois sabe
Que a vida é mais do que a ilusória concretude da Fab ou da Paulista
A vida é equilibrista
Que brinca com as disparidades...

- Complementares?

Luz e (a)ssombros...

Sombras sob  a tez líquida da foz:
E um sol de lascar a alma, arde, aqui, em Macapá.
Faz silêncio no meu coração
Como um rio parado: Que dorme.

- O que será que ele diz?

#

Fiz esse poema após reler 'Um pouco além do Arquipélago - Onde acho que Deus mora' ontem, antes de dormir. Que baita incrível sorte existir no mesmo planeta que o Canto.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Vozes na sua cabeça: Nem tudo é sobre o Eu, neste pequeno espaço! Mas que bom que ainda tem 'EUS' dentro do aluanaodorme!( Filosofia do Boteco da Lua')

 Bora botecanear? :)

       


Dia atrás, brincando, perguntei a uma amiga quantas vozes tinha na cabeça. E ela me respondeu duas....e me retornou a brincadeira dizendo que eu sou tantas que não seria inventada, nem por IA - dadas as minhas peculiaridades. Da forma como falou aquilo, fiquei pensativa: Eu seria então...

GENTE DEMAIS?

Explico.  É, sou várias JACI´s. Algumas, já conheço de longa data. Tenho mais fases que a lua e levou tempo para perceber as camadas...

A Lua é das artes, poeta, escritora, que vem se desdobrando em camadas e camadas...a lua perde o sono e escreve sobre a vida, sente a cidade, lê pichações, ouve conversas de rabo de ouvido para saber das pessoas (fofoca ahahahah), vê beleza na paisagem da cidade, passeia com a vida...hoje, a lua dorme um pouco, no meu umbigo, para que a Jaci adulta, advogada, pesquisadora, professora, possa existir. 

Tenho a que sou com cada uma das pessoas que quero estar (a gente escolhe quem pode colher de nós o nosso Eu, não é?). E nestas, sou sempre singular. Tenho a leitora ávida, a colecionadora de vinis, a apaixonada por perfumes e decoração, tenho a modista, a normalista, a clichézona que é cheia de fofurices, tenho a menina cheia de vestidinhos de boneca e pinturas e laços, a velhinha que organiza louças e bordados,  tenho a dançarina de fitdance, a cozinheira aprendiz, tenho a acadêmica (de várias formas de academia)...e tenho a ARIANA - uma tal  'DIABA VERMELHA' ou "DIABA RUIVA' (hahahahahhaha), que tem um gênio de lâmpada queimada e hoje aparece bem menos(Maas ...) . E tenho muito, muito mais!

Então, vou perguntar de ti, que me lê: Tu se sentes um único 'eu'?

Não estou falando do transtorno de personalidade fragmentada claro (se for seu caso, receba meu abraço e sinceros ensejos de um justo e digno tratamento). Mas, para além...independente da ideia de personalidade integrada (ou não), nunca somos 'lineares' em todos os espaços: as interações importam, as emoções ...mais ainda. Os lugares e pessoas...ditas conexões ou interjeições.

Quem sou eu, quando não me sou? ... Fernando Pessoa sabia a importância dos heterônimos para continuar sendo e, por absoluta sinceridade alertou: O poeta é um fingidor. 

MAS AFINAL, NÃO SERÍAMOS TODOS FINGI-DORES?

Martha Medeiros, se chama da EQUIPE. Adorei! ela diz que quando todas as suas personalidades se encontram, é reunião de equipe. Rosa Montero flerta com a loucura ao admitir sua pluralidade e diz mais: todo artista é doido. Rimbaud diz que 'eu é um outro'.

E isso recordou que, no aluanaodorme tem vida própria...escreve sobre livros, filmes, poemas, histórias da literatura e da vida real que se achegam a mim. Sobre gente que se viu e se amou debaixo dos meus olhos, em algum livro ou filme. E sobre teorias e outras coisas da vida real. Mas... tudo aqui é verdadeiro. Seja por mim, seja por quem viveu cada uma dessas coisas. Realmente visto a pele de tudo que sou - e isso inclui admitir que, mesmo quando não é sobre mim, é sentido sim...MUITO.

Afinal, tem gente p´ra caramba aqui dentro, é fato.
Mas eu sou autêntica, nessa porra.
Como nosso equador, feito da mais-molhada-chuva e do mais-intenso-sol. 
Um ser que caminha pegando fogo de vida por dentro, com asas de Ícaro
Uma desgrama de lua que não dorme. Uma feira maluca.

Eu posso encantar meu interlocutor - falo isso com sinceridade. Posso ser a conversa preferida de várias pessoas (e digo sem me gabar). Mas também posso cansar ou confundir um interlocutor mais linear...afinal, 'quem faz sentido é soldado'. Sine cera, apesar de várias.

Aliás, já tentei ser linear: A tal da voz do anjo e do diabinho. Que diacho de vida chata. Desisti. Melhor ser vários sinceros EUS, do que camuflar tudo em uma identidade única - porque o conceito de identidade não tem a ver com unicidade, mesmo ( e eu estudo isso academicamente). Tem a ver com RECONHECER e PERTENCER na pluralidade de SER.

Não confundir pluralidade de GOSTARES com quebra de VALORES. Aliás, para ter noção do valor, é preciso conhecer o preço. Ser próprio. Muito própria e nada apropriada. Aliás, cuidado em ser muito apropriadX, viu? Não vire gente chatX. Achatada de normalidade.

Eu não conheço todo mundo que mora em mim. Mas me pertenço. E acolho as novas pessoas que chegam, porque eu sou lua crescente...(já diria o Fernando Canto). Aliás, crescer é acrescer. E dito isso, lembro que falsidade quer dizer...' falsear'.  E, neste espaço, você não vai encontrar disso.   É o que quero registrar. É o que quero passar. Viver é muito plural. Ser gente real é ser TANTO. Ou tantã. Não somos de UNICIDADE - nem eu e nem tu, que me lês. Somos vários mesmo. Bora ser, de verdade, afinal... quem precisa ser replicável por IA?

De pensar nisso tudo, no que acredito? que ninguém se mede por tamanho ou quantidade. Mas por grau de encantamento. Quero seguir encantada pela vida e pelas pessoas que chamo de 'minhas'. É uma escolha. 

Meu compromisso comigo e contigo, que me lê? Não perder a coragem de existir, sentir... e partilhar. Ter um espaço que ARDE emoções de muitas GENTES é permitir que, quando tu chegues aqui, tenhas algo real (e não metrificado ou estético).  Gente p´ra caramba aqui. É...nem tudo é sobre mim, neste pequeno espaço. Mas que bom que ainda tem 'euS' ...cheias de detalhes, manias, cores e poesia...dentro do aluanaodorme ❤️. LUZ!

#


*Está sem revisão, perdoem. Está nos rascunhos há uns tempos. Acrescei duas ou três palavras e quis publicar.


O preço


Nem toda coroa é ... realeza
Nem toda cara é verdadeira
E  a moeda, por inteira
às vezes, não vale nem a linha do poema.

Nem toda palavra é sine cera
Nem toda besteira é brincadeira
E tudo, tudo, está exposto
 à geleira inexorável do tempo...

Que aprimora e nos mostra:
Entre cara e coroa, toda janela é exposta
E a verdade é que a vida é muito menos ordinária
é real e colorível viço:

A vida é...feitiço!
E só descobre quem acredita nela
- às vezes, o preço e o valor
Estão muito além de tudo isso - 

#

Fiz esse poema depois de me reler, na crônica sobre supervilões, de 10 anos atrás...a vida tem mesmo seus valores e apreços. 

Poema de Maio de 2026, republicado, pois esteve bem acessado essa semana. 

terça-feira, 23 de junho de 2026

A Linha (Republicado)

                                          


A linha

Entre o crime e o afago
O socorro e o pecado
Quem saberá dizer
Dos erros e virtudes
Qual o nosso maior fardo?

Quem saiu do labirinto do sentir
Intocado pelo absurdo?
E nunca bebeu suas lágrimas
O sabor doce da saliva amada
E falou de amor sem sentir dor 
ou mágoa?

Quem ultrapassou a linha da virtude
E se sentiu devasso e impuro
Indigno do mais terno olhar?
E descobriu a própria maldade
Seu egoísmo e fragilidade
Tudo em nome do amor…

Quem já se sentiu pleno e perfeito
Depois de enlouquecer de paixão?
E jamais errou a dose e a medida
E não fez da loucura
Sua forma de pedir perdão?

Quem, depois das vestes de rei
Não mereceu as de um mendigo,
E até correu perigo por sentir demais?
Quem jamais sentiu na carne o corte
Da própria humana fragilidade
E pediu ao doce senhor dos céus piedade?

E jurou aos céus...'nunca mais'...

É, Marméladov,
A linha entre o belo e o bizarro
Está na minha e na tua mão
Cada um tece suas próprias vestes
Pecados, suores, amores
E oração…! 

#



*Republicado de 16.11.2016, pois foi acessado, e senti imenso apreço em reler esse pedaço do aluanaodorme. 

Eterno Retorno



Desde que acordei
Já deixei pra trás tanta coisa!
Meu sonho esquecido da noite anterior,
A beleza da lua passada,
E até um belo par de asas…

É que o tempo cria demônios
Redemoinhos e tufões
E leva embora tudo que somos – efemeridade
Para trazer, com o mover do mundo,
Novas partículas de segundo.

Por isso, adeus, adeus!
Mas é sempre até breve…
Pois na curva do arco-íris
O amor (mágica infinita)
Em si, repete.

O vento que fez a curva,
Girou a roda do universo
voltou no dobrar da esquina,
arejou certezas,
e hoje dança com as cortinas…

#


É mesmo preciso imaginar Sísifo feliz, Camus?
É preciso amar o fado, Nietzsche?
A gente deixa alguma coisa entre as sombras e a luz, Fernando?
Ou...quando desce, Sísifo é outro?
Ou quando amamos, o fado deixa de ser fado?
E entre as sombras e luz moram...nossos assombrosss!

Somos Luz e ação que câmeras não alcançam.
Existir é mesmo muito raro.
* Republicado de 2019.
Canto gosta muito este poema.
E eu também.

<3

Minguante!




Brilha, lua minguante...
Na calma de uma noite morna
E o calor úmido da cidade
Parece impregnar o espaço do equador...

(Macapá arde sob o fogo intenso, 
É noite, a lua mingua e traz o sol consigo...)

Nem sempre é de lua cheia o céu
as estrelas, pequenos vaga-lumes 
Sob o  manto da escuridão
Trilham caminhos dispersos na imensidão...

Escuro breu que esconde a galáxia inteira:

Brincarei de beber estrelas: Uma a uma
Farei o parto do amazonas e beberei seu caldo
No nascer do sol da manhã
E, no afã de sentir a brisa de junho soprar

Deixarei os cabelos soltos
Brindarei os elementos
E até contarei segredos
...pequenas preces ao vento!  #


*Poema de 2016, acessado, republicado.

Ei, lua...pega leve.
Ei, Sol...<3

QUE CALOR!

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Feitiço da LUA

Foi preciso.

Cortar o fio
Do meu coraçaõ
Que ria para ti
Sem motivo.

Deixar a paisagem dispersar
Sobre a névoa dos dias
Que levam ternuras adocicadas
Do ontem...

Talvez
Nunca mais
Aquela atmosfera branda
Aquela leveza...

'Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero...'
- Que pena -
'Tão contente porque nós quase conseguimos'...

Acabar a guerra fria:

Vestir minha armadura blasé...não mais você
Usar minhas palavras de sempre, 
eterno cliché entre amenos 'kkk'
- E te desaprender -

Cortado o fio
De interligação: não te contar meu dia.
(...e meu coração ria para ti
Sem motivo)

Não recordar teu cheiro:
Anosmia.




#

Mini-crônica engraçada - As coisas que acontecem com  poetas:

Céu Setentrional, lua brilhante de solstício - 21.06. Beira-rio, som bacana rolando. Essa emoção nasceu. Fui para o hospital de partos de poemas ...e eles me mandaram para casa, pois o poema ainda tava 'verdinho'.
Hoje, em pleno almoço de trabalho - porque advogar é o que paga as contas, por aqui - O POEMA VEM INTEIRO NA MINHA MENTE. Dança e sapateia por sobre as linhas do meu argumento técnico.

Faz o maior show no meu emocional. Nasce atropelado, assim que chego em casa.
Porque a luanaodorme e também não trabalha, a Jaci é quem faz o serviço. 




A pior pessoa do mundo! (Uma crônica na vida anacrônica, real e possível)



Há uns meses atrás, assisti o filme 'A pior pessoa do mundo'.

Em uma narrativa densa e emocionada, o filme traz a vida de Julie, em diversos momentos, atingindo camadas, sobretudo, dos aspectos conturbados da personalidade humana e dos relacionamentos... e como, por muitas vezes, nós mesmos nos sentimos - ou somos -  'a pior pessoa do mundo'.

E se você não se sentiu ainda a pior pessoa do mundo, tome cuidado com o seu código moral.

Eu (mesmíssima) por diversas vezes,  já me senti a pior pessoa do mundo. Isso porque, nem sempre, conseguimos agir de acordo com a nossa idealização do que é ser uma boa pessoa. Mas tento fazer o que chamo internamente de esforço do contrário, ou seja: busco ajustar minhas ações ao senso de correto, mesmo quando isso significa cortar meu próprio verso.

É claro que esse sentimento - o de ser a pior pessoa do mundo - nos alcança de uma forma ou outra, porque não queremos atingir o universo de uma outra pessoa de uma forma leviana. É a coisa da responsabilidade afetiva, de nossa percepção e até mesmo...compaixão, para com o universo do próximo. Nem sempre isso é fácil, pois já disse Sartre:

O inferno são os outros.

Mas também, o inferno somos nós,  quando não reconhecemos nossas impropriedades e nossa dificuldade de lidar com o senso de correto do outro. Afinal, ninguém aqui é o dono do código de moralidade de ninguém, não é messmo?

E se você se sente assim, tome cuidado com seu código moral.

O que me recorda que, uma vez, conversando com uma pessoa querida, perguntei: 'Será que essas pessoas percebem que estão sendo 'escrotas'? e ela, muito pragmaticamente me disse que: 'não, elas acreditam que estão sendo as melhores pessoas do mundo dentro de suas perspectivas e códigos morais". Essa mesma pessoa me disse...'não espere que o mundo seja para ti o que tu és para ele'( É que, às vezes, eu espero...).

E isso me deixou um pouco revoltada. É, é foda viver em um mundo em que não temos um 'ponto arquimediano' do caráter.  Mas, de outro lado, pensar nisso me convida - e a ti também - a flexibilizar um pouco a narrativa do bom e do mau. Afinal, eu não sou a régua da moralidade alheia.

Isso porque, infelizmente, ainda não dá para ser 'mocinho' de filme de comédia romântica, pois longe da idealização, sou mesmo muito gente: sinto raiva, culpa, desejos de vingança...mas também remorso.

Eu minto também. Quando isso me protege. Mas faço o que chamo de esforço da verdade. Mesmo que seja da minha verdade, para que isso alcance o universo do outro e para que as minhas relações sejam cada vez menos idealizáveis...e cada vez mais naturais e humanas. Mesmo porque, entre meus defeitos, está o de ter dificuldades em pedir desculpas - daí o esforço de tentar não 'errar'. 

E se você não faz , tome cuidado com seu código moral.

Mas também, com a  sua direção. Seu rio vai desaguar em que tipo de mar? ...

Bom, já fui chamada de inocente também, por esse formato. Acho fofo. Mas creio que tudo isso - os códigos de comportamento - são como um moletom quentinho: Nos protegem, nos aquecem e fazem sentir...organismo vivo. Mesmo que seja uma proteção antinatural, pois afinal, 'não quero lembrar...que eu erro também...'

Aliás...essa (ana)crônica é para dizer que, muito recentemente, me senti a pior pessoa do mundo...

E essa é uma forma muito, muito torta... de pedir perdão.


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P.s: A imagem no fim desta crônica faz menção ao 'retorno de saturno', considerado momento de grande reflexão e amadurecimento, no calendário astrológico. É trazido também na música ''Vinte e Nove, do Legião, em que Renato Russo aprende a ...pedir perdão. 

* Republicado de 06.05.2026, pois acessado.