quarta-feira, 29 de julho de 2026

Fogo na Chuva

 A chuva também queima
O gelo também adoça
O fogo pode congelar
ah! -  Névoas sob meus olhos embaçam poemas  de outrora- 

Pois já não leio teu nome no bater do meu coração no correr dos dias...

Eu ateei fogo à chuva e pus o coração para dormir 60 anos ou... 60 dias?
Descansar de sentir... sem ti
No entremeio, fiz poesia como quem bebe uma garrafa de whiskey à meia noite
Perdida às madrugadas, pelos botecos da lua

Trôpega e sem sentido: é, eu também nunca mais fui a mesma...

Mas quem quer ser igual ao instante passado? 
Que imprudência: inocência vã ou pura tolice.
Entornar o cálice da existência real é aceitar 
Que  o leite pode derramar 

(a vida pode te foder, às vezes, colega: engole o néctar )

Afinal, depois de um tempo,
 A chuva também queima
O gelo também adoça
E o fogo pode congelar:

E a gente é um tipo de maluco qualquer que dança sob os destroços
De algum lugar chamado passado.

#




#


E, sem parecer clichê
"O hoje é uma dádiva, por isso se chama ...''

*Republicado por ser, de longe, um dos poemas mais acessados do aluanaodorme esse mês.

Descobrir


Moço,

Eu não preciso que corras atrás de mim
Em um aeroporto
Nem que sejas meu porto:
Eu me navego bem, voo feliz
E, por um triz, quase não pouso.

Mas eu quero as bobices da partilha
Conhecer a trilha
Que te embala, nas tardes quentes e madrugadas
Sem tudo ou nada: 

Devagar e mansamente, calma...

Eu não preciso de tempo para que a turma do outro bairro
Veja e saiba se te quero
Constrói comigo a nau e navega
Vamos brincar com essa aventura chamada emoção
E só se for bom para dois,

Eu te espero...

Pois já me bagunço toda só de te deixar entrar
Já gosto da tua pele, teu sorriso aberto
E até já brinco de poesia
Porque estás aqui...

(Penso em te deixar ficar e  a gente se descobrir...)


#

Hahahahahah. A construção deste poema foi tão feliz! Brinquei com 'Caju', da Liniker, com "Coração Selvagem'', do Bel e 'Você me bagunça'', do Teatro Mágico.

*Republicado de Dezembro de 2025, pois acessado. Faz parte da sessão das mãos, por isso acresci a imagem.

Akai Ito



Mentes desalinhadas
Desajustam corações afins
- É uma pena...

Ainda bem que o poema
Tal como o fio invisível do 'está escrito'
Sabe mais que nós...

E assim, Akai Ito ou..."Maktub": 
'Está escrito, ou, tinha que acontecer'
Dos encontros e desencontros:
Aprender...desaprender...

Descobrir! Deixar sentir. 
Leve, borboletas no estômago:
Dançar. Viver
Fluir...

Mas, afinal, existe paixão sem isso?
Sem a fina pele, a fragilidade, o risco?
O medo e a audácia de sentir? 

Não adormecer, arrepiar, entusiasmar de verdade:
Afinal, existe poema sem coragem? 
- E  tu sabes,Poeta, coragem
É sempre o coração em ação...

Por isso e por tudo o mais:
Quebre os grilhões dos medos, 
Dê adeus à dor
Diga olá ao desconhecido!

Ou, ao re-conhecido
Elos de afeto:  
É sempre amor.


#

Fiz este poema em 27.03.2024,  para um casal de amigos, que segue na beleza da tentativa/ encontro. O poema está republicado com a música que ela escolheu. 
Porque eles se escolhem, eles teimam em se escolher.

Guardem esse segredinho comigo, tá? :)

*Todos os poemas com mãos foram reacessados e estão nos 'acessos de agora'.
Que fofo.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Boemia é charme, bebum é chato - Malandro é chique, otário, um saco (Filosofia seca do boteco da Lua)


 'Eu vou fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem
Que conheço de outros carnavais..."



Como sabemos, eu sou mais do cafézinho do que da noitada, mais da água com gás do que da cachaça. Então, porque a sessão de filosofia deste canto aqui se chama Boteco da Lua e não cafézinho encantado da Lua?

Bom, a primeira questão é... ''a paixão que mora na filosofia''.

Ninguém que aborde a vida em suas inacreditáveis vertentes, que lide com o absurdo existencial abissal das emoções...suporta a vida sem uma ajudinha. E aí, cada um com seu 'veneno'. Ou com seus venenos. Eu conheci muita gente interessante que só sobrevive (literalmente sem perder o réu primário) porque aprendeu a sentar no boteco com outras pessoas também porretas para partilhar merdas: Sortes e desventuras do cotidiano.

Na mesa do boteco vale tudo: piada 5a série entremeada às notas existenciais de Sartre ou Nietszche. O Velho BUCK. O impublicável. Lágrimas de desamor, traição, eternidade...atração. Foda.A vida é foda e não julgue este espaço pela palavra forte, tu tens mais de 18 anos e eu já dobrei essa conta.

Poesia. Declamada ou existencial. Memória. Revisada, ou sentida, falada e percebida...

Isso aqui não é um ode ao etilismo até porque eu sou a pessoa que menos bebe que eu conheça, que gosta de boteco. Eu gosto de gente no boteco. De barulho de boteco, de música de boteco, aquele sambinha balança logo as polpas do meu coração, aquela MPB deixa logo um poema engatinhando...

Mas, veja bem. Ser 'malandro' não é para qualquer um. O malandro real - e não 'o regular profissional'  - é o charme da Boemia - não é um cara engatilhando uma frivolidade atrás da outra com uma latinha na mão. O malandro, antes de ir ao boteco, BEBE A VIDA - e isso temos em comum..

O malandro entende de etilismo e não de elitismo - não confundir os entendimentos. Não bebe latinha, entorna litrão, igual faz com a existência: Sabe que é muita onda, muita água existir. Um tsunami. 

O malandro gosta de histórias, sabe ouvir, gosta de ouvir. É inabalável no baixo julgamento do outro: porque sabe que a matéria humana é densa demais para ser ouvida aquilatada.  Isso porque, o malandro sabe que tem coisa que não preste, dentro de si: imprestável mesmo (E se tu não se achas estragado em nada, ô, sai daqui, pavulagem).

O malandro tem paixão pela vida, por isso, desperta paixões...e, geralmente, a vida gosta dele, pois reconhece sua 'autoridade' para o assunto experienciar, no estilo Paulo Freire, que é um grande educador. Aliás, o malandro é aprendiz. E é incansável nessa coisa de aprender. Não se assusta por não conhecer: Quer mais.

Por isso, o malandro entende de química. Sabe que a vida é alquimia e, ainda assim, muitas vezes, perde a dose...porque é desmedido. Ou seja, nem todo malandro está bêbado, mas pode ficar. E é maluco.  Acontece.

Por isso, geralmente, a Boemia dá canseira. O malandro envelhece, é fato - se tiver muita sorte e um anjo trabalhador. Não fica idoso gourmand: aquela pessoa toda esticadinha e empoadinha. O malhado da academia de ginástica (e isso também não é um ode ao sedentarismo, eu malho e conheço gente bacana que também o faz). 

Não, o malandro não tem tempo para tanto espelho: Fica velho gostoso. Sabe, pessoa gostosa? aquela que a gente gosta de esticar o papo, de virar a madrugada conversando, de ver o sol nascer trocando vida...exalando essência, energia, realidade...buscando vida...admirando a lua. Ou usufruindo da madrugada. 

O malandro está à vontade e deixa as pessoas à vontade. 

Agora, não confundir Boemia com Bebum e nem Malandro com otário, o tal 'regular profisisonal'Porque mesa de bar é como a roda da vida: pode virar um saco, pode ser um tédio, ou algo apenas comum...ao lado das pessoas erradas. 

Mas pode ser inacreditavelmente engraçada, bacana e real... com as pessoas (in)certas - ou seja...aquelas que não têm tantas certezas.

E cada um prova da vida o que gosta. 

(risos)

#


*Republicada de 01.06.2026

Malabarista!

     


Coração é mesmo circo:
Palco de choro e de riso
De tudo que faz gente feliz:
(Sara, cicatriz)

Vida é de comover: 
Sorriso de criança
Beijo de casal, filme de comédia
Mundo, mundo real!

Sentir o coração bater...

Vivo: pulsando na garganta
Na pele que toca, feito canção
No verbo que sai, perfeita oração
Conexão entre mãos...afeto!

Ah! emoção malabarista
Que vive de se encantar e suportar o tanto
Com as flores na esquina, com o papel de pão
O sonho de criança e o da antiga padaria...

Viver é mágico. Insisto: é mágico.
 - Sem o espanto de sentir, tudo o mais é ordinário: O quão vivo anda você? -

...E o que seríamos sem o teatro
O doce palco sagrado das pequenas sensações?
Cheiro de flor, gente que ri, que nos aquece com sua emoção!
Aquela ligação...aquela emoção...batendo, dentro de nós:

Alucinação.

Poemas, poemas:
Dancem nas mãos do malabarista
Que joga para o ar as certezas
E brinca de ser equilibrista! 

#



Só quem já viu o filme "Não sei como ela consegue" vai entender o título do poema . O fato é que o filme é lindo, e se você precisa de uns tempinhos em que a ternura case com o mundo real...eis um filme bom.
Que a gente continue a comover, porque coração é mesmo esse circo! Palco de choro e de riso (...opa! Vem mais um poema!) 

*Republicado de 2016. O quão vivo anda ...teu coração?

Desaprendi de tanta coisa desde que te amei


Eu já não brinco de amarelinha pra chegar ao céu 
Já não encho a boca com balas de açúcar 
Feitas a granel
Já não chamo meus pais e peço para dormir segura após um pesadelo

E guio meus passos na cidade
Feito fêmea, em busca do teu cheiro...

Que vaidade tola essa
A de te querer aos meus pés
Sem te querer ao meu lado
Que medo mais tolo esse

- O da recusa a ser vulnerável -

'Os tempos são líquidos '
- eu te digo, benzinho...
E tu te derretes bem devagarinho -pleno e equatorial
Quente tempestade pelo meu quintal.

Eu desaprendi tanta coisa desde que te amei:

Já não arrumo mais o abecedário
Aceito borboletas no aquário
E não peço explicação ou previsão 
Gosto quando chegas 5min após o SMS,

- sem nenhuma explicação-

Todo apaixonado, como se soubesses 
antes mesmo de eu saber o quanto tu me fazes falta
Sou tão tola (im)pura e passional 
- Sei de quase nada!
 
E do pouco que eu sabia antes de te receber - de novo e de novo por aqui
Ah! Desaprendi de tanta coisa desde que te amei...
                                                                                     


#



 *Registro o furto escancarado da experiência alheia. O poema quis nascer, mas a poeta não queria parir às 00h30, porque a lua não dorme, mas a Jaci que mora na lua precisa dormir. No mais: Apaixonem-se mais, vocês, amigos que me confidenciam afetos. Eu fico louca de apaixonada junto e o poema nasce. 

*Republicado de 28.032025, pois acessado. E recordei que, como dito há uns poemas atrás, este casal que inspirou o poema... está junto novamente.  Eu guardo segredo. Vocês guardammmmmmmmmmm??? <3

Vem




 Chega a qualquer hora
Na minha agenda bagunçada
Cura minha mania de casa toda arrumada
Eu ando com saudade da desordem aleatória de apaixonar...

Cumpre a tua agenda ou desmarca a tua escala
Só pra me amar no escuro da sacada
A noite é uma adolescente vadia que fugiu de casa
E vai amanhecer em frente ao Amazonas, toda alvoroçada

Vem, bagunça logo a porra toda
De um jeito todo tonto eu digo que dou conta
De tão encontrada, vai ser bom perder um pouco do juízo
No céu da tua boca encontrar um pedaço do meu paraíso

Ninguém tá pronto e a vida não é mesmo coisa muito ajustada
A gente não sabe mesmo nada de quase tudo
E no fundo, depois de um tempo,
Nem faz questão de saber...

Só vem, que eu quero me desaprender...



#

Ahhhhhhhhhhhh ...

* Republicado, pois acessado. AMO ESTE POEMA! foi feito em uma época que o coração nem batia, pq nem dormia. Aí eu ouvi essa música e senti... rs. Porque a música tem essa potência: a de colocar dentro de nós uma fé incrível na vida e na arte do possível.


segunda-feira, 27 de julho de 2026

Percebidos!

 Eu sou apaixonada por viver, bem!
Não tem tristeza tão tamanha que eu não anoiteça
Deixe no sobrado do coração até dissolver no ar...
Como uma memória inexata de um impreciso dicionário
Que diz para onde não retornar.
 
Descobri que nada de existir é sobre 'chegar' !

Como Clarice, minha 'função de viver' é voraz
Vai comigo em uma praça, passeia distraído
Entre a flor, a chuva no asfalto e o casal apaixonado:
Vou elocubrar! vou distrair e enamorar

Me preencher de detalhes que passam por nós: a nuvem, os perfumes, os sorrisos...
 
 Passeia, me conta de ti:  preenche sabendo que já estou cheia
Mas quero sempre mais, afinal, a função do big bang é a expansão ...

Vamos encher os olhos de lágrimas ou tomar um vinho
Qualquer coisa sem sentido que acalore o instante!
Queimando o carbono que me habita, meus pés alcançam o espaço:
Vivo de alimentar devagarinho esse calor
Eu assusto um pouco, bem sei -  Mas quem não?

Dizem que o Universo nasceu de uma explosão...

Isso não é lindo? e não é uma mensagem entre a coragem e o medo?

Viver ...ah!  não é coisa de Crusoé
A gente precisa riscar o espaço da geometria do outro
Estender a mão para quem faz  sentir e não para quem faz sentido!
Arriscar, formar laços, partilhar o coração
Nesse mundo de elos percebidos...


#

Percebidos pela lei deste poema: Que se reconhece pelos sentidos, principalmente o 6°!
De uma leitura maravilhosa de um livro, o 'Direito Quântico', que é a coisa mais poética e magnífica, do querido e renomado Prof.Goffredo Telles Jr.
Que mais que sobre direito, é sobre (ser). Sobre conetar e perceber...que somos elos.

*Republicado de 25.03. 2023, quando este livro me devorava. E vice-versa.

Luz!

domingo, 26 de julho de 2026

Gostares



Gosto de pingos de água,
De risos e amanheceres
Gosto das tardes, que deitam o sol ardente do equador
Aprecio a leveza de mãos que se juntam de forma calma

Com alma...(no gesto)

Teço poesia e afetos delicados
Pois o mundo é bruto, coração!
Cotidianamente tenta nos fazer desacreditar
Na beleza da existência.

Sou real: palavras e silêncios
Presença e  ausência
E, apesar de perceber e registrar
Quase não consigo compreender quem escolhe viver o avesso da equação...

As coisas simples existem: repita isso 03 vezes
E abra as portas do peito para ser bom para alguém
Não é tão difícil, se a gente acreditar juntos 
É assim que 'nós' formamos 'laço'

Abraço, leveza, 
Estar por acolher...
- Viu como um poema pode ser doce, leve
E aquecer? - 

Basta a gente se escolher...

#


*Republicado, pois acessado. 
Hoje esse blog de poesia conta com mais de 3.700 acessos.
Gratidão!

Ode às Imperfeições

Ode às imperfeições:

As minhas, as tuas: 
Encontros, desencontros
Nós é que somos as estações
Aqui nos céus do equador...

Gosto dos teus olhos
Mais do que deveria
E gosto que tu não entendas nada de poesia
Nem esquadrinhe meus espaços para me perceber...

Fico mais imperfeita, natural demais
E acho que me sinto tão normal nesse formato
Sem tirar a roupa da minha emoção a cada linha
Tão eu, sem precisar das palavras para te alcançar...

Acho bom que tu não fales de filosofia
Nem reverbere tua politização com as últimas do noticiário
às vezes, isso tudo é cansativo
a mente fica meio presa nesse looping, feito planta de aquário

Ninguém é espelho e nem precisa ser para afagar
Nenhuma métrica é idêntica, a vida pode acomodar
O vento que sopra suas verdades
 Põe as coisas no lugar....

Sinto saudades da tua presença que não pesa
Da tua leveza que não é nada lesa
Pois, lindeza, a gente aprende tarde como é arte
Estar tão confortável com a respiração de alguém...

Ode às imperfeições:

E às coisas que vão porque têm de ir...




#



Republicado de 23.03 e acessado agorinha. 
Republicado. 
:)

Ensaios sobre morar dentro do Sol

 
 
 
 
O Equador brilha ligeiro em meu peito
A paz das coisas simples acontecem, é fato
A gente não precisa fazer força para ver coisa bonita
Brotar na terra fértil da emoção....
 
Eu moro dentro do sol – e o sol, dentro de mim...
 
De temperar com pimenta de cheiro
Aprendi que as coisas que não ardem têm sabor
E eu, que busquei tanto a intensidade da malagueta
Reencontro na sutileza novas formas de beleza...
 
Este poema não é simples, apesar de parecer bobo.
 
Eu não tenho em mim
Uma linha – sequer imaginária - que divida o sul do norte
E a minha bússola nasceu quebrada
Mas, tenho uma lua que me acorda às madrugadas
 
E convida a sonhar acordada as coisas bonitas da existência...
 
Já abracei a floresta
Tomei banho de rio de madrugada
Dancei e bebi do céu o sabor da chuva
Ah! Já fiz tanta coisa louca, bonita, emocionada:
 
Tudo isso me salvou um pouquinho
De ser apenas aquilo-que-se-espera
Não me olhe como algo exótico, 
Sou  mais simples do que flor em plena primavera

Eu moro dentro do sol – e o sol, dentro de mim...

#

Ahhhh...esse poema foi de 28.03. Republicado, pois acessado. E fez um barulhinho bonito dentro da Oca que chamo de coração...



Paixão! (Parte 3)

 
 

Fazia tempo que eu não me sentia assim:
Interligada.
Pensando em dividir minhas horas pra caber mais tu...
Fazia tempo que eu não era isso: Boba.
Do tipo que acorda às madrugadas
Só pra te abraçar...
E eu te confesso que nunca fui assim tão calma:
 Do tipo que espaça...que deixa rastro e dá um time para deixar acertar.
Que faz silêncio, que abranda...que te espera pra jantar e acomodar.
E justo assim, calhaste de machucar o papel marché da minha emoção
E eu tive de fechar os portais da nossa conexão – esquecer de ti, tentação!
Porque a paixão também entorna, vira feitiço que se joga fora,
Magia esquecida, elo fora de cogitação...
Tu devias ter cuidado melhor do meu coração.

#

*Vocês conhecem a história da música 'Conversa de botas batidas?'
A LENDA em seu entorno é linda.  É sobre um casal que morreu em um desabamento de prédio antigo no RJ. É inspiradora, pois nos faz pensar...o que desabou realmente, naquele dia?

O que desabamos? Será que a gente precisa ter 'conversas de botas batidas'? ou conversas para não bater as botas? rs.

Enfim...

*Esse poema é um dos mais acessados do mês. Vocês adoram sangue de poeta estirado na rua da emoção, né? 


sábado, 25 de julho de 2026

Lembrança

 

Vem quando não quero, feito brisa
Um nome parecido, um verbo que alguém diz, uma palavra
Vem quando o universo decide por te distinguir...
Chega no meio de uma reunião, de um poema
Vem, depois de eu te pedir  p´ra partir de mim e voei
Voltei melhor, meu bem, eu sei:
Os ventos calmos e as marés ensinam. Isso é bom. 
Existir é mágico, mas é preciso escolher como viver:
Acolher e imaginar a vida como gostamos de sentir e nos sentir
Pensar no segundo como um projeto em composição
A vida, afinal, é isso: um quebra-cabeças delicado 
Que montamos lentamente a imagem e a percepção
Mesmo assim, tu vens, tentação:
Quando acho chato um riso ou opinião
Quando te vejo distante, em meio a uma multidão
Ah...como é feia a comparação...
Vem no entremeio, quando me distraio
De qualquer coisa e de nada, no meio de uma piada
Vem macio e depois vai...sem eu nem perceber
...A lembrança do teu cheiro e de você
 (ah! Contradição do não-querer)

Contradição do não-querer...

#


Conversas com Tomas.



Tomas, Tomas...

A densidade e leveza coabitam
Não tão divididas e nem tão espaçadas
Pessoas não são matemática:
Não há metrificação...

Coração não é licitação:
 - Quem suporta mais a bagunça do meu coração? -
A vida é mais bela e esplendorosa
O dia nasce, o céu clareia, a poesia vale a prosa...

Do caos nasce a ideia de sistema:
O big bang está aí para provar:
A natureza se alvoroça para metamorfosear
 Vida em Beleza!

E esta é uma lógica simples e maravilhosa:

A densidade e a leveza coexistem para transformar
Beleza em paz, caos em razão
- E tudo que, com esta dialética não coabita,
Tende à extinção...-

#

*Este poema é para o personagem do livro da minha vida, Tomas, de 'A insustentável leveza do ser'. Republicado de Jan/2026, pois acessado.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Construção

                            


Ferida,  sou cacto
Mansa, cheia de flor.
Na vida, espinhosa e árida
Na alma, perfumada e cálida

...é assim também no amor!

Esotérica,
Pele com  banho de cheiro,
E, no entremeio,  Bruxa e Artesã: Teço poesias.
Cuidado:

Teço poesias!

Não pude aprender com minha Avó Cecília
As rezas pagãs das benzedeiras
Os místicos rituais, tendo o Amazonas por beira
É um pedaço em mim que jamais se completou...

Então, regatão:

 Resgato um pouco desta magia
Na força da ancestralidade que me corre o sangue,
E brinco com a fina poeira do cotidiano
Aprendo com a natureza  que não há enganos
A semente que floresce é a que plantamos...

E a Bruxa passeia pelos cantos de mim...

Aprendi que é de lágrima
Que se faz um mar, mas é de riso que o Amazonas dança
Cada um com seu próprio movimento
Sabor e  temperança que acomodamos e partilhamos

E que existir é mesmo feito disso tudo: De dualidades...

Ainda criança, aprendi a entender a maré
E a mergulhar nas águas de um igarapé
Como o respeito à sua soberania
Pois  o bom filho da mãe d´água 

Encontra o rumo, pois está em casa:
é, eu estou em casa neste céu azul setentrional que me abraça...

Sigo uma rota tão particular!  Não sei aonde vou chegar
E nem preciso mais desta resposta
Eu já abri as portas do meu coração
E aceitei a lógica insensata de minha imprecisão

Certeza? nem de navegar.

#


É que, no avesso complementar da célebre frase da Frida, eu sou o que mais desconheço. E em tudo que descubro, teço...poesia! Por aqui, dá para saber muito de mim, da fina pele da emoção que me recobre.

LUZ!

Divertidamente Complicados



Vai a Paris.
À avenida Fab.
Corre de mim,
Não corre
Viva bem, meu bem.

 Te quero assim
Sem aparar arestas
Só portas abertas
 Linhas que se encontram
E simplesmente são...

 Me faça rir
 Com o teu jeito doido de tomar café
E escrever ao teu lado no meu blusão mais confortável
Conta o teu lado da cidade
Vai que eu te encontre por lá...

 Me deixa louca, rouca

Não quebra meu coração
Se ajeita um pouco, tentação!
 Conforma o abraço, o passo
 Não me deixa na linha de chegada
Te esperando naquela calçada

Porque tu voltas e eu te quero
E a nossa estrada se entrelaça
Se fica longe, quer se encontrar 
E o coração bagunça
 ...Inexplicavelmente.

#

Eu não gosto do Sr. Big. 

Que fique registrado. Mas fiz o poema para o casal de Sex And the City, porque fiz as pazes o roteiro de e a estrada das flores da estação - Carrie e o Sr.Big - na imperfeição das coisas como são.

Quanto às geografias. Amo escrever sobre meu lugar e brinco com a Salvador Diniz ou a Fab. São minhas linhas imaginárias da infância...

*Republicado, pois acabou de ser acessado.

Reconquista

                      


Dessa vez,
Não tirei tua escova do lugar
Nem joguei teu cheiro fora,
Saí inteira:

nem mesmo bati a porta.

Dessa vez,
Não jurei, não te odiei
Nem ofereci canções de desamor
Não senti medo quando o céu desabou

- A chuva linda, cheia de raios e trovões
em sua fúria natural, parecia redenção...-

Dessa vez,
O dia permaneceu no linear
Não briguei com as horas,
Nem mudei os móveis de lugar

Fiquei quieta, deixei a vida em seu próprio caminhar
se encaminhar...

Dessa vez,
Não usei os lenços da casa,
Nem revirei nos lençóis da cama
ou andei descabelada, de pijama....

...e Eu nem mesmo te avisei!

Em silêncio,
eu me reconquistei.


#

Depois de ver um episódio da segunda temporada de 'A coisa mais bonita', uma das melhores séries do país, produzidas na última década. Sobre ser mulher, ser gente e ser FORTE, sobre emancipação feminina, sobre reconquista, sobre o mundo, que deve girar em torno do primeiro amor...que é (em Cristo -na minha crença, e também...) o próprio.

O primeiro episódio da segunda temporada já diz a que veio, quando inicia com o  o poema do Vinicius , ' a mulher ideal', que  nas letras do  poeta  "tem que saber amar, saber sofrer pelo seu amor e ser só perdão'', e se desenvolve para levar à mensagem forte e maravilhosa de ''Vaca Profana'', do Caetano:


"Respeito muito minhas lágrimas
Ainda mais minha risada(...)
Vaca das divinas tetas
derrama o leite sobre a minha cara
e o leite mal na cara dos caretas..."



* Republicada de Junho/2020,  feita logo após a série, republicada agora porque acessada e gosto desse poema.