quarta-feira, 24 de junho de 2026

Vozes na sua cabeça: Nem tudo é sobre o Eu, neste pequeno espaço! Mas que bom que ainda tem 'EUS' dentro do aluanaodorme!( Filosofia do Boteco da Lua')

 Bora botecanear? :)

       


Dia atrás, brincando, perguntei a uma amiga quantas vozes tinha na cabeça. E ela me respondeu duas....e me retornou a brincadeira dizendo que eu sou tantas que não seria inventada, nem por IA - dadas as minhas peculiaridades. Da forma como falou aquilo, fiquei pensativa: Eu seria então...

GENTE DEMAIS?

Explico.  É, sou várias JACI´s. Algumas, já conheço de longa data. Tenho mais fases que a lua e levou tempo para perceber as camadas...

A Lua é das artes, poeta, escritora, que vem se desdobrando em camadas e camadas...a lua perde o sono e escreve sobre a vida, sente a cidade, lê pichações, ouve conversas de rabo de ouvido para saber das pessoas (fofoca ahahahah), vê beleza na paisagem da cidade, passeia com a vida...hoje, a lua dorme um pouco, no meu umbigo, para que a Jaci adulta, advogada, pesquisadora, professora, possa existir. 

Tenho a que sou com cada uma das pessoas que quero estar (a gente escolhe quem pode colher de nós o nosso Eu, não é?). E nestas, sou sempre singular. Tenho a leitora ávida, a colecionadora de vinis, a apaixonada por perfumes e decoração, tenho a modista, a normalista, a clichézona que é cheia de fofurices, tenho a menina cheia de vestidinhos de boneca e pinturas e laços, a velhinha que organiza louças e bordados,  tenho a dançarina de fitdance, a cozinheira aprendiz, tenho a acadêmica (de várias formas de academia)...e tenho a ARIANA - uma tal  'DIABA VERMELHA' ou "DIABA RUIVA' (hahahahahhaha), que tem um gênio de lâmpada queimada e hoje aparece bem menos(Maas ...) . E tenho muito, muito mais!

Então, vou perguntar de ti, que me lê: Tu se sentes um único 'eu'?

Não estou falando do transtorno de personalidade fragmentada claro (se for seu caso, receba meu abraço e sinceros ensejos de um justo e digno tratamento). Mas, para além...independente da ideia de personalidade integrada (ou não), nunca somos 'lineares' em todos os espaços: as interações importam, as emoções ...mais ainda. Os lugares e pessoas...ditas conexões ou interjeições.

Quem sou eu, quando não me sou? ... Fernando Pessoa sabia a importância dos heterônimos para continuar sendo e, por absoluta sinceridade alertou: O poeta é um fingidor. 

MAS AFINAL, NÃO SERÍAMOS TODOS FINGI-DORES?

Martha Medeiros, se chama da EQUIPE. Adorei! ela diz que quando todas as suas personalidades se encontram, é reunião de equipe. Rosa Montero flerta com a loucura ao admitir sua pluralidade e diz mais: todo artista é doido. Rimbaud diz que 'eu é um outro'.

E isso recordou que, no aluanaodorme tem vida própria...escreve sobre livros, filmes, poemas, histórias da literatura e da vida real que se achegam a mim. Sobre gente que se viu e se amou debaixo dos meus olhos, em algum livro ou filme. E sobre teorias e outras coisas da vida real. Mas... tudo aqui é verdadeiro. Seja por mim, seja por quem viveu cada uma dessas coisas. Realmente visto a pele de tudo que sou - e isso inclui admitir que, mesmo quando não é sobre mim, é sentido sim...MUITO.

Afinal, tem gente p´ra caramba aqui dentro, é fato.
Mas eu sou autêntica, nessa porra.
Como nosso equador, feito da mais-molhada-chuva e do mais-intenso-sol. 
Um ser que caminha pegando fogo de vida por dentro, com asas de Ícaro
Uma desgrama de lua que não dorme. Uma feira maluca.

Eu posso encantar meu interlocutor - falo isso com sinceridade. Posso ser a conversa preferida de várias pessoas (e digo sem me gabar). Mas também posso cansar ou confundir um interlocutor mais linear...afinal, 'quem faz sentido é soldado'. Sine cera, apesar de várias.

Aliás, já tentei ser linear: A tal da voz do anjo e do diabinho. Que diacho de vida chata. Desisti. Melhor ser vários sinceros EUS, do que camuflar tudo em uma identidade única - porque o conceito de identidade não tem a ver com unicidade, mesmo ( e eu estudo isso academicamente). Tem a ver com RECONHECER e PERTENCER na pluralidade de SER.

Não confundir pluralidade de GOSTARES com quebra de VALORES. Aliás, para ter noção do valor, é preciso conhecer o preço. Ser próprio. Muito própria e nada apropriada. Aliás, cuidado em ser muito apropriadX, viu? Não vire gente chatX. Achatada de normalidade.

Eu não conheço todo mundo que mora em mim. Mas me pertenço. E acolho as novas pessoas que chegam, porque eu sou lua crescente...(já diria o Fernando Canto). Aliás, crescer é acrescer. E dito isso, lembro que falsidade quer dizer...' falsear'.  E, neste espaço, você não vai encontrar disso.   É o que quero registrar. É o que quero passar. Viver é muito plural. Ser gente real é ser TANTO. Ou tantã. Não somos de UNICIDADE - nem eu e nem tu, que me lês. Somos vários mesmo. Bora ser, de verdade, afinal... quem precisa ser replicável por IA?

De pensar nisso tudo, no que acredito? que ninguém se mede por tamanho ou quantidade. Mas por grau de encantamento. Quero seguir encantada pela vida e pelas pessoas que chamo de 'minhas'. É uma escolha. 

Meu compromisso comigo e contigo, que me lê? Não perder a coragem de existir, sentir... e partilhar. Ter um espaço que ARDE emoções de muitas GENTES é permitir que, quando tu chegues aqui, tenhas algo real (e não metrificado ou estético).  Gente p´ra caramba aqui. É...nem tudo é sobre mim, neste pequeno espaço. Mas que bom que ainda tem 'euS' ...cheias de detalhes, manias, cores e poesia...dentro do aluanaodorme ❤️. LUZ!

#


*Está sem revisão, perdoem. Está nos rascunhos há uns tempos. Acrescei duas ou três palavras e quis publicar.


O preço


Nem toda coroa é ... realeza
Nem toda cara é verdadeira
E  a moeda, por inteira
às vezes, não vale nem a linha do poema.

Nem toda palavra é sine cera
Nem toda besteira é brincadeira
E tudo, tudo, está exposto
 à geleira inexorável do tempo...

Que aprimora e nos mostra:
Entre cara e coroa, toda janela é exposta
E a verdade é que a vida é muito menos ordinária
é real e colorível viço:

A vida é...feitiço!
E só descobre quem acredita nela
- às vezes, o preço e o valor
Estão muito além de tudo isso - 

#

Fiz esse poema depois de me reler, na crônica sobre supervilões, de 10 anos atrás...a vida tem mesmo seus valores e apreços. 

Poema de Maio de 2026, republicado, pois esteve bem acessado essa semana. 

terça-feira, 23 de junho de 2026

A Linha (Republicado)

                                          


A linha

Entre o crime e o afago
O socorro e o pecado
Quem saberá dizer
Dos erros e virtudes
Qual o nosso maior fardo?

Quem saiu do labirinto do sentir
Intocado pelo absurdo?
E nunca bebeu suas lágrimas
O sabor doce da saliva amada
E falou de amor sem sentir dor 
ou mágoa?

Quem ultrapassou a linha da virtude
E se sentiu devasso e impuro
Indigno do mais terno olhar?
E descobriu a própria maldade
Seu egoísmo e fragilidade
Tudo em nome do amor…

Quem já se sentiu pleno e perfeito
Depois de enlouquecer de paixão?
E jamais errou a dose e a medida
E não fez da loucura
Sua forma de pedir perdão?

Quem, depois das vestes de rei
Não mereceu as de um mendigo,
E até correu perigo por sentir demais?
Quem jamais sentiu na carne o corte
Da própria humana fragilidade
E pediu ao doce senhor dos céus piedade?

E jurou aos céus...'nunca mais'...

É, Marméladov,
A linha entre o belo e o bizarro
Está na minha e na tua mão
Cada um tece suas próprias vestes
Pecados, suores, amores
E oração…! 

#



*Republicado de 16.11.2016, pois foi acessado, e senti imenso apreço em reler esse pedaço do aluanaodorme. 

Eterno Retorno



Eterno Retorno

Desde que acordei
Já deixei pra trás tanta coisa!
Meu sonho esquecido da noite anterior,
A beleza da lua passada,
E até um belo par de asas…

É que o tempo cria demônios
Redemoinhos e tufões
E leva embora tudo que somos – efemeridade
Para trazer, com o mo do mundo,
Novas partículas de segundo.

Por isso, adeus, adeus!
Mas é sempre até breve…
Pois na curva do arco-íris
O amor (mágica infinita)
Em si, repete.

O vento que fez a curva,
Girou a roda do universo
voltou no dobrar da esquina,
arejou certezas,
e hoje dança com as cortinas…

#



* Republicado, 2019, pois acessado.

Somos Luz e ação que câmeras não alcançam.
Existir é mesmo muito raro.
<3

Minguante!




Brilha, lua minguante...
Na calma de uma noite morna
E o calor úmido da cidade
Parece impregnar o espaço do equador...

(Macapá arde sob o fogo intenso, 
É noite, a lua mingua e traz o sol consigo...)

Nem sempre é de lua cheia o céu
as estrelas, pequenos vaga-lumes 
Sob o  manto da escuridão
Trilham caminhos dispersos na imensidão...

Escuro breu que esconde a galáxia inteira:

Brincarei de beber estrelas: Uma a uma
Farei o parto do amazonas e beberei seu caldo
No nascer do sol da manhã
E, no afã de sentir a brisa de junho soprar

Deixarei os cabelos soltos
Brindarei os elementos
E até contarei segredos
...pequenas preces ao vento!  #


*Poema de 2016, acessado, republicado.

Ei, lua...pega leve.
Ei, Sol...<3

QUE CALOR!

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Feitiço da LUA

Foi preciso.

Cortar o fio
Do meu coraçaõ
Que ria para ti
Sem motivo.

Deixar a paisagem dispersar
Sobre a névoa dos dias
Que levam ternuras adocicadas
Do ontem...

Talvez
Nunca mais
Aquela atmosfera branda
Aquela leveza...

'Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero...'
- Que pena -
'Tão contente porque nós quase conseguimos'...

Acabar a guerra fria:

Vestir minha armadura blasé...não mais você
Usar minhas palavras de sempre, 
eterno cliché entre amenos 'kkk'
- E te desaprender -

Cortado o fio
De interligação: não te contar meu dia.
(...e meu coração ria para ti
Sem motivo)

Não recordar teu cheiro:
Anosmia.




#

Mini-crônica engraçada - As coisas que acontecem com  poetas:

Céu Setentrional, lua brilhante de solstício - 21.06. Beira-rio, som bacana rolando. Essa emoção nasceu. Fui para o hospital de partos de poemas ...e eles me mandaram para casa, pois o poema ainda tava 'verdinho'.
Hoje, em pleno almoço de trabalho - porque advogar é o que paga as contas, por aqui - O POEMA VEM INTEIRO NA MINHA MENTE. Dança e sapateia por sobre as linhas do meu argumento técnico.

Faz o maior show no meu emocional. Nasce atropelado, assim que chego em casa.
Porque a luanaodorme e também não trabalha, a Jaci é quem faz o serviço. 




Paixão! (2)



Não te mandar embora e me afastar
Quando tu fores um idiota
Para te espaço para reparar
A imprecisão do desajuste

Aprender teu tempero favorito
E fazer bonito nossos dias comuns...

Te pedir paciência com a minha elegância indiscreta
E a  piração no humor
Ouvir tuas canções, teu riso
Dividir o macarrão p´ra dois
Dar tempo...para o tempo se vestir de nós!

Sentir teu cheiro, sentir tua pele
Te esperar se ajeitar um pouco, tentação!
Sentir bater teu coração
Bem debaixo do meu ouvido...

Isso tudo é dizer sem palavras
O quão gosto de ti...

#


Estava nos rascunhos do blog - dos meses idos -  e é o que penso das coisas boas, dos afetos bons...da mágica incrível e singular que é...a paixão.
Não publiquei por falta de imagem. Então, hoje, estava buscando um poema doce, que nos lembre da palavra 'ajuste' (porque estou muito na torcida por uns e outros por aí), e caí neste. Resolvi usar a mesma imagem, cês sabem...

Preciso ir viver o dia corrido, mas este lugar está cheio de LUZ!

É isso...

Um dia feliz!






A pior pessoa do mundo! (Uma crônica na vida anacrônica, real e possível)



Há uns meses atrás, assisti o filme 'A pior pessoa do mundo'.

Em uma narrativa densa e emocionada, o filme traz a vida de Julie, em diversos momentos, atingindo camadas, sobretudo, dos aspectos conturbados da personalidade humana e dos relacionamentos... e como, por muitas vezes, nós mesmos nos sentimos - ou somos -  'a pior pessoa do mundo'.

E se você não se sentiu ainda a pior pessoa do mundo, tome cuidado com o seu código moral.

Eu (mesmíssima) por diversas vezes,  já me senti a pior pessoa do mundo. Isso porque, nem sempre, conseguimos agir de acordo com a nossa idealização do que é ser uma boa pessoa. Mas tento fazer o que chamo internamente de esforço do contrário, ou seja: busco ajustar minhas ações ao senso de correto, mesmo quando isso significa cortar meu próprio verso.

É claro que esse sentimento - o de ser a pior pessoa do mundo - nos alcança de uma forma ou outra, porque não queremos atingir o universo de uma outra pessoa de uma forma leviana. É a coisa da responsabilidade afetiva, de nossa percepção e até mesmo...compaixão, para com o universo do próximo. Nem sempre isso é fácil, pois já disse Sartre:

O inferno são os outros.

Mas também, o inferno somos nós,  quando não reconhecemos nossas impropriedades e nossa dificuldade de lidar com o senso de correto do outro. Afinal, ninguém aqui é o dono do código de moralidade de ninguém, não é messmo?

E se você se sente assim, tome cuidado com seu código moral.

O que me recorda que, uma vez, conversando com uma pessoa querida, perguntei: 'Será que essas pessoas percebem que estão sendo 'escrotas'? e ela, muito pragmaticamente me disse que: 'não, elas acreditam que estão sendo as melhores pessoas do mundo dentro de suas perspectivas e códigos morais". Essa mesma pessoa me disse...'não espere que o mundo seja para ti o que tu és para ele'( É que, às vezes, eu espero...).

E isso me deixou um pouco revoltada. É, é foda viver em um mundo em que não temos um 'ponto arquimediano' do caráter.  Mas, de outro lado, pensar nisso me convida - e a ti também - a flexibilizar um pouco a narrativa do bom e do mau. Afinal, eu não sou a régua da moralidade alheia.

Isso porque, infelizmente, ainda não dá para ser 'mocinho' de filme de comédia romântica, pois longe da idealização, sou mesmo muito gente: sinto raiva, culpa, desejos de vingança...mas também remorso.

Eu minto também. Quando isso me protege. Mas faço o que chamo de esforço da verdade. Mesmo que seja da minha verdade, para que isso alcance o universo do outro e para que as minhas relações sejam cada vez menos idealizáveis...e cada vez mais naturais e humanas. Mesmo porque, entre meus defeitos, está o de ter dificuldades em pedir desculpas - daí o esforço de tentar não 'errar'. 

E se você não faz , tome cuidado com seu código moral.

Mas também, com a  sua direção. Seu rio vai desaguar em que tipo de mar? ...

Bom, já fui chamada de inocente também, por esse formato. Acho fofo. Mas creio que tudo isso - os códigos de comportamento - são como um moletom quentinho: Nos protegem, nos aquecem e fazem sentir...organismo vivo. Mesmo que seja uma proteção antinatural, pois afinal, 'não quero lembrar...que eu erro também...'

Aliás...essa (ana)crônica é para dizer que, muito recentemente, me senti a pior pessoa do mundo...

E essa é uma forma muito, muito torta... de pedir perdão.


#

P.s: A imagem no fim desta crônica faz menção ao 'retorno de saturno', considerado momento de grande reflexão e amadurecimento, no calendário astrológico. É trazido também na música ''Vinte e Nove, do Legião, em que Renato Russo aprende a ...pedir perdão. 

* Republicado de 06.05.2026, pois acessado. 

LO(U)COMOTIVA DA PAIXÃO! (Conto Poético - Ou seria Profético? - do Boteco da Lua - Revisado)

"Tudo o que é sólido se desmancha no ar''

A frase não dizia respeito à relação afetiva, mas ao Capital. E, por ela, Marx transcendia explicações com uma máxima gigantesca acerca das relações economia-humanidade. Foi profético e, adiante, Baumam explicaria essa frase com a liquidez da modernidade. De lá para cá, haja escritos, por isso não vou me alongar... 
Uma frase muito mais simples me atingiu  que toda a força metafórica das palavras:

Eles não estão mais juntos.

Partiu meu coração por mil motivos. O primeiro, é que sempre achei que era um casal daquele tipo 'tampa e panela'. O segundo, é porque um casal é sempre a lembrança de que somos animais sentimentais...capazes de exercer o bendito mister, apesar do bla bla bla acerca da super individualismo e da superficialidade de uns e outros. 

E o terceiro é que, quando existem mil improbalidades e eles permanecem juntos...dá um senso de conformidade cármica que ...aquece o coração. De que, repente, exista 'um certo alguém' para cada um de nós. Eles se separam e o adeus é coletivo.  Mundos construídos. Vocabulários, apelidos. Dias e dias idos, onde a vida foi absolutamente diferente, pelo universo que construíram....e tudo que eles ainda poderiam ter sido!Ah...a projeção...

Eu sou sentimental, como todos aqui sabemos (gratidão pela visita!). Mas eu sei que dá um fundinho no coração de todo mundo pensar que pessoas que se apaixonaram desencontraram.

Tentei recordar - trazer à memória as cores do coração - o que lembro desses dois. Riso aberto, fofurices, brincadeiras, canções...pequenos rituais, aprendidos e partilhadas. Uma coleção de vínculos e de dias pendurados nas paredes do coração.

Eles não eram aqueles casais plásticos, sabe? projetados pela fórmula das conveniências típicas: eu isso, você aquilo, nós, união de comodidades...aliás, sei que, no começo, era tudo zoação e brincadeira...

Mas... 

Eles eram mágicos. Passava uma energia na pele, uma luz no olhar de um para o outro...uma espécie de fio invisível que os interligava e eletrificava o ambiente. Eles eram engraçados e viciantes.

Tinham potência emocional de dentro para fora. 
Mas...ouvi dizer que  ela  'perdeu a esperança/ porque o perdão também cansa de perdoar', como diria Chico.  E ele estava confuso com a intensidade dela e decidiu aceitar a decisão de descer da estação da paixão.

 Eles não estão mais juntos.

Senti uma desesperança de pensar nisso tudo e, confesso: Fiquei pessimista por umas vinte e quatro horas de tempo com a vida - é quase tudo  de tempo que meu coração aguenta ficar. Neste interim, pensei que, se tudo é impermanência, talvez nem tudo valha tanto à pena assim...talvez se apaixonar seja uma grande bobagem e uma perda de recurso emocional. Talvez o amor seja aprender a se despedir ...( eu estava realmente pessimista).

'Será que a gente tá sempre indo embora?'...ou a gente tá sempre chegando? Será que a gente nunca vai chegar?

Daí, lentamente, a vida fez seu trabalho e me trouxe à memória grandes viajantes que seguem juntos. Amores, amigos. Gente que escolheu acolher as mudanças um do outro para seguir na viagem, em conjunto. Eu não sou, nem de perto, a mesma garota da bicicletinha, aos 6. Mas ela segue comigo. Nós ainda somos referencial de amor uma para a outra. E esse é só um dos milhões de exemplos ...fui inundada das impermanências que se movimentam juntas...

Num impulso de otimismo, refaço a história, em minha mente e coração.

Eu os imagino na estação... estão confusos e magoados, cada um de um lado do trilho do trem.
Na viagem do qual desembarcaram,  estão tristes. Mas não tiraram os pés de lá. Da estação.
Ela pensa no que queria que ele lhe dissesse.
Ele quer que ela pare de querer o diferente.

Mas a viagem era boa, antes da quebra inicial, sabe?

Ela olha para ele. Ele para ela. Sentem falta real um do outro. Será que palavras alcançam mesmo a potência que é o milagre de um encontro? O trem da paixão chega novamente na estação. Barulhento e ensurdecedor. Mas o vagão tem portas de entrada pelos dois lados. Ele levanta. Ela levanta.

Eles caminham um para o outro, sem tanta explicação.
Dão as mãos, dentro do trem...

Não são iguais, depois daquela breve descida. Algumas projeções ficaram na estrada. Mas, afinal...eram só bagagem.  Eles reconhecem que não estão no mesmo tempo-espaço.  Tiveram viagens diferentes até chegarem um ao outro. Não é tão físico assim, é quântico: não é tão individual, é interativo. E tudo é tão válido!

Compreendem, no silêncio, que são viajantes intereslares dentro do próprio multiverso. No meio dessa viagem, o passeio pode ser em...par.

Eles querem estar ali.
Não imaginam mais o 'destino final', nem querem chegar...querem estar. 

Eles. Juntos, novamente, prontos para serem diferentes...

O trem da paixão fecha as portas, com eles lá dentro. E vai embora em sua trajetória rumo ao infinito...!



#


P.a: Eu sei, está PIEGAS.
Mas eu sou piegas quando o assunto é pensar em uma vida menos ordinária, mais colorida e possível.
Quem sabe se todo mundo for menos piegas, a gente ouça menos...'eles não estão mais juntos'.
Fiz para um casal de amigos. Mas quem sabe pode ser a sua história? ;)


quinta-feira, 18 de junho de 2026

Não seja o tubarão... não sangre em meio a eles: nenhum é vegano! - Mas, se sangrar, não vire petisco! (Parte 2 de um texto do Filosofia do Boteco)


Este não é um texto filosófico, é mais uma contação de causo, afinal, tem coisa mais legal do que contar em boteco algo que rolou no boteco? Risos.

Então. Fim de tarde no Mercado Central.  Eis que ela chega até mim (eu a conheço pouco e por isso não posso mencionar) e diz...'Li tua escrita sobre os tubarões. Não concordo contigo. Tu sangras, porque tu falas em amor...'

Eu ri. Não discordei do pensamento dela, porque é direito de quem recebe a mensagem: nada aqui é só meu, depois que vem para o espaço. E é uma delícia ser lida e percebida de um modo diferente. 

Mas aqui vai uma reflexão ...o Amor é um jeito de sangrar? 

 Escrevi a crônica 'Não sangre em meio a tubarões: nenhum é vegano!  (E o que isso tem a ver com o livro 'A natureza da mordida', de Carla Madeira?)'.  E, no texto, falo sobre um encontro atípico com uma desconhecida, no banheiro. Ela chorava. Recordei como aquilo tudo me afetou imediatamente, afinal, impossível não ter sido quebrada pela vida e não sentir a dor do outro, de forma instantânea. O que me fez ligar à inusitada situação  com o livro - doloroso e filosófico,  ' A natureza da mordida', da Carla Madeira.  Afinal, a vida tem seu próprio jeito de nos abocanhar. 

Mas, o que isso tem a ver com AMOR???

Bom, eu não creio que sangre em meio a tubarões, no aluanadorme. Primeiro, porque já entendi que nenhum, nenhum é vegano. Segundo, porque sigo acreditando que AMOR não tem a ver com... fazer sangrar.  Que todo afeto é cura nesta vida maluca. Terceiro, porque tu não és um tubarão...correto?

Escrevo sobre sentimentos, aqui neste espaço. Conformidades, inconformidades: o que ouço, porque muita coisa aqui não é só minha, mas dos meus, das muitas humanidades que permeiam a minha escrita,  do que leio e sobre o que vivencio, às vezes, pelo perceber do outro. TEM MUITA VIDA neste peito doido. Eu adoro ouvir histórias malucas. E... eu gosto de gente quebrada.

Os quebrados dançam, sabendo que não sabem a canção.
Os quebrados se refazem e escolhem não quebrar.
Os quebrados são ...doces, sabendo do sabor do sal.
Eles veêm as coisas por ângulos inimagináveis para os 'inteiros'.
Os quebrados precisaram reiventar a vida e, por isso, conhecem possibilidades infinitas, assuntos variados,  luz multicolorida! ...humanidades. 
Quebrados sabem como a vida é interessante, porque sim...escolheram gostar da vida, e não serem 'engolidos' por ela.

Ou seja:  Não confundir quebrados com gente magoada, cortada. 'Mordida' (risos).  Tem gente que não passou pelas dores, ficou lá: no eterno sentir da má água: mágoa, magoada. Os quebrados são humanos que entendem de inteirezas. De vitrais -  Da beleza da luz, que entra pelos feitos dos cacos...(alô, meu amigo Rubem Alves!).

O fato é que nada aqui neste lugar tem a ver com  'sangrar' em meio aos tubarões. Aliás, eu sigo dizendo: eu me protejo de mordidas.  Isso não significa não permitir viver...apenas fazer escolhas acerca do que pode me alcançar e dos universos que me cabem.Tenho uma sorte imensa...e sorte é sempre Deus. Nesse caminho, faço baixos julgamentos: prefiro saber quem as pessoas são por suas atitudes comigo. É sobre perceber.

Eu também não mordo. Quer dizer... ninguém aqui é alecrim dourado para dizer que não machuca ninguém, não é? mas eu tento. E, querido leitorado...não seja o tubarão na vida de ninguém.  Não se coloque na condição terrível de machucar.  E, se estiver machucado, decida a 'natureza da mordida' e cuide-se:  se estiver quebrado, leia o conceito japonês de wabi-sabi e deixe a luz entrar! 

Digo isso, porque minha leitora fatalmente encontra-se nesta condição, quando associa amor à sangrar. E sei que conselhos, nessa fase, não valem, mas aí vai o meu perceber sobre sentir:

Amor é gostar da saliva. Não de fazer sangrar. Paixão é suor, cheiro, pele. Afeto é  conversa boa, riso, partilha, presença macia. Sentir é memória do coração...a arte de existir que mora no coração da beleza. Amor acomoda...é densidade e leveza. Não é nada fácil, mas é uma escolha, e mesmo nisso reside tanto ajuste...

Mas não machuca intencionalmente.

Permanecer vivo - de verdade -  pede esse processo: o de reconhecer nosso vitral particular e perceber que, sem a potência da emoção,  nossa ternura vai embora no cinza do dia a dia. Que tudo isso sobrevive à dor, mas é no afeto que a gente RESPIRA. Que não tem como conectar  com o que nos faz 'sangrar'.

Bom, enquanto tu descobres tudo isso, nesse processo... só peço que não sangre aonde sua dor não vai ser sarada. Mas, se sangrar, não vire petisco. Não fique lá, esperando compreender ' a natureza da mordida'.  Não fique à mercê de gente abestada. O que quero dizer com isso?

Bom. Já viste os peixinhos comendo um pedacinho de carne? 

É sobre.

#


*P.s: Será que tu vais ler esta resposta? ah...tomara que sim.  :)

Acorda



 Quanto tempo uma canção toca
Sob o silêncio?
Quanta vida a gente precisa sentir passar para compreender...que realmente passa?
Que é breve, efêmera, ligeira: Vai embora, no piscar.
Deixa a gente desnorteado de brevidades...
Tão efêmera. Tão efêmera!
Vagarosa, rápida, linda, diversa...
Acorda: às vezes, 'até breve' pode ser um 'nunca mais'... isso assusta. 
Deixa a gente tão incomodado com a força do adeus.
Cuide do que te faz rir, celebra o sangue que corre, a batida que agita e te faz vivo:
 Pessoas são mágicas particulares sob as cinzas da normalidade, 
existem aquelas aonde a gente fica absurdamente iluminado! 
Viva...não vá embora antes de descobrir todas as cores da palavra infinito
A beleza e a poesia ainda vibram sob um apaixonado coração
Não silencie a canção, o mundo anda tão chato!
Talvez você só precise....

A...cor...dar

#

Foi feita nos dias passados, quando soube. Vc sabia que ela estava em coma?
Mas acordou! :)


quarta-feira, 17 de junho de 2026

Patrimônio

 



De tanta coisa para aprender
Tantos livros para ler
Tanta gente para viver
Tanta estrada, coisa e tal...
Eu optei por me ser

- dentro das escolhas que me foram apresentadas-

Na geografia emocional 
Territórios e lagos, altas viagens!
Costuras de cotidianos vários
Texturas e ampulhetas giradas entre o não e o sim
Na confusão aleatória do Universo

- Ainda assim, escolhi a mim.

Todo mundo faz isso, não é mesmo?
E segue à esmo dentro do que é possível ser
A gente aprende tanto, e às vezes
Dá de desaprender
Para se 'rever' no meio do processo

- às vezes, a involução é um progresso-

Dentro do sim e do não que mora em nossa geografia
Entre goles de café e trocados de poesia
Ainda que tenha visto tanta gente tomar outra estrada
Vender sua sombra por espaços na 'calçada'
Escolhi o outro tanto!

Olhar estrelas cadentes, bem-viver a emoção
- Entre mortos e feridos, escolhi - e acolhi! -

Meu coração.

#



*Republicado de 20.05.2025. 
É, eu me escolhi. E também acolhi.

Conversas de Domingo à Noite sol um céu Equinocial






Esta cidade nem é tão grande assim
700 mil solidões brilham sob 142.815 km!
Há mais de Amazonas-Mãe e peixes no rio-mar 
Acompanhado das tempestades que caem em pleno solstício...

Tudo aqui é puramente elementar: isso é uma resposta.

Não percebes, Anjo?
Essa busca inquieta por porto ou por voo
Esse tempo de encantos que não se assossegam
Será que te esqueces que descanso não é acomodar

Mas sim, permitir o pouso?

Aqui, dualidades: ou é intenso sol ou a mais molhada chuva
Tempo de águas ou de borboletas amarelas
A gente mede a vida pelo cheiro da maré e pelo vento
E se vive desse (e)terno movimento...

Percebes a beleza?

Ainda assim, diante de toda imensidão
Resta o sentimento, Anjo,
De que tão passional que és, te falta algo
Em meio à paz desse rio doce mora uma espécie de inquietação

Como se o mundo inteiro precisasse de lógica ou explicação...

Quanta bobice!

Riem-se de ti os botos e as iaras
Ri-se de ti uma lua que não dorme!
Pois é fato, Anjo, que nem tudo precisa de se explicar para ti
Porque as coisas simplesmente são, em si:

Então coabita.

Toma teu porre, chora, busca colo,
Conta da vida as coisas que doem, voa, se te faz feliz!
Mas também aproveita a maluvida estada
Antes que as asas de cera diluam na jornada...

Aproveita a paz, descansa com prazer
Sente o mundo inteiro pulsar, que a vida é de incandescer
Mas também de experiênciar a simplicidades na jornada:
 Desde a água do ventre da mãe, 
Até a terra te (a)colher: eis a estada.




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Para os bebedores de maré e os viajantes de si e de outros multiversos....LUZ!

Notas: Uma confissão: esta poeta conversa consigo quando usa a palavra "Anjo''. Não porque se sinta angelical, foi puro instinto...ou quem sabe, o reconhecimento de que temos versos e avessos.

*Republicado de 2024, pois acessado... e amo esse poema.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Trânsito


 
Aceleração na rotação:
O maior e o mais potente...vence
Ninguém viu a estrela cadente
Todos atentos ao noticiário:

Plantas no Aquário.

(Minha pequena cidade cresce, desordenada, desigual
Como as batidas de um amalucado coração...)

Pressa, imprecisão: Moinhos de vento
Rotas em colisão
Sem sentido...ou consentido
Deixamos de sentir

Entupidos de anúncios que ensinam
- Felicidade barata, dopamina cara e seus avessos
Tão rápida, consome vida no busca-dor
Suaves venenos...

Mas, no poste adiante, sob o lambe-lambe
Um coração protesta: Não à PEC da devastação!
Sim à vida, à cidade, à Amazônia!
Sim ao Rio Amazonas, ao AMOR!

E me sinto salva - aí está um irmão.

Alguém que levou sua mão e sua vida à uma ideologia comum de paz
E que recorda que viver é ato, revolucionariamente ser gente em plena luz do dia
É a não conformidade. Assimetria... Distopia!
É ARDER o coração por uma causa - mesmo que perdida...

Aí me sinto salva.
Posso voltar à acreditar.
Posso dizer novamente...
Existe amor em Macapá.

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Salve-se no que te faz amar. 
Poema do dia. Pão quentinho.  :)

Custo de Troca




Se eu tiro os olhos do instante
Não vejo o teu sorriso amado
Por isso tomo cuidado
Com tudo que tenta me distrair...

- Pois o mundo é vasto,
A vida dilui ou condensa
Em dopamina Barata
No aleatório da oferta de atenção...-

Se eu tiro os olhos do instante
Não vejo as cores do agora
E se tu não te demoras mais que um milhão de anos
Qual o dano ao segundo, amado?

- Pois o mundo é vasto
E o amor adensa ou dispersa
Na ordinatória dispensa
Da prateleira da liquidação...-

Se deixo o verbo não-dito
A palavra torna mal-dita 
E gente sempre perde um pouco
Quando escorre o fim do dia...

Se a gente não se percebe,
Quem sabe o que extravia?
Se eu tiro os olhos do instante,
Pode ser que me perca de ti...

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Recentemente, tive contato com o conceito da expressão 'Custo de troca', (https://www.youtube.com/watch?v=JvSq2IreJdw) para a mente humana, atrelada à ideia da troca de 'telas', e do quanto a mente cansa e como isso tem empobrecido o cinema...mas...sabemos...o cinema é uma parte da arte, a arte uma parte da vida...

Poema de 22.01.2026, republicado, pois acessado.
E porque amei esta construção filosófica.