quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Café com Deus! (Retalhos de pequenas inconclusas descobertas)

                                                


Alma,alma: ainda tenho muito a desvendar p´ra saber quem sou!

Todos os dias, reúno pequenos pedaços
Brinco de quebra-cabeças com a memória
às vezes, lembranças são feito roupas espalhadas pelo quarto
Perfumadas dos percursos caminhados
Algumas, já disse o poeta, nem nos servem mais...

e é preciso limpar o varal da emoção
Sentir o cheiro das coisas novas e arejadas
Recém-nascidos sentimentos são mesmo tão lindos
A gente rega de afeto e espera nascer o melhor de nós
N´um outro alguém...

Ainda assim, guardo com enorme gratidão
Alguns fins de tarde
Outras horas mansas declamadas, 
As coisas lindas ditas, feitas e findas
Guardadas na estante das histórias encerradas....

Depois desse último livro,
Confesso que nem sei dizer de quantas formas um mesmo amor renasce.
Mas sei que ele sempre dá um jeitinho de voltar p´ra casa
Daí as cantigas de amigo - que falavam de histórias apaixonadas...

Às vezes, no meio do turbilhão de ser eu 
Sento e convido a Deus para tomar um café comigo
Nestas horas, falo a ele que viver é mesmo um perigo
Mas que, em tudo, é também um enorme aprendizado
E entre as coisas que estavam escritas e as que apenas acontecem

Maktub - Sentam elos inexoravelmente formados...

E eu agradeço aquilo que não entendo
E voo leve dentro de um céu azul de novas possibilidades
O mundo é tão grande e, quanto mais descubro espaços,
Mais sinto o coração ganhar em crescimento e generosidade
E sei da responsabilidade que é poder sentir a vida assim...

Mas eu ainda olho para o céu azul e peço a bênção a meu pai
Conto uma piada ou rimo uma poesia antiga
Queria embalar Ana e Júlia pelo menos umas mil vezes
Antes de vê-las sair e enfrentar a vida...
E ainda sigo encantada, subjetiva, lúdica, maluca e colorida.

Alma,alma: ainda tenho muito a desvendar p´ra saber quem sou...

#





LUZ!

Pimenta de Cheiro!

 



 Eu não caberia no teu olhar
Minha alma é quente, Setentrional
Interestelar!
Originária, quântica, verdade que
brota nascente

Eu trago a carne viva
E o peito quente

Não vais conseguir me dizer
O tom que me recai melhor
A natureza fala
e sua língua
Sei de cor

Não vou vestir a capa
Que te recai tão bem
Sou filha da lua
O amazonas me tem

Não adianta pedir
A mudança dos meus cabelos
Filha de tupã
Reconheço a mentira pelo cheiro

Sincrética, híbrida: natural
A moda é parte da cultura - e não seu curto avesso
O seu olhar de desdém não me afeta
Tu não tens (esse) tempero

Eu sou mata, flor, ipê
Lavadeira nascida em solo de concreto
Bruxa e curandeira, Pomba-gira, Matinta,
Pimenta de cheiro!

                                                                                #

*Este poema foi feito para o tanto que as mulheres do norte são tidas como 'temperadas'.

Porque nós...somos mesmo. MUITO. :)

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Ensaios sobre a Diaba Vermelha, a Bruxa Ruiva e a Lua que não dorme! (Filosofia do Boteco e uma confissão)



Quantos apelidos tu tens?  

Já percebeste que os apelidos - muito mais que os nomes - são o nosso espaço emocional nos céus dos nossos afetos? ou nos infernos. Pois bem. Eu tenho vários apelidos.


Sou Jaici, para meu titio. Ou Copinho de Leite. Desde gita, sou flor de abril, para papai. Ou natureza. E, no ápice, sou a ‘Bruxa/Bruxinha’. Foi papai quem me explicou o poder de ser bruxa, discernindo com didática da ideia de maldade – estas, chamava de fadas más.
Para Rosângela, sou flor. Para Ester, sou anjo ruivo. Ou flor ruiva.
E tem quem me chame...de Bruxa Ruiva, Feiticeira ou... DIABA VERMELHA.

 (hahahahhahahahaha)

 O fato é que, risos à parte, essa galera toda aí em cima sou eu. O curioso disso é que, essa semana, conversando com um amigo, ele me disse que, para 90% das pessoas, sou apenas os demais adjetivos e para 10%, a tal DIABA VERMELHA. Senti no seu tom que queria dizer que eu escondo a dita ,de ti, que me lê. Eu ri. Não tenho mais toda essa expansão da Diaba.  MAS ELA ESTÁ AQUI

Hoje tenho só 1% da DIABA , só  não mexa com a potência dessa porcentagem, afinal, eu não me decifro muito, mas também já não me 'mordo' ou devoro tanto assim (alô, Minotauro!) 

Essa memória - da Feiticeira ou da tal da DIABA VERMELHA -  me lembrou que o inferno, o céu e nossa natureza sempre foram parte da filosofia, da psicologia, da poesia...e do Direito, pois o mítico e o literário, o filosófico e o religioso flertam desde sempre.  

Sua etimologia vem do conceito de ‘Daimons’, que aliás, não é unificado, tendo referências extensas em Homero, Platão (que o atrela a Sócrates) e até mesmo na mitologia, na representação do Olimpo Grego, como Afrodite. A figura é analisada também na psicologia, por C.  Jung.

Na poesia, desde Homero, Daimons são...uma força – seja uma divindade ou um evento natural inexorável.  Ambíguos, bons ou maus. Uma voz, uma luz,  uma energia, consciência.  C. Jung menciona Daimons como uma força psicológica autônoma,  atrelada ao inconsciente, realizadora de vontades, confrontadora do ego. 

Para o Willis (Santiago Guerra Filho) – o filósofo mais incrível do País!!! -  os Daimons nos ajudam a compreender até hoje...as decisões humanas. O tal ‘impulso trágico’ que constitui a poesia, a filosofia e o Direito, pois parte da essência da humanidade: tudo tem muitos lados, somos um vértice...

Dos tempos idos até aqui, o termo Daimons e Demônios – terminologia derivada -  possuem uma fusão perigosa.  É que associamos os demônios  à Lúcifer, o tal inteligentíssimo anjo preferido do Criador. Enfim, o Diabo. Aquele que decaiu, na mitologia Cristã. O cara que hoje guarda as portas do tradicional inferno.

Entre mística, bruxaria, inferno e poder também temos outra coligação esquisita com a perspectiva de Potência/ Força. Pura lei da física unida à metafísica. Ou seja: tudo é direção.  Aliás, a teoria poiética do direito e a do Direito Quântico, do esposo da imortal Lygia Fagundes Telles, o renomado Prof. Gofredo Telles Jr, bebem desta perspectiva.  Carl Sagan concordaria, pois diz que somos mesmo...é poeira das estrelas. Força! Potência. Magiaaaa da física. Composição. PODER!

Por isso...

A Lua que não dorme e a Bruxa Ruiva põem a Diaba Vermelha para dormir lá no meu umbigo. Há tempos, elas negociam espaço e as duas primeiras ganham. Mas, ela ainda está aqui...e quer saber? já me tirou de enrascadas, já virou esquinas, já bateu portas e demitiu pessoas do meu coração. É, ela fez e aconteceu, e eu – a administração –  lidei com as consequências. Respeito seu impulso inaugural de colocar fogo no parquinho, no circo e no hospício - tudo ao mesmo tempo. É, a DIABA VERMELHA, já “ set fire to the rain”. 

Eu tento não jogar jogos vorazes. A Diaba Vermelha jogou e zerou o game. Sei, foi válido, pois nesse caminho, tudo foi poesia, piração e humanidade latente. Emoção sem métrica. Luz e poder ultrajovem: poesia na boca da noite, como diria Drummond!

A Diaba Vermelha, seu senso de força e seu gênio de lâmpada queimada precisam existir para salvar a Lua que não dorme, sua delicadeza, livros, metáforas... do seu medo de viver. A Bruxa trouxe a Lua e a Lua põe a Diaba para dormir, cotidianamente, com as canções de ninar de quem teve casinha na árvore, brincadeiras com os passarinhos, quintal cheio de flor de maracujá...

Não me preocupo em ser tanta gente. Teria  medo é de ser pouco.  Tenho medo de gente linear: elas sim, escondem algo.  Eu não escondo: apenas guardo. Sei, inclusive, que posso ser mais...

Por isso, gosto da Diaba Vermelha, ela já não me assusta. É um Daimon. Então, cuido bem do meu 1% e não uso sua expertise em qualquer esquina. Porque até o veneno apura (aviso). Ela dorme e descansa no meu umbigo, pois a LUA gosta de felicidade.  A Bruxa gosta de magia. De poções que não matam...e sabores adocicados. Elas seguem à risca o tal manual anti-b.o.

A Lua cuida de não ser tão curada a ponto de se tornar cinza. Um ser normal, sem multicolorido, seria uma pávida tragédia. Essa piração interna sustenta a órbita. A Lua e a Bruxa sabem que, as portas do seu inferno são cuidadas pela Diaba Vermelha, que vigia quem pode chegar ou quem precisa ir para ‘os quintos’. Alguns, apenas da mais completa ignorância.


LUZ!  
ASSOMBROS!

#

Observação 1: Não uso IA para compor imagens, pois respeito muito a propriedade intelectual e há um debate enorme nas artes acerca da apropriação da matéria humana pela replicação de padrões em IA. O lance é extenso.  Também não reviso textos por esse mecanismo, pois isso sim, acho uma desonestidade artística e acadêmica. É puro respeito à condição humana. Mas essa imagem eu ganhei, é minha exceção, porque está...'eu'.

*Republicado, pois é a coisa mais acessada do mês de julho e segue, firme e forte, neste começo de Agosto: Gratidão!


Adeus!

 



À beira do adeus
O silêncio faz sua melhor arte: move as ondas do mar, ajusta a luz da lua
Deixa de traduzir o intraduzível e replicar o que não repete: 
Conforma a casa toda bagunçada e a arte de recolocar tudo no lugar
Reconduzir de volta pro lar a a própria emoção...
À beira da beira do adeus:  Apenas o vão entre mãos
Que entrelaçaram confusamente  suas confusas mentes
O último adeus, o último poema:
A corda apertada e o absoluto nada
O silêncio de uma alma absolutamente calada:
O último degrau da escada: 

Nem verso, 
                                                      nem canção, 

                                                                                                                nem possibilidade.

#


Cansei de dizer não para meu coração



Nem sempre dá para ser assim tão sensata
às vezes, a alma é inconclusiva e visceral
A pele tem memórias exatas, é tão passional
E puxa uma vontade imperiosa, abstrata

Apenas manda e exala: Um querer.

A gente se puxa de volta, quase  involuntário
Laço que se puxa e se repele: um sentir, duas peles
Que se reconhecem pelo tempo inexato e pela voltagem
... Vontades são mesmo inadiáveis ?

O tempo do relógio não é o tempo da emoção...

- E o coração colocou a razão para dormir, só agora, quem sabe uma última vez... -

Que confusão: 

Dois quereres sem tanta direção não sabem como se querer
Como dizer a palavra, a curva que se entrelaça, 
Um algo qualquer que encaixe esse quebra-cabeças caduco!
Uma noite insone, uma respiração: tu me chamas
E eu cansei de dizer não para meu coração...




#

Poema bemmm fresquinho, neste aluanaodorme. Bom dia, dia!

Para minhas menininhas! (Ana e Ju)

Eu desejo...
Que o teu encontro com o tempo
Seja o de crescimento...interior!
E que o verbo que mais conjugues seja 'amor'
Ainda que a vida, teimosamente
às vezes queime algumas verdades,
Dissolvendo o que era pedra por dentro.

Quando isso acontecer,
Fique quieta. Sinta o vento...

Eu desejo...
Que teus sonhos de menina
Sejam parte dos valores que a mulher carrega
Que tu não deixes de ser crédula e piegas
E que não perca o sentido de sentir,
Pois viemos para cá para isso: Partilhar a maravilhosa existência.
Ainda que a dor, às vezes venha te visitar.

Quando isso acontecer,
Chore. A água levará...

Eu desejo...
Estar perto para te lembrar quem és
E te incentivar a não desistir ao sabor das marés
Para que não esqueças que a fibra do barco
é que comanda o rumo
Então acerte o prumo 
E prossiga. Ainda que às vezes duvide da vida...

E quando isso acontecer,
Não durma. Contemple a mensagem do amanhecer...

Eu desejo...
Que a tua matéria tenha sabores o suficiente
Mas que não deixes de olhar toda a gente
Pelas múltiplas cores que possuem por dentro
E que só deixes aconchegar quem te agrega essência, pois somos matéria rara...
Mesmo que, às vezes, isso te cause algum isolamento
E deixe no peito uma certa dormência,

Quando isso acontecer,
Me abrace. Só o amor reconstrói as puras crenças...#




Para minha Ana e Minha Julia, feito em 2013. 
Estava sem foto da Ana, vou procurar uma, para reeditar.

*Republicado de 30.10.2013, pois acessado AGORA. :)





domingo, 2 de agosto de 2026

Uma canção melhor!

 Talvez seja preciso ir lá fora:
Olhar o céu, as águas, as pessoas
Tocar os pés no chão, descalça...
 e caminhar!

Tirar o coração da estante empoeirada
Onde deixei guardada
A minha emoção...

Quem sabe tenha chegado a hora
De deixar a vida dizer o que virá
Pois que surpresa pode dar de acontecer
Se a gente acreditar na magia poderosa do Universo?

Dizem que a gente atrai pra perto o que a gente é...
(Cuide do seu coração e coopere)

Talvez ainda exista - Quem poderá dizer?
Alguma coisa realmente rara, realmente válida
Imperfeitamente cálida...capaz de nos mover
Talvez possa acontecer: contigo, comigo...

QUEM SABE?

Todo sopro de emoção é um progresso
Nestes tempos estranhos de gente mais estranha ainda
Que tenta fazer do gostar uma matemática de obviedades
E protege mais o coração do que a própria pele

Como se isso pudesse fazer qualquer sentido...

Mas, o que faz sentido? - Também a paixão é ilógica
Deixa a gente meio idiota, desnorteado em pleno equador...

E talvez  esse cão dos infernos só apareça nas horas inapropriadas 
Depois, fica arranhando a cuca, deixa a gente meio maluca
Incomoda, pede espaço...ou vai embora, se enxerga corações covardes.
Sem tanto alarde.  Só arruma e vai.

Mas, talvez, não seja só isso que temos para contar.
Talvez a gente possa dar de cantar
Uma canção melhor...

Talvez ainda exista - Quem poderá dizer?
Alguma coisa realmente rara, realmente válida
Imperfeitamente cálida...capaz de nos mover
Talvez possa acontecer: contigo, comigo...



#

Ode às Imperfeições

Ode às imperfeições:

As minhas, as tuas: 
Encontros, desencontros
Nós é que somos as estações
Aqui nos céus do equador...

Gosto dos teus olhos
Mais do que deveria
E gosto que tu não entendas nada de poesia
Nem esquadrinhe meus espaços para me perceber...

Fico mais imperfeita, natural demais
E acho que me sinto tão normal nesse formato
Sem tirar a roupa da minha emoção a cada linha
Tão eu, sem precisar das palavras para te alcançar...

Acho bom que tu não fales de filosofia
Nem reverbere tua politização com as últimas do noticiário
às vezes, isso tudo é cansativo
a mente fica meio presa nesse looping, feito planta de aquário

Ninguém é espelho e nem precisa ser para afagar
Nenhuma métrica é idêntica, a vida pode acomodar
O vento que sopra suas verdades
 Põe as coisas no lugar....

Sinto saudades da tua presença que não pesa
Da tua leveza que não é nada lesa
Pois, lindeza, a gente aprende tarde como é arte
Estar tão confortável com a respiração de alguém...

Ode às imperfeições:

E às coisas que vão porque têm de ir...




#



Republicado de 23.03 e acessado agorinha. 

:)

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Paixão! (2)



Não te mandar embora e me afastar
Quando tu fores um idiota
Para te espaço para reparar
A imprecisão do desajuste

Aprender teu tempero favorito
E fazer bonito nossos dias comuns...

Te pedir paciência com a minha elegância indiscreta
E a  piração no humor
Ouvir tuas canções, teu riso
Dividir o macarrão p´ra dois
Dar tempo...para o tempo se vestir de nós!

Sentir teu cheiro, sentir tua pele
Te esperar se ajeitar um pouco, tentação!
Sentir bater teu coração
Bem debaixo do meu ouvido...

Isso tudo é dizer sem palavras
O quão gosto de ti...

#


*Republicado, pois acessado 'agora'. Eu adoro quando um poema fura a bolha e fica mais tempo na listagem de acessos...é tolo dizer, mas sério, é tão bacana saber que outras pessoas  identificam um algo qualquer, dentro de si, em um poema. 

LUZ!


Amnésia!

                               


Esqueça
Aquele poema matinal
Aquele tempo é para o hoje irreal:
Viver é deixar morrer - eis a ambiguidade.

A vida, tão escrita e tão escrevinhada
É feita a traços finos de giz
Mesmo o mais imenso sol amarelo
Derrete sob as águas do agora...

14 de Maio de 2024: é precioso e raro
Nunca mais virá....

E  o mundo é cheio de coisas bonitas
As mais belas declarações de amor são escritas
E ainda existem crianças correndo
Em algum lugar chamado 'felicidade'...

Tudo que é de verdade está aqui: é um milagre!
Trilhões de células cooperando para o todo
E assim, dou de acordar em meio a um mar in blue
E de ver, sei e sinto que tudo é melhor do que jamais imaginei...

Por isso,

Hoje gosto tanto da palavra 'esquecer'  quanto 'recordar'
Acredito que a inocência reside nessa estranha ambiguidade
E ninguém é criança de verdade
Sem entender dessa peculiar mistura...

É uma dádiva perder espaços da recordação!
Ainda  mais   quando se adoece do coração
Pois, até mesmo o poema reconhece a razão
Própria do ato da impropriedade: 

 Liberta-se o fato da memória inglória: 
Que segue pura e assim repousa a história... 

Então:
Goodbye, Norma Jean!
Por favor, entenda. Ou perdoe, se puder...
Adeus, Diana! Por favor, descansa.

Cheguem novos contos, outros pontos
...conexões!
Pois é certo que nada é tão dissociado
Somos a partitura e o som da canção...

Afinal, convenhamos - com boas doses de ironia, 
já que nunca conviemos em nada - 
Tudo pode acontecer, menos a repetição da palavra
Viver não é sobre eterno repeat de página

E Caetano canta sob todos os espaços da sala
Que a  '' a novidade veio dar a praia...''

E assim, até os céus já sabem  e anunciam!
Que,  na perfeita metáfora dita desde Heráclito
Nunca é o mesmo sangue que passa...
- nem a mesma poesia.

E dito isso, nasce um novo coração...


Diz-se, na obra 'O brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças''..." Abençoados os que esquecem, porque aproveitam até mesmo seus equívocos". O autor é  Friedrich Nietzsche, na obra 'Além do bem e do mal'.

E assim, esse poema nasce de reler um artigo científico sobre o direito ao esquecimento e associá-lo '.ao filme....e de pensar em cada coisinha da nossa história que merece o bom e velho esquecimento como uma forma de redenção do tempo.

A vida é tão colorida, artística, bela e irrepetível - sob pena de se tornar 'ordinária'.

P.s:Depois eu respondo a mim sobre a importância dos clássicos e da memória para a constituição da identidade. :)

*Poeminha de 2024, republicado, pois acessado 'agora.

Lembrança

 

Vem quando não quero, feito brisa
Um nome parecido, um verbo que alguém diz, uma palavra
Vem quando o universo decide por te distinguir...
Chega no meio de uma reunião, de um poema
Vem, depois de eu te pedir  p´ra partir de mim e voei
Voltei melhor, meu bem, eu sei:
Os ventos calmos e as marés ensinam. Isso é bom. 
Existir é mágico, mas é preciso escolher como viver:
Acolher e imaginar a vida como gostamos de sentir e nos sentir
Pensar no segundo como um projeto em composição
A vida, afinal, é isso: um quebra-cabeças delicado 
Que montamos lentamente a imagem e a percepção
Mesmo assim, tu vens, tentação:
Quando acho chato um riso ou opinião
Quando te vejo distante, em meio a uma multidão
Ah...como é feia a comparação...
Vem no entremeio, quando me distraio
De qualquer coisa e de nada, no meio de uma piada
Vem macio e depois vai...sem eu nem perceber
...A lembrança do teu cheiro e de você
 (ah! Contradição do não-querer)

Contradição do não-querer...

#

*Republicado, pois acessado agorinha.

Vocês sabem que este poema faz parte de uma sessão, né?...'mãos'.
É acessadíssimo, como 'agora'.
E eu gosto tanto dele.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Fogo na Chuva

 A chuva também queima
O gelo também adoça
O fogo pode congelar
ah! -  Névoas sob meus olhos embaçam poemas  de outrora- 

Pois já não leio teu nome no bater do meu coração no correr dos dias...

Eu ateei fogo à chuva e pus o coração para dormir 60 anos ou... 60 dias?
Descansar de sentir... sem ti
No entremeio, fiz poesia como quem bebe uma garrafa de whiskey à meia noite
Perdida às madrugadas, pelos botecos da lua

Trôpega e sem sentido: é, eu também nunca mais fui a mesma...

Mas quem quer ser igual ao instante passado? 
Que imprudência: inocência vã ou pura tolice.
Entornar o cálice da existência real é aceitar 
Que  o leite pode derramar 

(a vida pode te foder, às vezes, colega: engole o néctar )

Afinal, depois de um tempo,
 A chuva também queima
O gelo também adoça
E o fogo pode congelar:

E a gente é um tipo de maluco qualquer que dança sob os destroços
De algum lugar chamado passado.

#




#


E, sem parecer clichê
"O hoje é uma dádiva, por isso se chama ...''

*Republicado por ser, de longe, um dos poemas mais acessados do aluanaodorme esse mês.

Descobrir


Moço,

Eu não preciso que corras atrás de mim
Em um aeroporto
Nem que sejas meu porto:
Eu me navego bem, voo feliz
E, por um triz, quase não pouso.

Mas eu quero as bobices da partilha
Conhecer a trilha
Que te embala, nas tardes quentes e madrugadas
Sem tudo ou nada: 

Devagar e mansamente, calma...

Eu não preciso de tempo para que a turma do outro bairro
Veja e saiba se te quero
Constrói comigo a nau e navega
Vamos brincar com essa aventura chamada emoção
E só se for bom para dois,

Eu te espero...

Pois já me bagunço toda só de te deixar entrar
Já gosto da tua pele, teu sorriso aberto
E até já brinco de poesia
Porque estás aqui...

(Penso em te deixar ficar e  a gente se descobrir...)


#

Hahahahahah. A construção deste poema foi tão feliz! Brinquei com 'Caju', da Liniker, com "Coração Selvagem'', do Bel e 'Você me bagunça'', do Teatro Mágico.

*Republicado de Dezembro de 2025, pois acessado. Faz parte da sessão das mãos, por isso acresci a imagem.

Akai Ito



Mentes desalinhadas
Desajustam corações afins
- É uma pena...

Ainda bem que o poema
Tal como o fio invisível do 'está escrito'
Sabe mais que nós...

E assim, Akai Ito ou..."Maktub": 
'Está escrito, ou, tinha que acontecer'
Dos encontros e desencontros:
Aprender...desaprender...

Descobrir! Deixar sentir. 
Leve, borboletas no estômago:
Dançar. Viver
Fluir...

Mas, afinal, existe paixão sem isso?
Sem a fina pele, a fragilidade, o risco?
O medo e a audácia de sentir? 

Não adormecer, arrepiar, entusiasmar de verdade:
Afinal, existe poema sem coragem? 
- E  tu sabes,Poeta, coragem
É sempre o coração em ação...

Por isso e por tudo o mais:
Quebre os grilhões dos medos, 
Dê adeus à dor
Diga olá ao desconhecido!

Ou, ao re-conhecido
Elos de afeto:  
É sempre amor.


#

Fiz este poema em 27.03.2024,  para um casal de amigos, que segue na beleza da tentativa/ encontro. O poema está republicado com a música que ela escolheu. 
Porque eles se escolhem, eles teimam em se escolher.

Guardem esse segredinho comigo, tá? :)

*Todos os poemas com mãos foram reacessados e estão nos 'acessos de agora'.
Que fofo.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Boemia é charme, bebum é chato - Malandro é chique, otário, um saco (Filosofia seca do boteco da Lua)


 'Eu vou fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem
Que conheço de outros carnavais..."



Como sabemos, eu sou mais do cafézinho do que da noitada, mais da água com gás do que da cachaça. Então, porque a sessão de filosofia deste canto aqui se chama Boteco da Lua e não cafézinho encantado da Lua?

Bom, a primeira questão é... ''a paixão que mora na filosofia''.

Ninguém que aborde a vida em suas inacreditáveis vertentes, que lide com o absurdo existencial abissal das emoções...suporta a vida sem uma ajudinha. E aí, cada um com seu 'veneno'. Ou com seus venenos. Eu conheci muita gente interessante que só sobrevive (literalmente sem perder o réu primário) porque aprendeu a sentar no boteco com outras pessoas também porretas para partilhar merdas: Sortes e desventuras do cotidiano.

Na mesa do boteco vale tudo: piada 5a série entremeada às notas existenciais de Sartre ou Nietszche. O Velho BUCK. O impublicável. Lágrimas de desamor, traição, eternidade...atração. Foda.A vida é foda e não julgue este espaço pela palavra forte, tu tens mais de 18 anos e eu já dobrei essa conta.

Poesia. Declamada ou existencial. Memória. Revisada, ou sentida, falada e percebida...

Isso aqui não é um ode ao etilismo até porque eu sou a pessoa que menos bebe que eu conheça, que gosta de boteco. Eu gosto de gente no boteco. De barulho de boteco, de música de boteco, aquele sambinha balança logo as polpas do meu coração, aquela MPB deixa logo um poema engatinhando...

Mas, veja bem. Ser 'malandro' não é para qualquer um. O malandro real - e não 'o regular profissional'  - é o charme da Boemia - não é um cara engatilhando uma frivolidade atrás da outra com uma latinha na mão. O malandro, antes de ir ao boteco, BEBE A VIDA - e isso temos em comum..

O malandro entende de etilismo e não de elitismo - não confundir os entendimentos. Não bebe latinha, entorna litrão, igual faz com a existência: Sabe que é muita onda, muita água existir. Um tsunami. 

O malandro gosta de histórias, sabe ouvir, gosta de ouvir. É inabalável no baixo julgamento do outro: porque sabe que a matéria humana é densa demais para ser ouvida aquilatada.  Isso porque, o malandro sabe que tem coisa que não preste, dentro de si: imprestável mesmo (E se tu não se achas estragado em nada, ô, sai daqui, pavulagem).

O malandro tem paixão pela vida, por isso, desperta paixões...e, geralmente, a vida gosta dele, pois reconhece sua 'autoridade' para o assunto experienciar, no estilo Paulo Freire, que é um grande educador. Aliás, o malandro é aprendiz. E é incansável nessa coisa de aprender. Não se assusta por não conhecer: Quer mais.

Por isso, o malandro entende de química. Sabe que a vida é alquimia e, ainda assim, muitas vezes, perde a dose...porque é desmedido. Ou seja, nem todo malandro está bêbado, mas pode ficar. E é maluco.  Acontece.

Por isso, geralmente, a Boemia dá canseira. O malandro envelhece, é fato - se tiver muita sorte e um anjo trabalhador. Não fica idoso gourmand: aquela pessoa toda esticadinha e empoadinha. O malhado da academia de ginástica (e isso também não é um ode ao sedentarismo, eu malho e conheço gente bacana que também o faz). 

Não, o malandro não tem tempo para tanto espelho: Fica velho gostoso. Sabe, pessoa gostosa? aquela que a gente gosta de esticar o papo, de virar a madrugada conversando, de ver o sol nascer trocando vida...exalando essência, energia, realidade...buscando vida...admirando a lua. Ou usufruindo da madrugada. 

O malandro está à vontade e deixa as pessoas à vontade. 

Agora, não confundir Boemia com Bebum e nem Malandro com otário, o tal 'regular profisisonal'Porque mesa de bar é como a roda da vida: pode virar um saco, pode ser um tédio, ou algo apenas comum...ao lado das pessoas erradas. 

Mas pode ser inacreditavelmente engraçada, bacana e real... com as pessoas (in)certas - ou seja...aquelas que não têm tantas certezas.

E cada um prova da vida o que gosta. 

(risos)

#


*Republicada de 01.06.2026

Malabarista!

     


Coração é mesmo circo:
Palco de choro e de riso
De tudo que faz gente feliz:
(Sara, cicatriz)

Vida é de comover: 
Sorriso de criança
Beijo de casal, filme de comédia
Mundo, mundo real!

Sentir o coração bater...

Vivo: pulsando na garganta
Na pele que toca, feito canção
No verbo que sai, perfeita oração
Conexão entre mãos...afeto!

Ah! emoção malabarista
Que vive de se encantar e suportar o tanto
Com as flores na esquina, com o papel de pão
O sonho de criança e o da antiga padaria...

Viver é mágico. Insisto: é mágico.
 - Sem o espanto de sentir, tudo o mais é ordinário: O quão vivo anda você? -

...E o que seríamos sem o teatro
O doce palco sagrado das pequenas sensações?
Cheiro de flor, gente que ri, que nos aquece com sua emoção!
Aquela ligação...aquela emoção...batendo, dentro de nós:

Alucinação.

Poemas, poemas:
Dancem nas mãos do malabarista
Que joga para o ar as certezas
E brinca de ser equilibrista! 

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Só quem já viu o filme "Não sei como ela consegue" vai entender o título do poema . O fato é que o filme é lindo, e se você precisa de uns tempinhos em que a ternura case com o mundo real...eis um filme bom.
Que a gente continue a comover, porque coração é mesmo esse circo! Palco de choro e de riso (...opa! Vem mais um poema!) 

*Republicado de 2016. O quão vivo anda ...teu coração?