quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Poemas Perdidos!


 
Trago poemas perdidos no meio do peito
Despejados pelo tempo - o instante e seus significados
É, tem rimas inteiras que já nem sabia
Que fui eu quem fiz...

Alma vadia! Deixa pedaços seus pelas esquinas da emoção:
Um relicário sem explicação deixado em algum vagão de trem...
Trago vaga-lumes da última noite estrelada
O cheiro de rio que mora na minha sacada, sabe:

Gosto da quietude do vento e, nem por isso, guardo...

Trago retalhos de vivências partilhadas, memórias apagadas
Deixo que morem aonde estão:
Quem sabe o corpo tenha sua própria e peculiar razão?
Inexplicável, como tanta coisa, enfim...

Já não me exijo tanto, quase nada, na verdade
Creio na potência da ternura de construir o instante
Com a simplicidade de quem gosta de viver
Afinal, o que já foi e o que ainda vai ser 

São abstrações:

Meros significados dispersos
De quem fui. Ou serei...
Nada disso é (m)Eu, de verdade
É, na realidade,

Só hoje entendi a beleza dos poemas perdidos...

#


Ensaios sobre a essência dos dias


Fica o perfume dos sonhos
Fica a rosa regada
A borda da costura delicadamente dobrada
Fica a vida, imperiosa e bonita

Que acende a tez do instante.

Dos dias,
Fica o verbo passado
E, por outro lado,
Estou sempre indo a um outro lugar!

E isso é mesmo tão singelo:
Só o que é belo pode nos acompanhar
Todos os dias são
De se despedir de retalhos e caminhar...

Dizer adeus às lutas que não cabem mais
Pois o tempo não anda para trás e, hoje sei.
Isso é um presente!
O irremediável, no fim, é uma ferida cicatrizada,

E sobre ela, mais nada.

E sob a água derramada
Dançam as lavadeiras
-  bênção da estação
Pois, no calor da essência duradoura,

Somos mesmo as coisas vindouras!
Semeadas do agora, que dança, em nós.

#
*Foto: Maria Ester.
<3

Não seja o tubarão... não sangre em meio a eles: nenhum é vegano! - Mas, se sangrar, não vire petisco! (Parte 2 de um texto do Filosofia do Boteco)


Este não é um texto filosófico, é mais uma contação de causo e uma reflexão meio torta, afinal, tem coisa mais legal do que contar  algo que rolou no boteco? Risos.

Então. Fim de tarde no Mercado Central.  Eis que ela chega até mim (eu a conheço pouco e por isso não posso mencionar) e diz...'Li tua escrita sobre os tubarões. Não concordo contigo. Tu sangras, porque tu falas em amor...'

Eu ri. Não discordei do pensamento dela, porque é direito de quem recebe a mensagem: nada aqui é só meu, depois que vem para o espaço. 

Mas, confesso que fiquei preocupada com a visão. 

E dela surgiu esta reflexão ...o Amor é um jeito de sangrar? 

 Escrevi a crônica 'Não sangre em meio a tubarões: nenhum é vegano!  (E o que isso tem a ver com o livro 'A natureza da mordida', de Carla Madeira?)'. E, no texto, falo sobre um encontro atípico com uma desconhecida, no banheiro. Ela chorava. Recordei como aquilo tudo me afetou imediatamente, afinal, impossível não ter sido quebrada pela vida e não sentir a dor do outro, de forma instantânea. O que me fez ligar à inusitada situação  com o livro - doloroso e filosófico,  ' A natureza da mordida', da Carla Madeira.  Afinal, a vida tem seu próprio jeito de nos abocanhar. 

Mas, o que isso tem a ver com AMOR???

Bom, eu não creio que sangre em meio a tubarões, no aluanadorme.  Há tempos, aprendi um segredo mágico essencial: Sentir é paz. Não porque romantize a inexistência do sangue que envolve cada batida do coração ou porque não acredite em 'tubarões'. Mas é que, desde que entendi que nenhum é vegano, não romantizo 'mordidas'.

Todo afeto é cura nesta vida maluca.  Todo desvio disso é disfunção.

Escrevo sobre sentimentos, aqui neste espaço. Conformidades, inconformidades: o que ouço (porque muita coisa aqui não é só minha, mas dos meus, das muitas humanidades que permeiam a minha escrita),  do que leio e sobre o que vivencio, às vezes, pelo perceber do outro. TEM MUITA VIDA neste peito doido. Eu adoro ouvir histórias malucas. E... eu gosto de gente quebrada, rasgada, eviscerada: Todo mundo que já recebeu quebras, cortes ou mordidas...sabe a potência de ser um bicho que se curou sangrando.

E, assim...

Os quebrados dançam, sabendo que não sabem a canção.
Os quebrados se refazem e escolhem não quebrar.
Os quebrados são ...doces, sabendo do sabor do sal.
Eles veêm as coisas por ângulos inimagináveis para os 'inteiros'.
Os quebrados precisaram reiventar a vida e, por isso, conhecem possibilidades infinitas, assuntos variados,  luz multicolorida! ...humanidades. 
Quebrados sabem como a vida é interessante, porque sim...escolheram gostar da vida, e não serem 'engolidos' por ela.

Ou seja:  Não confundir quebrados com gente magoada, cortada, 'Mordida' (risos).  Tem gente que não passou pelas dores, ficou lá: no eterno sentir da má água: mágoa. Os quebrados são humanos que entendem de inteirezas. De vitrais -  Da beleza da luz, que entra pelos feitos dos cacos, como tantas vezes me disse meu amigo, Rubem Alves.

O fato é que nada aqui neste lugar tem a ver com  'sangrar' em meio aos tubarões. Aliás, eu sigo dizendo: eu me protejo de mordidas.  Isso não significa não permitir viver...apenas fazer escolhas acerca do que pode me alcançar e dos universos que me cabem. Nesse caminho, faço baixos julgamentos: prefiro saber quem as pessoas são por suas atitudes comigo. É sobre perceber, de forma prática e racional, sem tirar o coração da equação, mas sem deixá-lo ser o único suporte.

Eu também não mordo. Quer dizer... ninguém aqui é alecrim dourado para dizer que não machuca ninguém, não é? sobre isso, leia 'A pior pessoa do mundo'(Uma crônica da vida anacrônica, real e possível). Mas, não faço disso minha razão de orgulho. E nem retroalimento.

Porque afeto é...beleza. E demora para a gente aprender a simplicidade densa que envolve tudo isso.

Bom, enquanto tu descobres essas coisas,  nesse processo... aconselho que não sangre aonde sua dor não vai ser sarada. Mas, se sangrar, não vire petisco. Não fique lá, à espera de compreender ' a natureza da mordida'.  Não fique à mercê de gente abestada....afinal, o que quero dizer com isso?

Bom. Já viste os peixinhos comendo um pedacinho de carne? 

É sobre.

E, Não: o aluanaodorme não é um jeito de sangrar. E eu não sangro em meio a tubarões, pois nem por bem e nem por mal, nenhum é vegano. 

#

*Republicado, pois extremamente acessado, essa semana.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

A Maldição da residência Hill (poesia em forma de spoiler. Corra, se não gostar!)



Ensaios sobre vidas nubladas:
Pomet -  emit -  sonork:
- O tempo ao contrário não diz nada.

Mera sequência aleatória
Casa mal assombrada
lista de todas as angústias 
do que não pudemos pudemos fazer ...

Ao espelho, os monstros são eu e você
Outras frequências, ondas de som silenciadas
Partículas dissociadas,
 enlouquecemos.

Arrependimentos, fracassos, desejos não sucedidos:
Um fantasma é tudo aquilo que nunca foi dito
Sob o telhado de vidro, te faço um pedido:
"segure minhas mãos, enquanto caio"

Eu falho, tu falhas, nós falhamos.
Segure minhas mãos, enquanto conto os hematomas
Marcas de uso - cicatrizes, são histórias
"Você vê a casa, mas não sabe lê-las..."

- Eu não sei contá-las e não sei vivê-las...-

Foi só um sonho, foi só um sonho...um pesadelo!
"a jornada termina quando amantes se encontram"
Não existe desencontro, apenas desencantos
Um relógio parado desde antes...(desde antes!)

Casa infiltrada, somos água.
Vidas naufragadas, des/sincronismo
Nossos medos sabem do terror e estrago
Por isso, ao enfrentá-los: 
Meu bem, cuidado.

"O perdão é quente como uma lágrima"
Deixe a casa morrer com seus fantasmas!
Arrependimentos, dúvidas naufragadas
"O amor é a perda da lógica "
-E tudo que fica-

"O resto é confete"... a história continua 
Um relógio parado desde antes, desde antes!
A casa se move, num engole-cospe vidas...
Não existem despedidas.

#

* Pode fazer sentido - ou não. Mas essa foi a MELHOR SÉRIE de terror que já vi, a coisa mais bem produzida e filosófica.
*Republicada de 21.10.2018. 
* Este é um dos poemas mais acessados da história do 'aluanaodorme' e faz muito sentido dentro de mim.


FANTASMAS DA HILL:

"E tudo isso, a culpa, o luto, os segredos, os fantasmas, nesse momento...são apenas medo. E o medo é  o abandono da lógica (...) Mas, ao que parece, o AMOR também. O amor é o abandono da lógica. O abandono voluntário dos padrões racionais. Nós cedemos a ele ou o combatemos. Mas não vivemos sem ele (...)Eu amei vocês. E vocês me amaram. Profundamente. O resto é...confete".

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Setembro




Vem, amor! 
Beber a liquidez do dia
Seguir o  rastro encantado de fogo
das borboletas amarelas!

Viver o sol de Setembro
 -  Que cai
Enquanto a tarde vai
enfeitada de nós dois...

O vento espalha o equinócio
Luz alaranjada!
E emana o néctar 
da maré adocicada

( A natureza viva  dança
Sob o dia tropical
Que te anuncia...)

Vamos assoprar o sol
E acender a lua
Brincar com o agora
Tomar um porre 

de Amazonas!

#

domingo, 13 de setembro de 2026

Alucinação



Não me dê flashs e faróis, nem um plástico Girassol
Toda flor gosta mesmo  é da verdadeira luz
Aquela que  nasce e dorme ao fim do dia
P´ra se reinventar em outro lugar

Não me dê bom dia se o dia não for bom:
Não sei entender esses silogismos  complicados
Afinal, quem diz que 'se o tempo está nublado é porque a chuva vem'
Não conhece Macapá, em pleno Setembro

- Eu bem me lembro...

Não me dê um conceito no dicionário:
Esse tempo de coisas de mera estética me consome
Voraz, eu quero o cheiro e o sabor da maçã
Um elo entre a cor e o afã...adocicado

(E assim, de perceber, descobrir seu significado -  Para mim...)

O Mundo é assim: Múltiplo e essencialmente Singular
Do meu umbigo à Coreia do Sul
O que nos une é uma humanidade tão plural
Meu dicionário não alcança!

Alucinação: a vida é canção, meu bem!
A gente sente, significa, vive, cogita, ouve e  dança...

De perceber a sandice, vou ao divã descobrir meus abismos e construir minha paz
Um jeito qualquer de me ser nesse espaço de tanta liquidez e velocidade
Por isso gosto de sentir fome, sede, calor: Saudades!
De desejo a amor, urgir afeto: ser um bicho voraz, que ainda arde

Mansa -mente...

Viver de filosofar teorias: Afinal, de Kelsen a Reale
Tudo é só uma questão de realidade e sentidos
Afinal, o que te faz sentir?
Mesmo que não tenha explicação, enfim...

Reconheço que não há um 'tudo' ou um 'todo'
Exceto através de um ponto arquimediano 
Afinal, entre o eu e o momento
"Era uma vez um homem e o seu tempo..."

Estamos na descoberta, o tempo todo: é tudo tão singular...

- A vida, Senhores, é mais do que uma alegoria
Entre o palpite e o fetiche, o que te realiza?
E a verdade de cada dia, creia: é mágica!
Bem mais que esta simples poesia...

Somos mesmo significados entrecortados  de cores, sabores: Caminhos!
O comum e a discrepância entre o  ser, a água e o vinho
Do big bang até aqui: Tudo tem um quê de matéria essencial!
Será que o carbono do meu coração veio da mesma estrela que o teu?

Isso sim, é real.


#            

sábado, 12 de setembro de 2026

Nunca Mais vou me Esquecer na Estrada





 Eu nunca mais pedirei
O que necessita ser obviamente partilhado:
A cada elo quebrado
Direi apenas...A-Deus...

Nunca mais seguirei
Por caminhos mal pontilhados
A não ser que pelo puro prazer de andar na contramão
Do contrário, mudo a rota, o controle e a direção...

Não mais farei poesia pela metade
Não esperarei do outro o que, em essência, é  minha contribuição
Retomarei o que é meu
Pela delicadeza de minha mão...

Não receberei mais o que não é meu
Como se o fosse
Pelo contrário! pelos meus pés
Colocarei meu próprio corpo

E tudo bem que  tenha construído outras edificações
- São partes do processo de aprendizagem do 'eu'
Todo mundo ganhou, e se a essência partiu
Tudo bem se agora, em pleno junho, se achega um novo abril...

Nunca mais deixarei meu coração marginalizado 
Enquanto corro para salvar-me de dragões imaginários
Sentirei comigo cada coisa, as dores e delícias
Sim, vou reelaborar tudo que o 'eu' precisa...

Fazer o trabalho árduo, perdoar sem esquecer
Como uma espécie de proteção sem armaduras
Assim mesmo: como uma decisão...
Vou me tornar cada vez mais inteira, ainda que hajam partes quebradas,

Nunca mais, nunca mais vou me esquecer  de mim na Estrada...

#

*De 2023.

Toda poesia

 



Olho a tarde cair
até mesmo a natureza cai,
o dia vai, a gente é assim…
s´tá sempre findando um pouquinho. 

A vida não é ideal
e apesar disso, ainda é lindo
sorrir, pendurar poemas no varal
fazer alguma coisa a mais
Que apenas respirar. 

Regar, ainda que aos pouquinhos
desenhar as páginas pálidas do cotidiano
sustentar os ganhos, os planos, os sonhos
pacientemente acreditar na estrada.

É isso: Acreditar na estrada e ser doce! 

Por isso a fé,
os olhos voltados para o céu azul, o sol
por isso o jardim, o arco-íris, as lavadeiras
por isso, toda a poesia – é teimosia.

Só teimosia boa… 

Por isso as linhas que falam em amor,
palavras feito: bênção, quintal, flor e magia
delicadeza, beleza, alegria…
é teimosia, só teimosia

é só vontade de acreditar
(Na vida)

 #

Poesia é casa. Estar nela é estar no lar. Daí a imagem.

Ensaios sobre o tempo, João

 


O segundo é mesmo precário, João:
Ou pula no trem da emoção
E vai, seguir e viver a viagem
Ou fica na Estação e, de antemão

- Aceita a paisagem.

E a vida é mesmo louca, João
Os dias não correm no contar da mão
O sol deita e levanta, mas o tempo de verdade
é muito mais complexo

E, no centro da sala
Bethânia ecoa Caetano: 'Quem não é Côncavo não pode ser Reconvexo...'

E não importa que a poesia deite e role, João
A gente se perdeu sem se ganhar
E o afeto que fica
é pouco para o que se tinha a partilhar

E não importa mais palavras - não há tanto segredo assim
Afinal,  tudo que havia  cabia na porta do olhar
No verbo-não-dito
Guardado dentro de mim

E, ao fim, bem na curva do sol,

Somos mesmo ganhadores! 
Em uma estranha equação
A gente se perdeu no mesmo trem, no ritmo
E no mesmo vagão.

                                                                                    #

Obs1: O final deste poema tem clara inspiração em um poema da linda Maria Ester, chamado 'Desencontro', que diz   ''O destino/ Quis que/Nos perdêssemos/ Na mesma vida/ Na mesma arte/ Na mesma vibe".  Porque poesia chega em nós e nos transforma. :D

Obs2: Sempre quis fazer um poema tendo por inspiração o nome 'João', claramente porque 'Comentários a respeito de John' segue como uma das músicas da minha vida, desde muito antes do tempo ser tempo, nesta internet.

Amei essa construção poética.


LUZ!





sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Conexões são...orgânicas! (Filosofia do Boteco da Lua)




Fala e mostra: Cascas de ferida, suor, sangue. Cheiro de emoção na palavra.  A última coisa que tu sentiste quando olhaste o céu. Como falas...'crocrodilo' ou 'Bliblioteca', tua fixação pelos maias e astecas: enfim, qualquer coisa real, que te torne...um nome com significado dentro do meu coração. Mas, não me diz nada estético: As Quase-verdades não bastam, ainda são meias-mentiras.  Quase-emoção é quase-gente.  Capas de proteção, gente plástica: liquidação de espaço. Confesso: Ah, cansaço.  Não quero mais responder obviedades para fingir contato. 

Eu tenho uma cicatriz na garganta. Amo suas delicadas garrinhas, fincadas na pele: eu fui rasgada muito cedo, sabia? Tinha apenas dois anos, a primeira vez. Depois disso, quantas partes já foram evisceradas, nem sei.  Mas eu lembro...quis tanto falar, desde gita! Por isso, não gasto minha saliva à toa:Interpretações feitas por IA, conceitos antinaturais. Tão pouca humanidade: Ah, tem piedade. Não tenho paciência...

Não fala o óbvio de política ou o básico principiológico: Eu também tenho dicionário, leio o noticiário, enfim, a dita 'cidadã'. Ah, me diz o que mora de politicamente incorreto dentro de ti. Me conta um pouco da tua crueza. Faz contato comigo de um jeito simples, me fala a verdade do teu coração. Se aproxima. Ou, não tenta, nem precisa. Não preciso de tanto contato com a torre, se dela não vier substrato.  

Se for me contar uma piada, gagueja ou gargalha de verdade bem na minha frente:   Deixa eu sentir uma frequência real, vinda de ti...coisas simples também valem, desde que particu-lares: partículas pequenas do que te faz um lar.   Fala de ti, esse bicho natural que se descobre no espaço. Mesmo que  seja quebrado, imperfeito, ilógico, me diz que ainda estás descobrindo quem és! Una-se: ninguém verdadeiramente frágil sabe o que está fazendo. E, se tu simplificas emoção...ah, se poupe para outrem.

Não vou fingir ser desligada, desapegada, clean, a 'fera solta do pedaço': Eu sou frágil, não tenho esses nervos de aço. Não sei brincar de ser-ou-não-ser. Mesmo sabendo que às vezes não sou. E sou. Na paisagem pastel do cotidiano, saiba: Eu não sou blasé, nem acho chique fingir ser ou não-ser:  Não vibrar, não sangrar, não existir, no entremeio.  Eu sinto. Existo. Vibro.

NÃO FALA QUE TU ÉS PROFUNDO. Sabe, isso é modinha desde os tempos de minha avó. Todo mundo se acha profundo, intenso, porque só conhece sua própria 'medida de ser'. E voltagem. Ou, tu já ouviste alguém dizer: EU SOU SUPERFICIAL? risos.  Não vou trazer um monte das respostas prontas, porque tudo em que acredito construí por dentro, entre reflexão, pensamento. Aliás, hoje tenho mais dúvidas do que certezas e, desde que fugi dos muros do último castelo, percebi que quase tudo que se parece com ouro, na verdade, não é. 

Orgânica mesmo, sobrevivente ao Caos: não  me 'ajunto' por conveniências, eu me sustento, sabe? não falo só do lance econômico. Falo como gente. Sei que meu tempo neste planeta é apenas um ínfimo grão na ampulheta gigantesca do Universo e quero aproveitar com quem também percebe a raridade 'disso aqui', porque estar acompanhada das pessoas erradas é de uma solidão grotesca. 

Admiro quem 'joga o jogo', mas sempre fico um pouco confusa de qual jogo vamos brincar. E, já entendi, que as conveniências são a diversão preferida de gente ordinária. Por isso compreendo quando Nietzsche, à beira da loucura, escreveu sobre a morte de Deus.  Mas, meu coração não está morto, sobreviveu à algumas execuções sumárias e  escreveu na própria pele sua penitência, até sarar.  Até entender que conexões são...fios do destino.  

Magia inexplicável, ainda assim, quântica e natural.

Todo esse processo pode levar meses, anos, a vida toda...ou acabar antes de começar. Mas também não vamos racionalizar tanto isso, sabe? Desde As-cem-razões-do-amor até Jabor, a gente aprende que conexões -  afeto, paixão, AMOR - porra, nunca ligaram muito para estatísticas, roteiros ou condições, pois no meio de tanta explicação, mora uma desgrama sem métrica, que do nada aparece e se veste de encanto e, pasme...de acreditamentos!

Não leia este texto como um manual. É só meu jeito de dizer o que sinto. Uma forma torta de  falar que a gente não precisa ser linear, compreensível, politizado, forte, descolado, desligado e tudo o mais que essa gente tenta ensinar.

#


quinta-feira, 10 de setembro de 2026

A caminhada! (Crônica Saudosista do Boteco da Lua)




Mal dei os primeiros passos na floriano Peixoto e ela saiu, saltitante. Fiquei meio tonta. Acho que saiu pela garganta. 

Deve ser por isso que estou com sede. 
Mas ela não. Ela corre e chega perto de um dos lagos, com um saquinho transparente, no estilo daqueles que a gente tomava refrigerante quando tinha a idade dela. Ela pega um peixinho preto. Não é bióloga,  não lhe sabe dizer o nome. Vai ser professora, poeta e advogada, na verdade. Dá-lhe o nome de Penélope. Nada demais. Ela chama a todos os seus bichinhos de Penélope. 
Brincalhona, sai com a sacolinha, como quem leva um tesouro e vai correndo em direção à sorveteria que mora em sua lembrança. Pede uma banana split e o devora com uma felicidade tal! Na companhia do pai, com aqueles olhos cinzas derretidos de menino que não comeu banana split.
Ela vai embora feliz. Volta outro dia, com a irmã e um namoradinho chamado Gustavo. Ela está meio confusa. É que já conhecia o Gustavo. Mas enfim. Gustavo e o Gustavo vinham em dias alternados e tinham rostos diferentes. Mas eram o Gustavo, então tudo bem. Ambos lhe davam sorvete. A irmã não se importava se o Gustavo mudava de rosto. Tudo bem. 
A magrela era bem afeiçoada a sorvete. Gustavos lhe levavam sorvete...ah...vai ver ele era alienígena. Sei lá...qualquer dia a irmã conta p'ra vocês.
Dou mais uma volta, ela volta.
Está andando no pedalinho na lagoa. Ela nunca pedalava com a irmã. A irmã era uma chata que ficava sempre no comando. O irmão era mais complacente. Mas ele vinha menos...o irmão trabalha.
O dia vai cedendo à noite, aos pouquinhos. Desisto de caminhar. 
Estou velha, vou ver o sol cair  e olhar o lago em que ela, deslumbrada, procura um Jacaré, que só veio a saber anos depois que existiu, de fato! (Ela sempre teve razão).
Ela corre e nem é ginástica. Desce as ladeirinhas. Conversa e abraça as árvores...depois, vai embora junto com a luz da tarde, no dobrar a esquina, em direção à sua casa, em frente ao Trem da Alegria, onde fazia o pré-escolar. 
A branquinha magrela cheia de pintinhas no rosto e cabelos castanhos sonha que um dia os verá ruivos.  E vai mesmo. Também vai realizar muitos outros sonhos... e vai deixar alguns partirem, no dobrar das paralelas...vai ganhar e perder outros, que nem imaginou. 
Gosto de saber que ela está ali e que brincou e foi feliz com tudo que foi vida e alegria. Gosto de alimentá-la, saber que é nutrida e protegida, que seus sonhos se aquecem e brilham, ainda.
Mas o bom mesmo é saber que a ela vai crescer sem esquecer da floriano, das mangueiras e do místico que mora dentro daquela lagoa encantada.
E que ela vai seguir sempre de papo com a lua, com as águas e com as coisas que verdadeiramente importam. ❤️ 

#

Entre Mística e Realidade : O Eclipse de 28 de Agosto, o portal 09.09... E o que isso tem a ver com DIAS BRANCOS? (Filosofias no Boteco da Lua)


Senta aí, querida, querido, que respira por este espaço.

                           

Em que tu acreditas? 

Bom, a mente humana significa o que não compreende desde sempre: é a própria função do 'Mito', essa ideação perigosa demais, pelo poder simbólico real de mover pessoas - ALÔ, Bordieu!

"Mito', é palavra grega que significa PALAVRA, narrativa e, com o tempo, foi associada à narrativa simbólica dos gregos enquanto povos antigos,  pela história dos Deuses. Religiões e crenças são espaços profundos para a utilização de mitos e símbolos (E Deus me livre não ter algo para crer e significar essa doideira toda, não é mesmo? risos).Adoramos tudo que nos coliga a algo profundo, inexplicável, sagrado. Aliás, o sagrado, desde Roma antiga, era ligado à sacer, o separado, o diferente do profano. PROFANO - aquilo que é 'estranho'. 

Ocorre que...eu sou estranha. Nem sei se pareço. Me preocupo muito com o uso de CONCEITOS - outra palavra perigosa - tais como  'sou intenso' ou ...sou 'profundo'. Aliás, estão muito na moda. Mas é que não sei tua medida de voltagem para dizer isso. Mas, 'estranha', eu sei que sou. 

Vivo de me separar do todo, para me conectar em pequenos pedaços de luz que - para mim- fazem sentir. Eu disse SENTIR, não sentido. Sentido é a essência do mito - e talvez tudo que a gente tenha criado tenha mesmo um pouco de mito: O Estado, o Direito...as convenções. O poder simbólico é controle, como ensina Pierre Bordieu, no magnífico  livro 'O poder simbólico'.  Sentir,não. 

Pudera, ter sido chamada de Bruxa desde criança, deu nisso. Aliás, bom lembrar: a Inquisição queimou pessoas. Investigou e realizou tribunais de exceção contra tudo que ferisse aquela hegemonia. Com base no 'mito' das bruxas e legitimado por este discurso. Ah...o poder simbólico.

O curioso e o injusto é que a palavra magia, na origem, não era ligada à ideia do profano, mas ...aos sacerdotes. Transformados, adiante, nos religiosos de alto escalão.  Ou seja: a inquisição deveria ter matado seus próprios inquisidores. A vida não deixa nunca de perder a ironia - mesmo quando deveria. 

Bruxas, no norte e em muitos outros lugares são associadas às mulheres da floresta. Às curandeiras. Ao poder da ervas. Do encantamento. É assim que penso nessas mágicas...acredito em muitos destas percepções ou explicações. 

Também acredito em KARMA, como no ideário antigo: não uma interconexão inexorável, fruto do vilão destino, mas sim uma bioquímica universal de ação-reação. Acredito no eterno retorno, a teoria de Nieztsche que explica a repetição do universo, outra reinvenção do mito de Ouroboros. Tudo que nos explica o 'giro quântico' dos encontros e reencontros.

Ok. Mas porque estou a hablar sobre isso tudo?

Na última semana, rolou pela internet uma série de explicações sobre o Eclipse Lunar do dia 28 de Agosto. Para a astrologia, este é o 'Eclipse em Peixes' (sim, O SIGNO, que também vem de significado, outro tipo de mística pela qual parte de nós, humanos, procuramos respostas), como um 'fechamento de ciclos'.  Outro destes, segundo a confiável fonte 'instagram', somente em 28 anos. E segundo a tão confiável quanto - IA - acontecerá em Março de 1943. 

Aliás, para encerrar o ciclo de coincidências celestes e místicas, o chamado portal numerológico representado pelo 09.09 - ONTEM,  teve a energia do 1.

E aí, de saber desse significado, minha mente começou a trabalhar...conexões.   Lembra que eu escrevi sobre NOITES BRANCAS  e DIA BRANCO, há dias atrás? Mas as noites brancas, em São Peterbusco, eram...noites com sol!!! Um jeito também mágico de o sol morar no céu, em plena noite. Então, e se, as noites brancas (ou, noites com sol) encerradas no Eclipse do dia 28....for um começo ... dos dias brancos, anunciados pelo PORTAL 09.09?

Verdade ou mentira, mito ou realidade, tanto faz: gosto destes 'divisores de águas', tanto quanto gosto do Ano-Novo: possibilitam um jeito ou um tipo esotérico e místico de a alma reiniciar. E a gente vive de fazer isso, todos os dias, mesmo quando não coloca essa série de mitos entre nossas ações cotidianas:  Uma reencarnação sem precisar morrer, pois, como disse Alice 'Já fui tanta gente, desde que acordei...'

 E se for tempo de girar o dia 1, entre abraços e canções?

Encerrar e iniciar coisas em nós, que há muito, pedem essas ações?

Símbolo, giro quântico do destino, pura coincidência ou uma mensagem do Universo, eu te pergunto: Afinal de contas, no que tu acreditas?

#


Eterno Retorno



Desde que acordei
Já deixei pra trás tanta coisa!
Meu sonho esquecido da noite anterior,
A beleza da lua passada,
E até um belo par de asas…

É que o tempo cria demônios
Redemoinhos e tufões
E leva embora tudo que somos – efemeridade
Para trazer, com o mover do mundo,
Novas partículas de segundo.

Por isso, adeus, adeus!
Mas é sempre até breve…
Pois na curva do arco-íris
O amor (mágica infinita)
Em si, repete.

O vento que fez a curva,
Girou a roda do universo
voltou no dobrar da esquina,
arejou certezas,
e hoje dança com as cortinas…

#


É mesmo preciso imaginar Sísifo feliz, Camus?
É preciso amar o fado, Nietzsche?
A gente deixa alguma coisa entre as sombras e a luz,  querido Canto?
Ou...quando desce, Sísifo é outro?
Ou quando amamos, o fado deixa de ser fado?
E entre as sombras e luz moram...nossos assombrosss!

* Republicado de 2019.
Canto gosta muito este poema.
E eu também.

<3

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Outros Ensaios sobre Eu e o Tempo!

 


Ando com os pés tortos
Durmo de moletom
Pareço um bicho distraído
Perco as chaves, esqueço o caminho

Paro para contemplar as nuvens brancas de um céu clarinho
Reajusto roteiros bem devagarinho
Em baixa ou pouca aceleração:
Gosto de boa companhia e de solidão...

Não preciso fabricar novas palavras
Para significar bons sentimentos
Talvez seja questão de dizer mais e melhor
O simples, de uma forma terna:

Sinto Muito, Me Perdoe, Eu te amo...e Sou grata.

Sigo cada vez mais abstrata: sem tantas respostas para quase nada
Meu pequeno dicionário de afetos
Tece sua própria composição
- e faz sua mágica...

Deixo a torneira desajustada, afinal, eu também sou assim: Desacomodada.
E não tento mudar o que é simples em cada um: a gente não é lugar comum
Somos singularidades à procura 
Do que faz sentido sentir...

Confesso: gosto cada vez mais de ser...assim!

De estar quieta dentro de mim, sem precisar equalizar voltagem
P´ra caber em canto algum:  Um coração humano comum
Mas humano - com seus valores guardados
Não liquidificado entre somas e contratos...

Aprendi a não convencer ninguém a gostar dessa equação: 
No lugar certo, presença é magia partilhada, comunhão!
E assim, faço do dia a dia uma poesia cada vez mais calma
Pois a paz, meu bem, é um luxo 

- Pago pelo seu preço mesmo quando tudo parece confuso - 

Não quero nada, nada mesmo, que não seja (m)eu.
E já sei que, pela lei natural Universo, toda adição imerecida é subtraída
A vida tem um elegante e silencioso jeito de ser a verdadeira dama da justiça
E é mais irônica e imaginativa do que jamais conseguirei entender

E eu já não preciso, não quero e nem tento...

Dizem que é 'impossível viver de poesia'. 
Mas, Senhoras e Senhores, viver é um ESPETÁCULO!
Latente, cru, belo, doído -  e sem ensaio
Por isso, penso o contrário...

A poesia me salvou!

Conectou meu coração ao universo
Expandiu as linhas do tempo e encontrou as mãos que eu precisava
Fez a estrada não ser tão silenciosa e pálida
Mas sim, colorida e amável...

Busco pela correição, sabendo que o mundo não vai fazer o mesmo
E já entendi que esse estranho conceito
Parece beneficiar quem brinca de quantificar as regras do jogo
Como se fosse possível barganhar com Deus...

É...confesso: às vezes, quem tenta barganhar sou eu. 

Faço mais perguntas válidas do que jamais fiz
E um anjo loiro sorri e me diz 
 "O que vamos amar hoje?''

Isso me conecta à verdade da existência
Real preocupação:
O que vale o gasto da batida do meu coração?

( É, eu ando com os pés tortos)
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Lost!

Sempre tão perdidos em nossa correria
Nossa ânsia de ser e alcançar
Dentro de um mar revolto,um leme
Mesmo que não seja fácil de guiar...

Nunca tão distraídos do entorno
Nos tornamos cada  vez mais em rotação interna
Crianças a divagar
Tão distantes de um lar...

Um lar!
O que isso significa é tão...pessoal
Somos complexos e diversos 
este é o mundo real...

E o que satisfaz também pode ser o que envenena
Entre a dose o antídoto tudo uma questão de gotas
Ou de caleidoscópicos versos
livros,canções e poemas...

Mas entre tudo que é tão nosso
Olhar ao entorno já é um começo de astral
Perceber que entre perdas e ganhos
Só o amor - em toda sua amplitude- é real.*




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* "Só o amor é real" é uma frase, título de um livro de Brian Weiss, a quem muito aprecio.
* Republicado de 26.09.2014, pois acessado no 'Agora'.