sábado, 21 de março de 2026

Reminiscências

Afeto é fato
Doce que transborda pela boca
Fica pelos risos da casa
Espalha sabor pelos cantos

Na memória daquele riso de antes...

Hoje foi mais um dia estranho
Daqueles que se compõem de ausências
Quase como quando dobramos na rua errada
E não sabemos usar GPS

Difícil explicar...

Viver é aprender contornos - os nossos, o do outro...
Afeto é fogo fátuo:
Aquece e pode arrefecer
Amanhece e pode anoitecer...

C´est la vie!

Ainda assim...resta beleza
Nos detalhes do que serenou
No carinho que se partilhou
No perfume do invisível pelo tempo que passou...




#

Dos rascunhos do blog... 
:)

Águas de Março (por Maria Ester Pena Carvalho)


 
A música da chuva traz reminiscências,
o canto dos pássaros faz batucada no meu peito.
A luz atravessa meu rio-mar em tons acobreados,
flores sorriem sob o aguaceiro de Deus.
Belezas e bênçãos.
Hoje, Dia da Felicidade,
nas Águas de Março, seguimos por aqui,
procurando borboletas nas réstias de sol.
Talvez tudo isso caiba num poema:
libélulas, o rio, as gentes, o roçar do vento.
Felicidade, para mim,
é o vento brincando nos meus cabelos
e o canto da cigarra macho,
chamando a vida a continuar.
E nossas águas 
O que passa, o que fica, o que nos atravessa.

Ou melhor, que te faz feliz?

E vamos lapidando.

Maria Ester Pena Carvalho

#

Ontem foi dia Mundial da Felicidade e tive a felicidade de ler este poema em primeira mão....

E desejo a este leitorado: Que tu tenhas tido um dia com as coisas e pessoas que te fazem feliz. E que hoje, no dia mundial da poesia, teu encontro seja com as coisas que alimentam o poema: EMOÇÃO! Coração! Luz!

:)

Superpoder!






Minha coluna 
Não é feita de adamantium
Pode vergar quando dói
Meu coração é peso-pluma

No ringue da vida...

Minha emoção
Não tem fator-de-cura-mutante
Precisa de tempo: água...maré...maresia
Para lentamente acomodar...

Sinto como gente - carne, pulsação!
Mas eu também sou  mutável
Uma pintura perfeitamente aquarelável
Desenho pintado de sangue...

Eu não sou um X-Men
Não tenho 'a força que você pensa que eu tenho'
Nem quero ter...
E o meu superpoder

É afeto.


#

Para quem não tem emoções com fator de cura mutante: instantaneamente saráveis.
Mas faz da sua energia, mente, corpo, emoções uma forma poderosa de poder...e para quem se permite, mesmo quando é incômodo...
Em um mundo de emoções plásticas, sentir e ser real... é o verdadeiro superpoder. <3



Hoje é o Dia Mundial da Poesia e meu coração é só GRATIDÃO....



A poesia me salva.

Me leva para casa e é meu cobertor, quando preciso de proteção  'do mundo'. Me diz que posso, que sou mais corajosa do que acredito ser, e que preciso ser, pois a mesma vida que sangra...sara. E a palavra sarar, já é uma poesia...

A poesia me incomoda

E me convoca à comparecer para as dores do mundo e agir, pois sim, ela quer continuar a existir no peito das pessoas e, para isso, precisa muito de corações humanos agindo em prol do bom que a humanidade tem para dar.

A poesia me conecta - comigo e contigo.

E diz coisas de mim que eu não diria ou saberia...simplesmente fluem, rio de palavras derramadas na rua da emoção.

A poesia me acende sem queimar - ou me queima para 'sarar', cauteriza.

Pois emoções são delicados tecidos que podem ferir e ser feridos. E as palavras, suas navalhas - como diria Bel.

A poesia me presenteia

Com gente maneira, com vida, pois AMO encontrar essa gente MALU-QUECIDA, que transforma emoções em verbo, verbo em verso e verso em partilha...sim, a poesia me deu verdadeiros amigos. 

A poesia me transborda

Sai correndo pelas minhas veias, em plena madrugada, pois sim, tenho uma lua que não dorme dentro de mim, pendurada no meu umbigo, pois sou umbilicalmente ligada à sua existência particular e própria. Assim, ela, aluanaodorme, decide quando também não vou dormir.

A poesia me ilumina

E também me banha, com sua liquidez e cores peculiares....

A poesia é meu caldeirão!

....e muitas vezes o licor alheio, que também aprecio e bebo.


" ...e sinto a bruxa
presa na zona da luz...''


Viva à poesia!










Gostares

 



Gosto de pingos de água,
De risos e amanheceres
Gosto das tardes, que deitam o sol ardente do equador
Aprecio a leveza de mãos que se juntam de forma calma

Com alma...(no gesto)

Teço poesia e afetos delicados
Pois o mundo é bruto, coração!
Cotidianamente tenta nos fazer desacreditar
Na beleza da existência.

Sou real: palavras e silêncios
Presença e  ausência
E, apesar de perceber e registrar
Quase não consigo compreender quem escolhe viver o avesso da equação...

As coisas simples existem: repita isso 03 vezes
E abra as portas do peito para ser bom para alguém
Não é tão difícil, se a gente acreditar juntos 
É assim que 'nós' formamos 'laço'

Abraço, leveza, 
Estar por acolher...
- Viu como um poema pode ser doce, leve
E aquecer? - 

Basta a gente se escolher...

#


(Fiz o poema ouvindo a canção. Ouça enquanto lê, se puder) :)

Inteiramente Aqui

                                                       


 Eu sei, 

Não sou a pessoa mais exata do mundo
Tomo cafés amargos com bolos de chocolate
Gosto de pingos de água, uma tempestade emocional 
Verdadeiro vendaval

Sorrio para o nada, mas não falo nem boa tarde a estranhos
Faço pouco cálculo: horas, dias
Perdas, ganhos.
Deve ser difícil esperar de mim alguma precisão...

Não tente, bem.

Eu, por fim, já desisti
Prefiro sentir, acolher e perceber
Estender meu coração 
Acolher a dualidade

E bem-viver...

Mas, será que o mundo inteiro não é mesmo assim?
Se não existe nem mesmo um único grão de areia igual
Porque pedir métrica de mim?
Não faça isso, bem...não alargue nossos espaços por esperar o que não sou

Apenas abraça-me enquanto estou
Inteiramente aqui...




#

"No fim, 
É sobre estar 
Com quem gosta daquela pessoa que gostamos de ser..."

Estou revendo uma baita série de 'conforto', nas horas vagas: Sex and the City.
E registrei em poema minha enorme torcida pela Carrie e pelo Aidan. ]
 Carrie e Aidan podem não fazer uma série inteira funcionar, porque são reais, calmos, gentis e nada 'comerciais'. São reais e afáveis: Mas são o tipo de coisa que a vida real merece ensaiar e viver, afinal, afeto bom é assim..


LUZ!  :)


Festival

Emoções são confusas, meu bem
Faz parte da vida não entender
O festival do adeus é doce, também
Se a gente aprender o que tem de aprender...

Faz chuva, faz sol no céu do Equador
Para lembrar que toda essa dualidade se mistura
Para a mágica da existência acontecer
Mas, se algo se perder, não esqueça:

Busca as coisas doces, reafirma a essência
Afeto são as coisas que valem o verso
Investe o tempo no que faz sorrir
Memórias e sorrisos não têm preço...

Dois bons corações também podem dizer adeus na curva da vida
E bendizer caminhos...

Quebras-cabeças, corações
Meias jogadas, sem par, no armário
Linhas tortas do destino: desencaixe
Não se perca de si, quando algo se perder...


#



quinta-feira, 19 de março de 2026

Obrigada!

 Aparentemente este leitorado aprecia muito quando o sangue da poeta está estirado na rua da emoção...

 

Porque a última crônica deste lugar teve...



Muito obrigada pela sua presença neste espaço. Em tempos de guerra, vamos fazer amor com as palavras. Mesmo quando não falo de mim ou transcrevo uma emoção minha, é tudo muito SENTIDO: nas vivências e histórias que chegam até mim e tocam o coração. Afinal, como diz o velho Buck:

''Ela é doida, mas é mágica. Não há mentira em seu fogo''

Em um mundo de coisas plásticas, é tão bom ler algo que tenha carne, sangue...tudo real.

Há muita verdade neste fogo sincero que arde por cá. E sei que isso também arde em ti, que me lê. Gratidão.



terça-feira, 17 de março de 2026

O que você faz quando a chuva cai? (Do quadro 'Filosofia no Boteco da Lua)



A chuva cai, torrencial, neste comecinho de dia, março de inverno equatorial, puro equino-cio das águas, como diria o Canto. Bom, saí para cumprir as metas do cotidiano, encantada com a cor-do-dia, o cinza e suas nuances, as 'sombrinhas', distribuídas pelas ruas...e acabei tomando um verdadeiro 'banho involuntário'. E, apesar do 'inconveniente', a água inundou a minha mente de ideias.

 É que a chuva nos fala sobre a beleza da água, que tem seu tempo de cair e renovar a cidade. Sobre coragem e 'time'...e  também sobre nossa forma de ver as coisas. 

Em dias assim, é comum que nossa conversa de origem seja 'Bom dia', já precedido de 'nossa, que chuva' - ou 'muita chuva, xixica - como se diz por cá). E pode de ser no tom de 'chuvinha boa' ou no de 'ah, que droga,a  chuva', pois a comunicação perpassa pelos humores: há quem reclame, há quem veja beleza. Há quem esteja indeciso. Ou reclame e veja beleza.

Afinal, convenhamos, a chuva dá trabalho para a vida 'real'. Ela não é cômoda quando precisamos nos deslocar, nos obriga a nos 'ajustar' à sua temperança e não pede licença para chegar. Tem seu próprio tempo - mesmo quando inapropriado para nós. É natural e própria para si.

COMO AS PESSOAS - que constatação mais clichê. Mas, afinal, ''quais são as palavras que nunca são ditas?''

Enfim, me ocorreu que nós somos a chuva no quintal sequinho de alguém. E vice-versa. Porque entrar ou ficar no mundo de alguém e permitir que alguém esteja no nosso é como lidar com a chuva - literalmente. Mais ou menos como viver o tempo do sol e depois ser inundado por uma presença - até desejada, mas não programada como gostaríamos...afinal, o outro não pode e nem consegue ser o espelho das nossas necessidades, não é mesmo? E é importante aprender isso, afinal,  Narciso se inebriou de sua própria água.

Estar na própria onda, meu caríssimo leitor, é um doce vício que levou Narciso. Porque cada 'eu' é um 'outro',  ou seja... 'outras ondas' mesmo - e isso é bom. A chuva -óbvio - molha, incomoda, pede ajustes. A presença de alguém, também. A gente inunda e é inundado... (afinal, chuva, suor, saliva...águas....risos). Então, nunca fez tanto sentido a expressão

                                                                  'Se está na chuva, é para se molhar...'

Mas, atenção: Apesar disso, do incômodo inicial de uma chegada, pessoas não podem ser ou tornar nosso tempo nublado de tempestades. Não podem causar 'febre' e nem desajustes na existência do outro. É preciso ser sol, também, pois  o ajuste natural da chegada é necessário, claro. Mas os tempos de sol precisam vir...afinal, não é o armagedom, ninguém vai voltar para a arca de Noé (até aonde se sabe)...

Mas, como já sabemos, a paixão é um cão dos diabos e isso dificulta um pouco. E é aí que este texto perde a desgrama da coerência fofinha-óbvia e o 'caldo entorna'. 

Merda. As águas não são o que pedimos, elas não vêm exatamente ajustadas ao nosso caos e beleza, elas têm suas próprias existências caóticas e naturais - como eu, tu, nós...e a gente vira sim, meu caro, a tempestade no peito de alguém. Ou alguém quebra nosso 'telhadinho delicado' e desagua no coração, a despeito de qualquer tipo de sensatez. Às vezes, fica lá, empoçado (daí a ideia de mágoa - má água).

Mas, evitar esse negócio? dizer que a chuva não é linda? sentir o peito todo cheinho da presença de alguém...ah, isso não pode ser considerado ruim. Lembre-se, como de diz por aqui: tu não és tapioca, rapaz.  E que vida mais sem-graça, aquela guardada em meio a guarda-chuvas.

Adoro banhos de chuva (chuva mesmo, sem metáforas). Nessas noites não estreladas, o céu se lava e nos dá uma experiência particular com a beleza bruta do Universo. 

Beije na chuva.  Ame na chuva.  Sinta essa vida, tão rara e bonita...

Aliás, os tempos são áridos. Trump rasga céus e ogivas nucleares ameaçam outra forma de extinção... é preciso mesmo chover afeto, nestes tempos. Mas, ainda assim, fazer calor no peito dos nossos afetos. É uma dualidade interessante e de uma alquimia própria. Nada fácil fazer do

              'frio, uma delicada forma de calor...'

 


Ah! as delicadas formas de calor me recordam  algo piegas e fofinho. Ted e Tracy ( de HYMIM) se conheceram em uma noite de intensa CHUVA. No avesso disso, antes, para ficar com Robin, ele já passou dias tentando fazer chover, sem êxito, ou com êxito esporádico. De uma forma difícil, Ted aprendeu que não é possível forçar a chuva a cair. E também... que não é toda chuva que nos cabe, não é? Tem gente que faz tempestade no nosso tempo bom...é preciso discernir. E tem gente que tem medo (aliás, quem não?)

E isso remete à  um poema atribuído a Shakespeare, que também diz muito sobre esse texto:

"Você diz que ama a chuva, mas abre seu guarda-chuva quando chove. Você diz que ama o sol, mas procura um lugar na sombra quando o sol brilha. Você diz que ama o vento, mas fecha suas janelas quando o vento sopra. É por isso que tenho medo, você diz que me ama também'' 

Eu não sei o quanto a vida já pode ter tirado a sua coragem de se molhar, quando a chuva cai...

Mas eu desejo para ti, um BANHO de bom afeto. Delicadas formas de calor. De chuvas possíveis - ou aquelas impossíveis de resistir...



E você...o que faz quando a chuva cai? 


(Bom tempo, para ti. Seja ele qual for)

#

segunda-feira, 16 de março de 2026

Sorte




 Sentir-se confortável no teu afeto 
Descansar  em teu peito e ouvir o silêncio
Perfume de paz 
Faz bênção em nossas cabeças...

O acaso não sabe da beleza mágica dos encontros, meu bem:
Ainda bem que a gente aprende, no caminho...

Conversar sobre o tempo,
A próxima piada do dia
As coisas amenas que constroem levezas
Ainda bem que a gente sabe da sorte que é...sentir 

Vontade da tua presença, cada dia mais...
(Meu peito voltou a bater depois que te conheceu)


Que bom que tu chegaste 
Quando fazia paz no quintal
 Do meu jardim bagunçado
E que entraste nele com cuidado

...pra eu te aprender...

E há luz por todo lado sob a chuva do equador, tu viste?
Parece que as peças daquele quebra-cabeça antigo se encaixou
Meu corpo com o seu, uma arte
E o acaso até dá de ombros

Com ciúmes dessa nossa sorte.




#

 






Time


 Perda de time
Não é perda de tempo:
Você jogou meu coração da janela do 2o andar
Mas eu flutuei...

Perdoei o mau gesto
Pois, meu bem
O afeto alado que te dei
É só um trago

De todo o maço - buquê que guardo
Para mim.

Perda de time
Não é perda de tempo
Corações destoam
O perfume esvai

Fica a beleza
Do afeto que de partilhou
Do riso sincero e da emoção
Fica a beleza que marcou o coração...

E sou tão boa, assim
Que ainda te chamo de 'meu-mais-prezado-amigo'
Mas, meu coração já não corre perigo
De decair por ti.

Porque você jogou meu coração da janela do 2o andar
Mas eu flutuei...

#

Amei construir esse poema, que está há umas 6 vidas guardado.

Leia com a música, querido ou querida.
Faz um drama bom no coração.  :)






domingo, 15 de março de 2026

Fera Presa




Para te amar
Eu tinha que usar relógio
Seguir à risca o tempo do ponteiro
E, no entremeio,
Agradecer teu tão constante zelo:

Vigilância travestida de cuidado.

Para te amar
Eu precisava decorar um abecedário de regras a cumprir
E compreender o quão haviam coisas erradas comigo
E o quanto o mundo me deixava em perigo

Ao seguir minhas próprias convenções

E era um show de sermão 
Sobre todas as formas do meu comportamento
E assim, para te amar, eu virei um lamento
Arremedo de mim: projeção

Da tua percepção sobre meu espaço:
Na tua gaiola disfarçada de abraço

#

Esse espaço é lugar de verdade, beleza e poesia. Esse poema nasceu como uma 'reminiscência', após ler 'Amores enterrados no Jardim', da Lulih Rojanski.  Recomendo a qualquer mulher/menina, a partir dos 15 anos. Como um jeito de recordar que os tempos são duros, mas nós vencemos com doçura e posicionamento - mesmo que seja difícil aprender.


segunda-feira, 2 de março de 2026

Ensaios sobre a vida real ensaiada

 



 Bate coração, coisa de pele
Sentimental demais, a poesia come de nós dois
Entre suor, saliva, instante
Somos reais, aqui...presentes.

Bate a piada, o riso, a estrada
A conversa calma, possibilidades
As brincadeiras e piadas tolas
Bate até saudades, quando não estás aqui.

Bate a carícia dentro do coração
As coisas sem explicação
Bate irremediavelmente a emoção
(tum tum tum...)

Tão bom sentir assim.
A 'liga' não retira nada:
Minha carne ainda é minha quando não estás
E até o tempo respira em paz...

Nas ausências e presenças - rimas conversadas
Nas palavras ainda não ditas, pontilhadas
O poema assiste, atento, 
Um novo jeito de pulsar o coração...

#

Tão fofo...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Alquimia (revisto)



 As areias do saara 
Beijam os céus  de Macapá
O deserto viajou no espaço
Para se entregar e virar flor...

Feito gente
Que é feita de poeira interestelar!
O universo é uma poesia nua, pronta para alvorecer
O big bang chegou para a gente se viver...

E lua virou a noite, sublime e molhada
Encheu de beleza a madrugada
E se achega o tempo de cio das águas 
No céu setentrional...

É caloroso e terno o encontro
Quando a natureza é, no espaço
O próprio tempo do querer
A vida fala como as coisas são de se viver...

E é verdade

Que tudo se enamora enquanto a chuva cai:
Areia vira tempestade equatorial
Pois é preciso liquidez: chuva, suor, saliva
Para a matéria fazer sua estranha e perfeita química

Acontecer...

#

Fiz este poema na madrugada, porque este aluanaodorme me acende/acorda quando quer... Isso porque, mais cedo, li que as areias do saara estão sobre os céus de Macapá e que esse encontro produz uma alquimia mágica que renova a vida. Feito nós, que somos poeira interestelar (carbono vindo do espaço, poeira das estrelas, diria o Carl Sagan).

Isso não é lindo?

 Pensar na viagem, no encontro, na alquimia...sob estes céus cinzas. E como o  equinócio das águas sob os céus se aproxima (agora em Março), a junção virou romance e tudo aconteceu na minha mente. 

Que o universo conspire lindamente para tudo o mais, já que estamos por aqui. :)

Leia a notícia aqui==> https://www.instagram.com/p/DVFX9etDE6L/


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Criadores e criaturas, feitos de estranhezas e pieguices (Epifania sobre o sal e o açúcar de cada um - corrigido e republicado)




Olá, querido leitorado. Bora de epifania de boteco? 

Bom, concluí a leitura do livro 'o estrangeiro', que te confesso, apesar de um livro curto, foi uma leitura bastante demorada, para mim. Por diversos motivos. O primeiro, é o quão somos imediatamente esbofeteados pelo conceito de 'normalidade' (ou seu avessos) e humanidade (ou seus avessos), desde as primeiras páginas. 

De pensar no conceito de 'normalidade' - esse negócio que todos sabemos ser uma verdadeira ilusão, concluí que  as pessoas são feitas de suas esquisitices  e a normalidade é uma ilusão -  e como todos nós concordamos, poderia parar por aqui. Mas, vamos 'operar' o conceito? rs.

O que tu achas que compõe a ideia de pessoa? 

Bom, entre as muitas definições, trago à luz deste texto que o clássico persona, é fonte reconhecida, deriva de personare, ou ' per - sonare'...''a máscara por onde o som passa''.  De outro lado, a ideia da palavra, sinceridade, vem se sine cera, expressão utilizada para  estátuas gregas não camufladas por cera, como eram antigamente, quando possuíam imperfeições.

Uno as duas palavras e etimologias para te perguntar:  Qual a composição do som que sai da tua máscara?

Essa resposta nunca é única e tem muitos vieses, por isso hoje, quero falar de ESQUISITICES e PIEGUICES, aquelas coisas únicas que todos trazemos conosco e que, em verdade, nos tornam únicos e não replicáveis - nem por IA. 

Fui ao conceito de 'piegas'. Deu nisso: a origem da palavra é obscura ou 'desconhecida'. Acho perfeito para a ideia da composição de nossas identidades e para o que mostramos para o mundo. Decidi compartilhar neste lugar amado algumas das minhas:

* Adoro deitar no chão. Um dos chãos preferidos para mim, é o da casa da Ester. Especificamente da cozinha. Adoro ficar deitada no chão enquanto ela cozinha (eu lavo a louça, OK? não me julgue).

* Odeio casas desconhecidas. É certo que ninguém gosta, por motivos diferentes. Eu, porque acho que casas têm almas e carregam os versos, as merdas e as esquisitices de quem as habita. E eu realmente sinto isso, quando adentro um espaço. Assim, se eu adentrar a sua ou estiver nela, é porque me sinto confortável com a sua alma. 

* Sobre músicas, tenho uma playlist de músicas que me são 'muito caras' e pelas quais decidi, desde moleca, que só cantaria para a pessoa com quem vou me casar. Esse é um segredo tão particular que só compartilhei aqui, neste texto (você é meu amigo/ amiga. Guarde esse segredo piegas contigo). 

* Acho que as pessoas que me desagradam fedem (Bom, elas fedem mesmo, para o meu olfato). Consigo gostar de um certo perfume em uma pessoa e odiar o mesmo perfume por estar em outra. Quanto mais eu gosto de você, mais te acho cheiroso/ cheirosa. Inclusive o suor. Assim, acho que entendo melhor do que ninguém o conceito de 'não fede e nem cheira...' - sigo essa mesma lógica para o conceito de beleza.

* Amo livros anotados por quem os leu antes de mim. E respondo às anotações (vai que o próximo leitor mantém esse pequeno 'chat'  de bate-papo pela eternidade...). E também cheiro as páginas  - resquícios da ideia de perfume...

* Regulo meus pensamentos em certos ambientes, porque penso que todo-mundo-sabe-o-que-todo-mundo-está-pensando. Sei, é besteira. Mas vai que tem alguém que realmente saiba? sei  lá. Não vou facilitar para os óvnis.

*Adoro frio, mas amo cobertores.  Vai entender. Rs. Aliás, Ester tem uma amiga que me viu criança e disse que eu não tinha brinquedo de estimação, eu tinha uma naninha! Isso me fez amar ainda mais o personagem Linus Van Pelt, da turma do Snoopy. Perguntei da minha mãe, que confirmou.

* Eu leio ouvindo a voz das pessoas. Mensagens de WhatsApp, risos, tudo...ouço mesmo. E crio a voz dos personagens dos livros que leio, o que torna tudo muito 'colorido' e vibrante.

* Eu detesto um autor brasileiro que todo mundo ama, mas isso, não vou falar, porque tenho vergonha: deixa encoberto na minha máscara particular de ser-gente.

                                                                   Claro, tem muito, muito mais.

Tem aquilo que reconhecemos nas vivências do processo, tem o que não queremos ter, afinal...ser gente tem mesmo muitas camadas. E muitas são 'estrangeiras', para nós. Até mesmo alienígenas.  Cada uma, esquisita ou singular de seu próprio jeito. Penso que as piegas são as fofuras - o açúcar que nos salva do cotidiano. As demais, o sal - daí porque temos  'temperamentos'. 

ah...Sei que isso te fez pensar nas tuas singularidades. As esquisitices, pieguices... o que te move e te torna único (amável e odiável, em visões diferentes). Então, quais são as esquisitices ou pieguices que te tornam singular? Como coabitam teu elo criador e a criatura? (Frankeinstein nunca fez tanto sentido... risos).

Acho que, no fim das contas, a única coisa que me assusta ou amedronta, em uma pessoa (fora serial killers ou outras patologias similares),  é a superficialidade e a apatia. Geralmente delas surgem as maiores falhas de caráter.  A superficialidade apavora. A apatia retira a humanidade, além de retirar a presença no 'agora'. Tenho mesmo pavor de gente assim. Gosto das coisas com 'sangue', porque, afinal, é como canta o  Ney: 


Sou ardente como você
Eu aprendo qualquer lição
Na versão que você quiser
Sonhador desses sonhos meus
Amoroso e fatal demais...

Por isso, ao ler o 'Estrangeiro', fiquei singularmente intrigada e também, bastante incomodada.  Acho que desumanizamos rápido o personagem, não pela ideia do crime, mas por sua singular esquisitice - ele era um narrador de si, desumanizado de suas emoções. Sem detalhes próprios (esquisitices ou pieguices), mas apenas narrador cuja vida só toma valor singular a partir da etapa final (e paro por aqui,  para evitar spoiler).  E o tornamos mais criminoso por isso. 

Afinal, somos 'morais demais', não é mesmo? Adoramos julgar as esquisitices ou pieguices alheias, sob a nossa fina capa de gente 'normal'.

Vida que acaricia

A bondade é uma coisa extremamente despretensiosa...não requer olhar alheio! Tem aquele quê de ser...simplesmente sendo. Penso que essa é a essência de tudo o mais que nos habita. Segue simplesmente sendo. Sozinha, ela acariciava outra vida. Hoje, longe de mistérios ou mais, ela só estendeu a mão a outro bicho e uniu o bicho-gente. Laço de bondade.
E o registro inesperado nem era preciso para o belo se fazer! A vida é flagrantemente urgente! Acaricia com retalhos o dia a dia... Esta imagem alimentou meu dia. Da natureza bondosa e real que tem a vida.
Minha lúdica e delicada Unifap - Em horas de intervalo.

* A docência é, em essência, doce. 
Agridoce, em um país como o nosso. Mas...mais doce!

* Publicado originalmente de 14.05.2014 e republicada porque foi acessada. E porque acredito que a bondade é um superpoder!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Eixo

 


Rotação, translação
A terra gira e a vida se organiza
A gravidade, feita de densidade,
Insiste em colocar os pés no chão...

As estações não erram a hora, meu bem: 
Elas chegam
E nunca mais retornam iguais, mas se renovam
Por isso, a cada ano... temos verão.

E as chuvas lavam um fevereiro novinho em folha
E beijam Macapá...

O mundo não muda sua lógica para ajustar:
Gira em torno de sua órbita particular
Mas coabita bem em outros universos
E tudo o mais que ainda não temos explicação...

Por isso, o bicho homem  é o tipo mais complexo:
Possui ânimos, paixões, desejos, multiversos
Vontades que, às vezes, 
Desaguam em marés contrárias...

E, nestes instantes, a natureza silenciosamente fala:

Procure seu sol e gire aonde tudo fica no lugar
Dentro da desordem que possui todo coração
O eixo central de comando gira, mas permanece
Com o melhor senso de direção...

#

* Fiz esse poema porque senti vontade de (re)ler sobre a linha imaginária e o fenômeno do solstício. E daí me deparei com o conceito de 'eixo'. 
E moramos justamente nesse 'lugar' da terra: a linha imaginária, o 'centro' do 'comando' entre a densidade e a leveza que mantém o mundo 'gerido' pela natureza.

Isso é LINDO e um verdadeiro recado do universo.

LUZ!




segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Luto




E eu vou caminhando, sentindo cada carne que carrego
No peso enevoado do meu coração
A saudade,amor, se anuncia entre o café, entra na garganta
Percorre os cantos da casa, as esquinas e o pátio

Que esperam por ti...

Amo a tua presença... tanto 
E não estares aqui só alonga a lágrima que cai
É tudo igual e nunca mais, pedaço de mim!
Sinto saudades do que é e, ainda assim...

Sei que sabes quanto amor te tenho...

Amor, vai tranquilo: a despedida é do agora
Nas curvas de algum verão a gente se revê
Então...caminho para ter a sorte de te reencontrar
E levo para ti as coisas mais bonitas da jornada

E agora sobrevivo ao peso enevoado do meu coração...

#

A gente esquece que a vida é breve e rememora quando o súbito absurdo que já nos alcançou chega em quem amamos. E de sentir junto,  deu uma saudades do meu pai...

AME HOJE, é urgente.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Moderníssimos



Mar de gente: ora pesca, ora é pescada
Indústria da solidão: companhia pixelizada
Como somos cruéis em inventar distrações!
- Afeto em obsolescência programada -

O tempo exato do afago sob o fogo de um deslike
Deuses de nosso pequeno circulo digital
Mundo vadio, gente mecanizada
-O ordinário do ordinário:

Fast food emocional: Imenso mar de nada.

Dormência servida a self service
Corações no modo olx 
Canções de afeto feitas por IA
Anestesia imediata: 

Corações a custo de escala

#

Não dá para participar deste fordismo existencial.
Fica a pergunta: Você tem sede de quê?

Delírio


No entremeado das angústias do dia:
O próximo café, petição-poesia
Enquanto, em algum lugar, 
a fumaça das indústrias dissolvem o azul do céu
E lembram que o inimigo-humanidade é voraz:

Corre para me encontrar, amor:

Vamos fazer uma urgência diferente
A urgência do teu corpo quente sobre o meu...
Vamos aproveitar o azul límpido de Macapá
Neste janeiro de chuvas tão bonitas
Feito Amazonas em sua abundância doce:

Navega-me.

(Eu ainda te quero tanto...)

Na confusão dos carros, elevadores vêm e vão
A mente trafega entre o burburinho e a urgência da petição
Gente vã, nada sã, sempre duelando moinhos 
Bêbadas de suas imensas vaidades
Alheias ao céu cinza que antecipa 

A tempestade...

Corre para me encontrar, amor:
Vamos fazer uma fusão diferente:
Delírio de gente que ainda sente
Sem relógio ou convenção
Que não liga para o título que antecipa o verbo

Vem, me dá tua mão...

No entremeado da angústia de sobreviver
À política, que come horas do noticiário
E nos faz acordar com medo - pois a humanidade é cruel
Enquanto tentamos entender 
aonde vai parar tamanha burrice

Leva-me desta insanidade, vamos enlouquecer de um jeito bom...

Enquanto ainda dá tempo
E Trump não estourou os miolos do mundo
Com sua sanha por engrandecer
Ou criou soldadinhos imundos
Tão loucos quanto - pelo ilusório senso de poder...

Vamos aproveitar a doçura de ser
Carne, sangue,suor, saliva
Poesia viva! Coração disposto
Derramando afeto
Em meio ao inconcreto 

Segredo sagrado de existir....

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