Vale
à pena
Um
Poema
Entre
Cortado(s)
Não
Cabe
Em
Mim
Versos
Moídos
Mastigados
Não
Caibo
Em
Espaços
Laços
Apertados
Poesia, Filosofia de boteco, Observações do Cotidiano e o que mais vier p´ro mundo da lua! ;) . . . . . . . . . . . . . . . . . CONSIDERAÇÕES SOBRE O BLOG :1 - Viva a liberdade poética e a proteção aos direitos autorais!Toda vez que posto algo,indico autor. Se não o faço, é porque é a autora quem vos posta.2) Imagens? -Dr.Google. Exceções? Indico autoria. 2) -Poemas,velhos caducos que falam de tudo.NEM SEMPRE FALAM DO QUE SINTO! ... ***quem dera...***
Voce já se sentiu frágil, confuso?
Já teve a sensação de que fala uma linguagem que o outro não ouve? Já ficou à deriva...ou, deslocado, em um certo tipo de ambiente ou emoção?
tsc,tsc... Sei que sim.
Bom, começo esta crônica pelo fim: Nessa torre de babel, procure os barquinhos de papel que viajam contigo pelo tempo....e navegue!
- Mas... o que isso tem a ver com o livro antifrágil, do Nicholas Taleb?
Bom, é que a vida é...dura, meu caro, minha cara. A vida real é 'incronicável' - não passível de uma única descrição cronológica. A vida real é indiscreta. Faz pirracinha de nossos medos facilmente. Envolve suor, sangue, saliva e excrementos - que são a menor das merdas por aqui(risos). A vida real é forte e pode facilmente nos fragilizar, quebrar...fazer picadinho do nosso poeminha feito no papel de pão: E nem essa descrição faz seu mister real.
Parcamente descrevo um dedinho da prosa toda, que nem mesmo entendo. O conceito de 'torre de babel' se encaixa direitinho nisso aqui: a gente pensa que quis dizer, mas não disse como deveria. A gente perde o timing e parece que, às vezes, perde a dose... desentende, ou entende parcialmente. A fala é um mistério - o silêncio mais ainda. E a escrita, então...ah! nem me fale.Eu e tu entendemos isso já tem tempo, se você lê a plataforma blogspot (risos).
Essa semana, na loucura da vida, comentei com minha melhor amiga (o ser humano neurotípico mais incrível do planeta - digo sem medo) algumas características minhas que me 'isolavam' e como isso poderia ser por 'aquilo'...(me deixem, não quero falar sobre a respeito).
Mas o fato é que mencionei como ''isso-tudo'' me fazia sentir numa torre de babel, flutuando em um imenso rio de muitas marés, navegando perdidinha. Ou melhor, deslocada e ...eu estava preocupada em me sentir assim.
É que terminei recentemente o livro 'Antifrágil' ( literatura que comprei por pura afronta ao título...''afinal, como ele ousa falar das coisas frágeis?'') e ainda sentia certas dúvidas sobre como vou sobreviver por aqui, se a tese do autor é justamente que o frágil não resiste. E dizia Bel:
"Meu coração, cuidado, é frágil...''
Mas acontece que o livro transformou demais o meu conceito de fragilidade. Explico. De forma quase didática, de tão moderada, o autor aborda que as crises (ou as quebras, cracks, etc) produzem novas possibilidades de articulações. Literalmente, produzem novas forças da fraqueza. E a fraqueza de origem se transforma em força: o Antifrágil. Não confundir delicadeza com fragilidade, Jaci! - Anotado. E não confundir antifrágil... com rigidez.
Tu que me lês, aí do outro lado... não se egane. Antifrágil não é uma literatura de ajuda própria (algo que também valorizo muito e considero inteligentíssimo). Mas é que o livro tem uma proposta muito diferente. Longe desse viés, a narrativa muito racionalmente reproduz circunstâncias em que o caos e a desorganização produzem novas formas de ...coerência.
Bom, voltando à conversa com minha melhor amiga: o curioso disso é que eu estava tão preocupada, 'emaranhada' e cheia de questões quanto a certos 'issos' ...mas, só de chegar perto dela para falar das marés da vida nessa imensa torre de babel, e...zaz! meu sistema nervoso desacelerou e consegui falar com clareza a respeito de tudo: 'contradições,fissões, confusões' - ou seja, as coisas pendentes na minha setlist emocional. E fiquei mais confortável do que estar dentro do meu moletom favorito, em dias de chuva.
Depois de risos, cafés abraços e algumas lágrimas, ficamos algum tempo em silêncio, ela vendo série...eu viajando por dentro de mim e tirando a concentração dela, vez ou outra, ou...apenas quietas, praticando a linguagem da presença. Como sempre foi, desde os sete anos de idade.
Vim para casa tão normal - e eu nem acredito em normalidade e desconfio de quem se autointitula. É...realmente acredito que estamos em uma torre de babel que flutua em um imenso rio de muitas marés. Mas existem certos alguéns (as nossas almas-espelhadas, emprestei o termo) que...falam a nossa língua e até nossos silêncios. Falam conosco mesmo quando a gente tem um-monte-de-gente-dentro-de-nós, falando até dinamarquês ( Quem não tem?).
Algumas pessoas que nos fazem ser...mais humanos, densos e suaves, malucos e aquecidos, felizes, felizes mesmo, em ser quem somos. Família, amor, amigos...estes alguéns podem estar em qualquer um desses círculos - ou até mesmo estarem em uma breve fenda no tempo com para nos alcançar ou para que as alcancemos.
Há quem se conecte conosco sem a fala. Nos sentimos ligadas, 'eletrificadas' ou magnetizadas confortavelmente... pelo olhar. Pela piscadinha. Pela respiração...eu chamo isso de 'LIGA'. Existem alguéns que são lugares, que respeitam a nossa singularidade de forma tal, que nos fazem entender que, ser normal, na verdade...é ser confortável perto do outro. Que delícia de emoção: ser confortável em falar uma língua diferente dentro de uma anormalidade singular.
Sei que, ou tu pensaste aí nas tuas pessoas, ou pensaste apenas... 'essa doida é doida mesmo'.
Mas ... isso faz sentido, de verdade: existem pessoas que navegam conosco a existência, 'a dor e a delícia' de sermos exatamente...quem somos. Por nossos valores e também por nosso 'valor'. Mas não só isso...por ALQUIMIA QUÂNTICA, singular. Algo único, elétrico, especial, que nos interconecta...o tal 'fio vermelho do destino'. Não falo só do amor romântico, não (embora eu deseje para ti e para mim essa sorte). Falo de... laços.
São encontros reais, confortáveis e singulares que falam uma linguagem universal: A do afeto.
Já não ando tão preocupada em continuar delicadamente 'quebrável', no sentido de ser sensível às coisas da vida, pois sei que o caos se reorganiza...e o afeto, queridos e queridas...é a 'liga' mais antifrágil DO MUNDO!
Pois afeto é a linguagem universal do Amor. E isso sim, é a verdadeira mágica de existir.
E o meu manual antifrágil, então...é ISSO.
#
![]() |
| Imagem do filme "Nuestros amantes" |
Há uns meses atrás, assisti o filme 'A pior pessoa do mundo'.
Em uma narrativa densa e emocionada, o filme traz a vida de Julie, em diversos momentos, atingindo camadas, sobretudo, dos aspectos conturbados da personalidade humana e dos relacionamentos... e como, por muitas vezes, nós mesmos nos sentimos - ou somos - 'a pior pessoa do mundo'.
E se você não se sentiu ainda a pior pessoa do mundo, tome cuidado com o seu código moral.
Eu (mesmíssima) por diversas vezes, já me senti a pior pessoa do mundo. Isso porque, nem sempre, conseguimos agir de acordo com a nossa idealização do que é ser uma boa pessoa. Mas tento fazer o que chamo internamente de esforço do contrário, ou seja: busco ajustar minhas ações ao senso de correto, mesmo quando isso significa cortar meu próprio verso.
É claro que esse sentimento - o de ser a pior pessoa do mundo - nos alcança de uma forma ou outra, porque não queremos atingir o universo de uma outra pessoa de uma forma leviana. É a coisa da responsabilidade afetiva, de nossa percepção e até mesmo...compaixão, para com o universo do próximo. Nem sempre isso é fácil, pois já disse Sartre:
O inferno são os outros.
Mas também, o inferno somos nós, quando não reconhecemos nossas impropriedades e nossa dificuldade de lidar com o senso de correto do outro. Afinal, ninguém aqui é o dono do código de moralidade de ninguém, não é messmo?
E se você se sente assim, tome cuidado com seu código moral.
O que me recorda que, uma vez, conversando com uma pessoa querida, perguntei: 'Será que essas pessoas percebem que estão sendo 'escrotas'? e ela, muito pragmaticamente me disse que: 'não, elas acreditam que estão sendo as melhores pessoas do mundo dentro de suas perspectivas e códigos morais".
Isso me deixou um pouco revoltada. É, é foda viver em um mundo em que não temos um 'ponto arquimediano' do caráter. Mas, de outro lado, pensar nisso me convida - e a ti também - a flexibilizar um pouco a narrativa do bom e do mau. Afinal, eu não sou a régua da moralidade alheia.
Isso porque, infelizmente, ainda não dá para ser 'mocinho' de filme de comédia romântica, pois longe da idealização, sou mesmo muito gente: sinto raiva, culpa, desejos de vingança...mas também remorso.
Eu minto também. Quando isso me protege. Mas faço o que chamo de esforço da verdade. Mesmo que seja da minha verdade, para que isso alcance o universo do outro e para que as minhas relações sejam cada vez menos idealizáveis...e cada vez mais naturais e humanas. Mesmo porque, entre meus defeitos, está o de ter dificuldades em pedir desculpas - daí o esforço de tentar não 'errar'.
E se você não faz , tome cuidado com seu código moral.
Mas também, com a sua direção. Seu rio vai desaguar em que tipo de mar? ...
Bom, já fui chamada de inocente também, por esse formato. Acho fofo. Mas creio que tudo isso - os códigos de comportamento - são como um moletom quentinho: Nos protegem, nos aquecem e fazem sentir...organismo vivo. Mesmo que seja uma proteção antinatural, pois afinal, 'não quero lembrar...que eu erro também...'
Aliás...essa (ana)crônica é para dizer que, muito recentemente, me senti a pior pessoa do mundo...
E essa é uma forma muito, muito torta... de pedir perdão.
P.s: A imagem no fim desta crônica faz menção ao 'retorno de saturno', considerado momento de grande reflexão e amadurecimento, no calendário astrológico. É trazido também na música ''Vinte e Nove, do Legião, em que Renato Russo aprende a ...pedir perdão. :)
Estava nos rascunhos do aluanaodorme, pois precisava de uma imagem e uma canção...
Esse poema foi meio que criado sem uma experiência específica, mas baseado em uma reflexão sobre...quem somos depois que alguém nos magoa. Eu sempre escolhi o caminho da presença em mim e isso é muito complexo, porque significa não me modificar para algo pior quando algo ou alguém me magoa. Porque a ação do outro me alcança, mas não é sobre mim. E assim, escolho como olho o mundo.
Um dia desses, um amigo me chamou de inocente por isso. Achei fofo. Mas ainda acho que isso é ser...sarada. Corações sarados sabem que feridas são feitas para cicatrizar. E que a existência não precisa ser recoberta por protocolos, porque alguém ou algo não foi legal. 'É um mundo muito louco, querida. Aguente firme' - Diria o Velho Buck.
E o meu mundo é poesia. É tudo que tenho para dar. Enfim. Acho que vou 'cronicar' sobre isso por aqui.
:)