terça-feira, 12 de maio de 2026

HUMANA!



 Trocar duas lâmpadas da casa
Reunir às 10, às 14, Dançar às 16...
Me manter um indivíduo que se move pelo coletivo
Caminhar...

Prestar atenção nos meus carinhos,
Nos laços amados que compõem o meu destino
Seguir, lenta e feliz, sem saber de quase nada...
Descobrir um novo cheiro:  Flor de laranjeira fica bem com chocolate?

Encantar meu coração com o fim de tarde...

Rir muito, sobreviver ao caos:

Soberana soberba: Trump anuncia uma nova megalomania
Enquanto a rádio entoa uma 'super mega operação'
Valores em liquidação: Estado, poder...ilusão!
Santo Deus...

(Parece que ninguém nunca ganha, afinal)


Cuidar do meu pequeno incrível milagre:
Uma flor com  olhos de céu
Que se derrete em inocência e afago
Perceber, nessas horas, o quanto sou meu melhor lado...

Salvar meu coração de ser líquido: 
Sem jogos mentais, plural ilusão!
Sentir, sentir mesmo tudo que a vida evoca
 No individual, sem coleção...

.. o 'eu' já é um festival de emoções que dança, colore,  comove e toca...

Debater política, músicas, livros
Pegar um filme às sete, falar de profundidades, mas também trivialidades
Amor, humor, arte ...e algumas  outras coisas que valem o poema...
...me perder! aceitar a ausência de direção...

Não ser refém de nenhuma forma de sentir, mas sentir muito!  
Sarar sem machucar ninguém...
Achar que já não sei de nada, nem mesmo quem sou
E, surpresa até, me reencontrar aos poucos...

...Afinal, qual o sentido disso tudo?


#
Estar aqui nesse planeta é meio caótico para todo mundo, de um jeito diferente.
Esse poema foi incrivelmente acessado, nos últimos tempos, por isso está republicado de 07.05.2026.

Ah...sejamos assim...tão humanos e tocáveis, tão plurais e acesos para a vida...

LUZ!

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Objeto Parcial



 Não
Vale
à pena
Um
Poema
Entre 
Cortado(s)

Não 
Cabe
Em 
Mim
Versos
Moídos
Mastigados

Não 
Caibo
Em 
Espaços
Laços
Conceitos
Apertados

Eu levo tempo,corpo, cheiro, verbo...elos, sentidos:
SIGNIFICADOS!

#

Tive contato com a teoria do "Objeto Parcial'', de Lacan. Eu adoro Lacan, aliás. E Jung. 
Fiquei DOIDONA de poesia e aí está. EU AMEIIIIIIIIII esta construção poética.

Pequenas Notas sobre o Tempo


O tempo é uma invenção!
Uma ilusão de óptica
Vitrais coloridos
De um mesmo ser...

É multiplicador e divisor
de distâncias
Sua balança inexata
Pende...

'O tempo rege o ato'
Na metáfora perfeita do jurista
E o ato engole o tempo
no inverso do avesso do escasso dia a dia...

O tempo é sempre presente
Mesmo quando passado
Afinal, mais do que carne e matéria
A memória é sua espaçonave.

#

Republicado de 2017, pois acessado.
O tempo é cada vez mais um bom mano velho...viaja mais macio no correr das marés...





Revisado e Acrescido: Nessa torre de Babel, barquinhos de Papel! - Um Manual Antifrágil? (Filosofia do Boteco da Lua)

 


Voce já se sentiu frágil, confuso?

Já teve a sensação de que fala uma linguagem que o outro não ouve? Já ficou à deriva...ou, deslocado, em um certo tipo de ambiente ou emoção?

 tsc,tsc... Sei que sim. 

Bom, começo esta crônica pelo fim: Nessa torre de babel, procure os barquinhos de papel que viajam contigo pelo tempo....e navegue! 

Mas... o que isso tem a ver com o livro antifrágil, do Nicholas Taleb?

Bom, é que a vida é...dura, meu caro, minha cara. A vida real é 'incronicável' - não passível de uma única descrição cronológica. A vida real é indiscreta. Faz pirracinha de nossos medos facilmente. Envolve suor, sangue, saliva e excrementos - que são a menor das merdas por aqui(risos). A vida real é forte e pode facilmente nos fragilizar, quebrar...fazer picadinho do nosso poeminha feito no papel de pão: E nem essa descrição faz seu mister real.

Parcamente descrevo um dedinho da prosa toda, que nem mesmo entendo. O conceito de 'torre de babel' se encaixa direitinho nisso aqui: a gente pensa que quis dizer, mas não disse como deveria. A gente perde o timing e parece que, às vezes, perde a dose... desentende, ou entende parcialmente. A fala é um mistério - o silêncio mais ainda. E a escrita, então...ah! nem me fale.Eu e tu entendemos isso já tem tempo, se você lê a plataforma blogspot (risos).

Essa semana, na loucura da vida, comentei com minha melhor amiga (o ser humano neurotípico mais incrível do planeta - digo sem medo) algumas características minhas que me 'isolavam' e como isso poderia ser por 'aquilo'...(me deixem, não quero falar sobre a respeito).

Mas o fato é que mencionei como ''isso-tudo'' me fazia sentir numa torre de babel, flutuando em um imenso rio de muitas marés, navegando perdidinha. Ou melhor, deslocada e ...eu estava preocupada em me sentir assim

É que terminei recentemente o livro 'Antifrágil' ( literatura que comprei por pura afronta ao título...''afinal, como ele ousa falar das coisas frágeis?'') e ainda sentia certas dúvidas sobre como vou sobreviver por aqui, se a tese do autor é justamente que o frágil não resiste. E dizia Bel:

"Meu coração, cuidado, é frágil...''

Mas acontece que o livro transformou demais o meu conceito de fragilidade. Explico. De forma quase didática, de tão moderada, o autor aborda que as crises (ou as quebras, cracks, etc) produzem novas possibilidades de articulações. Literalmente, produzem novas forças da fraqueza. E a fraqueza de origem se transforma em força: o Antifrágil.  Não confundir delicadeza com fragilidade, Jaci! - Anotado. E não confundir antifrágil... com rigidez.

Tu que me lês, aí do outro lado... não se egane. Antifrágil não é uma literatura de ajuda própria (algo que também valorizo muito e considero inteligentíssimo). Mas é que o livro tem uma proposta muito diferente. Longe desse viés, a narrativa muito racionalmente reproduz circunstâncias em que o caos e a desorganização produzem novas formas de ...coerência. 

Bom, voltando à conversa com minha melhor amiga: o curioso disso é que eu estava tão preocupada, 'emaranhada' e cheia de questões quanto a certos 'issos' ...mas, só de chegar perto dela para falar das marés da vida nessa imensa torre de babel, e...zaz! meu sistema nervoso desacelerou e consegui falar com clareza a respeito de tudo: 'contradições,fissões, confusões' - ou seja, as coisas pendentes na minha setlist emocional. E fiquei mais confortável do que estar dentro do meu moletom favorito, em dias de chuva.

Depois de risos, cafés abraços e algumas lágrimas, ficamos algum tempo em silêncio, ela vendo série...eu viajando por dentro de mim e tirando a concentração dela, vez ou outra, ou...apenas quietas, praticando a linguagem da presença. Como sempre foi, desde os sete anos de idade.

Vim para casa tão normal - e eu nem acredito em normalidade e desconfio de quem se autointitulaÉ...realmente acredito que estamos em uma torre de babel que flutua em um imenso rio de muitas marés. Mas existem certos alguéns (as nossas almas-espelhadas, emprestei o termo) que...falam a nossa língua e até nossos silêncios. Falam conosco mesmo quando a gente tem um-monte-de-gente-dentro-de-nós, falando até dinamarquês ( Quem não tem?).

Algumas pessoas que nos fazem ser...mais humanos, densos e suaves, malucos e aquecidos, felizes, felizes mesmo, em ser quem somos. Família, amor, amigos...estes alguéns podem estar em qualquer um desses círculos - ou até mesmo estarem em uma breve fenda no tempo com para nos alcançar ou para que as alcancemos.

Há quem se conecte conosco sem a fala. Nos sentimos ligadas, 'eletrificadas' ou magnetizadas confortavelmente... pelo olhar. Pela piscadinha. Pela respiração...eu chamo isso de 'LIGA'. Existem alguéns que são lugares, que respeitam a nossa singularidade de forma tal, que nos fazem entender que, ser normal, na verdade...é ser confortável perto do outro. Que delícia de emoção: ser confortável em falar uma língua diferente dentro de uma anormalidade singular. 

Sei que, ou tu pensaste aí nas tuas pessoas, ou pensaste apenas... 'essa doida é doida mesmo'.

Mas ...  isso faz sentido, de verdade: existem pessoas que navegam conosco a existência, 'a dor e a delícia' de sermos exatamente...quem somos. Por nossos valores  e também por nosso 'valor'. Mas não só isso...por ALQUIMIA QUÂNTICA, singular. Algo único, elétrico, especial, que nos interconecta...o tal 'fio vermelho do destino'. Não falo só do amor romântico, não (embora eu deseje para ti e para mim essa sorte). Falo de... laços. 

São encontros reais, confortáveis e singulares que falam uma linguagem universal: A do afeto.

Já não ando tão preocupada em continuar delicadamente 'quebrável', no sentido de ser sensível às coisas da vida, pois sei  que o caos se reorganiza...e o afeto, queridos e queridas...é a 'liga' mais  antifrágil DO MUNDO!  

Pois afeto é a linguagem universal do Amor. E isso sim, é a verdadeira mágica de existir.

E o meu manual antifrágil, então...é  ISSO.



                                                                                   #




domingo, 10 de maio de 2026

Explicação!

Imagem do filme "Nuestros amantes"

Foi por teu riso aberto
Pela piada de banco de praça
O rastro sutil de perfume
E as confissões ditas 
Antes de saber teu nome...

Foi por tua alma
Doce e dispersa
Apresentada sem metáforas
E o jeito terno e macio
Com que me abraças...

Foi a louca ternura
Com que nos beijamos 
Depois de dividir
No terço do segundo
Fragilidades e ambiguidades de existir

Foi por tu seres assim...

E de como imagino contigo
Em um loop sem jeito
A paranóia vulgar gostosa
De como Bukowski
Chama sua dama ao leito

Foi por tua alma 
Cheia de clichés não-ditos e tuas próprias confusões
Em meio a risos sem sentido
E por nosso Adeus tão demodé
Por quem me apaixonei...

#

" As vezes, quando se escreve um roteiro
é difícil saber quando parar..."  

*Republicada de 30.04.2017, pois foi acessado algumas vezes essa semana.
Frase do filme "Nuestros amantes", que deu o tom e a inspiração a este poema. 
Melhor comédia romântica que assisti nos últimos meses!!! (Naquele tempo)
Assista, se gostar de "paixão morando na filosofia" . :)


Pequenas notas sopre o tempo e a vida



O tempo não anda pra trás (é uma pena)
Mas resolve a rima solta do poema
Deixa o vento livre
pra ser paz...

Na equação mágica da vida
Tudo soma!
brilha, reluz, multiplica
e o resultado é sempre um tipo de alegria...

Por isso, vou te contar um segredo:
Não tenho medo de sangrar...
Que o ciclo perfeito do universo
é um perfeito verso

- Um eterno retornar ao lar...-

A chuva cai...
e a natureza diz
que mesmo a água vive
Um eterno transformar!

E agora eu sei que é de vida, bênção,
 e sopro de amor!
Mesmo o vento que balança
Os cabelos da flor...

(Vida, eu também já sei brotar)

#

Este poema é de 03.06.2017 e foi republicado pois foi bem acessado, nos últimos dias...nessa época, a curva do meu rio profissional mudava e eu com ele...acho que a vida sempre pode mudar, a depender da curva do rio...e eu aprendo cada vez mais a ser água, apesar de me chamar Rocha.

:)

LUZ!




sábado, 9 de maio de 2026

Detesto consertar o que não quebrei! (Crônica do Boteco da Lua - Revisado)




Eu cantava a todos os pulmões 'Desculpe, estou um pouco atrasada...mas espero que ainda dê tempo", quando ----  Crack! ----O som de algo rompendo o transe da canção me atingiu, literalmente, naquele dia 20.11.2024.

Alguém acabava de bater no para-choques do meu carro. Quebrou a lanterna traseira e, por ironia, ainda brinquei "Como o dia em que roubaram o seu carro e deixou uma lembrança''. Poesia à parte, fazia um engarrafamento enorme, do tipo que não se vê em Macapá, em dias comuns. 

Bom, aconteceu. O impacto assustou, mas estava lá. Restava decidir: a) descer e perder o resto das minhas parcas horas de sono antes de uma audiência, b) acionar o seguro (se o dano fosse maior) ou... c) consertar o que não quebrei...não foi intencional, mas fiz o que sempre faço: me retirei, mesmo quando acho que tenho razão (E nesse caso, tinha todaaaa). Foi uma escolha consciente e confesso, um pouco evitativa.

A questão está no que aconteceu logo depois: passei a não olhar para a lanterna quebrada. Ela não existia para mim, afinal, eu não quebrei aquela lanterna e não dei causa alguma àquela quebra. Já entrei com o carro para a manutenção e não troquei a lanterna. Porque ela nem existia na minha cabeça, já que não-foi-eu-quem-a-quebrei.

Até o comecinho desse ano, sequer olhava a lanterna que, para mim, estava intocável e não 'olhável'. Mas foi aí que algo me chamou atenção. Eu seguia 'quebrada', fingindo que não existia, porque não dei causa.  

E claro, a pessoa que praticou a quebra, vendo meu pouco ânimo de arguir meus direitos, fez o que as pessoas fazem: saem sem se responsabilizar pelo dano.  Eis um ponto sensível dessa prosa. É que é difícil para mim entender que, algumas vezes -  algumas pessoas- não são tão responsáveis com o seu erro. Tento mesmo ser bem responsável com o-que-atinge-o-mundo-do-outro. E por isso já disseram que eu tenho 'a retidão de caráter de um Jedi'...faz tempo, mas tenho a felicidade de dizer que meu código de conduta 'não ficou na estrada, preso na poeira'.

O fato é que, de tanto negar a lanterna quebrada, algum momento, precisei mesmo olhar para ela e isso me causou um enorme espanto. E me perguntei quantas coisas aconteceram neste mesmo viés...quantos pedaços meus foram quebrados e eu segui, fingindo que nem existiam? Desde aquela simples lanterna?...

Foi aí que a bendita passou a me incomodar, de fato. Representava minha 'inação' para com o externo - e confesso que eu paraliso um pouco quando as coisas me doem. De tomar consciência disso, foram dias olhando apenas a lanterna, enquanto olhava meu carro. Aquilo sim começou a representar minha ausência de mim, pois costumo me preservar bastante dos 'baques' e impactos e tive muito cuidado em construir a minha paz, que foi feita com responsabilidade, paciência e cabeça no lugar...

Então, por que a demora em admitir que algo estava quebrado? 

Incomodou, incomodou...até que agi. Levou apenas um ano (e meiooo - risos) para que eu assumisse que precisava ajeitar a lanterna. Já o fiz. Hoje a lanterna chegou e amanhã estará no lugar. É...também hoje entendi que vou precisar consertar algumas outras poucas coisas quebradas, mesmo não tendo sido eu quem as quebrei. 

Mas isso me lembrou duas coisas singulares sobre as quebras! A primeira, é o conceito de wabi-sabi - conceito japonês que representa...a beleza da imperfeição, da impermanência. Nada é tão permanente assim que não possa ser transformado...inclusive a imperfeição.  Também me recordou a crônica do meu amigo Rubem Alves, chamada...'Vitrais'. E o quão são singulares os caquinhos montados. E isso me remeteu aos quebra-cabeças,  coisas repartidas para formar um todo...que se encaixa. Foi então que vi profunda beleza e paz nisso tudo.

Bom, hoje a lanterna já está no lugar. Mas, para minha surpresa, os impactos internos causaram uma breve pane nos sensores: Isso é autoexplicativo e muito poético, apesar de uma merda

Quanto às coisas quebradas: Já começo a olhar para cada uma...com paciência. E cuidarei de repará-las ou ...de fazer arte com elas!

#

LUZ!



Ah!...esse lugar explode em acessos com crônicas. Eu sei...eu sei...são mais pessoais. 
Queria colocar uma play toda do Nando, bem fofinha, mas não achei. Fica na linha imaginária enquanto tu lês. 
E, sobre os acessos do dia...Obrigada!

quarta-feira, 6 de maio de 2026

A pior pessoa do mundo! (Uma crônica na vida anacrônica, real e possível)



Há uns meses atrás, assisti o filme 'A pior pessoa do mundo'.

Em uma narrativa densa e emocionada, o filme traz a vida de Julie, em diversos momentos, atingindo camadas, sobretudo, dos aspectos conturbados da personalidade humana e dos relacionamentos... e como, por muitas vezes, nós mesmos nos sentimos - ou somos -  'a pior pessoa do mundo'.

E se você não se sentiu ainda a pior pessoa do mundo, tome cuidado com o seu código moral.

Eu (mesmíssima) por diversas vezes,  já me senti a pior pessoa do mundo. Isso porque, nem sempre, conseguimos agir de acordo com a nossa idealização do que é ser uma boa pessoa. Mas tento fazer o que chamo internamente de esforço do contrário, ou seja: busco ajustar minhas ações ao senso de correto, mesmo quando isso significa cortar meu próprio verso.

É claro que esse sentimento - o de ser a pior pessoa do mundo - nos alcança de uma forma ou outra, porque não queremos atingir o universo de uma outra pessoa de uma forma leviana. É a coisa da responsabilidade afetiva, de nossa percepção e até mesmo...compaixão, para com o universo do próximo. Nem sempre isso é fácil, pois já disse Sartre:

O inferno são os outros.

Mas também, o inferno somos nós,  quando não reconhecemos nossas impropriedades e nossa dificuldade de lidar com o senso de correto do outro. Afinal, ninguém aqui é o dono do código de moralidade de ninguém, não é messmo?

E se você se sente assim, tome cuidado com seu código moral.

O que me recorda que, uma vez, conversando com uma pessoa querida, perguntei: 'Será que essas pessoas percebem que estão sendo 'escrotas'? e ela, muito pragmaticamente me disse que: 'não, elas acreditam que estão sendo as melhores pessoas do mundo dentro de suas perspectivas e códigos morais".

Isso me deixou um pouco revoltada. É, é foda viver em um mundo em que não temos um 'ponto arquimediano' do caráter.  Mas, de outro lado, pensar nisso me convida - e a ti também - a flexibilizar um pouco a narrativa do bom e do mau. Afinal, eu não sou a régua da moralidade alheia.

Isso porque, infelizmente, ainda não dá para ser 'mocinho' de filme de comédia romântica, pois longe da idealização, sou mesmo muito gente: sinto raiva, culpa, desejos de vingança...mas também remorso.

Eu minto também. Quando isso me protege. Mas faço o que chamo de esforço da verdade. Mesmo que seja da minha verdade, para que isso alcance o universo do outro e para que as minhas relações sejam cada vez menos idealizáveis...e cada vez mais naturais e humanas. Mesmo porque, entre meus defeitos, está o de ter dificuldades em pedir desculpas - daí o esforço de tentar não 'errar'. 

E se você não faz , tome cuidado com seu código moral.

Mas também, com a  sua direção. Seu rio vai desaguar em que tipo de mar? ...

Bom, já fui chamada de inocente também, por esse formato. Acho fofo. Mas creio que tudo isso - os códigos de comportamento - são como um moletom quentinho: Nos protegem, nos aquecem e fazem sentir...organismo vivo. Mesmo que seja uma proteção antinatural, pois afinal, 'não quero lembrar...que eu erro também...'

Aliás...essa (ana)crônica é para dizer que, muito recentemente, me senti a pior pessoa do mundo...

E essa é uma forma muito, muito torta... de pedir perdão.


#

P.s: A imagem no fim desta crônica faz menção ao 'retorno de saturno', considerado momento de grande reflexão e amadurecimento, no calendário astrológico. É trazido também na música ''Vinte e Nove, do Legião, em que Renato Russo aprende a ...pedir perdão. :)