sexta-feira, 24 de julho de 2026

Construção

                            


Ferida,  sou cacto
Mansa, cheia de flor.
Na vida, espinhosa e árida
Na alma, perfumada e cálida

...é assim também no amor!

Esotérica,
Pele com  banho de cheiro,
E, no entremeio,  Bruxa e Artesã: Teço poesias.
Cuidado:

Teço poesias!

Não pude aprender com minha Avó Cecília
As rezas pagãs das benzedeiras
Os místicos rituais, tendo o Amazonas por beira
É um pedaço em mim que jamais se completou...

Então, regatão:

 Resgato um pouco desta magia
Na força da ancestralidade que me corre o sangue,
E brinco com a fina poeira do cotidiano
Aprendo com a natureza  que não há enganos
A semente que floresce é a que plantamos...

E a Bruxa passeia pelos cantos de mim...

Aprendi que é de lágrima
Que se faz um mar, mas é de riso que o Amazonas dança
Cada um com seu próprio movimento
Sabor e  temperança que acomodamos e partilhamos

E que existir é mesmo feito disso tudo: De dualidades...

Ainda criança, aprendi a entender a maré
E a mergulhar nas águas de um igarapé
Como o respeito à sua soberania
Pois  o bom filho da mãe d´água 

Encontra o rumo, pois está em casa:
é, eu estou em casa neste céu azul setentrional que me abraça...

Sigo uma rota tão particular!  Não sei aonde vou chegar
E nem preciso mais desta resposta
Eu já abri as portas do meu coração
E aceitei a lógica insensata de minha imprecisão

Certeza? nem de navegar.

#


É que, no avesso complementar da célebre frase da Frida, eu sou o que mais desconheço. E em tudo que descubro, teço...poesia! Por aqui, dá para saber muito de mim, da fina pele da emoção que me recobre.

LUZ!

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