domingo, 9 de agosto de 2026

Conversa com meu Pai (Parte 3)




Os anéis de saturno ainda estão lá...
As mangueiras da Coriolano permanecem
O tempo levou o Jucá mais pra perto da Padre Júlio
E ainda mora, encoberto nos muros do antigo CCA,

Um anagrama da palavra saudade...

Eu ainda sou eu, sabia, Pai?
...tua menina.

Sigo teimosa e enluarada
E ainda digo não pras coisas erradas dessa vida
Ando mais calma, no direito sagrado de te amar
Mas, sem exigir do Universo o que não puder me dar...

É, Pai...

Eu quero de cada um só o que puder
Da vida, com esforço, sonho e doçura, busco mais
Pois quero que da tua sombra e do teu fruto
Venha para o mundo ainda mais amor e cheiro de jasmim

E sobretudo, quero te dar orgulho e paz, sempre que pensar em mim!

Já não se fala mais em Presidente Sarney, sabia, Pai?
E isso me recorda que o poder é uma ilusão
Mas ainda se fala em Capi e Waldez, papai querido
Porém, gente nova  vem trazendo mais daquele sonho antigo...


Não sei se saio daqui fazendo alguma diferença - Quem faz?
O mundo é mesmo um tão vasto mundo, José!
A gente se pergunta tanto 'e agora'?
De repente, a gente chega e, sempre num susto,

Vai embora...

E por aí, José? Como vai viver?
Já tomou um baré com o Madureira?
Já visitou os amores - aqui e acolá 
E foi pescar em alguma 'beira'? 

Há tanta saudade...nem sei dizer!
Faz uma eternidade que não me buscas pra almoçar
Faz um tempão que não tocas a campainha
Não vens com o pão ou me chamas pra lanchar...

Faz um tempão que a gente não ouve Chico
Não debate a matemática inconclusiva de existir
Ou eu te inquieto por algum filme ou quem sabe, um Pessoa
Ou a gente não foge da civilização

E fica em paz dentro de um rio ou uma lagoa...

De tudo isso, Pai,
Fica uma saudade que se alonga nos dias
Se dilui um pouco mais ou se adensa no decorrer das emoções
às vezes, até mesmo sem motivo
- O coração tem suas razões...

Bom, Pai...até breve!
O poema acaba e preciso aceitar
Que bom que nos une, sempre que a saudade vem
Esse elo que sagrado que a gente tem!

Bom, Pai...até breve
O poema relutantemente acaba...preciso aceitar
Se cuida meu pai, que o vento te leve!
E que Deus te abrigue, até eu te reencontrar...

#
*Poema de 2024, para ele, minha saudade.

sábado, 8 de agosto de 2026

Pequenas Notas sobre o Coração!

 



Meu coração não é burguês
Nunca deu ou recebeu trocado
EXAGERADO
Sente a vida com inteirezA:

- Por isso,
Não me peças um meio-calor, eu não sei fazer isso...

Fico me sentindo um animal descolado
Acuado na luz da lupa míope alheia
Como se estivesse errado estar e ser 
Dentro de um sentir -

Meu coração não faz feira para vender miúdos
é filosofia, paixão, estrelas, mundos!
Vive de desvendar infinitos...

Multiplicação:

 - Não sabe  fatiar-se em pedaços
Como uma embalagem  descartável de supermercado
Ou uma roupa de loja de departamento
Na esteira da liquidação...-

Ah! Meu coração é MALUCO,  real, vívido!

Vive de coisa bonita, acomoda o caos e a simplicidade
Certezas e de talvez, encontros, desencontros -  Complexidade!
Pois tudo que rima com felicidade e realidade
Dá um trabalho danado: é verdade.

(As coisas boas não chegam prontas e sentir dá medo, eu sei, tu sabes...)

Meu coração constrói suas verdades...devagar
Prova o mundo, deixa chegar...anota recados nas esquinas de um olhar...

Percebe a vida a cada instante - Deslumbrado!
Meu coração  - EXAGERADO
Respeita a dor e a maravilha de existir
Pois sabe o quão sagrado é o espaço do sentir

É, meu coração gosta da beleza da palavra...ACREDITAR!



#

*Esse poema nasceu na hora que estava lendo outro poema com essa música.
Daí, veio fazer companhia... :)
LUZ!

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Inadaptação!

 Eu não vou deixar de brincar com a eternidade - não vou.
Mesmo sabendo que posso morrer amanhã, porra.
Ah, não. Nunca viste um poema puto bruto?
Este aqui nasce cansado: calado pelo desespero mudo

Dessas coisas plásticas, cérebros apodrecidos e almas pálidas
Gente cumprindo o ofício para viver três horinhas do dia
Depois de morrer o dia todo
Muita hipocrisia, muita conveniência, pouco encontro

Tudo tão banal...

Eu não vou, não vou mesmo, acreditar que as coisas são o que são.
Tenho um coração e ele bate as não-obviedades: 
Quero ser doida de muitas formas diferentes
Quero ser lembrada por ser gente,  quente, presente.

Por realmente enlaçar minha alma aonde tocar meus abraços...

Quero ser ignorada pelos que se acham poderosos, pois eu sou frágil:
Muito frágil e quebrável. Mas, muito capaz de recompor...
Quero passar batida para quem pratica o desvio da conduta
E depois se exime da autorresponsabilidade da ação

Pois a gente é comunhão entre quem acredita ser e o que é, de verdade...
Por isso, me conta, na realidade: Do que tu és capaz?

Quero conquistar minha paz no poder do gesto, dos elos
Conformar meu coração e desacostumar de todo resto:
Eu não preciso aprender isso.
Não preciso.

Não vou.

Nunca fui assim tão civilizada, sempre andei meio deslocada
À procura dos meus iguais...e eles existem (Que alívio!)
Ainda não sei do que são feitas as nuvens ou se a humanidade conheceu a lua
De verdade

E sei que os canalhas já nem pensam nisso! Pois sobrevivem do que lhes convém
(E tudo bem...cada um leva da vida, afinal, o agridoce do que lhe retém)

O que me busco é simples e audacioso - Ainda que discreto!
Nesse gigante grão do espaço sideral onde guerreiam 8 bilhões de corações
Entre a vida e o frio do concreto tão direto
Ah!Quero viver, ouvir e ver acontecer

histórias de amor...!


#

.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Toda poesia

 



Olho a tarde cair
até mesmo a natureza cai,
o dia vai, a gente é assim…
s´tá sempre findando um pouquinho. 

A vida não é ideal
e apesar disso, ainda é lindo
sorrir, pendurar poemas no varal
fazer alguma coisa a mais
Que apenas respirar. 

Regar, ainda que aos pouquinhos
desenhar as páginas pálidas do cotidiano
sustentar os ganhos, os planos, os sonhos
pacientemente acreditar na estrada.

É isso: Acreditar na estrada e ser doce! 

Por isso a fé,
os olhos voltados para o céu azul, o sol
por isso o jardim, o arco-íris, as lavadeiras
por isso, toda a poesia – é teimosia.

Só teimosia boa… 

Por isso as linhas que falam em amor,
palavras feito: bênção, quintal, flor e magia
delicadeza, beleza, alegria…
é teimosia, só teimosia

é só vontade de acreditar
(Na vida)

 #

Poesia é casa. Estar nela é estar no lar. Daí a imagem.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Mágica e métrica!

 


Desde criança, olho o céu
Vejo na vida a beleza da magia
sempre soube que as nuvens não eram de algodão!
Mesmo assim, a cada dia,
Inspiro e sinto o gosto adocicado do céu

Do azul entremeado às pequenas alegrias…

Sou assim: realidade, clareza
Permeada da luz do lado bom
Sem esquecer minha própria escuridão
Afinal, somos imperfeitas dualidades:
Cristais que exalam a luz que recebem

E acolhem (im)próprias tempestades…

Agradeço a experiência de existir:  não esqueço detalhes preciosos
Rir em conjunto ou reverenciar a maré, a cor do sol quando vai
Pequenos elos de delicadeza
Entre nós, o criador e a tarde que cai…

Confesso:
Acho que há um pote de mel
Depois do arco-íris
Afinal, que graça teria?
Não pensar, sonhar e ver
O leve colorido dos dias…

A vida sem a arte do belo
Seria apenas encontro com a brutalidade
 E desta deselegância do existir, é preciso bem se proteger 
Sem fazer disto a própria realidade:
eis a mágica e a métrica de ‘ser’.

Ainda acredito em fadas!
Sentimentos bons, ternura!
Em bruxas, magias, divindades, duendes
Na força poderosa da palavra
No elo sagrado de ser gente…

Também não desacredito no avesso:
Paralelas…desencantos e desencontros... 
Mas insisto na reza do poeta
Que diz que a vida ‘é a arte do encontro’.
 
#
 


Pimenta de Cheiro!

 



 Eu não caberia no teu olhar
Minha alma é quente, Setentrional
Interestelar!
Originária, quântica, verdade que
brota nascente

Eu trago a carne viva
E o peito quente

Não vais conseguir me dizer
O tom que me recai melhor
A natureza fala
e sua língua
Sei de cor

Não vou vestir a capa
Que te recai tão bem
Sou filha da lua
O amazonas me tem

Não adianta pedir
A mudança dos meus cabelos
Filha de tupã
Reconheço a mentira pelo cheiro

Sincrética, híbrida: natural
A moda é parte da cultura - e não seu curto avesso
O seu olhar de desdém não me afeta
Tu não tens (esse) tempero

Eu sou mata, flor, ipê
Lavadeira nascida em solo de concreto
Bruxa e curandeira, Pomba-gira, Matinta,
Pimenta de cheiro!

                                                                                #

*Este poema foi feito para o tanto que as mulheres do norte são tidas como 'temperadas'.

Porque nós...somos mesmo. MUITO. :)

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Ausência Calma


 Uma ausência calma
Um adeus tão manso quanto um domingo
Risco as linhas da poesia e, entre os risos do dia,
Não tem mais teu nome preso na minha língua...

"Suave coisa nenhuma" - ecoa nos recantos escondidos de mim...

Desisto de entender. Desisto.

A clara-luz-do-dia convida a viver...e eu vou
Sabedora que as estradas são o impulso da direção
Guardo teu beijo no coração
Deixo a memória de nós dois em paz

"...e ficamos suspensos/ Perdidos no Espaço...''

Quem diria que algo tão doce teria por epílogo essas canções?
Quem explica nossas emoções?
Quem as escolhe?
E as ondas do amazonas recolhem e levam o teu nome...


#


*De 26.04.2026, republicado, pois acessado no 'agora'.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Adeus!

 



À beira do adeus
O silêncio faz sua melhor arte: move as ondas do mar, ajusta a luz da lua
Deixa de traduzir o intraduzível e replicar o que não repete: 
Conforma a casa toda bagunçada e a arte de recolocar tudo no lugar
Reconduzir de volta pro lar a a própria emoção...
À beira da beira do adeus:  Apenas o vão entre mãos
Que entrelaçaram confusamente  suas confusas mentes
O último adeus, o último poema:
A corda apertada e o absoluto nada
O silêncio de uma alma absolutamente calada:
O último degrau da escada: 

Nem verso, 
                                                      nem canção, 

                                                                                                                nem possibilidade.

#


Cansei de dizer não para meu coração



Nem sempre dá para ser assim tão sensata
às vezes, a alma é inconclusiva e visceral
A pele tem memórias exatas, é tão passional
E puxa uma vontade imperiosa, abstrata

Apenas manda e exala: Um querer.

A gente se puxa de volta, quase  involuntário
Laço que se puxa e se repele: um sentir, duas peles
Que se reconhecem pelo tempo inexato e pela voltagem
... Vontades são mesmo inadiáveis ?

O tempo do relógio não é o tempo da emoção...

- E o coração colocou a razão para dormir, só agora, quem sabe uma última vez... -

Que confusão: 

Dois quereres sem tanta direção não sabem como se querer
Como dizer a palavra, a curva que se entrelaça, 
Um algo qualquer que encaixe esse quebra-cabeças caduco!
Uma noite insone, uma respiração: tu me chamas
E eu cansei de dizer não para meu coração...




#

Poema bemmm fresquinho, neste aluanaodorme. Bom dia, dia!

Para minhas menininhas! (Ana e Ju)

Eu desejo...
Que o teu encontro com o tempo
Seja o de crescimento...interior!
E que o verbo que mais conjugues seja 'amor'
Ainda que a vida, teimosamente
às vezes queime algumas verdades,
Dissolvendo o que era pedra por dentro.

Quando isso acontecer,
Fique quieta. Sinta o vento...

Eu desejo...
Que teus sonhos de menina
Sejam parte dos valores que a mulher carrega
Que tu não deixes de ser crédula e piegas
E que não perca o sentido de sentir,
Pois viemos para cá para isso: Partilhar a maravilhosa existência.
Ainda que a dor, às vezes venha te visitar.

Quando isso acontecer,
Chore. A água levará...

Eu desejo...
Estar perto para te lembrar quem és
E te incentivar a não desistir ao sabor das marés
Para que não esqueças que a fibra do barco
é que comanda o rumo
Então acerte o prumo 
E prossiga. Ainda que às vezes duvide da vida...

E quando isso acontecer,
Não durma. Contemple a mensagem do amanhecer...

Eu desejo...
Que a tua matéria tenha sabores o suficiente
Mas que não deixes de olhar toda a gente
Pelas múltiplas cores que possuem por dentro
E que só deixes aconchegar quem te agrega essência, pois somos matéria rara...
Mesmo que, às vezes, isso te cause algum isolamento
E deixe no peito uma certa dormência,

Quando isso acontecer,
Me abrace. Só o amor reconstrói as puras crenças...#




Para minha Ana e Minha Julia, feito em 2013. 
Estava sem foto da Ana, vou procurar uma, para reeditar.

*Republicado de 30.10.2013, pois acessado AGORA. :)





domingo, 2 de agosto de 2026

Uma canção melhor!

 Talvez seja preciso ir lá fora:
Olhar o céu, as águas, as pessoas
Tocar os pés no chão, descalça...
 e caminhar!

Tirar o coração da estante empoeirada
Onde deixei guardada
A minha emoção...

Quem sabe tenha chegado a hora
De deixar a vida dizer o que virá
Pois que surpresa pode dar de acontecer
Se a gente acreditar na magia poderosa do Universo?

Dizem que a gente atrai pra perto o que a gente é...
(Cuide do seu coração e coopere)

Talvez ainda exista - Quem poderá dizer?
Alguma coisa realmente rara, realmente válida
Imperfeitamente cálida...capaz de nos mover
Talvez possa acontecer: contigo, comigo...

QUEM SABE?

Todo sopro de emoção é um progresso
Nestes tempos estranhos de gente mais estranha ainda
Que tenta fazer do gostar uma matemática de obviedades
E protege mais o coração do que a própria pele

Como se isso pudesse fazer qualquer sentido...

Mas, o que faz sentido? - Também a paixão é ilógica
Deixa a gente meio idiota, desnorteado em pleno equador...

E talvez  esse cão dos infernos só apareça nas horas inapropriadas 
Depois, fica arranhando a cuca, deixa a gente meio maluca
Incomoda, pede espaço...ou vai embora, se enxerga corações covardes.
Sem tanto alarde.  Só arruma e vai.

Mas, talvez, não seja só isso que temos para contar.
Talvez a gente possa dar de cantar
Uma canção melhor...

Talvez ainda exista - Quem poderá dizer?
Alguma coisa realmente rara, realmente válida
Imperfeitamente cálida...capaz de nos mover
Talvez possa acontecer: contigo, comigo...



#

Ode às Imperfeições

Ode às imperfeições:

As minhas, as tuas: 
Encontros, desencontros
Nós é que somos as estações
Aqui nos céus do equador...

Gosto dos teus olhos
Mais do que deveria
E gosto que tu não entendas nada de poesia
Nem esquadrinhe meus espaços para me perceber...

Fico mais imperfeita, natural demais
E acho que me sinto tão normal nesse formato
Sem tirar a roupa da minha emoção a cada linha
Tão eu, sem precisar das palavras para te alcançar...

Acho bom que tu não fales de filosofia
Nem reverbere tua politização com as últimas do noticiário
às vezes, isso tudo é cansativo
a mente fica meio presa nesse looping, feito planta de aquário

Ninguém é espelho e nem precisa ser para afagar
Nenhuma métrica é idêntica, a vida pode acomodar
O vento que sopra suas verdades
 Põe as coisas no lugar....

Sinto saudades da tua presença que não pesa
Da tua leveza que não é nada lesa
Pois, lindeza, a gente aprende tarde como é arte
Estar tão confortável com a respiração de alguém...

Ode às imperfeições:

E às coisas que vão porque têm de ir...




#



Republicado de 23.03 e acessado agorinha. 

:)

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Paixão! (2)



Não te mandar embora e me afastar
Quando tu fores um idiota
Para te espaço para reparar
A imprecisão do desajuste

Aprender teu tempero favorito
E fazer bonito nossos dias comuns...

Te pedir paciência com a minha elegância indiscreta
E a  piração no humor
Ouvir tuas canções, teu riso
Dividir o macarrão p´ra dois
Dar tempo...para o tempo se vestir de nós!

Sentir teu cheiro, sentir tua pele
Te esperar se ajeitar um pouco, tentação!
Sentir bater teu coração
Bem debaixo do meu ouvido...

Isso tudo é dizer sem palavras
O quão gosto de ti...

#


*Republicado, pois acessado 'agora'. Eu adoro quando um poema fura a bolha e fica mais tempo na listagem de acessos...é tolo dizer, mas sério, é tão bacana saber que outras pessoas  identificam um algo qualquer, dentro de si, em um poema. 

LUZ!


Amnésia!

                               


Esqueça
Aquele poema matinal
Aquele tempo é para o hoje irreal:
Viver é deixar morrer - eis a ambiguidade.

A vida, tão escrita e tão escrevinhada
É feita a traços finos de giz
Mesmo o mais imenso sol amarelo
Derrete sob as águas do agora...

14 de Maio de 2024: é precioso e raro
Nunca mais virá....

E  o mundo é cheio de coisas bonitas
As mais belas declarações de amor são escritas
E ainda existem crianças correndo
Em algum lugar chamado 'felicidade'...

Tudo que é de verdade está aqui: é um milagre!
Trilhões de células cooperando para o todo
E assim, dou de acordar em meio a um mar in blue
E de ver, sei e sinto que tudo é melhor do que jamais imaginei...

Por isso,

Hoje gosto tanto da palavra 'esquecer'  quanto 'recordar'
Acredito que a inocência reside nessa estranha ambiguidade
E ninguém é criança de verdade
Sem entender dessa peculiar mistura...

É uma dádiva perder espaços da recordação!
Ainda  mais   quando se adoece do coração
Pois, até mesmo o poema reconhece a razão
Própria do ato da impropriedade: 

 Liberta-se o fato da memória inglória: 
Que segue pura e assim repousa a história... 

Então:
Goodbye, Norma Jean!
Por favor, entenda. Ou perdoe, se puder...
Adeus, Diana! Por favor, descansa.

Cheguem novos contos, outros pontos
...conexões!
Pois é certo que nada é tão dissociado
Somos a partitura e o som da canção...

Afinal, convenhamos - com boas doses de ironia, 
já que nunca conviemos em nada - 
Tudo pode acontecer, menos a repetição da palavra
Viver não é sobre eterno repeat de página

E Caetano canta sob todos os espaços da sala
Que a  '' a novidade veio dar a praia...''

E assim, até os céus já sabem  e anunciam!
Que,  na perfeita metáfora dita desde Heráclito
Nunca é o mesmo sangue que passa...
- nem a mesma poesia.

E dito isso, nasce um novo coração...


Diz-se, na obra 'O brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças''..." Abençoados os que esquecem, porque aproveitam até mesmo seus equívocos". O autor é  Friedrich Nietzsche, na obra 'Além do bem e do mal'.

E assim, esse poema nasce de reler um artigo científico sobre o direito ao esquecimento e associá-lo '.ao filme....e de pensar em cada coisinha da nossa história que merece o bom e velho esquecimento como uma forma de redenção do tempo.

A vida é tão colorida, artística, bela e irrepetível - sob pena de se tornar 'ordinária'.

P.s:Depois eu respondo a mim sobre a importância dos clássicos e da memória para a constituição da identidade. :)

*Poeminha de 2024, republicado, pois acessado 'agora.

Lembrança

 

Vem quando não quero, feito brisa
Um nome parecido, um verbo que alguém diz, uma palavra
Vem quando o universo decide por te distinguir...
Chega no meio de uma reunião, de um poema
Vem, depois de eu te pedir  p´ra partir de mim e voei
Voltei melhor, meu bem, eu sei:
Os ventos calmos e as marés ensinam. Isso é bom. 
Existir é mágico, mas é preciso escolher como viver:
Acolher e imaginar a vida como gostamos de sentir e nos sentir
Pensar no segundo como um projeto em composição
A vida, afinal, é isso: um quebra-cabeças delicado 
Que montamos lentamente a imagem e a percepção
Mesmo assim, tu vens, tentação:
Quando acho chato um riso ou opinião
Quando te vejo distante, em meio a uma multidão
Ah...como é feia a comparação...
Vem no entremeio, quando me distraio
De qualquer coisa e de nada, no meio de uma piada
Vem macio e depois vai...sem eu nem perceber
...A lembrança do teu cheiro e de você
 (ah! Contradição do não-querer)

Contradição do não-querer...

#

*Republicado, pois acessado agorinha.

Vocês sabem que este poema faz parte de uma sessão, né?...'mãos'.
É acessadíssimo, como 'agora'.
E eu gosto tanto dele.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Fogo na Chuva

 A chuva também queima
O gelo também adoça
O fogo pode congelar
ah! -  Névoas sob meus olhos embaçam poemas  de outrora- 

Pois já não leio teu nome no bater do meu coração no correr dos dias...

Eu ateei fogo à chuva e pus o coração para dormir 60 anos ou... 60 dias?
Descansar de sentir... sem ti
No entremeio, fiz poesia como quem bebe uma garrafa de whiskey à meia noite
Perdida às madrugadas, pelos botecos da lua

Trôpega e sem sentido: é, eu também nunca mais fui a mesma...

Mas quem quer ser igual ao instante passado? 
Que imprudência: inocência vã ou pura tolice.
Entornar o cálice da existência real é aceitar 
Que  o leite pode derramar 

(a vida pode te foder, às vezes, colega: engole o néctar )

Afinal, depois de um tempo,
 A chuva também queima
O gelo também adoça
E o fogo pode congelar:

E a gente é um tipo de maluco qualquer que dança sob os destroços
De algum lugar chamado passado.

#




#


E, sem parecer clichê
"O hoje é uma dádiva, por isso se chama ...''

*Republicado por ser, de longe, um dos poemas mais acessados do aluanaodorme esse mês.

Descobrir


Moço,

Eu não preciso que corras atrás de mim
Em um aeroporto
Nem que sejas meu porto:
Eu me navego bem, voo feliz
E, por um triz, quase não pouso.

Mas eu quero as bobices da partilha
Conhecer a trilha
Que te embala, nas tardes quentes e madrugadas
Sem tudo ou nada: 

Devagar e mansamente, calma...

Eu não preciso de tempo para que a turma do outro bairro
Veja e saiba se te quero
Constrói comigo a nau e navega
Vamos brincar com essa aventura chamada emoção
E só se for bom para dois,

Eu te espero...

Pois já me bagunço toda só de te deixar entrar
Já gosto da tua pele, teu sorriso aberto
E até já brinco de poesia
Porque estás aqui...

(Penso em te deixar ficar e  a gente se descobrir...)


#

Hahahahahah. A construção deste poema foi tão feliz! Brinquei com 'Caju', da Liniker, com "Coração Selvagem'', do Bel e 'Você me bagunça'', do Teatro Mágico.

*Republicado de Dezembro de 2025, pois acessado. Faz parte da sessão das mãos, por isso acresci a imagem.

Akai Ito



Mentes desalinhadas
Desajustam corações afins
- É uma pena...

Ainda bem que o poema
Tal como o fio invisível do 'está escrito'
Sabe mais que nós...

E assim, Akai Ito ou..."Maktub": 
'Está escrito, ou, tinha que acontecer'
Dos encontros e desencontros:
Aprender...desaprender...

Descobrir! Deixar sentir. 
Leve, borboletas no estômago:
Dançar. Viver
Fluir...

Mas, afinal, existe paixão sem isso?
Sem a fina pele, a fragilidade, o risco?
O medo e a audácia de sentir? 

Não adormecer, arrepiar, entusiasmar de verdade:
Afinal, existe poema sem coragem? 
- E  tu sabes,Poeta, coragem
É sempre o coração em ação...

Por isso e por tudo o mais:
Quebre os grilhões dos medos, 
Dê adeus à dor
Diga olá ao desconhecido!

Ou, ao re-conhecido
Elos de afeto:  
É sempre amor.


#

Fiz este poema em 27.03.2024,  para um casal de amigos, que segue na beleza da tentativa/ encontro. O poema está republicado com a música que ela escolheu. 
Porque eles se escolhem, eles teimam em se escolher.

Guardem esse segredinho comigo, tá? :)

*Todos os poemas com mãos foram reacessados e estão nos 'acessos de agora'.
Que fofo.