terça-feira, 11 de agosto de 2026

Causas Perdidas! (Em homenagem ao dia do Advogado e do Estudante)

Eu ADORO vencer e trago um histórico bom neste quesito, na campo em que atuo, que é a minha paixão na advocacia. Quando criança, meu pai-professor dizia: é para aquele aluno mais filho da mãe, aquele que testa meu emocional, que vão minhas maiores preces. Confesso, demorei a compreender. Como poderia o pior receber o melhor do meu pai?

Mas, a primeira vez  que entrei em uma sala de aula como professora, percebi que eram aqueles mais complexos e que mais dependiam de mim, que iam meus maiores esforços. Ô, Pai...obrigada.   Na advocacia, algo igual aconteceu: fiz do meu maior pesadelo pessoal a potência do cuidado na atividade. Isso singulariza a gente: a paixão, a preocupação. A manutenção da humanidade.

Minhas causas mais apaixonantes são justamente aquelas que dependem do estremo  esforço. Não, não quer dizer que dou atenção diferenciada, mas, decerto que aquelas são as causas que mais afetam minha emoção. 'Advogar´é vestir a pele do outro, mesmo porque ad - vogado, etimologicamente, já nos recorda que é alguém que recebeu a outorga da voz.  Que honra.

Que honra poder ser a companhia eleita para a luta da vida de alguém. E também, que responsabilidade.  Por isso, acredito que o melhor profissional precisa ser uma boa pessoa. Fora disso, a técnica vira ambição sem medida. Isso desumaniza, afasta a criatividade e torna tudo mecânico. 

Aliás, quântico que é, o Direito é feito de uma soma infinda de coisas - e sobram teorias acerca de sua densa matéria. Gosto de pensar na poesia do Prof. Goffredo Telles Jr, que diz que o Direito é quântico...na poética do Prof. Willias Santiago Guerra Filho...naqueles que leem a beleza que deve residir na estética do direito...e em suas substâncias.

Não à toa, tantos advogados foram e são...POETAS. 

Justamente por isso, hoje, quero falar daquilo que nenhum advogado gosta: AS CAUSAS PERDIDAS. Aquelas que, na última instância, não encontraram a guarida da justiça e que podem representar não a vergonha do profissional - que deu seu sangue e sua técnica. Mas, muitas vezes, a falência das matrizes das nossas diretrizes normativas.

Quero falar das operações policiais midiáticas, que reforçam a ideia de revanchismo social. Das decisões e condenações sem rastro do devido processo legal, tão necessário à segurança jurídica. Da violência que é aplaudida por mim, por ti, quando achamos que o Estado é nosso 'vingador'...e do perigo de esquecermos da bondade que mora dentro da palavra...JUSTIÇA.

Quando as pessoas se tornam lobos revertidos de cordeiros, a engolir os seus. É nessas horas que a harmonia do universo se desequilibra. Quando a Lei deixa de ser meio para o Justo e vira animal a engolir sua própria pele. É nessas horas que dói ser advogado. 

Assim, as causas perdidas viram impulso. Que tipo de gente eu quero continuar a ser? Que tipo de mundo quero construir? ...é: Advogar sem se incomodar com isso é mecanicismo e capitalismo selvagem. Aquilo que Chaplin chamou de 'Homens-máquina'.

Lutar as causas ganhas é uma grande satisfação. Uma realização profissional, uma entrega do 'belo' à vida de alguém. Mas, seguir pelas causas perdidas é obrigação para com o Estado Democrático de Direito. Sabe aquele quebra-cabeça complicado, que desencaixado, perde todo o sentido? 

A nossa missão aqui, envolve falar nisso. No encaixe de padrões à vida real. Na humanidade que reside dentro de cada história, de cada singular pessoa, sob os cuidados dessa 'matrix'. 

Quixote tinha bons companheiros, feitos de sonhos. Mas também de aspirações reais e defeitos, de medos e imperfeitas tentativas.  Tinha também a jornada, a ser realizada passo a passo, mesmo quando nem sempre a coragem lhe era o maior atributo, mas apenas o impulso amedrontado da procura...

...Leva tempo, muito tempo...para a gente entender a potência, o significado e a matriz da missão. E a olhar para isso com maturidade e ternura. Sigo aprendiz.



#

*Pai, obrigada por me ensinar o amor às causas perdidas.


Nenhum comentário:

Postar um comentário