Eu não vou deixar de brincar com a eternidade - não vou.
Mesmo sabendo que posso morrer amanhã, porra.
Ah, não. Nunca viste um poema puto bruto?
Este aqui nasce cansado: calado pelo desespero mudo
Dessas coisas plásticas, cérebros apodrecidos e almas pálidas
Gente cumprindo o ofício para viver três horinhas do dia
Depois de morrer o dia todo
Muita hipocrisia, muita conveniência, pouco encontro
Tudo tão banal...
Eu não vou, não vou mesmo, acreditar que as coisas são o que são.
Tenho um coração e ele bate as não-obviedades:
Quero ser doida de muitas formas diferentes
Quero ser lembrada por ser gente, quente, presente.
Por realmente enlaçar minha alma aonde tocar meus abraços...
Quero ser ignorada pelos que se acham poderosos, pois eu sou frágil:
Muito frágil e quebrável. Mas, muito capaz de recompor...
Quero passar batida para quem pratica o desvio da conduta
E depois se exime da autorresponsabilidade da ação
Pois a gente é comunhão entre quem acredita ser e o que é, de verdade...
Por isso, me conta, na realidade: Do que tu és capaz?
Quero conquistar minha paz no poder do gesto, dos elos
Conformar meu coração e desacostumar de todo resto:
Eu não preciso aprender isso.
Não preciso.
Não vou.
Nunca fui assim tão civilizada, sempre andei meio deslocada
À procura dos meus iguais...e eles existem (Que alívio!)
Ainda não sei do que são feitas as nuvens ou se a humanidade conheceu a lua
De verdade
E sei que os canalhas já nem pensam nisso! Pois sobrevivem do que lhes convém
(E tudo bem...cada um leva da vida, afinal, o agridoce do que lhe retém)
O que me busco é simples e audacioso - Ainda que discreto!
Nesse gigante grão do espaço sideral onde guerreiam 8 bilhões de corações
Entre a vida e o frio do concreto tão direto
Ah!Quero viver, ouvir e ver acontecer
histórias de amor...!
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