segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Quase uma Oração




 Desculpe meu tempo
tudo em mim pede calma
Meu ritmo é lento...
Manso, feito uma valsa

Me chame para dançar a dois
Deixa eu te contar aos poucos
O que sei quem sou
quiçá, um segredo ou dois...

Fala apenas o que quiser de ti,
No final, não somos nossas palavras
E talvez, nem somos tudo que aconteceu
A efemeridade nos alcança de um modo tal...

A gente se aprende aos poucos, afinal.

Fica por perto 
Deixa que o vento balance as flores no quintal 
é raro encontrar alguém que alma reconheça
Dentro de uma imprópria geografia interna:  Sim, nós somos casas

(E com o passar dos anos, a gente fica meio mal assombrada
Cheia de luzes e escuridões que demandam  uma paciência danada...)

Deixa eu te mostrar um pouco de minhas sombras...
Minha autodefesa ataca, saiba: eu também jogar
Desisti de ser assim tão pura...foi preciso
Aprender a ser meu próprio lar...

Mas também sou bordada de milagres e detalhes
Um multiverso colorido, de casinha na árvore a trevas
Lágrimas ou inferno: De Cecília a Bocage
E sei fazer um inverso inteiro derreter...

Não me procure: Me encontre, depois das seis
Vamos fazer uma máquina de amanheceres 
Inventar o romance, 
Descobrir nossa própria forma de ser dois

E o que vier depois...

Cansada de contos de fadas,
criei outras alternativas,
Um mundo feito de verdade:
Com bons goles de poesia!

#

 Acho que isso é quase uma oração, no mês das bruxas.
<3

Desordem

 




Vasto mundo,
Eu não te sei.
Não consigo!
Quanto mais sigo, entre passos e livros,
Emoções e sensações,
É tudo vário, de pouco em pouco, me percebo:
Nada é e nem está: o tempo é precário...

A flor é alimento para beija-flor
E nada para o burocrata.
O céu é poesia, teto de quem construiu o mundo
E para quem constrói arranha-céus
É meta de um mistério nada profundo.
Vasto, muito vasto mundo, eu não te sei.

A roda gira...e o giro roda...

Brutus traiu César – antes, era uma esperança
Caim matou Abel – e a Deus ele conhecia...
A vida não é exata, mundo, vasto, eu não te sei
Aprendo regras que se movem
A critério do jogador 
Quando mais duro o tabuleiro: menos amor ...

(Ainda bem que a vida não é round 6! )

Mesmo as palavras, as mais poéticas ou  exatas
Podem ser enredo... ou enlace
Códigos são nada para quem não está sob a mesma Nau - Leviatã
tudo é delírio, força conjunta, ou ato individual
E nada está exatamente descrito: não há bula
Um conselho é a própria Contraindicação!

(Segura o peito, aguenta a indigestão)
 
Vasto mundo, eu não te sei: 
Não inventei a roda! Não criei a poesia!
Nada sei sobre aritmética e desconheço a geografia.
Ignoro vertentes da minha própria história
Da ancestralidade à língua.
Vivo de procurar e aprender
Descobertas que me deixaram rouca....

Perdão, uma pausa: estou tonta.

O consolo da teoria do Caos
é que a desordem pode ser a essência do Progresso
 ( e mesmo isso pode ser só consolo do perdedor)
Eu não sei jogar, me sagre, mundo:
Um fiel - por isso mesmo - bom perdedor...

E ainda assim, digo ao peito:
Não conforma aonde for pouco, que amor é coisa para muito
Nem todo mundo sabe ser...ou partilhar
Nem todo mundo tem o que dividir...
E o progresso é caminhar.

Um porto só é porto quando se vai par ao Lar
Nem todo ponto de parada é mesma coisa que chegar
No mais, são horas apenas retiradas, vida que vai - e acredite: tudo volta.
Enquanto isso, alma: Viaja!...abre portas.
Aprende, tudo é experiência de existir
Ainda ontem, no espelho vi a minha primeira casa:
 
Par de asas!

Vai que - por sorte ou desordem
Continentes se reencontrem no horizontes: 
Vasto mundo, surpreenda!
A fé é coisa de bobos e loucos:
Me sagre sua fiel interna, louca de pedra
Afinal, besteira mesmo, é em tão vasto mundo

Desaprender de se ser.

- Sigo sendo, em plena desordem
E sempre 'pago para ver'.... - 

#

Fiz essa poesia baseada em alguns meses e descobertas. Talvez essa tenha sido a maior poesia com aspectos de concretista e marginal que gostei de fazer no último ano e ela fala muito do que tenho aprendido sobre ser gente ...e saber que não se está aqui para saber, mas para progredir na desordem aleatória desse universo, cooperar, aprender que perder de espertos ou em regras inexatas é uma dádiva, e criar a vida de um jeito que se possa descobrir, partilhar e multiplicar...FELICIDADE! que se constrói com paz e aceitação daquilo que é nosso e do que é externo - esse mundo, que de tão gigante dentro de nós e do outro, é inalcançável. Vamos viver com as portas se abrem e deixar o vento arejar a desordem...progredir e progredir...Sorrir e descobrir nossos iguais e nossos desiguais...aceitar despedidas e promover novas chegadas...é isso...




terça-feira, 19 de setembro de 2023

Natureza Viva

 Dentro, o que somos
Afora, o que vida é
O interior do outro nos atinge, às vezes
Feito um furação!

Nessas horas, 
Ainda bem, que eu sou vento do Amazonas
Quente e natural, Forte e perseverante
Movo e desenho horizontes...

Não se surpreenda com meu som
Menos ainda com meu silêncio
Na preamar a gente aprende a dançar
E na vazante a importância de se recolher sem alarde...

Afinal, a vida colhe sua própria lógica...
Todos colhemos, isso não é um conforto
É a lei do universo
Que tem o seu impróprio tempo.

Então...

Enquanto o segundo balança as folhas, eu me movo.
Curvo esquinas, percebo o espaço
Aprendo enfim as regras do jogo
É que, de tão distraída

Já me perdi em palavras confundidas...

Mas, afinal, é tudo questão de base
Ter um travesseiro leve, o coração inteiro
Ainda é minha prioridade
Afinal, no pisar dos ovos, tudo faz parte

E é tudo presente...
Mesmo quando a gente nem nota
O vento que faz a curva...dança, gira o mundo
e volta...

O eterno retorno existe!
É fato, já disse Nietzsche
Que aprendi a escrever nesse poema
Mas entender,

Vai levar mais alguns temas...

No meio de tanta incompreensão existencial
Ainda bem que existe Rubem
Para falar da poesia da pétala
Da beleza da leveza

A gente reconstitui FELICIDADE
Em cada pequena sutileza....
Eu, natureza viva
Sempre a regar mais de mim

Dentro de um mundo gigante
Um círculo sem fim...!

1,2,3,4...




Luz e paz na caminhada! <3 

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Audi Altera Partem

 



Aprendo o silêncio
De me ouvir
Aos poucos:

Silencio a plateia
E me dou espaço para perceber
Alma, coração: como as ondas do amazonas
tudo tem hora para expandir...ou recolher...

Aprendo meu espaço por tatear
Já não procuro tantos mapas
E sei menos do dicionário a cada dia:
Ressignifico palavras a partir do 'perceber'...

Confio mais em mim,
No que vejo, sinto e sou
Afinal, gosto do 'eu' ao espelho interno
A outra parte que me conta o mundo pacientemente...

Longe ou perto
Sigo associada de 'mim'
Esse mundo que me habita
- Entre o eu e o jardim.

Descanso, finalmente.
Pois, foi longa a procura até chegar em casa
Depois de uma - ou duas - quedas
A gente até duvida que tem asas...

Das décadas passadas
trago o agora que me fez confiar neste lar que me habita
Meu corpo-casa, 
De onde nasce a primeira verdadeira parceria

Aprendi a desistir do que não é bom p´ra mim
Afinal, a beleza está no que me alcança em 'graça'
Pois a palavra diz que tudo que vem de Deus
É feito de leveza e paz  - o espírito da perfeita sabedoria

E assim, persisto apenas na bondade,
- Na fé, no riso e na alegria!

#


Feito de levezas, costuro com delicadeza, o instante... <3 

domingo, 30 de julho de 2023

Identidade



Escrita banhada dos ventos do Amazonas, aos domingos
Revoada de borboletas amarelas na estrada Santana/Macapá
Aqui, acolá...quente como o paraíso Equatorial
Água doce em abundância, temperada com pimenta e sal
 
Escrita livre, paixão descoberta às margens do Araguari
Entre um poeta e um pescador
Um pássaro, umas flores e um jardim de amor
Todo bagunçado pelas intempéries da existência...
 
Raiz forte, resistente – resiliente
Gente moldada na lição de descobrir alegria
Do que não gostaria que me  tivesse acontecido
E com o que posso fazer entre um poema, um livro e um filho!
Aprendo um jeito melhor de bem-amar – por pura teimosia...
 
Existem alegrias que eu não sabia que existiam, sabia?
Algum tipo de magia que só se acha na simplicidade
Dias amenos para serem mais no corpo e na mente
E assim, aos poucos, mais e mais pessoa(s),
 
Carne que verdadeiramente poetisa, ama, cura, sara e sente.

terça-feira, 25 de julho de 2023

Busca-Vida!

 " Se não abre, não é a sua porta "



Passa o vento que sopra
Sacode as cortinas, as plantas da horta
Meu olhar dança
com a vida que se movimenta...
E eu me movo: borboleta!
Céu, peixes, terra, estrela
Sou um pedaço disso tudo
Que sente e vibra a força do mundo...
E eu sou amor, que pousa,
toca leve, acaricia,
Vai e fica, torna e transforma
Vida que movimenta e toca...
Chego aonde posso ser e estar
Eu abro as asas, danço com o ar
E sinto que entre e o céu azul e a flor
Tudo é sinal, movimento e cor...

Eu sou a lagarta
Que demorou a sair do casulo
Afinal, mesmo o mais apertado lugar
Pode ser confundido com lar...

Eu sou a vida que vai
Na esperança das curvas da estrada
Amar e criar elos confortáveis
Estar aonde possa rir

Eu sou alguém que aprendeu a seguir...

#


E para quem, como eu, bem-chegou em si... e bem quer estar aonde for bom e confortável pousar: LUZ!

terça-feira, 18 de julho de 2023

Decifra-me!




 Baby,  eu posso te contar
mil maneiras de me amar:
De que nos adiantaria?

Posso formular
Racionalizar todas as canções para nós dois
- Mas, 
Será que a gente dançaria?

Não há matemática para o amor, baby
Nem tanta filosofia
É uma espécie de encaixe, um calor que nos sobe
- Um pecado que desce direto dos céus...

Baby, eu posso te ensinar
Meus caminhos... só pra tu me ver passar
Podemos estar na mesma rua e sob a mesma lua
- E ainda assim,  não estar nua.

Não é de filosofia que o amor se forma, Baby
Porém também não é de além
É simples e complexo,  suave e denso
E se eu precisar te explicar,

 - Nem vem - 

Mas, se vier, vem sem dicionário
Sem ciência ou itinerário
Descobre...desvenda...pouco a pouco 
O mistério da sessão coruja, 

Vem sem filtro,
Que o amor...ah! o amor lambuja
É coisa limpa e suja
É (im)próprio para menores e (im)próprio para dois

A gente tem tanto medo de ir além...- Mas, não vive sem.


#



segunda-feira, 17 de julho de 2023

Ato Inaugural





 É de corte
É de plantio
É de água, terra e ar
Veja, meu bem:

A vida nasce sempre 
De um ato inaugural iluminado e prazeroso
No calor e liquidez
A semente vira fruto vigoroso...

Então, não esqueças, meu bem
De ser feliz no agora
Quando a chuva vem e traz esse vento molhado
Esse tempo equatorial tão amado

Esse cheiro de Amazonas
Que só os filhos do rio sabem sentir...
Caminha, progride, 
Avança ou...aquieta e conforta:  

Lembra que somos animais sentimentais
Em tempos de alucinada (des) associação
Liquidamente modernos,
Com instintos seculares

...De tempo a sangue: 
Somos mesmo tão vorazes por alguma emoção...

Mas, 
Não percas o sentido disso aqui:
Ou corres o risco de viver em pleno 8o andar
Imerso em (in)existir!

Também não se percas no enredo
Não aches que tudo é risada
Afinal, mesmo alegre,
Chegaste com uma palmada...

Ame, perdoe: Doe!
Nada que arranque teus pedaços 
Apenas multiplique seu amor
Ou diga a - Deus: A(colha) , (re) colha 

Transforme ...

Corra para os seus:
Não são nem as melhores e nem as piores do universo
Nessa etapa, ninguém é super- vilão ou herói
Mas é bom saber com quem contar quando a vida dói...

E se eu pudesse te contar um segredo
Um mistério simples e secular
É que o agora não se repete
Para o bem ou para o mal:  

Isso tudo vai passar...

Viver é anacrônico: O relógio não conta!
Tudo que vale existir está presente desde o ato inaugural
Amor, Paixão, Prazer, movimento e luz!
Liquidez que o Universo reaproveita

Veja: Mesmo teu corpo, meu bem
Veio da poeira de uma antiga estrela...

#

Em algum lugar do Universo desta lua que não dorme, há uma versão politicamente incorreta desse poema.  

:P


LUZ!

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Poemas sobre os tempos (Republicado)


As flores das palavras murchas...Resistem!
pois há sempre há perfume em nós!
Da crença, da poesia, dos dias belos e da ternura - sem armadura!
Mesmo quando o dia cai, cinza e sisudo

 - O coração da poeta hoje é um canto mudo...

Tempos de delicadeza resgatam,
aguardamos chegar...será?
 botas ideológicas pisam em nome de uma falsa glória
de quem não conhece sua própria história...

São tempos difíceis para sonhar, dizia Amélie.
Aqui, o medo é self service do jornaleco sensacionalista do dia
Alheio, o  poema sabe que precisa ser porta voz dos tempos
não é momento de apenas observar...

Sentada na calçada suja de flores que reguei, lembro de meu  pai...

E quando falamos pela primeira vez em bondade
e também sobre a longa lição de honestidade
 como fruto dessa raiz,  coloco para fora
tudo aquilo em que acredito:  Não se preocupe, pai:

 eu RESISTO! Sempre resistirei...

E faço o certo mesmo quando não tem ninguém perto
ou quando é o caminho mais comprido
e o meu gemido, deposito aqui, no chão dos tempos
-Será que o relógio sabe mesmo sarar nossos medos?

E se for porta voz da confirmação de nossas projeções?

E se ter razão for justamente aquilo que nos mata?
Ser pessoa em meio a portas com eira e beira
cuidadosamente enceradas e fechadas.
(guardadas por botas ensanguentadas)

Ter um coração de sangue é um perigo!
Mas nada faz mais sentido do que sentir e tatear a existência
Do que experimentar o sal e o doce de ser gente
estrela cadente...que do carbono, fez matéria e milagre!

Somos uma espécie de arte na galeria do Universo...

Não sei para onde a vela vai soprar o barco da nossa história
mas sei que o movimento é perfume marcado na memória
Sempre foi, sempre será aquilo que mantém o coração de pé:
Amor - verbo intransitivo - coração quente...

e fé!

#

E as desigualdades celebram nossa estupidez...e parece que todo mundo celebra o que desconhece...violência, poder, o engole-cospe vidas se repete
Apesar disso, as flores que resistem aos dias. Vivem de parir a beleza do instante. Depois...fluir...ir.
A missão é aprender com elas. 
A mi
* Este poema foi publicado originalmente em outubro de 2018.

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Excertos Terapêuticos

 Eu não sou perfeita
Não, eu falo palavrão quando corto o dedo
Tenho o lábio torto e o coração bolorento
- Faz século que suas batidas não tocam uma canção...

De tanto ver o que ser pessoa é capaz
Tenho medo...acordo o dia com um pai-nosso
Para perdoar e esquecer
E também para que me proteja de me ser...

Afinal, eu não sou mesmo perfeita
Perdi o medo da luz e da escuridão
Tenho mais medo da bandeira nacional que de cemitérios
E não acredito mais em bicho-papão...

Nas lições de Bel,
 Não mais aceito que me apontem a luz do sol
Pois aprendi que meu coração é um bom farol
O certo é  que me parece coerente e bondosa comigo

 - Afinal, eu também sou gente-

Mas, não quero ferir ninguém deliberadamente
Solto uma a uma as pedras de minhas mãos
Abro espaço para as flores habitarem onde havia feridas
A vida assim é mais leve...mais plural, arejada, bonita...

Hoje  só quero das pessoas o que puderem me dar 
Caminho para chegar onde  for confortável  e feliz - bem- amar...
A casa que habito, enfim, organizou espaços, amores
 perdeu o medo da chuva, recuperou infiltrações

E hoje perde o medo e abre as portas à novas emoções...

#



terça-feira, 20 de junho de 2023

Digressões Inconclusivas sobre o existir



Pinto com giz de amor
As paisagens por onde passei:
Afinal, mesmo aquele espinho mais doído
Me trouxe até aqui.

Quem seria eu?
Quem esse eu seria?
Se não houvesse aquela lágrima
Com que fiz tanta poesia?

(Adeus, Anjo,
Saiba que sinto saudades dos dias iluminados do teu olhar...)

Parece que, afinal
Nunca saberei qual foi a página virada,
A dor produzida, reproduzida ou partilhada
Que me fez me ser justamente quem sou...

Visto com amor e bondade
Meus erros... e confesso
Vou a terapia  cuidar dos erros aleatórios da caminhada
Afinal, tudo é jornada!

- Para mim, para ti, para nós...

Cuido do meu coração machucado,
Afinal, esse é o único espaço em que posso reinar
O mais, é da vida: Ou sangra eternamente
Ou dá de, finalmente, sarar...

Da mente, mantenho aberta
Certa de que é impossível estar sempre certa
Afinal, há tanta multiplicidade!
A vida, afinal, não tem setas...

- Que pena também, não ter cortes - como disse Medeiros*
Mas afinal, será que não tem?
De repente, a gente vira a estrada
De repente, nem estrada tem!

#
* Martha Medeiros diz:

"A força de um ato
Dura o tempo exato
Para ser compreendida

Depois disso é bobagem
Vira longa-metragem
Por acaso estendida

Fora o essencial
Nada mais é natural
Vira apenas suporte

Pena a vida não ter corte".

terça-feira, 13 de junho de 2023

Acordar o Sonho!



Dá trabalho acordar o sonho, meu bem
Noites em claro, tempo inquieto
Dá trabalho concretizar o idealizado
Mas, por outro lado...

É doce o tempo de ver acontecer.

Cansa a alma, meu bem
é de enlouquecer
Formular dentro de nós, conceito a conceito
Um leque inteiro de escolhas...colher, re-colher...

Dá medo, tanto medo!
De travar os joelhos
Mas, imobilizar jamais
A gente não corre, mas também não pára...

(Não, não mais)

De tudo que fica, resta um adocicado na boca...
Sabor de suor, de lágrima e saliva
tudo que desaguamos no ato de tentar!
A tentativa, meu bem, é o que nos levar a chegar.

(Attraversiamo!)



* Este poema está guardadinho para o dia em que eu realizasse uma etapa importante de um sonho antigo. E agora segue aqui, porque literalmente é da vida acordar os sonhos!

segunda-feira, 5 de junho de 2023

(Conversa) De Contar Estrelas


 Eu, que já não 'atiro tanto'
Eu, que já caminho calma
Eu, que fico poesia
Ouço a ventania  e embalo à luz de uma lua calma...

Eu, que aprecio o balançar da nossa rede,
A nossa paz, a 'nossa alma'
Longe de fórmulas prontas e coisas pré-vistas
pré-textos, pró-gramas

 - Amores ou coisas repetidas -

Eu, que já encaminho o dia
Dou passos mansos até a noite chegar...
E que nunca fui fã de ouvir cantigas
Paro meu verbo pra te ouvir cantar

Parece até que já não é só sobre o tu e o eu
Mas como chegamos um ao cais do outro
Travessias desencontradas, quase nos perdemos
De tanta maré cheia, gente e neblina

- Mesmo o melhor marinheiro acaba enlouquecendo-

Que bom que 'nos' acontecemos
Assim, hoje, agora
Quando sou tão melhor para mim
Quero tanto te contar dos infinitos

Das estrelas cadentes, das luas acesas às madrugadas
e ouvir tua voz narrar a tua jornada...
Felicidade simples, que a gente nem projeta
Só sente, respira macio...e vive.

#

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Benjamin Button



Depois dos anos idos,
Das mágoas findas
Do insondável que liquidificou
Tenho um coração mais puro, meu senhor

Depurado das coisas que não me cabem,
Sou toda sonhos de amanhã, aliado a uma boa realidade
Dias claros que se transformam
Em tempos amenos...

Ainda gosto de intensidades, sabe?
De beijos molhados 
Amor com sabor de bem-te-quero tanto
Das delicadezas e encantos de ser e partilhar...

Ainda gosto de intensidades, sabe?
Café forte, gotas de chocolate
De tannat a cabernet, uma bela canção
As coisas todas de ter o calor equatorial dentro do coração...

Mas é dessa alma nova,
Desse espírito que não deteriorou
Da roseira que ainda dá flor
É dessas coisas que quero te falar...

É dessas coisas, sabe?
De gente que sente ainda as horas, os segundos
Que ainda acredita em pequenas doçuras e milagres
Que tem coragem...esse colorido que dá no coração
E ainda olha para o céu...ainda sente a própria pulsação...

#