Trago poemas perdidos no meio do peito
Despejados pelo tempo - o instante e seus significados
É, tem rimas inteiras que já nem sabia
Que fui eu quem fiz...
Alma vadia! Deixa pedaços seus pelas esquinas da emoção:
Um relicário sem explicação deixado em algum vagão de trem...
Trago vaga-lumes da última noite estrelada
O cheiro de rio que mora na minha sacada, sabe:
Gosto da quietude do vento e, nem por isso, guardo...
Trago retalhos de vivências partilhadas, memórias apagadas
Deixo que morem aonde estão:
Quem sabe o corpo tenha sua própria e peculiar razão?
Inexplicável, como tanta coisa, enfim...
Já não me exijo tanto, quase nada, na verdade
Creio na potência da ternura de construir o instante
Com a simplicidade de quem gosta de viver
Afinal, o que já foi e o que ainda vai ser
São abstrações:
Meros significados dispersos
De quem fui. Ou serei...
Nada disso é (m)Eu, de verdade
É, na realidade,
Só hoje entendi a beleza dos poemas perdidos...
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