sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Conexões são...orgânicas! (Filosofia do Boteco da Lua)




Fala e mostra: Cascas de ferida, suor, sangue. Cheiro de emoção na palavra.  A última coisa que tu sentiste quando olhaste o céu. Como falas...'crocrodilo' ou 'Bliblioteca', tua fixação pelos maias e astecas: enfim, qualquer coisa real, que te torne...um nome com significado dentro do meu coração. Mas, não me diz nada estético: As Quase-verdades não bastam, ainda são meias-mentiras.  Quase-emoção é quase-gente.  Capas de proteção, gente plástica: liquidação de espaço. Confesso: Ah, cansaço.  Não quero mais responder obviedades para fingir contato. 

Eu tenho uma cicatriz na garganta. Amo suas delicadas garrinhas, fincadas na pele: eu fui rasgada muito cedo, sabia? Tinha apenas dois anos, a primeira vez. Depois disso, quantas partes já foram evisceradas, nem sei.  Mas eu lembro...quis tanto falar, desde gita! Por isso, não gasto minha saliva à toa:Interpretações feitas por IA, conceitos antinaturais. Tão pouca humanidade: Ah, tem piedade. Não tenho paciência...

Não fala o óbvio de política ou o básico principiológico: Eu também tenho dicionário, leio o noticiário, enfim, a dita 'cidadã'. Ah, me diz o que mora de politicamente incorreto dentro de ti. Me conta um pouco da tua crueza. Faz contato comigo de um jeito simples, me fala a verdade do teu coração. Se aproxima. Ou, não tenta, nem precisa. Não preciso de tanto contato com a torre, se dela não vier substrato.  

Se for me contar uma piada, gagueja ou gargalha de verdade bem na minha frente:   Deixa eu sentir uma frequência real, vinda de ti...coisas simples também valem, desde que particu-lares: partículas pequenas do que te faz um lar.   Fala de ti, esse bicho natural que se descobre no espaço. Mesmo que  seja quebrado, imperfeito, ilógico, me diz que ainda estás descobrindo quem és! Una-se: ninguém verdadeiramente frágil sabe o que está fazendo. E, se tu simplificas emoção...ah, se poupe para outrem.

Não vou fingir ser desligada, desapegada, clean, a 'fera solta do pedaço': Eu sou frágil, não tenho esses nervos de aço. Não sei brincar de ser-ou-não-ser. Mesmo sabendo que às vezes não sou. E sou. Na paisagem pastel do cotidiano, saiba: Eu não sou blasé, nem acho chique fingir ser ou não-ser:  Não vibrar, não sangrar, não existir, no entremeio.  Eu sinto. Existo. Vibro.

NÃO FALA QUE TU ÉS PROFUNDO. Sabe, isso é modinha desde os tempos de minha avó. Todo mundo se acha profundo, intenso, porque só conhece sua própria 'medida de ser'. E voltagem. Ou, tu já ouviste alguém dizer: EU SOU SUPERFICIAL? risos.  Não vou trazer um monte das respostas prontas, porque tudo em que acredito construí por dentro, entre reflexão, pensamento. Aliás, hoje tenho mais dúvidas do que certezas e, desde que fugi dos muros do último castelo, percebi que quase tudo que se parece com ouro, na verdade, não é. 

Orgânica mesmo, sobrevivente ao Caos: não  me 'ajunto' por conveniências, eu me sustento, sabe? não falo só do lance econômico. Falo como gente. Sei que meu tempo neste planeta é apenas um ínfimo grão na ampulheta gigantesca do Universo e quero aproveitar com quem também percebe a raridade 'disso aqui', porque estar acompanhada das pessoas erradas é de uma solidão grotesca. 

Admiro quem 'joga o jogo', mas sempre fico um pouco confusa de qual jogo vamos brincar. E, já entendi, que as conveniências são a diversão preferida de gente ordinária. Por isso compreendo quando Nietzsche, à beira da loucura, escreveu sobre a morte de Deus.  Mas, meu coração não está morto, sobreviveu à algumas execuções sumárias e  escreveu na própria pele sua penitência, até sarar.  Até entender que conexões são...fios do destino.  

Magia inexplicável, ainda assim, quântica e natural.

Todo esse processo pode levar meses, anos, a vida toda...ou acabar antes de começar. Mas também não vamos racionalizar tanto isso, sabe? Desde As-cem-razões-do-amor até Jabor, a gente aprende que conexões -  afeto, paixão, AMOR - porra, nunca ligaram muito para estatísticas, roteiros ou condições, pois no meio de tanta explicação, mora uma desgrama sem métrica, que do nada aparece e se veste de encanto e, pasme...de acreditamentos!

Não leia este texto como um manual. É só meu jeito de dizer o que sinto. Uma forma torta de  falar que a gente não precisa ser linear, compreensível, politizado, forte, descolado, desligado e tudo o mais que essa gente tenta ensinar.

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