Este não é um texto filosófico, é mais uma contação de causo e uma reflexão meio torta, afinal, tem coisa mais legal do que contar algo que rolou no boteco? Risos.
Então. Fim de tarde no Mercado Central. Eis que ela chega até mim (eu a conheço pouco e por isso não posso mencionar) e diz...'Li tua escrita sobre os tubarões. Não concordo contigo. Tu sangras, porque tu falas em amor...'
Eu ri. Não discordei do pensamento dela, porque é direito de quem recebe a mensagem: nada aqui é só meu, depois que vem para o espaço.
Mas, confesso que fiquei preocupada com a visão.
E dela surgiu esta reflexão ...o Amor é um jeito de sangrar?
Escrevi a crônica 'Não sangre em meio a tubarões: nenhum é vegano! (E o que isso tem a ver com o livro 'A natureza da mordida', de Carla Madeira?)'. E, no texto, falo sobre um encontro atípico com uma desconhecida, no banheiro. Ela chorava. Recordei como aquilo tudo me afetou imediatamente, afinal, impossível não ter sido quebrada pela vida e não sentir a dor do outro, de forma instantânea. O que me fez ligar à inusitada situação com o livro - doloroso e filosófico, ' A natureza da mordida', da Carla Madeira. Afinal, a vida tem seu próprio jeito de nos abocanhar.
Mas, o que isso tem a ver com AMOR???
Bom, eu não creio que sangre em meio a tubarões, no aluanadorme. Há tempos, aprendi um segredo mágico essencial: Sentir é paz. Não porque romantize a inexistência do sangue que envolve cada batida do coração ou porque não acredite em 'tubarões'. Mas é que, desde que entendi que nenhum é vegano, não romantizo 'mordidas'.
Todo afeto é cura nesta vida maluca. Todo desvio disso é disfunção.
Escrevo sobre sentimentos, aqui neste espaço. Conformidades, inconformidades: o que ouço (porque muita coisa aqui não é só minha, mas dos meus, das muitas humanidades que permeiam a minha escrita), do que leio e sobre o que vivencio, às vezes, pelo perceber do outro. TEM MUITA VIDA neste peito doido. Eu adoro ouvir histórias malucas. E... eu gosto de gente quebrada, rasgada, eviscerada: Todo mundo que já recebeu quebras, cortes ou mordidas...sabe a potência de ser um bicho que se curou sangrando.
E, assim...
Os quebrados se refazem e escolhem não quebrar.
Os quebrados são ...doces, sabendo do sabor do sal.
Eles veêm as coisas por ângulos inimagináveis para os 'inteiros'.
Eu também não mordo. Quer dizer... ninguém aqui é alecrim dourado para dizer que não machuca ninguém, não é? sobre isso, leia 'A pior pessoa do mundo'(Uma crônica da vida anacrônica, real e possível). Mas, não faço disso minha razão de orgulho. E nem retroalimento.
Porque afeto é...beleza. E demora para a gente aprender a simplicidade densa que envolve tudo isso.
Bom, enquanto tu descobres essas coisas, nesse processo... aconselho que não sangre aonde sua dor não vai ser sarada. Mas, se sangrar, não vire petisco. Não fique lá, à espera de compreender ' a natureza da mordida'. Não fique à mercê de gente abestada....afinal, o que quero dizer com isso?
Bom. Já viste os peixinhos comendo um pedacinho de carne?
É sobre.
E, Não: o aluanaodorme não é um jeito de sangrar. E eu não sangro em meio a tubarões, pois nem por bem e nem por mal, nenhum é vegano.
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*Republicado, pois extremamente acessado, essa semana.
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