domingo, 18 de janeiro de 2026

Ensaios sobre o tempo, João

 


O segundo é mesmo precário, João:
Ou pula no trem da emoção
E vai, seguir e viver a viagem
Ou fica na Estação e, de antemão

- Aceita a paisagem.

E a vida é mesmo louca, João
Os dias não correm no contar da mão
O sol deita e levanta, mas o tempo de verdade
é muito mais complexo

E, no centro da sala
Bethânia ecoa Caetano: 'Quem não é Côncavo não pode ser Reconvexo...'

E não importa que a poesia deite e role, João
A gente se perdeu sem se ganhar
E o afeto que fica
é pouco para o que se tinha a partilhar

E não importa mais palavras - não há tanto segredo assim
Afinal,  tudo que havia  cabia na porta do olhar
No verbo-não-dito
Guardado dentro de mim

E, ao fim, bem na curva do sol,

Somos mesmo ganhadores! 
Em uma estranha equação
A gente se perdeu no mesmo trem, no ritmo
E no mesmo vagão.

                                                                                    #

Obs1: O final deste poema tem clara inspiração em um poema da linda Maria Ester, chamado 'Desencontro', que diz   ''O destino/ Quis que/Nos perdêssemos/ Na mesma vida/ Na mesma arte/ Na mesma vibe".  Porque poesia chega em nós e nos transforma. :D

Obs2: Sempre quis fazer um poema tendo por inspiração o nome 'João', claramente porque 'Comentários a respeito de John' segue como uma das músicas da minha vida, desde muito antes do tempo ser tempo, nesta internet.

Amei essa construção poética.


LUZ!





2 comentários:

  1. Lindeza! A poesia gera uma super reflexão e além disso conversa com as referências perfeitamente.

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  2. Sim, Tiago! A poesia alimenta a existência e esta é tudo que a gente experimenta. Aí já dizia o CFA: "Que seja doce''! Feliz por estares aqui. :)

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