Nude
Sou do dia,
De chuva fina que deixa o dia cinza,
Da rede que embala sonhos no jardim
De coisas cálidas, nada pálidas
Emoções sem fim...
Sou das madrugadas,
Do vinho na taça e Bethânia rolando sob a brisa do Amazonas
Sou molhada de chuva, quente, bicho equatorial
Faço da minha loucura plácida o meu carnaval...
Sou estável e de repentes
De regar as flores e plantar sementes
De sair, quando a hora chega, sem olhar pra trás
Sou de palavra que não torce, de curvas, de silêncios
(e busquei coisas de paz...)
Levou tempo dar conta de tudo que sou
Confesso, Moço:
tem muita brisa de amazonas,
tardes quentes sob as pontes de igarapés...
Tem verso de Belchior e inconformidade de Raul
Gritos de Elis e verbos de Caetano
Uma MPB maluquecida de rock and roll
Que dança ao som de um blues...
Tem bordadas delicadezas
Manias, escolhas: Curvas viradas!
Algumas capotadas na estrada da vida
Cicatrizes que lembram a potência de sarar...
Não tô procurando nada
(Será?)
Não me entretenho em 'meios-calores'
Nem em elos de versos mudos...
Por aqui, a feira é maluca
Tem sabor, tempero e cor
De tudo um pouco, caravela emocional
Um regatão amazônico cheio de tempero, sabor, açúcar e sal...
#
De um papo muito legal sobre identidade, mistura e sonhos.
Eu sou fruto de um regatão chamado...VENCEDORA.
*É antigo, mas não sei de quando. Eu ainda não registrava a data...
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