
Prólogo:
Ei, tu já brincaste de ser o power ranger? Bom, considerando que estamos na plataforma blogspot...deves ter vivido os anos 1990/2000. Pois então. Eu sempre queria ser Power Ranger Vermelha.
Ocorre que eu faço isso em séries, também. Escolho um personagem e brinco de estar 'por lá'.
Bom, a questão é que Sex and the City vai sair da Netflix e...estou vendo a série com outros olhos. Eu estou brincando de power ranger.
Ok, vocês podem ter enjoado de Sex And the City. É tão anos 90! Mas acontece que nos anos 90 eu tinha 5/6 anos. E até os anos 2000, eu brincava mesmo era de Power Ranger.
Agora que deu para me apaixonar pela série, então aceitem meu delay. Então, voilá à questão.
A Questão
Como todos sabemos, a série é contada sob a perspectiva da Carrie, que escreve sobre relacionamentos em uma cidade grande - e não exatamente apenas sexo, como o nome sugere. Carrie vive uma intensa relação de amizade com suas outras 3 amigas, em um grupo de mulheres que têm uma relação linda e singular: mulheres independentes em uma cidade grande, que vivenciam a experiência da independência, cada uma à sua maneira.
...não me identifico, particularmente, com nenhuma delas.
Não me vejo em Samantha - e bem que a acho sexy, mas é uma mulher criada por um roteirista homem. Nem com Miranda, uma advogada ruiva que luta com a ideia de não querer uma vida suburbana clássica. Tampouco com Charlotte, que quer muito casar...com quem a queira - e não com quem ela quer.
Bom, gosto delas. Mas não me identifico. Compreendo seus dilemas femininos e admiro suas autonomias...mas não sou 'uma delas'. Por um tempo, cogitei e me preocupei que eu fosse... o Sr. Big. O sr Big já me deu sessões de barzinho e, pasmemmm, umas duas cervejas...pois brincar de power ranger é perigoso, faz a gente se preocupar em quem somos NO MUNDO. Para o mundo. Para as pessoas ao redor...e pior: Para nós mesmos.
O Sr. Big é uma pessoa que sai correndo quando o coraçãozinho bate mais forte . Uma figura carismática, capaz de discernir afeto e senti-lo...desde que a dose seja homeopática (bom, o seu final é muito simbólico, inclusive).
Tu podes dizer...Jaci, tu até és poeta. Não tens como ser o Sr. Big.
Ora, meu caro. Não julgue o Sr.Big pela aparente superficialidade. Na verdade, todo mundo tem uma história para contar e, depois de um caldo, qualquer um pode brincar de Power Ranger sendo ... o Sr. Big.
Okay? ...Okay.
Mas, na terceira temporada, surge um personagem singular. O Aidan.
E o carinha é simplesmente ...diferente. Aidan está tranquilo na existência, cuidando da sua própria bagunça. É artista, está profissionalmente se firmando, tem amigos, pais e...não está procurando nada. O cara apenas singulariza suas relações e tece os vínculos de afeto com delicadeza. Não à toa, Aidan é marceneiro.
Uma coisa adorável no relacionamento que forma com Carrie é sua disponibilidade emocional para ESTAR. E sua estabilidade emocional para ...SAIR. Em vários episódios, Aidan fala a linguagem do 'Gosto e preciso de ti, mas quero logo explicar...não gosto porque preciso, preciso sim...por gostar' .
Tu podes me perguntar: Jaci, e por que não ser a Carrie? tu até escreves!
Bom, um motivo simples: Carrie não é disponível, de verdade. Carrie se apaixona no primeiro episódio pelo Sr. Big, e como tenta com ele um relacionamento que perdura por dois anos e este é um desastre, ela sai por aí - solteira emocionalmente indisponível por Manhattan.
É duro dizer isso, mas é a realidade.
De conhecer esses perfis todos, na 3a temporada eu estava preocupada: E SE EU FOR...o AIDAN? Tu podes dizer: sorte a tua, Jaci! Bom, sinceramente, depois de pensar um bocado, eu também acho. Porque eu nunca quis ser o personagem principal, aquela galera que sofre horrores e tem suas vidas profundamente marcadas por doses cavalares de 'coragens' e reviravoltas.
Eu gosto da ideia de ser coadjuvante do drama cármico do Universo.
Cultivo e me esforço por uma vida risonha, doce...aonde ainda se come sonhos, além daqueles que vendem na padaria ( e na OLX). Uma vida mais 'colaborativa' com o todo e harmônica com esse a existência. Dá trabalho, de todo jeito, mas não é trágico. Porque bate um coração que coopera e convive com esse bando de personagens - e pasmem, em plena vida real, a gente tem de lidar com gente dublê.
Epílogo:
O problema .. é a Carrie. E o Sr. Big.
E esse universo bem maior e mais confuso que Sex And the City.
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(Terminei essa filosofia de boteco na madrugada. Perdoe aí se tiver algo fora de contexto, será revisado)
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