terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Aquela máquina de digitar afetos





Aquela máquina de digitar afetos
Não mais escreveu a palavra "Meu amor"
Por onde andas, 
Afinal?

 

Verbo que é  cheiro,

Quanta falta tu faz em meu jardim... 


Já fui mais atenta ao meu próprio coração!


Mas, depois que passei a usar relógio

O tempo caçoa de mim:

Faz com que tudo tenha exíguos

começo, meio e fim 

 

O amor não coube em nossas 24 horas?

 O tempo, aos poucos, creia, 

A tudo devora -  apavora

Evapora...


- Mas, calma, emoção

Quem sabe ainda temos 

Uma eternidade  a mais

Na próxima Oração...-

 

Quem sabe a gente se tropece - novamente?

Em meio ao burburinho de um café

Quem sabe aquele velho ditado (tão cliché)

 Ainda esteja de pé

 

Incerta beleza de existir....


Frágil agora, tão cheio de efemeridades!

ah! verbo 'futuro' - ingrato,

Descumpridor nato

De quem achamos que seremos...


E sob o mormaço do céu de Macapá ainda arde o fogo intenso das paixões...


Escrevo quase-sem-sentido, ainda que sinta

E me demoro a tentar compreender

O porque essa máquina  (de bater)

nunca mais digitou a palavra 

"Meu amor"...




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