Sempre disse que chique mesmo é ser intessante, sem ser interesseira. É tentar crescer, sem passar rasteira. É perguntar 'está tudo bem?' e ter cooperado para essa verdade. Porque o avesso disso, queridos, é apenas uma máscara deformada que parece um rosto. E como tu sustentas o teu rosto? E 'O Diabo Veste Prada 2' está vestido mesmo é dessa pergunta e singular...mensagem.
Sinceramente, ouvi muitas pessoas dizendo que o '1' é melhor e discordo: No 2, temos mais do que apenas a mística-miranda com toda a potência de uma força arrogante sem delicadeza, mas vestida nela: Temos o poder do tempo como revelador das verdadeiras humanidades e uma máxima anunciada no filme: IMPERFEITOS JUNTOS TAMBÉM É BOM.
Na trama, vemos o reencontro de Andy, Miranda e Nigel 20 anos depois da famosa história que permeou uma geração e que criou o imaginário do que chamo de mística-miranda: a de que o poder não envelhece, é arrogante e forte sem delicadeza, ainda que revestido dela. A de que é poderoso quem é capaz...de tudo. Que é forte 'quem sabe mentir' e não tem problema de atropelar - não importa quem seja.
Sem dar spoiler, pois vou falar em metáforas, a trama inicia nos mostrando uma verdade universal: Humanos decaem de seus céus ilusionais. Sejam eles trabalho, amor...as asas de cera estão em todo lugar: E a vida tem um jeito particular de se encarregar disso. E, por essas curvas das linhas tortas do destino, Miranda e Andy veem-se novamente unidas para trabalhar em um time em crise. Mas aqui, longe de toda a pompa anterior, temos duas mulheres, com suas potências abaladas, depois de algumas verdades, que precisam se (re)conhecer...afinal de contas.
O filme traz uma verdade incrível até na artista que o performa, a incrível Deusa Pop, Lady Gaga: chique mesmo é ter identidade, moda é ...humanidade! Sempre pensei isso. E exerço essa verdade em tudo, porque moda não é sobre uma imagem: é de dentro para fora, não performar, mas existir no universo.
E isso me deu um quentinho no peito, pois eu sei e tu sabes que as Mirandas da vida existem. Aquelas pessoas cujo ânimo (do filme 1) é: Eu posso engolir você, depois de quebrar seus ossinhos e ainda estar vestida em um lindo casaco de pele, pois eu sou capaz de matar: amizades, confiança...elos.
Mas o 2 nos lembra que, a despeito dessas coisas, Andys e Nigel' s sobrevivem...e se aglutinam: a lei natural dos encontros, sabe? Gente que recomeça após um tombo, que chora o sangue derramado, mas opta por seguir doce. Que é colorida e natural, e não apenas o 'ditado'. Que ainda se entusiasma com a beleza não-performada, e até tenta se encaixar, mas é bem maior que a caixa.
Que se move pelo coletivo, em um mundo de emoções enormes e ambições mais medidas, e que sabem que potência mesmo...é força e densidade travestida de presença: A tal firmeza de ...Caráter.
Eu sei. Você acha que sou uma sonhadora - como diria John Lennon. Mas acontece que, como diz nosso querido Bel: 'John, eu não esqueço...a felicidade é uma arma quente''. É também uma coisa de verdade pessoal: aquelas que não conseguimos fazer coisa diferente, mesmo que a gente queira. E, sinceramente? eu acho que tu, que me lês e que procura por crônicas ou filosofias do boteco da lua também tem esses sonhos bonitos...porque o número de acessos dessas crônicas é absurdo de incrível, para o parâmetro das minhas poesias...
E pode ser que tenham mesmo mais Mirandas e que, no fim, a gente nem deva ser tão legal com elas...e que deva aprender a devolver a mordida, para que saibam provar o seu veneno. Mas...quem eu me transformaria se esse veneno me perpassasse? - Disse para Ester, um dia desses, que eu queria devolver o veneno da mordida e ela me disse: ''eu não. Porque se devolvesse, não sei quem eu seria...''
É verdade...
Também conheço Mirandas. Sei que tu já pensaste em pelo menos umas 3. E já vi decaírem ou não - porque a realidade é que, na vida, 20 anos não se passam em 2 horas e é preciso tempo...mas também já vi o tempo transformar em Mirandas ou transformar Mirandas. Uma coisa, sei: elas - as místicas-Mirandas - possuem: Coragem sem bordas. Isso é bom? não sei...
Mas acontece que Andys e Nigel´s têm um probleminha básico que Mirandas não têm: eles cooperam pelo coletivo, mas não assumem necessariamente a liderança, e não sabem lidar com a intensidade da mordida, como diria Carla Madeira. Pois sim, a vida também morde. E o fato é que o líder, às vezes, tem de ser 'O príncipe' e jogar as regras do jogo e Miranda(s) possuem a potência de entender a 1a Lei de Newton: A lei é da ação e reação e o movimento precisa vir. Mesmo que seja...letal.
Um jogo sem tantas regras do jogo - eu entendo, mas não compreendo, porque gosto de pensar que o universo tem uma coerência elegante. Enfim...são escolhas que às fazem, fazemos. Noutras, elas nos fazem. Porque é verdade que essas escolhas nos fazem, também.
Então...qual é 'a dor e a delícia' desses caminhos para ti? esse mundo é tão, tão particular. Mas compartilho uma verdade que escorre de "O Diabo veste Prada 2'' e que pingou dentro do meu coração: E a de que uma pessoa é chique mesmo, não pelo closet, mas porque trouxe de casaco de pele...o próprio coração.
E a de que....
IMPERFEITOS JUNTOS TAMBÉM É BOM
Mas a mensagem final de Miranda para Andy e a de Nigel para Andy (são cenas diferentes) nos fazem refletir... qual é o bom que queres por perto?
P.s: Esse texto foi feito no sábado e está publicado sem revisão, porque a vida me cobra presença. Me perdoe se falhei em algo no português, na métrica...não é intencional. Será corrigido, assim que puder.
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