Ligo para ela*
Eu estou emputecida da vida e com vontade de contratar um caba- do- olho amarelo para resolver um ódio recém-passado, mas gosto muito do meu réu primário para perdê-lo por idiotices.
O que acaba de me acontecer é inusitado.
Explico.
Há dias atrás eu presenciei alguma das conversas mais grotescas que já ouvi a respeito de outros seres humanos (e olha...eu sou advogada criminalista há coisa de 15 anos, mas aí são outras ondas). Ouvi um ser humano do tipo homem-hétero-otário tecer considerações sobre detalhes de um corpo humano (vide, uma mulher que-sequer-deve-saber que seu corpo esteve em uma 'roda' de análise).
E ouvir esse ser tecer considerações sobre 'a garota', 'namoro', 'vida' - se é que isso existe nesse tipo de mentalidade. Mas, nada disso me diz respeito propriamente. Eu APENAS ouvi - como se isso já não fosse uma violência, independente de sobre quem. E ouvi quase-sem-querer, pois nem mesmo era interlocutora (Graças a Deus, mesmo porque eu jamais seria).
Bom, apesar de muito impactada na hora, o fato é que esqueci o evento por alguns bons dias. Mas o que me embasbacou foi: hoje, eu estava em um café debatendo estratégias de uma análise e muito concentrada a respeito, quando vi essa figura andando pela 'rua' do shopping com uma mulher, a quem conheço de outras alucinações, nessa paisagem chamada vida. É uma garota legal e, embora não seja minha amiga, me parece ser uma pessoa boa...e fiquei triste pensando no quão magoada poderia sair daquele tipo de des/conexão com aquele tipo de des/figura(do) - risos.
E a situação me pegou ainda mais, por uma questão: tenho dificuldades de achar pessoas ruins e já fui chamada de inocente por isso, algumas vezes. Mas a verdade é que deixo que as pessoas, com suas atitudes, me contem quem são. E não permito que elas quebrem a minha ternura - por isso, continuo a crer, mesmo quando contradizem minha fé inicial.
Apesar disso, sigo à risca o manual anti b.o e ele dá certo, na maior parte das vezes. Mas eu também me engano e a mocinha à minha frente - certamente uma mulher adulta - parecia inclusive nem perceber a cilada. Senti uma súbita empatia.
Pois bem. Ocorre que essa pessoa passou com aquela-menina-legal (até onde sei), e na passagem me olhou bem nos olhos. E foi involuntário pensar: gente assim existe mesmo. Não é feito aquele personagem de 'O amor é Cego', o Maurício, que com seu rabinho escondido ficava a medir a beleza e o potencial de perfeição alheia. Eles circulam entre o meio, como se fossem gente. MAs eles são horríveis, pior: ELES FEDEM (ahahahahahahahahah).
Chego em casa, tomo uma BOA TAÇA DE VINHO e penso em Sex And the City e na personagem Carrie falando sobre a morte do amor em Manhattam, nos anos 90 - isso tudo enquanto escrevo essas-mal-traçadas-linhas.
Bom, falo por mim e vou seguir a dizer. A vida foi legal comigo, mesmo quando não. Tudo que teve um sincero impacto na minha existência foi permeado de significado ... e muita, muita beleza, arte,leveza e densidade. E isso me fez discernir bemmm o que é para mim. É uma baita sorte - e sorte é sempre Deus.
Mas, naquela hora - da ligação - eu não conseguia pensar nessa sorte. Mas sim no baita medo de que gente desse tipo tenha promovido a morte do amor, com suas atitudes: baixando tanto a régua, fazendo corações com ternura perderem um pouco do viço, diminuindo a profundidade das águas limpas, sendo apenas um pocinho raso de baixíssimos valores, reagindo à vida como se suas 'presenças' fossem um 'presente de Deus' (Dizem que o inferno tem as portas iguais às do Céu...risos).
E isso me recordou também outras formas de gente escrota. Gente que não cumpre seus acordos, a não ser que tenha consequências. Que mente e aperta mãos, até que possa puxar o punhal. Gente que deixou de ser coerente com suas paixões e promessas à Deus...gente que deixou de pensar no quão falha é. Isso me inclui e te inclui, certamente,porque 'ninguém aqui é puro anjo ou demônio'. E todo mundo é um pouco 'o cão'.
Enquanto falava com ela* , na ligação, comentamos o quão é uma pena que ninguém venha com um SELO DE B.O na testa, ou escrito: SOU ESCROTO. Escroto mesmo, porque mesmo a palavra medíocre vem de mediano...e gente assim não cabe em outro adjetivo. Sei que nenhum de nós escaparia de usar esse 'selo' para alguém, em algum momento.Mas tem gente que é repetente.
O fato é que vamos coabitar, (co)orbitar e até colidir com esse tipo, vez ou outra, pois não temos evidências de que estamos na Matrix e pior: Não temos uma Matrix diferente para cada tipo de programação pessoal - É UMA PENA! Quanto à minha preocupação de origem - a da ligação - restou torcer por aquela mulher em rota-de-colisã0. E para que ela tenha conexões significativas o suficiente. E com isso, retomo à Sex And the City e às conexões reais.
Não, Carrie: O amor não morreu em Manhattam e certamente não morreu em Macapá. Ele está todos os dias nos ligando uns aos outros, promovendo encontros e salvando a alma de ser pedra. Ele está em quem escolhemos dizer 'você me importa', em quem pensamos em ligar para contar como foi o dia, em saber se está bem...nas pessoas que nosso coração pensa, ao acordar. Afinal, a alma sabe mais do que a consciência ( Lembra de 'como se fosse a primeira vez?).
Está nos risos e piadas, nos lanhos e batalhas, nos abraços e canções que escolhemos como nossos. Nas imperfeições com que queremos e podemos conviver. Está em...permitir-se ser alcançado, mesmo que isso signifique arriscar.
Mas o antifrágil ...SIM!
#
*P.s1: Vocês já sabem quem, a ligação foi para a santa da minha melhor amiga
*P.s2: Eu continuo frágil, no sentido Belchioresco.
*P.s3: Isso aqui não é videogame, mas tô virando biscoiteira com esse negócio de crônica, de tanto que me acessam.
*P.s4: Eu sei, a pobre da moça anda por aí, desavisada. Pior é ele, que acorda com ele por dentro, todos os dias. :P

Nenhum comentário:
Postar um comentário