segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Movimento



Sem tanta pressa
Que não possa apreciar as borboletas amarelas 
Que dançam, extemporaneamente, pela JK
Sem tanto ócio

Que não mova os passos em busca da próxima estação...

A vida, todos sabem - e já disse o Poeta
Pede coragem
As folhas caem, levam o ontem
- Nascem novas flores sob antigas paisagens -

Nós também somos assim: 
Pedaços que findam e reconstituem em novo néctar e raiz
Por isso é tão profunda e simbólica
A beleza da palavra

Cicatriz...

Se tudo em nós renova e refaz
Se somos o ontem que se desfez e refez
Uma cicatriz é a constituição física
Da ferida que doeu e não dói mais...

É a certeza de que o corpo é uma entidade mágica
Capaz de se auto reconstituir em lar
De que a carne encontra um jeito próprio
De se reconectar...

E, de beleza em magia
Alheias à humana condição
Sob as curvas da estrada de Santana
Borboletas seguem sua própria efêmera existência

Bênção do nosso verão que nunca vai embora

(Mas move, aquece e sopra...)

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