segunda-feira, 13 de outubro de 2014

"O Exótico Hotel Marigold".

Quanta poesia cabe em um só filme?

Pois, eis que me deparo esta questão ao assistir o filme: 
O Exótico Hotel Marigold"


Eis o que a métrica da nossa doce abstração não responde. 





Não vou das preliminares de apresentação do filme, de tão fantástico que é o enredo*. Vou apenas permear as relações profundas abordadas no filme e seu fundo histórico, tão perfeito ao desenvolvimento da história

O fundo da história nos remete a um decrépito hotel localizado na Índia, país onde as contradições da globalização e modificação dos valores são permeadas da resistência e manutenção de velhas tradições.

O “Fantástico Hotel Marigold” é administrado por um jovem sonhador que vê em um prédio em ruínas todas as possibilidades do que ele ainda poderá ser, e vem a ser escolhido como local para repouso de 07 "jovens" idosos ingleses, ainda, como toda a humanidade - independente da idade- cheios de (con)tradições, perguntas e questões a serem resolvidas. São sete personalidades diferentes e pitorescas, tendo de se adaptar a um País desconhecido, com costumes desconhecidos, e  principalmente: tendo de aprender a conviver consigo mesmo e com os demais.

Toda sorte de diferença existe entre os sete personagens: A orientação sexual nunca revelada por um ex-ministro da justiça da Inglaterra, à decadência e preconceito de uma velha e solitária governanta que não acredita e não aceita a miscigenação e precisa aprender a receber gentilezas– inclusive cuidados-  de indianos e outras etnias e nacionalidades, à uma senhora amargurada e seu marido doce, que vive a tentar produzir-lhe algum efeito ou felicidade, ou mesmo dois solteirões que se encontram e vão viver o grande amor da terceira idade, lúcidos, sadios e sóbrios.

E, por fim, a minha personagem principal, uma “jovem” viúva, com uma amabilidade incrível e vontade de viver maiores ainda, que lhe emprestam uma jovialidade e sensibilidade que só os grandes seres humanos conseguem um dia alcançar, e que descreve a impressão de tudo que se passa no enredo, por meio de reflexões acerca das vivências de cada um e de suas percepções de mundo.

Mas são tão ricas que não me darei ao trabalho de descrever,  mas sim de transcrever aquelas que marcaram para mim e deixarei em você leitor, a reflexão e a vontade de assistir a esse filme de múltiplas facetas e que, a priori, parece um filme simples e “mais um” na multidão, mas na verdade se revela uma verdadeira análise sobre o mundo, o amor e as relações – tão plurais!- que desenvolvemos com nós mesmos.

Não me sinto qualificada o suficiente para resenhar “O fantástico Hotel Marigold”, mais rico que muitos livros que li sobre o quão somos abissais na arte de sentir. Por isso, passo à transcrição de Judith:



Diário da Judith.


“Não podemos reviver nenhum passado que queremos. Só há um presente, que se forma e se recria conforme o passado vai desaparecendo(...)”

“Perdemos os velhos hábitos mais rápido do que pensamos (...) E, quando você se adapta: Meu Deus! Há tantas coisas para aproveitar!”

“Leva muito tempo para um corpo ser queimado. Várias horas para nos lembrarmos da figura de quem partiu e de quem somos. Será que viajamos para tão longe para finalmente nos permitirmos chorar? “

“O único e verdadeiro fracasso é o de tentar. E o sucesso é medido pela forma como lidamos com a decepção, já que isso é necessário. Viemos aqui, e tentamos todos nós, cada um do seu jeito. Podemos ser culpados por nos sentirmos velhos demais para mudar? Por temermos muito a decepção de começar tudo de novo? Acordamos de manhã e damos o nosso melhor. Nada mais importa”.

Mas também é verdade que a pessoa que não arrisca nada, não faz nada. Não tem nada. Tudo que sabemos é que o futuro vai ser diferente. Talvez o nosso temor seja que continue tudo igual. Então, precisamos comemorar as mudanças. Por que, alguém disse que no fim, tudo vai dar certo. E se ainda não deu, confie em mim: O fim ainda não chegou”.

A minha conclusão geral é que todos estamos no Exótico Hotel Marigold, e que ele é uma metáfora da vida: Edificações decrépitas, sonhos incríveis, superação irrestrita à idade ou personalidade, inclusive de nós mesmos. E procura pela felicidade, nas mais diversas formas que ela possa se apresentar. 

·       *  Uma visão direta: http://www.oquerola.com/revista/resenha-de-o-exotico-hotel-marigold/







domingo, 12 de outubro de 2014

No meu tempo...





No meu tempo, ser criança era ouvir musicas infantis em aniversários com balões enormes, recheados de trigo e bombons, com brincadeiras ridicularizadoras que ninguém chamava de bullying, e nem por isso entrar em cinema matando ninguém.
Era dormir depois da mãe, pai ou irmãos esfregarem a "sujismunda" da cabeça aos pés, de tanto subir em arvores, comer fruta lá de cima e ainda jogar o caroço na primarada mais nova que ficava embaixo.
No meu tempo, tomava sopa de letrinhas para formar frases e comia "cascalho com chopp" na merenda, nos dias mais legais. Mingau era de tudo que e jeito pra ter "sustança",
No meu tempo, ser criança era ganhar bonecas tipo "mãezinha", conjunto de casa e cozinha, roupinhas rosas cheias de babado e frufru. Era sujar-se toda correndo pelas ruas e dormir de portas e janelas abertas.
No meu tempo, chamávamos os coleguinhas de "pequeno" quando não sabíamos o nome. "Ei, pikeno, me empresta tua borracha?". 
No meu tempo, ser criança era não ter acesso a certas questões, informações e vivências, chorar para brincar mais um pouco de queimada, pira-pega, pira-alta, era tanta pira...que explica-se tanta molecada pirenta em foto antiga.
No meu tempo, de criança simples, de pais e parentes próximos estudando para subir na vida, lutando para crescer e dar boas oportunidades, ainda se lia livros e contavam-se historias amedrontadoras, para exemplificar e “educar”.
No meu tempo, ser criança não era "moderno" não, era coisa bem piegas mesmo. E a gente era cultivado, respeitado, não nos tentavam “pequenos adultos”, não marginalizavam a inocência.


No meu tempo, eu tive tempo de sonhar. E isso auxiliou a formar a pessoa de agora.

Hoje, dia de Maria.


Característico da minha região, hoje temos o Círio de Nazaré. A Procissão, herdada da cultura marajoara, trata-se de uma homenagem ao dia dedicado para Maria de Nazaré , mãe de Jesus Cristo.

Não tenho a fé moldada ao catolicismo. Mas, grande parte da minha família, neles incluso mãe, irmão, cunhada e sobrinha, são.  Na minha fé, Maria, que compartilhou seu nome com minha mãe, é um espirito em grande evolução, daqueles que já alcançou a perfeição e não precisara retornar para expiar e aprimorar a nossa bonita humanidade.

Mas, o mais bonito da procissão, do dia iluminado que é,  penso que é ver a união entre as famílias, o verdadeiro espírito de Jesus Cristo, a alma mais perfeita que esse mundo já viu.

Na procissão, já fui agradecer o nascimento da minha Princesa Julia, pedir que a mamãe de Jesus derramasse as suas bênçãos sobre aquele pequenino ser, entres tantos outros agradecimentos e preces. Por muitos anos, estive nessa multidão a falar com Maria. Por que fui? Porque minha família, a quem eu amo e respeito, entende que essa caminhada é uma forma de agradecer e respeitar o caminho que essa linda Maria escolheu trilhar.

E hoje, é dia de todas  Marias, pois já disse a canção católica “São tantas Marias, mas todas são a mesma. Mãe de Deus e nossa mãe, modelo de amor”.

E também, hoje é dia do meu presente particular, pois é dia das crianças. E quanta fé na vida a existência da minha princesa nos trouxe!  Julia nem bem amanheceu o dia, acordou com todos ao seu redor (exceto a mana) para lhe encher de beijos. Penso que Jesus estava lá também, com seu espirito restaurador.

Depois, deixamos a nossa mãezinha no aeroporto, e o mano e cunhada seguiram com nossa  neném para a procissão.

E eu? ha...eu penso que posso colocar a minha oração na forma de coração. Mantenho no peito a fé e respeito.

Então, na forma católica: “Abençoa, mãezinha...as famílias, amém. A minha também.Amém."

Na minha forma: Grande exemplo de amor e de mãe, cuida dos nossos corações, auxilia-nos no caminho particular de evolução e encontro com tua infinda bondade. Nos ensina a ter um coração como o teu. Nos ensina a prosseguir unidos e em aceitação da natureza do outro e da nossa,  como aceitaste os caminhos de teu filho, que veio para este plano trazer amor, e nos ensinar que ele é o dom precioso. 

Que assim seja.

sábado, 11 de outubro de 2014

Bênção


Rubem Alves, em um de seus lindos textos, fala sobre o poder da bênção. Retrata Rubem, que bênção vem da forma em latim que quer dizer "bem dizer". 
Dia desses, as coisas da vida estavam demais e precisei pedir da mãezinha uma oração em mim. Proteção de mãe - coisa linda em qualquer lugar do planeta. Sinceramente, depois que ela me “fechou o corpo” com as chaves do espirito santo (com o respeito de todas as demais crenças, minha mãe tem como crença o catolicismo), senti uma paz profunda no peito...como descrever? Paz de proteção. Deus e mãe devem ter uma ligação direta, tipo um "bip". :)

Algumas vezes, já me disseram que tenho poderes. Não como os de minha mãe, que tem a doçura milagrosa de quem carrega parte do milagre da vida. Mas poderes de cura, de bênção,  mais similares ao de uma sacerdotisa.Penso que todos temos, com relação aos que nos cercam: o amor é a força mais poderosa e a magia mais incrível que podemos construir. E a ligação 'amor - ser amado', o veiculo mais apropriado para qualquer bênção.

Eu acredito no amor como o exercício cuidadoso de afeto, ainda que esteja no aprendizado. Por isso, quando "bendigo", o faço com força, coloco mesmo o meu coração dentro do pensamento. 
Dai a magia. 

Então, hoje...eu bendigo os teus caminhos. 
Que eles sejam claros.

E felizes.

"Faz tempo eu quis fazer uma canção pra você viver mais..."

Tudo que eu queria te dizer, Brasil. ( A goleada do Capital sobre o talento)


Foi o 7x0 que calou uma nação, aquele dia. O Brasil, favorito e anfitrião, saiu da cena da nossa copa do mundo com o cheiro da goleada,  junho deste ano. 
Da goleada da técnica sobre o talento, da disciplina e educação sobre a malandragem, do planejamento sobre o imediatismo.

Mas, esse texto não trata de  futebol!

Na verdade, esse texto trata do momento politico empobrecido e da nossa democracia de papel, que tantos defendemos, enquanto não sabemos bem o que e.


Há muito tempo atrás, li um livro chamado 'o cidadão de papel', do Gilberto Dimenstein, que tratava de maneira critica a dificuldade que nosso Estado-Nação tem em produzir a Democracia de fato e como isto esta associado diretamente aos fatores econômicos.A nossa democracia-  de papel- é faminta: de gás, água, de farinha, de pão e de toda sorte de circo que nos livre de olhar fundo para a nossa realidade. 

A prova foram os resultados desta eleição, que demonstrou que o gigante ainda não sabe para onde caminhar, acordou com dor de cabeça e entontecido (deve ter levado uma goleada na cabeça). Acordou ainda viciado dos sonhos e pesadelos coronelistas e clientelistas e permeado de ausências identitárias. O Brasil tem fome, e fome distorce qualquer sentido e ideologia.

Eu continuo a “ver a vida melhor no futuro”, mas talvez tenha colocado uma fé maior nas manifestações de junho - do ano passado- e no poder do agora no que realmente ainda não somos capazes de fazê-lo: Renovar.Implementar. Planejar. Fazer valer.

E os “meio intelectuais, meio de esquerda”, permaneceram nas redes sociais, a proclamar uma justiça que não auxiliaram a executar. A classe media (dita “educada”, “esclarecida”) dormiu, teve um “apagão” intelectual vergonhoso.



O que se viu no meu Estado e em muitos outros lugares, nada mais foi do que a renovação que só o poder monetário e o da máquina podem nos mostrar. Como disse o Capitão Nascimento, herói cansado e depressivo do filme tropa de elite " O sistema é foda,  parceiro". Na pratica, o silenciamento do discurso politizado do ano passado foi mais forte que o de qualquer estadio de futebol.

Sim, continuamos pobres e cheios da mesma velha política, e levamos - novamente- a maior goleada . E que gol contra, hein!




(P.s: Estou sem acentos no teclado. Por favor, desconsiderem a vergonhosa ausência de acento agudo. Consegui na correção ortográfica alguns,mas outros o pc ignorou. rs) :)




Legião Urbana vence sempre.


Viva Renato Russo, que trouxe para mim, ainda na infância, poesia viva e o melhor do rock nacional. Renato Russo, o sonhador que não sabia se adequar ao mundo tão conceitual em que nasceu. E por não saber-se, não cabia em si de tantos Renatos que foi. O aborto elétrico, juventude flagrante, o trovador solitário, romântico e isolado, uma Legião em um único ser humano, explodindo na banda de rock que deu seu toque em tudo o mais que o Brasil já produziu em termos do gênero. O poeta intranquilo, cheio de contradições, rebeldia e romantismo. O responsável por promover reflexões políticas, sociais, culturais, valorativas e transcendentais.( "Quem viu a tua alma entrando?" ....Uma das minhas favoritas).

Foi a loucura que brincava com a ternura e a verdade de ser e sentir diferente num país desconfigurado da década de oitenta.O ser humano que se perguntou as pequenas enormes questões internas, enquanto auxiliava verdadeiras revoluções, promovendo a reflexão profunda em uma juventude sem identidade.
Desconfigurado como agora, afinal...nada mais moderno do que falar nas mesmas antigas questões que atormentavam a juventude de Renato Russo: "O mundo anda tão complicado" -  da mesma forma ou ainda mais.
Das bandas nacionais, minha favorita. Dos compositores, um dos que mais tentei compreender, embora nem sempre Renato fosse inteligível.
A Legião deixa um registro em todo mundo, em alguma fase da vida. Ou em todos os "hojes", afinal, ele mesmo deixou a mensagem " temos nosso próprio tempo", mas devemos "amar as pessoas como se não houvesse amanhã".



Urbana Legio Omnia Vincit.

Era uma vez....


Era uma semente
Da mais linda árvore da vida
Foi ceifada pelas circunstâncias
Não gerou o fruto da tolerância
Não teve tempo de se firmar....

Lar.

O que isso será?


Uma utopia que nunca se alcança?
Uma menina cheia de esperança
Que acabou de saber que papai noel não existe
E insiste em perguntar: Por quê?

Saudade.

Que palavra mais linda!

Feito “quintal”, “varal”
Que seca a roupa e a lágrima vertida
E fica quarando, sutil e suave
Enquanto não sabe os caminhos da vida...#

Rega(dor)


Enquanto o coração não jorra sangue com força
Por dentro da moça
Ela busca os porquês, regando o jardim...

Será que existem respostas
Para todas as perguntas do mundo?
Para todos os inquietos e loucos?
...e se mesmo isso tudo  for muito pouco?

Somos bichos abissais
Sempre em busca de mais
Capazes de doar o que não temos
E nos deixarmos a mercê...vento, tempo,vento...#



"Tempo, tempo mano velho,  falta um tanto ainda, eu sei
Pra você correr macio..."







quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Choveu


Choveu...e tudo apagou
Como se a vida...a chuva, a lida
Estivessem a coadunar com a alma...

Choveu e o tempo nublado
Deixou a luz da lua escurecido
No outro lado do cinza nublado
De olhares seu sonhar privado....

Choveu...um cinza bonito
Prateado, pranteado tempo 
Um tipo de beleza esquisita
Que a alma esfria...

O lábio cinza de ar
Sentiu a gota bater
A pele subtraída de amar
Sentiu a água escorrer....

Olhar o céu e deixar cair água no olhar
Quanto, quanto ainda falta?
Para o escuro escorrer doce e macio
Pra sumir e levar consigo essa saudade? esse vazio?....#

Onde vivem?


Quando menininha
Eu tinha medo de monstros - Imaginários!
Medos doces e tolos
Típicos da infância...

Ainda trago resquícios daquele medo
Mas, eles são mais sutis e controláveis
Coloco a minha menina dentro do coração
E saio levando ela pela mão...


Mas... ouvi tantas doces historias
A me preparar pra ser luz e vida
Desperta, doce, colorida
Que enfrentar essa solidão
Parece um poço de escuridão...

Um adeus de vida morta- dolorida
Monstro da ausência de mim
E um afã sem fim...de não sarar
Um bruto medo do tempo
Não passar....#



* E que um dia a nossa canção seja leve. 


E bonita. Do jeito que tiver de ser....

Eu


Não consigo...
Simplesmente não consigo (o que será?)
Queria dormir a tarde toda e desaguar
Esse cansaço da alma que não tem calma
Insiste em transbordar...
Desaprendi os caminhos de mim
E no meio das perdas 
Já não tenho lar!
Vivo em um mar que não tem fim
Parece sempre aumentar...
Eu trocaria todas as infinitudes
Pelas reminiscências que puxam o peito
E no meio dessa falta de jeito de ser...
Um sorriso teu na memória vem aquecer...
Mesmo que não estejas mais presente
Sinto o teu  abraço que ainda aquece
Pois já disse o poeta:
"Mesmo na saudade,
Você não está ausente"#


"Ela era incompetente para a vida..."

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Ela...



...''....era incompetente para a vida. Faltava-lhe o jeito de se ajeitar. Só vagamente tomava conhecimento da espécie de ausência que tinha de si mesma. Se fosse criatura que se exprime diria:_ o mundo é fora de mim, eu sou fora do mundo''.
In "A Hora da Estrela", Clarice Lispector...




Ainda a contemplar...
Inerte,a quietude das ausências:
Das completas reminiscências...
Será que ainda sabe sonhar?#

O que seria?


A lua prateia quando pranteia
Cristalinamente lunar
A lua clareia quando bem cheia
E até aumenta o nível do rio (a)mar...

A lua abaixa a maré quando afasta
Gravitacional e só
E até escurece além da faixa
Da linha do equador...

A lua tem fases que desconhece:
Eclipse-psicolosolar
E mesmo que não pareça lógico
às vezes despenca, perde o espaço de estar...

Mas, me conta...como será que seria
Se ela caísse e só restasse a claridade
De um mundo cheio de gente, pus e insolação...
Me conta... o que seria de mim?

Se a lua despencasse na escuridão?#





terça-feira, 7 de outubro de 2014

Sobre resiliência, olhos de preá e rosas (republicado, com pequenas alterações)

Há um tempo, li um conto de Drummond, que fala recriação,  à seu modo. Vou reproduzi-lo no  blog, texto inteiro,mas o Drummond inspira à escrita e reflexão, com sua prosa mansa, de gente que  prova o licor da vida mansamente,  sentindo-lhe o sabor....

O conto sobre o qual reflito, relata o conto de 'olhos de preá", uma bichinha que, segundo ele, acredita mansamente no melhor do mundo e das pessoas. A preá, que antes de mais nada, era "produto científico",pelo que veremos abaixo, tinha os olhos de confiança mais lindos, rompendo a barreira entre os seres: humanos, bichos, etc.


Andrea, bicho levado pelos estudantes de medicina à uma feira, tinha a ela ido para ser dissecada. Mas seu olhos de confiança no homem salvaram-na da dilaceração científica. Reconhecer-se em uma situação, e produzir o melhor que puder. Bem, querida Andrea, isso se chama resiliência: Reconhecer-se, perceber as periferias da emoção que leva em frente, e decididar ao problema o enfoque certo. Por sua credulidade, não houve quem tivesse coragem de dissecá-la. Virou mascote do grupo. Linda a doçura que lhe manteve a vida.

Acho que preciso da proteção e da Crença de Andrea. Ela, diz Drummond, rompeu a barreira entre humanos  não humanos, e o curioso, por isso dele se fez amiga. Conseguiu recordar aos humanos que dissecá-la era tirar-lhe a vida pelo mínimo de recortar-lhe em partes. Produziu resiliência.  E não importa quão feliz sejamos em nossos desacertos...o vale-vida traz o preço. Os estudantes ganharam uma mascote. Quem precisa fazer tantos cortes quando pode ter...amor?

Por pratica de resiliência, eu tento guardar cada pedacinho de amor cultivado em um frasco doce, e perdoar o que não quero dentro de mim. Não gosto de promessas,mas o exercício do amor torna tudo possível.


 É, não sou perfeita,tenho um gênio difícil e um coração grande, que transborda tudo que sente.Não tenho a perfeição das rosas. Mas tento o caminho do diálogo como forma de crescimento. Ou do silêncio, agora, talvez muito mais.  Mas quero fazer isso agora, enquanto sou e posso ser objeto de melhor amor. Agora, enquanto me pertenço e posso caminhar (e acrescer) com quem eu amo e realmente importa.O que me leva à outra lembrança, aquela da mitologia,  em que Teseu mata o minotauro, um ser meio homem e meio touro,  e consegue sair do labirinto. 

Penso que nós somos o próprio labirinto, e Teseu nosso lado bom, o Minotauro nosso lado ruim. Sabem como Teseu matou o Minotauro e ainda saiu do labirinto? Através de um fio de barbante que amarrou na entrada: é preciso lembrar quem se é, de onde se veio, para sair de qualquer labirinto. Mas isso se deu porque Teseu tinha o amor de uma mulher, mulher essa que, diz a lenda, Teseu matou (mas eu não acredito, pois o próprio livro é contraditório). A mensagem é clara:  Só saímos do ciclo vicioso de nossos erros - por mais feliz que eles nos façam - recordando quem somos e de onde viemos. E o amor que temos.


Quanto a essa que vos escreve, bem...posso dizer que sou feliz. Não estou plena, e isso é sempre a "falta". "Ausência". Como algumas coisas nos fazem falta!  Estou em um momento tão à prova de quem sou e de toda a força ,fé e amor que sempre defendi (talvez o maior de toda minha vida), que a poesia que normalmente mora e grita meus sentidos , silenciou...


Mas, se tem uma coisa que eu sempre vou crer, é no poder de recriar, no gesto, tudo que de bom neste mundo é valiosa a existência. Recriar, envolve o perdão (de si e do outro), o poder de reconstruir (a alma, com calma) quem somos...e a fé na nossa demasiada humanidade e seu lado bom.






(Texto revisado e republicado, pois essa moça ainda não consegue pôr "as letras no lugar", mas...acho que é isso.)

sábado, 4 de outubro de 2014

Talvez,amanhã!

...Talvez amanhã eu sorria muito, eu agradeça todas as forças de amor que se unem para coadunar em realização de sonhos, eu beije e abrace os meus, sempre orgulhosa de seus feitos e lutas. Talvez amanhã...eu chore. Chore porque a vida, por vezes, convida ao exercício da humildade e nos abraça para o desafio de perceber que nem sempre vai nos fazer sorrir.

Talvez amanhã eu tenha forças enormes, porque recebo aqui, no colo da minha família, as certezas que preciso para ter fé e lutar. Uma antiga lenda diz que o Amazonas surgiu do choro da lua...espero que amanhã o rio-mar não transborde.



Depois, talvez eu precise erguer meu queixo, para mostrar o quanto de dignidade existe em ganhar ou perder: Somos plurais e muito mais que apenas um processo. Mas talvez eu precise apenas agradecer e agradecer, de uma forma tal...que eu passe as mãos no cabelo de Deus, como Manoel de Barros.

Mas, se eu precisar agradecer a perda, assim o farei. Porque confio da sua fidelíssima bondade da força que nos uniu, família, pelo poder do amor.

Talvez amanhã, precisemos superar-nos em força e cuidar de quem mais precisar, porque assim age uma família: um agrupamento humano que protege nossos sonhos e apara nossas quedas. Mas talvez esteja tudo tão feliz que a gente ainda possa dar uma brigadinha (coisa de família grande), no meio das nossas convicções divergentes, a respeito de nossos presidentes, governadores e estaduais.

Talvez, amanhã, ainda não nos pertença, muito embora o conta-gotas da vida parece descer mais lentamente, como que a torturar nosso coração. 

Talvez amanhã eu me torne mais forte do que penso que sou. Ou simplesmente perceba como tudo converge, quando tem de ser...ou que somos o resultado de nossas escolhas, e elas nem sempre são imediatas. Tantas lições em um único amanhã!


Que Deus nos proteja no dia de amanhã, para um dia de paz, com toda a proteção e luz da enorme força que nos gerou, tão cheios de sonhos.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Lua


Ha! Mas de quantos luares
Se faz uma maré?
Não  é preciso ir contra a correnteza
A resposta virá da mãe natureza...

Eu não corro de,  corro para mim
de volta a um lugar para me pertencer
E o tempo de escuridão vai fazer valer
A luz extrema que em meu coração brilha...

Nada prende, quando o coração consente
De não se forçar a ir além
A seguir a face do bem
Suave, sutil  e internamente...

Porque tudo na menina foi costurado
Com firmeza! e ela só vê beleza
No que é real...mesmo que demore
não  importa  o tempo do temporal... 

E eu me reconstruo mesmo lentamente
Pois fui bordada e pintada à mão
E a canção da minha emoção
Precisa de tempo ...para recompôr...

(Sonhos, sorrisos,luzes, fé... e amor)


Mas enquanto isso, sigo de mãos dadas com meu querido Deus, nem perdida e nem desencontrada...guiada. Como sei que és também.  :)

Sol


Vê, é o mesmo incrível sol
A nascer todo dia
Aquecendo tudo que gera vida
Em eterno movimento...

E como é belo sentir o vento!
E a doçura que envolve cada ato
Dos mais sutis, aos presos no retrato
E o agora, primavera que mansamente chora...

Chora na forma de garoa fina
Como a compensar o equador
Fazer florir ipês,molhar o fim de tarde
E tudo aquilo que arde...

Como a alegria de SER! Aqui estar.
Com as certezas de quem é eterno
Para sempre debaixo do nosso olhar...
Com a mesma velha crença e a inabalável fé:

De que estamos sempre a caminho
Do melhor que pudermos ser...
Mas que o  SER já é a própria alegria
E a essência de viver! #

Hoje eu só quero quer o dia comece e termine bem. Para todos nós!
Para hoje e os dias que se aproximam: Positividade!

:)

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Mãos trêmulas


Todos temos medos...
Do hoje,do ontem, do amanhã
Como se fossemos ou pudéssemos ser perfeitos
Ou mesmo seres feitos por mão artesã....

São mãos trêmulas as que escrevem
Pedindo ao senhor do pincel...
Que a alma aquiete a forma de ser
Mesmo que poesia deixe de nascer....

Pra não sentir tanto e com tal força,
A beleza profunda,o amor e a tragédia
A paz, o poema, a alegria
E esquecer os manuais das doces fantasias....#




* Esse foi o dia mais cansativo que me lembro deste ano,rs. Mas deu tudo certo. Obrigada, Senhor! <3
Depois: estudooooo ate agora,poesia,sono... 
Sonhos.  Por que "sonhos não envelhecem..." 

:)

Saudade


Saudade
é brilho de beleza
Dentro de quem enfrenta a correnteza
De ser gente e ainda assim, arriscar
Fazer valer!
Então: um brinde
Para  mim
e para você
e para todos tiveram a coragem
De provar do incrível sabor:
Viver um grande amor.