domingo, 21 de outubro de 2018

A Bruxa*





A bruxa que mora no lado esquerdo do ouvido
E dança enquanto a lua branca  balança o cheiro dos ipês
Intuitivamente sente o mundo  e conta tudo
Que eu jamais queria ver:

Ainda assim, deixo a  vida acontecer...

Essa voz que diz o que  nem queria ouvir
As esquinas, o dom da pulsação
Que fez da bússola quebrada uma forma de presente 
O peito milagrosamente sente... 

(Seria maldição?)

A falta de magia na crueza esmagadora do dia 
As últimas notícias do jornal deprimente 
O café frio e o atraso na estrela cadente
Quem sabe?  Como dói o coração, no instante...

(vejo uma semente...)

Ah! Essa bola de cristal quebrada!

Corta em mil pedaços que me ferem o peito
Não seria isso uma forma de sabedoria?
A vida, milagrosamente, corta, opera e costura
imperiosa,  a verdade silenciosa dos dias!

Confesso que não queria ter razão...

Quisera pudesse ser apenas a louca da rua
Com graves problemas nas aulas de alucinação!
Mas no avesso, fico rouca do amargo gosto da lição
Que fui eu quem fiz...em uma breve previsão:

Ensaios sobre vidas nubladas:
O tempo ao contrário não diz nada
Mera sequência aleatória
De tudo que não conseguimos entender...

Mas, será que é preciso?

"Eu amei vocês
E vocês me amaram...
O resto é ...confete"

#



*De rever o último episódio da "Maldição da Residência Hill" e perceber a magnífica e trágica metáfora existencial. Veja o EP, leia o poema...e tente dormir, depois disso. Seria cômico, não fosse trágico.

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