quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Mais! (Para um 2026 ILUMINADO)

 



Menos medo, mais amor

Mais poesia e dias de chuva fina

Mais alegria despretensiosa,

Laços e nós...

 

Mais sentimento con - sentido

Mais riso, prazer, gemido!

Mais pele, menos cicatriz

Mais sinceridade, menos verniz.

 

E assim,

 

Mais simplicidade, menos aceleração

Menos frase de efeito, mais comunhão

Menos demagogia, mais teoria bonita

- daquelas que conduz boa ação-

 

Menos guerra,

Mais irmão...

Menos palavra seca, antes,

Molhada oração...


Menos utilidade, mais paixão...

 

E no meio desse sol que arde,

Desse gente que late,

E de tanta baixa(ria)

Menos dor e mais beleza

 

Leveza e poesia.

 

(E assim, na busca da simplicidade, peço: 

mar doce da minha aldeia, rogai por nós...)

                                                                                       #


Esse poema surgiu logo após uma bela aula sobre "Frater - nidade", em 06.10.2021, quando um grande sonho se tornava bem lindo, ao alcance da minha mão... 

E que a gente sonhe muitooooo...porque ver horizontes, tocar com as mãos o céu almejado...é lembrar que Deus (de qualquer forma que você conceber) é ternura que nos alcança, nos detalhes...<3

Brisa suave


Tu pareces a brisa suave desse dezembro de chuva tímida
Que se insinua pelo dia sem ferir a tez do instante
E faz falta a tua presença quando não estás
Apesar de não saber para aonde vamos
 
Nesse descobrir...
 
Tu pareces uma canção instrumental
Bem docinha, falando de afeto sem dizer
E eu te ouvi nas curvas do vinil do Engenheiros
Por toda a manhã – Foi para enganar saudades.
 
Eu gosto de ti sem precisar dizer por que  
- Mas sei bem a razão
Gosto das coisas que aprendo contigo
E também do silêncio calmo que mora por dentro de mim
 
Ao segurar tua mão...
 
E se tu quiseres ficar para janeiro ou mais
E se a gente der de acontecer pelo correr da lida
Que a gente seja um para o outro como nasce esse Dezembro:
Brisa suave que abençoa a vida.
#

 

Que 2026 venha DOCE e LINDO, queridas pessoas frequentam essa lua que não dorme.

Que venha lúcido, mas cheio de sonhos,  como esse poema, que rompeu timidamente a tez da vida em um dia qualquer desse Dezembro...


LUZ!

Descobrir

Moço,

Eu não preciso que corras atrás de mim
Em um aeroporto
Nem que sejas meu porto:
Eu me navego bem, voo feliz
E, por um triz, quase não pouso.

Mas eu quero as bobices da partilha
Conhecer a trilha
Que te embala, nas tardes quentes e madrugadas
Sem tudo ou nada: 
Calma...

Eu não preciso de tempo para que a turma do outro bairro
Veja e saiba se te quero
Constrói comigo a nau e navega
Vamos brincar com aventura chamada emoção
E só se for bom para dois,

(eu te espero)

Eu já me bagunço toda só de te deixar entrar
Já gosto da tua pele
Me derreto no sorriso
E já brinco de poesia
Porque estás aqui...

(E até penso em te deixar ficar e  a gente se descobrir...)


#

Brinquei com 'Caju', da Liniker e com "Coração Selvagem'', do Bel e 'Você me bagunça'', do Teatro Mágico.

Estava no rascunho, achei tão fofo. 







quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Trajeto

 'Ele encontrou o ponto arquimediano
E teve que aplicá-lo contra si mesmo
Ao que parece, essa era a condição para que o encontrasse"
Hanna Arendt sobre o fenômeno das Portas, de Kafka.



Carne é carne: latente, presente
O coração pulsa, quente, voraz
A vida é rápida e consumível:
Por isso, preste atenção:

Vive de descobrir teus contornos:
Navegar é preciso: Naufragar, não.

Tenha boas bússolas
Porque todo mundo pode se perder um pouquinho
Volte ao porto, consulte a rota, se preciso:
Recomece....

Não se perca pela sombra 
das interpretações alheias.

Lembre-se: 
Navegar é preciso. Naufragar, não.
O certo ainda é o certo
Mesmo quando ninguém está olhando

Mesmo Fernando, com tantos heterônimos
Sabia que, para ser muitos,
Ter identidade é preciso:
Consulta teus contornos, se habita

Faz uma boa morada para ti.

Não adoece, recorda: 
Saúde não é só sobre comer proteína magra
E beber 3 litros de água.
Meu bem, antes de mais nada:

Cuida do que teu coração se alimenta,
 pois viver é uma aventura que mata.

Tenha bons amigos, e um anjo loiro
Para aconselhar visceralmente:
'Não seja escroto com as pessoas!
Mas também, não seja escravo delas...''

Pausa para recordar com doçura
O propósito de existir
Pois viemos aqui ser parte da missão um dos outros
E existir é sim ser no coletivo, em essência.

Por isso, te pergunta:
"O que vamos amar hoje?"

Se isso ferir o outro, descumprir pactos
Ou quebrar elos, saiba: é apenas vaidade
E, não importa quando tempo passe
O certo ainda é o acerto

- Mesmo quando ninguém está olhando -

Busca pela simplicidade, pois felicidade
é se sentir amada, sem necessariamente ser útil
Reconfigura partes da estrada, se preciso
Consulta teus contornos, se habita

Faz uma boa morada para ti.

#

LUZ!

*Dei esses bons conselhos a uma amiga querida. Virou poesia...







quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Te apressa, Felicidade



 Te apressa, Felicidade:
Que o meu apreço em respirar é o sorriso cálido
A poesia mansa
A chuva quente de Dezembro que lava o ano

Leva o passado e deixa a estrada limpa para o que virá...

Te apressa em voltar a bater, coração:
Não há espaço para diacronia
Naufragar, às vezes, pode acontecer
Reconstrói a nau: 

faz valer.

Não deixa a vida te dizer coisa diversa:
Dispersa a névoa densa, deixa ir
Entrar a luz do sol e as coisas boas
Recebe o afeto que te dá o universo

Pois amor em movimento é sempre Deus...





#

Tenho AMADO ouvir João Gomes.... ele têm me feito apaixonar, namorar,casar e descasar...tudo na poesia. rs.
:)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Poema da Purificação (Do Bruxo)



Depois de tantos combates
o anjo bom matou o anjo mau
e jogou seu corpo no rio.

As águas ficaram tintas
de um sangue que não descorava
e os peixes todos morreram

Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo,
e outro anjo pensou a ferida
do anjo batalhador.

(Carlos Drummond de Andrade)


 

Má Água

 


Sai de mim, lívido Amazonas! 
Não faz morada assim
No meu coração de sol tropical
Não enche meu pulmão de sal - Oceano

Leva o ledo engano
Esvai...

Que te dói em mim,
Lívido Amazonas?
Rasga o tecido da ilusão! 
Torna em nada o sangue que alimentou minha veia

No revés do milagre:
 distração ...

...de onde vens, já podes ir:
decepção

#

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Umas e outras lições de amor em Belchior (Republicado)




Ela não quer que ele aprenda a ser cool
Nem que tire o velho blusão do corpo
Quer tomar um gole do seu copo
Marcar sua boca de batom
 Com um beijo louco.

Ela não quer que ele aprenda inglês
Nem que seja um exímio dançarino
Quer apenas um tango argentino
Correr junto para um mesmo destino…

Ela quer filosofar pequenas teorias
Mas sentir o toque real da borboleta
Quer chorar as dores do mundo
E sorrir de pequenas delicadezas

Ela não quer nem isto e nem aquilo!
Que toda menina sonha
Ao brincar de boneca
Quer ver as luzes da cidade!
Correr perigo com a pessoa (in)certa.



#

Sobre coisas que ela aprendeu por amar Belchior... 
E foi deste coração selvagem que o Poeta, ouvindo músicas que ama, deitado em seu sofá, natural e livre, voou, segundo sua mulher companheira (pelo que agradeço à vida a metáfora poética, pois, já disse Drummond, 'o amor bate na aorta'). Fiz esse poema para quando Bel fez um ano de sua ida às estrelas.

Reli e apaixonei-me novamente: https://coisasnovaspradizer.wordpress.com/2012/09/19/o-que-e-belchior/. <3

Conversas com o Poeta (Para Belchior)




Vira , revira:

 A gente tem de levar tanta vida dentro de nós!
Para compôr quem somos
Entre espelhos e alma exposta
o amor  encaixa,desencaixa,  apavora!

Pede nossa pele, coração e sentido
Dança em diacronia, é gemido e alma contente
e ainda tem um segredo: é ousadia
de valentes...

Ouvir estrelas, 
mudar as coisas:

E que será mais que a gente veio fazer aqui?
Descobrir as muitas maravilhosas formas de ser gente!
Pois somos feito estrela cadente -  coisa incandescente!
Que todos os dias cai...

E recobra luz de ser bicho humano
Arte, conceito estético e poético
Que todos a cada instante se renova
Multiversificadas linhas emaranhadas

Por fios de destino,sina ou coisas encantadas...

Mas, não: isso não é sobre teorias do oriente,
projeções ilusórias ou horóscopo do dia
O tempo é cosmicamente real: o carbono se refaz !
E se projeta em nós, entre surpresas e alegrias...

"Por isso, cuidado, meu bem'':
Entre esquinas, 'galos,noites e quintais', há tanto perigo!
E um beijo marcado - entre pele e batom- 
Dentro da parede da memória - faz abrigo.


A vida não é lamento:
 é escolha do espaço, corpo e tempo
é nunca esquecer a verdade presente:
"A felicidade é uma arma quente"

- E o amor, força pungente -
Que mantém o poema de pé.

#



LUZ!







Nude



 Sou do dia,

De chuva fina que deixa o dia cinza,
Da rede que embala sonhos no jardim
De coisas cálidas, nada pálidas
Emoções sem fim...

Sou das madrugadas,
Do vinho na taça e Bethânia rolando sob a brisa do Amazonas
Sou molhada de chuva, quente, bicho equatorial
Faço da minha loucura plácida o meu carnaval...

Sou estável e de repentes
De regar as flores e plantar sementes
De sair, quando a hora chega, sem olhar pra trás
Sou de palavra que não torce, de curvas, de silêncios  

(e busquei coisas de paz...)

Leva tempo dar conta de tudo que sou
Confesso, Moço:  
tem muita brisa de amazonas, 
tardes quentes sob as pontes de igarapés...

Tem verso de Belchior e inconformidade de Raul
Gritos de Elis e verbos de Caetano
Uma MPB maluquecida de rock and roll 
Que dança ao som de um blues...

Não tô procurando nada (Será?)
Mas só venha se for pra dar tudo
Eu não entretenho em 'meios-calores'
Nem em elos de versos mudos... 

Por aqui, a feira é maluca
Tem sabor, tempero e cor
De tudo um pouco trago nessa caravela emocional
Um regatão amazônico cheio de tempero, sabor, açúcar e sal...

#


De um papo muito legal sobre identidade, mistura e sonhos. :)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Pausas




Entre vírgulas
A pausa pede espaço para ser: 
Existir é perceber que o meio-do-caminho
Também é um bom lugar para se estar.

E quem está completo de verdade
Ainda existe, coração?
Ou viver é repousar nas coisas que já são
E trabalhar pelo que se ainda quer vivenciar?

Curtir o tempo do preparo, pois o jardim não nasce
Se não começar pelo plantio...

Preamar precisa da estofa
A tábua da maré regula mesmo é pela lua -  e a lua, pelo sol
Tudo é farol: Somos interligados
Na caminhada, fazemos parte:  Somos a própria estrada

O universo fala...

Então, repara: Repousa.
Dá-te tempo para apreciar bobices
Percebe a sorte das inúmeras possibilidades
Existir com tanta liberdade é uma bênção.

Todo mundo nasce assim: Nu e cheio de variáveis
Que podem comungar 
Para algo qualquer chamado FELICIDADE
A depender das escolhas e progressos

E o processo, bem me ensinou um anjo loiro,
É perguntar: ''O que vamos amar hoje?''
E, entre pausas, caminhar.
E entre caminhadas, comungar

Com a bondade infinita d´Ele, 

DEUS!

#


Emprestei do meu anjo loiro a expressão:  'D´Ele, DEUS!", de um dos poemas que mais amei ler este ano (que é dela, claro)


terça-feira, 2 de dezembro de 2025

A alma e Bernardo Soares...


“Uma das minhas preocupações constantes é o compreender como é que outra gente existe, como é que há almas que não sejam a minha, consciências estranhas à minha consciência que, por ser consciência, me parece ser a única.
(...)
Ninguém, suponho, admite verdadeiramente a existência real de outra pessoa (...)
O que parece haver de desprezo entre homem e homem, de indiferente que permite que se mate gente sem que sinta que se mata, como entre os assassinos, ou sem que pense que se está matando, como entre os soldados, é que ninguém presta a devida atenção ao facto, parece que abstruso, de que os outros são alma também”.


(Bernardo Soares,in "Livro do Desassossego",  p. 303)

*Republicado de 21.01.2015, pois foi acessado e é preciso recordar sempre...