segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Em suma, isso. - Conto botinitinho. (Isto seria mesmo um conto?)


Em suma, eles eram dois amigos que se apaixonaram e fizeram do amor a loucura mais terna, abrigo tecido de som e dissonâncias. E assim, em suma, eram amigos que apostaram no grande amor.
E cumpriram a promessa: Rimas, poesia, versos, abraços. Canções! Lições enternuradas e pieguices adocicadas de fé e profunda mocidade. Nunca ouvi duas pessoas fazerem tanto amor com poesia, música, filosofia...e podia ser dos sistemas mais complexos do universo à uma aquarela de sombras, ou uma guerra de travesseiros, o som,o silêncio, o domingo e a tragédia (Ou o suco de maracujá). Ele era visceral na canção, o literal " inteiro coração"! ela tinha um medo que esquecia na presença dele. Eles perdiam e ganhavam o tom, criavam o que desse na telha, e pasme: Já correram atrás do sol. Isso mesmo. 

Eles foram muitas canções, de blues,jazz,mpb,rock and roll e bossa. Juntos, cada dia era um universo literário e poético enlouquecedor. Na literatura, são as chamadas 'obras abertas' que findam sem findar e não tem ponto ou vírgula, reinterpretáveis à ótica de cada leitor. Mas sabemos que as obras inconclusivas têm uma conclusão própria: a roda da vida é incontrolável e, inexoravelmente, gira.



Em suma, eles jantaram juntos, tomaram café juntos, dormiram cedo ou dormiram muito mais tarde, amanheceram divergindo em teoria e convergindo  (risos). Eles tomaram muitos vinhos, curtiram musica bacana, teatro, poesia! Ele escreveu sobre ela, ela rimou o amor por ele.
Em suma, eles se amaram, tomaram banho de chuva, armaram altos barracos, tiveram as melhores noites e os piores embates, dormiram de costas coladas e quase casaram (porra nenhuma, eles só não assinaram os papéis - para ser sincera, assinaram).

Eles tinham uma alquimia própria: se complementavam e repeliam, quase-sem-querer...

Em suma, eles deram o sangue e a alma um pelo outro, de um jeito tão profundo e desproporcional, mas  foi recíproco e verdadeiro, de um jeito meio desnorteado - e cada um com suas verdades. 

Em suma, ela perdoou entre-sorrisos a esquizofrenia dele e agora tem um relicário no peito com um lacinho vermelho que ela gosta de chamar de "Preto" ou de "Xinenem",mas isso esta anotadinho em letras pequeninas, que e pra não alardear ao mundo tolices .

É difícil descrever o que eles viveram, porque a sensação é que sempre falta algo, tamanha foi a essência da mistura. Não porque tenha se perdido, mas porque ficou suspensa em alguma fenda do tempo, criada para aquela história e que é irrepetível. E eles tentaram.  Mas, em suma, ele pirou, ela entrou na dele, eles se amaram e a historia deles ficou meio confusa no meio, com direito a final alternativo.

Em suma, esses porras sentiram muita falta um do outro, por um longo tempo. Porque sabem que o que construíram tem um nome: é RARO!E nunca mais foram os mesmos.

Em suma, ela não quer que ele encontre alguém igualzinho a ele, porque Hiroshima ia ser fichinha para a bomba que poderia sair (rsrs),mas sabe que ele vai encontrar com ele mesmo primeiro, para depois encontrar com a garota de sorte (porque droga, ela não desiste de pensar que ele é um puta de um cara legal, mesmo que ele queira dizer que não) que irá seguir com ele nas estradas pontilhadas.

Em suma, o tempo passou, a vida veio, fez a arte do possível e alinhou as arestas das coisas incontroláveis, como o AMOR que se transforma. Em suma, quase ninguém acredita que eles atravessaram a jornada do tempo com o profundo laço de amizade, lealdade visceral e cooperação contra os canalhas da existência. Eles se leem, se admiram e partilham a beleza da vida. 
Eles cooperam com a existência um do outro, mais que muitos casais que andam por aí de mãos dadas. Talvez a questão seja de laço. Formar laços que aprendem a transcender e tornam em outros significados.  Em suma, ela só quer que eles sejam felizes para sempre, mesmo que não tenha sido no mesmo para sempre. Ela quer olhar para ele e saber que ele está feliz. Que pode contar. Que pode confiar. E isso é uma forma de SUCESSO e, claro - de dar um nocalte na efemeridade da eternidade: porque não acaba, transforma. 
Em suma, eles não se perderam, porque ajudaram um ao outro a encontrar um pouco mais o que havia dentro deles que faltava. E, afinal de contas, não é isso que viemos fazer aqui?

É isso. :)


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